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Full text of "Histórias e Tradições da Cidade de Sao Paulo"

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i 


I 


1  —  H.  e  Tradições  —  Vol.  3.» 


I 


EDIÇÃO  ESPECIAL  SOB  O  PATROCÍNIO  DA 
COMISSÃO  DO  IV  CENTENÁRIO  DA  CIDADE  DE  SÃO  PAULO 


SERVIÇO  DE  COMEMORAÇÕES  CULTURAIS 


í 


História  e  Tradições 
da 

Cidade  de  São  Paulo 


Volume  II! 


História  e  Tradições  da 
Cidade  de  São  Paulo 


3  desenhos  em  córes  de  Cândido  Portinari 
112  bicos-de-pena  de  Clóvis  Graciano 
fotografias   e   plantas   de    S.    Paulo   antigo    e  mod 

VOLUME  I 

Prefácio  de  Gilbrrto  Freyre 
Nota  Preliminar 
Introdução  —  Cidades-Grandes 
do  Brasil 
1*  Parte  —  Arraial  de  Sert artistas 
(1554  -  1828) 

VOLUME  II 
2'  Parte  —  Burgo  dc  Estudantes 
(1828-  1872) 

VOLUME  III 
3'  Parte  ^  Metrópole  do  Café 
(1872  '  1918) 

Apêndice  —  São  Paulo  de  Agora 
(1918  -  1954) 

Bibliografia 

Notas  scbre  as  Gravuras 

índice  de  Assuntos  c  de  Lugares 

índice  de  Nomes 

* 

Livraria  JOSÉ  OLYMPIO  Editora 

Rio  de  Jane.iro:  Rua  do  Ouvidor,  110 
São  Paulo:  Rua  dos  Gusmões,  100 
Belo  Horizonte:  Rua  Curitiba,  482 
Recife:  Av.  Manuel  Borba,  23^0 
Perto  Alegre  ;   Rua  dos  Andradas,  717 


ERN  AN!  SILVA  BRUNO 


História  e  'tradições 

i 

da 

Cidade  de  São  Paulo 

VOLUME  III 

Metrópole  do  Café  (1872-1918) 
São  Paulo  de  Agora  (1918-1954) 
★ 

Prefácio   de   Gilberto  Freyre 
★ 

Com  285  ilusírações,  fotografias  e  plantas 
Bicos-de-pena  de  CLÓVIS  GRACIANO 
Desenhos    em   côres  de  CANDIDO  PORTINARI 

2. a  edição 


EDIÇÃO   ESPECIAL   SOB   O  PATROCÍNIO  DA 

COMISSÃO  DO  IV  CENTENÁRIO 
DA  CIDADE  DE  SÃO  PAULO 

Serviço  de  Comemorações  Culturais 


ivraria   J  0  S  é  Olympio  Editora 

Rua  do  Ouvidor,   I  10  —  Rio  de  Janeiro  —  1954 


ÍNDICE    GERAL  DO 


VOLUME  III 

TERCEIRA  PARTE 

METRÓPOLE  DO  CAFÉ  (1872-1918)    899 

I  —  Palacetes  e  Chalés    917 

II  —  As  Avenidas  e  as  Arvores    967 

III  —  Marcha  para  os  Arrabaldes    1025 

IV  —  O  Trem,  o  Bonde  e  os  Viadutos    1053 

V  —  Água  e  Abastecimento    1105 

VI  —  O  Mercado  e  a  Oficina    1131 

VII  —  O  Caminho  da  Salubridade    1189 

VIII  —  Dança,  Jôgo  e  Esporte    1215 

IX  —  Em  Torno  da  Academia    1253 

X  —  O  Piano  e  a  Ópera    1286 

APÊNDICE 

SÃO  PAULO  DE  AGORA  (1918-1953)    1315 

Bibliografia    1385 

Notas  Sobre  as  Gravuras   ".  1423 

ÍNDICE  DE  Assuntos  e  de  Lugares    1473 

ÍNDICE  DE  Nomes.    1519 


ÍNDICE  DE  GRAVURAS  DO 
VOLUME  in 


114  —  Estação  do  Norte  em  1889    901 

115  —  Largo  e  igreja  da  Sé  no  .começo  dêste  século    905 

116  —  Viaduto  do  Chá  em  1892    909 

117  —  Casinhas  e  chalés  na  rua  Sete  de  Abril    923 

118  —  Velhos  telhados  e  aspecto  lateral  da  Sé    927 

119  —  Sobradões  na  rua  da  Imperatriz    931 

120  —  Edifício  da  Câmara  em  1890    935 

121  ^  Recolhimento  de  S.  Teresa  em  1907    941 

122  —  Claustro  do  mosteiro  de  São  Bento    945 

123  —  Sobrado  na  rua  João  Bricola  em  1902    949 

124  —  Igreja  do  Carmo  e  convento  dos  Carmelitas    953 

125  —  Recolhimento  de  S.  Teresa  e  rua  do  Carmo    957 

126  —  Pátio  interno  do  convento  da  Luz    961 

127  —  João  Teodoro  Xavier    971 

128  —  Ruas  José  Bonifácio  e  Quintino  Bocaiuva    975 

129  —  Rua  Libero  Badaró  em  1912    981 

130  —  Avenida  Paulista  —  Inauguração  em  1891    985 

131  —  Avenida  Tiradentes    989 

132  —  Jardim  da  Luz  em  fins  do  século  passado    993 

133  —  Jardim'  da  praça  João  Mendes  em  1890    997 

134  —  Prefeito  Antônio  Prado  (1899)    1001 

135  —  Largo  de  São  Bento  em  1888    1005 

136  —  Pátio  do  Colégio  no  começo  dêste  século    1009 

137  —  Largo  da   Sé  no  começo  dêste   século    1013 

138  —  Lampião  de  gás  na  rua  da  Imperatriz  em   1880    1017 

139  —  Fundos  do  Seminário  das  Educandas     1033 

140  —  Rua  da  Tabatinguera  em  1880      1037 

141  _  Várzea  do.  Carmo  e  Tamanduateí  em  1890    1043 

142  —  Fachada  do  convento  da  Luz    1047 

143  —  Estação  da  Luz  em  1905   1057 

144  —  Estacionamento  de  tílburis  na  Sé    1063 


145  —  Limpeza  de  carruagvr.r,  no  Tanianduateí    1067 

146  _  Cocheira  Duchein  em   1071 

147  _  Bonde  de  Durros  e  íilburi  na  rua  Dir-rita    1077 

148  —  Automóveis  de  aluguel  na  praça  ib  República    1083 

149  _  Inundação  da  Várzea  em  1892    1087 

150  _  Demolição  da  casa  dos  Barões  de  Tatuí  em  1889    1093 

151  _  Viaduto  do  Chá,  rua  Libero  Badaró  e  rua  Formosa  ....  1097 

152  _  A  casa  "Banhos  da  Sereia"    1107 

153  —  Bebedouros  no  largo  de  São  Francisco    1113 

154  _  Chafariz  do  largo  do  Rosário    1119 

155  —  Pequeno  chafariz  do  largo  dos   Guaianascs    J'25 

■  5(5  —  Igreja    e   largo    do   Rosário    1135 

157  —  Ladeira  General  Carneiro  e  mercado    1141 

Í58  —  Ladeira  General  Carneiro  e  Cascata  do  Palácio    1147 

159  —  Mercadinho  de  São  João  em  1915    1153 

160  —  Mercado    da    rua   25    de    Março    1159 

161  _  Depósito  de  carnes  do  largo  São  Paulo    1165 

162  —  Tenda  de  Pai  Inácio,  no  mercado  velho    1171 

163  —  Quiosque  em  frente  à  igreja  do  Carmo    1177 

164  —  Rua  da  Imperatriz  em  1887    1183 

165  —  Quartel  da  Guarda  Cívica  em  1907    1197 

166  —  Edifício  do   Asilo  de   Mendicidade    1201 

167  —  Edifício  do  Quartel  de  Linha  em  1914    1207 

168  —  Igreja  do  Colégio  em  1896    1219 

169  —  Retábulo  da  Igreja  do   Colégio    1223 

170  —  Imagem  da  Igreja  do  Colégio    1227 

171  —  Fachada  posterior  do  mosteiro  de  São  Bento    1231 

172  —  Praça  da  República  em  1890    1235 

173  —  Rua  15  de  Novembro  em  1896-1900    1239 

174  —  Inundação   na   Tabatinguera    1243 

175  —  Floresta  e  Ponte  Grande  em  1905   '   1247 

176  —  Fac°  lateral  da  igreja  da  Sé  em  1910    1257 

177  —  Seminário  Episcopal  em  1905    1265 

178  —  Museu  Paulista  e  Jardim  do  Ipiranga    1273 

179  —  Observatório  de  Couto  de  Magalhães    1279 

180  —  Teatro  São  José  em  1918    ..  1291 

181  —  Teatro  Municipal    1297 

182  —  Pátio  do  Colégio  em  1895    1305 

183  —  "Ponte  da  Tabatinguera"    (Almeida  Júnior)    1309 

184  —  Maqueta  do  Edifício  Copan    1317 

185  —  Rua  Direita  em  hora  de  movimento    1321 

186  —  Praça  da  República  e  Avenida  Ipiranga    1325 


187  —  Parque  Pedro  Segundo    1329 

188  —  Anhangabaú  e  Viaduto  do  Chá    1333 

189  —  Passagem  subterrânea  no  Vale  do  Anhamgabaú    1337 

190  —  Túnel  Nove  de  Julho    1341 

191  —  Ponte  das  Bandeiras   1345 

192  —  Bairro   fabril   ,   1349 

193  —  Edifícios  do  Hospital   das   Clínicas    1353 

194  —  Maqueta  da  Catedral  da  Sé    1357 

195  —  Decorações  da  Igreja  da  Paz    1361 

196  —  Estádio  Municipal  de  Pacaembu    1365 

197  —  Hipódromo   de   Cidade   Jardim    1369 

198  —  Edifício  da   Biblioteca   Municipal    1373 

199  —  Monumento  das  Bandeiras    1377 

200  —  Brasão  da  Cidade  de  São  Paulo    1383 

Fora  do  Texto  Entre 

Desenho   de   Cândido    Portinari    IV/V 

Panorama  do  centro  visto  da  Várzea  do  Carmo  (1880)   .,  1028/1929 

Vista  aérea  da  cidade    1326/1327 

Fotografia  aérea  do  parque  Anhangabaú  e  parte  da  área 

central   da   cidade    1380/1381 

Mapa  Turístico  da  Cidade  de  São  Paulo    1542/1543 


W  esde  meados  do  século  dezenove  vários 

fatôres  —  de  ordem  económica,  social 
oti  simplesmente  técnica  —  ligados  a  fenómenos 
de  caráter  nacional  ou  regional  se  entrosaram  de 
forma  a  contribuir  para  que  a  partir  de  1870-1872 
aproximadamente  se  marcasse  uma  fase  nova  na 
existência  da  cidade  de  São  Paulo.  Em  pri- 
meiro lugar,  o  reflexo  daquela  febre  de  reformas 
que  principalmente  de  1851  a  1855  —  como  obser- 
vou Sérgio  Buarque  de  Holanda  —  se  registrou  no 
país :  o  começo  do  movimento  regular  de  constituição 
de  sociedades  anónimas ;  a  fundação  do  segundo  Banco 
do  Brasil;  a  primeira  linha  telegráfica;  a  organização 
do  Banco  Rural  e  Hipotecário;  a  primeira  estrada  de 
ferro  do-  país^.  Particularmente  agiria  sóbre  o  des- 
tino da  cidade  de  São  Paulo  a  ligação  dela  por  es- 
trada de  ferro  com  o  pórto  de  Santos  e  depois  com 
a  cidade  de  Jundiaí,  também  em  meados  do  oitocen- 
tismo.  E  ainda  o  fato  de  que  nessa  época  o  café  co- 
meçou a  suplantar  o  açúcar  na  economia  da  província. 
Êsse  desenvolvimento  da  cultura  cafeeira  que  — ■  como 
salientou  Prado  Júnior  —  de  início  fugiu  à  hege- 


^  Sérgio  Buarque  de  Holanda,  Raízes  do  Brasil,  1.^ 
edição,  pág.  90. 


900  ERN  A      I     S  I  L  V  A  BRUNO 

monia  paulistana,  ocorrendo  no  litoral  norte  da  pro- 
víncia e  no  Vale  do  Paraíba,  acabou  beneficiando  a 
cidade,  não  só  porque  também  a  zona  norte  foi  arti- 
culada ao  sistema  ferroviário  tendo  São  Paulo  como 
centro,  como  porque  as  lavouras  de  café  se  deslocaram 
depois  para  as  terrac  do  oeste,  tradicionalmente  tri- 
butárias da  capital  da  província"'.  Não  pode  haver 
çlúvida  —  prexia  em  1870  o  viajante  William  Had- 
field  —  que  São  Paulo  está  destinada  a  ir  para  a 
frente  como  capital  da  província  e  pivô  central  das 
comunicações  ferroviárias^  Essa  condição  de  pivô  de 
todas  as  ligações  por  caminho  de  ferro  foi  mesmo 
defendida  pela  cidade,  em  1875  a  sua  Câmara  Muni- 
cipal insistindo  para  que  ela  fôsse  o  ponto  de  partida 
da  estrada  de  Bragança''.  A  própria  exclusividade  da 
ligação  ferroviária  com  o  litoral  foi  mantida,  apesar 
de  que  já  em  1883  se  considerasse  insuficiente  o  trá- 
fego da  Santos-Jundiaí,  tendo  havido  quem  sugerisse, 
como  solução,  a  ligação  Iguape-Itú,  no  suP,  e  Taubaté- 
Ubatuba,  no  norte^. 

O  café  —  que  condicionou  o  desenvolvimento  eco- 
nómico da  província  —  teve  assim  em  São  Paulo  a 
sua  metrópole  indiscutível.    Por  outro  lado  não  só 


2  Caio  Prado  Júnior,  "O  Fator  Geográfico  na  Formação 
e  no  Desenvolvimento  da  Cidade  de  São  Paulo",  Geografia, 
n.o  3,  págs.  259-260. 

3  William  Hadfield,  Brami  and  the  Rlver  Plate,  1870- 
1876,  pág.  169. 

*  Atas  da  Câmara  Municipal  dc  São  Paulo,  LXI,  págs. 
22-23. 

^  Henrique  Ernesto  Bauer,  Apontamentos  sobre  a  Es- 
trada dc  Ferro  Projelada  entre  o  Porto  de  Iguapé  e  a  Cidade 
de  Itu,  págs.  5,  6,  7. 

^  Joaquim  Floriano  de  Godói,  A  Província  do  Rio  Sa- 
pucaí,  págs.  235  e  seguintes. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  903 

fazendeiros  enriquecidos  com  êsse  produto  refluíram 
para  a  cidade  —  tendência  que  se  acentuaria  com  a 
abolição  do  cativeiro  em  1888  —  como  comerciantes 
abastados  às  vêzes  se  mudavam  para  ela,  fugindo  de 
epidemias  em  cidades  do  interior  —  como  haveria  de 
ocorrer  com  Campinas,  cm  1889"  —  ou  procurando 
se  esquivar  de  residência  em  locais  de  climas  menos 
agradáveis  que  o  da  cidade  de  São  Paulo.  Como 
sede  do  governo  e  centro  de  comunicações,  indústria 
e  comércio  era  natural  — •  escrevia  o  observador  Raf- 
fard  em  1890  —  que  nela  procurassem  fixar  resi- 
dência famílias  abastadas  de  Campinas  e  de  Santos^, 
Para  isso  contribuía  ainda  o  clima  agradável,  embora 
muito  variável,  da  capital.  Ainda  em  1905  observava 
o  escritor  português  Sousa  Pinto  que  Santos,  sendo 
uma  cidade  com  instituições  próprias  e  população  nu- 
merosa, dependia  essencialmente  de  São  Paulo.  "É 
uma  espécie  de  sucursal,  de  anexo  da  capital,  cujas 
casas  comerciais  ali  têm  tôdas  escritórios,  armazéns 
e  arrecadações,  o  c[ue  faz  com  que  ela  tôdas  as  manhãs 
seja  demandada  por  uma  grande  turma  azafamada 
que  vem  de  São  Paulo  fiscalizar  e  dirigir  os  negócios, 
as  descargas,  as  exportações  e  se  retira  à  tarde  por- 
que Santos  sofre  no  verão  temperaturas  excessivas. 
Como  além  disso  várias  epidemias  a  têm  experimen- 
tado, todos  os  que  podem  preferem  sujeitar-se  à  via- 
gem cotidiana  a  habitar  ali"^.  De  outra  parte,  "os 
únicos  mercados  de  café  eram  São  Paulo  e  Santos 


Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas",  Revista  do  Arquivo  Municipal,  XCIII,  págs. 
123-125. 

^  Henric[ue  Raffard,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rev. 
do  Inst.  Hist.  Gcog.  e  Etnog.  Brasileiro,  vol.  LV,  II,  pág.  159. 

^  Sousa  Pinto,  Terra  Moça  —  Impressões  Brasileiras, 
págs.  378-379. 


904 


ETINANI     STL-N-A  BRUNO 


—  notava  na  mesma  época  Pierre  Denis  —  as  cidades 
do  interior  não  tendo  por  função  concentrar  as  co- 
lheitas'"". E  o  café  se  tornara  coisa  de  tamanlia  sig- 
nificação na  existência  da  população  de  São  Paulo 
que  a  ''saca"  passou  a  ser  considerada  unidade  mé- 
trica  observou  o  viajante  português  citado  — 

"como  o  carro  o  é  ainda  em  certos  pontos  do  Minho"^\ 
Também  passou  a  cidade  de  São  Paulo  nessa 
época  a  se  beneficiar  com  a  fixação  de  imigrantes 
europeus  e  os  de  outras  partes  do  Brasil,  e  com  a 
residência  transitória  de  gente  mais  ou  menos  abas- 
tada do  interior.  Muitas  famílias  de  fazendeiros,  so- 
bretudo no  inverno,  passavam  temporadas  na  capital 
da  província,  montando  casas  e  fazendo  gastos,  o  que 
em  parte  contribuía  —  notou  Lamberg  em  1887  — 
''para  a  prosperidade  e  o  esplendor  da  cidade'"^ 
Aliás  já  vários  anos  antes  —  em  1873  ■ —  fazia  re- 
ferência uma  ata  da  própria  Câmara  ]\Iunicipal  pau- 
listana a  moradores  do  interior  da  província  que  vi- 
nham à  capital  "procurando  distrair-se  da  vida  ata- 
refada e  muitas  vêzes  insípida"  em  lugares  ermos  e 
longínquos,  e  que  "de  lá  concorriam  com  o  produto 
de  seu  trabalho"^^  Gente  de  vários  pontos  da  pro- 
víncia viu  o  viajante  Június  na  cidade  em  1882,  "em 
grandes  ondas  nas  ruas,  nas  praças,  nos  arrabaldes, 
nos  jardins,  em  fôda  parte,  dando  visivelmente  maior 
animação  ao  comércio,  mais  vida  à  cidade,  e  fa- 
zendo circular  mais  dinheiro"^*.  Também  pessoas  de 
outras  províncias  do  Brasil  se  transferiam  para  São 
Paulo,  no  último  quartel  do  século  passado,  muitas 


10  Pierre  Denis,  O  Brasil  no  século  XX,  pag.  144. 

11  Sousa  Pinto,  op.  cit.,  pág.  380. 

12  Maurício  Lamberg,  O  Brasil,  I,  pág.  324. 

1^  Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LIX,  pág.  46. 

1*  Június,  Em  São  Paulo  —  Notas  de  Viagem,  pág.  56. 


i 


—  Largo  e  igreja  da  St  aos  prinuirui  auub  do  século  atual. 

(Coleção  Paulo  Florençano). 


HISTORIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  907 


para  se  dedicarem  a  vários  ramos  industriais  em  sua 
capitaP^  Assim  como  a  cidade  e  a  província  pas- 
saram a  atrair  cjuantidades  consideráveis  de  imigran- 
tes europeus  e  particularmente  italianos,  que  contri- 
buíram de  forma  decisiva  para  o  seu  crescimento  e 
a  expansão  de  seu  comércio  e  de  sua  indústria.  Em 
relação  a  êsse  desenvolvimento  não  podem  ser  esque- 
cidos aqueles  fatõres  naturais  a  que  se  referiu  Caio 
Prado  Júnior:  os  que,  na  distribuição  da  imigração 
europeia  na  América,  fizeram  com  que  fossem  esco- 
lhidos para  pontos  de  concentração  certos  setores 
privilegiados  entre  os  quais  figura  esta  parte  meri- 
dional do  Brasil,  e  São  Paulo  em  partioular-^^. 

Foi  ganhando  assim  feição  definida  o  quadro  que 
se  esboçava  já  em  1870,  quando  Almeida  Nogueira 
escrevia  que  acabava  na  cidade  de  São  Paulo  o  ''ciclo 
dos  trovadores"  para  começar  o  dos  industriais.  "O 
príncipe  perfeito,  sua  alteza  sereníssima  o  estudante, 
ia  ser  deposto  pelo  caixeiro-viajante.  Caíam  as  ró- 
tulas, as  mantilhas,  arruavam-se  o  campo  do  Chá,  o 
Bexiga,  o  Zunega;  entravam  no  alinhamento  o  Brás, 
a  Mooca,  a  Ponte  Grande.  A  Penha  perdia  o  en- 
canto, uma  vez  servida  pelas  locomotivas,  pelo  bonde 
e  pelo  gás  corrente"'^  O  próprio  conceito  urbano 
se  modificava  como  observou  Richard  N.  Morse  com- 
parando dois  regulamentos  —  de  1856  e  de  1873  — 
que  definiam  os  limites  dentro  dos  quais  devia  ser 
cobrado  o  imposto  predial  urbano.  O  primeiro,  em 
1855,  representava  a  -cidade  se  confundindo  áiinda  com 


^5    Jíinius,  op.  cit,  pág.  56. 

Caio  Prado  Júnior,  "Nova  Contribuição  para  o  Estudo 
Geográfico  da  Cidade  de  São  Paulo",  Estudos  Brasileiros, 
Ano  III,  vol.  7,  págs.  195  e  seguintes. 

1^  Almeida  Nogueira,  A  Academia  dc  São  Paulo,  VIII, 
pág.  128. 


2 


908 


E  R  N  A  r;  I     SILVA  BRUNO 


O  campo,  se  estendendo  às  chácaras  de  Joaquim  Ser- 
tório, na  Mooca,  e  de  Hermenegildo  José  dos  Santos, 
na  Consolação,  e  ao  vale  do  Tamanduateí.  O  segundo, 
em  1873,  baseava  essa  delimitação  em  uma  abstração 
moderna!  falando  da  cidade  como  de  algo  perfeita- 
mente distinto  do  campo,  encerrada  em  limites  im- 
pessoais^^. 

Embora  em  1885,  .comparando  São  Paulo  com  a 
Côrte,  o  viajante  Lomônaco  achasse  que  ela  não  mos- 
trava ainda  o  movimento  rápido  e  turbulento  da  ca- 
pital do  Império,  acusando  ao  contrário  a  alegria 
tranquila  de  uma  cidade  de  província^^  a  verdade  é 
que  nos  últimos  trinta  anos  do  oitocentismo  ela  co- 
meçou a  perder  certos  elementos  que  lhe  davam  um 
caráter  acentuadamente  provinciano.  A  ponto  de  por 
exemplo  já  entre  os  anos  de  1883  e  1886  achar  Ro- 
drigo Otávio  —  como  escreveu  em  suas  memórias  — • 
que  ela  não  era  mais  "a  antiga  cidade  das  ruidosas 
tradições  académicas".  "O  progresso,  com  tôdas  as 
exigências  e  preconceitos  da  civilização  —  acrescen- 
tava êle  —  havia  insensivelmente  invadido  a  velha 
capital  jesuitica  e  eliminado,  de  suas  ruas  e  bairros, 
aspectos  e  perspectivas  tão  caros  ao  espírito  e  à 
saudade  de  tantas  gerações  estudiosas"^'\  Alguns 
anos  mais  tarde  —  em  1897  —  com  seus  trezentos 
mil  habitantes  e  apesar  de  suas  ruas  maltratadas,  seus 
bondinhos  de  burro  e  seu  aspecto  ainda  um  tanto  "co- 
lonial", ela  já  podia  deslumbrar,  por  exemplo,  os  es- 
tudantes provincianos  que  vinham  de  Minas.  "Para 


Richard  N.  Morse,  São  Paulo  —  Raízes  Oitocentistas 
da  Metrópole,  págs.  479-480. 

Alfonso  Lomônaco,  Al  Brasile,  pág.  122. 
'^^    Rodrigo  Otávio,  Minhas  Memórias  dos   Outros,  1.^ 
série,  pags.  57  a  59. 


HlblURIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SAO    PAULO  9U 


quem  \  de  Ouro  Preto  —  observou  Caldeira  Brant 
nas  suas  Memórias  de  uni  Estudante  — ■  aquilo  era 
uma  l'aris  em  i)onto  pequeno.  Não  me  fartava  de 
passear  pelo  Triângulo,  entrando  nos  cafés  e  confei- 
tarias""\ 

Consciente  ou  inconscientemente,  o  governo  mu- 
nicipal e  o  poder  eclesiástico  iam  eliminando  da  ci- 
dade os  seus  aspectos  e  os  seus  costumes  de  feição 
tradicional  ou  provinciana  mais  acentuada.  Em  1878 
desapareceram  os  antigos  "passos"  onde  paravam  al- 
gumas procissões,  e  alguns  anos  depois  Von  Koseritz 
observava  maliciosamente  que  nos  muros  do  mosteiro 
de  São  Bento  se  ostentavam  animcios  comerciais  de 
berrante  colorido"".  Em  1903  desapareceu  a  festa 
que  se  fazia  tradicionalmente  na  igreja  de  Nossa 
Senhora  da  Penha,  atraindo  gente  da  cidade  tòda. 
No  ano  de  1908  foi  proibida  pelas  autoridades  reli- 
giosas a  realização  de  outra  festa  popular :  a  que  se 
fazia  na  Santa  Cruz  do  Pocinho.  As  próprias  igrejas 
antigas,  feitas  de  taipa  segundo  os  rudes  moldes  co- 
loniais —  a  de  Santa  Ifigênia,  a  de  São  Bento,  a 
Sá  —  desapareceram  para  dar  lugar,  no  começo  do 
novecentismo,  a  templos  edificados  segundo  estilos  uni- 
versalmente consagrados  e  portanto  mais  de  acordo 
com.  a  feição  tanto  quanto  possível  europeia  que  a 
cidade  procurava  assumir  —  às  vêzes  sem  dúvida 
mediante  esforço  deliberado  de  administradores  como 
Antônio  Prado  —  escondendo  ou  eliminando  qualquer 
traço  não-europeu  ou  "caipira"  que  porventura  per- 
durasse em  suas  ruas,  em  suas  casas,  em  seus  jardins, 
em  seus  costumes.    Ê  significativa  a  referência  de 


21  Caideíra  Brant,  Memórias  dum  Estudante  {1885-1906)  ^ 
pág.  128. 

22  Carl  Von  Koseritz,  Imagens  do  Brasil,  pág.  254. 


912 


E  R  N  A  iM  I      S  1  L  V  A      BRUN  C' 


D'Atri  ao  empenho  cio  prefeito  Prado  no  sentido  de 
fazer  de  sua  cidade  natal  uma  cidade  rival,  do  ponto 
de  vista  estético  (de  acordo  por  certo  com  padrões  de 
beleza  estandardizadamente  europeus)  das  mais  belas 
capitais  da  América  do  Sul-^  Realmente  Antônio 
Prado,  ao  deixar  a  prefeitura  e  ao  encaminhar  ao 
«ovêrno  do  Estado  um  plano  de  melhoramentos  no 
centro  da  cidade,  escrevia  que  êsse  plano  lhe  daria 
o  aspecto  de  cidade  moderna,  próspera  e  civilizada, 
conferindo-lhe  um  dos  primeiros  lug-ares  entre  as  me- 
lhores cidades  do  continente^*. 

A  cidade  perdia  no  entanto  seus  aspectos  mais 
tradicionais  e  provincianos  nessa  época  sem  que  esses 
traços  fossem  substituídos  por  qualquer  fisionomia 
bem  definida,  e  muitas  vêzes  sem  que  o  poder  público 
pudesse  dar  solução  aos  problemas  que  se  colocavam 
—  tamanha  era  a  rapidez  com  que  se  processava  o 
seu  crescimento.  Com  vinte  e  um  mil  prédios  em 
19C0,  vinte  e  cinco  mil  em  1905  e  trinta  e  dois  mil 
em  1910.  era  São  Paulo  nessa  época  —  excetuando-se 
o  Rio  de  Janeiro  — ■  o  único  ponto  do  Brasil,  na 
opinião  de  Pierre  Denis,  onde  se  podia  ver  uma  multi- 
dão'''. Tinha  porisso  mesmo  a  feição  de  cidade  pro- 
visória, em  que  tudo  parecia  incompleto  e  sujeito  a 
remodelações  continuas.  "As  formas  de  vida  e  a  es- 
cala de  valores  dos  paulistanos  mudaram  completa- 
mente durante  os  sessenta  anos  que  se  seguiram  à 
Independência  —  observou  Morse  —  de  maneira  que, 


Alessandro  d'Atri,  UEtat  de  São  Paulo  ct  le  Rcuou- 
velleiucnt  Economique  de  rEurope,  pág.  190. 

Melhoramentos  do  Centro  da  Cidade  de  São  Paulo 
(Projeto  apresentado  pela  Prefeitura  Municipal),  1911,  págs. 
-3  e  seguintes. 

2^    Pierre  Denis,  op.  cit.,  pág.  147. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  913 


ao  tempo  da  República,  foram  suficientes  alguns  pre- 
cipi<:antes  para  que  a  curva  de  crescimento  da  cidade 
subisse  como  um  foguete""".  Começou  então  uma 
fase  de  progresso  material  incontrolado,  sem  cooder- 
nação  e  sem  planejamento'".  Em  1885  já  assinalava 
o  viajante  Lomónaco  que  a  cidade  de  São  Paulo  es- 
tava sujeita  a  um  trabalho  de  contínua  demolição  e 
transformação  que  não  podia  ser  logo  completado: 
"Uma  cidade  nova  tende  a  substituir  a  antiga"^**. 
Quase  na  mesma  ocasião  outro  observador,  Lamberg, 
dizia  que  em  São  Paulo  à  primeira  vista  já  se  percebia 
que  não  se  tinha  contado  com  um  desenvolvimento 
urbano  tão  importante'^.  O  crescimento  rápido  da  ci- 
dade foi  também  salientado,  em  um  espaço  de  trinta 
e  poucos  anos  (em  1875  e  depois  em  1907)  pelo  via- 
jante Charles  Wiener^".  No  começo  do  século  atua! 
—  em  1905  —  ainda  o  escritor  Sousa  Pinto,  embora 
fizesse  referências  muito  elogiosas  à  cidade,  reconhe- 
cia que  ela  não  estava  ainda  "de  todo  concluída'"^. 
E  Artur  Dias,  em  seu  livro  O  Brasil  Afual.  na  mesma 
época,  escrevia  que  a  cidade  de  São  Paulo,  vista  do 
alto,  mostrava  blocos  que  davam  idéia  de  "várias 
cidades  sucessivamente  agrupadas  dentro  da  linha  ex- 
terior instável"^".  É  que  muitos  de  seus  bairros  — 
como  notou  Caio  Prado  Júnior  ■ —  nasceram  ao  acaso, 
sem  plano  cie  conjunto,  fruto  de  especulaçõss  com  ter- 
renos. Bairros  desarticulados  e  desordenadamente  dis- 
tribuídos, não  se  ligando  entre  si  e  não  fazendo  corpo 

2^    Richard  N.  Morse,  op.  cit.,  pág.  456. 

27    Richard  N.  Morse,  op.  cit.,  pág.  470. 

2^    Alfonso  Loniònaco,  op.  cit.,  págs.  116  e  seguintes. 

Maurício  Lamberg,  op.  cit.,  I,  pág.  322. 
^'^    Charles  Wiener,  333  Jows  au  Brcsil,  pág.  43. 

Sousa  Pinto,  op.  cit.,  pág.  340. 
3-    Artur  Dias,  O  Brasil  Atitai,  págs.  345-346. 


914 


ERNÂNI      SI  I.  VA      BR  U  N  O 


com  a  cidade  "dentro  de  um  sistema  lógico  e  de 
conjunto'"'.  Essa  estrutura  não  podia  deixar  de  criar 
ou  de  ag-ravar  problemas  de  urbanismo,  de  transporte, 
de  salubridade.  Mas  era  o  tributo  que  o  remoto  ar- 
raial de  sertanistas  ou  o  velho  burgo  de  estudantes 
não  podia  deixar  de  pagar  para  conquistar  a  posição 
de  metrópole  do  café. 


■^•^  Caio  Prado  Júnior,  "Nova  Contribuirão  para  o  Es- 
tudo Geográfico  da  Cidade  de  São  Paulo",  cit. 


o  contrário  do 
que  ocorrera  no 
período  de  1828  a 
1872  —  quando  em 
linhas  gerais  a  casa 
paulistana  se  mantive- 
ra fiel  aos  moldes  tra- 
dicionais, que  vinham 
da  era  colonial  —  na 
fase  da  existência  ur- 
bana que  se  seguiu  (  de  1872  a  1918)  a  transformação 
foi  bastante  pronunciada,  rompendo-se  de  forma  radi- 
cal e  muitas  vêzes  condenável  com  quase  tudo  o  que 
a  experiência  havia  ensinado  aos  velhos  mestres-de- 
obra  paulistanos. 

Isso  ocorreu  a  princípio  através  de  reformas  de- 
terminadas pelo  próprio  poder  municipal,  quando 
dispôs  que  fossem  arrancadas  das  portas  e  janelas  de 
tódas  as  edificações  as  rótulas,  as  cancelas  e  os  pos- 
tigos que  se  abriam  para  fora,  e  pelas  disposições  do 
Código  de  Posturas  de  1875  proibiu  a  construção  de 


918 


ERN  A  \- 


S  I  I.  V  A  BRUNO 


casas  de  meia-água  c  de  sótãos  de  Cumieira  para  a 
frente.  Em  seguida,  pela  imposição  de  circunstâncias 
que  se  originaram  do  próprio  crescimento  rápido  da 
cidade  em  conseqíiência  do  enriquecimento  de  nova? 
zonas  da  província  com  o  surto  do  café  e  as  primeiras 
ligações  ferroviárias.  Entre  os  moradores  novos  da 
cidade  contaram-se  numerosos  fazendeiros  abastados, 
que  puderam  com  a  colaboração  de  arquitetos  e  em- 
preiteiros italianos  e  de  outras  nacionalidades  —  mui- 
tos radicados  em  São  Paulo  com  as  primeiras  levas 
de  imigrantes  —  edificar  palacetes,  vilinos  e  chalés 
cujas  linhas  estabeleceram  vivo  contraste  com  as  da 
velha  casa  acaçapada  da  tradição  portuguesa  através 
da  sua  adaptação  regional.  Surgiram  assim  casas  mo- 
numentais, solares  e  outras  edificações  inspiradas  em 
motivos  alemães,  ingleses,  normandos,  suecos. 

O  último  quartel  do  século  dezenove  —  como  os 
primeiros  anos  do  século  vinte  —  representou  período 
de  muita  demolição,  de  muita  reforma  e  de  muita 
construção  na  cidade  e  em  seus  arredores.  As  pró- 
prias edificações  religiosas  não  escaparam  a  êsse  pro- 
cesso de  substituição.  Os  conventos  de  São  Francis- 
co e  dos  jesuítas  —  sobretudo  êste  último  —  sofre- 
ram reformas  e  adaptações  de  tôda  a  espécie.  E 
quase  tôdas  as  igrejas  mais  tradicionais  da  cidade 
foram  desaparecendo  —  inclusive  a  do  Colégio  —  al- 
gumas para  dar  lugar,  no  começo  do  século  atual,  a 
templos  monumentais,  de  linhas  mais  modernas  em- 
bora estranhas  ao  passado  da  povoação. 

Nas  ruas  centrais  mesmo  as  edificações  mais  an- 
tigas foram  sendo  substituídas  por  casas  de  feição 
"mais  sòlidamente  européia",  inclusive  alguns  edifí- 
cios púbHcos  de  caráter  monumental  que  contribuíram 
para  alterar  substancialmente  a  feição  do  centro  pau- 
listano.   As  residências  particulares  formaram  ràpi- 


HISTORIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAfLO  919 


clamente  bairros  novos  e  se  estendcrain  eni  quase  tôdas 
as  direções,  ostentando  luxo  e  mesmo  conforto  no- 
táveis, embora  acusassem  por  \  êzes  um  g-osto  bizarro 
e  talvez  duvidoso,  compondo  o  "carnaval  ar((uitet(3- 
nico"  a  que  se  referiu  o  escritor  Monteiro  Lobato. 
O  reverso  disso  tudo  foi  a  resistência,  no  centro  da 
cidade  e  suas  imediações,  de  al.<;-uns  velhos  pardieiros 
e  de  muitas  ^/.equenas  casas  antigas  de  porta  e  janela, 
ai)esar  dos  protestos  dos  obser^■adores  e  dos  críticos 
mais  exigentes  da  estética  da  metrópole  do  café.  E 
também  a  edificação  das  modestas  e  às  vezes  miserá- 
veis moradias  —  sem  conforto  quase  nenhum  —  que 
se  improvisaram  nos  primeiros  bairros  proletários  da 
cidade. 

E  evidente  que  também  os  jardins  particulares 
ganharam  em  São  Paulo  fisionomia  diversa  a  partir 
do  último  quartel  do  século  dezenove.  Ao  lado  das 
antigas,  começaram  a  aparecer  e  se  valorizar  plantas 
e  flores  novas,  indígenas  ou  de  fora.  E  jardins  sun- 
tuosos  passaram  a  contornar  os  vilinos  dos  bairros 
mais  aristocráticos,  onde  jardineiros  italianos  foram 
substituindo  os  portugueses. 

Entretanto  um  dos  marcos  mais  significativos 
da  existência  da  cidade  no  período  que  se  iniciou  em 
1872  foi,  no  capítulo  da  casa,  o  fato  de  que  em  1874  as 
rótulas  foram  arrancadas  de  uma  vez  das  edificações, 
por  ordem  do  poder  municipal.  Elas  e  mais  os  pos- 
tigos, as  cancelas,  as  portas  e  janelas  "de  abrir  para 
fora"^  Tudo  isso  foi  proibido  logo  em  seguida  tam- 
bém pelo  Código  de  Posturas  (de  1875),  que. passou 
além  disso  a  não  permitir  construções  de  ranchos 
cobertos  de  sapé,  capim  ou  palha,  casas  de  meia-água 


'  Antônio  Egídio  Martins,  São  Paulo  Antigo,  I,  pág.  44 
e  II,  12.> 


920  E  R  N  A  i\  ,      SILVA  BRUNO 

dentro  da  cidade  c  sótãos  de  cuniieira  para  a  frente. 
Êsse  código  de  75  também  determinava  a  pintura  ou 
caiação  das  frentes,  oitões  e  fundos  dos  prédios,  dos 
muros  que  deitavam  para  as  ruas  e  particularmente 
dos  fundos  dos  edificios  que  davam  para  a  Várzea  do 
Carmo.  E  regulava  a  altura  dos  edificios  e  seus  pavi- 
mentos, dimensões  exteriores  das  portas  e  janelas  — 
prometendo-se  estabelecer  um  padrão^  Sabe-se  que  no 
ano  anterior  havia  sido  aprovada  pela  Câmara  uma  in- 
dicação segundo  a  cjual  as  casas  térreas  edificadas  de 
então  em  diante  não  podiam  ter  menos  de  quatro 
metros  e  quarenta  da  soleira  ao  telhado  e  as  asso- 
bradadas três  metros  e  noventa  e  seis.  As  portas,  2,75 
de  altura  e  1,30  de  largura.  As  janelas,  respecti- 
vamente 1,80  e  1,10^  Essa  preocupação  do  poder  mu- 
nicipal em  relação  a  condições  melhores  de  construção 
e  de  aparência  para  as  edificações  urbanas  ocorreu  em 
um  tempo  de  elevação  muito  grande  do  índice  de  cons- 
truções. Segundo  Paulo  Rangel  Pestana  —  e  de  acordo 
com  as  estatísticas  de  cobrança  do  imposto  predial  — 
haviam  sido  coletados  em  1834  1708  prédios,  em  1843 
1840  e  em  1875  2.992*.  Progressão  que  resultava 
indiretamente  do  desenvolvimento  de  novas  zonas  da 
província  em  consequência  do  surto  de  café  e  das 
primeiras  ligações  ferroviárias  de  São  Paulo  com 
alguns  pontos  do  interior.  Diretamente,  do  fato  de 
que  passou  a  morar  na  capital  muita  gente  enrique- 
cida na  agricultura,  acentuando-se  dessa  forma  uma 
tendência  que  se  observava  particularmente  desde  mea- 

2  João  Mendes  de  Almeida  Júnior,  Monografia  do  Mn- 
mcipio  da  Cidade  de  São  Paulo,  pá8:s.  58-59. 

3  Afas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LX,  pag.  163. 
"    Panlo  Rargel  Pestana,  "A  Cidade  de  São  Paulo  — 

Evolução  Histórica",  no  álbum  A  Capital  Paulista,  comemo- 
rativo do  centenário  da  Independência. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  921 


dos  do  século  dezenove.  Para  construção  de  muitas 
dessas  novas  casas  urbanas  contaram  os  moradores 
de  São  Paulo  com  a  colaboração  dos  arquitetos  e 
empreiteiros  italianos  que  começaram  a  chegar  entre 
os  primeiros  imigrantes^  Adaptando  o  pomposo  bar- 
roco dos  séculos  dezesseis  e  dezessete  a  um  proble- 
ma local  (a  casa  de  um  pavimento  sobre  porão  baixo) 
esses  construtores  italianos  —  na  observação  de  Ian 
de  Almeida  Prado  —  edificaram  bairros  inteiros  que 
deram  um  aspecto  peculiar  à  arquitetura  paulistana 
no  Brasil:  Santa  Ifigênia,  Vila  Buarque,  Liberdade''. 
Às  vezes  porém  edificavam-se  chalés  imitando  os 
suíços,  particularmente  no  Chá,  nos  Campos  Elíseos  e 
na  Estrada  Vergueiro^.  Em  1885  o  viajante  Lomônaco 
observava  que  os  palacetes  particulares  se  multipli- 
cavam em  vários  pontos,  especialmente  na  parte  nova 
da  cidade:  edifícios  construídos  com  bom  gôsto,  pre- 
dominando os  de  tipo  chalé,  circundados  de  jardins". 

Foram  solares  ou  chalés  muitas  das  construções 
que  se  fizeram  sobretudo  a  partir  de  1875  em  seguida 
à  falência  do  Banco  Mauá  &  Cia.  O  fato  —  a  falên- 
cia dêsse  estabelecimento  —  causou  pânico  na  Bolsa 
de  São  Paulo,  pois  quase  tôdas  as  pessoas  de  recur- 
sos da  cidade  tinham  depositadas  naquele  banco  as 
suas  economias.  O  receio  de  guardar  dinheiro  em 
casa  bancaria  fêz  com  que  êle  fôsse  aplicado  na  edifi- 
cação de  casas  numerosas  por  todos  os  bairros^.  A 
ocorrência  parece  ter  sido  providencial,  pois  nesse  mes- 
mo ano  e  segundo  indicação  de  uma  ata  da  Câmara,  ti- 

^    Ian  de  Almeida  Prado,   "São   Paulo  Antis[o  e  sua 
Arquitetura",  Ilustração  Brasileira,  Setembro  de  1929. 
^    Ian  de  Almeida  Prado,  op.  cit. 

^  Június,  Eni  São  Paulo  —  Notas  de  Viagem,  pág  44. 
^  Alfonso  Lomônaco,  Al  Brasile,  páçs.  116  e  seguintes. 
^    Antônio  Egídio  I\Iartins,  op.  cit.,  II,  pág.  91. 


922 


ERNÂNI     SILVA     B  R  U  N  C 


nham  se  o-eneralizad(i  os  protestos  contra  o  preço 
excessivo  dos  akignéis.  Com  o  afluxo  de  imigrantes 
eni  quantidade  cada  \  ez  maior  —  dizia-se  na  Câmara 
— ■  de  diversos  pontos  do  Império,  da  Europa  "e  íil- 
rimamente  dos  estados  platinos",  havia  carência  de 
casas.  E  a  solução  estaria  em  se  criarem  com- 
nanhias  (]ue  edificassem  residências  ou  adiantassem 
capitais  a  juros  módicos 'e  prazos  largos  a  quem  qui- 
sesse construir^".  O  fato  é  que  a  cidade,  que  tinha 
n:!enos  de  três  mil  prédios  em  1875,  passou  a  ter  onze 
anos  depois  mais  de  sete  mil.  Entretanto,  ainda  nes- 
sa ocasião,  parece  que  representava  motivo  de  orgulho 
para  os  seus  donos  e  talvez  para  a  própria  cidade  o 
sobradão  de  três  andares  edificado  em  1854.  "Casa 
de  três  andares",  dizia  orgulhosamente  o  anúncio  do 
Grande  Bazar  de  Roupas  Feitas,  de  Paiva,  no  alma- 
naque editado  por  Jorge  Seckler  em  1888'^. 

As  velhas  igrejas  e  os  velhos  conventos  conti- 
nuavam passando  por  tôda  a  sorte  de  reformas.  Em 
1872  lançou-se  a  pedra  fundamental  do  frontispício 
novo  e  da  torre  da  igreja  da  Boa  Morte^^.  Em  1878 
começaram  as  obras  da  fachada  nova  da  de  São  Gon- 
çalo^^.  Mais  ou  menos  no  mesmo  período  foi  remo- 
delada quase  que  totalmente  a  igreja  de  São  Bento^*. 
E  feita  a  restauração  da  de  Santa  Teresa.  A  pro- 
pósito das  igrejas  paulistanas  em  1883  o  viajante 
Von  Koseritz  observou:  "A  cidade,  comi  seus  trinta 
e  cinco  mil  moradores,  possui  nada  menos  do  que  de- 
zenove  igrejas,  sem  contar  os  templos  e  conventos 

Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LXI,  pág.  41. 
^1  Almanach  da  Província  de  São  Paulo,  1888,  pág.  6. 
^2    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  46. 

Antônio  Egidio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  40. 

Cursino  de  Moura,  São  Paulo  de  Outrora,  pag.  30. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  925 

destinados  a  fins  oficiais.  No  centro  da  cidade,  em 
distância  de  três  quadras,  se  encontram  sete  igrejas, 
uma  sempre  olhando  para  a  outra,  e  às  vêzes  nasci- 
das aos  pares  e  se  tocando  como  irmãs  siamesas"^^, 
Referia-se  por  certo  ao  fato  de  serem  vizinhas  as 
igrejas  dos  Remédios  e  de  São  Gonçalo;  as  da  Sé 
—  cujo  frontispício  e  cuja  tôrre  foram  mais  uma 
vez  reformados  no  ano  seguinte  (1884)^''  —  de  São 
Pedro  e  da  Misericórdia;  e  juntas,  as  do  largo  da 
São  Francisco  e  as  do  Carmo.  Mas  na  mesma  época 
ainda  foram  se  edificando  outras,  em  geral  nos  bairros. 
A  do  Sagrado  Coração  de  Jesus,  nos  Campos  Elíseos, 
começada  em  18S1  e  acabada  em  1884^^  Entre  os 
anos  de  1887  e  1891,  as  capelas  de  Santa  Cruz,  na 
ladeira  Pôrto  Geral,  e  de  São  Miguel,  na  rua  Antônio 
Prado  (depois  Bráulio  Gomes),  pelo  italiano  Miguel 
Aliano  e  sua  mulher  Ana  Maria  Orga^^  Em  1895 
ficou  concluída  a  igreja  de  Nossa  Senhora  da  Glória, 
no  Cambuci,  que  se  originou  de  uma  capela,  havendo 
primitivamente  na  parte  baixa  do  morro  uma  peque- 
na cruz  de  madeira  popularmente  conhecida  por  Santa 
Cruz  do  Cambuci^".  A  igreja  de  São  José  do  Ipi- 
ranga  foi  começada  em  1891.  A  de  São  José  do 
Belém  originou-se  de  uma  capelinha  reedificada  cm 
1897^**.  O  templo  do  Sagrado  Coração  de  Maria, 
na  rua  Jaguaribe,  foi  iniciado  em  1895  e  concuído 

em  1905"^,   E  em  1906  foi  inaugurada  a  nova  igreja 

  i 

'5    Carl  Von  Koseritz,  Imagens  do  Brasil,  pag.  254. 
Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  IT,  pág.  38. 
José  Jacinto  Ribeiro,  Cronologia  Paulista,  II,  págs. 
601-602.  \ 
José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  II,  págs.  556-594. 
José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  II,  pág.  595. 
2"    José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  II,  pág.  595. 
21    Jacinto  Silva,  Cidade  de  São  Paulo  —  Guia  Ilustrado 
do  Viajante,  pág.  106. 


926 


E  R  N  A  N  T 


L.  V  A     B  R  U  N  Ci 


do  Rosário  dos  Pretos,  no  laryo  do  Paissandú,  edifi- 
cada o-ratuitanientc  ih,i-  trabalhadores  negros".  As 
ig-rejas  da  parte  central  da  cidade  eram  quase  todas 
construções  dos  tempos  coloniais,  e  excetuando-se 
talvez  a  dos  r\enK'dios  e  a  de  São  Pedro,  tinham  entre 
si  uma  semelhança  muito  grande.  Como  escreveu 
V.  de  P.  Vicente  de  Azevedo,  "nuas  de  ornamentos, 
de  grandes  curvas  ])esadas,  privadas  cjuase  sempre 
até  da  nota  ris<mha  dos  azulejos  —  a  dos  Remédios 
foi  uma  exceção  —  nem  uma  só  das  igrejas  escapou 
ao  insonso  tipo  apelidado  jesuítico"-^  Foram  muito 
menos  suntuosas  que  as  do  Rio  de  Janeiro,  as  de 
Salvador,  as  de  Recife  e  as  de  algumas  cidades  mi- 
neiras-\  K  com  portais  sensivelmente  mais  pobres. 
Salientou  Alcântara  Machado  (jue  as  igrejas  })aulista- 
nas  não  se  comparavam,  na  perfeição  das  linhas  ou  no 
vistoso  do  porte,  com  as  da  liahia,  de  Pernambuco  ou 
de  Minas  Gerais,  acrescentand(3  que  os  seus  constru- 
tores não  tinham  tido  a  preocupação  da  beleza  e  nem 
mesmo  a  da  duração.  Desprezavam  "o  granito  e  os 
elementos  nobres",  utilizando  materiais  que  não  resis- 
tiram ao  tempo.  Daí  ter  sido  forçosa  a  reconstrução 
de  quase  tôdas^'\ 

O  mesmo  acontecia  com  os  conventos.  O  de 
São  Francisco  —  onde  se  instalara  a  Academia  de 
Direito  —  escreveu  Koseritz  que  estava  então  arrui- 
nado e  sujo.    Com  os  pátios  cobertos  de  capim  e  o 

22  Miguel  Milano,  Os  Fantasmas  da  São  Paulo  Antiga, 
pág.  37. 

2^  V.  de  P.  Vicente  de  Azevedo,  "A  Pirâmide  do  Piques", 
Revista  do  Brasil,  Junho  de  1920,  págs.  179  e  seguintes. 

2*  Sebastião  Pagano,  "Aspectos  de  São  Paulo  Histórico", 
Planalto,  Janeiro-Fevereiro  de  1946. 

25  Alcântara  Machado,  Vida  c  Morte  do  Bandeirante, 
pág.  40. 


illSTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  929 


calçamento  do  claustro  todo  estragado.  As  janelas 
arrebentadas.  E  nas  salas  de  aula  as  paredes  sujas: 
há  anos  que  não  eram  caiadas"''.  Sabe-se  que  exa- 
tamentc  a  partir  do  ano  da  visita  de  Koseritz  — 
1883  —  passou  o  casarão  por  uma  série  de  reformas 
amplas  por  dentro  c  por  fora-^  Dois  anos  antes 
sofrera  reformas  profundas  o  convento  dos  jesuítas. 
Demoliu-se  o  corpo  perpendicular  à  igreja  e  recons- 
tituiu-se  o  corpo  conservado.  O  edifício  perdeu  então 
—  segundo  Almeida  Nogueira  —  a  sua  fisionomia 
primitiva,  de  modo  que  ficou  "sem  a  nobreza  que 
nascia  de  sua  antiguidade,  nem  a  distinção  da  arqui- 
tetura  moderna""^. 

As  reformas  porém  não  se  fizeram  só  nas  igre- 
jas e  nos  conventos.  Também  nas  casas  particulares. 
Ao  lado  das  demolições  e  das  edificações  numerosas, 
em  fins  do  século  passado.  Em  1884  Dona  Veridia- 
na  Prado  mandou  edificar  na  colina  de  Santa  Cecí- 
lia, dentro  de  um  belo  parque,  o  seu  elegante  palacete, 
dando  o  exemplo  a  outras  pessoas  abastadas  que  co- 
meçaram a  edificar  palácios  nos  subúrbios  paulis- 
tanos. Arquitetos  hábeis  como  Ramos  de  Azevedo 
e  Tomás  Bezzi  —  escreveu  Teodoro  Sampaio  —  fo- 
ram mobilizados  para  êsses  empreendimentos""''.  Ra- 
mos de  Azevedo  fizera  em  Gand,  na  Bélgica,  o  seu 
curso  dc  engenharia  e  em  1886  fixou-se  na  cidade 
de  São  Paulo,  cabendo-lhe  então  a  construção  de  muitos 


Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  pág.  264. 

2''  Spencer  Vampré,  Memórias  para  a  História  da  Aca- 
demia de  São  Paitló,  II,  pág.  494. 

2^  Almeida  Nogueira,  A  Academia  de  São  Paião,  IV, 
pág.  269. 

2'  Teodoro  Sampaio,  "São  Paulo  no  Século  XIX",  Rev. 
do  Inst.  Hist.  e  Geog.  de  São  Paulo,  VI,  pág.  159. 


edifícius  públicos  c  particulares'".  Entre  os  últimos, 
as  residências  da  JMarquesa  de  Itu,  dos  Pais  de  Barros, 
Pádua  Sales,  Almeida  Prado,  Barbosa  de  Oliveira, 
José  Paulino  Nogueira  e  Aguiar  de  Barros'^ \  "Vilas- 
bonitas  e  um  pouco  estravagantes  viam-se  nesse  tempo 
na  parte  mais  nova  da  cidade",  segundo  o  viajante 
Andrews''^  Casas  ([ue  se  ressentiam  já  da  influên- 
cia da  aríjuitetura  italiana''''.  No  iicriod-)  de  1887  a 
1891  — •  de  acordo  com  as  notas  de  um  observador 
da  éi)oca  —  ao  lado  das  construções  moldadas  "nos 
singelos  riscos  de  modestos  mestres-de-obra  de  ori- 
gem lusitana"  começaram  a  aparecer  ainda  —  com 
a  imigração  crescente  de  vários  elementos  europeus 
—  construções  influenciadas  por  motivos  inglêses, 
normandos,  alemães,  suecos^\  Essa  "falta  de  estilo 
harmónico"  não  produzia  boa  impressão  —  escreveu 
Maurício  Lamberg-  em  1887  —  mas  a  aparência  da 
cidade  nem  porisso  era  desagradável^^.  Com  a  aboli- 
ção da  escravidão  em  1888  acentuou-se  por  outro 
lado  a  tendência  de  se  nmdarem  muitos  fazendeiros 
para  a  capital  da  província.  E  isso  representou  mais 
um  fator  para  que  as  reformas,  as  demolições  e  as 
novas  edificações  ocorressem  de  fornia  ainda  mais  in- 
tensa. Casas  novas,  muito  mais  suntuosas  que  as 
antigas,  foram  se  edificando  em  terrenos  até  então 
baldios,  embora  quase  no  centro,  como  à  esquerda  do 

•"^  J.  F.  Barbosa  da  Silveira,  Ramos  dc  Azevedo  e  suas- 
atividades,  pág.  7. 

J.  F.  Barbosa  da  Silveira,  op.  cit.,  pág.  12. 
Christoplier  C.  Andrews,  Brasil,  Ifs  Condition  and 
Prospects,  pág.  144. 

"    Giovanni  Pietro  Malan,  Un  Viaggio  al  Brasile,  pág.  49. 
Everardo  Valim   Pereira  de   Sonsa.  "Reminiscências 
•\cadèmi  cas'  ,  Revista  do  Árcjuivo  i\I iimcipal,  XCIIÍ,  pág.  12t. 
"    Mauricio  Lamberg,  O  Brasil,  I,  pág.  322. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  933 


Anhan.qabaii,  valorizados  com  a  construção  do  via- 
duto do  Chá^*'.  Nas  próprias  ruas  centrais  já  eram 
muitas  as  casas  com  feição  pronunciadamente  diversa 
daquela  que  dominava  em  meados  do  oitocentismo. 
O  jornalista  francês  Max  Leclere,  visitando  São  Paulo 
na  época  da  proclamação  da  República,  escreveu  sig-- 
nificativamente  que  as  ruas  paulistanas  eram  ladeadas 
de  ''edifícios  construídos  com  solidez  e  à  moda  eu- 
ropeia""'. Já  em  1885  escrevera  Lomônaco  que  o 
aspecto  geral  das  construções  paulistanas  contribuía 
para  lhe  dar  um  ar  de  cidade  européia^^.  Muitos 
prédios  de  São  Paulo  —  dizia  por  sua  vez  Raffard 
em  1890  —  tinham  feição  muito  diferente  da  que 
predominava  em  outra  época,  e  isso  em  parte  contri- 
buía para  que  o  aspecto  geral  da  cidade  fôsse  mais 
europeu  que  o  de  qualcjuer  outro  núcleo  urbano  brasi- 
leiro^^. O  tipo  comum  de  construção  —  assinalava 
em  1894  o  viajante  Mácola  —  era  o  das  cidades  ita- 
lianas de  província**'. 

É  que  nas  últimas  décadas  do  século  passado  já 
muitas  casas  de  feição  colonial  haviam  sido  demoli- 
das. As  casas  "sem  estilo  e  sem  graça",  que  o  fran- 
cês Charles  Wiener  vira  em  1875  e  já  não  encontrou 
em  1907".  Casaria  já  tôda  amarelecida  pelo  tempo, 
no  fim  do  século  passado,  e  que  ia  então  ruindo  e 


36  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  págs.  123, 
124,  126. 

Max  Leclere,  Cartas  do  Brasil,  pág.  62. 

Alfonso  Lomônaco,  op.  cit.,  pág.  108. 

Henrique  Raffard,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rcv. 
do  Inst.  Hisl.  Geog.  .e  Elnog.  Brasileiro,  vol.  LV,  II,  pág.  159. 

*°  Ferruccio  Mácola,  VEiiropa  alia  Conquista  deWAmc- 
rica  Latina,  pág.  384. 

Charles  Wiener,  323  Jonrs  au  Brésil,  pág.  43. 


934 


E  R  N  /v  iV  T 


SILVA      BRUN  G' 


desabando'' ^  "Também  se  demoliram  no  centro  — 
escrevia  Gustavo  K(jenigswald  em  1895  —  grande 
número  de  cdificios  antigos,  para  serem  substituídos 
por  construções  imponentes,  entre  as  quais  primam 
alguns  edifícios  [)úblicos  já  acabados  c  outros  por 
acabai"" Já  em  1887  a'iás  Mauricio  Lamberg  es- 
creveu que  xu-íi  em  São  Paulo  número  relativamente 
grande  de  prédios  monumentais,  parte  em  constru- 
ção, parte  já  acabados'^  Dois  anos  antes  destacara 
Lomônaco,  entre  os  edifícios  públicos  paulistanos,  o 
palácio  dos  goxernadores  (que  era  antigo  e  já  passara 
por  uma  porção  de  reformas)  "adornado  por  um  pe- 
ristilo de  estilo  clássico'''',  e  o  palácio  do  Município, 
pequeno  edifício  .retangular  "do  modelo  com  que  são 
construídas  as  Câmaras  Municipais  f  rancesas"'*''. 
Alguns  anos  mais  tarde  foi  edificado  mais  um  prédio 
público  de  proporções  incomuns :  o  da  Escola  Normal, 
na  praça  da  República,  em  1894^'^.  Mas  ainda  al- 
guns edifícios  particulares  se  contavam  entre  essas 
novas  construções  que  mudaram  a  feição  da  cidade 
nesse  período.  Como  por  exemplo  o  do  largo  de  São 
Bento  onde  funcionou  a  Repartição  de  Polícia  e  este- 
ve depois  o  Hotel  Rebecchino.  Ou  o  de  construção 
elegante  —  segundo  o  álbum  de  Jules  Martin,  em 
1905  —  e  também  de  três  andares,  no  mesmo  largo, 
onde  se  estabeleceu  o  Hotel  Bela  Vista"*^.  Também 

Roberto  Capri,  O  Estado  dc  São  Paulo  e  seus  Muni- 
cípios, pág.  ]  l. 

Gustavo  Koenigswald,  SiÃo  Paulo   (álbum  de  1895), 

pág.  10. 

Maurício  Lamberg,  op.  cit.,  I,  pág.  322. 

Alfonso  Lomônaco,  op.  cit.,  pág.  108. 
■^"^    Alfonso  Lomônaco,  op.  cit.,  pág.  115. 

São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno  (álbum  de 
1905),  pág.  110. 

■♦'^    São  Paulo  Antigo  c  São  Paulo  Moderno,  pág.  90. 


i  t 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES   DA    CIDADE   DE    SÃO    PAULO  937 


nas  ruas  de  São  Bento,  15  de  Novembro,  do  Comercio 
—  nas  quais  já  em  fins  do  século  passado  se  viam  as 
grandes  casas  comerciais  e  bancárias  —  ostentavam- 
se  edifícios  considerados  elegantes  para  a  época.  Em 
geral  de  um  ou  de  dois  andares.  Isso  acontecia  um 
pouco  menos  na  rua  Direita,  talvez  a  via  pública  do 
centro  que  no  começo  do  século  atual  apresentava 
ainda  maior  quantidade  de  edifícios  tradicionais.  Ao 
lado  no  entanto  de  alguns  novos  ou  reformados,  como 
acontecia  por  exemplo  com  aquele  em  que  estava  ins- 
talada a  Casa  Baruel,  reconstruído  em  1897^^  e  ainda 
existente. 

Em  1908  começou  a  se  demolir  a  parte  dos  fun- 
dos do  antigo  convento  jesuítico,  para  no  seu  local 
ser  edificado  o  novo  palácio  do  governo,  segundo 
planta  do  arquiteto  Ramos  de  Azevedo.  Essa  parte 
dos  fundos  —  que  havia  sido  reconstruída  em  1882- 
1884  —  era  o  que  restava  do  convento  contemporâ- 
neo da  fundação'  de  São  Paulo"".  A  igreja  da  Mi- 
sericórdia e  a  de  São  Pedro  —  esta  última  tinha  em 
1900  aspecto  lúgubre,  por  causa  das  suas  paredes  ene- 
grecidas^^ —  foram  derrubadas.  Em  1896  —  na 
noite  de  13  de  março  —  um  vendaval  rachou  as  pa- 
redes de  terra  socada  da  igrejinha  do  Colégio  —  que 
já  destoava  um  pouco,  pela  sua  extrema  singeleza, 
observou  Raffard,  no  meio  de  tantas  construções  mo- 
dernas e  relativamente  grandiosas"  —  abatendo  seu 
madeiramento  e  seu  telhado,  impondo-se  em  seguida  a 


São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno,  pág.  92. 
Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  123'. 
5^    Alfredo  Moreira  Pinto,  A  Cidade  de  São  Paulo  em 
1900,  págs.  33,  39,  40. 

^-    Henrique  Raffard^  op.  cit. 


938 


lí  k  N  A  N  I      >  i  LV  A     E  1?  U  N  O 


sua  demolição".  Pouco  mais  durou  a  Sé  antiga. 
Ficava  de  frente  para  o  então  pequeno  largo  da  Sé. 
Tinha  uni  l  urta!  bi-anco  encimado  pela  cor(ja  real 
portuguesa,  e  uma  escadaria  onde,  no  começo  do 
século  passado,  consta  que  costumava  se  sentar  um 
mendigo  que  foi  um  dos  tipos  populares  da  cidade, 
o  negro  velho  Zé  Prequeté : 

Oh  Zr  Prcquctc 
Tira  bicho  do  pc 
Fia  roiiic  com  cafc 
j\'a  porta  da  Sc.  ^' 

As  tábuas  do  seu  assoalho,  largas  e  grossas,  cheias 
de  frestas,  eram  de  canela  preta,  e  quando  demoli- 
ram o  templo  foram  disputadas  para  mobiliário^^. 
Tinha  seus  fundos  a  velha  Sé  na  altura  da  rua  Barão 
de  Paranapiacaba,  e  sua  fachada  era  porisso  fron- 
teiriça da  igreja  de  São  Pedro.  Fachada  sombria  e 
triste  —  dizia-se  no  álbum  de  Jules  Martin  em  1905''^ 
Seu  característico  —  na  expressão  do  cronista  Cur- 
sino de  Mou]-a  —  era  nenhum  para  o  estilo  arquitetó- 
nico  da  época.  Colonial,  como  qualquer  outra  igreja 
antiga  da  cidade.  Mas  aquela  única  tòrre  grande, 
quadrada  —  escreveu  o  autor  de  São  Pallio  de  Outrora 
—  os  sinos  à  mostra  e  aquela  porta  também  enorme, 
as  armas  e  os  brazões  imperiais  no  alto,  como  uma 
estampa  no  tôpo  da  escadaria  abrupta,  impavam  a 
vaidade  dos  paulistanos".    Foi  demolida  em  1912. 

Nuto  Santana,  São  Paulo  Histórico,  III,  pág.  97,  e 
"Notas  à  edição  definitiva  do  Os  Giiaiaiiascs"  de  Conto  de  ]\Ia- 
galhães,  pág.  122. 

^'^  Afonso  A.  de  Freitas,  Tradições  c  Rcminisccncias 
Paulistanas,  pág.  36. 

55    Nuto  Santana,  op.  cit.,  III,  pág.  156. 

5^    São  Paulo  Antigo  c  São  Paulo  Moderno,  pág.  94. 

5^    Cursino  de  Moura,  op.  cit.,  pág.  23. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA.  CIDADE    DE    SÂO    PAULO  93í> 


Oito  anos  antes  derrnbara-se  a  do  Rosário  dos  Pretos. 

É  que  no  começo  do  século  vinte,  no  dizer  de 
Adolfo  Augusto  Pinto,  em  lugar  das  velhas  igrejas 
coloniais  e  de  alguns  dos  antigos  conventos  precisa- 
vam erguer-se  edifícios  de  dimensões  maiores  e  de 
gòsto  artístico  mais  apurado^^.  De  dimensões  maio- 
res, sim.  De  gòsto  artístico  mais  apurado,  nem  sem- 
pre. Embora  tenham  sido  edificadas  igrejas  como 
as  de  Santa  Ifigênia  e  a  igreja  e  o  mosteiro  de  São 
Bento,  em  belos  estilos  estranhos  ao  passado  da  cida- 
de e  às  raízes  dos  próprios  templos.  A  de  Santa  Ifigê- 
nia teve  a  sua  edificação  começada  em  1906  e  ter- 
minada em  1922,  obedecendo  ao  estilo  romano,  sob  a 
direção  do  arquiteto  João  Lourenço  Madein^^.  Tam- 
bém do  alemão  Madein  (formado  na  Bélgica)  foi 
o  traçado  do  conjunto  representado  pela  basílica,  mos- 
teiro e  ginásio  de  São  Bento,  edificado  de  1910  a 
1914  em  substituição  á  velha  igreja  e  ao  mosteirinho 
de  taipa*"",  este  último  descrito,  em  alguns  de  seus 
aspectos  internos,  por  Cerqueira  Mendes,  em  suas 
Figuras  Antigas:  "Logo  à  entrada  duas  rápidas  es- 
cadas nos  levavam  a  um  corredor  infindável,  em 
cuja  extremidade  uma  pecjuenina  janela  deixava  en- 
trar escassa  claridade  para  produzir  curiosos  efeitos 
de  luz  e  sombras  esquisitas.  Ao  alto,  apresilhada  a 
essa  janela  pequenina,  a  gaiola  de  uma  araponga. 
Palmilhando  ainda  os  corredores  íamos  ter  à  parte 
mais  vetusta  do  convento,  com  uns  balcões  minúsculos 
dando  para  um  jardinzito  alegremente  envaidecido 
na  pompa  de  suas  cravinas"^\    A  edificação  religiosa 

Adolfo  Augusto  Pinto,  Homenagens,  pág.  169. 
Jacinto  Silva,  op.  cit.,  pág.  103. 
Jacinto  Silva,  op.  cit.,  pág.  103. 
^1    Artur  de  Cerqueira  Mendes,  Figuras  Antigas,  1.^  série, 
págs.  164-165. 


940  E  R  N  .\  A  ■.      SILVA  BRUNO 

mais  importante  du  começo  do  século  atual  seria  no 
entanto  a  no\a  catedral  da  Sé,  planejada  em  1913. 
A  princípio  estabelecera-se  que  ela  devia  ser  levantada 
no  local  da  antiga.  Mas  observou-se  que  dessa  forma, 
não  teria  o  realce  pedido  por  sua  estrutura  monu- 
mental. Decidiu-se  então  aproveitar  em  maior  ex- 
tensão a  área  aberta  com  a  demolição  de  velhos  quar- 
teirões, ampliando-se  o  largo  da  Sé.  E  transferir-se 
a  nova  Sé  para  o  trecho  mais  alto  da  esplanada,  ali 
se  erguendo  a  nova  construção  de  modo  a  ter  sua. 
fachada  posterior  no  alinhamento  da  praça  João  Men- 
des*'". Planejada  nos  moldes  do  estilo  gótico  —  se- 
gundo projeto  de  autoria  do  arquiteto  Max  Hehl, 
professor  de  Arquitetura  da  Escola  Politécnica  de 
São  Paulo  —  porque,  no  dizer  de  Adolfo  Augusto 
Pinto,  "no  domínio,  quer  do  simbolismo,  quer  dos 
elementos  puramente  ornamentais,  nenhum  outro  es- 
tilo arquitetònico  é  capaz  de  decorar  com  mais  pro- 
priedade e  beleza  um  grande  edifício  destinado  ao 
culto  religioso'"'^ 

Mas  no  começo  do  século  atual  as  demolições 
e  as  construções  é  claro  que  não  se  limitaram  aos 
edifícios  de  caráter  religioso.  Em  1913  demoliu-se 
um  edifício  de  três  andares,  na  esquina  da  rua  de 
São  Bento  com  a  ladeira  do  Acu.  ■  Fôra  edificado^ 
em  1814  e  representava  bem  a  arquitetura  do  começo 
do  século  passado,  contrastando  durante  muito  tempo, 
pelas  suas  proporções  então  enormes,  com  o  casario 
modesto  da  ladeira''^.  Na  mesma  ocasião  derrubou- 
se  outra  edificação  tradicional  da  cidade :  a  do  pri- 


^2  Adolfo  Augusto  Pinto,  op.  cit.,  págs.  172  e  seguintes.. 
"    Adoh'o  Augusto  Pinto,  op.  cit.,  págs.  174-175. 

Afonso  A.  de  Freitas,  Dicionário  Histórico,  Topográ- 
fico, Efiwgrdfico,  Ilustrado  do  Município  de  São  Paulo,  I„ 
pág.  43. 


li 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  9-13 


mitivo  quartel  de  primeira  linha^^.  Era  forçoso  que 
se  demolisse  mesmo  muita  coisa.  No  seu  livrinho 
Melhoramentos  de  São  Paulo,  de  1907,  Augusto  C. 
da  Silva  Teles  escrevia:  "Cresceu  a  cidade  com  o 
afluxo  de  habitantes  desejosos  de  conforto  compa- 
tível com  os  proventos  de  safras  de  café  lic^uidadas 
a  altos  preços,  e  multiplicaram-se  as  construções,  apri- 
morando-se  o  gôsto  arquitetônico"'"'.  Êsse  aprimo- 
ramento —  deve-se  dizer  —  às  vezes  com  o  sacrifício 
inútil  de  elementos  que  já  contavam  com  raízes  locais. 
Era  um  aprimoramento  que  se  fazia  no  sentido-  eu- 
ropeu, e  isso  impressionava  favoravelmente  aos  visi- 
tantes procedentes  do  Velho  Mundo.  "Não  sei  se 
proveniente  de  uma  influência  italiana  —  escrevia  o 
português  Sousa  Pinto  em  1905  —  é  certo  que  logo  à 
primeira  vista  em  São  Paulo  nos  impressiona  muito 
agradavelmente  o  esmêro  das  construções.  Há  nesta 
cidade  uma  orientação  artística,  um  bom  gôsto  geral 
que  faz  com  que  ela  seja,  nos  seus  monumentos  e  nas 
suas  habitações,  nas  suas  casas  e  nos  seus  palácios, 
na  arquitetura  pública  e  na  particular,  uma  cidade 
atraente,  belamente  edificada"®^.  Poucos  anos  depois 
o  francês  Gaffre  (em  1811-1812)  escrevia  que  as 
repartições  púb'icas  de  São  Paulo  estavam  instaladas 
em  palácios  cujo  bom  gôsto  e  proporções  eram  dignos 
das  mais  nobres  cidades  da  Europa^^.  Referia-se  por 
certo,  entre  outros,  ao  edifício  da  Secretaria  da  Fa- 
zenda, no  pátio  do  Colégio,  construído  pelo  arquiteto 


^'^    Afonso  A.  de  Freitas,  op.  cit.,  I,  pág.  53. 

Augusto  C.  da  Silva  Teles,  Melhoramentos  de  São 
Paulo,  pág.  10. 

^'^  Sousa  Pinto,  Terra  Moça  —  Itii pressões  Brasileiras, 
pág.  340. 

L.  A.  Gaffre,  Visions  du  Brésil,  pág.  158. 


944 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Ramos  de  Azevedo,  e  do  qual  o  escritor  Jtilio  Ribeiro 
dissera:  "Gosto  imenso  da  Tesouraria  da  Fazenda, 
que  está  construindo  Ramos  de  Azevedo:  é  um  edi- 
fício que  honra  São  Paulo  pela  severidade  e  elegân- 
cia do  estilo,  pela  robustez  que  ostenta,  desde  os  pro- 
fundíssimos alicerces  até  o  levantado  coruchéu'"'^.  E 
construções  como  a  do  Paço  Municipal  e  do  Auto- 
móvel Clube,  "dando  ao  mesmo  tempo  sôbre  o  fundo 
do  vale  do  Anhangabaú  e  sôbre  a  rua  Libero  Badaró"' 
chamaram  a  atenção  —  em  parte  com  certeza  pelo 
seu  sabor  nitidamente  europeu  —  de  Paul  Walle, 
que  registrou  suas  impressões  em  livro  sôbre  São 
Paulo'". 

As  casas  de  residência,  essas  formaram  rapida- 
mente bairros  novos.  "Em  Higienópolis  —  escre- 
veu esse  francês  —  bairro  novo,  reunião  de  tudo  o 
que  São  Paulo  e  o  Estado  possuem  de  mais  rico  e  mais 
distinto,  admira-se  um  grande  número  de  casas  sun- 
tuosas,  vilas  confortáveis  e  luxuosas.  Na  verdade  algu- 
mas dessas  construções  são  de  um  gôsto  mais  ou  menos 
bizarro.  Mas  não  se  lhes  pode  recusar  um  aspecto  pi- 
toresco, que  contrasta  com  a  arquitetura  mais  sóbria  e 
de  melhor  gôsto  da  maioria'"^.  É  natural  que  em  cente- 
nas de  casas  se  encontre  —  observava  o  visitante  Sousa 
Pinto  no  comêço  do  século  —  o  bom  e  o  mau,  o  razoável 
€  o  hediondo.  Havia  "desde  a  pureza  de  uma  fron- 
taria  fria  à  normanda,  dos  arabescos  sinuosos  e  iló- 
gicos da  arte-nova,  até  ao  risonho  "cottage"  inglês, 
do  ponteagudo  dos  chalés  da  neve  aos  alpendrado» 
espanhóis,  às  cúpulas  e  minaretes  orientais,  às  va- 


Citado  por  J.  F.  Barbosa  da  Silveira,  op.  cit.,  pág.  43. 
^°    Paul  Walle,  Au  Pays  de  VOr  Rouge,  pág.  52. 
'1    Paul  Walle,  op.  cit.,  pág.  54. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO  PAULO 


947 


randas  cobertas  do  norte,  às  vilas  graciosas  da  Itália, 
às  galerias  do  Renascimento,  ao  exagêro  do  barroco 
ou  do  plateresco,  ao  rústico  suiço,  até  a  horrível 
simetria  esburacada  do  estilo  pombalino,  pesado  e 
bruto"^". 

Eram  principalmente  considerados  elegantes  na 
primeira  parte  do  século  atual  em  São  Paulo  —  pelas 
suas  edificações  além  do  Higienópolis,  a  Vila  Buar- 
que,  os  Campos  Elíseos  e  ruas  como  a  Conselheiro 
Nébias,  a  Guaianazes,  a  Aurora,  a  Alameda  Glette". 
Mas  sobretudo  a  Avenida  Paulista.  Louis  Casabona, 
no  seu  São  Pmdo  dii  Brcsil  (Notes  d'iin  colou  fvançais) 
conheceu  essa  avenida  em  1905.  Parecia  com  cer- 
teza mais  distante  do  centro  do  que  agora.  Domi- 
navam-se  de  lá  "grandes  e  profundos  vales,  em  um 
dos  quais  se  estendia  a  cidade".  Entretanto  era  já 
uma  via  pública  cercada  de  casas  muito  elegantes''^. 
Apresentando  diversidade  enorme  de  padrões  arciui- 
tetônicos.  O  mesmo  podendo-se  dizer  da  Brigadeiro 
Luís  Antônio.  O  luxo  das  vivendas  particulares  de 
São  Paulo,  comparadas  com  as  de  algumas  cidades 
argentinas,  foi  o  que  destacou  particularmente  o  jor- 
nalista portenho  Mainiel  Bernardez  em  seu  livro  de 
impressões  de  viagem  El  Brasif'^.    Vivendas  essas 

Sousa  Pinto,  op.  cit.,  pág.  340.  Isso  ocorreu  na  época 
eni  tôdas  as  cidades  brasileiras  de  intenso  crescimento.  Arqui- 
tetos  improvisados  e  estrangeiros  sem  escrúpulos  —  escreveu 
Fernando  de  Azevedo  — ■  encontraram  campo  para  uma  ati- 
vidade  sem  freios.  Inaugurou-se  a  época  da  cópia  servil  de 
estilos  exóticos  e  modelos  históricos.  O  triunfo  do  mau  gosto 
e  da  estravagância,  que  Monteiro  Lobato  qualificou  de  carnaval 
arquitetônico.  (Fernando  de  Azevedo,  A  Cultura  Brasileira, 
págs.  273-274).. 

''■^    Almanacco .  delia  Tribuna  Italiana. 

Louis  Casabona,  São  Paulo  dii  Brcsil.  págs.  72-73. 

''^    Manuel  Bernardez,  El  Brasil,  pág.  215. 


^948 


E  k  N  AN]      SILVA      BRUN  O 


inais  ricas  —  raiuo  no  Higienópolis  como  na  Vila 
Buarque,  nos  Campos  Eliseos  ou  na  Avenida  Paulista 
ou  na  Luís  Antônio  —  cuja  arquitetura  representava 
uma  inovação  bem  dizer  revolucionária.  Rompendo 
radicalmente  com  o  estilo,  não  só  dos  velhos  sobra- 
dões  do  centro  —  que  passaram  a  ser  considerados 
pardieiros  —  como  com  os  das  antigas  casas  térreas 
de  porta  e  janela  grudadas  umas  nas  outras.  Rom- 
pendo também  com  "o  detestável  costume  —  na  opi- 
nião do  italiano  Fanuele  —  de  se  pintarem  as  casas 
com  as  mais  diversas  cores  do  arco-iris".  Em  1910 
—  segundo  êsse  observador  —  a  profusão  de  casas 
brancas,  ostentando  suas  torres  e  suas  cúpulas,  dava 
a  São  Paulo  o  aspecto  de  Nice  ou  das  cidades  italianas''^. 

Mas  a  verdade  é  que  as  casas  "de  um  gosto  mais 
ou  menos  bizarro"  a  que  se  referiu  Paul  Walle  fa- 
lando polidamente  do  Higienópolis,  talvez  muitas  delas 
fossem  de  um  gosto  mais  do  que  duvidoso,  erguidas 
de  acordo  apenas  com  as  idéias  caprichosas  de  seus 
moradores  ou  dos  tais  arquitetos  improvisados,  em- 
bora êsse  fôsse  por  excelência  o  bairro,  na  época, 
das  residências  de  aristocratas  do  café'^.  A  predo- 
minante nesse  tempo  parece  ter  sido  no  entanto  a 
arquitetura  de  inspiração  italiana,  ou  pelo  menos  in- 
fluenciada por  italianos.  Os  peninsulares  represen- 
tavam três  quartas  partes  dos  pedreiros  e  quase  a 
totalidade  dos  mestres-de-obra  em  atividade  na  ci- 
dade''^.   Isso  provavelmente  é  que  fazia  com  que  al- 


^6    Nicolau  Fanuele,  //  Brasile,  pág.  282. 

Caio  Prado  Júnior,  "Nova  Contribuição  para  o  Estu- 
do Geográfico  da  Cidade  de  São  Paulo",  Estudos  Brasileiros 
Ano  III,  V.  7. 

7^  Basílio  de  Magalhães,  O  Estado  de  São  Paulo  e  seu 
.Progresso  na  Atualidade,  pág.  74. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  951 


guns  viajantes  peninsulares  sobretudo  olhassem  com 
benevolência  excessiva  a  arcfuitetura  de  São  Paulo 
nesse  tempo.  Gusano,  em  1910,  falava  na  graça  ar- 
quitetônica  das  vilas  paulistanas.  As  casas,  os  vilinos, 
os  palacetes  —  observou  êle  —  ostentavam  varie- 
dade de  tintas,  de  linhas  e  de  estilos  que,  "apesar  de 
terem  um  imico  fundo  de  entonação  italiana,  davam 
bem  uma  ideia  da  fantasia  e  do  capricho  do  amálgama 
arquitetónico  dominante"'^  Nos  bairros  novos  —  ob- 
servou na  mesma  ocasião  o  francês  Gaffre  —  suce- 
diam-se  ao  infinito  as  casas  à  italiana,  com  balaustres, 
cornijas,  decorações  em  estuque  e  estatuetas  simbó- 
licas coloridas^".  Houve  um  italiano  no  entanto  — 
o  visitante  Bertarelli  —  que  viu  sem  paixão  que  os  vili- 
nos recentes  de  São  Paulo  (escrevia  em  1914)  eram  em 
parte  obra  de  arquitetos  alemães  e  italianos,  e  me- 
reciam louvores  "se  bem  que  lhes  faltasse  totalmente 
a  inspiração  local"^^. 

Surgiram  em  seguida  dentro  da  mesma  bara- 
funda arquitetônica  as  residências  aristocráticas  da 
zona  centralizada  pela  Avenida  Paulista.  Já  então 
— '  assinalou  Prado  Jiinior  —  a  progressão  cafeeira 
tinha  se  interrompido  e  as  novas  fortunas  se  origi- 
navam da  indiistria  e  do  comércio,  quase  tôdas  nas 
mãos  de  estrangeiros^^  Em  1910  inaugurou-se  o 
bairro  do  Jardim  América,  com  grandes  espaços  livres 
e  casas  isoladas  no  meio  de  jardins  amplos.  O  cará- 
ter  dessas  residências  —  escreveu  Prado  Júnior  — 
se  afastou  completamente  dos  modelos  urbanísticos 
herdados  do  passado,  trazendo  um  cunho  acentuada- 


Alfredo  Cusano,  Itália  d'oltrc  Mare,  pág.  116. 
80    L.  A.  Gaffre,  op.  cit.,  pág.  151. 

8^  Ernesto  Bertarelli.  //  Brasile  Mcridionale,  pág.  50. 
^-    Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 


952 


E  R  N  .V  X  í      SILVA      B  R  U  N  C 


mente  anglo  saxão,  que  lhe  foi  impresso  pela  empresa 
que  iniciou  a  ocupação  do  bairro^^.  Escreveu-se,  na 
publicação  Brazil  Buiíds,  que  ai.  como  em  outras  zonas 
em  que  depois  se  edificaram  residências  aristocráti- 
cas em  São  Paulo,  as  casas  ficaram  colocadas  no 
meio  de  um  lote  junto  à  rua.  no  espaço  intermediário 
algumas  árvores  e  arbustos,  e  nos  fundos  espaço  para 
garage  e  quintal.  "Isso  não  parece  corresponder  à 
tradição  latina  de  quintais  fechados,  mas  tornou-se 
moda"^\ 

Entretanto,  na  primeira  parte  do  século  atual, 
no  próprio  centro  paulistano  e  principalmente  nas 
suas  imediações,  restavam  muitas  casas  velhas  mo- 
destas ou  insignificantes,  formando  o  que  os  sociólo- 
gos contemporâneos  chamariam  de  "zonas  de  dete- 
rioração" :  pequenas  casas  cujas  paredes  de  taipa  mal 
se  equilibravam  já,  ou  velhos  casarões  relegados  a 
qualidade  de  pardieiros  e  transformados  em  cortiços. 
Casas  que  provocavam  os  protestos  de  observadores  e 
criticos  da  estética  da  cidade.  Silva  Teles,  já  citado, 
achava  em  1907  um  absurdo  que  ao  lado  do  futuro 
Teatro  Municipal  —  que  ficaria  pronto  dentro  de 
poucos  anos  —  se  estendesse  "uma  fila  repugnante  de 
fundos  de  velhas  e  primitivas  habitações".  E  que 
no  parque  Pedro  II,  no  "coração  da  cidade",  se  er- 
guessem habitações  "pouco  higiénicas,  dando  a  tudo 
um  aspecto  mesquinho,  senão  repugnante"^\  Até 
certo  ponto,  o  contraste  que  seria  apontado  em  1914- 
pelo  viajante  Paul  Adam.  Falando  do  Teatro  Mu- 
nicipal e  do  aspecto  moderno  da  parte  central  de  São 
Paulo,  referia-se  à  "sobrevivência  de  algumas  lojas 


Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 

Philip  L.  Goodwin,  Brasil  Builds,  págs.  9?>-99. 

Augusto  C.  da  Silva  Teles,  op.  cit.,  págs.  39,  53  e  54. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    T>\    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  955 

de  arcadas  azuis,  de  algumas  casas  baixas  de  balcões 
frágeis  e  prateados,  de  algumas  feitas  com  balaus- 
tradas brancas,  com  estatuetas  e  vasos  sobre  o  se- 
gundo andar  de  janelas  arqueadas"^*^. 

Também  foi  nessa  época  —  primeiros  anos  do 
século  vinte  —  que  apareceram  as  primeiras  tenta- 
tivas no  sentido  de  se  introduzir  em  São  Paulo  o 
arranha-céu  de  tipo  norte-americano.  É  curioso,  a 
êsse  respeito,  o  artigo  publicado  em  1906  na  revista 
O  XI  dc  Agosto,  por  Adolfo  Konder.  Depois  de 
criticar  a  falta  "de  intuição  artística  revelada  pelos 
arranha-céus  norte-americanos",  dizia:  "Mas  porque 
procurar  nos  Estados  Unidos  os  frutos  estéticos  do 
mercantilismo,  se  os  temos  tão  perto  de  nós,  aqui  em 
São  Paulo?  Um  pacato  negociante  deu-se  ao  patrió- 
tico trabalho  de  mandar  erguer,  em  pleno  largo  do 
Rosário,  um  maravilhoso  galpão  de  pedra,  arcabuçado 
de  ferro,  coroado  de  ameias,  aborto  arquitetônico  que 
é  o  regalo  dos  tabaréus"^^.  O  primeiro  edifício  de 
cimento  armado  inteiro  ficou  pronto  em  meados  de 
1909.  Foi  erguido  na  esquina  da  rua  Direita  com 
a  de  São  Bento  pelo  engenheiro  Francisco  Notara- 
berto.  Era  de  dois  pavimentos  apenas,  fora  o  rez  do 
chão  destinado  a  lojas,  com  portas  largas  e  talvez  as 
primeiras  cortinas  de  aço^^.  Logo  em  seguida  —  em 
1911-1913  —  procurou  a  municipalidade  promover 
o  crescimento  da  cidade  no  sentido  vertical,  criando 
obstáculos  à  abertura  de  novas  ruas  e  estabelecendo 
o  mínimo  de  três  andares  para  os  edifícios  que  se 


Paul  Adam,  Les  T/isages  du  Brcsil,  págs.  125-126. 

Adolfo  Konder,  "Mercantilismo  e  Estética",  O  XI  de 
Agosto,  Ano  IV,  n.°.3,  1906,  pág.  20. 

Aluísio  de  Almeida,  "São  Paulo  em  1907",  O  Estado 
de  São  Paulo,  de  29  de  dezembro  de  1950. 


5 


956 


ERNÂNI      S  I  1.  \'  A     B  R  U  N  (3 


construíssem  ou  se  reconstruíssem  em  certas  ruas: 
além  das  mais  centrais,  as  da  Conceição,  Barão  de 
Itapetininga,  São  João,  Conselheiro  Crispiniano  e  Ran- 
gel Pestana.  Alcântara  Machado,  alguns  anos  de- 
pois —  em  1917  —  confessava  o  seu  êrro  de  então^ 
(estivera  entre  os  vereadores  que  haviam  votado  a  lei) 
e  perguntava:  "Que  importa  que  São  Paulo  não  re- 
produza, neste  ponto,  a  fisionomia  dos  centros  eu- 
ropeus ?"^^    Diria  melhor  centros  norte-americanos. 

Mas  havia  o  outro  lado  das  construções  suntuo- 
sas  ou  bizarras  e  dos  primeiros  ensaios  de  crescimen- 
to vertical:  as  edificações  modestas  e  mesmo  mise- 
ráveis dos  primeiros  bairros  proletários.  "Nenhum- 
conforto  —  escrevia  Bandeira  Júnior  em  1901  — 
tem  o  proletário  nesta  opulenta  e  formosa  capital". 
E  falava  das  casas  infectas  que  se  estendiam  pelas 
pobres  ruas  do  Brás,  do  Bom  Retiro,  da  Água  Branca, 
da  Lapa,  do  Ipiranga®",  Casinhas  e  cortiços  —  so- 
bretudo as  do  Brás,  do  Bexiga  e  do  Cambuci  —  que 
sofreram  em  1910  a  critica  de  um  viajante  italiano: 
Cusano^^.  Em  São  Paulo,  como  em  tòda  parte,  ocor- 
ria o  fenómeno  salientado  por  Lewis  Mumford  ao 
estudar  a  cultura  das  cidades :  a  expansão  da  vivenda 
das  classes  superiores  sendo  levada  a  cabo  a  expensas 
da  das  classes  humildes.  Se  uma  se  dilatava,  a  outra 
só  podia  se  reduzir. 

O  mesmo  contraste  se  observava  relativamente 
à  iluminação  da  casa  paulistana  dentro  do  processa 
de  transformação  de  seus  sistemas  nessa  época.  Em 

8^    Alcântara  Machado,  Problemas  Municipais,  págs.  134- 

135. 

A.  F.  Bandeira  Júnior,  A  Indústria  no  Estado  d(r 
São  Paulo  em  1901,  pág.  XIV. 

Alfredo  Gusano,  op.  cit.,  págs.  116-117. 


r 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  959 


fins  do  século  passado,  ao  lado  do  gás,  ainda  se  usava 
muita  vela  de  sebo  e  espermacete,  muito  candieiro, 
muito  lampião  de  querosene^".  Em  1886  havia  es- 
tabelecimentos —  como  o  de  Álvares  Pereira  &  Cia. 

—  anunciando  lustres  de  cristal,  lampiões,  arande- 
las, pendentes  "e  mais  objetos  para  gás  e  querosene"^''. 
Do  querosene  "Luz  Diamante",  os  únicos  agentes 
na  província,  F.  Upton  &  Cia.,  declaravam:  "Livre 
de  explosão,  fumo  e  mau  cheiro,  êste  querosene  é 
fabricado  por  uma  redistilação  especial  exclusivamen- 
te para  o  uso  doméstico  e  principalmente  onde  há 
crianças.  É  cristalino  como  água  distilada.  Sua  Kl: 
é  clara  e  brilhante  e  sem  cheiro  algum.  Ê  tão  com- 
pletamente garantido  que  se  o  lampião  quebrar-se  por 
casualidade,  logo  desaparece  a  chama".  Vinha  êssc 
querosene  em  latas,  como  o  querosene  comum,  tendo 
"um  sifão  de  patente",  que  permitia  encher  os  lam- 
piões "sem  a  mínima  perda  do  líquido"^*.  Todavia 
em  1895,  em  seu  álbum  relativo  a  São  Paulo,  Gustavo 
Koenigswald  escrevia  que  a  iluminação  pública  era 
feita  a  gás,^'eralmente  usado -também  pelos  particula- 
res, ao  passo  que  as  firmas  comerciais  mais  importan- 
tes do  centro  já  iluminavam  seus  estabelecimentos^ 
com  luz  elétrica'*^.    Devendo-se  porém  notar  que  antes 

—  em  1880  —  o  major  Diogo  Antônio  de  Barros  — 
pioneiro  da  indústria  de  tecidos  em  grande  escala  na 
cidade  —  dotara  de  instalação  elétrica  o  seu  chalé 


Cássio  Mota,  Cesário  Mota  e  seu  Tempo,  pág.  20. 
^■^    Ahuanach  da  Província  de  São  Paulo,  1886,  anúncios, 
pág.  48. 

^"^  Almanach  da  Província  de  São  Paulo,  1888,  anúncios, 
pág.  17. 

Gustavo  Koenigswald,  op.  cit.,  pág.  13. 


960 


E  r,  N  A  N  1 


SILVA 


BRUNO 


da  rua  da  Constituição^''.  Essa  instalação  elétrica, 
depois  de  funcionar  direito  durante  mais  de  um  ano, 
foi  abandonada^^  Em  1890  perto  de  trinta  casas 
já  faziam  uso  da  eletricidade  juntamente  com  o  gás. 
Abílio  Marques,  que  em  1881  iluminara  a  luz  elétrica 
a  sua  casa  de  residência  na  rua  Barão  de  Itapetininga, 
continuou  os  seus  estudos  a  respeito  e  fundou  mesmo 
uma  companhia  para  êsse  fornecimento  de  luz^^. 

Também  os  jardins  particulares  g"anharam  fisio- 
nomia nova  no  último  quartel  do  oitocentismo  e  nos 
primeiros  anos  do  novecentismo :  depois  de  1880  não 
se  viam  já  na  cidade  apenas  as  velhas  plantas  e  flores 
do  começo  e  de  meados  do  século  passado :  rosas,  cra- 
vos, begónias,  ramos  de  alecrim,  magnólias  ou  jasmins 
do  Imperador  com  que  se  enfeitavam  as  ruas  nos  dias 
de  procissão;  ou  a  Flor  do  Senhor  dos  Passos,  que 
era  como  as  mulheres  chamavam  a  flor  de  manjericão 
com  que  se  ornamentavam  os  "passos".  Plantas 
novas  e  flores  novas  começaram  a  ser  admiradas  pelos 
moradores  e  cultivadas  nos  seus  jardins.  Algumas 
indígenas  —  orquídeas  e  parasitas  —  em  outros  tem- 
pos completamente  desconhecidas  ou  desprezadas. 
Outras,  de  fora.  Além  de  variedades  de  rosas  antiga- 
mente ignoradas,  apareceram  azáleas,  gloxinias,  fu- 
chsias,  epoméias,  miosótis,  primaveras  da  índia,  libé- 
lias,  violetas  odoratas  e  tricolores,  echevérrias,  saxí- 
fragas,  balsaminas,  cactus  e  uma  porção  de  qualida- 
des de  begónia^^  Em  1894-1895  o  viajante  D'Atri 
podia  escrever  que  dos  jardins  das  residências  pau- 

Aureliano    Leite,    História    da    Civilisação  Paulista, 


Henrique  Raffard,  op.  cit. 
Henrique  Raffard,  op.  cit. 
Június,  op.  cit.,  pág.  44. 


r 


i 


HISTÓRIA   E  TRADIÇÕES   DA    CIDADE   DE   SÃO   PAULO  963 


lis  canas  se  evolavam  "perfumes  de  flores  indígenas 
e  delicadas  fragrâncias  de  essências  exóticas"^^". 

Quem  abastecia  dessas  flores  as  chácaras  e  os 
jardins,  com  sementes  e  com  mudas,  eram  em  1880  e 
anos  seguintes  três  casas:  a  Casa  da  China;  a  do 
riograndense  Frederico  de  Albuquerque,  redator  da 
Revista  de  Horticultura;  e  a  do  velho  francês  J.  J, 
Joly,  contando  Von  Koseritz  que  o  jardim  dêste  úl- 
timo foi  uma  das  coisas  mais  notáveis  que  viu  no 
arrabalde  do  Brás^°^.  Houve  logo  depois,  para  os 
lados  do  Marco  da  Meia  Légua,  (em  1886-1887) 
uma  outra  chácara  de  floricultura :  a  de  Roberto  Kirs- 
ten^"^.  Essa  chácara  de  Kirsten  era  mencionada  no 
Alnianach  do  Estado  para  1891,  como  também  a  chá- 
cara de  Júlio  Joly,  alémi  de  outros  estabelecimentos  de 
horticultores :  Guilherme  Carlos  Opel,  na  avenida  Ran- 
gel Pestana;  Francisco  Nemitz,  na  Vila  Mariana,  e  A. 
J.  Serafana  &  Cia  e  M.  Garcia,  na  rua  de  São  Bento, 
este  último  com  depósito  da  Chácara  Japonêsa^"^.  E 
havia  também  os  ambulantes  —  em  geral  imigrantes 
italianos  —  vendendo  flores  de  casa  em  casa"^  As 
malvas  e  as  cravinas,  em  fins  do  século  passado  — 
quando  .-muitos  sobrados  do  :centro  -eram»  ainda' resi- 
dências —  "sorriam  lá  do  alto,  dentro  de  caixotes 
envoltos  em  papéis  recortados,  nos  peitoris",  como 
escreveu  Cerqueira  Mendes^"^  —  uso  que  parece  ter 
desaparecido  logo  em  seguida,  pois  em  1911  o  via- 
jante Gaffre  estranhava  que  em  uma  terra  onde  as 


Alessandro  d'Atri,  Uomini  e  Cose  dei  Brasile,  pág. 

223. 

iGi    Von  Koseritz,  op.  cit.,  pág.  261. 
^"■^    Alexandre  Haas,  carta  ao  autor. 

Almanach  do  Estado  de  São  Paulo  para  1891,  pág.  298. 
^^'^    Június,  op.  cit,  pág.  55. 

Artur  de  Cerqueira  Mendes,  op.  cit.,  págs.  17-18. 


■964  E  E  N  A  >:  I     SILVA     B  K  U  N  o 

flores  brotavam  em  profusão  não  se  visse  nenhuma 
preocupação  por  ''êsses  pequenos  jardins  aéreos  com 
que  gostamos  de  enfeitar  nossos  balcões  e  nossas 
janelas"^'^«. 

Mas  os  jardins  passaram  a  ser  tratados  com 
mais  carinho  que  em  outros  tempos.  Entre  1880  c 
1890  uma  das  funções  em  que  os  imigrantes  italianos 
fixados  na  cidade  procuraram  substituir  os  portu- 
guêses  foi  a  de  jardineiro^"''.  Um  desses  novos  jar- 
dineiros —  Serafim  Corso  —  anunciava  em  1888  en- 
carregar-se  de  "embelezamentos  de  jardins,  grutas, 
cascatas,  etc"^'^^  Em  1910  um  visitante  escrevia  que 
talvez  nenhuma  outra  cidade  em  todo  o  mundo  mos- 
trasse tanta  riqueza  floral  no  centro  como  São  Paulo, 
e  que  suas  "vilas"  eram  contornadas  de  belos  jardins 
perfumados-"^"^.  "Tôda  a  luxuriante  flora  tropical  é 
reunida  magnificamente  à  da  zona  temperada"^^'^. 
O  paulistano  demonstrava  pela  vegetação  —  obser- 
vou em  1914  Bertarelli  —  um  amor  que  se  traduzia 
em  cuidado  imiversal  pelas  plantas  e  pelas  flores. 
Referia-se  com  entusiasmo  êsse  visitante  à  "flora 
quase  tropical"  dos  jardins  da  Avenida  Higienópolis^^^. 
Essa  preocupação  pela  beleza  dos  jardins  teria  sua 
expressão  mais  perfeita  no  bairro  do  Jardim  Amé- 
rica. 


L.  A.  Gaffre,  op.  cit.,  pág.  152. 
1°''    Henrique  Raffard,  op.  cit. 

Almanach  da  Província  de  São  Paulo,  1888,  anúncios, 

pág.  55. 

Alfredo  Gusano,  op.  cit.,  pág.  116. 
Alfredo  Gusano,  op.  cit.,  pág.  116. 
"1    Ernesto  Bertarelli,  op.  cit.,  págs.  46  e  52. 


AS  AVENIDAS  E  AS 
ÁRVORES 


F 


1872  a  1918  que 
as  ruas,  os  larg-os  e 
os  jardins  públicos 
da  cidade  perderam 
aqueles  traços  rústi- 
cos que  traziam  do 
tempo  em  que  a  po- 
\  oação  não  passava  de 
pequeno    arraial  de 


oi  no  período  de 


sertanistas.  Embora  no  decorrer  das  décadas  centrais 
do  oitocentismo  êsses  logradouros  tivessem  sofrido  mo- 
dificações impostas  pela  condição  da  cidade,  de  capital 
de  província  e  sede  de  uma  Academia  de  Direito,  e  pro- 
blemas como  o  da  pavimentação  por  sistemas  modernos 
e  o  da  arborização  houvessem  sido  focalizados  pelo 
seu  poder  municipal,  foi  a  partir  dos  últimos  trinta 
anos  do  século  passado  —  com  a  povoação  se  firmando 
como  metrópole  do  café,  cada  vez  melhor  articulada, 
por  caminhos  de  ferro,  com  as  zonas  mais  ricamente 
agrícolas  do  interior  —  que  uma  série  de  realizações. 


968 


E  R  N  A  M  I      SILVA      B  R  U  N  C 


no  centro  e  nos  bairros,  começou  a  imprimir  fisio- 
nomia acentuadamente  nova  à  paisagem  urbana  de 
São  Paulo. 

Retificaram-se  ruas,  regularizaram-se  velhos  lar- 
gos tortuosos  e  desnivelados  e  sobretudo  abriram-se 
avenidas  e  se  fizeram  arruamentos  mais  perfeitos,  de 
forma  que  já  em  fins  do  oitocentismo  um  observador 
podia  distinguir  com  nitidez,  pelo  desenho  dos  quar- 
teirões, a  parte  velha  da  parte  nova  da  cidade.  Êsse 
esforço  de  remodelação  retomou  seu  impulso  no  co- 
meço do  século  vinte,  embora  por  vêzes  esbarrasse  com 
o  obstáculo  representado  pelas  exigências  absurdas 
dos  donos  de  terrenos  necessários  a  muitas  dessas 
transformações  urbanas.  Em  certos  bairros  novos 
foram  mesmo  se  abrindo  ruas  sem  o  menor  plano  de 
conjunto,  visando-se  apenas  a  valorização  de  terras 
particulares.  É  verdade  que  por  outro  lado  se  abri- 
ram ruas  e  avenidas  com  tòdas  as  condições  para  um 
desenvolvimento  amplo,  como  a  Avenida  Paulista,  que 
foi  por  muitos  anos  um  motivo  de  orgulho  para  os 
moradores  da  cidade.  Da  mesma  forma  que  a  Pau- 
lista, algumas  avenidas  e  ruas  de  ligação  do  centra 
com  os  bairros  mereceram  pelo  seu  traçado,  na  época, 
os  louvores  de  viajantes  estrangeiros.  .  Observadores 
que  se  referiram  também  às  ruas  comerciais  e  cosmo- 
politas do  Triângulo,  com  sua  animação  e  seu  tráfego 
de  veículos  cada  vez  mais  congestionado.  Só  não 
falaram  em  geral,  esses  cronistas  e  visitantes,  das 
ruas  desprotegidas  dos  primeiros  bairros  fabris  pau- 
listanos, sem  calçamento,  sem  árvores,  sem  nada. 

No  período  de  1910  a  1914  executou-se  um  vasto 
plano  de  transformações  do  centro  urbano  e  dos  arra- 
baldes mais  importantes  da  cidade,  em  que  se  previam 
alargamentos,  prolongamentos  e  melhor  pavimentação 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  969 


de  determinadas  vias  priblicas.  Mas  os  problemas 
iam  se  acumulando  em  conseqiiência  do  crescimento 
cada  vez  mais  rápido  da  povoação  e  as  soluções  foram 
se  tornando  progressivamente  mais  difíceis. 

Os  jardins  públicos  —  excetuando-se  o  velho  par- 
que da  Luz  —  foram  feitos  a  partir  dos  últimos  trinta 
anos  do  século  passado.  A  princípio  cercados  de  gra- 
des, dispondo  (juase  sempre  de  quiosques,  de  chalés 
e  de  repuxos.  O  próprio  jardinzinho  do  pátio  do- 
Colégio  teve  em  volta  o  seu  gradil  de  ferro.  Mas 
o  principal  continuou  sendo  o  da  Luz.  Não  houve 
govêrno,  durante  as  últimas  décadas  do  século  pas- 
sado, que  não  fizesse  alguma  coisa  para  embelezar  o 
antigo  logradouro  paulistano:  êle  foi  se  enriquecendo 
não  só  de  árvores  e  de  flores  novas,  como  de  estátuas, 
de  portões  monumentais  e  até  de  um  observatório. 
A  partir  dos  últimos  anos  do  oitocentismo  parece  que 
por  influência  do  exemplo  norte-americano,  substitui- 
ram-se  os  jardins  cercados  de  grades  por  jardins  aber- 
tos, com  canteiros  desenhados  de  acordo  com  novos 
estilos.  Mas  isso  um  tanto  desordenadamente  até  os 
primeiros  anos  do  século  atual,  quando  o  poder  muni- 
cipal passou  a  se  preocupar  mais  atentamente  com  a 
regularização  dêles  e  com  a  sua  arborização  e  a  das 
ruas.  Foi  a  partir  de  então  que  a  cidade  pôde  contar 
com  parques  como  o  do  Anhangabaú  e  da  Várzea 
do  Carmo,  nas  imediações  do  centro,  e  como  o  Par- 
que Antartica  e  o  do  Museu  Paulista,  nos  arrabaldes. 
Ainda  nessa  época  as  transformações  realizadas  na 
área  central  fizeram  surgir  uma  praça  nova  (a  do 
Patriarca)  e  permitiram  a  ampliação  considerável  do 
largo  da  Sé  mediante  a  demolição  da  antiga  catedral 
e  dos  quarteirões  que  havia  em  direção  aos  seus  fundos,- 


970 


ERNAí<I     SILVA  BRUNC 


Deve-se  acrescentar  que  ruas,  largos  e  jardins 
passaram,  a  partir  de  1872,  a  contar  com  iluminação 
a  gás,  por  meio  de  combustores  colocados  em  lam- 
piões de  ferro  pequenos  e  elegantes,  que  ajudaram 
também  a  modernizar  a  feição  da  cidade.  Nos  úl- 
timos anos  do  século  dezenove  alguns  logradouros 
centrais  tiveram  iluminação  elétrica,  luz  que  passou, 
de  1900  em  diante,  a  competir  com  a  do  gás. 

Começando  a  governar  a  província  de  São  Paulo 
em  1872,  João  Teodoro  Xavier  se  revelou  um  urba- 
nista de  certa  visão.  Regularizou  o  grande  largo  dos 
Curros  (praça  da  República).  Construiu  a  rua  do 
Conde  d'Eu  (Glicério),  ligando  a  Tabatingúera  ao 
Lavapés.  Abriu  a  rua  do  Hospício  até  a  ponte  da 
Mooca.  Fez  realizar  melhoramentos  nas  ruas  do  Pari 
e  do  Gasómetro^  E  foi  na  sua  administração  que  o 
calçamento  da  cidade  particularmente  entrou  em  fase 
nova.  Alguns  anos  depois  —  em  torno  de  1884  — 
prolongou-se  a  rua  Helvétia  até  o  bairro  do  Bom 
Retiro,  atravessando  ao  nível  os  trilhos  da  Estrada  de 
Ferro  Inglesai  Mas  voltando  ao  ano  de  1872:  a 
municipalidade  fazia  ver  ao  governo  da  província  a 
necessidade  de  que  se  consignasse  no  orçamento  a  quota 
de  vinte  contos  de  réis  por  ano  para  o  calçamento  das 
ruas  "pelo  sistema  paralelepípedos"^  No  ano  se- 
seguinte  lembrava-se  como  necessidade  urgente  a  pavi- 
mentação, por  êsse  sistema,  da  rua  Direita  e  em 
seguida  das  ruas  de  São  Bento,  Imperatriz  (15  de 
Novembro),  da  Quitanda  e  do  Comércio*.  Contra- 
tou-se  também  a  pavimentação  dos  largos  do  Ro- 

^    Cursino  de  Monra,  São  Paulo  de  Ouf  -ora,  pás;.  167. 
2    Antônio  Egídio  Martins,  São  Paulo  Antigo.  II,  pág.  92. 
^    Atas   da   Câmara   Municipal   de   São   Paulo.  LVIII, 
pág.  26. 

^    Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LIX,  pág.  46. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  973 

sário  e  da  Sé".  A  concorrência  de  propostas  para 
a  no\-a  i)avi)nentaçào  da  rua  Direita,  sugeriu-se  que 
se  anunciasse  também  na  Côrte".  Em  1877  registra- 
va-se  em  uma  ata  da  Câmara  ]\Iunicipal  que  a  prepa- 
ração dos  paralelepípedos  estava  sendo  feita  nas  pe- 
dreiras de  São  Bento,  em  Santos,  e  que  parte  do  ma- 
terial já  chegado  pela  estrada  de  ferro  a  São  Paulo 
devia  satisfazer  a  Câmara  pela  sua  "perfeição  e  qua- 
lidade""^. O  fato  é  que  dos  logradouros  centrais  já 
podia  dizer  em  1879  Azevedo  Marques,  nos  seus 
"Apontamentos",  que  tinham  um  bom  calçamento^. 
Logo  em  seguida  —  em  1881  —  o  governo  foi  auto- 
rizado a  gastar  a  importância  de  cem  contos  de  réis 
só  com  a  pavimentação  da  rua  da  Constituição  (Flo- 
rêncio de  Abreu) ^  Ê  verdade  que  houve  alguns 
recuos  e  modificações  nos  planos  de  pavimentação 
traçados  nessa  época  pelo  poder  municipal.  Nesse 
mesmo  ano  de  1881  propunha-se  que  a  Câmara  sus- 
pendesse o  calçamento  a  paralelepípedos  do  largo  Mu- 
nicipal (João  Aíendes),  fazendo  por  êsse  sistema  ape- 
nas a  frente  do  Teatro  São  José,  ao  passo  que  as 
frentes  da  igreja  de  São  Gonçalo  e  do  Paço  Municipal 
fossem  somente  apedregulhadas,  e  a  frente  da  igreja 
dos  Remédios  pavimentada  pelo  velho  sistema  das  pe- 
dras irregulares.  Que  se  fizesse  com  paralelepípedos, 
em  compensação,  o  calçamento  da  rua  do  Imperador-"-". 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  151. 
^    Afas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LIX,  pág.  122. 
Afas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo.  LXIII,  pág. 

182. 

^  Azevedo  Marques,  Apontamentos  Históricos,  Geográfi- 
cos, Biográficos  Estatísticos  c  Noticiosos  da  Província  de  São 
Paulo,  I.  pag.  81. 

'    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  118. 

Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo.  LXVII,  pág. 

51. 


974  E  R  N  -V      I      SILVA      B  R  U  N  C- 

E  ainda  em  1881  Augusto  dos  Santos  e  Geo  N. 
Harral  propunham  à  municipalidade  fazer  a  pavimen- 
tação das  ruas  paulistanas  pelo  sistema  de  Macadam, 
adotado  nas  cidades  da  Europa  "com  preferência  a 
qualquer  outro"^\ 

Essas  preocupações  urbanísticas  e  de  melhora- 
mento dos  leitos  das  ruas  se  refletiram  no-  Código  de 
Posturas  de  1875.  Determinava-se  nele  que  tôdas  as 
ruas  ou  travessas  que  de  então  por  diante  se  abrissem 
na  cidade  —  ou  mesmo  em  outras  povoações  do  mu- 
nicípio de  São  Paulo  —  tivessem  a  largura  de  treze 
metros  e  vinte  e  dois  centimetros,  salvo  quando  não 
fôsse  possível  lhes  dar  essa  dimensão  por  obstáculo 
invencível.  E  impunha  o  calçamento  das  frentes  ou 
testadas  das  casas  com  pedra  de  cantaria  lavrada^^ 
Talvez  em  parte  como  consequência  dessas  disposi- 
ções, em  fins  do  século  passado  já  era  possível  dis- 
tinguir perfeitamente  a  parte  antiga  da  cidade  de  sua 
parte  nova,  como  fêz  Koseritz  em  1883,  escrevendo: 
"Na  parte  antiga  as  ruas  são  estreitas,  tortuosas, 
ligadas  em  tôdas  as  direções.  A  parte  nova,  cjue 
se  estende  para  o  sul  e  para  o  norte,  é  regularmente 
construída,  possui  quarteirões  bem  desenhados,  ruas 
largas  e  tem  aspecto  moderno".  O  jornalista  teuto- 
brasileiro  observou  ainda  que  a  cidade  era  calçada 
em  quase  tôda  a  sua  extensão,  mas  só  nas  ruas  prin- 
cipais o  calçamento  tinha  sido  feito  a  paralele- 
pípedos, sendo  o  das  outras  áreas  executado  com  pe- 
dras irregulares^^.  Essa  última  informação  de  Ko- 
seritz não  concorda  porént  com  a  de  outros  observado- 

"  Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LXVII, 
pág.  48. 

'2  João  Mendes  de  Almeida  Júnior,  Monografia  do  Mu- 
nicípio da  Cidade  de  São  Paulo,  pág.  55. 

Carl  Von  Koseritz,  Imagens  do  Brasil,  págs.  254-256. 


r 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    S\n    l>AfI,0  977 


res  da  cidade  na  mesma  época.  Um  dêles,  o  italiano 
Alfonso  Lomònaco,  que  em  1885  notava  que  havia, 
ao  lado  de  ruas  bem  calçadas,  outras  ainda  cobertas 
de  relva  ou  de  simp/les  terra,  e  impraticáveis  no  tempo 
das  chuvas^^  Outro,  E.  V.  Pereira  de  Sousa,  que 
nas  suas  "Reminiscências  Académicas"  (1887-1891) 
escreveu:  "Poucas  ruas  eram  calçadas  e  pouquíssi- 
mas a  paralelepípedos,  imperando  na  cidade  a  poeira 
e  a  lama"^''.  Ainda  outro  —  êsse  talvez  rigoroso  em 
excesso  —  o  italiano  D'Atri,  que  na  mesma  ocasião, 
observava  não  haver  senão  duas  ou  trés  ruas  "])ra- 
ticáveis",  entre  as  quais  a  de  São  Bento  era  a  melhor^''. 

A  cidade  tendo  se  irradiado  do  núcleo  primitivo;. 
—  sobre  a  elevação  • —  as  estradas  antigas,  como  obser- 
vou Caio  Prado  Júnior,  fixaram  a  direção  das  gran- 
des artérias  que  não  conieçaram  a  se  estender  para 
os  bairros,  revestidas  do  caráter  de  vias  urbanas: 
entre  as  várzeas  do  Tietê  e  do  Tamanduatei,  a  P>riga- 
deiro  Tobias  e  a  Florêncio  de  Abreu;  entre  o  Taman- 
duatei e  o  Anhangabaú,  a  Liberdade,  continuada  pela 
Vergueiro;  procurando  as  margens  do  rio  Pinheiros, 
a  Quirino  de  Andrade  e  a  Consolação;  começando  no 
vale  do  Anhangabaú ,  no  ponto  em  que  recebe  o  riacho 
Saracura,  a  de  Santo  Amaro".  Esta  última  —  a  de 
Santo  Amaro  —  ladeira  de  declive  acentuado  como 
muitas  outras,  em  consequência  da  topografia  irregular 


Alfonso  Lomònaco,  Al  Brasile,  págs.  116  e  seguintes. 
1^    Everardo  Valim   Pereira  de   Sousa,  "Reminiscências 
Académicas",  (1887-1891),  Rcv.  do  Arquivo  Municipal,  XCIII, 
pág.  111. 

Alessandro  d'Atri,  UEtat  de  São  Paulo  et  le  Rcnou- 
vellenient  Economique  de  1'Enrope,  pág.  191. 

Caio  Prado  Júnior,  "Nova  Contribuição  para  o  Estudo 
Geográfico  da  Cidade  de  São  Paulo",  Estudos  Brasileiros,  Ano 
III,  V.  7. 


978 


E  R  N  A  N  j      SILVA  BRUNO 


da  região  em  que  a  cidade  se  estabeleceu  e  cresceu^^. 
Dela  falaram,  nas  penúltimas  décadas  do  século 
passado,  dois  estudantes  de  então  em  São  Paulo:  Silva 
Jardim  e  Valentim  Magalhães.  O  primeiro  dizendo 
que  era  uma  rua  suja  e  feia,  habitada  por  estudantes 
e  freqíientada  por  caipiras  que  se  dirigiam  para  o 
rnercado^^  O  segundo,  que  ela  devia  ser  "rua  quiçá 
dos  diabos,  que  nunca  daquele  santo.  Tortuosa, 
grimpante,  esburacada,- triste :  sorte  de  ruela  romanes- 
ca, propicia  a  deslombamentos  e  derriços"^". 

Entretanto,  ainda  nos  primeiros  tempos  da  Repú- 
blica — •  escreveu  Cássio  Mota  —  São  Paulo  era  uma 
cidade  de  ruas  estreitas  e  tortas,  sem  calçamento,  al- 
gumas calçadas  com  pedras  irregulares,  raras  a  para- 
lelepipedos^^.  Um  calçamento  que  no  começo  do  século 
atual  atentaria  contra  os  pneus  de  um  dos  primeiros 
automóveis  que  apareceram  na  cidade:  o  de  Henrique 
Santos  Dumont,  irmão  do  inventor,  que  porisso  re- 
quereu baixa  no  lançamento  do  imposto  sôbre  o  seu 
"automobile"^^.  Talvez  aborrecido  com  o  acanhamento 
das  ruas  paulistanas  em  fins  do  século  dezenove  —  ou 
preocupado  em  desafogar  um  pouco  o  trânsito  das 
suas  ruas  centrais  —  foi  que  Jules  Martin  publicou 
um  folheto  propondo  a  construção  de  duas  grandes 
galerias  cobertas,  em  forma  de  cruz,  imitando  ias 
existentes  em  Milão,  em  Nápoles  e  em  Bruxelas. 
Essas  galerias  deveriam  ocupar  o  centro  do  quarteirão 
de  casas  velhas  limitado  pelo  largo  do  Rosário,  rua 
de  São  Bento,  rua  Quinze  e  travessa  do  Comércio. 

Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 

Silva  Jardim,  Memórias  e  Viagens,  pág.  74. 
2"    Valentim  Magalhães,  Quadros  e  Contos,  pág.  215. 
2^    Cássio  Mota,  Cesário  Mota  e  seu  Tempo,  pág.  20. 
22    Citado  por  Nuto  Santana,  São  Paulo  Histórico,  V, 
pág.  32. 


ilISTÓRIA    !•;    TRADJí^ÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  979 


Contariam  com  quatro  entradas  g-randiosas  e  calça- 
mento de  mármore,  com  vinte  metros  de  largura  e 
catorze  de  altura.  Plano  que  o  francês  amigo  da 
cidade  não  conseguiu  converter  em  realidade"^  No 
entanto  o  álbum  editado  em  1905  pelo  próprio  Jules 
jMartin  já  assinalava  a  existência  de  uma  bela  galeria  na 
rua  Quinze  de  Novembro  ■ —  a  Galeria  Werbendoefer 
—  "única  no  Brasil",  servindo  de  comunicação  entre 
aquela  rua  e  a  da  Boa  Vista.  Tinba  uma  cobertura 
de  cristal  suportada  por  arcos  de  ferro,  contando 
trinta  e  seis  armazéns  no  andar  térreo  e  cinquenta  e 
quatro  escritórios  no  primeiro  andar. E  em  rela- 
ção ao  próprio  traçado  das  ruas  centrais  ia  se  fazendo 
aos  poucos  alguma  coisa.  Em  seu  livrinho  Melhora- 
mentos de  São  Paulo  ■ —  em  1907  —  Silva  Teles 
reconhecia  essa  mudança.  Tinham-se  alargado  e  reti- 
f içado  ruas  até  então  estreitas  e  tortuosas  no  centro  — 
por  certo  se  referia  ao  realinhamento  das  ruas  Quinze 
de  Novembro,  Álvares  Penteado  e  Quintino  Bocaiuva, 
nos  primeiros  anos  do  século,  por  iniciativa  de  Antô- 
nio Prado^^  —  cuidando-se  ao  mesmo  tempo  de  sua 
pavimentação.  Mas  mostrava  Silva  Teles  que  não  se 
tinha  podido  fazer  ainda  tudo  o  c^ue  devia  ser  feito. 
E  principalmente,  que  se  deixava  que  certas  ruas  se 
formassem  ainda  erradamente,  segundo  o  capricho  de 
proprietários  de  terrenos  ou  casas.  Pensava  êle  por 
exemplo  que  a  rua  de  São  José  T  Libero  Badaró)  de- 


-•^  Afonso  Schmidt,  "Galerias  dc  Cristal",  Jornal  de  São 
Paulo. 

2''  São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno  (álbum  de 
1905),  pá^.  98. 

2'  Nuto  Santana,  "O  Prefeito  Antônio  Prado",  Primeiro 
Centenário  do  Conselheiro  Antônio  da  Silva  Prado,  pá"-.  101. 

2^  Augusto  C.  da  Silva  Teles,  Melhoramentos  de  São 
Patilo,  págs.  12-37. 


980 


E  S  N  A  N  J 


SILVA     BRU  N  C 


via  ser  transformada  de  forma  radical,  impondo-se 
o  seu  alargamento^".  Alargamento  que  representaria 
poucos  anos  mais  tarde  —  em  1910  —  um  dos  pontos 
básicos  do  plano  de  obras  elaborado  por  Vitor  da  Silva 
Freire  e  Eugênio  Guilhem  e  encaminhado  pelo  pre- 
feito Antônio  Prado  ao  governo  do  Estado^''.  Achava 
também  Silva  Teles  que  os  proprietários  eram  por  de- 
mais exigentes  nos  casos  de  necessidade  de  desapro- 
priação. E  que  isso  atrasava  os  melhoramentos  de 
ruas  que  se  tornavam  precisos.  Não  compreendiaui 
êsses  donos  de  casas  gananciosos  que  seriam  benefi- 
ciados com  a  retificação  ou  a  regularização  de  muitos 
alinhamentos  e  alargamentos  de  vias  públicas  que  seus 
terrenos  atravancavam.  Citava  Teles  como  exemplo 
o  bairro  de  Santa  Cecília,  então  em  formação :  as  ruas 
Ana  Cintra,  Abranches,  Barão  de  Tatuí,  Lombardi 
e  outras,  tinham  alinhamentos  que  indicavam  ser  o 
delineamento  da  cidade  não  raro  "dado  pelo  interêsse 
dos  proprietários  de  alguns  metros  quadrados  de  ter- 
reno, para  depois  custar  a  reparação  do  mal  os  mais 
pesados  sacrifícios  ao  município,  com  as  custas  da 
indispensável  desapropriação".  E  como  Santa  Cecília 
falava  o  autor  de  Melhoramentos  de  São  Paulo  de 
outros  bairros  novos,  em  pontos  interessantes  e  pito- 
rescos, em  que  se  permitiam  aberturas  de  ruas  "sem  o 
menor  plano  de  conjunto  e  em  grande  parte  visando 
exclusivamente  a  valorização  de  terrenos  particula- 
res"^^ 

Ao  lado  disso  entretanto  abriam-se  ruas  e  aveni- 
das com  todos  os  elementos  para  um  desenvolvimento 

27  Melhoramentos  do  Centro  da  Cidade  de  São  Paulo, 
(Projeto  apresentado  pela  Prefeitura  Alunicipa!,  1911),  págs. 
3  e  seguintes. 

A"g"sto  C.  da   Silva  Teles,  op.   cit.,   págs.   7,  28, 


r 


HISTÓRIA    E    TRAniÇÕES    DA-  CIDADE    DE    SÃl)    PATLO  983 

norma],  desde  fins  do  século  anterior.  Entre  os  anos 
de  1890  e  1894,  i)or  exemplo,  sabe-se  que  Joaquim 
Eugênio  de  Lima  abriu  em  seus  terrenos  diversas  ruas 
e  entre  elas  a  Avenida  Paulista,  que  seria  ])or  muitos 
anos  motivo  de  orgulho  para  a  cidade^".  Louis  Casa- 
bona,  em  seu  livro  São  Paulo  dn  Brcsil,  foi  uma  das 
coisas  que  louvou  em  São  Paulo.  "Havíamos  atra- 
vessado uma  boa  parte  da  cidade,  e  chegado  a  uma 
larga  avenida  arborizada,  situada  sôbre  uma  eleva- 
ção e  que  tem  o  nome  de  Avenida  Paulista.  É  um 
dos  mais  interessantes  pontos  de  vista.  Dominam-se 
de  lá  grandes  e  profundos  vales,  em  um  dos  quais 
se  estende  a  cidade".  Escrevia  isso  em  1905^".  Nes- 
sa época  media  a  Avenida  Paulista  cerca  de  dois  qui- 
lómetros e  projetava-se  o  seu  ])r()longanicnt().  Era 
admiravelmente  traçada  e  podia  rivalizar  —  dizia-se 
na  publicação  UEtat  dc  São  Pmdo,  em  1906  —  com 
as  mais  belas  avenidas  do  Velho  Mundo''^.  "Eu  não 
saberia  comparar  a  Paulista  senão  a  certas  avenidas 
de  Nova  York",  confessou  em  1912  o  francês  Gaf- 
fre^^.  Mas  havia  outras  ruas  e  avenidas  também  no- 
táveis no  comêço  do  novecentismo.  "Nada  se  poderia 
imaginar  mais  bem  traçado  e  arborizado  —  notou  o 
mesmo  escritor  —  que  as  ruas  da  Liberdade  e  da 
Consolação"""^.  Dois  anos  depois  era  o  italiano  Ber- 
tarelli  quem  achava  que  a  Avenida  Higienópolis  "po- 
dia competir  vitoriosamente  cora  as  mais  belas  vias 
públicas  das  cidades  européias"^^    Também  admirá- 

29    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  146. 

Louis  Casabona,  São  Paulo  dii  Brésil,  págs.  72-75. 

31  UEtat  de  São  Paulo  (Guides  de  l'Etoile  du  Sud),  1905, 
pág.  26. 

32  L.  A.  Gaffre,  Visions  du  Brésil,  pág.  159. 
"    L.  A.  Gaffre,  op.  cit.,  pág.  159. 

3"*    Ernesto  Bertarelli,  //  Bra^ile  Meridionale,  pág.  46. 


98+ 


E  R  N  A  SILVA     B  R  U  N  C' 


veis,  sob  o  ponto  df  \-ista  do  traçado  e  da  arborização, 
eram  nessa  época  as  ruas  que  compunham  o  então 
chamado  Boulevard  Burchard,  criação  do  teuto-pau- 
Hsta  Martinho  Burchard.  Eram  catorze  ruas  (Ita- 
tiaia, AngéHca,  Itambé,  Sabará,  Cubatão,  Aracaju, 
Itacolomi,  Bahia.  Maranhão,  Sergipe,  Piauí.  Alag-oas, 
Mato  Grosso  e  Goiás)  —  trecho  do  bairro  do  Higienó- 
poHs  —  com  uma  área  de  quinhentos  e  cinquenta  mil 
metros  quadrados^^. 

O  viajante  Casabona  descreveu  no  começo  do  sé- 
culo também  as  ruas  do  centro,  fixando-se  mais  par- 
ticularmente na  rua  Quinze,  sede  de  quase  todos  os 
bancos  — ■  ingleses,  brasileiros,  italianos  —  e  da  maior 
parte  dos  jornais.  Era  animada,  escreveu  o  francês, 
como  tôdas  aquelas  da  parte  central,  por  grupos  que 
estacionavam  nas  calçadas,  tornando  já  por  vezes  di- 
fícil o  trânsito^".  Talvez  por  seu  cunho  comercial  e 
cosmopohta,  a  rua  Quinze  tinha  à  noite  mais  anima- 
ção —  no  depoimento  de  Moreira  Pinto  em  1900  — 
do  que  a  rua  do  Ouvidor,  do  Rio  de  Janeiro^^.  Ani- 
mação de  gente  que  aliada  ao  tráfego  de  bondes  fazia 
com  que  ela,  a  de  São  Bento  e  a  Direita  se  tornassem 
já  em  1910  zonas  de  aglomeração  intensa^^.  É  claro 
porém  que  havia  o  outro  lado  da  cidade.  O  das  ruas 
desprotegidas  dos  primeiros  bairros  fabris  de  São 
Paulo.  Bandeira  Júnior,  em  seu  estudo  sobre  as  in- 
dústrias paulistanas  em  1901,  falava  do  que  observara 
no  Brás,  no  Bom  Retiro,  na  Água  Branca,  na  Lapa, 

Moreira  Pinto,  A  Cidade  dc  São  Paulo  cm  1900,  págs. 

250-251. 

Louis  Casabona,  op.  cit.,  pág.  68. 
Moreira  Pinto,  op.  cit.,  pág.  225. 
^8    Archibald  Forrest,  A   Toiír  through  South  America, 
pág.  304. 


HISKJRIA    E    TRADIÇÕES    l\\    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  987 


no  Ipirang-a:  ruas  sem  calçamento  c  sem  conforto 
quase  ncnhunr'^-'.  O  lirás,  "imenso  ])aii-ro  popular  e 
laborioso"  —  no  dejwimento  de  Gaffre  em  1912  — 
estará  ainda  com  suas  ruas,  nesse  tempo,  sem  luz  e 
sem  i:a\-imentação'*''. 

Alguns  anos  depois,  já  na  época  da  primeira 
Grande  Guerra,  Paul  Walle  escrevia  que  São  Paulo 
era  uma  cidade  que  contava  com  cinquenta  e  cinco 
avenidas  muito  bem  arborizadas  —  devendo-se  re- 
cordar (jue  em  1912  Solorzano  ol)ser\-ara  (|ue  nos 
anos  recentes  tinham  sido  plantadas  mais  de  vinte  mil 
árvores  nas  ruas  e  praças  da  cidade"'\  Citava  Paul 
Walle  as  avenidas  Rangel  Pestana,  para  leste;  Tira- 
dentes  —  que  em  fins  do  século  passado,  segundo 
]\Iartins,  parecia  ainda  um  pátio  de  fazenda'"  —  para 
o  norte;  as  grandes  ruas  da  Liberdade,  de  Santo 
y\maro,  de  Santo  António,  para  o  sul;  c  a  da  Conso- 
lação, para  sudoeste.  E  ainda  a  Barão  de  Piracicaba, 
a  Alameda  Glette,  a  dos  Bambus  e  a  mais  bonita  de 
todas,  a  Avenida  Paulista.  Construía-se  a  da  Inde- 
pendência. E  projetava-se  transformar  o  vale  do 
Anhangabaú  em  longa  avenida  centraP^  Sabe-se  (jui- 
no  período  de  1910  a  1914  executou-se  em  parte  um 
vasto  plano  de  transformação  do  centro  da  cidade  e 
de  seus  arrabaldes  principais  —  plano  traçado  peio 
arquiteto  francês  Bouvard.  Entre  os  empreendimen- 
tos previstos  contavam-se  o  alargamento  da  rua  de 
São  João  até  a  Lopes  de  Oliveira  e  a  sua  transfor- 

•'^  Bandeira  Júnior,  A  Indústria  uo  Estado  de  São  Paulo 
em  1901.  pág.  XIV. 

4°    L.  A.  Gaffre,  op.  cit.,  pág.  160. 
'^^    Juan   Solorzano  y  Costa.  El  Estado  dc  São  Paulo, 
1913,  pág.  121. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  16. 
Paul  Wajle,  Au  Pays  dc  FOr  Rouge.  pág.  55. 


1 


988 


ERNÂNI      SILVA      BRU  N  O 


mação  em  avenida  de  trinta  metros  de  larg-nra;  e  o 
prolongamento  da  rna  Dom  José  de  Barros  até  a 
de  Santa  Ifigênia''\  Ao  mesmo  tempo  começava-se 
o  asfaltamento  da  Avenida  Paulista  e  da  rna  das  Pai  - 
meiras'*^ 

Mas  vários  outros  problemas  se  acumulavam  e 
se  complicavam  em  consequência  da  rapidez  com  que 
a  cidade  crescia.  Em  1914  o  viajante  Bertarelli  no- 
tava que  por  causa  de  ser  uma  cidade  excessivamente 
espalhada,  com  muitas  ruas  espaçosas  e  casas  "em 
meio  ao  verde",  a  limpeza  das  vias  públicas  era  coisa 
difícil  de  se  fazer  com  eficiência*^,  embora  desde  1912 
São  Paulo  dispusesse  de  um  forno  de  incineração  para 
lixo*^  Por  outro  lado  Adolfo  Augusto  Pinto,  em  li- 
vro de  1912  —  A  transfonnação  e  o  embelezamento 
de  São  Paulo  —  abordava  uma  série  enorme  de  ques- 
tões que  precisavam  ser  estudadas  e  solucionadas  em 
virtude  do  crescimento  da  área  urbana  e  do  desenvolvi- 
mento económico  da  cidade.  Entre  elas,  o  alarga- 
mento da  rua  de  São  Bento  entre  o  largo  de  São 
Bento  e  a  praça  Antônio  Prado,  e  o  da  rua  Barão  de 
Itapetininga*^.  Nessa  época  outro  observador  e  críti- 
co do  crescimento  da  cidade,  Milcíades  Porchat,  em 
seu  trabalho  intitulado  Do  que  precisa  São  Paulo, 
fazia  observações  no  tipo  das  de  Silva  Teles.  Criti- 
cava o  fato  de  se  ter  dado  o  antigo  alinhamento  para 
a  nova  igreja  de  São  Bento,  fazendo-se  com  que  a 
rua  Florêncio  de  Abreu  se  mantivesse  estreitíssima 
bem  no  seu  trecho  principal.    O  que  se  fêz  com  o 

All)ert  Bonnaure,  Livro  dc  Ouro  do  Estado  dc  São 
Paulo,  1914,  pág.  75. 

'^^    Albert  Bonnaure,  op.  cit.,  pág.  78. 
Ernesto  Bertarelli,  op.  cit.,  pág.  46. 
Albert  Bonnaure,  op.  cit..  pág.  83. 
'^^    Adolfo  Augusto  Pinto,  A  Transformação  e  o  Emhe- 
Iczaincnto  dc  São  Paulo. 


r 


HISTÓRIA    K    TKAI)Il.nES    HA    rJDADE    UK    SÃO    PAlíLO  991 


alinlTcUncnto  do  edifício  d(_)  London  Bank,  no  começo 
da  nia  da  Quitanda.  E  o  que  se  deu  com  o  começa 
da  rua  Ouintiud  ^>()caiu^•a.  O  resultadíj  c  (jue  era 
dada  a  muitas  ruas  a  larg-ura  de  becos.  ''Do  que  se 
faz  hoje  se  arrependerá  amanhã",  avisava  Porchat'*'"'. 

Com  exceção  do  Jardim  da  Luz,  datam  dos  últi- 
mos tidnta  anos  do  século  passado  os  jardins  públicos 
de  São  Paulo.  A  princli)i(),  todos  êles  cercados  de 
,!4'rades,  al,L;uns  com  seu.s  chalés,  seus  quiosques,  suas 
cascatas  e  seus  repuxos,  tudo  de  acordo  com  o  "siste- 
ma in_^-lés",  pelo  qual  se  encarresj;-ou  de  fazer  jardins 
na  cidade  joaíjuim  Gaspar  dos  Santos  Pereira,  c[ue 
C(inse;4uiu  jiara  isso  em  1873  um  privilégio  por  cin- 
quenta anos'".  Um  ano  antes  pedira  Santos  Pereira 
que  esse  pri\i!égio  fòsse  por  setenta  anos,  para  ajar- 
dinar à  sua  custa  todos  os  lugares  e  praças  da  ca- 
pital (jue  "esti\'essem  no  caso  de  ser  ajardinados"''^ 
Cercado  de  gradis  foi  o  jardim  da  praça  J.oão  Meiides, 
feito  em  1879  e  resultado  de  uma  .irléia  infeliz,  se- 
gundo João  ]\íendes  Júnior,  pois  o  local,  contando 
com  um  teatro,  duas  igrejas  e  as  repartições  da  As- 
sembleia e  da  Câmara,  exigia  espaço  para  que  o  trân- 
sito não  ficasse  congestionado"^  Em  1881  o  zelador 
dêsse  jardim  pedia  â  municipalidade  um  cjuiosque  den- 
tro dêle  para  morar,  afim  de  evitar  os  estragos  que 
de  noite  os  malfeitores  faziam  ali,  quebrando  grades 
e  roubando  plantas"".  Em  1890  Raffard  achou  que 
estava  muito  melhorado  o  jardim  da  praça  João  Alen- 

Milcíades  Porchat,  Do  que  Precisa  São  Paulo,  pág.  10. 
António  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  59. 
-"^    Atas  da   Câmara  Municipal  de   São  Paulo.  LVIII, 
pág.  69. 

João  ]\Iendes  de  Almeida  Júnior,  op.  cit.,  pág.  81. 

■"^    Jfas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LXVII,  pág. 

231. 


992 


ERN  A  N  !      SI  L  \-  A      B  1<  U  N  O 


des^*.  Também  gradeados  foram  o  jardim  do  i^átio 
do  Colégio,  construido  quando  foi  derrubado  um 
corpo  do  antigo  convento  dos  Jesuítas,  e  que  em  1886 
leve  também  a  sua  cascata,  além  de  um  pórtico  ornado 
com  quatro  medalhões  representando  os  rios  princi- 
pais da  provincia^''^ ;  e  o  do  largo  de  São  Bento,  que 
ficou  pronto  em  1887^",  com  dois  portões  gigantesc.js, 
que  se  abriam  de  manhã  e  se  fechavam  na  boca  da 
noite.  Nas  suas  grades,  tódas  bordadas,  o  francês 
Fourchon  pendurava  as  plantas  que  cultivava  com  a 
sua  paciência  de  jardineiro  velho".  Em  1897  foi 
ajardinado  também  o  Campo  Redondo^^.  Possível 
mente  essas  cercas  de  ferro  que  resguardaram  os  pri 
meiros  jardins  públicos  —  além  de  um  meio  de  de- 
fesa contra  a  invasão  dos  canteiros  e  a  destruição 
das  plantas  por  bichos  soltos  nas  ruas  apesar  da 
proibição  das  posturas  —  representavam  a  reminis- 
cência do  significado  de  certa  forma  aristocrático 
dos  jardins,  pois  êles  —  como  observou  Gilberto  Frey  - 
re —  foram  por  muito  tempo  reservados  ao  uso  de 
''gente  de  botina,  de  cartola,  de  gravata,  de  chapéu 
de  sol"^^.  Ou  ainda  para  evitar  que  fossem  estra- 
gados os  jardins  em  consequência  das  tropelias  feitas 
pelos  que  procuravam  se  abastecer  de  água  nos  cha- 
farizes, como  sugeriu  Heraldo  Barbuy  em  seu  ro- 
mance Beco  da  Cachaça^^\    Também  no  largo  da  Sé 

Henrique  Raf farei,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rcv. 
do  Inst.  Hist.,  Gcog.  c  Etnog.  Brasileiro,  vol.  LV,  II,  pág.  159. 

José  Jacinto  Ribeiro,  Cronologia  Paulista,  I,  pág.  677. 
Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  118. 
^'^    Cursino  de  Moura,  op.  cit.,  pág.  43. 

Miguel  Milano,  Os  Faiitasinas  da  São  Paulo  Antiga, 

pág.  49. 

5'  Gilberto  Freyre,  Sobrados  e  Miicaiiibos,  1.^  edição, 
pág.  16. 

Heraldo  Barbuy,  Beco  da  Cachaça,  pág.  75. 


HISTÓRIA    F,    TRAinrÕKS    PA    CIDADE    DK    SÃO    PAULO  995 


pensuu-sc  cm  colocar  ,^raclis  de  ferro  aconipanhaiub 
a  fachada  e  as  faces  laterais  da  catedral,  mas  em 
1874  reg"istra\-a  vma  ata  da  Camara  o  ponto  de  vista 
de  qne  sendo  êsse  logradouro  muito  acanhado,  com 
o  oradil  não  restaria  espaço  para  acomodação  do  po\  o 
e  da  tropa  cjue  nos  dias  festivos  costuma\-am  se  acumu- 
lar ali".  Cercado  de  gradis  de  ferro  era  também  o 
Jardim  da  Luz,  pel(j  (pud  se  interessou  em  seu  govêrno 
Toão  Teodoro  Xavier,  mandando  xlr  do  Rio  para  éle 
uma  i)orção  de  mudas  de  c''ir\-ores  e  de  flores,  e  cons- 
truindo a  tòrre  ((ue  serviu  de  observatório*''.  Ficava 
essa  torre  na  sua  aléia  central,  em  frente  à  Estação 
da  Luz,  e  coukt  era  cilíndrica  [)assou  a  ser  conhecida 
pelo  nome  de  Canudo  do  Doutor  João  Teodoro.  Ti- 
nha uns  ^•inte  e  ])oucos  metros  de  altura,  com  ciuatro 
ou  cinco  andares,  e  acesso  por  uma  escada  interna. 
No  alto,  um  mirante.  Em  1890  já  estava  em  aban- 
dono e  fechada  ao  paiblico.  E  no  fim  do  século  foi 
demolida,  talvez  porque  se  tornara  pon.to  predileto  de 
encontros  mais  (^u  menos  escandalosos*^".  Deveu  ainda 
o  Jardim  da  Luz  a  João  Teodoro  as  suas  quatro  es- 
tátuas de  mármore  representando  as  estações  do  atio 
e  uma  outra  de  A'ênus,  todas  compradas  no  Rio  de 
Janeiro.  E  a  canalização  das  águas  do  Tanque  Reu- 
no  para  o  seu  chafariz  e  o  do  bairro  de  Santa  Ifi- 
gênia^'. 

Na  administração  de  João  Teodoro  foi  ainda  qn.e 
se  ajardinaram  os  barrancos  que  flanqueavam  o  mor- 
ro do  Carmo,  e  que  se  construiu  a  chamada  Ilha  dos 
Amores,  no  Tamanduatei,  saneando-se  ali  terrenos 


Atas  da  Câmara  .]íitnicl['al  dc  São  Paulo.  LX,  pág.  30. 
"-'    Antônio  -Jígidio  Aiartins,  op.  cit.,  I,  pág.  140. 

Nuto  Santana,  São  Paulo  Histórico,  IV,  pág.  137. 
f'-*    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  págs.  140-141. 


996 


E  R  N  A  X  I      S  1  1.  V  A      P,  R  U  N  O 


paludosos  e  miasniaticos.  Ilha  que  uo  entanto  nõ.o 
teve  duração  muito  longa,  pois  em  1890  já  havia 
deixado  "murchar  as  suas  flores"*^".  Regularizou-sc 
também  no  tempo  de  Xa\ier  o  grande  largo  dos 
Curros,  depois  Sete  de  Abril  e  mais  tarde  praça  da 
República'^'^.  Êsse  porém  foi  apenas  regularizado,  pois 
em  1885  a  "Gazeta  do  Povo''  n(jticiava  ironicamente 
que  no  largo  Sete  de  Abril  a  mata  crescia  soberba- 
mente à  lei  da  natureza,  "demonstrando  a  fecundidade 
do  solo  americano""^.  Ainda  em  1872  cogitou  a  Câ- 
mara da  arborização  de  outros  largos :  os  da  Glória 
€  da  Misericórdia^^.  Alguns  anos  mais  tarde  —  pa- 
rece que  de  1880  a  1883  —  tendo  sido  arrazadas  as 
ruínas  da  Casa  da  Pólvora  abriu-se  espaço  para  a 
formação  do  pec]ueno  largo  da  Pólvora*'^  e  demolindo- 
se  um  velho  prédio  térreo  pegado  à  igreja  dos  Re- 
médios estabeleceu-se  comunicação  entre  o  largo  de 
São  Gonçalo  y^Toão  Mendes)  e  do  Pelourinho  (Sete 
de  Setembro)'^". 

Mas  o  Jardim  Público  da  Luz  continuou  até  o 
fim  do  século  passado  merecendo  as  atenções  de  todos 
os  governos.  No  de  Florêncio  de  Abreu  (em  1881) 
mandaram-se  fazer  fechos  novos  para  êle,  porque  os 
antigos  ameaçavam  ruína,  e  organizou-se  um  projeto 
que  anexava  ao  logradouro  todos  os  terrenos  que  fi- 


Henrique  Raffard,  op.  cit. 
''^    Cursino  de  Moura.  op.  cit.,  pág.  167. 
''''    Citado  por  A.  J.   de  Carvalho,  São  Paulo  Antigo. 
pág.  ^8. 

Atas  da   Câmara   j\I uiiicipal  dc   São  Paulo.  LVIII, 

pag.  8. 

Afonso  A.  de  Freitas,  Prospecto  do  Dicionário  Etimo- 
lógico, Histórico.  Topográfico.  Estatístico.  Biográfico.  Biblio- 
gráfico e  Etnográfico  Ilustrado  dc  São  Paulo.  pág.  24. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  41. 


ri 

I  1' 


ITISTÚRIA    ]■     TRADIÇÕES    DA,  CIDVDF.    DE    SÃO    1'Ari.O  999 


cavam  à  sua  frente.  A  Câmara,  porem,  protestou 
contra  isso.  e  o  goxêrno  da  proxíncia  resolveu  que  as 
novas  construções  ficassem  apenas  dez  metros  além 
do  muro  antigo,  recebendo  a  obra  166  metros  de 
g-radil  de  ferro  di\-idido  em  lances  de  pilastras  de 
mármore  verde  de  Pantojo.  Foi  nessa  ocasião  que 
se  delineou  o  seu  suntuoso  portão  flanqueado  para 
quatro  pilastras  de  mármore  verde  e  preto  —  gradil 
e  portão  feitos  na  fábrica  de  ferro  de  São  João  de 
Ipanema.  Referências,  tódas  essas,  de  Antônio  Egí- 
dio Martins''\  Gostaram  do  velho  logradouro  pau- 
listano muitos  visitantes  ilustres  da  cidade  nas  últi- 
mas décadas  do  século  passado.  "Reúne  o  caráter  de 
jardim  ornamental  —  escreveu  Koseritz  em  1883  — ■ 
ao  de  jardim  botânico.  O  arranjo  é  no  gosto  dos 
jardins  paisagísticos  e  há  gru]X")s  maravilhosos  de 
árvores,  moitas  de  arbustos  coloridos,  em  suma,  tud.) 
o  que  se  continha  em  um  parque  dos  [)rimeiros  decé- 
nios deste  século.  Há  uma  quantidade  de  plantas,  ár- 
vores e  arbustos  raros,  cuidadosamente  tratados,  mas 
faltam  a  ])aimeira  im])erial  e  a  urânia,  que  tão  belo 
efeito  produzem  no  Rio.  O  clima  de  São  Paulo  não 
se  presta  para  essas  ])lantas  importadas  de  zonas 
tropicais,  e  mesmo  o  "chapéu  de  sol",  essa  curiosa 
árvore  que  estende  a  sua  fronde  em  fornia  de  terraço 
e  que  eu  vi  no  jardim  de  Santos,  não  tem  aqui  senão 
raquíticos  exemplares"'^  Opinião  combatida  —  no 
que  respeita  à  palmeira  imperial  —  por  Adolfo  Au- 
gusto Pinto  em  1912:  "Nem  se  diga  que  a  palmeira 
imperial  cresce  mal  em  São  Paulo.  Há  provas. positi- 
vas em  contrário.  Por  exemplo  à  rua  Aurora  n.*^ 
80  vcm-se  dois  exemplares  plantados  pelo  sr.  Pedro 


''^    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  141. 
Carl  Von  Koseritz-  op.  cit.,  págs.  270-271. 


1000 


ERN  A  N  I     S  I  L  V  A      B  R  U  X  O 


\'^icente  de  Azevedn.  (jiie  ostentam  o  mesmo  garbo  c 
completo  desenvolvimento  dos  mais  belos  tipos  ca- 
riocas"". Em  1885-1887  o  viajante  Frank  Víncent 
se  referiu  ao  belo  jardim  fiiiblico  da  cidade,  "com 
uma  alta  torre  de  onde  se  podia  apreciar  a  paisagem 
vizinha"''^  Na  mesma  época  —  em  1890  —  Raffard 
assinalava  nas  suas  notas  sôbre  São  Paulo  que  o  par- 
que, embelezado  constantemente,  se  tornava  cada  dia 
mais  atraente".  O  que  o  Jardim  da  Luz  não  chegou 
a  ser  foi  o  parque  botânico  e  zoológico  em  que  seriam 
cultivados  e  criados  os  produtos  da  flora  e  da  fauna 
paulistas.  Ficou  em  autorização  o  plano  dado  então 
nesse  sentido  pelo  Congresso  ao  govêrno  da  provin- 
cia^^ 

Nos  últimos  anos  do  oitocentismo  começou  a  se 
fazer  sentir  a  influência  norte-americana,  não  apenas 
na  substituição  dos  jardins  públicos  cercados  de  grades 
de  ferro  por  jardins  abertos  —  no  jardim  do  largo  de 
São  Bento  o  gradil  de  ferro  foi  retirado  nos  últimos 
anos  do  século  passado  ou  nos  primeiros  anos  do 
atua!"  —  como  no  próprio  feitio  dos  canteiros  e  no 
plantio  das  flores  e  dos  ornamentos  vegetais'^.  Mas 
isso  um  tanto  desordenadamente.  Falando  da  cidade 
nos  primórdios  da  República  lembrou  Cássio  Mota 
entre  outras  coisas  que  os  seus  largos  e  praças  viviam 
ainda  quase  que  entregues  à  sua  própria  sorte,  em 
abandono.    Com  touceiras  de  grama  e  plantas  do  mato 


''^    Adolfo  Augusto  Pinto,  op.  cit.,  pág.  22. 

Frank  Vincent,  Around  and  aboiít  South  America, 
pág.  260. 

''^    Henrique  Raffard.  op.  cit. 

''^    José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  pág.  372. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  118. 

Cursino  de  Moura,  op.  cit.,  pág.  43. 


l-^-^   —    António    Prado    quando    Prefeito   de    São    P.nild    em  1,S*)9 
(Fotografia  reproduzida  do  livro  Primeiro  Centenário  do  ConscHieirr 
Antônio  da  Silva  Prado). 


m 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃu    PAUI.O  100a 


em  certos  pontos'''\  Só  no  começo  do  século  atual 
—  com  Antônio  Prado  na  Prefeitura  —  procurou-se 
fazer  alguma  coisa  em  beneficio  do  traçado  dos  largos 
e  das  praças  e  também  da  arborização  dêles  e  das 
ruas.  Dizia  o  prefeito  nessa  época  que  estava  farto 
dos  plátanos  e  principalmente  dos  eucaliptos,  que  além 
de  crescerem  demais  arrebentavam  os  passeios  com 
as  suas  raízes  possantes,  danificando  até  a  canalização 
de  águas  e  esgotos.  Pretendia  porisso  o  conselheiro 
mandar  fazer  ensaios  de  diferentes  espécies,  do  porte 
da  murta,  preferindo  os  que  fossem  mais  floriferos  e 
de  folhagem  miúda,  para  não  sujarem  as  ruas  nem 
obstruirem  as  bocas  de  lobo  das  águas  pluviais^'\ 
Alguns  anos  mais  tarde  —  em  1912  —  o  viajante 
francês  Gaffre  escrevia  de  São  Paulo:  "Não  creio 
que  haja  duas  avenidas  vizinhas  plantadas  com  as 
mesmas  árvores.  Plátanos  do  Canadá,  carvalhos  da 
Europa,  lilás  do  Japão,  sucedem  às  plantas  mais  no- 
táveis do  país"^^ 

Deveu-se  ainda  a  Antônio  Prado  o  alargamento 
do  pátio  do  Rosário  (com  a  tradicional  Ilha  dos  Pron- 
tos), que  foi  batizado  com  o  seu  nome.  E  que  passou 
a  ser,  durante  alguns  anos,  o  "coração  da  cidade". 
Em  cujas  esquinas  e  confeitarias  —  como  refere  o 
álbum  publicado  por  Jules  Martin  em  1905  —  reuniam- 
se  os  rapazes  elegantes  da  cidade.  E  por  onde  pas- 
savam tôdas  as  linhas  de  bonde^^  Ainda  em  1912, 
em  livro  fixando  cenas  da  vida  paulistana,  José  Agudo 

Cássio  Mota,  op.  cit.,  pág.  20. 

80  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências", 
Primeiro  Centenário  do  ConscHiciro  Antônio  da  Silva  Prado, 
págs.  222-223. 

81  L.  A.  Gaffre,  op.  cit.,  pág.  159. 

®'  São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno  (á)bum  de 
1905),  pág.  92. 


s 


escrevia:  ''Os  passeios  laterais  e  a  tradicional  Ilha 
dos  Prontos,  no  centro,  estavam  literalmente  obstruí- 
dos de  gente.  Uns  esperavam  seus  bondes,  outros 
esperavam  a  possibilidade  aleatória  de  um  convite  para 
o  vermute  ou  a  farmácia,  e  alguns  não  esperavam  nada, 
mas  matavam  o  tempo  em  ver  o  que  nada  tinha  de 
vistosc"*l 

O  pcátio  do  Colégio,  esse  em  1905  estava  —  se- 
gundo Louis  Casabona  —  ornado  com  bonito  jardim- 
cercado  pelo  palácio  do  governo  e  as  sedes  das  Se- 
cretarias^^  Já  no  século  passado  —  em  1885  —  apro- 
veitando-se  a  derrubada,  alguns  anos  antes,  de  uma 
ala  do  corpo  principal  do  antigo  convento  dos  Jesuítas, 
abrira-se  ali  um  jardim  gradeado.  A  área  ajardi- 
nada —  como  se  pode  ver  em  uma  das  estampas  da 
álbum  de  Jules  Martin  —  era  franqueada  por  um 
pequeno  portão,  aparecendo  no  primeiro  plano  um 
pórtico  meio  empetecado,  com  uma  cascatinha  e  a 
estátua  da  mulher  despejando  água  em  um  tanque^". 
Havia  nesse  jardim  aléias  sombrias  sob  as  palmeiras 
e  os  fetos,  dispostos  em  formas  fantásticas  e  mistura- 
dos com  os  cactos.  Foi  em  um  de  seus  bancos,  ou- 
vindo o  canto  dos  passarinhos,  o  ruído  dos  carros,  o 
pregão  dos  quitandeiros,  em  um  domingo  de  sol,  que 
o  viajante  Forrest  sentiu  o  que  escreveu  em  seu  livro 
de  1912:  "Seria  difícil  imaginar  cidade  e  povo  mais 
felizes"^^.  Mas  nesse  tempo  a  necessidade  de  am- 
pliação do  largo  do  Palácio  já  era  apontada  coma 

José  Agudo,  Gciitc  Rica.  pág.  119. 

Louis  Casabona,  op.  cit.,  pág.  68. 

São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno,  pág.  9. 

Archibald  Forrest,  np.  cit..  pág.  306. 


r 


HISTÓRIA    ]■:    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1007 


problema  imposto  pelo  engrandecimento  de  São  Paulo 
e  seu  centro  comercial". 

Foi  também  o  começo  do  século  vinte  a  época 
em  que  se  fizeram  melhoramentos  no  largo  de  Santa 
Cecília,  sendo  retirado  dali  o  antigo  chafariz  da  Mi- 
sericórdia^^, e  em  que  se  começou  a  reformar  a  Várzea 
do  Carmo.  Com  o  leito  do  rio  regularizado  e  as 
margens  g-ramadas  e  arborizadas,  o  local  mostrava 
já  aspecto  muito  diverso  do  de  outros  tempos.  A  en- 
costa do  convento,  tôda  gramada  e  cortada  de  ruas 
sinuosas  —  dizia-se  no  álbum  de  Martin  —  dava 
feição  aprazível  à  subida  para  a  praça  bem  cuidada 
que  ficava  no  alto^^  O  diabo  é  que  —  como  es- 
crevia Silva  Teles  em  1907  —  o  parque,  podendo 
ser  uma  coisa  soberba,  estivesse  aos  poucos  sendo 
invadido  por  habitações  mesquinhas  que  enfeiavam  o 
ambiente^".  O  ajardinamento  da  Várzea  do  Carmo 
e  do  Anhangabaú  represento  a  logo  em  seguida  —  em 
1910-1911  — ■  a  preocupação  central  focalizada  no 
plano  de  Vítor  da  Silva  Freire  encaminhado  pelo  pre- 
feito Antônio  Prado  ao  governo  de  São  Paulo.  Com 
o  ajardinamento  do  vale  do  Anhangabaú  —  obser- 
vava o  engenheiro  Vítor  Freire  —  ficaria  o  centro  da 
cidade  dotado  de  aspecto  característico  e  original 
"como  ós  que  procuram  modernamente  constituir  as 
cidades  mais  adiantadas,  que  cuidam  de  seus  progra- 
mas edilícios  sempre  que  a  topografia  natural  lhes 
permite  o  tipo  das  longas  avenidas  banais  e  sem  tão 
favoráveis  condições  de  estética".  A  êsse  logradouro, 
acrescentava  Freire,  faria  companhia  o  que  deveria 

®^  Adolfo  Augusto  Pinto,  A  Transformação  e  o  Einbele- 
zamcnto  de  São  Paulo. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  10. 
São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno,  pág.  20. 
'°    Augusto  C.  da  Silva  Teles,  op.  cit.,  págs.  53-54. 


1008 


ERNA  N  I 


SILVA     BRUN  C 


mais  tarde  ser  feito  ao  lado  da  várzea  do  Tamanduá- 
teí,  pelo  seu  ajardinamento  e  pela  ligação  da  rua  da 
Boa  Vista  com  o  larg-o  do  Palácio,  "encastoando  por 
essa  forma  o  coração  da  cidade  entre  dois  belíssimos 
parques  e  emoldurando-o  entre  dois  soberbos  panora- 
mas de  natureza  diferente  mas  esplêndidos  ambos  pela 
harmonia  e  suavidade  das  suas  linhas"^\  O  Jardim 
da  Luz  também  mereceu  as  atenções  do  prefeito  An- 
tônio Prado  no  começo  do  século  vinte.  Fazendo 
sua  primeira  visita  ao  logradouro,  ficara  êle  mal  im- 
pressionado com  o  seu  aspecto.  Estava  muito  cheio 
de  canteirinhos,  vários  deles  com  cercaduras  de  gar- 
rafas de  fundo  para  cima,  e  abrigando  apenas  perpé- 
tuas, semprevivas  e  manjericão.  Tudo  muito  provin- 
ciano, teria  pensado  o  prefeito.  Passou  então  o  parque 
por  uma  transformação  completa,  à  moda  inglesa,  com 
gramados  e  canteiros  artísticos,  ostentando  flores  mais 
aristocráticas^^.  O  lago  central,  em  forma  de  Cruz 
de  Savoia  —  escreveu  Nuto  Santana  —  adornava-se 
entretanto  ainda  com  oito  estátuas  nTcdíocres,  aquelas 
que  datavam  de  1874.  Tinha  o  jardim  três  entradas 
amplas  nessa  época:  pela  rua  José  Paulino,  pela  praça 
Visconde  de  Congonhas  e  pela  Avenida  Tiradentes''^ 
O  largo  da  Sé  passou  por  modificação  radical, 
ampliando-se  consideravelmente,  depois  que  se  derru- 
bou a  catedral  antiga  em  1912.  Êsse  templo  estava 
construído  muito  abaixo  do  local  em  que  hoje  se  ergue 
a  catedral.  Seus  fundos  correspondiam  mais  ou  me- 
nos à  altura  da  rua  Barão  de  Paranapiacaba,  de  modo 

Melhoramentos  do  Centro  da  Cidade  de  São  Paulo, 
cit.,  págs.  6  e  seguintes. 

^2  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências", 
Primeiro  Centenário  do  Conselheiro  Antônio  da  Silva  Prado, 
pág.  221. 

Nuto  Santana,  São  Paulo  Histórico,  IV,  págs.  139-140. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    ITDADK    DIC    SÃO    PAULO  1011 


que  sua  fachada  era  fronteiriça  da  igreja  de  São 
Pedro,  no  ponto  em  que  agora  existe  o  edifício  da 
Caixa  Económica.  E  tôda  a  parte  superior  do  largo 
de  agora  era  ocupado  por  vasto  quarteirão  limitado 
pelas  ruas  do  Imperador  (depois  Marechal  Deodoro), 
da  Freira  (Senador  Feijó)  e  pelo  beco  do  Moscjuito, 
além  de  um  prolongamento  da  antiga  rua  de  Santa 
Teresa^*.  Por  acordo  firmado  em  1913  com  a  Pre- 
feitura foi  assentado,  ao  contrário  do  c|ue  a  princípio 
se  projetara,  aproveitar  em  sua  maior  extensão  a 
área  aberta  entre  as  ruas  Marechal  Deodoro  e  Ca- 
pitão Salomão,  para  abertura  de  um  logradouro  amplo, 
ao  mesmo  tempo  que  se  resolveu  transferir  a  situação 
da  catedral  para  o  trecho  mais  alto  da  esplanada^". 
Nessa  mesma  ocasião,  entre  os  empreendimentos  pre- 
vistos no  plano  Bouvard  —  de  transformação  do 
centro  paulistano  —  incluía-se  a  formação  de  uma 
praça  entre  as  ruas  Libero  Badaró,  de  São  Bento  e 
Direita:  a  praça  do  Patriarca^^  Fizeram-se  os  jar- 
dins da  praça  Buenos  Aires^^.  Logo  depois  foram 
ajardinados  o  largo  do  Paissandú,  a  praça  José  Roberto, 
a  Ponte  Grande  e  o  que  fica  em  frente  ao  Instituto 
Ana  Rosa.  Ainda  outro  logradouro  transformado  no 
começo  do  século  foi  a  chamada  praça  da  Independên- 
cia, no  bairro  do  Ipiranga.  Em  1907  o  governo  do 
Estado  incumbiu  o  arcjuiteto  paisagista  Arsênio  Put- 
temans,  de  ajardinar  essa  praça.  Deu-se  então  ao 
palácio  de  Bezzi  —  o  do  Museu  —  escreveu  Taunay, 
aquêle  complemento  indispensável  para  que  ressaltas- 
se a  elegância  de  sua  linha  arquitetónica.  Puttemans 

"Ruas  e  Praças  de  São  Paulo",  série  publicada  nc 
Correio  Paulistano. 

Adolfo  Augusto  Pinto,  Hoiucnar/cns,  pág.  174. 
Albert  Bonnaure,  op.  cit.,  pág.  75. 
^'^    Albert  Bonnaure,  op.  cit.,  pág.  78. 


1012 


ERN  A  X  ; 


S  1  L  \'  A     B  R  U  N  C 


desenhou  e  executou  um  jardim  lenotriano  que  entre- 
gou à  diretoria  do  Museu  Paulista  em  1909'"^.  Ainda 
um  outro  paríjue  —  o  Parque  Antártica  —  chamava 
nessa  época  a  atenção  do  visitante  Pierre  Denis,  o 
autor  de  O  Brasil  no  Século  Jlntc.  Escrevendo  em 
tòrno  de  1908  dizia  êlc  que  aos  domingos  uma  multi- 
dão numerosa  procurava  êsse  jardim  público^^  Para 
recreio  de  seus  habitantes  —  escrevia  depois  Paulo 
Rangel  Pestana  —  a  cidade  possuía  êsse  Parciue  An- 
tártica com  muitos  divertimentos,  os  parcjues  da  Can- 
tareira, com  enorme  floresta  nativa  e  o  Bosque  da 
Saúde,  no  subúrbio,  além  dos  quatro  grandes  jardins : 
o  da  Luz,  o  da  praça  da  República,  o  do  monumtnto 
do  Ipiranga  e  o  Anhangabaú.  Dentro  em  pouco  — 
notava  —  a  êles  se  juntaria  o  parque  da  Várzea  do 
Carmo,  com  obras  ainda  em  andamento^"". 

Na  mesma  época  fazia  Paul  Walle,  em  seu  livro 
de  impressões  sobre  São  Paulo,  referências  ao  Parque 
Antártica  —  criação  particular  de  um  industrial  dei- 
xada à  disposição  do  público.  Quanto  ao  Anhanga- 
baú —  escrevia  o  francês  —  "coberto  há  poucos 
anos  ainda  de  terrenos  vagos  e  construções  miserá- 
veis", formava  um  parque  belamente  desenhado  e  de 
bonito  efeito.  O  vale  —  dizia  êle  —  deverá  ser  trans- 
formado em  longa  avenida  central,  de  que  uma  parte 
forma  um  curioso  e  original  parque-jardim  de  vegeta- 
ção exótica"\  Mas  Adolfo  Augusto  Pinto  achava 
em  1912  que  a  cidade  estava  mal  servida  de  parques. 
"Se  em  São  Paulo  —  observava  —  os  melhoramentos 


'^^  Afonso  de  E.  Taiina}-.  Antigos  Aspectos  Paulistas, 
pág.  19. 

Piei-re  Denis,  O  Brasil  no  Século  XX,  pág.  147. 
Paulo  Rangel  Pestana,  "A  Cidade  de  São  Paulo  — 
Evolução  Histórica",  no  álbum  A  Capital  Paulista,  1920. 
Paul  Walle,  op.  cit.,  págs.  51  a  53. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PATEO  1015 


(le  várias  ordens  têm  mais  ou  menos  acompanhado  o 
rápido  crescimento  da  cidade,  é  certo  entretanto  que 
quase  não  se  tem  cuidado  de  abrir  e  formar  novos 
logradouros  públicos,  podendo-se  dizer  que  existe  hoje 
a  tal  respeito  com  pequena  diferença  aquilo  mesmo  que 
existia  há  algumas  dezenas  de  anos,  quando  o  Jardim 
Público,  aliás  maior  que  o  atual,  e  a  Ilha  dos  Amores, 
de  que  já  nem  subsistem  vestígios,  bastavam  para 
fazer  as  delicias  dos  paulistanos"^"".  Milciades  í'orchat 
—  Do  que  Precisa  São  Paulo,  1920  —  também  achava 
poucos  os  parques  da  cidade.  "À  exceção  do  vale  do 
Anhangabaú  e  Várzea  do  Carmo,  ambos  desenhados 
pelos  artistas  Bouvard  e  Cochet,  bem  como  o  Parque 
da  Avenida,  que  está  sendo  embelezado  segundo  o 
plano  do  exímio  especialista  inglês  Parker,  não  temos 
quase  arte  nos  nossos  jardins,  que  são  todos  uniformes 
e  monótonos"^"".  Aliás  nessa  época  entre  os  jardins 
menores,  conservados  do  século  anterior,  podiam  ser 
lembrados  o  que  dava  para  a  rua  do  Riachuelo,  nos 
fundos  da  Academia  de  Direito,  ornado  de  cedros 
aparados  à  moda  italiana^'^'^,  e  o  do  largo  da  Memória. 
Em  1920,  referindo-se  a  êste  último,  V.  de  P.  Vicente 
de  Azevedo  dizia  que  êle  era  ainda  o  mesmo  de  1870: 
o  mesmo  paredão  desenxabido,  os  mesmos  pés  de  ci- 
cuta enrolados  sem  poder  trepar^^^  Mas  o  fato  — 
insistia  Porchat  —  é  que  os  jardins  existentes  em 
São  Paulo,  na  sua  qualidade  de  "pulmões  da  cidade", 
não  bastavam  para  lhe  purificar  a  atmosfera.  Com- 

Adolfo  Augusto  Pinto,  A  Traiisfonuação  c  o  Eiiibe- 
Iczamento  de  São  Paulo,  pág.  7. 

Milciades  Porchat,  op.  cit.,  pág.  51. 
^O"*    Ian  de  Almeida  Prado,  "São  Paulo  Antigo  e  sua 
Arquitetura",  Ilustração  Brasileira,  Setembro  de  1929. 

V.  de  P.  Vicente  de  Azevedo,  "A  Pirâmide  do  Piques", 
Rci'isfn  do  Brasil,  Junho  de  1920,  págs.  179  e  seguintes. 


1016 


ERN  A  XI      S  I  L  V  A      BRU  N  C 


parava  São  Panlo.  na  época,  com  seus  doze  mil  habi- 
tantes para  hectare  de  parques  e  jardins,  com  outras 
cidades  americanas  e  européias:  Buenos  Aires,  com 
mil  e  duzentos,  Paris,  com  mil  trezentos  e  cinquenta 
e  quatro,  e  Londres,  com  mil  e  trinta  e  um 

Dependeu  por  outro  lado,  de  técnicos  estrang-eiros, 
a  iluminação  de  ruas,  largos  e  jardins  de  São  Paulo, 
que  passou  a  ser  feita  a  gás  em  1872.  Em  1870 
chegara  à  cidade  o  enger.heiro-empreiteiro  W.  Ram- 
say,  da  Companhia  do  Gás,  para  escolher  o  local  onde 
devia  ficar  o  gasómetro.  A  iluminação  começou  a 
ser  feita  dois  anos  depois,  na  noite  de  31  de  março, 
quando  foram  iluminados,  pelo  sistema  novo,  a  frente 
da  catedral  da  Sé  e  do  palácio  do  governo,  no  pátio 
do  Colégio,  onde  haviam  se  erguido  arcos  festivais^". 
Daí  em  diante  os  lampiões  de  querosene  foram  sendo 
substituídos  pelos  combustores  de  gás  e  então  —  no 
dizer  de  um  cronista  —  os  moradores  do  Triângulo, 
por  ocasião  das  festas  e  das  procissões,  deixaram  de 
ornamentar  e  de  iluminar  as  frentes  das  suas  casas 
com  os  globos  e  as  lanternas  tradicionais"^. 

Nos  primeiros  tempos  da  iluminação  a  gás  ainda 
ficavam  na  penumbra,  quase  que  recebendo  apenas  a 
luz  que  vinha  de  dentro  das  casas,  muitas  zonas  da 
cidade.  Mesmo  na  área  central.  Velhos  moradores 
da  capital  contavam  que  algumas  casas  da  rua  Nova 
de  São  José  (Libero  Badaró)  era  costume  terem  o 
corredor  de  entrada  alumiado  por  uma  lamparina  de 
azeite.  Não  precisava  mais  nada :  a  luzinha  incerta, 
avermelhada,  se  destacando  na  escuridão  da  rua,  bas- 
tava para  atrair  dezenas  e  dezenas  de  rãs  e  de  sapos 

'^'^    Milcíades  Porchat,  op.  cit.,  pág.  50. 

António  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  131,  e  il, 
págs.  59  e  188. 

Antônio  Egidio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  37. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1019 


que  ainda  infestavam  tôda  a  baixada  do  Acu"^.  Por 
outro  lado,  muitas  ruas  foram  esquecidas  nesses  pri- 
meiros tempos  da  iluminação  a  gás,  ficando  em  si- 
tuação pior  que  a  anterior,  pois  perderam  também 
os  seus  lampiões  de  querosene.  Em  1873  a  Câmara 
fazia  sentir  ao  governo  da  província  a  necessidade  de 
que  fossem  colocados  combustores  de  gás  nas  fre- 
guesias de  Santa  Ifigênia  e  Consolação,  assim  como 
naquelas  ruas  que  já  tinham  tido  luz  de  querosene  e 
que  estavam  então  desprovidas  de  qualquer  ilumina- 
ção^^". Os  arrabaldes  sobretudo  passaram  a  reclamar 
iluminação.  Em  1881  falava-se  na  Câmara  na  neces- 
sidade de  aumentar,  com  mais  duzentos,  o  número  de 
combustores  públicos,  que  deveriam  ser  distribuídos 
atendendo-se  principalmente  '^à  importância  e  progres- 
sivo desenvolvimento  dos  arrabaldes  da  cidade"^^\ 

Entretanto  os  quinhentos  e  cinqíienta  lampiões  do 
começo  da  iluminação  a  gás  foram  se  multiplicando: 
passaram  logo  a  setecentos  e  em  1882  já  eram  mais 
de  novecentos^^^.  De  ferro,  pequenos,  elegantes,  aju- 
daram a  modernizar  a  feição  das  ruas.  Todavia  foto- 
grafias da  cidade  nos  últimos  anos  da  monarquia  mos- 
tram que  na  época  ainda  havia  combustores  pendurados 
nas  paredes :  na  casinha  térrea  do  largo  de  São  Bento, 
onde  ficava  o  Hotel  do  Oeste,  por  exemplo.  Ou  fin- 
cados em  cima  dos  próprios  chafarizes,  como  se  pode 
ver  em  uma  gravura  reproduzindo  o  largo  do  Rosária 
em  1885.    A  iluminação  das  ruas  a  gás,  nos  primeiros 


Nuto  Santana,  São  Paulo  Histórico,  V,  pág.  189. 
"O    Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo.  LIX,  pág. 

130. 

"1  Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LXVII^ 
págs.  39-40. 

"2    Nuto  Santana,  op.  cit.,  II,  pag.  258. 


1020 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


anos  da  RepúbMca.  feita  através  de  bicos  simples  er 
de  bicos  com  camisa  incandescente  —  observou  Cássio 
Mota  —  representavam  um  privilégio  da  capital,  que 
se  destacava,  nesse  particular,  das  outras  cidades  pau- 
]istas"^  embora  muita  gente  em  1890  se  queixasse 
da  luz  fornecida  pela  Companhia  de  Gás,  dizendo  que 
ela  era  fraca  e  que  não  estava  de  acordo  com  o  que 
se  combinara  no  contrato  de  concessão^^*. 

Veio  depois  a  iluminação  elétrica,  embora  se  saiba 
que  já  em  1868  —  por  ocasião  das  festas  da  tomada 
de  Humaitá,  na  Guerra  do  Paraguai  —  o  frei  Ger- 
mano d'Annecy,  professor  de  matemática  do  Seminá- 
rio Episcopal  de  São  Paulo,  instalara  e  experimentara 
seu  uso  na  fachada  do  edifício  da  Cadeia"^.  Muito 
depois  —  em  1883  —  fez-se  uma  experiência  de  ilumi- 
nação por  eletricidade  no  Jardim  Piiblico  da  Luz"®. 
E  seis  anos  mais  tarde  os  donos  de  casas  das  ruas  da 
Imperatriz  e  de  São  Bento  e  do  largo  do  Rosário 
iluminaram  pe'o  sistema  novo  esses  três  logradouros 
públicos"^  Mas  foi  só  em  1900  que  a  eletricidade 
passou  realmente  a  disputar  a  iluminação  das  ruas 
com  o  gás.  Muitos  logradouros  entretanto  ainda  con- 
servavam as  velhas  lâmpadas  a  gás  "Auer".  A  ilu- 
minação elétrica,  em  1905,  foi  acrescida  de  duzentas 
e  noventa  e  oito  unidades  no  total  de  combustores.. 


"•^    Cássio  Mota,  op.  cit.,  págs.  19-20. 

Henrique  Raffard,  op.  cit. 
"5    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  42. 

Aureliano  L^ite,  História  da  Civilização  Paulista,  páf^.. 
122.  Na  mesma  época  —  em  1883  e  em  1885  —  houve  duas- 
e.xperiências  de  iluminação  e'étrica  no  Rio  de  Janeiro:  a. 
primeira  no  largo  do  Machado  e  a  segunda  no  edifício  da 
Biblioteca  Nacional,  na  rua  do  Passeio.  (Gastão  Gruis,  Apa— 
rência  do  Rio  de  Janeiro,  11,  pág.  429). 

Aureliano  Leite,  op.  cit.,  pág.  122. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1021 


Aumenta\'a  ao  mesmo  tempo  o  número  de  combusto- 
res de  gás,  que  em  1911  se  elevava  a  8.706  aparelhos, 
ao  passo  que  o  de  lâmpadas  elétricas  subia  a  605, 
com  reforço  enorme  de  iluminação  nas  ruas  principais 
—  escreveu  Nuto  Santana  —  e  de  unidades  para  ilu- 
minação exclusiva  da  Água  Branca,  da  Lapa,  da  Pe- 
nha e  do  Ipiranga.  Em  1913  subia  o  número  de 
combustores  públicos  de  gás  a  8.955  e  o  de  lámnadas 
elétricas  a  780.  E  dois  anos  depois  os  primeiros  ?e 
elevíiriam  ainda  a  9.396  e  no  ano  seguinte  a  9.605, 
ao  passo  qup  o  de  lâmpadas  elétricas  continuava  sendo 
de  380  unidades  de  grande  intensidade  e  466  incandes- 
centes de  sessenta  velas.  Nessa  época  foi  autorizada 
a  iluminação  po.'"  eletricidade  do  Belvedere  inaugurado 
na  Avenida  Paulista  —  iluminação  que  foi  custeada 
pelo  governo  dc  Estado,  como  também  a  do  Triângulo, 
da  esplanada  do  Teatro  Municipal  e  dos  relrgios  pú- 
b'icos.  Por  outro  lado  estudavam  as  autoridades,  com 
a  Light.  a  unificação  dos  contratos  para  iluminação 
elétrica  das  ruas  e  praças  da  cidade,  terminando  essas 
negociações  em  1916,  quando  se  assinou  o  contrato. 
Já  em  1918  foi  autorizado  o  assentamento  de  novas 
lâmpadas  elétricas  no  parque  Anhangabaú,  na  praça 
da  Avenida  Paulista,  na  Bela  Vista  e  na  praça  da 
Concórdia..  Mas  muitos  bairros  nessa  época  ainda 
apresentavam  aspectos  por  assim  dizer  antigos  no 
setor  da  iluminação,  pois  continuavam  a  ser  iluminados 
pela  luz  esverdeada  dos  lampiões  de  gás  —  embora 
desde  meados  de  1917  se  observasse  a  queda  do  poder 
iluminativo  do  gás  distribuído  pela  respectiva  empre- 
sa ■ —  e  animados  com  a  figura  do  acendedor  de 
lampiões. 


Nuto  Santana,  op.  cit.,  II,  págs.  259  e  seguintes. 


III  —  MARCHA  PARA  OS 
ARRABALDES 


^ij"  ão    foi  tímido, 
como  no  período 


anterior,  o  crescimen- 
to da  área  da  cida- 
de de  São  Paulo  na 
fase  representada  pe- 
las três  últimas  déca- 
das do  século  dezeno- 
ve  e  as  duas  primeiras 
do  século  vinte.  Sabe- 
se  cjue  já  na  é];)0ca  da  proclamação  da  República  quase 
todos  os  donos  de  chácaras  antigas  localizadas  perto 
da  área  central  ou  em  alguns  de  seus  arrabaldes,  co- 
meçaram a  mandar  abrir  em  suas  terras  avenidas, 
ruas,  alamedas  e  largos,  vastas  áreas  descampadas 
recebendo  arruamento  e  loteação.  Foram  bem  poucas 
as  chácaras  que  resistiram,  nessas  áreas,  até  os  últi- 
mos anos  do  oitocentismo  ou  os  primeiros  do  século 
atual.  Êsse  crescimento  respondia  sem  dúvida  ao  de- 
senvolvimento da  população  urbana,  determinado  in- 
clusive pela  fixação  na  cidade  de  imigrantes  sobre- 
.tr.do  italianos. 


1026 


ERNÂNI      SILVA  BRUNC 


Assim,  ao  lado  do  desenvolvimento  e  da  animação 
que  g-anharam  certos  bairros  antigamente  desertos  e 
silenciosos,  formaram-se  outros:  os  fabris,  particular- 
mente ao  longo  das  linhas  das  primeiras  estradas  de 
ferro.  O  povoamento  do  bairro  do  Brás,  por  exemplo, 
se  intensificou  de  modo  notável  com  o  funcionamento 
da  Estrada  de  Ferro  do  Norte.  Também  a  zona  do 
Bom  Retiro  foi  então  que  acusou  Índices  mais  claros 
de  povoamento  e  integração  na  zona  urbana,  ligando- 
se  com  o  bairro  da  Luz,  que  se  tornou  também  inte- 
ressante e  vivo  —  e  não  apenas  pitoresco,  como  no 
passado  • — ■  com  o  movimento  dos  trens  da  Inglesa. 
Por  outro  lado  lançaram-se  as  raízes  de  alguns  fu- 
turos bairros  e  subúrbios  por  meio  do  estabelecimento 
de  núcleos  coloniais :  Santana,  Glória,  São  Bernardo, 
São  Caetano. 

Apesar  de  todos  êsses  desenvolvimentos,  no  en- 
tanto, não  cresceu  regularmente  a  área  urbana  em 
todas  as  direções,  e  nos  últimos  anos  do  século  pas- 
sado, a  despeito  da  formação  de  alguns  bairros  aristo- 
cráticos, certas  zonas  do  núcleo  central  primitivo  con- 
servaram o  seu  caráter  de  zonas  residenciais  elegantes 
também.  Parece  que  só  a  partir  dos  primeiros  anos 
do  século  atual  — •  o  crescimento  urbano  mal  permi- 
tindo já  moradias  no  reduzido  centro  —  foi  que  se 
observou  a  tendência  decisiva  para  que  as  casas  se 
alastrassem  de  uma  vez  pelas  colinas  e  pelos  vales  das 
redondezas,  fixando-se  as  residências  das  classes  mais 
abastadas  nas  zonas  mais  altas  e  saudáveis.  Isso 
ocorreu  a  tal  ponto  que  nos  anos  de  1911-1913  mos- 
trava-se  preocupado  o  poder  municipal  com  a  expansão 
e  a  dispersão  da  cidade:  formavam-se  bairros  a  dis- 
tâncias consideráveis  ao  mesmo  tempo  que  restavam, 
nas  vizinhanças  da  área  central,  longos  espaços  desa- 
proveitados, ;  ' 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  K)27 

De  outra  parte  o  primitivo  Triângulo  niostrava- 
se  cada  vez  mais  exíguo  para  comportar  o  crescente 
movimento  comercial.  O  tráfego  se  tornara  extrema- 
mente difícil,  recebendo  então  o  problema,  em  1911, 
o  que  se  chamou  uma  "solução  perimetral",  constituí- 
da pela  rua  Libero  Badaró,  largo  de  São  Francisco, 
rua  Benjamin  Constant,  largo  da  Sé,  pátio  do  Colégio 
e  rua  Boa  Vista.  Uma  ligeira  expansão  do  centro 
primitivo. 

Com  a  proclamação  da  República  quase  todos  os 
donos  de  chácaras  antigas  dos  bairros  de  Santa  Ifi- 
gênia, Bom  Retiro,  Brás,  Consolação,  Liberdade  e 
Cambuci  —  escreveu  Antônio  Egídio  Martins  —  man- 
daram abrir  ruas,  avenidas,  alamedas  e  largos  em  suas 
terras^.  Não  só  desses  bairros,  podia  se  dizer.  Mas 
também  do  Higienópolis,  Avenida  Paulista,  Mooca, 
Pari,  Ipiranga,  Barra  Funda  e  Água  Branca,  onde 
enormes  áreas  descampadas  foram  recebendo  arrua- 
mento e  loteação'. 

A  chácara  do  general  José  Arouche  de  Toledo 
Rendon  tinha  sua  sede  em  um  casarão  da  rua  de 
Santa  Isabel  e  se  estendia  primitivamente  da  rua  da 
Alegria  (Sebastião  Pereira)  até  o  beco  do  Mata  Fome 
(rua  Araújo).  Mais  tarde  pertenceu  a  Rego  Freitas 
e  em  1894  foi  vendida  a  um  sindicato  de  capitalistas, 
abrindo-se  então  em  suas  terras  —  segundo  Martins 
—  as  ruas  Bento  Freitas,  Rego  Freitas,  Amaral  Gur- 
gel,  Cesário  Mota,  Vila  Nova,  Marquês  de  Itu,  Ge- 
neral Jardim,  Major  Sertório  e  Santa  Isabel  —  todo 
o  bairro  de  Vila  Buarque,  afinal  de  contas^. 

^    Antônio  Egídio  Martins,  São  Paulo  Antigo,  II,  pág.  14. 

2  Everardo  ■  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas"  (1887-1891),  Revista  do  Arquivo  Municipal, 
XCIII.  pág.  124. 

^    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  137. 


1028 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  C 


A  enorme  chácara  das  Palmeiras  — •  que  ainda  em 
1872  tinha  casa-grande,  senzalas,  armazéns,  cocheiras, 
plantações  de  chá  e  de  mandioca  e  vastos  capinzais 
—  transformou-se  nas  ruas  da  Imaculada  Conceição, 
Baronesa  de  Itu.  Martim  Francisco,  Barão  de  Tatuí, 
São  Vicente  de  Paula,  Albuquerque  Lins,  Avenida 
Angélica,  Alameda  Barros  e  outras.  Dona  Maria 
Angélica  de  Sousa  Queiroz  Barros  foi  dona  também 
de  muitos  terrenos  na  zona  da  Avenida  Angélica, 
Uma  parte  dos  quais  pertenceu  à  antiga  chácara  das 
Palmeiras*. 

Parte  da  rua  das  Palmeiras,  porém,  resultou  do 
retalhamento  da  Chácara  Mauá,  de  Francisco  de 
Aguiar  Barros  e  do  alemão  Frederico  Glette.  Essa 
Chácara  Mauá  —  que  antes  se  chamara  Campo  Re- 
dondo e  depois,  em  1868,  Charpe  —  tinha  sua  sede  em 
um  enorme  prédio  colonial,  acaçapado,  que  mais  tarde 
serviria  de  residência  episcopal  e  de  colégio.  Ali  se 
caçavam  pombos  e  se  pescavam  bagres  em  uma  lagoa. 
Glette  e  seu  patrício  Nothman  pegaram  essas  terras 
da  chácara  Mauá  e  fizeram  delas  o  bairro  dos  Campos 
Elíseos,  entre  1882  e  1890,  com  a  alameda  Barão  de 
Piracicaba,  o  largo  Princesa  Isabel  e  as  ruas  General 
Osório,  dos  Protestantes,  do  Triunfo,  dos  Andradas, 
dos  Gusmões,  Duque  de  Caxias,  Helvétia,  Glette, 
Nothman  e  outras^ 

A  chácara  que  pertenceu  ao  comendador  Luís 
Antônio  de  Sousa  Barros  foi  loteada  para  que  se 
abrissem  parte  da  avenida  São  João,  o  largo  e  a 
travessa  do  Paissandú,  a  rua  do  Seminário  e  a  praça 
do  Correio.  A  que  pertenceu  ao  brigadeiro  Rafael 
Tobias  de  Aguiar  contribuiu  para  a  formação  da  la- 


António  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  132. 
5    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  págs.  13-14. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    TATLO  1029 


deira  e  do  largo  de  Santa  Ifigênia,  rna  da  Conceição 
e  part-e  da  qne  conser\'Ou  o  seu  nome''. 

O  ex-sítio  do  Carvalho,  que  pertencera  ao  Barão 
de  Tguape  e  que  ia  da  estrada  de  Jundiai  até  o  Tietê, 
nas  ;iro.ximidades  da  Casa  A'erde,  contribuiu  para  a 
formação  em  parte  dos  bairros  da  Barra  Funda  e 
do  Bom  Retiro.  A  chácara  do  conselheiro  António 
Prado  se  transformou  na  praça  Marechal  Deodoro, 
ruas  Brigadeiro  Galvão,  Barra  Funda  e  Vitorino  Car- 
milo''.  E  a  chácara  de  Martinho  da  Silva  Prado,  na 
Consolação,  também  deu  lugar  a  uma  porção  de  ruas 
na  zona  em  que  ainda  há  poucos  anos  se  encontrava 
a  casa  que  foi  sua  sede :  o  casarão  pegado  à  igreja  da 
Consolação. 

Do  outro  lado  da  cidade  a  chácara  enorme  da 
Tabatingúera,  de  Francisco  de  Assis  Lorena,  filho  do 
governador  Lorena  —  tendo  nos  fundos  a  fonte  de 
Santa  Luzia  —  transformou-se  nas  ruas  Conselheir.i 
Furtado,  Conde  de  Sarzedas,  Tomás  de  Lima  e  Santa 
Luzia^.  Dessa  chácara  conhece-se  uma  gravura  de 
1862:  entre  árvores  uma  casa  térrea,  com  o  tipo  de 
casa  de  sítio.  Telhado  com  beirais  e  um  alpendre  do 
lado. 

O  comêço  da  rua  da  Glória,  o  largo  São  Paulo  e 
a  rua  Sinimbu  desenharam-se  em  terras  da  quinta  de 
Francisco  Machado,  que  depois  pertenceriam  ao  inglês 
Radmaker  e  a  partir  de  1(S24  à  Santa  Casa  de  Mise- 
ricórdia. Nas  terras  compreendidas  entre  o  largo  da 
Fórca  (na  Liberdade)  e  o  da  Pólvora,  à  direita  do 
chamado  Caminho  do  Carro,  ficava  a  chácara  Streib, 


'5    Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "A  Paulicéia  Há 
-Sessenta  Anos",  Revista  do  Arquivo  Municipal,  CXI,  pág.  58. 
^    Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  pág.  59. 
Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  49. 


1030 


K  R  N  A  X  I      SILVA      B  R  U  N  C 


t-m  cujas  proximidades  ha^•ia  a  fonte  do  Moringuinho. 
Do  caminho  para  o  Moringuinho  surgiu  a  rua  Jace- 
guai.  A  chácara  do  Sertório  —  c|ue  em  1856  com- 
preendia as  terras  situadas  entre  o  matadouro  da  Pól- 
vora e  o  local  onde  agora  fica  a  rua  Abílio  Soares  — 
transformou-se  nas  ruas  Pedroso,  ]\laestro  Cardim, 
Alfredo  Ellis,  Alartiniano  de  Carvalho,  Artur  Prado, 
Paraiso  e  outras^ 

A  avenida  Brigadeiro  Luís  Antônio  foi  aberta 
em  terras  da  chácara  do  Barão  de  Limeira,  formada 
ao  sul  dos  antigos  campos  do  Bexiga.  A  rua  Paula 
Sousa,  em  terrenos  que  em  outros  tempos  faziam 
Darte  da  chácara  Miguel  Carlos.  E  o  bairro  da  Casa 
Verde  em  um  sítio  que  até  1830  pertenceu  ao  mare- 
chal Toledo  Rendon  e  que  de  1882  a  1897  foi  pro- 
priedade de  John  Maxwell  Rudge^". 

Algumas  chácaras  antigas  todavia  perduraram 
quase  até  o  fim  do  século  passado.  Em  1891  as 
tabelas  para  carros  e  tílburis  ainda  mencionavam  al- 
gumas delas  que  serviam  como  limites  a  zonas  ou 
secções  dentro  das  quais  se  cobravam  determinados 
preços :  a  chácara  do  Doutor  Albuquerque,  no  Bexiga, 
a  Pedroso,  na  Liberdade,  a  do  Harrah,  para  os  lados 
da  Mooca,  a  Levy,  na  Liberdade,  a  do  Doutor  Clímaco 
Barbosa,  no  caminho  do  Ipiranga,  e  a  do  Doutor  Ra- 
fael de  Barros,  na  Mooca^^.  Até  1893  existiu  ainda 
a  da  Figueira,  que  era  dos  herdeiros  da  Marquesa  de 
Santos,  resistindo  ainda  até  os  primeiros  anos  do 
século  atual  —  tendo  sido  derrubada  aproximada- 

5  Afonso  A.  de  Freitas,  Prospecto  do  Dicionário  Etimo- 
lógico, Histórico.  Topográfico,  Estatístico,  Biográfico,  Bibli-^- 
gráfico  c  Etnor/ráfico  Ilustrado  de  São  Paulo,  pág.  23. 

Aureliano  Leite,  Pequena  História  da  Casa  Verde. 

pág.  46. 

"    Aliiianach  do  Estado  de  São  Paulo  para  1891,  pág.  136. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1031 


mente  em  1905  —  a  figueira  mais  do  que  secular  e 
gigantesca  nascida  em  suas  terras  e  que  estendia  seus 
galhos  pela  rua  a  que  deu  o  nome^".  Resistiram  tam- 
bém por  vezes  restos  dessas  chácaras  antigas  :  casarões, 
muros  enfeitados,  ou  simplesmente  árvores  velhas. 
"Em  1895  —  escreveu  José  Feliciano  de  Oliveira  — 
ainda  nascia  chá  em  meu  jardim"^^.  Referia-se  a 
uma  casa  —  de  certo  .quase  uma  chácara  —  que  habitara 
na  Vila  Buarque.  E  havia  as  chácaras  inteiras,  mo- 
dernizadas, como  a  de  Dona  Veridiana  Prado,  a  do 
coronel  Rodovalho  e  a  do  doutor  Domingos  Jagua- 
ribe". 

Mas  o  declínio  das  chácaras,  na  segunda  metade 
do  século  dezenove,  particularmente  em  seu  último 
quartel,  correspondendo  à  formação  e  ao  desenvol- 
vimento de  muitos  bairros,  contribuiu  de  um  modo 
geral  para  que  se  alterasse  e  procurasse  um  novo 
equilíbrio  o  sistema  de  especializações  entre  as  diver- 
sas zonas  da  cidade.  Nuto  Santana  escreveu,  a  pro- 
pósito, sobre  dois  grandes  desdobramentos  urbanos  da 
capital.  Um  que,  alargando-se  formidàvelmente  do 
Bexiga  à  Barra  Funda,  projetando-se  para  o  Pacaem- 
bu,  a  Avenida  Paulista,  os  Campos  Elíseos,  Perdizes, 
Água  Branca  e  Lapa,  constituiria  a  zona  mais  acen- 
tuadamente residencial.  O  outro  —  com  base  no  Brás 
e  servido  por  estrada  de  ferro  a, partir  de  1870  —  no 
centro  industrial  da  cidade^^  Ao  longo  das  ferro- 
vias e  suas  imediações  era  naturaP  que  se  estabele- 

^2  Sebastião  Pagano,  "Roteiro  de  São  Paulo  Antigo", 
Diário  de  São  Paulo  de  29  de  Janeiro  de  1950. 

José  Feliciano  de  Oliveira.  "Centenário  de  uma  Aula 
Normal",  O  Estado  de  São  Paulo,  de  2  de  junho,  16  de  junho, 
25  de  Agosto,  3  de  Novembro  de  1946. 

^'^    Cássio  Mota,  Cesário  Mota  e  seu  tempo,  pág.  19. 

'5    Nuto  Santana,  São  Paulo  Histórico,  II,  págs.  294-295. 


1032 


ERNÂNI      SILVA      B  ]<  V  N  C' 


cessem  os  bairros  operários:  Ipiranga,  Cambuci, 
JMooca,  Brás.  Pari,  Lnz.  Bom  Retiro,  Barra  Fimcia, 
Ág-na  Bi-anca,  Lapa  (trechos  destes  últimos  bairros)^*. 
Alg^uns  dêles,  povoados  de  casinhas  e  cortiços  onde 
já  em  1910  o  viaiante  Cusano  assinalava  os  perigos 
da  promiscuidade^^. 

O  povoamento  do  bairro  do  Brás  sabe-se  que  se 
intensificou  particularmente  com  o  funcionamento  da 
Estrada  de  Ferro  do  Norte.  Ruas  como  a  Pirati- 
ninga,  a  travessa  do  Brás,  e  a  Carneiro  Leão,  come- 
çaram então  a  se  desenvolver^^.  O  simples  confron- 
to de  duas  gravuras  bastante  conhecidas  do  largo  e  da 
rra  do  Brás  —  uma  de  1862,  outra  de  1887  —  basta 
para  revelar  a  transformação  profunc^a  do  lugar  nessa 
época.  A  pavimentação  e  os  lampiões,  na  gravura 
mais  recente,  contrastam  vivamente  com  aquele  ar 
de  mero  camiw  descuidado  que  aparece  na  primeira 
estampa  envolvendo  a  igreja  e  os  casarões  acaçapados. 
Ainda  além  do  Brás  se  formou  o  bairro  do  Marco  da 
Meia  Légua.  Foi  um  ponto  onde  as  atividades  indus- 
triais e  comerciais  se  condensaram  primeiro,  para 
dar  lugar  a  um  bairro  com  fisionomia  própria  — • 
numa  época  em  que  o  Brás  propriamente  acabava 
na  Estação  do  Norte.  O  marco  de  pedra  —  assina- 
lando a  meia-légua  do  rocio  da  cidade  —  tinha  o 
cimo  um  tanto  ovalado  e  servia  também  para  descanso 
de  viaiantes.  Ficava  —  segundo  in^^ormacão  de  Ale- 
xandre Haas  —  ao  lado  da  chácara  que  descendo  da 


Caio  Prnrln  Tiinior,  "Nova  Ci^rtribui^^ão  nam  o  F,=1-nrlo 
Geoo-rn'"ico  da  Cidade  de  São  Paulo",  Estudos  Brasileiros, 
Ano  TTT,  vol.  7. 

17    Alfredo  Ci'sano,  Itália  d'oltrc  Mare,  páes.  llfS-117. 

Evera-do  Valim  FVreira  de  Sousa,  "A  Paulicéia  Há 
Se.':3ír.ta  Anos",  cit.,  pág.  56. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE   DE    SÃO    PAULO  1035 

rua  do  Brás  formava  o  começo  da  rua  Catumbi^®. 
Ainda  existia  em  1886  esse  marco,  segundo  infor- 
mação dada  a  Nuto  Santana  por  Francisco  Rodrigues 
Cesar,  que  passou  por  ali  nesse  ano  a  caminho  de  uma 
festa  na  Penha.  E  mesmo  em  ,1892,  segundo  informe 
ainda  de  Alexandre  Haas^*^. 

Também  a  zona  do  Bom  Retiro  foi  então  que 
se  povoou  mais  intensamente,  ganhando  ares  de  local 
urbano.  "Bem  andou  o  Manfredo  Meyer  —  escre- 
via Raffard  em  1890  — -  abrindo  ruas  e  vendendo 
lotes  nos  seus  vastos  terrenos  do  Bom  Retiro".  Era 
o  bairro  nesse  tempo  habitado  exclusivamente  por 
operários,  em  número  de  aproximadamente  quatro 
miP^.  Já  se  cuidava  nessa  ocasião  de  sua  ligação 
com  a  Luz,  pela  abertura  de  uma  rua  que  marginasse 
o  leito  da  Estrada  de  Ferro  Inglesa,  com  sacrifício 
de  um  pequeno  pedaço  do  Passeio  Público;  e  com 
o  Brás,  pelo  prolongamento,  através  da  várzea,  de 
ruas  como  a  da  Estação,  a  Episcopal  e  outras^^. 
Raffard  assinalava  ainda  a  contribuição  do  fazen- 
deiro José  Estanislau  do  Amaral  Campos  para  o  desen- 
volvimento do  distrito  de  Santa  Ifigênia,  aplicando 
parte  de  seus  grandes  haveres  em  edificações  moder- 
nas destinadas  a  lojistas,  no  intuito  de  atrair  para 
essa  parte  da  cidade  o  comércio^^  Outro  bairro  que  se 
tornou  particularmente  vivo  e  interessante  nas  últi- 
mas décadas  do  século  passado  foi  o  da  Luz,  Com 
seus  prédios  fidalgos,  seu  Jardim  Público  e  sobre- 

Alexandre  Haas,  carta  ao  autor. 

2"  Alexandre  Haas,  carta  ao  autor,  e  Nuto  Santana,  op. 
cit.,  I,  pág.  31. 

2'  Henrique  Raffard,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rev. 
do  Inst.  Hist.,  Geõij.  e  Etiiog.  Brasileiro,  vol.  LV,  II,  pág.  159. 

22  Henrique  Raffard,  op.  cit. 

23  Henrique  Raffard,  op.  cit. 


10 


1036 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  C 


tudo  sua  estação  de  apenas  dois  trens  para  Santos 
e  outros  dois  para  o  interior.  A  rua  Alegre  (Bri- 
gadeiro Tobias)  aniniava-se  particularmente  nas 
"horas  do  trenv",  com  o  movimento  carreado  para  o 

Por  outro  lado  lançavam-se  as  raizes  de  alguns 
futuros  bairros  por  meio  do  estabelecimento  de  cen- 
tros coloniais.  Em  1879  Raffard  visitou  alguns  desses 
micleos  localizados  nos.  subúrbios.  Um  dêles,  a  Glória, 
a  três  quilómetros  do  centro,  entre  o  Lavapés  e  o 
Ipiranga,  onde  dois  anos  antes  haviam  sido  localiza- 
dos oitenta  e  oito  colonos  que  em  1878  foram  liberta- 
dos da  tutela  oficial.  Escreveu  Raffard  que  havia 
ali,  a  cento  e  tantos  metros  dos  lotes  coloniais,  um 
depósito  de  pólvora,  a  morada  dos  guardas  e  os  restos 
de  muros  de  taipa  socada  "que  o  povo  afirmava  serem 
os  vestígios  de  uma  igreja  do  tempo  dos  Jesuítas"^^. 
Outro  núcleo  visitado  então  foi  o  de  Santana,  ao 
norte,  fundado  em  1877-1878,  distante  seis  quilómetros 
do  centro  e  quatro  e  meio  da  Estação  da  Luz^*'.  Cento 
e  sessenta  e  oito  colonos  haviam  sido  ali  localizados. 
Também  foram  emancipados  da  tutela  oficial  no  mes- 
mo ano  que  os  da  Glória.  Esteve  ainda  Raffard  era 
São  Bernardo,  onde  haviam  sido  fixados  quatrocen- 
tas e  cinquenta  e  nove  pessoas,  e  em  São  Caetano, 
onde  se  localizaram  cento  e  dezoito :  apenas  uma  ca- 
pelinha rodeada  de  umas  dezessete  casas  com  boas 
hortas  e  três  fornos  para  tijolos,  telhas  e  louças^''. 

Depois  de  1880  uma  diferença  curiosa  entre  cer- 
tas zonas  da  cidade  foi  a  observada  por  Június  (Notas 

Bruno  Pereira  Bueno,  "O  Conde  do  Pinhal",  Rcv.  do 
Arquivo  Municipal.  XLIII,  pág.  69  e  seguintes. 
Henrique  Raffard,  op.  cit. 

José  Jacinto  Ribeiro,  Cronologia  Paulista,  II,  pág.  11. 
2^    Henrique  Raffard,  op.  cit. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE   DE    SÃO    PAULO  1039 


de  Viagem),  baseado  nas  informações  de  um  "jorna- 
lista local":  entre  uma  zona  situada  ao  norte  da  fre- 
guesia da  Sé,  com  Santa  Ifigênia,  parte  da  Conso- 
lação e  do  Brás,  e  outra  zona  localizada  ao  sul  da 
Sé,  com  a  Glória,  a  Estrada  Vergueiro,  o  Bexiga 
e  também  partes  da  Consolação  e  do  Brás.  Esta 
última  era  uma  área  de  casas  pequenas,  acanhadas 
e  sombrias,  com  as  divisões  "da  antiga  edificação" 
e  quase  sempre  térreas ;  sem  lojas  de  moda  nem  al- 
faiates ou  cabeleireiros  famosos;  sem  hotéis  nem  res- 
taurantes de  luxo;  com  uma  livraria  só  —  a  peque- 
na, de  Dolivais;  com  moradores  melancólicos,  que 
mantinham  "os  mesmos  hábitos  e  costumes  antigos"  e 
que  em  geral  não  frequentavam  os  teatros,  pois  às 
oito  da  noite  fechavam  a  porta  da  rua  e  iam  dormir. 
A  outra  zona  tinha  casas  alegres,  construídas  de  acor- 
do com  um  gôsto  mais  moderno;  exibia  lojas  de 
modas,  hotéis  e  restaurantes  excelentes ;  seus  moradores 
se  divertiam  passeando,  frequentando  cafés  e  confei- 
tarias, comprando  os  jornais  da  terra  ou  os  de  fora 
que  se  vendiam  pelas  ruas^^.  De  certo  duas  partes 
da  cidade  em  que  dominavam  velhos  e  novos  traços 
de  cultura  em  conflito:  aqueles  representando  talvez 
reminiscências  do  passado  colonial,  e  êstes  as  tendên- 
cias que  no  século  passado  compunham  aquêle  pro- 
cesso de  europeização  das  cidades  brasileiras  desta- 
cado em  primeiro  lugar  por  Gilberto  Freyre^^. 

Mas  apesar  de  todos  êsses  desenvolvimentos  e 
essas  diferenciações  era  pequena  —  vista  de  agora 

—  a  parte  verdadeiramente  urbanizada  da  cidade  em 
fins  do  século  dezenove.    Basta  dizer  que  Santana 

—  antiga  fazenda  jesuítica  —  e  o  Cambuci  eram  ainda 

28    Június,  Em  São  Paulo  —  Notas  de  Viagem,  pág.  145. 
2^    Gilberto  Freyre,  Sobrados  e  Mucambos,  1.^  edição, 
págs.  257  e  seguintes. 


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ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


zonas  semi-rurais,  onde  se  cultivava  um  pouco  de 
tucW.    Referindo-se  à  penúltima  década  do  oitocen- 
tismo  escreveu  Afonso  J.  de  Carvalho  que  a  cidade 
perdia  então  (como  se  podia  ver  nas  plantas  mais 
recentes)  a  configuração  de  pequeno  polvo  com  o 
corpo  formado  pelo  triângulo  central  e  tentáculos 
representados  por  alongadas  e  raras  ruas  que  leva- 
vam âs  saidas  para  o  sertão,  e  ia  adquirindo  o  aspec- 
to de  uma  teia  de  aranha,  pelo  ligamento  das  ruas 
em  torno  do  núcleo  central.    Mas  a  verdade  é  que 
ainda  em   1884  —  acrescentava  —  os  limites  da 
área  habitada  não  passavam  do  largo  do  Arouche,  do 
largo  dos  Guaianazes  e  mal  tocavam  no  convento  da 
Luz,  na  Estação  do  Norte,  na  curva  final  da  rua 
da  Glória  e  estacavam  na  rua  do  Riachuelo,  por  trás 
da  Academia,  e  na  igreja  da  Consolação  em  frente 
ao  último  ponto  de  bonde^\    Como  observou  Everardo 
Valim  Pereira  de  Sousa,  a  rua  da  Consolação  aca- 
bava logo  adiante  da  igreja  e  o  cemitério  ficava  no 
"fim  do  mundo",  na  beira  da  estrada  para  Sorocaba, 
ladeado  de  capinzais  e  vacarias.    A  rua  da  Liberdade 
não  ia  muito  além  do  largo  da  Pólvora.    Do  campi- 
nho  de  Santa  Cecília  partia  a  estrada  para  Campinas^^ 
E  quem  nessa  época  descesse  pelo  caminho  primitivo 
do  Guaré  —  escreveu  ainda  E.  V.  —  notaria  de  lado 
a  lado.  até  a  Ponte  Grande,  um  número  insignifi- 
cante de  casas,  quase  sempre  residências  senhoriais, 
um  tanto  distantes  umas  das  outras,  dentro  de  chá- 
caras enormes.    No  Bom  Retiro  e  na  Barra  Funda 
''timidamente  começavam  a  se  construir  as  primeiras 

Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "A  Paulicéia  Há 
Sessenta  Anos",  cit.,  pág.  124. 

A.  J.  Carvalho,  São  Paulo  Antigo,  pág.  48. 
^2    Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  rit.,  pág.  124. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1041 


edificações",  o  mesmo  acontecendo  no  Canindé,  no 
Carandirn  e  no  Pari^^. 

Não  é  de  estranhar  porisso  que  ainda  nos  úl- 
timos anos  do  Império  algumas  áreas  do  primitivo 
núcleo  urbano  conservassem  o  seu  caráter  de  zonas 
residenciais  elegantes.  Ostentando-se  casas  solaren- 
gas na  própria  rua  da  Imperatriz.  O  Carmo  sobre- 
tudo manteve  o  seu  prestígio  tradicional  sob  êsse  as- 
l)ecto.  Não  parece  ter  outra  significação  o  c|ue  ob- 
servou a  respeito  Alexandre  Haas :  que  as  ruas  da 
Boa  Morte,  das  Flores  e  do  Quartel,  com  as  suas 
imediações,  eram  tidas  então  como  o  "quartel-general"' 
das  moças  mais  bonitas  da  cidade.  "Filhas  de  aus- 
teros chefes  de  família,  quase  todos  com  função  pú- 
l)lica  e  que  em  bom  número  ainda  andavam  de  car- 
tola"^^  Desde  meados  do  século  passado  se  acentuara 
a  tendência  de  fazendeiros  abastados  se  fixarem  na 
cidade  e  então  se  formaram  mesmo  alguns  bairros 
—  como  o  da  Luz  e  outros,  citados  por  Ian  de  Al- 
meida Prado  ■ —  onde  custosos  solares  foram  erguidos. 
De  modo  que  a  observação  de  Haas  sôbre  a  zona 
residencial  elegante  no  centro,  ainda  nos  primórdios 
da  República,  deve  ser  com  referência  a  famílias  tal- 
vez de  não  muitos  recursos  como  aquelas,  mas  pro- 
vavelmente mais  requintadamente  urbanas  nos  seus 
costumes,  por  uma  velha  tradição  de  habitação  na 
cidade. 


•'^    Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  pág.  54. 

^4  Citado  por  Nuto  Santana,  op.  cit.,  III,  pág.  275.  Tam- 
bém no  Rio  de  Janeiro,  segundo  Gastão  Cruls,  "o  centro  con- 
servou por  muito  tempo  o  seu  prestígio  de  zona  residencial, 
prestígio  que  para  alguns,  é  verdade  que  cada  vez  mais  raros, 
só  se  apagou  de  todo  ao  dealbar  de  1900".  (Gastão  Cruls, 
Aparência  do  Rio  de  Janeiro,  1,  pág.  315.) 


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ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Foi  sobretudo  dessa  época  para  diante  que  se  ob- 
servou a  tendência  para  uma  rápida  expansão  da  su- 
perfície urbana,  as  casas  se  alastrando  pelas  colinas 
e  pelos  vales.  Caio  Prado  Júnior  publicou  sôbre  essa 
expansão  uma  interessante  monografia  mostrando  que 
as  residências  burguesas  ou  médias  que  até  então  se 
confundiam  com  o  centro  comercial,  destacaram-se 
quando  o  crescimento  da  atividade  urbana  já  não  com- 
portava mais  moradias  no  núcleo  central.  Os  bairros 
operários  ■ — -  escreveu  êle  —  estabeleceram-se  nos  ter- 
renos mais  ingratos  das  baixadas  do  Tietê  e  do  Ta- 
manduatei^^  Sabe-se  que  em  1912  a  Barra  Funda  se 
estendia,  com  o  seu  casario  novo,  atravessando  as 
linhas  férreas  da  São  Paulo  Railway  e  da  Sorocabana 
e  lançando  a  rua  Anhangúera  e  a  avenida  Rudge  — 
observou  Aureliano  Leite  —  "até  onde  o  permitia  a 
baixada  alagadiça"^^.  As  residências  burguesas  — • 
disse  Prado  Júnior  —  "se  fixaram  nas  alturas  do 
maciço".  Primeiro,  na  direção  norte,  formando  o 
bairro  de  Santa  Ifigênia  e  depois  o  prolongamento 
dos  Campos  Elíseos.  Para  o  outro  lado  da  cidade 
—  para  o  oeste  e  para  o  sul  —  a  Consolação,  a  Li- 
berdade e  a  Vila  Mariana".  Paul  Walle,  que  conhe- 
ceu a  cidade  em  1890  e  depois  em  1900,  escreveu: 
"Em  outra  visita  feita  dez  anos  mais  tarde  à  capital, 
esta,  salvo  no  centro,  não  mostrava  já  o  mesmo  as- 
pecto. A  superfície  urbana  se  estendia  rapidamente, 
as  casas  se  alastravam  pelas  colinas  e  pelos  vales"^^. 
Em  princípio  do  século  atual  —  ainda  de  acordo  com 
o  estudo  de  Prado  Júnior  —  os  bairros  residenciais 


Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 

Aureliano  Leite,  op.  cit.,  pág.  105. 

Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 

Paul  Walle,  Au  Pays  de  l'Or  Rouge,  pág.  51. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1045 


se  lançaram  decisivamente  pelo  flanco  do  maciço,  sn- 
bindo-lhe  as  encostas  à  procura  de  terrenos  mais  altos 
e  saudáveis.  Foi  a  vez  do  Higienópolis,  que  seria 
o  bairro  da  aristocracia  paulista  das  fortunas  saídas 
do  café^®.  Pode-se  ter  uma  ideia  dos  limites  da  zona 
mais  intensamente  urbanizada  nessa  época,  através 
dos  pontos  finais  das  linhas  de  bondes  da  Light,  se- 
gundo o  contrato  firmado  em  1901.  Eram  êsses  pon- 
tos a  Avenida  Higienópolis,  as  ruas  Dona  Veridiana, 
Barra  Funda,  Júlio  Conceição,  Circular,  Liberdade, 
largo  da  Água  Branca,  ruas  Paula  Sousa,  Paraiso 
—  a  longínqua  e  deserta  rua  do  Paraiso",  escrevia 
referindo-se  ao  ano  de  1904  pessoa  que  morou  então 
em  São  Paulo^"  —  e  Vila  Cerqueira  Cesar,  Penha, 
avenida  Tiradentes,  ruas  do  Hipódromo,  Jataí,  Sal- 
danha Marinho  e  largos  do  Cambuci  e  das  Perdizes*^ 
Subindo  sempre  —  observou  Prado  Júnior  —  as  resi- 
dências alcançaram  o  alto  do  espigão,  aí  se  instalando : 
a  zona  centralizada  pela  Avenida  Paulista^^.  Já  em 
1905  Casabona  considerava  a  cidade  tão  importante 
como  algumas  das  grandes  cidades  francesas,  toman- 
do por  base  os  bairros  que  conhecera.  Indo  à  Ave- 
nida Paulista,  de  bonde,  escreveu  que  passara  "atra- 
vés de  ruas  em  construção  e  por  vêzes  entre  dois 
taludes  de  terra  vermelha",  pois  acontecia  que  para 
continuar  a  sua  marcha  a  cidade  era  às  vêzes  obri- 
gada a  riscar  sulcos  nas  colinas  dos  arredores"*^.  Foi 
ainda  Caio  Prado  Júnior,  na  monografia  citada,  quem 

Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 
4"    Caldeira  Brant,  Memórias  dum  Estudante  (18S5-1906), 
pág.  191. 

''^    Jornal  de  São  Paulo  de  9  de  Junho  de  1946. 

Caio  Prado  júnior,  op.  cit. 
''^    Louis  Casabona,  São  Paulo  du  Brésil,  págs.  69-74. 


1046 


ERNÂNI      SILVA  BRUNCi 


observou  que  pelas  escarpas  abruptas  que  damandam 
a  várzea  do  rio  Pinheiros  começaram  a  se  formar 
novos  bairros  de  residência  aristocráticos,  na  pró- 
pria baixada:  o  Jardim  América,  inaugurado  em  1910, 
a  que  se  seguiram  o  Jardim  Paulista  e  o  Jardim  Eu- 
ropa. Encravado  nessas  zonas  aristocráticas  ficou 
o  bairro  de  Pinheiros,  mais  modesto,  porque  era  um 
núcleo  já  povoado  quando  foi  alcançado  pelo  cresci- 
mento urbano,  e  por  causa  da  proximidade  do  rio,  com 
seus  mosquitos'*'*. 

Como  consequência  dessa  rápida  expansão,  o 
próprio  centro  da  cidade  em  poucos  anos  se  consi- 
derava acanhado  e  incapaz  de  comportar  o  movimento 
comercial.  Silva  Teles,  o  autor  de  Melhoramentos  de 
São  Paulo  (1907)  escrevia:  "Não  tardará  muito  e 
o  centro  da  cidade  será  insuficiente  para  comportar 
o  movimento;  a  circulação  irá  sendo  por  demais  pe- 
nosa. Em  nossos  dias,  a  menor  concorrência  é  mo- 
tivo para  quase  paralisar  o  trânsito  em  qualquer  das 
ruas  do  clássico  triângulo".  E  notava  a  tendência 
do  comércio  se  estender  francamente  pelos  pontos 
menos  centrais  de  São  Paulo^^,  ao  contrário  do  que 
ocorria  nos  primeiros  tempos  da  República,  quando, 
segundo  Cássio  Mota,  "nos  bairros  o  comércio  era 
pequeno,  espalhado,  não  servindo  completamente  às 
necessidades  da  população  local.  Os  bairros  eram 
quase  noventa  por  cento  residenciais,  havendo  ruas  e 
ruas  sem  uma  casa  de  comércio""*^.  Foi  o  que  observou 
também  —  paralelamente  ao  que  dissera  Teles  —  his- 
toriando o  tráfego  central  de  São  Paulo,  o  engenheiro 

Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 
'^^    Augusto  C.  da  Silva  Teles,  Melhoramentos  de  São 
Paulo,  pág.  33. 

''s    Cássio  Mota,  op.  cit.,  pág.  23. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1049 


Prestes  Maia,  que  escreveu:  "Ao  contrário  do  Rio, 
que  teve  a  solução  da  "aA'cnida  centraF',  recebeu  São 
Paulo  por  volta  de  1911  unia  [)rimeira  solução  peri- 
metral  (rua  Libero,  rua  Boa  Vista  e  rua  Benjamin 
Constant  )".  Essa  solução  perimetral  fôra  proposta 
pelo  engenheiro  Vitor  da  Sil\  a  Freire,  e  além  das  ruas 
citadas  era  constituída  pelas  comunicações  Sé-Palácio 
e  Libero  Badaró-São  Francisco".  Mas  a  exigúidade 
da  colina  histórica  —  acrescentou  Prestes  Maia  —  fazia 
prever  a  insuficiência  da  solução  ao  fim  de  um  quarto 
de  século**^. 

Para  efeito  de  construções  particulares,  a  zona 
central  tinha  já  em  1918  uma  amplitude  maior,  sendo 
delimitada  pelo  largo  do  Palácio,  rua  General  Carneiro^ 
rua  25  de  Março,  Anhangabaú,  rua  Florêncio  de 
Abreu,  rua  Mauá,  rua  dos  Protestantes,  rua  Ipiranga, 
rua  Sete  de  Abril,  ladeira  e  largo  da  Memória,  largo 
e  ladeira  do  Riachuelo,  praça  João  Mendes,  rua  do 
Teatro,  rua  Onze  de  Agosto,  travessa  da  Sé  e  rua 
do  Carmo^^  Essa  delimitação  mostra  que  a  cidade, 
tomando-se  como  seu  centro  o  largo  da  Sé  ou  mesmo 
o  pátio  do  Colégio  se  desenvolvera  e  se  povoara  muito 
mais  densamente  em  direção  ao  norte  ■ — ■  por  certo 
em  consequência  das  estações  de  estrada  de  ferro,  na 
Luz  —  do  que  no  sentido  do  sul.  A  expansão  da 
cidade  e  a  formação  de  bairros  novos  se  acentuou 
particularmente  nas  vésperas  da  primeira  Grande 
Guerra.    Foi  sobretudo  nos  bairros  novos  que  o  vi- 


Prestes  Maia,  Estudo  dc  um  Plano  dc  Avenidas  para 
a  Cidade  dc  São  Paulo,  pág.  35. 

'^^    Prestes  Maia,  Os  mclhoraiuciitos  dc  São  Paulo,  pág.  9. 

Regulamento  para  Construções  Particulares  (Projeta 
apresentado  pelo  Instituto  de  Engenharia  à  Câmara  Municipal 
de  São  Paulo  em  1918),  pág.  4. 


1050 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


sitante  Paul  Walle.  que  esteve  de  novo  na  cidade 
na  época,  achou  a  transformação  mais  completa. 
Bairros  residenciais  que  êle  considerou  algo  excêntri- 
cos. O  Brás  e  a  Mooca,  esses  se  definiam  cada  vez 
mais  como  bairros  industriais^".  Essa  expansão  foi 
tão  grande  e  tão  vertiginosa  que  a  municipalidade, 
entre  os  anos  de  1911  e  1913,  se  mostrava  impres- 
sionada —  escreveu  Alcântara  Machado,  então  ve- 
reador —  com  a  maneira  por  que  São  Paulo  se  es- 
palhava e  se  dispersava  em  todas  as  direções  e  com  a 
multiplicação  dos  bairros  que  apareciam  de  improviso 
a  grande  distância  do  centro,  quando  nas  vizinhanças 
da  área  central  havia  largos  espaços  desocupados'"^^. 
Também  o  viajante  Bertarelli  reparava  em  1914  que 
a  cidade  se  espalhara  excessivamente,  tendo  então, 
com  menos  de  quinhentos  mil  habitantes,  uma  área  tão 
grande  quanto  a  de  Paris^^.  É  que  os  bairros  paulis- 
tanos —  notou  Caio  Prado  Júnior  —  nasceram  em 
sua  maioria  ao  acaso,  sem  plano  de  conjunto,  fruto 
de  especulação  de  terrenos  "em  lotes  e  a  prestações". 
Daí  terem  sobrado  em  áreas  quase  centrais  setores 
que  não  pareciam  pertencer  a  uma  grande  cidade^^. 

Paul  Walle,  op.  cit.,  pág.  51,  e  Bandeira  Júnior,  A 
Indústria  no  Estado  de  São  Paulo  cm  1901,  pág.  14. 

51  Alcântara  Machado,  Problemas  Municipais,  págs. 
134-135. 

5^    Ernesto  Bertarelli,  //  Brasile  Meridionale,  pág.  46. 
5^    Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 


11 


centnou-se  logo 
depois  de  1870 
unia  tendência  que 
se  observara  na  fase 
anterior  da  existên- 
cia de  São  Paulo :  a 
decadência  de  certos 
caminhos  antig'os  e  de 
locais  como  a  Fregue- 
sia do  Ó,  a  Penha,  o 
Ipiranga,  São  Bernardo  —  que  deviam  a  essas  vias  de 
comunicação  a  vitalidade  do  seu  comércio  —  em  conse- 
quência da  multiplicação  das  estradas  de  ferro.  O 
que  não  quer  dizer  entretanto  que  ainda  na  época 
da  proclamação  da  República  não  subsistissem  quase 
no  centro  da  cidade  —  no  Piques,  por  exemplo,  com 
suas  invernadas  —  aspectos  que  lembravam  a  época 
de  hegemonia  dêsses  velhos  caminhos.  Mas  o  comér- 
cio de  "géneros  da  terra"  começou  a  se  deslocar  de- 
cisivamente do  Piques  para  a  zona  das  estações  fer- 
roviárias.   O  esplendor  dos  caminhos  de  ferro  na 


1054 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


época  foi  bem  simbolizado  pela  edificação  da  monu- 
mental Estação  da  Luz,  As  estradas  de  ferro,  além 
de  sua  importância  básica  para  o  destino  da  cidade, 
condicionando  a  consolidação  do  seu  caráter  de  me- 
trópole do  café,  valorizaram  certas  várzeas  paulis- 
tanas até  então  desprezadas,  fazendo  com  que  nelas 
se  edificassem  alguns  bairros  operários  que  se  inte- 
graram no  corpo  urbano.  No  começo  do  século  vinte 
acrescentou-se  às  ferrovias  o  interesse  pelas  estra- 
das de  rodagem,  esboçando-se  a  era  do  automóvel,  do 
caminhão  e  da  jardineira.  Às  vezes  restaurando-se 
humildes  e  quase  perdidos  caminhos  antigos:  o  pró- 
prio.Caminho  do  Mar  foi  mais  ou  menos  ressuscitado. 

Ruas  e  largos  desde  as  últimas  décadas  oitocen- 
tistas, e  em  seguida  êsses  caminhos  dos  arredores  da 
cidade  se  animaram  com  o  movimento  maior  de  veiculos. 
Às  vêzes  carros  e  carruagens  de  fabricação  local,  in- 
troduzindo-se  ao  mesmo  tempo  carroças  mais  aper- 
feiçoadas que  as  antigas,  danificando  menos  as  vias  pú- 
blicas. Multiplicaram-se  as  fábricas  de  seges  e  as  co- 
cheiras. Caracterizou  também  a  paisagem  urbana  pau- 
lista das  últimas  décadas  do  século  passado  o  bondinho 
de  burro,  enfrentando  os  duros  problemas  impostos  pela 
topografia  acidentada  da  cidade.  E  a  partir  do  come- 
ço do  século  atual  o  bonde  elétrico  e  o  automóvel,  sem 
que  as  carruagens  fôssem  logo  postas  à  margem. 

Dos  rios  históricos,  praticamente  só  o  Tietê  con- 
servou ainda  nesta  fase  interesse  para  objetivos  de 
ligação.  Nas  várzeas  do  Tamanduatei  fizeram-se 
novas  modificações  a  partir  de  1872,  aterrando-se  os 
pântanos  do  Carmo  e  formando-se  o  local  de  recreio 
chamado  Ilha  dos  Amores.  Sentiu-se  depois  a  ne- 
cessidade da  retificação  completa  do  leito  primitivo 
do  rio:  as  inundações  eram  tremendas.  Em  1916  con- 
cluiu-se  a  última  secção  do  leito  artificial.  Alguns 


HISTÓRIA   E    TRADIÇÕES   DA    CIDADE   DE   SÃO    PAULO  1055 


anos  antes  fizera-se  para  o  Anhangabaú  uma  cana- 
lização coberta. 

A  partir  de  fins  do  século  dezenove,  de  outra 
parte,  começaram  a  ser  remodeladas  ou  substituídas 
as  velhas  e  sólidas  pontes  portuguesas  de  pedra  que, 
no  dizer  de  um  visitante,  se  ostentavam  na  cidade  de 
São  Paulo.  E  foi  iniciada  a  era  dos  viadutos,  cons- 
truções que  dariam  à  parte  central  de  São  Paulo 
alguns  dos  traços  mais  característicos  de  sua  fisionomia 
moderna.  O  primeiro  dêles  —  concluído  em  1892 
—  foi  o  antigo  Viaduto  do  Chá,  idealizado  por  Jules 
Martin,  litografo  francês  radicado  na  cidade.  Em 
1913  ficou  pronto  o  de  .Santa  Ifigênia. 

Mas  foi  particularmente  desde  1872  que  os  cami- 
nhos e  sobretudo  as  estradas  de  ferro  se  refletiram 
sobre  o  sistema  de  equilíbrio  e  especialização  entre  as 
zonas  e  os  bairros  da  cidade.  Em  1877,  com  a  ferro- 
via para  a  zona  norte  da  província,  ligando  São 
Paulo  com  o  Rio  de  Janeiro,  aconteceu  com  muitos 
lugares  das  vizinhanças  da  cidade  o  mesmo  que  ocor- 
rera com  outros  quando  se  construiu  a  São  Paulo 
Railway:  perderam  muito  de  sua  importância  e  al- 
gumas de  suas  feições  mais  características.  Já  em 
1880  era  pequeno  o  movimento  de  tropas  e  de  carros 
nos  caminhos  do  Rio  de  Janeiro,  de  Santos  e  de  Jun- 
diaí.  Suas  vendas  de  beira  de  estrada  quase  todas 
tinham  desaparecido.  E  o  próprio  comércio  de  lo- 
calidades como  a  Penha,  o  Ó,  o  Ipiranga,  São  Ber- 
nardo, decaíram  de  modo  pronunciado,  desde  que  não 
contaram  mais  com  aquelas  tropas  e  aqueles  viajan- 
tes passando  para  cima  e  para  baixo^. 


^  Június,  Em  São  Paulo  —  Notas  de  Viagem,  págs.  63 
e  134. 


1056 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  C 


Não  se  descnidoii  no  entanto  o  poder  ninnicipal 
dos  caminhos  ligando  bairros  e  localidades  das  vizi- 
nhanças que  não  dispunham  de  estrada  de  ferro.  É 
de  Hadfield  em  1870  a  observação  de  que  voltando 
a  São  Paulo  dois  anos  depois  de  sua  primeira  visita, 
notara  que  as  estradas,  nos  arrabaldes,  antes  panta- 
nosas, tinham  sido  melhoradas  e  estavam  em  muito  bom 
estado".  Caminhos  que  sobretudo  o  Código  de  Pos- 
turas, de  1875,  procurou  depois  defender.  Proibia 
estreitar,  mudar  ou  impedir  por  qualquer  forma  as 
suas  servid(5es.  Fixava  em  treze  metros  o  mínimo 
para  a  sua  largura.  E  proibia  os  cortes  de  espinhos  e 
as  derrubadas  de  árvores  pela  beira  deles". 

Mas  apesar  das  modificações  determinadas  pela 
introdução  das  primeiras  estradas  de  ferro,  ainda  em 
fins  do  século  passado  —  na  época  da  proclamação 
da  República  —  bem  no  centro  da  cidade  subsistiam 
aspectos  que  lembravam  os  tempos  em  que  pelos  velhos 
caminhos  é  que  os  homens  e  as  coisas  chegavam  a 
São  Paulo.  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  nas 
suas  evocações,  observou  que  até  aquela  época  o  Piques 
—  de  onde  irradiavam  quase  tôdas  as  estradas  an- 
tigas —  era  local  onde  havia  uma  porção  de  pousos 
para  tropas**.  Para  isso  êle  contava  com  as  suas  in- 
vernadas muito  boas,  sempre  alimentadas  pelas  águas 
do  misterioso  riacho  Saracura.  Nos  anúncios  dos 
almanaques  de  Seckler  (  nos  anos  de  1885  a  1888)  ainda 
se  encontram  várias  indicações  que  refletem  essa  fun- 
ção do  Piques :  uma  espécie  de  boca  da  cidade  voltada 


2  William  Hadfield,  Bracil  and  the  River  Plate  (1870- 
1876),  pág.  169. 

^  João  Mendes  de  Almeida  Júnior,  Monografia  do  Mu- 
nicípio da  Cidade  de  São  Paulo,  pág.  62. 

Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "A  Paulicéia  Há 
Sessenta  Anos",  Rev.  do  Arquivo  Municipal,  CXI,  pág.  57. 


HISTÓRIA    E   TRADIÇÕES    DA    CIDADE   DE    SÃO    PAULO  1059 


para  o  sertão,  com  o  seu  chafariz,  as  suas  pontes,  os 
seus  riachos,  as  suas  hospedarias,  as  suas  invernadas, 
os  seus  ferradores.  Anúncios  como  o  do  armazém 
de  secos  e  molhados  cuja  especialidade  eram  os  fumos 
de  Ribeirão  Preto,  de  Turvo  e  de  Descalvado,  além  de 
"géneros  da  terra".  E  depósito  de  sal,  de  açúcar  e 
de  café^.  É  verdade  que  através  dos  anúncios  desses 
almanaques  se  observava  que  esse  comércio  de  géneros 
da  terra  já  havia  se  deslocado  em  grande  parte  para 
a  zona  das  estações  da  estrada  de  ferro.  Assim  o 
anúncio  de  Frederico  Krueger  —  rua  da  Estação  — ■ 
recebendo  "café  e  géneros  do  pais  em  consignação 
para  serem  vendidos  nos  países  consumidores",  acres- 
centando que  fazia  "adiantamentos  liberais  sôbre  os  gé- 
neros consignados".  E  ó  do  estabelecimento  de  Por- 
fírio Machado  —  também  na  rua  da  Estação  —  ar- 
mazém de  açúcar  que  "comprava  e  recebia  à  comissão 
café  e  mais  géneros  do  país"^. 

É  que  as  estradas  de  ferro  foram  desalojando  de 
sua  primitiva  posição  de  relévo  os  velhos  caminhos 
de  tropas  e  de  carros  que  irradiavam  da  cidade.  Mar- 
caram elas  com  novos  elementos  a  paisagem  urbana 
e  suburbana.  E  representaram  f Loires  de  enorme 
importância  em  relação  ao  desenvolviniLrto  e  à  feição 
da  cidade..  Já  em  1867  fôra  feita  a  ligação  ferro- 
viária de  Santos  com,  Jnndiaí,  jvisíando  por  São  Paulo. 
Em  1875  a  municipalidade,  no  interésse  de  que  a 
cidade  fôsse  o  pivô  de  todas  as  comunicações  ferro- 
o  ponto  de  partida  da  estrada  de  ferro  de  Bragança'^, 
viárias  da  província,  insistia  em  que  São  Paulo  fôsse 

5  Ahnanach  da  Província  dc  São  Paião  para  1888,  anún- 
cios, pág-.  63. 

^  Ahnanach  da  Província  de  São  Paulo  para  1S35,  págs. 
642-643. 

^  Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LXÍ,  págs. 
22-23. 


1060 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  & 


Nesse  mesmo  ano  foi  aberto  o  tráfego  da  Sorocabana 
entre  a  capital  de  São  Paulo  e  Sorocaba.  E  passou  a 
funcionar  a  estrada  de  ferro  do  Norte,  da  cidade  de 
São  Paulo  até  J\Iogi  das  Cruzes,  em  1876  até  Jacareí 
e  Taubaté,  em  1877  até  o  porto  da  Cachoeira  e  logo 
depois  até  a  Côrte^.  "Daciui  partem  quatro  ferro- 
vias —  escrevia  em  1885-1887  o  viajante  Frank  Vin- 
cent  —  para  os  grandes  distritos  cafeeiros  do  in- 
terior"''. Essas  ferrovias  repetiram  com  pequenas  va- 
riantes —  ■  notou  Caio  Prado  Júnior  —  os  antigos 
caminhos  de  penetraçfio  flm-iais  e  terrestres  da  ca- 
pitania. Com  o  seu  centro  na  cidade  de  São  Paulo, 
que  assim  continuou  se  beneficiando  do  desenvolvi- 
mento de  várias  zonas  da  província.  É  ainda  de 
Prado  Júnior  a  observação  de  que  quando  a  economia 
paulista  se  deslocou  do  açúcar  para  o  café.  no  século 
passado,  a  cidade  de  São  Paulo  esteve  ameaçada  mo- 
mentaneamente de  perder  a  sua  posição  de  hegemonia, 
pela  fixação  dessa  nova  riqueza  em  zonas  que  não  eram 
suas  tributárias :  as  zonas  do  Vale  do  Paraíba.  Ao 
contrário  do  que  ocorrera  com  o  açúcar,  pois  sabe- 
se  que  as  regiões  de  cultura  de  cana  foram  as  do 
centro  da  província :  Campinas,  Piracicaba,  Capivari, 
Porto  Feliz,  Itu,  Mogi-Mirim.  Entretanto  houve  ape- 
nas ameaça.  Pois  não  só  a  Estrada  de  Ferro  do  Norte 
articulou  à  capital  da  província  as  zonas  cafeeiras 
do  Vale  do  Paraíba,  como  a  própria  zona  cafeeira 
acabou  se  deslocando,  nas  últimas  décadas  do  século 
dezenove,  para  as  terras  roxas  do  oeste,  tributárias 
da  cidade^". 


^  Adolfo  Augusto  Pinto.  História  da  Viação  Pública  de 
São  Paulo,  págs.  50-55. 

^  Frank  Vincent,  Aroiind  and  aboiíf  South  America, 
pág.  260. 

Caio  Prado  Júnior,  "O  Fator  Geográfico  na  Formação 


HISTÓRIA   E  TRADI(^-ÕES   DA   CIDADE   DE   SAO    PAlM.O  1061 


O  esplendor  ferroviário  eni  São  Paulo  foi  sim- 
bolizado nessa  época  jjela  construção  da  Estação  da 
Luz,  edifício  de  proporções  monumentais,  dotado  das 
comodidades  das  mais  notáveis  edificações  de  seu  (gé- 
nero em  todo  o  mundo.  Cons-truída  sôbre  uma  área 
de  7.520  metros  quadrados,  todo  o  seu  material  — 
desde  as  plantas  até  aos  pregos  —  A-ieram  da  Ingla- 
terra. Inclusive  as  duas  pequenas  pontes  que  atra- 
vessam a  linha.  Nem  sequer  os  tijolos  foram  com- 
prados no  BrasiP\  Aliás  os  ingleses  estiveram  li- 
gados à  construção  e  à  direção  das  primeiras  ferro- 
vias de  São  Paulo.    E  u.m  filho  do  inglês  John  Rudge 

—  John  Maxwell  Rudge  —  até  se  impro\-isou  engenhei- 
ro-ferroviário  depois  de  ter  sido  uma  porção  de  outras 
coisas,  encarregando-se  de  serviços  de  construção  de 
linhas  férreas  em  vários  pontos  da  província"^".  De 
outra  parte,  aqui  —  como  em  todo  o  mundo,  segundo 
a  observação  de  Mumford  em  sua  Cultura  das  Cidades 

—  as  ferrovias  mutilaram  a  paisagem,  inclusive  a  ur- 
bana. As  locomotivas  levaram  o  ruído,  o  pó  e  a  fumaça 
ao  coração  da  cidade.  "Mais  de  um  soberbo  local  urba  • 
no,  como  os  jardins  do  príncipe,  em  Edimburgo,  foi 
profanado  pela  invasão  do  ferrocarril".  Em  São  Paulo, 
o  velho  jardim  da  Luz.  Para  construção  da  primeira 
estação  da  Inglesa,  já  a  Câmara  fêz  entrega  â  Estrada 
de  Ferro,  de  vinte  braças  de  terrenos  —  concessão 
que  prejudicou  uma  grande  quantidade  de  arvores  e 
tirou  a  simetria  àquele  logradouro^^    Também  algu- 

e  no  Desenvolvimento  da  Cidade  de  São  Paulo",  Geografia, 
n.o  3.  páçs.  259-261. 

Adolfo  Augusto  Pinto,  op.  cit.,  pág.  101,  e  Jornal  de 
São  Paulo  de  25  de  dezembro  de  1949. 

'2  Aureliano  Leite,  Pequena  História  da  Casa  Verde. 
pág.  92. 

Antônio  Egídio  Martins,  São  Paulo  Antigo,  1,  págs. 

142-143. 


10Ó2 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


mas  ruas  pagaram  sem  dúvida  o  seu  tributo  à  exis- 
tência do  caminho  de  ferro.  Em  1874  o  superinten- 
dente da  Inglêsa,  D.  M.  Fox,  oficiava  à  Câmara  afir- 
mando que  a  empresa  não  era  obrigada  a  cuidar  dos 
consertos  de  ruas,  embora  reconhecesse  que  o  mau 
estado  delas  era  conseqiiência  do  tráfeg-o  ferroviário^"*. 

Mas  o  que  representaram  as  estradas  de  ferro 
para  o  desenvolvimento  económico  e  o  crescimento 
da  cidade  é  coisa  de  observação  fácil.  Não  só'  em 
relação  ao  seu  comércio,  articulando  através  de  um 
sistema  bem  mais  moderno  que  o  dos  caminhos  e  as 
tropas  de  burro  o  interior  da  província  à  sua  capital, 
como  relativamente  à  formação  e  à  localização  do 
seu  parque  industrial.  Foram  as  estradas  de  ferro 
que  valorizaram  certas  várzeas  então  desprezadas,  fa- 
zendo com  que  em  suas  terras  se  edificassem  bairros 
operários  que  se  integraram  no  corpo  urbano^^.  Para 
facilitar  aliás  ao  comércio  e  à  indústria  da  cidade  os 
seus  serviços  de  importação  e  exportação  chegou  a 
haver  em  São  Paulo,  a  partir  de  1895,  uma  "alfân- 
dega sêca",  entre  os  bairros  do  Brás  e  do  Pari. 
Uma  espécie  de  prolongamento  da  de  Santos.  De 
que  resta  o  nome,  dado  a  uma  rua^^. 

Mas  com  o  século  vinte  —  iniciando-se  a  era  do 
automóvel,  do  caminhão  e  da  jardineira  —  ao  lado  do 
desenvolvimento  das  ferrovias  verificou-se  o  das  es- 
tradas de  rodagem.  Às  vezes  a  simples  restauração 
de  humildes  e  primitivos  caminhos  abandonados  e 

Atas  da  Câm-ara  Municipal  de  São  Paulo,  LX,  pág. 

109. 

Caio  Prado  Júnior,  "Nova  Contribuição  para  o  Estudo 
Geográfico  da  Cidade  de  São  Paulo",  Estudos  Brasileiros, 
Ano  III,  vol.  7. 

"O  Fisco  Federal  em  São  Paulo",  O  Estado  de  São 
Paulo  de  1  de  Janeiro  de  1947. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1065 


até  já  invadidos  pelo  mato.  Algumas  proezas  espor- 
tivas contribuiram  para  isso:  como  a  primeira  viagem 
de  automóvel  do  Rio  a  São  Paulo,  feita  em  1908  pelo 
Conde  Lesdain,  e  no  mesmo  ano  a  excursão  da  cidade 
a  Santos,  por  iniciativa  de  Antônio  Prado  Júnior. 
Alguns  anos  depois  —  cm  1913  —  Rudge  Ramos 
resolveu  restaurar  o  Caminho  do  Alar.  Encontrou 
porém  tamanhas  dificuldades  Cjue  se  viu  praticamente 
forçado  a  construir  uma  estrada  quase  tôda  nova  entre 
São  Paulo  e  o  Alto  da  Serra,  reunindo  recursos  para 
comprar  terrenos  e  máquinas^'.  Não  podendo  come- 
çar os  trabalhos  pelo  lado  da  Vila  Mariana  —  poi.s 
aí  o  caminho  tinha  tráfego  intenso  na  época  —  prefe- 
riu "reavivar"  a  velha  estrada  de  Santos  —  "tão 
querida  na  tradição  de  nossos  avoengos"  —  marcada 
historicamente  pela  árvore  chamada  da  separação:  a 
secular  figueira  das  lágrimas^^. 

As  ruas  e  os  largos  da  cidade,  e  mais  tarde  as 
estradas  de  suas  imediações  se  animaram  com  o  mo- 
vimento crescente  de  veículos.  Com  a  fabricação  de 
carros  e  carruagens  na  cidade  —  o  que  em  1875  já 
era  assinalado  por  J.  Floriano  de  Godoi^^,  um  dos 
primeiros  industriais  do  ramo  tendo  sido  o  alemão 
Mesenberger,  na  rua  da  Constituição  —  multiplicou- 
se  o  número  de  carruagens  de  praça  e  particulares. 
Já  em  1879  cogitava-se  da  introdução  em  São  Paulo 
de  carroças  mais  aperfeiçoadas  do  que  as  antigas, 
ao  mesmo  tempo  que  a  Câmara  dispunha  sôbre  certos 
requisitos  visando  a  construção  de  carros  que  dani- 


1''  Américo  Neto,  "História  da  Rodovia  São  Paulo-San- 
tos",  Trânsito,  Dezembro  de  1945. 

Artur  Rudge  Ramos,  Relatório  sôbre  os  Trabalhos 
Feitos  na  Estrada  do  Vergueiro,  págs.  25-2Ó. 

Joaquim  Floriano  de  Godói,  A  Província  de  São  Paulo, 
págs.  24-25. 


1066 


ERNÂNI     SILVA  BRUNC 


ficassem  menos  as  ruas  e  os  caminhos.  Naquele  ano 
uma  empresa  requeria  concessão  para  introduzir  "car- 
roças de  molas  aperfeiçoadas"^".  No  mesmo  ano  pro- 
punha um  vereador  que  se  proibisse  a  fabricação  de 
carroças  baixas,  com  a  chapa  de  ferro  das  rodas  com 
menos  de  quatro  polegadas  inglêsas^^.  Log"o  em  se- 
guida —  em  1882  —  o  viajante  Június  observava  que 
grandes  carroças  conduziam  carne,  hortaliças,  frutas, 
licores  —  arrancando  das  pedras  do  calçamento  ruídos 
outrora  desconhecidos^^.  Algams  anos  depois  —  em 
1890  —  já  havia  carros,  como  os  da  Coachman'3 
Creamery,  que  levavam  às  casas  leite  e  manteiga  fres- 
ca, e  o  carro  da  "lavanderia  a  vapor"^^ 

Por  outro  lado  já  em  1880  ninguém  punha  mais 
a  cara  na  janela  para  ver  de  quem  era  o  coche  que 
passava^*.  E  o  largo  Municipal  (praça  João  Mendes) 
€m  noites  de  espetáculo  no  Teatro  São  José  chegava 
a  ficar  cheio  de  carros  de  tôda  a  espécie^^.  Muitos 
de  aluguel.  Para  esses  a  municipalidade  designara 
em  1873  os  locais  de  estacionamento:  pátio  do  Co- 
légio, largo  de  São  Gonçalo  fo  mesmo  largo  Munici- 

-0  Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Pardo,  LXV, 
pág.  38. 

21  Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LXV, 
pág.  18. 

22  Június,  op.  cit.,  pág.  48.  Sabe-se  que  mesmo  no  Rio 
de  Janeiro  só  em  1860  começaram  a  se  utilizar  carroças  para 
o  transporte  de  café  e  só  em  1862  os  carros  do  Expresso 
Smith  e  grandes  carroças  denominadas  "andorinhas"  passaram 
a  ser  empregadas  para  condução  de  cai-gas  pesadas  —  tudo 
sendo  até  então  carregado  nas  cabeças  ou  nos  ombros  dos 
escravos.  (J.  C.  Fletcher  e  D.  P.  Kidder,  O  Brasil  e  os 
Brasileiros,  1,  págs.  21-22). 

2^  Henrique  Raffard,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rev. 
do  Inst.  Hist.,  Geog.  e  Etnog.  Brasileiro,  vol.  LV,  II,  pág.  159. 

24  Június,  op.  cit,  pág.  48. 

25  Június,  op.  cit.,  pág.  103. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1(X)9 


palj.  a  seis  metros  de  distância  do  teatro,  largo  de 
Scão  Francisco,  e  largos  da  Luz  e  do  Brás  a  seis  me- 
tros das  respectivas  estações^".  Em  1883,  visitando 
a  cidade,  Koseritz  —  que  vinha  da  Corte  —  escreveu 
que  se  encontravam,  em  tôdas  as  praças  de  São  Paulo, 
carros  de  alnguel  E  que  também  se  viam  belas  car- 
ruagens particulares,  puxadas  por  "meio-sangues" 
excelentes,  pois  "os  habitantes  do  rico  São  Paulo" 
gostavam  muito  de  cavalos  de  raça"^.  Alguns  anos 
depois  —  em  1894-1895  —  outro  visitante  da  cidade, 
o  italiano  D'Atri,  escrevia  que  se  viam  em  São  Paulo 
carruagens  esplêndidas  e  mais  esplêndidos  cavalos 
guiados  por  simpáticos  cocheiros"^. 

Refletia-se  nessa  época  nos  registros  e  anúncios 
dos  almanaques  a  multiplicação  das  fábricas  de  car- 
ruagens, das  cocheiras  e  das  oficinas  de  ferradores. 
Em  1888  um  almanaque  registrava  as  fábricas  de 
carros  e  seges  de  Alberto  Buhler  &  Cia,  na  rua  25  de 
Março;  a  de  Camps  &  Irmão  —  Carroçaria  Parisien- 
se —  no  largo  de  São  Francisco;  e  a  de  J.  Hinze, 
na  rua  do  Riachuelo.  E  as  cocheiras  de  João  Chavi 
Costa,  na  rua  do  Hipódromo;  de  José  Chavi  Mucin, 
na  Mooca;  de  José  Duchein,  no  largo  de  São  Fran- 
cisco; a  de  Vitor  Duchein,  na  rua  Bresser;  a  da 
Santa  Casa  de  Misericórdia,  na  rua  da  Tabatingúera ; 
e  a  da  Silvado  &  Cia,  na  rua  do  Carmo^^  Como 
complemento  figuravam  nesses  almanaques  os  ferra- 
dores profissionais,  de  tamanha  importância  na  época: 
alguns  estratègicamente  colocados  em  pontos  próxi- 

Anexos  ao  Ahnanach  da  Província  de  São  Paulo  para 
1873,  pág.  126. 

2^    Carl  Von  Koseritz,  Imagens  do  Brasil,  pág.  256. 
28    Alessandro  d'Atri,  Uomini  e  Cose  dei  Brasile,  pág.  225. 
Ahnanach   da  Província  de  São  Paulo   para  1888. 
pág.  248-251. 


1070 


E  S  N  A  N  I     SILVA     B  K  U  N  O 


mos  às  entradas  da  cidade :  Lavapés,  Brás,  Florêncio 
de  Abreu,  rua  das  Flores.  E  dois  déles  no  largo  de 
São  Francisco^",  localização  também  conveniente  se 
a  gente  recordar  que  o  Piques,  logo  ali  em  baixo,  era 
não  só  o  centro  de  quase  todos  os  caminhos  para 
o  interior,  como  local  de  invernadas.  Um  desses  fer- 
radores, estabelecido  no  largo  de  São  Francisco,  o 
francês  Fabien  Elichalt  —  que  se  anunciava  mesmo 
Ferrador  Francês  —  curando  animais  e  ferrando  "])or 
todos  os  sistemas  conhecidos"'".  Alguns  anos  mais 
carde  —  em  1896  —  o  Almanaque  Paulista  Ilustrado 
mencionava  a  existência  de  três  fábricas  de  carros  na 
cidade:  as  de  Alberto  liuhler  &  Pfing,  a  de  João  Hinze 
e  a  de  Rodovalho  &  Cia,  esta  na  rua  da  Mooca. 
Entre  as  cocheiras  e  casas  de  aluguel  de  carros,  a  de 
Jordão  Tavares  &  Cia,  no  largo  do  Arouche,  a  de 
Pascoal  Tambosco,  na  rua  Doutor  Clímaco,  a  de  Fran- 
cisco Vill,  na  rua  do  Lavapés,  a  da  Companhia  Afiação 
Paulista,  na  rua  João  Alfredo  e  a  de  Rodovalho 
Júnior  &  Cia  na  travessa  da  Sé^'".  Esta  última  em- 
prêsa  anunciava  que  alugava  carros  de  tòda  a  espécie: 
cupês  forrados  de  seda,  puxados  por  cavalos  brancos, 
próprios  para  noivos;  fáetons  ])ara  passeios;  berlin- 
das e  caleças  para  batizados ;  vitórias  para  passeios 
e  visitas;  e  landaus  hermèticamente  fechados  para 
saida  de  bailes  e  espetáculos^^  As  carruagens  tinham 
papel  importante  na  vida  da  cidade  e  algumas  se  tor- 
naram quase  simbólicas  de  sua  época.    Quem  conhe- 

Alniaiiach   da   Prov'uicia   de   São   Paulo   para  3S88, 
pág.  259. 

-'^  AUuaimcJi  Administrativo.  Comercial  e  Industrial  da 
Província  de  São  Paulo  para  1884,  pág.  597. 

^2  Almanach  Paulista  Ilustrado  para  1896,  págs.  316-320. 
Completo  Almanak  Administrativo,  Comercial  c  Pro- 
fissional do  Estado  de  São  Paulo  para  1896,  anúncios,  pág.  25. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES   DA    CIDADE   DE    SÃO    PAULO  1073 


ceu  São  Paulo  de  há  uns  cinco  lustros  observou  que 
à  porta  do  Moulin  Rouge,  onde  hoje  está  o  Cine 
Avenida  —  escrevia  há  alguns  anos  o  cronista  Cursino 
de  Moura  —  quase  á  esquina  jazia  estacionado  dia 
e  noite,  sob  o  sol  e  a  chuva,  o  tílburi  do  Garibaldi, 
velho  italiano  alto,  corado,  de  chapéu  de  abas  largas, 
"com  aquela  lisa  e  espessa  barba  branca  quase  pela 
cinta  aureolando  o  rosto  grandalhão"^\  De  certo 
tempo  em  diante,  05  italianos  foram  substituindo  os 
portugueses  como  cocheiros,  observava  já  em  1890 
Raffard^^.  Algumas  cavalariças  de  casas  e  solares 
aristocráticos  subsistiram  até  hoje  em  alguns  casos 
e  até  há  poucos  ancs,  em  outros.  O  sobradão  da  rua 
do  Carmo  esquina  de  Santa  Teresa  —  já  demolido 
—  que  pertenceu  ao  fidalgo  Dom  Tomás  de  Molina, 
mostrou  Nuto  Santana  que  conservava  ainda  há  poucos 
anos  um  barracão  com  jeito  de  cavalariça^^  O  mes  - 
mo podendo-se  dizer  do  solar  de  Ramalho,  na  Conso- 
lação, com  as  suas  cavalariças  agora  adaptadas  para 
garage. 

Mas  essa  — -  a  época  dos  trinta  últimos  anos  do 
século  passado  foi  sobretudo  o  tempo  dos  bondes 
de  burro.  Sabe-se  que  em  1871  o  engenheiro  Nico- 
lau Rodrigues  dos  Santos  França  Leite  assinou  con- 
trato com.  o  governo  para  construção  de  uma  linha 
de  diligências  na  cidade  "por  meio  de  trilhos  de  ferro, 
tiradas  por  animais".  A  linha  para  a  Luz  teria  por 
ponto  de  partida  o  largo  do  Carmo,  de  onde  devia 
começar  como  tronco  principal,  e  seguindo  pela  rua 
do  Carmo  aí  se  bifurcaria:  o  primeiro  ramo,  pela 
travessa  de  Santa  Teresa,  largo  da  Sé,  rua  Direita^ 


Cursino  de  Moura,  São  Paião  de  Outrora,  pág.  73. 
Henrique  Raffard,  op.  cit. 

Nuto  Santana,  São  Paulo  Histórico,  IV,  pág.  190. 


1074 


ERNÂNI      SILVA  BRUNC 


do  Comércio,  da  Quitanda,  de  São  Bento,  de  São  José, 
ladeira  do  Acii,  rua  do  Seminário  e  rua  Alegre  até 
a  esiação  da  estrada  de  ferro;  o  segundo,  pela  rua 
do  Carmo,  pátio  do  Colégio,  travessa  do  Palácio,  rua 
da  Imperatriz  até  se  encontrar  com  o  primeiro  na  rua 
de  São  Bento,  pela  travessa  do  Rosário".  No  ano 
seguinte  a  cidade  começou  a  contar  com  o  novo  meio 
de  condução,  característico  das  grandes  cidades  no 
século  passado :  o  bonde  puxado  por  animais''^.  A 
primeira  linha  ia  efetivamente  do  largo  do  Carmo 
até  a  estação  da  Luz.  Os  veículos  desciam  pela  rua 
da  Estação  (Mauá  ),  seguindo  pela  rua  Alegre  (  Bri- 
gadeiro Tobias),  atravessavam  a  ponte  do  Marechal 
e  dali  subiam  para  o  largo  de  São  Bento.  A  pri- 
meira estação  desses  bondes  ficava  no  pátio  do  Colégio 
e  era  conhecida  pelo  nome  de  Califórnia  — •  o  da 
antiga  CGcheira"^  Em  1877  se  inaugurou  a  linha 
para  o  Brás.  Da  estação  da  cidade  —  contou  o  cro- 
nista Antônio  Egídio  Martins  —  partiram  festiva- 
mente seis  bondinhos  especiais,  enfeitados  com  ban- 
deiras, carregando  gente  até  a  Estação  do  Norte,  que 
era  então  o  ponto  final  da  linha  pertencente  à  com- 
panhia Carris  de  Ferro  de  São  Paulo''".  As  outras 
linhas  dirigiam-se  para  a  Mooca,  os  Campos  Elíseos, 
Santa  Cecília,  Consolação  e  uma  para  a  rua  da  Liber- 
dade, fazendo  ponto  final  na  rua  de  São  Joaquim, 
de  onde  partia  um  trenzinho  a  vapor  para  a  Vila  Ma- 


José  Jacinto  Ribeiro,  Cronologia  Paulista,  I,  pág.  422. 

Na  Còrte  os  bondes  de  tração  animal  surg'rani  quatro 
anos  antes  —  em  1868  —  explorados  por  uma  com.panhia  ame- 
ricana, a  Botanical  Garden  Rail  Road,  seus  primeiros  carros 
correndo  entre  a  rua  Gon-^alves  Dias  e  o  lanjo  do  Machado 
(Gastão  Gruis,  Aparência  do  Rio  de  Janeiro,  II,  pág.  341). 

Nuto  Santana,  op.  cit.,  II,  pág.  59. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  163. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1075 


riana  e  Santo  Amaro:  o  da  Companhia  Carris  de 
Ferro  de  São  Paulo,  começada  em  1883  pe'o  enge- 
nheiro Alberto  Knhhnan,  que  edificara  na  Vila  Ma- 
riana o  matadouro  novo''\ 

Nessa  ocasião  A^on  Koseritz  escreveu  que  São 
Paulo  "tinha  um  bem  organizado  sistema  de  bondes" 
Para  alemão  ver,  talvez.  Porque  as  secções  livres 
dos  jornais  viviam,  cheias  de  "mofinas"  de  i)assageiros 
zangados.  Os  bondinhos  não  tinham  iluminação  de 
qualquer  espécie,  e  as  viagens  só  eram  feitas  até  às 
oito  e  meia.  Apenas  quando  havia  teatro  é  que  elas 
se  faziam  até  meia-noite  em  tôdas  as  linhas,  com 
gente  do  São  José  e  do  Provisório'*^.  De  qualquer 
forma  porém  êles  representaram  um  melhoramento 
considerável  na  época  para  a  existência  da  cidade. 
De  que  foi  um  reflexo  a  insistência  com  que  certos 
cafés  e  outras  casas  comerciais  do  centro  destacavam 
em  anúnc'os  nos  almanaques  do  tempo  a  sua  locali- 
zação no  "ponto  dos  bondes".  O  Café  Java  ammciava 
estar  colocado  "no  sítio  mais  central  da  c'dade.  o 
verdadeiro  Donto  dos  bondes".  Também  salientavam 
êsse  privilégio  duas  charutarias,  uma  localizada  no 
largo  de  São  Bento  e  outra  no  da  Sé''^  Surdram 
depois  outras  Unhas.  Em  1889  Justo  Nogueira  de 
Azambuia  e  Francisco  de  Sousa  Paulista  assinaram 
contrato  com  o  governo  para  uma  linl^a  de  bond^-s  do 
laroo  da  Sé  à  coh'na  do  Ip'ran"a.  No  mesmo  ano 
contratou-se  com  Guilherme  Rudge  a  organização  de 
mais  duas  linhas  como  aditamento  ao  contrato  da 


Ani-ônio  Ep-ídio  Martins,  op.  c-t.,  I.  nágs.  lOS-110. 

Carl  Von  Koseritz.  on.  cit..  pá<?.  256. 

Alberto   Sousa,  Memória  Histórica  sôhrc  o  Correio 
Paul  xiano.  násf.  48. 

^'^  AUvanach  da  Província  de  São  Paulo  para  1S8S,  anún- 
cios, págs.  15  e  46. 


1076 


E  R  N  A  X  I      SILVA      BRU  N  C 


linha  da  Penha.  E  no  ano  seguinte  ratificou-se  o 
contrato  firmado  entre  o  governo  do  Estado  e  a 
Companhia  Carril  de  Ferro  do  Bom  Retiro  e  Bela 
Vista,  para  o  estabelecimento  de  linhas  novas,  com 
um  ramal  para  as  Perdizes  e  outro  para  o  cemitério*^. 
Em  1889  acentuava-se  já  a  necessidade  de  se  cons- 
truírem linhas  duplas  de  bondes  nas  ruas  cuja  largura 
tornasse  isso  possível*®. 

Uma  gravura  do'  largo  de  São  Francisco  em 
1890  —  com  a  igreja  e  o  velho  edifício  da  Academia 
—  mostra  um  desses  bondinhos  de  burro  que  apare- 
cem, aliás,  em  numerosas  estampas  antigas  de  São 
Paulo.  Êles  eram  pequenos  e  abertos,  de  cinco  ou 
de  sete  bancos,  mas  alguns  parece  que  até  de  três 
bancos  só.  Foi  o  que  escreveu  Afonso  A.  de  Freitas''^ 
Mas  em  1889,  segundo  o  relatório  da  Companhia  de 
Carris  de  Ferro,  havia  quarenta  e  um  carros  de  passa- 
geiros, de  quatro,  de  cinco,  de  seis  e  de  sete  bancos, 
€  quatrocentos  e  setenta  e  três  animais  para  o  seu 
serviço*^.  Eram  vagarosos  os  bondinhos,  e  parece 
que  descarrilavam  à  toa.  A  topografia  acidentada  da 
cidade  —  suas  ladeiras  por  vezes  bem  empinadas  — 
criavam  problemas  difíceis  para  essas  linhas  de  bondes 
puxados  por  burros.  De  que  resultavam  cenas  pi- 
torescas, mas  situações  desagradáveis.  Para  subir 
da  ponte  do  Marechal  para  o  largo  de  São  Bento, 
por  exemplo,  o  condutor  atrelava  à  parelha  de  burros 
do  bonde,  como  reforço,  outra  parelha  que  para  isso 


'^^    José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  I,  págs.  310,  385  e  501. 
Relatório  da  Diretoria  do  Companhia  Carris  de  Ferro 
de  São  Paulo  (1889),  pág.  7. 

Afonso  A.   de  Freitas,   Tradições  e  Reminiscências 
Paulistanas,  pág.  23. 

"'^  Relatório  da  Diretoria  da  Conipanliia  Carris  de  Ferro 
de  São  Paulo  (1889),  págs.  13-15. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1079 


já  ficava  esperando  o  veículo  na  sombra  dos  bambuais 
da  baixada  do  Acu.  Quando  chegavam  ao  largo  do 
Rosário,  no  alto,  os  animais  eram  soltos,  e  como 
estavam  acostumados,  voltavam  sosinhos  ao  ponto  de 
partida,  à  espera  de  outro  bonde.  Mas  tanto  nesse 
lugar  como  na  subida  do  mercado  os  burrinhos  preci- 
savam de  ser  rudemente  chicoteados  pelos  condutores^ ^. 
Em  1874  o  gerente  da  Cia.  Carris  de  Ferro  jiedia  à 
Câmara  permissão  para  edificar  um  telheiro  na  rua 
Formosa,  onde  pudesse  abrigar  os  animais  que  fi- 
cavam ali  para  ajudar  na  subida  dos  bondes,  pois  uni 
fiscal  não  queria  deixar  que  os  burros  estacionassem 
na  ponte  do  Acu.  .  Aliás,  pelas  "dificuldades  to- 
pográficas que  a  cidade  oferecia  à  tração  animal", 
em  1889  já  se  pensava  na  sua  substituição  pela  elé- 
trica''^  Entretanto  era  êsse  bondinho  de  tração  ani- 
mal uma  das  coisas  que  —  no  dizer  de  Cássio  Mota 
- —  em  fins  do  século  passado  faziam  com  que  São 
Paulo  se  destacasse  das  cidades  do  interior^^  Do 
largo  do  Rosário  e  do  largo  da  Sé  —  dizia-se  no 
álbum  de  Koenigswald  em  1895  —  partiam  para  todos 
os  lados  numerosas  linhas  de  bondes.  Bondes  que 
haviam  conduzido,  em  1890,  pouco  mais  de  dois  mi- 
lhões e  oitocentos  mil  passageiros;  mais  de  dez  mi- 
lhões em  1892;  e  mais  de  dezessete  milhões  em  1894^^. 
Com  todos  os  seus  vagares  e  tôdas  as  suas  incertezas 
esses  veículos  duraram  mais  de  trinta  anos  na  cidade. 
E  ainda  no  século  atual  —  depois  de  iniciado  o  serviço 

Nuto  Santana,  op.  cit.,  III,  pá»-.  152. 
Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LX,  pá.ç.  33. 
Relatório  da  Diretoria  da  Compaulúa  Carris  de  Ferro 
de  São  Paulo  (1889),  pág.  9. 

^2    Cássio  Mota,  Cesário  Mota  e  seu.  tempo,  pág.  19. 
=^    Gustavo  Koenigswald,  São  Paulo  (álbum  de  1895), 
pág.  12. 


1080 


F.  R  N  A  NI      SILVA  BRUNO 


de  bondes  elétricos  —  êles  continuaram  trafegando 
para  os  lados  da  Ponte  Grande  e  de  Santana^^. 

Em  1897.  porém,  concedia-se  ao  comendador  A. 
Augusto  de  Sousa  e  a  Francisco  Gualco  a  explora- 
ção do  serviço  de  bondes  elétricos  em  São  Paulo, 
concessão  que  êles  transferiram  logo  depois  à  Light  & 
Power.  Os  serviços  foram  iniciados  em  seguida,  um 
dos  primeiros  diretores  da  companhia  canadense, 
"sir"  Alexander  Mackenzie,  tendo  chegado  ao  Brasil 
em  1899.  Assim  os  bondes  elétricos  entraram  na 
cidade  com  o  noxo  século.  O  contrato  foi  firmado 
em  1901  e,  já  no  ano  seguinte,  várias  linhas  estavam 
em  funcionamento,  com  pontos  de  partida  nas  ruas 
de  São  Bento.  José  Bonifácio,  Direita,  e  largos  de 
São  Bento,  do  Tesouro  e  da  Sé^^  A  iluminação 
desses  primeiros  bondes  elétricos  era  bastante  defi- 
ciente e  à  distância  não  se  distinguiam  as  suas  de- 
signações. Foram  então  utilizados  faróis  de  várias 
côres.  Ha\  ia  ])ara  cada  linha  uma  côr  convencionada. 
E  ha\-ia  uma  linlia  cujos  bondes  não  tinham  faróis 
—  a  da  rua  Conselheiro  Furtado^".  Já  nos  primeiros 
tempos  trafegavam  diariamente  sessenta  e  cinco  carros- 
motores,  que  fazendo  mil  trezentas  e  trinta  e  duas 
viagens  transportavam  em  média  mais  de  quarenta 
e  sete  mil  passageiros.  Quando  havia  espetáculos  nos 
teatros,  bondes  extraordinários  eram  colocados  nas 
linhas^'.  Em  1906  foi  de  bonde  que  o  viajante  Louis 
Casabona  (São  Paulo  dn  Brcsil)  se  dirigiu  da  estação 

54  Nuto  Santana,  op.  cit..  III,  pág.  287. 

55  Jornal  de  São  Paulo  de  9  de  junho  de  1946.  Sabe-se 
que  no  Rio  de  Janeiro  o  primeiro  bonde  elétrico  correu  alguns 
anos  antes  —  em  1892  —  do  Flamengo  ao  centro  da  cidade. 
(Gastão  Cruls,  Aparência  do  Rio  de  Janeiro,  II,  pág.  4^9). 

56  Almanaque  de  "O  Estado  dc  São  Paulo"  (1940),  p.íg. 
133  e  Jornal  de  São  Paulo  de  9  de  Junho  de  1946. 

Nuto  Santana,  op.  cit.,  III,  pág.  301. 


HISTÓRIA    K    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1082 


parí\  o  centro  da  cidade  —  pátio  do  Colégio  —  assi- 
nalando que  pelo  largo  do  Rosário  passavam  tôdas 
as  linhas.  E  foi  também  em  um  carro  da  Light  (jue 
êle  se  transportou  para  a  A\  enida  Paulista  em  alguns 
minutos,  cruzando  ruas  por  vêzes  "entre  dois  taludes 
de  terra  vermelha'"^^  O  centro  da  cidade  ficou  logo 
congestionado  pelos  carros  elétricos.  Em  1911  o  via- 
jante Forrest  notava  que  as  ruas  de  São  Bento,  Di- 
reita e  Quinze  de  Novembro,  nas  horas  de  negócios 
ficavam  tomadas  pelos  bondes,  perturbando-se  o  trân- 
sitcí'^  Poucos  anos  depois  —  em  1914  — •  Paul  Adam 
falava  das  ruas  estreitas  do  centro  paulistano.  (|ue 
os  bondes  atulhavam.    Êles  e  os  automóveis"". 

Pois  não  foi  só  o  bonde  elétrico  que  entrou  na 
cidade  quase  quando  se  iniciava  o  século  atual.  Tam- 
bém o  automóvel.  Um  ou  dois  desses  veículos,  rarís- 
simos e  barulhentos.  Nuto  Santana  citou  a  ]:)roi);')- 
sito  a  petição  dirigida  em  1901  por  Plenrique  Santos 
Dumont  ■ — ■  irmão  do  inventor  —  ao  governador  da 
cidade  Antônio  Prado:  "O  Dr.  Plenrique  Santos 
Dumont  vem  requerer  baixa  no  lançamento  do  im- 
posto sôbre  o  seu  "automobile",  pelas  seguintes  razões : 
o  suplicante,  sendo  o  primeiro  introdutor  dêsse  sis- 
tema de  veículo  nesta  cidade,  o  fêz  com  sacrifício  de 
seus  interesses  e  mais  para  dotar  a  nossa  cidade  com 
esse  exemplar  de  veículo  "automobile" ;  porquanto  após 
quaisquer  excursões,  por  curtas  que  sejam,  são  neces- 
sários dispendiosos  reparos  no  veículo  devido  à  má 
adaptação  do  nosso  calçamento,  pelo  qual  são  prejudi- 
cados sempre  os  pneus  das  rodas.  Além  disso  o  su- 
plicante apenas  tem  feito  raras  excursões  a  título  de 

Louis  Casabona,  São  Paulo  dii  Brcsil.  pág-.  74. 
ArchibaM  Forrest,  A  Toar  throngli  South  America, 
pág.  304. 

Paul  Adam,  Lcs  Visages  du  Brcsil,  pág.  124. 


1082 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


experiência  e  ainda  não  conseguiu  utilizar-se  de  seu 
carro  "automobile"  para  uso  normal,  assim  como  um 
outro  proprietário  de  um  "automobile"  que  existe  aqui 
não  o  conseguiu  também"".  Êsse  outro  proprietário 
de  "automobile"  parece  ter  sido  pessoa  da  família 
Penteado.  Um  visitante  da  cidade  em  1898  disse  que 
viu  certa  ocasião  grande  ajuntamento  de  povo  na  rua 
Direita  em  torno  "de  um  carro  aberto,  de  quatro  ro- 
das de  borracha,  com  dois  passageiros  e  que  se  movia 
por  si  mesmo".  "O  primeiro  que  aparecera  em  São 
Paulo"^'. 

Por  essa  época  começaram  a  chegar  os  conheci- 
dos carros  "Benz"  —  escreveu  Cicero  Marques  —  e 
foi  preciso  inventar  uma  estrada  por  onde  êles  pudes- 
sem transitar :  lembraram-se  de  um  passeio  que  outro- 
ra se  fazia  de  carro:  à  tradicional  Freguezia  do  ó^^. 
Os  automóveis  pediam  no  entanto  muito  mais.  Sabe- 
se  que  em  1908  o  Conde  Lesdain  fez  a  primeira  via- 
gem automobilística  do  Rio  a  São  Paulo,  gastando 
trinta  e  seis  dias.  No  mesmo  ano  Antônio  Prado 
Júnior  e  alguns  companheiros  fizeram  a  primeira  tra- 
vessia de  automóvel  entre  São  Paulo  e  Santos,  gastan- 
do dois  dias  de  trabalhos.  E  ainda  no  mesmo  ano 
fundava-se  em  São  Paulo  o  Automóvel  Clube,  cuja 
finalidade  era  criar  e  manter  um  centro  de  reunião 
e  convívio  para  os  seus  sócios,  interessar-se  pelo 
desenvolvimento  do  automobilismo  no  Estado,  corres- 
pondendo-se  com  as  autoridades  sóbre  o  estado  e  me- 
lhoramento das  estradas,  e  estimu^.ar  o  gosto  pelo 

Citado  por  Nuto  Santana,  op.  cit.,  V,  pág.  32. 
''^    Caldeira  Brant,  Memórias  dum  Estudante  (1885-1906), 
pág.  147. 

Cícero  Marques,  Tempos  Passados.  .  .  pág.  132. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1085 


autonlob^lismo''^  Alguns  anos  mais  tarde,  em  seu 
livro  sobre  São  Paulo,  Paul  Walle  observou  que  já 
era  considerável  o  número  de  automóveis  na  cidade 
—  sendo  a  maioria  deles  de  particulares.  Em  1911  já 
eram  cerca  de  dois  mil  os  automóveis  existentes  em 
São  Paulo,  e  êles  congestionavam  a  cidade,  "encurra- 
lados nas  poucas  vias  de  sofrível  rodagem'""'.  Mas 
assinalou  também  Walle  a  existência  ainda  de  uma 
boa  ([uantidade  de  carruagens  descobertas  puxadas  por 
cavalos.  E  de  um  pequeno  número  de  carruagens  de 
praça,  de  dois  cavalos,  chamadas  vitórias,  com  cochei- 
ros quase  todos  italianos^^.  Em  1905  o  visitante 
português  Sousa  Pinto,  chegando  à  cidade,  i^rocurou 
um  tilburi,  e  todos  os  cocheiros  a  que  se  dirigiu  eram 
italianos,  tagarelando  em  dialetos  peninsulares  "e  es- 
talando o  chicote  à  tí]^ica  moda  de  seu  país'"'^.  É 
claro  que  não  apenas  nos  caminhos  e  nos  arredores 
da  cidade,  como  em  suas  próprias  ruas  centrais,  além 
de  tílburis  e  automóveis,  trafegavam  carroças  e  me.s- 
mo  carros  de  boi.  A  Estrada  do  Vergueiro,  em  1910, 
antes  mesmo  dos  empreendimentos  de  Rudge  Ramos, 
era  utilizada  intensamente  por  carreteiros  do  Rio 
Grande,  de  Canivari  e  de  São  Rernardo^^. 

Os  rios  històricantente  ligados  à  c'dade  acabaram 
de  perder,  denois  de  1870,  o  seu  interêsse  para  obie- 
tivos  de  l'gacão,  excetuando-se  em  penuena  escala  o 
Tietê.  Nas  várzeas  do  Tamanduateí  fizeram-se  no- 
vas modificações.  O  presidente  João  Teodoro  Xavier, 

64  Ahnaimque  de  "O  Estado  de  São  Paião"  (1940), 
pág.  298. 

6^    Artur  Riid8;e  Ramos,  op.  c-t.,  pág.  9. 
^'^    Paul  Walle,  Au  Pays  de  VOr  Rougc,  págs.  56-72. 
Sousa  Pinto,  Terra  Moca  —  Impressões  Brasileiras, 
págs.  333-3.U. 

''^    Artur  Rudge  Ramos,  op.  cit.,  págs.  10,  25,  26. 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  C 


mandando  aterrar  uma  extensão  grande  dos  pântanos 
do  Carmo,  construiu  a  chamada  Ilha  dos  Amores,  no 
local  do  mercado  velho  do  peixe :  tinha  banhos,  espor- 
tes náuticos,  divertimentos.  Mas  ela  não  podia  ser 
frequentada  com  facilidade.  No  inverno  por  causa 
do  vento  sul,  frio  e  úmido;  e  no  verão  —  tempo  das 
chuvas  —  era  em  parte  alagada  pelas  águas  do  Ta- 
manduateí.  Contrastava  essa  ilha,  pela  sua  arruma- 
ção, com  os  terrenos  que  ficavam  perto  e  onde  se 
viam  ossos,  sapatos  velhos,  latas  enferrujadas,  col- 
chões e  travesseiros  apodrecendo^^.  Sempre  um  depó- 
sito de  lixo.  Mas  as  várzeas  continuavam  represen- 
tando um  grave  problema  para  a  cidade.  Em  1886 
chegou  a  São  Paulo  o  engenheiro  francês  Jules  Revy, 
comissionado  pelo  ]\Iinistério  da  Agricultura,  a  pedido 
do  govêrno  da  pro\  íncia,  para  proceder  ao  trabalho 
de  saneamento  da  várzea  do  Carmo  e  da  margem  do 
Tietê  nas  imediações  da  cidade'^".  Estudos  feitos  nos 
anos  de  1890  a  1892  mostraram  a  necessidade 
de  ser  feita  a  retificação  completa  do  leito  primitivo 
do  Tamanduateí".  Ainda  nesse  tempo  —  contou 
Batista  Pereira  —  ha\ia  fortes  inundações  na  várzea. 
Esta  virava  uma  vasta  lagoa  onde  se  viam  algumas 
poucas  edificações  levantadas  nos  pequenos  locais 
não  atingidos.  Improvizavam-se  barcas  e  canoas,  e 
apareciam  peixes  colhidos  a  mão.  Aspectos  maravi- 
lhosos da  enchente  eram  então  observados  das  casas 
da  rua  Boa  Vista  e  da  rua  Quinze,  como  também 


Június,  op.  cit.,  pág.  1U2. 

José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  T,  pág.  61. 

Afonso  A.  de  Freitas,  Prospecto  do  Dicionário  Eti- 
molócfico,  Histórico,  Topográfico,  Estatístico,  Biográfico,  Biblio- 
gráfico c  Etnográfico  Ilustrado  de  São  Paulo,  pág.  80. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    UE    SÃO    PAULO   1 08'> 


do  barranco  gradeado  da  rua  Florêncio  de  Abreu'^. 
Ainda  em  fins  do  século  passado  —  em  1896  —  a 
Repartição  de  Águas  e  Esgotos  estancou  a  corrente 
formada  pelas  águas  do  Tanque  Zunega  e  pelas  do 
riacho  lacuba,  Guacuba  ou  Acu  — •  corrente  que 
desembocava  no  Anhangabaú.  Este  córrego  teria  uma 
canalização  coberta  no  início  deste  século,  em  1906, 
em  quase  todo  o  seu  trajeto,  exceto  para  o  lado  das 
nascentes,  no  Paraíso'^.  Nascendo  nesse  local,  de- 
senvolveu-se  ê!e  em  direção  geral  de  sul  a  norte  —  es- 
creveu Afonso  A.  de  Freitas  —  paralelamente  às  ruas 
Vergueiro  e  Liberdade,  cortando  as  ruas  João  Julião, 
Pedroso,  Flumaitá,  Condessa  de  São  Joaquim,  Jace- 
guai.  Assembleia,  Asdrúbal  Nascimento,  largo  do 
Riachuelo.  Aí  contorna  o  planalto  central  da  cidade 
pelas  baixadas  do  viaduto  do  Chá.  avenida  São  João, 
rua  Florêncio  de  Abreu  e  extremo  da  Vinte  e  Cinco 
de  Março,  desembocando  no  Tamanduateí.  A  sua 
cava  profunda,  desde  a  rua  do  Paraíso  até  o  largo  do 
Riachuelo  foi  perdendo  com  o  tempo  sua  denomina- 
■ção  secular  —  notou  Freitas  —  insensivelmente  subs- 
tituída pela  do  A^ale  do  Ttororó'^.  Também  as  vár- 
zeas do  Tamanduateí  —  onde  havia  em  outros  tempos, 
segundo  Couto  de  Magalhães,  quantidade  enorme  de 
formigas  e  muito  cupim'''^  —  sofreram  novas  modifi- 
cações radicais  a  partir  do  comêço  do  século  vinte. 
O  leito  do  rio  já  estava  regularizado  e  suas  margens 


"^'^    Batista  Ferreira,  "A  Cidade  de  Anchieta",  Revista  do 

Arquivo  Municipal,  XXIII,  pág.  66. 

Cursino  de  Moura,  op.  cit.,  pág.  68-69., 

Afonso  A.  de  Freitas,  Dicionário  Histórico,  Topo- 

-gráfico,  Etnográfico  Ilustrado  do  Municipio  de  São  Paulo,  I, 

págs.  180-182. 

Notas  à  edição  definitiva  de  Os  Gnaianases,  de  Couto 

ée  Magalhães,  pág.  139. 


1090 


ERNÂNI      SILVA  BRUNG 


gramadas  e  arborizadas  em  1905,  como  se  pode  ler 
no  texto  do  álbum  editado  por  Jules  Martin^*^.  Isso 
no  trecho  denominado  Várzea  do  Carmo.  Aprovei- 
tou-se  mesmo  o  que  havia  de  gracioso  no  curso  do 
Tamanduateí  para  se  conseguir  efeito  sugestivo  no 
aspecto  do  Parque  Pedro  Segundo".  Mas  também 
a  Várzea  do  Mercado  merecia  as  atenções  da  muni- 
cipalidade, e  sabe-se  que  em  1908  a  Light  retirava 
argila  do  morro  do  Piolho  para  o  solevamento  dela.  A 
partir  dessa  época  a  Prefeitura  mandou  solevar  uma 
extensão  enorme  da  várzea  —  escreveu  Afonso  A.  de 
Freitas  —  em  cerca  de  dois  metros,  acabando-se  de 
uma  vez  com  a  possibilidade  de  se  reproduzirem  os 
transbordamentos  do  Tamanduatei  entre  o  planalto 
central  e  as  planicies  do  Brás  e  da  Mooca.  Êsse 
solevamento  se  fêz  em  tôda  a  faixa  alagadiça  que 
tomava  nomes  diferentes,  chamando-se  várzea  do 
Cambuci  no  bairro  dêsse  nome,  pasto  do  Meneses  e 
depois  do  Osório  e  por  fim  várzea  do  Glicério,  entre 
as  ruas  Lavapés  e  da  Mooca,  várzea  do  Carmo  em 
frente  à  igreja  dêsse  nome,  do  Mercado  e  do  Gasó- 
metro na  altura  desses  estabelecimentos  e  do  Pari, 
do  Seminário  ou  dos  Lázaros  a  partir  da  altura  do 
Seminário  Episcopal  até  o  rio  Tietê''^  Quanto  pro- 
priamente às  obras  de  retificaçao  do  Tamanduateí, 
reclamadas  através  de  um  século,  observou  ainda 
Freitas,  elas  tiveram  seu  complemento  definitivo  em 
1916,  com  a  inauguração  da  última  secção  do  seu 


São  Paulo  Antigo  c  São  Paulo  Moderno  fálhum  de 
1905),  pág.  20. 

Augusto  C.  da  Silva  Teles,  MeUwraiiicntos  de  São 
Paulo,  págs.  53-54. 

Afonso  A.   de  Freitas,  Dicionário...,   cit.,   I,  págs. 

102-109. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  liVl 


leito  artificiara  Mas  não  desapareceram  de  todo  as 
marcas  deixadas  em  certos  trechos  da  cidade  pelo 
Tamanduateí.  Ainda  hoje  sente-se  que  por  detrás 
das  casas  do  lado  sul  da  rua  Tabatingúera  (desde  a 
esquina  da  rua  do  Carmo  até  a  Avenida  do  Estado) 
passava  uma  corrente  de  água  que  devia  banhar  os 
seus  quintais. 

Por  outro  lado  já  em  fins  do  século  passado  a 
cidade  se  aproximara  em  maior  extensão  do  Tietê. 
Percorrendo  no  ano  de  1883  os  arredores  de  São 
Paulo,  Koseritz  observou  que  sôbre  aquêle  rio,  onde 
existia  uma  ponte  grande,  um  pequeno  vapor  condu- 
zia passageiros  por  trechos  "onde  cedo  se  ergueriam 
locais  aprazíveis".  "Durante  a  minha  estada  —  es- 
creveu êle  —  o  pequeno  vapor  fêz  as  suas  viagens 
de  ensaio,  das  quais  não  pude  infelizmente  partici- 
par"^^  Em  fins  do  século  passado  e  no  começo  do 
atual  passou  realmente  o  Tietê  a  ter  localizados  nas 
suas  margens  os  primeiros  clubes  náuticos  da  cidade. 
Em  1905,  à  esquerda  da  ponte,  o  lugar  chamado  Flo- 
resta estava  ocupado  pe!o  Clube  de  Regatas  de  São 
Paulo.  E  em  frente  outra  associação  esportiva,  o 
Clube  Espéria,  montara  a  sua  sede^\ 

Entretanto  a  zona  urbana  de  São  Paulo,  com 
o  seu  crescimento  considerável  nessa  época,  foi  en- 
gulindo  lima  porção  de  trechos  de  outros  rios  e  ri- 
beiros. Já  a  leste  haviam  surgido,  em  outras  épocas, 
a  Mooca,  o  Brás,  o  Pari,  quando  a  cidade  transpu- 
sera o  Tamanduateí.  A  oeste,  além  do  Anhangabaú, 
tinham  aparecido  a  Vila  Buarque,  o  Higienópolis, 
Santa  Cecília,  os  Campos  Elíseos,  a  Consolação,  Santa 


Afonso  A.  de  Freitas,  Prospecto...,  cit.,  pág.  81. 

Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  pág.  258. 

São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno,  pág.  88. 


1092 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Ifigênia,  a  Lapa,  a  Luz,  o  Bom  Retiro,  a  Barra  Funda, 
a  Água  Branca.  E  no  norte,  para  alem  do  próprio 
Tietê,  a  cidade  avançara  formando-se  os  bairros  de 
Santana  e  Casa  Verde.  Passarami  a  correr  dentro 
da  cidade  em  alguns  pedaços  de  seu  curso  outros  rios 
menos  ligados  ao  passado  remoto  de  São  Paulo.  Al- 
guns dando  seus  nomes  a  bairros  ou  arrabaldes,  como 
o  Água  Branca,  o  Tatuapé,  o  Jeribatiba,  o  Saracura, 
o  rio  da  Mooca.  E  também  o  Ipiranga  —  o  das 
margens  plácidas  —  e  ainda  o  Lavapés,  em  outros 
tempos  limite  entre  a  zona  urbana  e  a  rural. 

Ainda  outros  cursos  de  água  por  assim  dizer  se 
urbanizaram :  o  riacho  Cavandoca  e  o  córrego  do 
Alemão,  na  Mooca  e  no  Belenzinho,  o  córrego  do  rio 
Verde,  em  Pinheiros,  o  ribeiro  da  Traição,  no  limite 
do  distrito  da  Consolação,  o  ribeiro  Toucinho  e  seus 
afluentes  Iguatemi,  Barro  Branco  e  Cuvetin?"a  — 
estes  da  maior  utilidade,  vertendo  da  serra  da  Canta- 
reira e  abastecendo  de  água  a  cidade.  Mas  cjuase 
todos  êles  rios  humildes,  rios  de  bairro,  apenas  ba- 
nhando hortas,  recebendo  o  despêjo  das  fábricas  ou 
fazendo  dançar  velhas  canoas  de  transporte  de  areia 
ou  de  telha  —  pois  como  vias  de  comunicação  se  re- 
duziu extraordináriamente  a  sua  importância  primi- 
tiva. E  também  de  pequena  significação  estética  em 
relação  à  cidade.  Como  sentiu  Antônio  de  Alcân 
tara  Machado,  faltou  um  rio  em  São  Paulo:  "Rio 
larg"o,  rio  cheio  de  pontes,  rio  cheio  de  curvas"^'. 

Das  pontes  paulistanas  nessa  fase  de  sua  história 
falou  em  1883  Von  Koseritz.  "São  na  maior  parte 
—  escreveu  êle  —  velhas  pontes  portuguêsas  de  pedra, 
que  nada  têm  de  bonitas,  mas  que  são  sólidas"^^.  Pa- 

^2  Antônio  de  Alcântara  Machado,  Cavaquinho  &  Saxo- 
fone, pág.  11. 

Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  pág.  258. 


í 


HISTÓRIA    E   TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1095 


rece  que  com  essa  frase  Koseritz  disse  tudo  e  des- 
creveu com,  precisão  as  edificações  que  ligavam  as 
margens  do  Tamanduateí  e  do  Córrego  das  Almas, 
Entretanto  sabe-se  que  nessa  época  viveu  na  cidade 
o  empreiteiro  e  construtor  italiano  José  Possetti,  que 
por  ocasião  da  construção  de  uma  nova  ponte  apresen- 
tou-se  à  concorrência  com  um  projeto  original,,  pre- 
vendo o  emprego  de  material  ainda  não  conhecido 
em  São  Paulo.  Não  foi  levado  a  sério,  mas  para 
provar  que  estava  certo  convidou  os  vereadores  a  verem 
a  miniatura  da  ponte  projetada,  em  sua  residência 
da  rua  da  Conceição.  De  certo  se  tratava  de  cons- 
trução de  concreto  armado  —  escreve  o  engenheiro 
Agenor  Guerra  Correa  —  estando  Possetti  possivel- 
mente a  par  de  experiências  então  recentes  na  Ale- 
manha, na  França  e  na  Itália^\  Foi  também  o  via- 
jante Koseritz  quem  se  referiu  a  uma  ponte  grande 
e  bonita  existente  no  Tietê  a  alguma  distância  da 
cidade.  Dois  anos  antes  de  sua  viagem  determinara 
o  governo  a  edificação  de  uma  ponte  sobre  o  Anhan- 
gabaú,  depois  transformada  pelo  prefeito  António 
Prado —  já  no  comêço  do  século  atual  —  em  ponte 
ligando  o  bairro  do  Brás  ao  de  Santa  Ifigênia^^. 
Mas  já  no  fim  do  século  dezenove  se  cogitava  da  re- 
forma das  velhas  pontes  paulistanas  ou  da  substitui- 
ção de  algumas.  Em  1905  —  segundo  o  álbum  de 
Jules  Martin  —  a  ponte  sóbre  o  Tamanduateí,  na 
várzea  do  Carmo,  deixara  de  ser  o  ponto  predileto  das 
lavadeiras.  E  uma  grande  ponte  de  pedra,  edifica- 
da em  1895,  punha  uma  nota  diferente  na  feição  do 
local.  A  do  aterrado  do  Gasómetro  fôra  feita  em 
1892-1896.    E  além  das  antigas  pontes  construídas 


Agenor  Guerra  Correia,  carta  ao  autor. 

São  Paulo  Ardigo  e  São  Paulo  Moderno,  pág.  30. 


1096 


E  R  N  A  X  I      S  I  L  V  A      B  R  U  N  C 


no  aterrado  do  Tamandiiatei  —  escrevia  em  1900 
Moreira  Pinto  —  havia  "a  nova  e  belíssima  ponte 
de  cantaria  no  meio  da  Várzea  do  Carmo,  sobre  o 
aterrado  do  Gasómetro".  Havia  ainda  três  outras 
pontes  então  novas,  sôbre  vigas  de  ferro,  assentadas 
nas  ruas  São  Caetano,  João  Teodoro  e  avenida  da 
Intendência  (antiga  Comércio  da  Luz)^*"'.  Quanto 
à  velha  ]Donte  da  ladeira  do  Carmo^^,  Antônio  Egídio 
Martins  —  cujo  livro  trás  a  data  de  1912  —  escreveu 
que  ia  ser  substituída,  pela  Prefeitura,  por  uma  du- 
pla rampa  de  acesso  à  rua  Vinte  e  Cinco  de  Março^^. 

Ainda  em  fins  do  século  passado  começou  também 
o  que  se  poderia  denominar  a  era  dos  viadutos  — 
uma  necessidade  em  face  da  topografia  acidentada  da 
cidade  —  que  daria  fisionomia  bastante  caracterís- 
tica à  área  central  de  São  Paulo.  A  estrutura  da 
cidade,  observou  Caio  Prado  Júnior  que  foi  grande- 
mente influenciada  pelo  relêvo,  que  lhe  impôs  sobre- 
tudo os  viadutos.  Os  leitos  do  Anhangabaú,  do  Sa- 
racura, e  do  Bexiga,  principalmente,  dividiram  a  ci- 
dade em  compartimentos  de  comunicação  difícil,  for- 
çando a  construção  dessas  passagens^^.  O  primeiro 
dêles  foi  o  viaduto  do  Chá,  idealizado  por  um  litografo 
e  publicista  francês  radicado  na  cidade:  Jules  Martin. 
Já  em  1879  oferecia  êle  à  Câmara  dois  quadros  do 
desenho  de  seu  projeto,  cpie  foi  arquivado  para  ser 


Alfredo  Moreira  Pinto,  A  Cidade  dc  São  Paulo  em 
1900,  píz-  187. 

^'^  São  Paulo  Antigo  c  São  Paulo  Moderno,  pág.  20,  e 
Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  148. 

88    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I.  pág.  59. 

8'  Caio  Prado  Jiinior,  "Nova  Contribuição  para  o  Estudo 
Geográfico  da  Cidade  de  São  Paulo",  cit. 


TIISTÓRIA    F.    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DK    SÃO    PATLO  \W9 


tomado  cm  consideríição  "oportunamente"'*".  No  mes- 
mo ano  o  eng-enheiro  Alexandre  J.  Feronsson  pro- 
]^/un]ia-se  a  construir  um  A-iaduto  destinado  a  comu- 
nicar a  rua  Direita  com  a  Barão  de  Itapetininga, 
no  bairro  do  Chcá^^  —  propondo-se  ainda  a  fazer  cons- 
truir trinta  e  três  ])rédios  de  cada  lado  para  serem 
alugados  a  estabelecimentos  comerciais''^.  Os  traba- 
lhos planejados  por  ]\Iartin  foram  iniciados  em  1888, 
sendo  os  primeiros  estudos  de  planta  e  nivelamento 
levantados  por  E.  Stevaux''^  Dois  anos  depois  che- 
gou pelo  \'apor  "Pascal"  —  contou  minuciosamente 
Antônio  Egídio  ^Martins  —  a  parte  metálica  do  via- 
duto, feita  em  Duisburg,  na  Alemanha,  pela  fábrica 
Harkot.  Os  trabalhos  estiveram  no  entanto  parali- 
sados durante  algum  tempo,  ])or  causa  da  oposição 
dos  Barões  de  Tatuí.  cjue  não  queriam  chegar  a  um 
acordo  i>ara  a  desapropriação  da  casa  dêles,  na  rua 
Libero  Badaró.  Prosseguindo  depois  as  obras,  o  an- 
tigo ^-iaduto  do  Chá  ficou  terminado  em  1892.  Pos- 
suia,  encaixadas  em  suas  grades,  doze  placas  de  ferro 
com  a  inscrição  dos  nomes  do  presidente  da  província, 
Conde  de  Parnaíba,  do  concessionário  Jules  Martin, 
dos  diretores  e  conselheiros,  bem  como  dos  engenhei- 
ros das  obras,  e  o  registro  do  fabricante  alemão  que 
confeccionara  sua  parte  metálica.    Media  duzentos  e 


Atas   da    Câmara   Municipal   dc   São   Paulo,  LXV, 

pág.  35.. 

Daí  o  nome  do  viaduto:  "Viaduto  do  Chá",  deno- 
minação legítima,  e  hoje  histórica,  que  felizmente  não  foi  aba- 
lada pelas  sugestões  levianas  de  alguns  publieistas  inclinados 
a  que  êle  passasse  a  se  chamar  "Viaduto  do  Café"  em  mais 
uma  tentativa  de  destruição  dos  nomes  tradicionais. 

^-  Atas  da  Câmara  Municipal  dc  São  Paido,  LXV.  págs. 
31-32. 

José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  III,  pág.  354. 

14 


1100 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


quarenta  metros  de  coniprimiento,  sendo  cento  e  oiten- 
ta em  ferro  e  sessenta  em  aterro  sòbre  a  rua  Barão 
de  Itapetininga.  E  catorze  metros  de  largura.  Eni 
cada  um  de  seus  extremos  ficava  um  guarda  com  o 
relógio  registrador,  marcando  o  número  de  pessoas 
que  passavam  pela  roda  giratória  e  que  tinham  de  pagar 
cada  uma  três  vinténs.  A  entrada  se  fazia  pe'a  cal- 
çada do  lado  direito  e  a  saida  pela  do  lado  esquerdo. 
No  centro  havia  um  grande  portão  que  era  aberto  de 
manhã  e  fechado  de  noite^'*. 

Nas  noites  de  bruma,  um  visitante  da  cidade  em 
1905,  ]\Ianoel  de  Sousa  Pinto,  surpreendia  "as  curio- 
sas fantasmagorias  da  iluminação  municipal",  do  Via- 
duto do  Chá.  "pon-e  de  sonho  a  desoras'"'''.  No 
período  de  1913  a  1916  o  poeta  Ricardo  Gonçalves 
tentou  realizar  de  sociedade  com  o  escritor  Monteiro 
Lobato  —  e  aproveitando  a  circunstância  de  estarem 
parentes  seus  na  Prefeitura  —  um  projeto  que  con- 
sistia em  transformar  o  viaduto  do  Chá  —  mais 
tarde  chamado,  por  um  cronista,  de  "suicidouro  cons- 
truído pela  municipalidade"^''  —  em  uma  rua  suspensa, 
com  casas  de  lojas  dos  dois  lados.  Queria  o  poeta 
construir  em  São  Paulo  algo  de  semelhante  ao  que 
vira  em  Veneza  e  em  Florença^''. 

Ainda  em  fins  do  século  passado  —  em  1891  — 
começaram-se  os  trabalhos  de  construção  de  um  outro 
viaduto:  ligando  o  largo  do  Rosário  com  o  largo 
do  Paissandu.  Êsse  melhoramento  entretanto  não 
foi  levado  para  a  frente  —  escreveu  José  Jacinto  Ri- 

9*  Nuto  Santana,  op.  cit.,  I,  pág.  120,  e  III,  págs.  103-105, 
e  Cássio  Mota.  op.  cit.,  pág.  22. 

55    Sousa  Pinto,  op.  cit.,  pág.  370. 

5^    Sílvio  Floreai,  Ronda  da  Meia  Noite,  pág.  23. 

Aureliano  Leite,  "No  Tempo  de  Ricardo  Gonçalves",, 
(conferência),  Q  Estado  de  São  Paulo,  de  27  de  Abril  de  1947. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1101 

beiro  —  "não  só  pela  nenhuma  vantagem  que  poderia 
trazer  à  população,  como  por  causa  da  oposição  feita 
pela  totalidade  dos  proprietários  dos  prédios  por  onde 
êle  teria  de  passar"^^  Em  1904  apresentou-se  à  Câ- 
mara um  projeto  para  construção  de  outro  viaduto  que 
ligasse  os  largos  de  Santa  Ifigênia  e  de  São  Bento, 
desafogando  o  trcáfego  da  rua  de  São  João.  A  con- 
corrência para  sua  construção  foi  aberta  quatro  anos 
depois  e  vencida  pelo  engenheiro  italiano  Júlio  Mi- 
chetti,  iniciando-se  as  obras  em  1910.  Com  duzentos 
e  vinte  e  cinco  metros  de  comprimento  e  três  arcos, 
construiu-se  então  o  viaduto  de  Santa  Ifigênia  — 
que  é  o  ainda  existente,  apenas  com  algum  alarga- 
mento nas  extremidades.  As  peças  chegaram  já  mon- 
tadas da  Bélgica,  onde  foram  construídas.  Vieram 
até  perfuradas  e  acertadas,  e  aqui  apenas  se  armaram. 
Ficou  concluído  em  1913^^  Na  mesma  época,  dentro 
do  plano  de  transformação  do  centro  da  cidade  esta- 
belecido pelo  arquiteto  Bouvard,  incluía-se  um  via- 
duto ligando  o  pátio  do  Colégio  à  rua  Boa  Vista:  o 
viaduto  da  Boa  Vista^"". 


José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  I,  pág.  608. 
Jornal  de  São  Paulo  de  25  de  dezembro  de  1949. 
Albert  Bonnaure,  Livro  de  Ouro  do  Estado  de  São 
Paulo,  pág.  75. 


V  —  ÁGUA  E  ABASTECIMENTO 


parecem  ter  melhorado  as  condições  de  alimentação  dos 
moradores  da  cidade  de  São  Paulo.  O  fmicionamento 
de  algumas  estradas  de  ferro,  articulando  com  maior 
facilidade  muitas  zonas  do  interior  à  capital  da  pro- 
víncia, não  deve  ter  contribuído  pouco  nesse  sentido. 
Não  deve  ser  esquecida  por  outro  lado  a  importância 
,da  fundação  de  núcleos  coloniais  nos  arredores  da 
cidade,  com  culturas  alimentares.  Nem  a  remodelação 
do  sistema  de.  abasiecimento  de  carne,  acabando-se 
nesse  tempo  com  o  velho  matadouro,  cheio  de  sujeira, 
da  baixada  do  Humaitá,  para  se  edificar  o  novo,  na 


1J06 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  C' 


Vila  Mariana.  O  peixe  de  mar,  a  princípio  raro, 
como  na  fase  anterior  da  história  paulistana,  tor- 
nou-se  de  consumo  fácil  depois  que  alguns  imigrantes 
italianos  organizaram  o  seu  transporte,  de  Santos, 
e  a  sua  distribuição  no  mesmo  dia.  Entre  as  frutas, 
além  das  tradicionais  na  região,  conseguiram-se  nesse 
tempo  resultados  interessantes  nas  experiências  feitas 
com  o  pêssego,  a  ameixa,  o  caqui  e  sobretudo  com  a 
uva  branca.  Enriqueceu-se  de  outra  parte,  nessa  épo- 
ca, a  dieta  do  morador  da  cidade,  sob  a  influência 
do  elemento  italiano.  Fundaram-se  as  primeiras  in- 
dústrias de  massas  alimentícias.  E  alguns  temperos 
e  o  modo  de  preparar  certos  alimentos  se  incorpora- 
ram aos  costumes  paulistanos.  Ao  mesmo  tempo,  ao 
lado  do  vinho  produzido  com  certa  abundância  nos 
arredores,  começou  a  se  vulgarizar  o  consumo  de  vi- 
nhos finos  estrangeiros,  bebendo-se  também  na  época, 
ao  lado  das  cervejas  fabricadas  na  cidade  em  geral  por 
alemães,  cervejas  procedentes  da  Alemanha. 

O  sistema  de  abastecimento  de  água  sofreu  mo- 
dificações completas.  Logo  depois  de  1870,  apesar 
de  serem  edificados  mais  alguns  chafarizes,  êles  e 
mais  as  bicas  não  forneciam  ainda  o  líquido  necessário 
à  população.  As  queixas  e  os  protestos  —  como  em 
meados  do  século  —  continuavam  ocorrendo  e  se  refle- 
tindo  nas  críticas  da  imprensa.  O  problema  entrou 
em  fase  nova  no  ano  de  1878,  quando  começou  a  ser 
construída  na  Consolação  a  caixa  de  abastecimento 
para  o  serviço  que  passava  ser  feito  pela  Companhia 
Cantareira,  com  o  aproveitamento  de  novos  mananciais. 
Em  1882  já  estavam  abastecidos  alguns  chafarizes, 
e  no  ano  seguinte  já  se  entregavam  ao  uso  dos  mo- 
radores os  esgotos  do  dis»l:rito  da  Luz.  Mas  era  pouco 
Muita  gente  continuava  recorrendo  às  fontes  naturais 
e  às  Casas  de  Banho.    E  mesmo  na  zona  servida 


IIISTOKiA    K     IKAI)  (,_(ii:s    PA    (  IDAI)].:  SÃi)    l-AI  LO  1109 


pela  Cantareira,  onde  já  havia  instalações  saniicárias, 
eram  muitos  os  conservadores  mais  ferrenhos  que 
continuavam  se  utihzando  das  antigas  cloacas.  Em 
1893  o  serviço  de  abastecimento  passou  da  Cantareira 
para  o  govêrno  do  Estado,  criando-se  então  a  Repar- 
tição de  Águas  e  Esgotos.  Mas  contando  apenas  com 
duas  adutoras:  Ipiranga  e  Cantareira.  Nos  últimos 
anos  do  século  dezenove  e  nos  primeiros  do  atual  come- 
çou a  se  ampliar  consideravelmente  a  rede  de  distribui- 
ção de  água.  No  entanto,  apesar  da  construção  de 
novos  reservatórios  na  Consolação,  no  Araçá  e  no 
Belenzinho,  graves  crises  no  abastecimento  se  registra- 
ram em  1903  e  em  1910.  O  crescimento  extrema- 
mente rápido  da  cidade  impediu  a  solução  de  mais 
esse  problema. 

O  estilo  de  alimentação  do  morador  da  cidade, 
na  primeira  parte  do  período  de  1872  a  1918  conti- 
nuou sendo  em  linhas  gerais  o  de  meados  do  oitocen- 
tismo.  Com  algumas  tentativas  para  melhoria  de  suas 
condições,  no  entanto.  Uma  delas,  representada  pela 
remodelação  do  sistema  de  abastecimento  de  carne 
verde,  acabando-se  com  os  métodos  do  matadouro  an- 
tigo, cheio  de  sujeira,  da  rua  Humaitá^.  O  enge- 
nheiro Alberto  Kuhlman  construiu  o  matadouro  novo 
na  Vila  Mariana  e  para  fazer  o  transporte  da  carne 
planejou  6  trenzinho  de  Santo  Amaro,  tornando-se 
o  superintendente  da  Companhia  de  Carris  de  Ferro 
de  São  Paulo  a  Santo  Amaro,  cuja  linha  foi  começada 
em  1883".  Outra  tentativa,  a  fundação  de  núcleos 
coloniais  onde  se  cultivassem  géneros.  Os  agricul- 
tores, ainda  em  1874,  utilizavam  apenas,  segundo  se 
dizia  em  uma  ata  da  Câmara  Municipal,  um  décimo 

^    Cursino  de  Moura,  São  Paulo  de  Outrora,  pá^.  236. 
2    António  Egídio  Martins,  São  Paulo  Antigo,  I,  pásfs. 
108-110. 


1110 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


da  superfície  do  municipio  com  culturas  de  cereais 
estabelecidas  em  seus  pequenos  alqueires  de  terra. 
Cultivava-se  principalmente  o  milho,  mas  também  a 
mandioca,  o  feijão,  o  arroz,  a  batata  e  a  cana  de 
açúcar".  Grande  parte  dos  géneros  consumidos  na 
cidade  era  nessa  época  procedente  do  distrito  de  Santo 
Amaro*.  Só  em  1877  teve  início  a  colonização  oficial 
em  Santana,  na  Glória,  em  São  Bernardo  e  em  São 
Caetano^ 

Por  outro  lado  leis  de  proteção  à  caça  —  que 
era  fator  de  importância  na  alimentação  do  paulistano, 
desde  tempos  remotos  —  foram  elaboradas  sobretudo 
por  iniciativa  do  caçador  António  Francisco  de 
Aguiar  e  Castro.  Leis  porém  que  caíram  em  de- 
suso e  foram  mais  tarde  riscadas  do  Código  de  Posturas 
do  município.  Em  1888  José  Leite  da  Costa  Sobri- 
nho requereu  à  Câmara  que  se  confecionasse  uma  lei 
especialmente  sôbre  a  matança  de  perdizes  e  codornas 
no  tempo  da  procriação,  nada  consegTiindo  porém.  O 
Clube  de  Caça  e  Pesca  alguns  anos  depois  —  foi  funda- 
do em  1896  —  voltou  a  se  preocupar  com  êsse  proble- 
ma"".  A  pesca  fornecia  também  produtos  para  a  alimen- 
tação, mas  antes  que  alguns  imigrantes  italianos  organi- 
zassem o  comércio  de  peixe  de  mar  e  camarão  e  a  sua 
distribuição  na  cidade,  não  era  fácil  o  seu  consumo. 
Havia  estudantes  da  Academia  —  como  revelou  Va- 
lentim Magalhães  evocando  seu  tempo  de  académico 
(1877-1878)  —  que  viajavam  às  vezes  até  Santos 


^  Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LX,  pág.  83. 
Prospecto  da  Companhia  Carris  de  Ferro  (1883). 

^  Henrique  Raffard,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rev. 
do  Inst.  Hist.,  Geog.  e  Etnog.  Brasileiro,  vol.  LV,  II,  pág.  159. 

"  José  Leite  da  Costa  Sobrinho,  "Caça  e  Pesca",  Alma- 
naque Paulista  Ilustrado  para  1896,  pág.  57. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    rATTEO  1111 


para  poderem  salx)rear  uma  peixada".  De  outra 
parte  o  consumo  de  (juitutes  e  petiscos  se  mante\e 
intenso  até  fins  do  século  p.assado.  E\-ocando  o  1886 
paulistano,  Everardo  \'a!im  J\'reira  de  Sousa  se  re- 
feriu ao  grande  número  de  \'endedores  ambulantes 
que  se  postavam  diante  do  Teatro  São  José,  expondo 
l^astéis,  cuscus,  croijuetes,  cubus,  iscas,  pinhões,  pa- 
monhas, castanhas,  mingaus,  mindobis.  ovos  quentes 
e  outras  coisas^  Nessa  éj^oca  também  eram  muito 
apreciadas  as  lambiscarias  —  i)articularmente  as  cha- 
madas "iscas  portuguesas''  —  impro\-isadas  junto  à 
Ponte  Grande,  na  beira  do  rio,  disse  E.  nos  parques 
de  figueiras  velhas  e  coqueiros.  Eram  preparadas 
ali  mesmo  em  fog•areiros^  Ainda  no  mesuK)  quadro 
evocativo  da  Pauliceia  de  há  quase  setenta  anos  fêz 
referência  Pereira  de  Sousa  às  refeições  das  famílias 
paulistanas  —  por  certo  as  mais  abastadas  - — •  com 
detalhes  que  não  deixam  de  ser  interessantes  sobretudo 
em  confronto  com  os  dados  i^or  Almeida  Nogueira 
em  relação  a  meados  do  mesmo  século:  às  sete,  café 
com  leite,  bolos  e  biscoitos ;  às  nove,  almoço,  e  ao 
meio  dia,  novo  café;  às  duas,  frutas,  quase  sempre 
do  próprio  quintal:  às  quatro,  jantar:  às  oito,  genuíno 
chá  inglês,  acompanhado  de  novas  guloseimias  ainda 
quentes,  feitas  em  casa  mesmo  pelas  quítuteiras'"*'. 

Em  relação  às  frutas,  sabe-se  que  a  partir  dessa 
época  as  terras  da  Casa  A^erde  se  distinguiram,  dentro 
do  município  paulistano,  como  pioneiras  da  nova  ex- 
perimentação de  frutas  européias  e  orientais.  Ao  lado 
do  médico  Luís  Pereira  Barreto  e  de  Dona  A^eridiana 


Valentim  Magalhães,  Horas  Alcijrcs,  pág.  213. 
^    Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "A  Paiilicéia  Ha 
Sessenta  Anos",  Revista  do  Arquivo  Municipal,  CXI,  pág.  63. 
^    Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  pág.  62. 

Everardo  \'alini  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  pág.  62. 


1112 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


Prado,  John  Maxwell  Rnclge  conseguiu  resultados  apre- 
ciáveis na  experimentação  de  pêssegos,  ameixas,  caquis 
e  outras  frutas  —  baseando-se  nesses  trabalhos  a 
implantação  da  uva  branca  em  São  Paulo^\  Raffard, 
em  1890,  disse  que  se  regalou  na  cidade  com  uvas  de- 
liciosas de  Santana,  do  Ipiranga  e  de  outros  arrabal- 
des^\  Sabe-se  qae  nessa  época  o  chá  ou  o  café,  quando 
servidos  em  casa  de  residência,  eram  muitas  vêzes 
acompanhados  de  pinhão  cozido  ou  de  milho  verde,  no 
tempo  da  colheita  desses  produtos^ ^  O  leite  e  a  man- 
teiga fresca,  por  outro  lado,  já  eram  entregues,  em 
1890,  nas  casas  dos  consumidores,  pelos  carros  da 
Coachman's  Creamery  ^^ 

Mas  é  preciso  registrar  ainda  uma  outra  feição 
da  alimentação  do  morador  de  São  Paulo  a  partir 
do  último  quartel  do  século  passado:  aquela  influen- 
ciada diretamente  pelo  elemento  italiano.  Com  a  fi- 
xação de  peninsulares  em  número  considerá\el  em 
São  Paulo,  desenvolveram-se  muitas  indústrias  ali- 
mentícias. E  alguns  temperos,  a  maneira  de  pre- 
parar certos  alimentos  e  ainda  a  preferência  por  outros 
—  característicos  da  cozinha  italiana  —  se  incorpo- 
raram definitivamente  ao  padrão  alimentar  da  cidade. 
Não  sem  que  houvesse  incompreensões  e  resistência. 
Quando  um  italiano  tentou  introduzir  em  São  Paulo 
o  queijo  gorgonzola  —  aproximadamente  em  1888 
— -  ocorreu  um  episódio  curioso  contado  por  Antô- 
nio Piccarolo:  um  inspetor  da  alfândega  de  Santos 
atirou  o  produto  aos  peixes,  achando  que  o  seu  cheiro 


"  Aureliano  Leite,  Pequena  História  da  Casa  VeiJe, 
págs.  77-78. 

^2    Henrique  Raffard,  op.  cit. 

Afonso  José  de  Carvalho,  São  Paulo  Antigo,  pág.  51. 
^'^    Henrique  Raffard,  op.  cit. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1115 

característico  era  indício  de  putrefação^-l  Mas  aos 
poucos  êsse  e  outros  produtos  italianos  ■ — •  e  sobretudo 
a  sua  maneira  de  ]--reparar  alonns  alimentos  —  tor- 
naram-se  familiares  aos  moradores  da  cidade  de  São 
Paulo.  Jantando  em  1905  em  um  restaurante  paulis- 
tano observou  o  viajante  portu»"uês  Sousa  Pinto  que 
lhe  serviam  minestra  e  risotto.  "É  a  Itália,  escre- 
veu êle,  não  há  que  ver,  a  Itália  com  arroz  de  açafrão 
e  queijo  ralado"^".  Por  outro  lado,  entre  os  g-êneros 
alimentícios  vendidos  à  população  em  1907,  Gina  Lom- 
broso  notou  montanhas  de  caixas  de  tomate  siciliano 
e  de  massas -napolitanas"^'^.  E  o  italiano  Bertarelli, 
em  seu  livro  sôbre  o  sul  do  Brasil  escreveu  —  com 
ou  sem  fundamento  —  que  o  imi.çrante  peninsular 
introduziu  ou  vulgarizou  em  São  Paulo  o  pepino,  o 
espargo,  o  tomate  e  o  melão^^. 

A  propósito  de  bebidas  deve-se  recordar  que  em 
1875  T.  Floriano  de  Godói  escrevia  que  nos  arredores 
de  São  Paulo  se  cultivava  a  vinha,  que  produzia 
muitos  litros  de  vinho^^.  E  que  muita  gente  havia 
passado  a  se  dedicar  à  indústria  de  que  Xavier  Pi- 
nheiro fôra  o  precursor  no  oitocentismo.  Entre  êsses 
cultivadores,  Joaquim  Marcelino  da  Silva  (Califórnia), 
que  começou  suas  culturas  em  1868,  produzindo  logo 
depois  cinquenta  pipas  por  ano  no  sítio  aue  tinha  na 
Penha;  Antônio  da  Rocha  Leão;  João  Bohemer,  no 

15  A  Piccarolo,  Um  Pioneiro  das  Relações  Ifaío-Brasi- 
leiras,  pág^.  56. 

Sousa  Pinto,  Terra  Moça  —  Impressões  Brasileiras, 
pág.  335. 

"  Gina  Lontbroso  Ferrero,  Neil' America  Meridionale, 
pág.  34. 

Ernesto  Bertarelli,  //  Brasile  Meridionale,  pág.  56. 
Joaquim  Floriano  de  Godói,  A  Província  de  São  Paulo, 

pág.  23. 


15 


1116 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Belenzinho,  que  em  1873  produzia  doze  pipas;  Inácio 
José  de  Araujo,  cora  parreiral  enorme  em  sua  chácara 
da  avenida  Rangel  Pestana  esquina  do  largo  da  Con- 
córdia, começando  em  1860  e  com  possibilidade  de 
fabricar  de  oitenta  a  cem  pipas  de  vinho;  o  dentista 
norte-americano  Horácio  Tower  Fogg,  com  chácara  no 
bairro  do  Pari  e  que  publicou  no  Correio  Paulistano  um 
trabalho  sóbre  a  cultura  da  vinha;  e  o  conselheiro 
Carrão^*^.  Êste  se  entusiasmava  tanto  com  os  seus 
parreirais  das  margens  do  Aricanduva  que  não  queria 
saber  de  outra  vida,  esquecendo-se  repetidamente  de 
suas  obrigações  de  professor  da  Academia  de  Direito"^. 
Ao  lado  do  vinho  nacional  entretanto  vulgarizou- se 
nos  últimos  vinte  e  cinco  anos  do  século  passado  o 
consumo  de  vinhos  finos  estrangeiros.  Sabe-se  que 
ainda  em  1850  quem  quisesse  dar  festas  precisava  man- 
dar buscar  vinhos  caros  em  Santos  ou  mesmo  na 
Côrte.  Já  depois  de  1880  eram  comuns,  nos  hotéis 
e  restaurantes,  os  vinhos  portugueses,  espanhóis,  fran- 
ceses, alemães,  italianos  e  húngaros^^.  Vinho  hún- 
garo que  se  encontrava  sobretudo  na  famosa  Sereia 
Paulista,  de  Fischer  —  casa  de  banhos  e  restaurante 
—  e  que  ficou  célebre.  Embora  a  maledicência  popu- 
lar —  segundo  Afonso  A.  de  Freitas  —  afirmasse  que 
êle  era  simplesmente  trazido  de  Tietê^^.  Mas  a  ver- 
dade é  que  nos  anúncios  publicados  pelos  almanaques 
de  Seckler  —  no  período  de  1885  a  1888  —  apareciam, 

20  Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  67,  Nuto 
Santana,  São  Paulo  Histórico,  II,  págs.  42-43,  e  Anexos  ao 
Almanach  da  Província  de  São  Paulo  para  1873,  págs.  80-81. 

Spencer  Vampré,  Memórias  para  a  História  da  Acade- 
mia de  São  Paulo,  I,  pág.  354. 

22  Június,  Em  São  Paulo  —  Notas  de  Viagem,  pág.  58. 

23  Afonso  A.  de  Freitas,  Tradições  e  Reminiscências  Pau- 
listanas, pág.  20. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1117 


além  dos  vinhos  do  Pôrto,  os  vinhos  do  Reno  — 
"vins  du  Rhin",  como  dizia  um  importador  —  e  os 
".c^rands  vins  de  Champagne"^*. 

Nessa  época  já  eram  também  comuns  as  cerve- 
jas finas  de  procedência  alemã,  acondicionadas  em 
garrafas  bojudas  e  vistosas,  com  arrolhamento  encas- 
toado e  feito  de  fino  arame^'\  A  cerveja  Baviera 
Hofbrau,  a  Carlsberg,  a  Franziskaner  de  Munich  e  a 
Baviera  Giesinger  Brauhaus  de  Munchen,  cada  uma 
delas  tinha  o  seu  importador  exclusivo  na  cidade^^. 
Mas  havia  também  outros  tipos  de  cerveja,  fabrica- 
dos na  cidade  em  geral  por  alemães.  Henrique  Stu- 
pakoff  foi  o  fundador  da  Cervejaria  Bavaria,  pre- 
cursora da  Antártica.  Bohemer  fundara  outra  no 
Marco  da  Meia  Légua.  E  Pedro  Kauer  montou  a 
sua  no  Lavapés.  Em  1877  apareceram  as  Stadt  Bern, 
com  chopes,  boliches  e  caramanchões.  Custava  então 
o  copo  de  cerveja  nacional  cento  e  sessenta  réis.  E 
duzentos  réis  o  quilo  de  gelo,  que  vinha  da  Noruega 
em  barricas  de  frutas^^.  É  claro  que  ao  lado  do 
vinho  e  da  cerveja,  do  chope  e  da  velha  aguardente, 
outras  bebidas  eram  consumidas  na  época.  Nos  pri- 
mórdios da  República,  os  quiosques  se  encarregavam 
também  da  venda  de  vinho,  de  cerveja,  de  conhaque,  de 
caninha.  E  ainda  de  vários  refrescos  preparados  com 
xarope.    Entre  êles  a  groselha  e  o  capilé^^. 

O  sistema  de  abastecimento  de  água  sofreu  mo- 
dificações profundas  nessa  fase  da  história  paulista- 

Ahnanach  da  Província  de  São  Paulo,  1888,  pá^^s.  89, 

93,  94. 

25  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  pág.  62. 

26  Almanach  da  Província  de  São  Paulo,  1886,  págs.  7, 
29  e  37,  e  1888,  pág.  113. 

2''  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  pág.  61. 
28    Cássio  Mota,  Cesário  Mota  e  seu  Tempo,  págs.  20-21. 


1118 


ERNÂNI      S  I  r.  \'  A      B  K  U  N  O 


na,  depois  cie  algumas  tentativas  inúteis  no  sentido 
de  apenas  melhorar  o  aparelhamento  tradicional.  De 
1872  conhece-se  um  ofício  do  inspetor  geral  das 
obras  públicas,  remetendo  à  Câmara  um  orçamento 
para  a  canalização  de  água  potável  para  o  pátio  do 
Colégio,  onde  se  faria  um  chafariz  piramidal  com  três 
torneiras,  e  rua  do  Comércio  até  o  largo  de  São  Bento, 
onde  seriam  colocadas  sete  torneiras  em  lugares  apro- 
priados^^. No  ano  seguinte  foi  aprovada  a  indicação 
de  um  vereador  para  que  fôsse  construído  no  largo 
de  São  Gonçalo  um  chafariz  com  uma  caixa  contendo 
duas  torneiras  e  ramificando  a  água  pelos  pontos  mais 
convenientes  da  cidade  por  meio  de  seis  torneiras  que 
seriam  colocadas  do  seguinte  modo :  uma  nos  Quatro 
Cantos,  outra  no  largo  de  São  Francisco,  outra  no 
do  Carmo,  outra  no  do  Rosário,  outra  no  de  São 
Bento  e  outra  na  rua  de  .São  José^^.  Entretanto,  em 
1874  e  1875  São  Paulo  teve  apenas  mais  dois  chafa- 
rizes :  o  do  largo  do  Rosário,  construído  pelo  enge- 
nheiro-major  Henrique  Luís  de  Azevedo  Marques, 
e  que  foi  denominado  Sete  de  Setembro;  e  o  do  largo 
do  Carmo,  que  teve  o  nome  de  Chafariz  Vinte  e 
Cinco  de  Janeiro^\  Mas  havia  necessidade  de  con- 
serto nas  torneiras  do  chafariz  do  largo  do  Pais- 
sandú^^,  e  o  fiscal  da  freguesia  da  Consolação  trans- 
mitia à  Câmara  a  queixa  de  moradores  do  bairro: 


29  Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LVIII, 
pág.  141. 

Atas  da  Cântara  Municipal  de  São  Paulo,  LIX,  pág. 

179. 

^1    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  págs.  83,  147. 
•^2    Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo.  LX,  pág. 

145. 


HISTÓRIA    K    TRADIÇÕES    DA    CíDAnK    DF,    SÃO    PAHf.O  1121 


lavavam  roupa  na  chácara  do  doutor  Alartinho  Prado, 
junto  do  Tanque  Reuno,  correndo  água  suja  de  sabão 
para  o  tanque  e  para  os  chafarizes  da  Luz  e  do  Piques^^ 
Chafarizes,  estes  dois,  que  já  em  1876  estavam  des- 
mantelados. Além  do  mais,  todos  os  chafarizes  reu- 
nidos, e  ainda  as  bicas  do  Baixo,  do  Gaio,  dos  In- 
gleses e  do  Aforinguinho,  não  forneciam  toda  a  água 
necessária  para  abastecer  a  cidade.  A  restante  era 
tirada  ainda  nessa  época  de  poços  abertos  nas  mar- 
gens do  Tamanduateí  e  do  Lavapés,  e  vendida  em 
pipas  ambulantes,  pelas  ruas^"*.  Os  aguadeiros,  no 
momento  de  venderem  a  água,  deixavam  um  barril- 
zinho  debaixo  da  torneira  da  carroça  e  enquanto  êle 
se  enchia  lentamente,  despejavam  outro  no  interior 
da  casa  —  traçando  a  carvão  na  parede,  cada  dia, 
um  risco  por  vazilha  fornecida,  para  cobrança  no 
fim  do  mês^^.  Alguns  italianos  foram  nessa  época 
substituindo  os  aguadeiros  portugueses^^  Mas  a  po- 
pulação continuava  se  queixando  da  falta  de  água. 
"Há  graves  queixas  da  população  —  dizia  em  1875 
o  jornal  A  Província  de  São  Paulo  — ■  e  muito  justas 
a  respeito  de  água  e  chafarizes.  Êstes,  seja  qual 
fôr  o  motivo,  não  fornecem  água  suficiente,  e  nestes 
últimos  dias  estão  a  meia  ração:  são  abertos  ao  pú- 
blico somente  em  certos  dias,  e  nesses  durante  curtís- 
simo prazo"^^  No  ano  seguinte  apareciam  os  versos 
de  Luís  Gama,  publicados  em  O  Polichinelo  e  dirigidos 
aos  ''senhores  do  governo": 


Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LX,  pág.  41. 
^*    Afonso  A.  de  Freitas,  op.  cit.,  págs.  25-26. 

Afonso  José  de  Carvalho,  op.  cit.,  pág.  62. 
■'^    Henrique  Raffard,  op.  cit. 

A  Província  de  São  Paulo  de  11  de  agosto  de  1875. 


1122 


ERNÂNI      S  I  L  \'  A      ]?  K  U  N  O 


Mandai  guardar  a  chuva  que  Deus  dá 

cm  vastos  caldeirões 
para  pô-la  depois  nos  chafarizes; 
Senão,  em  vindo  a  seca,  a  maior  parte 

destas  populações 
há  de  atirar  aos  olhos  e  narizes 

de  vossas  excelências 
as  suas  respeitosas  maldições. 

O  problema  do  abastecimento,  que  se  agravava 
com  o  crescimento  da  cidade,  entrou  logo  em  seguida 
em  fase  nova.  Em  1878,  no  então  Alto  da  Consola- 
ção, começaram'  a  ser  feitas  as  obras  da  primeira 
caixa  de  abastecimento  para  o  serviço  a  cargo  da 
Companhia  Cantareira^^.  A  êsse  reservatório  —  cujo 
portão  principal  ainda  existe,  na  Consolação,  em  frente 
da  rua  Piauí  —  três  anos  depois  chegavam  as  águas 
da  Serra  da  Cantareira,  Cabuçu  e  rio  Cotia.  Já  no 
ano  seguinte  elas  estavam  abastecendo  os  chafarizes 
do  Campo  da  Luz  e  dos  largos  de  São  Bento,  dos 
Guaianases,  Sete  de  Abril  (praça  da  República)  e 
do  Pelourinho,  o  deste  viltimo  com  bocas  de  leão  que 
jorravam  de  dia  e  de  noite.  E  em  1883  era  entregue 
à  população  o  uso  do  primeiro  distrito  servido  por 
esgotos  (no  bairro  da  Luz)  sendo  beneficiadas  de 
início  setenta  e  uma  casas^".    Todavia,  ainda  na  épo- 

•'^    Citado  por  Afonso  A.  de  Freitas,  op.  cit.,  pág.  28. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.  II,  pág.  145. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  ÍI,  pág.  147.  No 
Rio  de  Janeiro,  entre  1883  e  1884,  diversas  fontes  de  ferro 
foram  colocadas  nos  largos  do  Depósito,  do  Matadouro,  de  São 
Domingos,  da  Mãe  do  Bispo,  Santa  Rita,  Catete  e  Jóquei  Clube, 
e  em  duas  praças,  ao  mesmo  tempo  que  de  muitos  rios  a  água 
passou  a  ser  recebida  em  canalização  de  ferro.  (Gastão  Cruls, 
Aparência  do  Rio  de  Janeiro,  II,  pág.  371). 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAl-LO  1123 


ca  da  proclamação  da  República  • —  (jiiase  no  fim  do 
século  passado,  portanto  —  os  serviços  de  água  e 
esgotos  não  eram  eficientes,  sendo  muito  poucas  as 
casas  servidas,  embora  pelo  menos  desde  1886  alguns 
estabelecimentos  comerciais  anunciassem  artigos  para 
água:  bombas,  arietes,  depósitos  de  ferro,  canos,  es- 
gotos^\  Os  moradores  cujos  prédios  não  tinham  á- 
gua.  continuavam  sendo  forçados  a  se  abastecer  no., 
chafarizes  públicos  ou  nas  fontes  naturais^^.  E  os 
estudantes  evitavam  até  estabelecer  repúblicas  em  casas 
que  tivessem  banheiro,  com  medo  da  concorrência  ex- 
cessiva dos  colegas'^  Daí  a  importância  que  tinham 
as  casas  de  banho  em  São  Paulo.  Uma  delas,  a 
"Sereia  Paulista"  ou  "Banhos  da  Sereia",  do  húngaro 
Fischer,  no  largo  de  São  Bento,  ficou  famosa  tam- 
bém pelos  seus  bifes  e  pelos  seus  vinhos  estrangeiros, 
pois  era  igualmente  restaurante  e  ponto  de  reunião*''. 
O  Almanaque  Paulista  Ilustrado  para  1896  registra- 
va ainda  três  dessas  casas  de  banho:  a  de  Luís  Cos- 
cotíno,  no  largo  de  São  Bento,  a  de  Evaristo  de  An- 
drade, na  rua  Boa  Vista  e  a  de  Augusto  Pedro  de 
Oliveira,  na  rua  Direita*^. 

Deve-se  considerar  bastante  exagerada  a  afirma- 
tiva de  Koenigswald,  no  seu  álbum  editado  em  1895, 
de  que  existiam  por  tôda  a  cidade  redes  completas 
de  encanamento  de  água  potável  e  de  esgotos,  "não 
se  descurando  a  higiene  pública  de  tudo  o  que  dizia 

Almanach  da  Província  de  São  Paulo,  1886,  anúncioí, 
págs.  48  e  66. 

^'^  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  pág.  64, 
e  Cássio  Mota,  op.  cit.,  pág.  20. 

Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas"  (.1887-1891),  Revista  do  Arquivo  Municipal, 
XCIII,  pág.  112. 

Afonso  A.  de  Freitas,  op.  cit.,  pág.  20. 
■'^    Almanaque  Paulista  Ilustrado  para  1896,  pág.  310. 


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ERNÂNI      SILVA  BRUNC' 


respeito  à  boa  conservação  do  estado  sanitário  da 
cidade"^".  Poucos  anos  antes  —  em  1887  —  o  ins- 
petor  da  higiene  Dr.  Marcos  Arruda  escrevia  no  seu 
relatório:  "Mesmo  na  área  servida  pela  Cantareira 
existem  casas  onde,  receiosos  de  entupir  as  latrinas 
e  porisso  pagarem  trinta  mil  réis  de  multa,  os  proprie- 
tários e  inquilinos  ainda  se  utilizam  das  antigas  cloa- 
cas, que  são  simples  poços  abertos  na  terra,  cobertos 
ou  descobertos,  e  prestando-se  a  tôdas  as  evaporações  e 
filtrações  porque  não  tem  revestimento  algum  imper- 
meável em  suas  paredes"".  E  em  1901,  estudando  as 
indústrias  e  os  bairros  fabris  de  São  Paulo,  Bandeira 
Júnior  mostrava  que  a  rede  de  esgotos  era  pequenís- 
sima. E  que  escasseavam  os  esgotos  e  faltava  água 
para  todos  os  misteres,  particularmente  nas  zonas 
proletárias  da  cidade'*^. 

Da  decadência  dos  chafarizes  paulistanos  foi  bem 
representativo  o  episódio  ocorrido  em  1893.  Para  for- 
çar os  moradores  de  certos  bairros  a  terem  água  em 
suas  casas,  a  Cantareira  mandou  então  demolir,  além 
dos  chafarizes  que  entregara  ao  público  onze  anos 
antes,  aqueles  que  havia  no  largo  do  Carmo  e  no 
do  Rosário.  Quando  derrubavam  êste  último,  mora- 
dores do  lugar  e  outros  populares  se  opuseram  com 
violência,  resistindo  até  que  a  fôrça  policial  entrasse 
em  ação*^  Nesse  mesmo  ano,  como  se  avolumassem 
as  manifestações  de  desagrado  da  população  ao  ser- 
viço de  águas  da  Cantareira,  o  governo  do  Estado 


'^^  Gustavo  Koenigswrí.ld,  São  Paulo  (álbum  de  1895). 
pág.  13. 

'^^  A.  Nogueira  de  Sá,  "Notas  à  Margem  de  um  Relató- 
rio", Revista  do  Arquivo  Municipal,  XXIX,  pág.  78. 

Bandeira  Júnior,  A  Indústria  no  Estado  de  São  Paulo 
em  1901,  pág.  XIV. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  págs.  \A6-\A7. 


HISTÓRIA    K    TKADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃd    PAVLO  1127 

chamou  a  si  o  encargo,  criando-se  então  a  RepartiÇcão 
de  Águas  e  Esgotos.  Nesse  tempo  havia  apenas  duas 
adutoras,  Ipiranga  e  Cantareira,  fornecendo  um  total 
de  seis  milhões  de  htros  por  dia :  a  primeira  se  servia 
de  uma  pequena  represa  na  Água  Funda,  servindo 
as  zonas  de  além-Tamanduateí ;  a  segunda  provinha 
da  serra  da  Cantareira,  despejava  no  reservatório  da 
Consolação  e  abastecia  o  centro  da  cidade^".  Aca- 
bando-se  os  chafarizes  de  São  Paulo  foi  pena  que  não 
se  conservasse  em  museu  —  como  sugeriu  Antônio 
Eg^ídio  Martins  —  pelo  menos  o  do  largo  da  Miseri- 
córdia^\  Em  1886  êle  fôra  transferido  dali  para  o 
largo  de  Santa  Cecília,  onde  permaneceu  até  os  pri- 
meiros anos  do  século  atuaP^  Desmantelado,  man- 
daram suas  peças  para  o  Almoxarifado  Municipal", 
como  pobres  coisas  que  não  representassem  nada  de 
intimamente  ligado  a  uma  grande  porção  do  passado 
da  cidade.  Por  outro  lado  nessa  mesma  época  —  em 
1899  —  o  governo  mandou  fechar  a  caixa  dágua  da 
rua  Quintino  Bocaiúva,  pois  um  exame  procedido  no 
liquido  que  ali  se  depositava  mostrou  que  êle  era  no- 
civo à  saude^^. 

Só  nos  últimos  anos  do  século  dezenove  e  começo 
do  atual  se  ampliou  a  rede  de  distribuição  de  água 
de  maneira  notável.  Em  1898  construiu-se  novo  re- 
servatório, na  Consolação,  com  capacidade  para  de- 
zenove milhões  de  litros.  Em  1903,  contando  cerca 
de  duzentos  e  cinquenta  mil  habitantes,  a  cidade  sofreu 
grave  crise  de  abastecimento  de  ácua  por  causa  de 
uma  estiagem  prolongada.    Em  1907  entrou  em  fun- 

Jornal  de  São  Paulo.  Reportagem. 

Antônio  Eçídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  54. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  3. 
'■^  Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  10. 
^'^    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  7. 


1128 


ERNA^•I     SILVA  BRUNC 


cionamento  o  reservatório  do  Araçá,  e  dois  anos  de- 
pois o  do  Belenzinho,  nianifestando-se  todavia  nova 
crise  em  1910^^  Resolveu-se  então  proceder  à  cap- 
tação das  águas  do  Ribeirão  de  Cotia,  tendo  sido 
a  primeira  parte  dtjsa  adutora  construída  em  1914. 
No  mesmo  ano  foram  feitos  mais  três  reservatórios, 
na  "Avenida",  na  Vila  Mariana  e  na  Água  Branca, 
subindo  o  volume  médio  por  dia  a  cento  e  vinte  mi- 
lhões de  litros,  que  se  reduzia  a  noventa  milhões  em 
ten-npo  de  sêca''®. 


5"    Jornal  de  São  Paulo,  Reportagem. 
Jornal  de  São  Paulo,  Reportagem. 


ir 


"í  'I 


condição  de  me- 
trópole do  cafc, 
consolidada  pela  ci- 
dade de  São  Paulo 
aproxiniadainente  nas 
três  últimas  décadas 
do  oitocentismo  e  nas 
dnas  primeiras  do  sé- 
culo vinte,  se  refletiu 
através  de  traços  par- 
ticularmente sensíveis  na  transformação  e  no  engran- 
«decimento  de  suas  atividades  comerciais  e  industriais. 
O  próprio  comércio  de  ambulantes  se  enriqueceu  desde 
logo  de  várias  modalidades  novas :  ao  lado  das  velhas 
quitandeiras  de  tabuleiros  —  que  o  poder  municipal 
vivia  empurrando  de  um  canto  para  outro,  talvez 
porque  elas  atrapalhassem  cada  vez  mais  o  trânsito, 
que  se  tornava  intenso  —  apareceram  os  vendedores 
-de  jornais,  em.  geral  italianinhos  imigrantes,  que  fo- 
ram também  os  primeiros  engraxates,  enquanto  que 
seus  patrícios  adultos  andavam  pelas  ruas  negociando 


1132 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  Cy 


com  flores,  com  frutas,  com  hortaliças,  com  peixe  e 
camarão  trazidos  do  litoral.  Além  do  velho  mercada 
da  beira  do  Tamanduateí  passou  a  cidade  a  contar  com 
o  mercadinho  de  São  João,  para  verduras,  na  baixa- 
da do  Acu.  Com  o  barracão  do  largo  São  Paulo, 
logo  transformado  em  depósito  de  carne  verde.  Com 
o  do  largo  da  Concórdia,  que  se  tornou  o  mais  elegante 
embora  o  menos  frequentado.  E  a  partir  de  1914,  com 
as  feiras-livres. 

Instalaram.-se  por  outro  lado,  nas  últimas  déca- 
das do  século  passado,  cafés,  bares,  confeitarias  e 
cervejarias  mais  confortáveis  que  os  de  meados  do 
oitocentismo.  Cafés  até  com  "gabinetes  reservados 
para  as  famílias"  e  outros  já  servidos,  no  dizer  de 
um  cronista,  "por  caixeiras  amáveis".  Surgiram 
hotéis  que  estavam  longe  dos  primitivos  em  conforto 
e  mesmo  em  luxo:  sobretudo  o  Grande  Hotel,  em  que 
mais  de  um  visitante  da  cidade  achou  uns  ares  dos 
bons  hotéis  da  Europa.  E  apareceram  e  prolifera- 
ram os  quiosques,  nas  proximidades  das  estações,  das 
pontes,  dos  mercados,  vendendo  um  pouco  de  tudo. 
No  começo  do  século  atual  as  confeitarias  de  luxo 
se  fixaram  sobretudo  no  largo  do  Rosário  e  na  rua 
Quinze  de  Novembro,  enquanto  que  os  hotéis  de 
mais  destaque  se  instalavam  em  edifícios  espaçosos, 
no  Triângulo,  para  corresponderem  de  certo  ao  en- 
riquecimento e  ao  cosmopolitismo  que  começavam  a 
dominar  a  existência  da  cidade. 

As  lojas  do  centro  passaram  a  contar  com  fatores 
de  sucesso  desconhecidos  em  outros  tempos.  Um  ob- 
servador notava  já  em  1882  como  coisa  nova  em  São 
Paulo  o  fato  de  encontrar  senhoras  desacompanha- 
das, olhando  as  vitrinas  e  fazendo  compras  nesses  ma- 
gazines do  Triângulo  que  lembravam  os  da  Corte 
pela  sua  elegância.    As  casas  importadoras  sobretudo 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    VAVl.O  1133 


se  multiplicaram  notavelmente.  Principalmente  im- 
tadoras  rle  má(|uinas  [.ara  a  lavoura,  o  que  é  bem 
sigTiificativo  dessa  fase  em  que  o  progresso  urbano 
era  um  reflexo,  acima  de  tudo,  da  abastança  dos  fa- 
zendeiros. 

Particularmente  sensível  foi  todavia  o  desenvol- 
vimento da  indústria,  quase  inexistente  durante  o 
período  em  que  a  capital  da  província  fôra  mais 
marcadamente  um  burgo  de  estudantes  e  um  centro  de 
movimentos  intelectuais.  Estabeleceram-se  as  primei- 
ras grandes  fábricas  de  tecidos,  multiplicaram-se  as 
indústrias  de  chapéus,  as  serralherias  e  as  fundições, 
localizando-se  de  início  quase  sempre  para  os  lados 
da  estação  da  Inglesa.  Na  penúltima  década  do  oito- 
centismo  tomou  impulso  notável  a  indústria  de  má- 
quinas para  benefício  de  café  e  de  outros  instrumentos 
agrícolas.  Perturbações  financeiras  ocorridas  nos 
últimos  anos  do  século  passado  fizeram  com  que  muitas 
dessas  indústrias  paulistanas  desaparecessem.  A  par- 
tir de  1900,  porém,  reatou-se  o  impulso  fabril,  criando- 
se  novas  fábricas  e  modernizando-se  muitas  das  anti- 
gas. Essa  expansão  teria  ainda  um  fator  de  muita 
significação  na  primeira  Grande  Guerra,  em  vista  da 
crise  determinada  na  produção  industrial  da  Europa 
e  nos  transportes  marítimos.  Foi  também  a  g"uerra 
de  1914-1918  que  contribuiu  para  firmar  a  função 
industrial  como  característica  de  alguns  subúrbios 
paulistanos. 

O  mercado  velho  de  São  Paulo,  construído  em 
1867,  tinha  em  1873  trinta  e  três  quartos,  sendo  nove 
habitados,  um  pelo  administrador,  um  pelo  servente 
e  sete  por  locatários :  quatro  mulheres  e  três  homens^. 


*  Anexos  ao  Almanach  da  Província  de  São  Paulo  para 
1873,  pág.  123. 


1134 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


Mas  impressionava  mal.  Koseritz,  visitando  a  cidade 
€m  1883,  escrevia:  "Faz  muita  falta  ao  rico  São 
Paulo  um  mercado  conveniente,  porque  o  que  existe 
são  uns  telheiros  baixos,  nas  proximidades  da  Ilha 
dos  Amores,  em  uma  praça  onde  as  vendedoras  ofe- 
recem ao  ar  livre  as  suas  mercadorias"".  Mesmo 
depois  que  êsse  mercado  fôra  construído,  porém,  con- 
tinuaram algumas  quitandas  a  funcionar  na  rua  das 
Casinhas,  uma  das  quitandeiras  que  ali  permanece- 
ram tendo  sido  Madame  Bresser,  dona  de  uma  grande 
chácara  no  Brás.  Em  outras  das  velhas  casinhas  os 
legumes  e  verduras  continuavam  espalhados  pelos  cor- 
redores. E  algumas  dessas  edificações  foram  ainda 
alugadas  para  taverneiros  ou  para  açoug"ueiros'. 

Mas  a  localização  das  quitandeiras  avulsas  con- 
tinuou dando  trabalho  à  Câmara.  Em  1873  destacava- 
se  como  uma  das  necessidades  mais  urgentes  da  cidade 
uma  praça  para  verduras,  na  travessa  do  Palácio*. 
Em  1876  a  numicipalidade  negou  um  pedido  das  Pretas 
de  Nação,  quitandeiras  de  verduras,  que  queriam  se 
transferir  do  largo  do  Carmo  para  o  pátio  do  Colé- 
gio, lugar  mais  concorrido  e  onde  podiam  vender  com 
mais  facilidade  as  suas  mercadorias.  A  Câmara 
achou  que  elas  deviam  ficar  era  mesmo  nos  largos 
do  Carmo  e  de  São  Bento^  No  ano  seguinte  porém 
a  própria  Câmara  resolveu  que  se  mudassem  para  a 


2    Carl  Von  Koseritz,  Imagens  do  Brasil,  pág.  258. 

^    Antônio  Egídio  Martins,  São  Paulo  Antigo.  I,  pág.  149. 

"*    Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LIX,  pág.  46. 

5  Nuto  Santana,  São  Paulo  Histórico,  IV,  pág.  118.  Cla- 
ro que  não  se  deve  interpretar  essa  medida  do  poder  municipal 
como  envolvendo  qualquer  reminiscência  da  distinção  medieval 
das  praças  das  cidades  em  civis,  comerciais  e  religiosas,  pois 
em  São  Paulo,  desde  os  tempos  primitivos,  os  largos  e  as 
praças  haviam  se  desenhado  indiferentemente  em  tôrno  das 
Igrejas. 


156  —  Igreja  e  largõ  do  Rosário  no  começo  do  século  Ltual,  cixua  em 
que  na  futura  praça  Antônio  Prado  se  localizavam  as  confeitarias  de  luxo 
da  cidade. 

(Arquivo  do  Departamento  de  Cultura). 


HISTÓRIA    I-:    TRADIÇÕES    DA    CIUADi.;    DE    SÃ(l    PAVIO  1137 

praça  do  Mercado  ou  para  o  pátio  do  Colégio  as 
quitandeiras  e  os  carroceiros  que  vendiam  as  suas 
mercadorias  estacionad(_)s  na  rua  do  Palácio  (do  Te- 
souro) entre  as  ruas  da  Imperatriz  e  do  Comércio 
(Álvares  P'enteado )  pois  neste  lugar  êles  se  tornavam 
inconvenientes  e  atrapalhavam  o  trânsito".  Talvez 
medidas  que  além  de  inspiradas  pelas  conveniências 
do  trânsito  fossem  em  parte  ditadas  [)or  motivos  ben: 
■dizer  estéticos.  Evocando  São  Paulo  do  século  pas- 
sado escreveu  Cerqueira  Mendes.  "Na  rua  das  Sete 
Casinhas  e  no  beco  dos  Minas,  caipiras  e  pretas  afri- 
canas, com  insistências  interesseiras,  apregoavam  ver- 
duras, frutas  e  gulodices,  e  saúvas  torradas,  e  isso  com 
grande  mágoa  de  Jules  Martin,  que  preferia  escra- 
vizá-las e  vesti-las  pelos  figurinos  de  sua  imaginação 
delicada .  .  . 

Foi  nessa  época  • —  1876  —  que  se  inaugurou 
tamlbém  a  venda  avulsa  de  jornais  pelas  ruas.  Com 
uma  touca  branca  na  cabeça  e  utilizando-se  de  uma 
iDuzina  para  chamar  a  atenção  do  povo,  o  francês 
Bernard  Gregoire  começou  a  vender  naquele  ano  A  Pro- 
víncia dc  São  Paulo.  Já  tinha  feito  o  mesmo  serviço 
para  o  Petit  Journal  de  Paris  e  a  Ga::eta  de  Notíeias 
do  Rio  de  Janeiro^  Um  ano  antes  já  um  negro  norte- 
americano  que  tinha  banca  de  engraxate  no  largo  do 
Rosário  vendia  aos  seus  fregueses  um  ou  outro  mi- 
mero  da  revista  literária  Astréia^.  Em  1890  os  jor- 
naleiros já  eram  em  sua  maioria  italianinhos.  Era 

^  Atas  da  Câmara  Municipal  dc  São  Paulo.  LXIII, 
pág.  58. 

Artur  de  Cerqueira  Mendes,  Figuras  Antigas,  1.^  série, 
págs.  17-18. 

^    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  132. 
^    Valério  Sálvio,  "  A  Província  de  São  Paulo",  O  Estado 
dc  São  Paulo  de  4  de  janeiro  de  1946. 


1138 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


realmente  divertido  —  escreveu  Raffard  —  ver  sair 
das  tipografias  êsses  "bambini"  que  haviam  mono- 
polizado a  venda  de  jornais,  cujos  títulos  apregoavam 
com  pronúncia  fortemente  italianizada".  Nesse  tem- 
po ou  antes  um  pouco  aíiás  haviam  surgido  os  pri- 
meiros engraxates  ambulantes :  menores  italianos  imi- 
grantes que  percorriam  as  estações  da  estrada  de  ferro 
e  as  ruas  e  os  largos  da  cidade.  Tinham  em  geral 
de  dez  a  catorze  anos  de  idade  e  recebiam  pelo  seu  servi- 
ço três  vinténs.  Êsses  meninos,  que  eram  em  número 
diminuto  —  segamdo  as  notas  de  Antônio  Egídio 
Martins  ■ —  percorriam  todos  os  dias  quase  todos  os 
largos  e  ruas  de  São  Paulo.  Alguns  anos  depois  o 
serviço  passou  a  ser  feito  também  por  italianos  adul- 
tos que  gritavam  —  segundo  aquéle  cronista  —  "In- 
graxatorie!"  Ou  então  cantavam  assim:  "Ingraxa- 
te,  ingraxate,  la  mode  de  Parisi,  que  seje  de  inver- 
nize,  que  seje  de  cordovone"".  Muitos  dêles  de  cer- 
to imigrantes  que  chegando  à  cidade  se  recusavam  a 
seguir  para  as  fazendas  —  fato  que  era  deplorado' 
em  fins  do  século  passado  nos  relatórios  de  secretá- 
rios da  Agricultura^^  Em  1890  já  havia  na  cidade 
cadeiras  de  engraxates  abrigadas  por  enormes  guar- 
da-sóis,  onde  os  fregueses  podiam  ler  comodamente  o 
seu  jornal^^. 

Com  o  desenvolvimento  da  corrente  imigratória 
os  ambulantes  italianos  apareceram  também  em  quan- 
tidade notável  pelas  ruas  paulistanas.  Vendiam  flo- 
res, frutas,  hortaliças,  peixe  fresco  e  camarão.  O 

^°  Henrique  Raffard,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rev. 
do  Inst.  Hist.,  Geog.  e  Etnog.  Brasileiro,  vol.  LV,  II,  pág.  159. 

"    .Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  124. 

Citado  por  Pierre  Denis,  O  Brasil  no  Século  XX,. 
págs.  170-171. 

1^    Henrique  Raffard,  op.  cit. 


HISTORTA    K    TRADIÇÕES    DA    CJDADE    DE    SÃO    PAULO  1I3'> 


peixe  e  o  camarão  êles  iam  buscar  em  Santos,  entre- 
gando a  mercadoria  ao  consumo  logo  que  chegava  o 
trem.  Deveu-se  mesmo  a  êles  o  desenvolvimento 
dêsse  pequeno  comercio".  As  próprias  italianas  às 
vezes  conduziam  carros  com  carvão  ou  com  outros 
géneros,  que  ofereciam  nas  casas  particulares^^  Já 
havendo  até,  em  1891,  uma  empresa,  com  sede  na  rua 
da  Boa  Vista,  de  Lavagem  de  Casas  e  Carregadores 
Ambulantes.  Todavia  os  mercadores  de  tabuleiro 
eram  muitos  ainda  em  18(S6.  Em  frente  do  Teatro 
São  José  —  observou  Everardo  Valim  Peieira  de 
Sousa  —  formava-se  uma  fileira  de  tabuleiros,  mesi- 
nhas, baús  de  folha,  panelas,  caldeirões,  grelhas  e 
frigideiras.  E  entre  os  pregoeiros  eram  comuns  mo- 
leques que  vendiam  roletes  de  caianinhas  do  Ó  em 
tabuleiros  em  cujas  bordas,  com  uma  batutinha,  re- 
pinicavam  toques  de  ritmos  bem  ainctinos.  Nas  noites 
quentes  aparecia  o  mulatão  Malaquias,  mn  liberto 
que  cantava  assim : 

SorvetinJw,  sorvcfão 
Sorvctinho  de  limão; 
Quem  não  tem  200  réis 
Não  toma  sorvete,  não. 
Sorvete,  meus  branco, 
Fras  goela  refresca 
E  as  paqiicra  retcmperá. 

Em  suas  evocações  dessa  época  E.  Y.  Pereira  de 
Sousa  falou  também  dos  grupos  de  quatro  ou  seis 
negros  —  carregadores  de  piano  —  que  faziam  ponto 
perto  da  caixa  dágua  e  que  transportavam  suas  cargas 
acertando  o  ritmo  dos  passos  pelo  som  de  um  maracá 

Június,  Em. São  Paulo  —  Notas  de  J^iagem.  pág.  55. 
Henrique  Raffard,  op.  cit. 
16    Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "A  Paulicéia  Há 
Sessenta  Anos",  Revista  do  Arcjuivo  Municipal,  CXI,  pág.  63. 


1140 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  C 


chacoalhado  pelo  maioral,  entoando  restos  de  canti- 
_g-as  angolesas^'.  Viam-se  ainda  pelas  ruas  algumas 
figuras  de  ambulantes  vendendo  iDalas  em)  uma  ban- 
deja sustentada  por  uma  correia  de  couro  passada 
pelo  pescoço.  Ou  o  vendedor  de  garapa  e  de  cana 
descascada  —  escreveu  Cássio  Mota  —  guiando  uma 
•carrocinha  fechada,  puxada  por  burro,  dentro  da  qual 
havia  um  pequeno  engenho  movido  a  mão^^. 

As  feiras  de  madeiras,  essas  se  fa-ziam  em  1877 
110  Bexiga  e  no  largo  da  Liberdade-''®.  Às  sextas- 
feiras  e  aos  sábados  era  porisso  uma  inferneira  — 
«egundo  a  evocação  de  Valentim  Magalhães,  então 
estudante  em  São  Paulo  —  a  rua  de  Santo  Amaro. 
Desde  cedo  se  ouvia  o  barulho  dos  carretões  sobre- 
carregados de  lenha  e  de  tábuas  que  os  caipiras  de 
Santo  Amaro  e  de  outros  lugares  transportavam  para 
a  feira  do  Bexiga^".  Acudiam  nessas  ocasiões  à  ci- 
dade cerca  de  trezentos  carros  de  boi,  conduzindo  ma- 
deira, enquanto  outros  carregavam,  também  de  Santo 
Amaro  e  de  Itapecerica,  lenha  e  pedra  de  cantaria^^. 
Mais  tarde  —  quase  em  fins  do  século  passado  — 
essas  feiras  passaram  a  ser  feitas  no  Alto  do  Paraíso. 
A  madeira  serrada  vinha  ainda  de  Santo  Amaro, 
«endo  vendida  a  construtores  de  casas  e  fabricantes  de 
móveis^^. 

As  quitandas  é  que  nos  últimos  anos  do  oitocen- 
tismo  foram  se  afastando  aos  poucos  do  centro  da 

^7    Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  pág.  65. 

Cássio  Mota,  Cesário  Afofa  c  seu  Tempo,  pág.  24. 
"    Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LXIII,  pá?, 
^7.  ^  ^ 

20  Valentim  Magalhães,  Quadros  e  Contos,  pág.  215. 

21  Prospecto  da  Companhia  Carris  de  Ferro  {1883). 

22  Pedro  Luís  Pereira  de  Sousa,  "No  Tempo  do  Veló- 
<lromo",  O  Estado  de  São  Paulo  de  27  de  Agosto  de  1950. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PATLO  11-13 


cidade.  Quase  umas  reminiscências  das  antigas  eran\ 
por  certo  as  que  existiam  na  rua  Quintino  Bocaiúva, 
na  época  da  proclamação  da  República,  se.^undo  as 
notas  de  Alexandre  Haas  citadas  por  Nuto  Santana : 
uma,  dos  pretos  velhos  Adão  e  Luiza,  que  vendiam 
cocada  preta  e  i)é-de-moleque ;  outra,  do  preto-mina 
Vicente,  que  passawa  o  dia  todo  sentado  na  porta  de 
sua  venda  com  um  fino  gorro  turco  na  cabeça-^ 
Também  umas  quase  reminiscências  das  velhas  qui- 
tandas e  dos  velhos  tabuleiros  foram  os  botequins  da 
avenida  São  João,  ao  lado  do  Teatro  Pbliteama,  com 
os  seus  fogareiros  de  lata  de  querosene  na  porta, 
assando  castanhas^*. 

Da  época  da  proclamação  da  República  data  a 
construção  do  mercadinho  de  São  João,  todo  edifi- 
cado de  ferro  batido  em  um  local  onde  antes  havia 
apenas  arbustos,  coqueiros  e  bambuais :  a  baixada  do 
Acu.  Só  então  portanto  se  tornava  realidade  um 
-empreendimento  que  alguns  negociantes  tinham  pen- 
sado em  realizar  já  em  1873,  quando  requeriam  à 
Câmara  privilégio  para  construir  nos  lugares  que  mais 
-conviessem  à  comodidade  pública  praças  de  mercado  de 
ferro  fundido  semelhantes  às  que  existiam  na  Côrte"^ 
O  de  São  João  era  um  mercado  de  verduras  —  no 
dizer  de  José  Jacinto  Ribeiro  —  inaugurado  em  1890 
■em  edifício  asseiado,  bastante  claro  e  com  quartos  espa- 
çosos e  arejados"®.  Foi  mais  tarde  transferido  — 
quando  se  abriu  a  avenida  São  João  —  para  a  rua 
Anhangabaú,  debaixo  do  viaduto  de  Santa  Ifigênia, 
-destinando-se  ainda  principalmente  à  venda  de  verduras 

Nuto  Santana,  o]\  cit..  V.  páss.  73-74. 
Cícero  Marques,  De  Pastora  a  Rainha,  pág.  85. 
2^    Atas  da 'Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LIX,  pág. 

105. 

2^    José  Jacinto  Ribeiro,  Cronologia  Paulista,  I,  pág.  600. 


1144 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


e  de  frutas-'.    Desde  o  ano  eni  que  se  inaugurou  o 
mercadinho  do  Acu  deixou  de  se  realizar  na  rua  das 
Casinhas  a  venda  de  verduras  e  de  legumes,  de  frutas, 
de  leite,  de  aves  e  de  ovos^^    Mas  perto  da  ilhota  dos 
Amores  existia  ainda  em  1890  o  antigo  mercado,  cujo 
pátio  era  em  parte  ocupado  pelas  barraquinhas  de 
vendedores  de  legumes.     Pelas  onze  horas  os  caipiras 
que  vinham  dos  arredores  com  seus  burrinhos  car- 
regados ainda  eram  vistos  ali,  alguns  no  entanto 
preferindo  oferecer  seus  géneros  de  porta  em  porta^^ 
Ainda  em  fins  do  século  passado  se  construiu  no 
largo  São  Paulo  um  grande  barracão  destinado  a 
princípio  para  mercado,  mas  logo  em  seguida  trans- 
formado em  depósito  de  carne  verde^".    E  outro  — 
datando  de  1897  —  no  largo  da  Concórdia:  um  edi- 
fício quadrangular,  tendo  no  centro  um  pátio  com 
um  chafariz  e  aos  lados  casas  de  negócios.  Todo 
rodeado  por   duas   galerias   interiores,   com.   o  ma- 
deiramento em  forma  de  xadrez,  com  quatro  portas 
de  entrada  e  quarenta  e  oito  janelas,  era  em  1900  o 
mais  elegante,  embora  o  menos  concorrido  dos  mer- 
cados de  São  Paulo,  no  depoimento  de  Alfredo  Mo- 
reira Pinto^\    O  antigo  edifício  da  praça  do  mer- 
cado, na  rua  Vinte  e  Cinco  de  Março  —  vasto  telheiro 
de  zinco  • —  foi  demolido  em  1907  para  se  construir 
o  mercado  novo''^    Êsse  mercado  ficava  no  fim  da 
ladeira  João  Alfredo,  com  face  também  para  a  Vinte 

2^  "Os  Mercados  de  São  Paulo",  Ihistração  Brasileira 
de  12  de  outubro  de  1922. 

28    Atitônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  149. 
Henrique  Raffard,  op.  cit. 

Alfredo  Moreira  Pinto,  A  Cidade  de  São  Paulo  cm 
1900.  pág.  264. 

^1    Alfredo  Moreira  Pinto,  op.  cit.,  pág.  166. 

^2    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  págs.  63-64. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    UA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1143 


e  Cinco  de  Alarço.  F^ronteiro  e  quase  anexo  a  êle 
ficava  o  chamado  mercado  dos  caipiras,  sede  de  ro- 
ceiros procedentes  de  Cotia,  de  Guarulhos,  de  Santa 
Amaro,  de  Itapecerica,  de  Parnaíba,  que  expunham 
ah  mercadorias  como  caximbos  e  panelas  de  barro 
e  colheres  de  pau^^  Em  1914  jcá  tinham  sido  supri- 
midos os  mercados  do  largo  da  Concórdia  e  o  que  se 
fazia  no  largo  do  Riachuelo,  e  Alcântara  Machado, 
então  vereador,  se  batia  pela  demolição  do  mercado 
do  Anhangabaú.  "Preçisamos  suprimir  —  dizia  êle 
—  o  galpão  ignóbil  que  ali  está,  a  dois  passos  do  centro, 
afrontando  a  nossa  cultura  e  conspurcando  a  cidade"^'. 

Nesse  ano  instituiu-se  na  cidade  o  regime  das 
feiras-livres.  Quando  se  falou  na  Câmara  em  sua 
instituição,  houve  quem  confundisse  as  feiras-livres 
com  os  primitivos  mercados  que  se  faziam  ao  ar 
livre,  por  exemplo  na  rua  da  Quitanda.  Alcântara 
Machado  mostrou  que  nessas  quitandas  antigas  ven- 
dia-se  em  tabuleiro  tôda  a  sorte  de  mercadorias,  ao 
passo  que  nas  feiras  que  se  pretendia  instituir  só  se 
venderiam  certos  e  determinados  artigos,  em  lugares 
designados  e  com  as  cautelas  estabelecidas  pelo  poder 
municipaP^.  A  primeira  feira-livre  realizada  a  tí- 
tulo de  experiência  —  e  com  o  comparecimento  de 
vinte  e  seis  feirantes  —  teve  lugar  no  largo  General 
Osório.  A  segunda  se  localizou  no  largo  do  Arouche, 
com  a  presença  de  cento  e  dezesseis  mercadores.  E 
a  terceira  no  largo  Morais  e  Barros.  Em  1915  elas 
j<á  eram  sete,  sendo  duas  no  Arouche,  duas  no  largo 
General  Osório  e  as  demais  no  largo  Morais  e  Barros, 
no  largo  São  Paulo  e  na  rua  São  Domingos.  Esten- 

"Os  Mercados  de  São  Paulo",  cít. 

Alcântara  .  Machado.    Problemas    Mutiicibms.  pásrs. 

53-54. 

Alcântara  ]\Iachado,  op.  cit.,  pág.  56. 


1146 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


deram-se  depois  a  outros  locais  e  a  sua  freqíiência 
«ntrou  definitivamente  nos  hábitos  da  população^l 
Certos  aspectos  curiosos  da  feira  do  Arouche  foram 
fixados  pelo  cronista  Sílvio  Floreai  em  suas  repor- 
tagens sôbre  coisas  paulistanas  reunidas  depois  no 
livro  Ronda  da  Mcia-Noite:  "Há  uma  desordenada 
mistura  de  folhas  sêcas,  raízes,  cascas  de  pau,  frutas 
esquisitas  e  exóticas,  figas  de  todos  os  tamanhos  e 
cores,  chifres  de  veado  e  de  bode,  unhas  de  cabra,  cou- 
ros de  animais,  pelos  e  uma  infinidade  de  outras  bugi- 
gangas milagrosas  que  servem  para  bruxarias  e  malefí- 
cios"^^. Mas  não  só  nas  feiras  se  viam  coisas  assim. 
Também  naquelas  meias-águas  de  telha  e  zinco  —  es- 
creveu F.  C.  Hoehne  —  em  que  os  ervanários  do  merca- 
do velho  expunham  as  suas  mercadorias.  Tinham  essas 
tendas  uma  espécie  de  porta  formada  por  amarrados 
■de  ervas  e  cestos  com  sementes.  E  da  coberta  pen- 
■diami  ressequidos  ramos  ou  feixes  de  cipó  em  mistura 
com  estorricadas  peles  de  cobras,  jacarés,  lagartos, 
tatus  e  molhos  de  cebolas^^.  Ainda  de  Floreai  foi  a 
referência  a  velhos  costumes  de  outros  séculos  que 
subsistiram  até  o  atual.  O  de  um  número  conside- 
rável de  famílias  mandarem  vender  à  noite,  nas  portas 
dos  circos  de  cavalinhos  e  dos  cinemas  de  bairro,  tôda 
a  espécie  de  quitandas  fritas,  cozidas  ou  torradas,  e 
às  vêzes  também  tabuleiros  de  doces  e  bandejas  de 
balas.  Já  entraram  em  decadência  porém  —  frizava 
êsse  repórter  —  dois  géneros  de  guloseimas  noturnas : 
o  pinhão  cozido  e  a  batata  assada  ao  forno^®. 


"As  Feiras  Livres",  Ilustração  Brasileira. 
Sílvio  Floreai,  Rouda  da  Meia-Noite,  págs.  142-143. 
F.  C.  Hoehne,  O  que  Vendem  os  Ervanários  da  Cidade 
■de  São  Paulo,  pág.  214. 

Silvio  Floreai,  op.  cit.,  págs.  130-135. 


17 


HISTÓRIA         TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAl-l.O  11-1-9 


Por  outro  lado.  já  eni  1876  havia  locais  na  cida- 
de que  tinham;  se  tornado  pontos  de  reunião  boémia, 
como  a  "Sereia  Paulista",  a  "Stadt  Coblenz"  e  o 
Hotel  Planet.  Nesse  mesmo  ano  foi  inaugurado  ain- 
da o  Café  Europeu,  o  primeiro  estabelecimento  mon- 
tado no  seu  género  "com  luxo  e  esmero"  na  capital 
da  pro\'íncia.  Ficava  em  uma  casa  térrea  da  rua  da 
Imperatriz  esquina  do  beco  do  Inferno  (travessa  do 
Comércio)^".  No  ano  seguinte  surgiram  as  "Stadt 
Bern",  com  chopes,  boliches  e  cançonetas  em  cara- 
manchões ao  ar  livre.  A  primeira  que  apareceu  fi- 
cava no  largo  de  São  Bento".  Entre  o  largo  do 
Ouvidor  e  a  velha  caixa  dágua,  em  um  sobradinho, 
funcionava  a  cervejaria  literária  chamada  "O  Corvo", 
do  alemão  Henrique  Schomburg^".  A  partir  de  1883 
e  1884  se  destacaram  a  Imperial  Confeitaria,  de  Nagel, 
na  rua  da  Imperatriz,  e  o  Café  Java. 

Também  já  havia  nessa  época  hotéis  muito  bons. 
O  JMaragliano,  na  rua  de  São  Bento;  o  Hotel  de 
França,  onde  a  cozinha  era  excelente,  na  rua  Direita; 
uma  porção  de  "allogios"  —  "pequenos  hotéis  itali- 
anos", como  explicou  o  viajante  Június*"'  —  e  princi- 
palmente o  Grande  Hotel,  inaugurado  parece  que  em 
1878  e  que,  pelo  aspecto  suntuoso  —  escreveu  Almei- 
da Nogueira  • — -  atraiu  grande  número  de  hóspedes 
do  Hotel  da  Paz.  Inclusive  diversos  deputados  pro- 
vinciais'**. Tinha  êsse  Grande  Hotel  uma  sala  enor- 
me com  inúmeros  bicos  de  gás,  candelabros,  jarras 


'"^  Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  87. 
Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  63. 
Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  93. 
Június,  op.  cit.,  pág.  11. 

Almeida  Nogueira,  A  Academia  de  São  Paulo.  VI, 
págs.  258-259. 


1150 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


com  flores,  espelhos.  lira  um  estabelecimento  que 
não  tinha  rival  na  Côrte  nem  nas  outras  capitais 
de  província.  "Senti  uns  ares  —  escreveu  Június 
referindo-se  a  êle  em  1882  —  dos  bons  hotéis  da 
Europa'"^  Fundado  pelo  alemão  Frederico  Glette, 
ocupava  o  Grande  Hotel  todo  um  ciuarteirão  no  beco 
da  Lapa  (travessa  do  Grande  Hotel)  indo  da  rua  de 
São  Bento  até  a  de  São  José  (Libero  Badaró 
Até  o  príncipe  Henrique  da  Prússia,  irmão  de  Gui- 
lherme 11,  esteve  hospedado  nele".  Koseritz,  que 
conheceu  a  cidade  em  1883,  disse  que  era  um  edifício 
magnífico,  com  um  vestíbulo  soberbo.  Achou  mes- 
mo que  êle  era  o  melhor  do  Brasil,  nenhum  hotel  do 
Rio  podendo  se  comparar  com  o  de  Glette  no  luxo  e 
nos  serviços  de  cozinha  e  de  adega^*.  Candelabros  a 
gás  iluminavam  o  vestíbulo  e  por  uma  escada  de  már- 
more branco  subia-se  ao  primeiro  andar,  onde  um 
empregado  de  "irrepreensível  estilo  e  toalete",  avi- 
sado pelo  porteiro  por  campainha  elétrica,  recebia  o 
recemjchegado.  Koseritz  salientou  ainda  que  o  hotel 
tinha  quartos  bonitos,  com  mobílias  elegantes,  camas 
excelentes  e  mais :  "banho,  correio  e  telégrafo  em 
casa"*^  Mesmo  descontando-se  o  entusiasmo  alemão 
de  Koseritz  pela  realização  de  um  seu  patrício,  per- 
cebe-se  que  o  hotel  era  qualquer  coisa  de  fora  do 
comum  em  São  Paulo  no  seu  tempo.  Mesmo  porque, 
na  época  da  visita  de  Koseritz,  um  viajante  não-ale- 
mão,  Andrews,  observou  que  como  edificação  era  o 
Grande  Hotel  o  maior  e  o  melhor  de  todo  o  país,  com 


Júniiis,  op.  cit.,  pág.  34. 
"'^    António  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  14. 

Cursino  de  Moura,  São  Paulo  de  Outrora,  pág.  240. 
''^    Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  pág.  252. 
''^    Carl  Von  Koseritz,  op.  oit.,  pág.  252. 


HlSTÓRiA    K    TUADJí^ÕES    DA    CIDADE    DE    SAO    PAULO  1151 


aposentos  e  móveis  de  primeira  ordem.  A  mesa  é 
que  não  era  grande  coisa  —  achou  êsse  visitante  —  e 
a  sna  porta  principal  se  fechava  ainda  provinciana- 
mente às  dez  horas"". 

Além  dêsse  Grande  Hotel,  o  Almanaque  da  Pro- 
7'incia  dc  São  Paulo  para  ISHS  registrava  o  Hotel 
Brasil  e  Itália  (na  rua  Boa  Vista),  o  Hotel  Fasoli 
(na  Senador  Feijó),  o  Flotel  Boa  Vista  (também 
na  Boa  Vista),  o  Hotel  Provenceau  (na  São  Bento), 
o  Hotel  do  Oeste  (no  largo  de  São  Bento),  que  fica- 
va em  uma  casinha  térrea,  de  aspecto  colonial,  com 
um  lampião  de  parede  bem  na  esquina;  o  Hotel  de 
França  (na  rua  Direita),  o  Hotel  Maragliano  (no 
largo  de  São  Bento)  e  aguns  mais  modestos,  sem 
nome,  na  rua  do  Brás.  Além  desses,  o  Hotel  Albion 
(na  rua  Alegre,  depois  Brigadeiro  Tobias),  perto  da 
Estação  da  Inglesa,  anunciando  possuir  três  jogos 
de  bilhar  e  de  bola;  e  o  Hotel  das  Famílias".  Êsse 
Hotel  das  Famílias  —  um  sobradão  bem  em  frente 
do  mercado  —  cobrava  preços  especiais  e  era  o  pre- 
ferido pelos  calouros  da  Academia  de  Direito"  antes 
de  se  aboletarem  em  alguma  república.  Mas  os  úni- 
cos hotéis  realmente  bons  que  havia  em  São  Paulo 
nesse  tempo  eram  —  segundo  E.  V.  Pereira  de  Sousa 
—  o  Grande  Hotel  e  o  Hotel  de  França.  Êste  últi- 
mo, famoso  em  todos  os  cantos  da  província,  era 
sobretudo  procurado  pelos  artistas  de  teatro  de  mais 
recursos  quando  estavam  em  São  Paulo^^    A  esses 


Christopher  C.  Andrews,  Brasil,  its  condition  and 
prospects,  págs.  143-144. 

Almanaque  da  Província  dc  São  Paulo  para  1885, 
pág.  231. 

Everardo  Vah'm  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas",  Revista  do  Arquivo  Municipal  XCIII,  pág.  115. 

Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cít.,  pág.  122.- 


1152 


ERNÂNI     S  I  L  \'  A  BRUNO 


dois  hotéis  se  referiu,  ouase  na  mesma  ocasião,  Raf- 
fard:  o  Hotel  de  França  tinha  aumentado  as  suas 
acomodações,  anexando  vários  sobrados  pegados. 
E  o  belo  edifício  do  Grande  Hotel  tinha  já  em  1890 
um  rival  no  Grande  Hotel  Paulista,  otimamente  co- 
locado na  esquina  das  ruas  São  Bento  e  Boa  Vista'''. 
Sabe-se  por  outro  lado  que  nessa  época  —  1890  —  havia 
na  cidade  dezessete  restaurantes  registrados,  entre  os 
quais  os  da  Estação  da  Luz,  da  Estação  do  Norte, 
do  Teatro  e  do  Jardim'''^.  Das  pensões  do  tempo  a 
mjelhor  e  a  mais  cara  era  a  da  Viúva  Reis,  que  sur- 
giu no  período  de  1872  a  1876^^  Em  1886  —  quan- 
do nela  se  hospedou  um  cronista  da  cidade,  E.  Y. 
Pereira  de  Sousa  —  ficava  na  rua  de  São  Bento 
esquina  da  travessa  do  Comércio.  Era  um  velho 
sobrado,  anteriormente  residência  de  família  abasta- 
da, e  ficava  por  cima  do  estabelecimento  do  cabelei- 
reiro Husson". 

Ao  mesmo  tempo  —  como  se  verifica  por  anún- 
cios publicados  nos  almanaques  de  Jorge  Seckler  — 
observava-se  a  transformação  dos  cafés  paulistanos. 
O  Java,  que  era  também  restaurante,  anunciava  que 
em  seu  estabelecimento  o  público  podia  encontrar 
''tôdas  as  condições  de  luxo  e  comodidade"  e  "gabi- 
netes particulares  para  as  famílias,  com  serviço  espe- 
cial"-^^.    Em  1890  Raffard  assinalava  ainda  a  exis- 


Henrique  Raffard,  op,  cit. 

Almanaque  do  Estado  dc  São  Paulo  para  1890,  págs. 

183-184. 

Almeida  Nogueira,  op.  cit.,  IV,  pág.  470. 
"    Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências", 
Primeiro  Centenário  do  Conselheiro  Antônio  da  Silva  Prado, 
pág.  197. 

Almanaque  da  Província  de  São  Paulo   para  1888, 
amincios,  pág.  15. 


I 


flISfÓRIA    E    TRAD.-rÕKS    DA    CIDADE    DE    SÃO    I«Ari.O  1155 


tência  da  confeitaria  de  Naíí^el,  na  rua  Quinze,  c  do- 
Café  Java,  no  largo  do  Rosário.  Como  novidade,  o 
Café  do  Terraço  Paulista,  no  largo  de  São  Bento, 
onde  serviam  já  "caixeiras  amáveis"^^.  Quase  na 
mesma  ocasião  começaram  a  aparecer  estabelecimentos 
de  um  outro  género :  ao  mesnií^  temido  restaurantes  e 
botequins,  vendendo  café,  bebidas  e  alimentos :  os 
quiosques.  Aliás  já  em  1872  dois  neg-ociantes  haviam 
requerido  à  Câmara  licença  para  estabelecerem  nos 
largos  da  Memória,  da  Misericórdia,  da  Cadeia  e  na 
Estação  da  Luz,  cafés  portáteis  à  semelhança  dos  que 
se  usavam  na  Côrte^".  Os  quiosques  montavam-se  no' 
centro  ou  nos  bairros,  procurando  sobretudo  os  largos, 
a  vizinhança  das  estações  e  das  pontes,  a  proximidade 
dos  mercados*'\  Eram  feitos  de  madeira  e  de  for- 
mato cilíndrico  —  escreveu  Cássio  Mota  —  espécie 
de  "cafés-bars"  cravejados  de  moscas,  onde  além  do' 
popular  café  com  leite  e  pão  com  manteiga  encontra- 
vam-se  refrescos  diversos,  bebidas,  cigarros  de  palha 
e  de  papel,  charutos,  fumo  de  corda,  biscoitos,  balas 
de  açúcar  cândi,  jornais  e  bilhetes  de  loteria,  graxa 
e  cordões  para  sapatos.  Alguns  eram  providos  de  pe- 
quenas rodas  que  facilitavam  o  seu  deslocamento  de 
um  ponto  para  outro^^.  Eram  esses  quiosques-bote- 
quins  paulistanos,  nesse  tempo,  em  geral  maiores  que 
os  usados  no  Rio  de  Janeiro^'\  De  cerca  de  onze 
metros  de  diâmetro  era  um  que  se  queria  estabelecer 


Henrique  Raffard,  op.  cit. 
^'^    Atas  da   Câmara   Municipal  dc  São   Paulo,  LVIIT,. 
pág.  100. 

Nuto  Santana,  op.  cit.,  IIT,  págs.  41-50. 
^2    Cássio  Mota,  op.  cit.,  pág.  21. 
Henrique  Raffard,  op.  cit. 


1156 


ERNÂNI      SILVA      B  RV  ^  C 


em  1881  Cresceram  e  se  mnltipHcaram;  loucamen- 
te na  cidade,  checando  a  haver  de  1890  em  diante 
uma  Empresa  Industrial  de  Quiosques^^  Depois  fo- 
ram desaparecendo  aos  poucos.  Mas  dizem  que  no 
começo  dêste  século  ainda  havia  alguns. 

Em  fins  do  século  passado  e  no  começo  do  atual 
os  hotéis  melhores  passaram  a  ocu])ar  edificios  mais 
imponentes,  ao  mesmo  tempo  (]ue  várias  confeitarias 
de  luxo  se  instalaram  nas  ruas  do  Triâng'ulo.  No 
largo  de  São  Bento,  em  edificio  de  três  andares,  fun- 
cionou o  Hotel  Rebecchino'^*'.  Do  outro  lado,  tam- 
bém em  prédio  de  construção  elegante,  de  três  andares, 
o  Hotel  Bela  Vista.  Na  rua  Direita  o  Hotel  de 
França  estava  ainda  nos  velhos  sobrados  de  taipa  de 
outros  tempos"^^  yVs  confeitarias  de  luxo,  essas  co- 
meçaram a  se  localizar  particularmente  na  rua  Quinze 
de  Novembro.  No  princípio  do  século  atual,  porém, 
parece  que  o  larg-o  do  Rosário  —  aliás  ponto  final 
daquela  rua  —  é  que  se  tornou  a  localização  prefe- 
rida por  elas.  Ali,  nas  confeitarias  —  como  se  dizia 
no  álbum  de  Jules  Martin  —  reuniam-se  os  rapazes 
paulistanos.  Confeitarias  entre  as  quais  se  destacava 
a  Castelões,  com  suas  três  portas  abertas  até  às  dez 
horas  da  noite*''\  As  famílias  se  encaminhavam  para 
lá  —  escreveu  Cícero  Marcjues  evocando  o  1900  pau- 
listano —  por  volta  das  duas  e  meia  às  quatro  da 
tarde,  para  tomarem  seus  sorvetes  e  comerem  seus 


Atas  da  Câmara  Municipal  dc  São  Paulo.  LXVII, 

pág.  61. 

Nuto  Santana,  op.  cit.,  III,  pág.  49  e  seguintes. 

São  Paulo  Antigo  c  São  Paulo  Moderno  f álbum  de 
1905)  ,,  pág.  90. 

''''    São  Paulo  Antigo  c  São  Paulo  Moderno,  págs.  90-92. 

São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno,  pág.  92  e 
Cícero  Marques,  Tempos  Passados. .  .,  pág.  72. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PATLO  1157 


doces.  Saíam  depois  porcjue  às  cinco  era  a  hora  das 
"cocotes"  de  alto  coturno,  (|ue  então  tomavam  conta 
do  local  até  a  noite.  As  famílias  debandavam  ])ara 
ontras  confeitarias :  a  Fasoli,  a  Nagxd,  na  rua  Quinze. 
()n  então  o  Pinoni,  pe^-ado  à  Casa  Baruel.  Ou  ainda 
a  Brasserie  e  a  Protíredior,  esta  na  rua  Quinze  tam- 
bém"^. Na  Progredior  contou  Cícero  Marques  que  se 
reuniam  de  preferência  famílias  estrano'eiras.  E  que 
de  noite  era  também  bastante  movimentado  o  Café 
Guarani,  procurado  sobretudo  pela  ,Qente  mais  boémia: 
frequentadores  dos  espetáculos  de  teatro  e  de  café- 
concêrto''".  Focalizando  cenas  da  vida  paulistana  em 
1912,  José  Agudo,  em  seu  livro  Gciitc  Rica,  ainda  se 
referia  ao  Guarani  assim :  "A  porta,  transbordando 
sobre  o  passeio,  havia  o  habitual  agrupamento  de  ba- 
charéis em  perspectiva,  que  ali  costumam  expor 
diariamente  aos  transeuntes  pacatos  o  irrepreensível 
corte  das  calças  vincadas  e  dos  paletós  cintados,  a 
cromática  mirabolância  das  gravatas  e  a  estravagân- 
cia  morfológica  dos  chapéus".  Dêsse  cronista  é  tam- 
bém a  descrição  da  praça  Antônio  Prado,  onde  se 
aglomeravam  sujeitos  que  esperavamj  o  bonde  ou  o 
convite  para  beberem.  E  a  cena  em  que  um  dos 
personagens,  convidado  para  ir  ao  Castelões  ou  à 
Brasserie,  responde:  "Vamos  à  Brasserie.  Não  me 
agrada  a  freguesia  que  a  estas  horas  frequenta  o 
Castelões"''^  Sabe-se  que  algumas  confeitarias  como 
o  Fasoli  e  o  Pinoni  nesse  tempo  além  de  boa  orcjuestra 
já  proporcionavam  à  noite  de  graça  aos  seus  freqúen- 


São  Paulo  Antigo  c  São  Paulo  Moderno,  pág.  92  e 
Cícero  Marques,  op.  cit.,  pág.  86. 

Cícero  Marques,  op.  cit.,  pág.  112. 
''^    José  Agudo,  Gente  Rica,  pág.  119. 


1158 


ERNÂNI      S  I  L  \'  A  BRUNO 


tadores  funções  cinematográficas'".  Ainda  na  pri- 
meira década  do  século  atual  destacavam-se  entre  os 
cafés  paulistanos  o  Académico,  o  Schortz  —  ponta 
predileto  tambénx  de  rodas  literárias  e  boémias  • — -  e 
o  América.  Êste  último  ficava  entre  o  largo  do  Te- 
souro e  a  rua  Quinze  e  era  —  segundo  Nuto  Santana 
—  uma  espécie  de  "bas  fond"  central,  com  fregueses 
em  mangas  de  camisa :  carregadores,  motorneiros,  pre- 
talhões.  Depois  apareceram  ainda  outros  cafés  que 
se  tornaram  famosos,  como  o  Brandão,  no  ponto  em 
que  mais  tarde  se  ergueria  o  Edifício  Martinelli^^ 
Os  cafés-concérto,  no  comêço  do  século  — -  segundo  a 
evocação  de  Cícero  Marques  - —  eram  o  Politeama, 
onde  funcionou  depois  a  Delegacia  Fiscal,  o  Moulin 
Rouge,  no  largo  do  Paissandú,  e  o  Cassino,  na  rua 
Vinte  e  Quatro  de  Maio,  também  chamado  de  Cassino- 
dos  Médicos^^ 

Alguns  anos  mais  tarde  Paul  Walle  escrevia  que 
existiam  em  São  Paulo  vários  hotéis,  dos  quais  no- 
entanto  a  maioria  não  oferecia  ainda  senão  conforto 
elementar  como  serviço  e  como  mesa.  Para  atender 
às  necessidades  locais  e  às  dos  estrangeiros  que  che- 
gavam à  cidade  cada  vez  em  quantidade  maior  seria 
necessário,  segundo  êsse  francês,  um  estabelecimento- 
no  género  do  Palace,  que  se  abrira  pouco  antes  no 
Rio  de  Janeiro.  Em  São  Paulo  o  melhor  era  sem 
dúvida,  para  êle,  o  Hotel  Rotisserie  Sportsman,  no 
centro,  ao  lado  do  ^•iaduto  do  Chá.  Êsse  estabeleci- 
mento cosmopolita,  dirigido  à  francesa,  possuía  boa- 


^2  Domingos  Angerami  e  António  Fonseca,  Guia  do  Es- 
tado de  São  Paulo  (1912),  pág.  210. 

"  Almanaque  da  Província  dc  São  Paulo  para  1888,. 
anúncios,  pag.  15,  e  Nuto  Santana,  op.  cit.,  V,  págs.  158-159. 

Cícero  Marques,  Tempos  Passados.  .  ..  i>ágs.  103-104.- 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PArU)  1!61 


mesa.  O  edifício  era  noxo  mas  não  fòra  construído 
especialmente  para  hotel.  Tinha  três  pavimentos  na 
frente  da  ma  de  São  Bento  e  quatro  para  os  fundos, 
dando  para  a  Libero  Badaró.  Em  seu  salão  nobre, 
sustentado  por  três  colunas  e  com  palco  para  orcjues- 
tra,  é  que  se  davam  os  grandes  banquetes  da  época'' ^. 
Entre  os  outros  hotéis  classificados  como  bons  ou 
médios  por  Walle  figuravam  o  Grande  Hotel  do 
Oeste,  na  rua  Boa  Vista,  o  antigo  Grande  Hotel,  na 
de  São  Bento,  o  Hotel  Suíço  e  a  Pensão  Morais,  no 
largo  Paissandú,  o  Grande  Elotel  Bristol,  na  GusmÕes, 
e  o  Hotel  Albion,  na  Brigadeiro  Tobias^". 

As  lojas  paulistanas  também  revelaram  aspectos 
diferentes  a  partir  de  1870.  Uni  observador  da  ci- 
dade em  1882  - —  observador  que  estivera  ausente  du- 
rante trinta  anos  ■ — •  notava  como  coisa  nova  que 
havia  grupos  de  senhoras  passeando  desacompanhadas 
pelo  centro,  olhando  as  vitrinas,  entrando  nas  casas 
comerciais  para  fazer  compras,  frequentando  as  con- 
feitarias. Novos  traços  e  padrões  culturais  —  diriam 
os  especialistas  —  haviam  desalojado  aqueles  que 
dominavam  em  outros  tempos.  E  já  então,  sem  sair 
da  rua  da  Imperatriz,  uma  senhora  ou  um  homem 
encontravam,  todo  o  necessário  "para  que  se  apresen- 
tassem no-  rigor  da  moda  de  Paris",  vestindo-se,  pen- 
teando-se,  perfumando-se,  adornando-se  de  jóias  cus- 
tosas". A  rua  Direita  —  segundo  observação  de 
Koseritz  em  1883  —  essa  então  lembrava  a  Côrte,  por 
causa  das  suas  grandes  lojas,  das  suas  vitrinas,  dos 
seus  quiosques  com  bandeirolas,  dos  seus  anúncios 

Alfredo-  Moreira  Pinto,  od.  cit.,  pág.  177. 
76    Paul  Walle,  Au  Pays  de  VOr  Roiigc,  págs.  70-71. 
''''    Június,  op.  cit.,  págs.  49  e  118-1Í9. 


1162 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


■coloridos  em  tódas  as  paredes^^.  Cresceu  de  forma 
notável  o  número  de  lojas  de  fazendas,  de  armarinhos, 
de  ferragens,  de  pianos  e  outros  instrumentos  musi- 
cais, de  charutarias.  Em  1873  já  se  fazia  anúncio 
en]  um  almanaque  de  um  arniazém  de  géneros  norte- 
americanos :  o  de  Antônio  Borges  Ferrer,  na  rua  da 
Imperatriz'''\  E  já  no  Almanaque  da  ProvUicia  para 
1885^^  faziam  anúncios  cêrca  de  vinte  e  cinco  casas 
importadoras :  de  bengalas,  de  guarda-sóis,  de  brin- 
quedos, de  artigos  para  viagens,  de  louças  e  cristais. 
Aliás  os  importadores  da  época  —  almanaques  de 
1885-1888  —  recebiam  quase  sempre  os  géneros  mais 
disparatados,  sendo  porisso  comuns  os  anúncios  em 
que  se  faziam  referências  a  livros  ou  artigos  tipográ- 
ficos e  a  vinhos,  por  exemplo.  Ou  a  vinhos  do  Pôrto 
e  a  casimiras.  J-  Flasch,  na  rua  de  São  Bento,  anun- 
ciaA-a  artigos  franceses,  ingléses  e  alemães  concer- 
nentes à  alfaiataria  juntamente  com  vinhos  do  Reno 
e  com  o  famoso  "Tokayer".  E  a  Casa  Garraux, 
"grands  vins  de  Champagne",  "vins  du  "Rhin",  conha- 
ques e  Hcwres,  ao  lado  de  livros,  carimbos  de  borracha 
e  burras  de  ferro'"\  É  evidente,  por  outro  lado,  que 
os  almanaques  dêsse  tempo  ainda  anunciavam  também 
os  trastes  tradicionais,  que  continuavam  sendo  ven- 
didos pelos  armazéns  de  ferragens  ou  pelos  importa- 
dores :  as  gaiolas,  os  baús,  os  lampiões  de  querosene. 
Mas  o  comércio  das  ruas  centrais  por  certo  se  aristo- 
cratizara, não  apenas  em  relação  às  coisas  que  se 


''^    Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  pág.  255. 

Anexos  ao  Ahnanach  da  Província  de  São  Paulo  para 
1873,  pág.  1 19. 

80  Almanaque  da  Província  de  São  Paulo  para  1885,  págs. 
231-232  e  603  e  seguintes. 

81  Almanaque  da  Província  de  São  Paulo  para  1888, 
:págs.  89,  92,  93  e  94. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1103 


x  endiani.  coiik.)  na  ])r(')pria  fcirnia  pela  (|na^_  cias  crani 
a]  rcsentaclas  ao  comprador. 

As  modistas  francesas  de  meados  do  século,  ma- 
dame ]'ascan  e  madame  Prnvot.  ainda  eram  citadas 
cm  nm  almana(]uc  dc  1873,  ao  lado  de  (jntras  (jnase 
sempre  estran^^-eiras :  Adriana  de  C'ar^•alh(),  Ida  l*\ichs. 
Madame  Corbisier,  Madame  Marie  Meti\ier  c  Rosa- 
lie  Naret".  Os  almanatpies  de  Seckler.  alj^uns  anos 
mais  tarde,  não  citavam  mais  as  modistas  de  1865. 
Citavam  ])orém  Madame  Marie  Escoffon,  com  ofi- 
cina de  coletes  para  senhoras,  na  tra\'essa  do  Rosário. 
E  a  cabeleireira  Madame  Prunier,  na  rua  da  ími)era- 
triz.  As  denominações  francesas  é  (|ue  se  os!:enta\'am 
ainda  em  muitos  estabelecimentos,  não  só  de  barbeiros 
e  cabeleireiros  (Au  Fi.yTiro  Parisien,  La  (irande  Du- 
chesse )  C(mio  em  casas  de  fazendas,  de  modas  e  arma- 
rinhos: Notre  Dame  de  Paris,  Notre  Dame  de  Lon- 
dres, Au  Palais  Royai,  Au  b)Oulevard,  Au  Louvre, 
Au  Printemps  —  quase  tòdas  localizadas  na  rua  da 
Imperatriz  e  pertencentes  em  geral  a  comerciantes 
de  nomes  brasileiros.  Isso  porém  ao  lado  de  casas 
de  modas  com  nomes  de  sabor  bastante  português : 
Ao  Torrador,  Ao  Novo  Mundo,  A  Lealdade,  Ao  Rei 
dos  Barateiros,  Simpatia  das  Moças,  e  Ao  Único  Mais 
Barateiro^^.  .  Particularmente  de  enorme  importância 
foram  nessa  época  as  casas  importadoras  de  máquinas 
e  instrumentos  para  a  lavoura.  Como  a  de  Frederico 
Schulze  &  Cia.,  na  rua  de  São  Bento,  anunciando 
locomoveis  e  máquinas  a  vapor,  sendo  os  únicos  agen- 
tes de  Ruston  Proctor  &  Cia.,  de  Lincoln  (Inglaterra). 


^-  Aiic.i-os  ao  .Jliiiaiiacli  da  Pyovincia  dc  São  Paulo  para 
18/3,  pág.  127. 

Almanaque  da  Província   dc  São  Paulo  para  1885, 
págs.  214,  220  e  226. 


18 


1164 


E  R  X  A  XI      S  I  L  \-  A      BRU  N  O 


Ou  J.  P.  de  Castro  &  Cia.,  na  rua  do  Palácio,  agentes 
exclusi\-os  de  máquinas  para  a  lavoura  e  outros  ins- 
trumentos, dos  fabricantes  Brown  &  May,  Devizes^'*. 

O  desen^■olvinlento  das  lojas  paulistanas  se  in- 
tensificou ainda  mais  acentuadamente  no  tempo  da 
proclamação  da  República.  Sabe-se  que  nessa  época 
muitos  comerciantes  de  artigos  de  moda  e  de  jóias  se 
transferiram  do  interior  —  sobretudo  de  Campinas, 
então  assolada  por  uma  epidemia  de  febre  amarela 
—  para  a  capital  de  São  Paulo.  Foi  quando  surgiram 
na  cidade  também  casas  vendendo  móveis  europeus, 
cristais  da  Boémia  e  de  Veneza,  tapetes  orientais, 
jarrões  japoneses*''  ■ —  tòda  a  sorte  de  ornamentos  de 
luxo  para  a  casa  do  antigo  homem  rural  de  Piratininga, 
já  enriquecido  e  urbanizado.  Entretanto  ainda  em 
1890  não  se  podiam  comparar  as  lojas  paulistanas  — 
segundo  Raffard  —  aos  "grands  magazins"  do  Rio 
de  Janeiro,  se  b-em  que  algumas  pudessem  fazer  boa 
figura  nas  ruas  principais  da  capital  do  país**^.  A 
Baruel  —  a  mais  importante  drogaria  de  São  Paulo 
na  época  —  funcionava  em,  prédio  abarracado,  re- 
construído em  1(S97,  quando  se  tornou  um  dos  me- 
lhores da  cidade,  como  assinalava  Jules  Martin  em 
seu  álbum  de  1905".  As  barbearias,  nessa  época, 
ainda  ostentavam  na  porta  o  distintivo  do  ramo:  um 
pratinho  amarelo  de  latão^^  As  lojas  de  modas  — 
como  se  pode  verificar  pelo  Almanaque  Paulista  Iliis- 


Almanaque  da  Província  dc  São  Paulo  para  1886,  pág. 
24,  e  para  1888,  págs.  47,  73  e  83. 

Everardo  Valim   Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas",  cit.,  págs.  123-125. 

Henrique  Raffard,  op.  cit. 
S''    São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno,  pág.  92. 

Cicero  Marcjues,  De  Pastora  a  Rainha,  pág.  144. 


HISTÓRIA  I-:  TKADIC^ÕKS  DA  ClDAni-:  1)K  sÃo  1'An.O  1167 


trado  para  189o  —  eram  ainda  nos  últimos  anos  do 
oitocentismo  de  proprietários  em  grande  parte  de  no- 
mes estrangeiros:  Madame  Berry,  Fanny  Vaucheret, 
Francisco  de  Lalo,  Mademoiselle  Idrac,  Madame  Ra- 
vault  —  todos  provavelmente  franceses.  Mas  tam- 
bém alemães:  Henrique  Bamberg-  &  Cia.,  J.  Herb- 
meyer.  Viúva  Ida  Weiler,  Frere  &  Appenheim^^  E 
ainda  italianos.  O  comércio  italiano  já  era  conside- 
rável na  cidade  em  1895,  segundo  o  álbum  de  Koe- 
nig-sv\^ald.  Ha\  ia  mesmo  em  São  Paiilo  grandes  casas 
bancárias  e  comerciais  entretendo  relações  com  a 
Península^".  Eram  italianos  —  escreveu  Aureliano 
Leite  referindo-se  ao  1902  paulistano  —  os  maiores 
e  os  mais  numerosos  comerciantes^^  E  em  1907-1908 
Gina  Lombroso  Ferrero,  é  verdade  que  em  livro  um 
tanto  exagerado  pelo  seu  espírito  de  italianidade, 
observava  que  nos  negócios  de  vestuário,  em  São 
Paulo,  figuravam  com  destaque  os  algodões  lombardos 
e  os  chapéus  florentinos  ou  alexandrinos^^. 

Eram  ainda  quase  sempre  localizadas,  as  lojas 
principais,  no  Triângulo  e  suas  imediações.  Koenigs- 
wald,  em  1895,  escrevia:  "As  ruas  de  maior  impor- 
tância são  a  Quinze  de  Novembro,  a  Direita,  a  São 
Bento,  a  do  Comércio  e  a  do  Rosário,  nas  quais  se 
ostentam  as  grandes  casas  comerciais  assim  como  os 
importantes  edifícios  bancários"^'^    Embora  o  capita- 


Almanaque  Paulista  Ilustrado  para  1896,  pág.  339. 
^°    Gustavo  Koenigswald,  São  Paulo  (álbum  de  1895), 
págs.  13,  14,  15. 

Aureliano  Leite,  "De  Américo  Vespucci  a  Francisco 
Matarazzo",  Folha  da  Manhã. 

Gina   Lombroso   Ferrero,   NcW America  Mcridionale, 

pág.  34. 

^■^    Gustavo  Koengiswald,  op.  cit.,  pág.  12. 


1168 


ERNÂNI 


SILVA     B  R  U  N  U 


lista  José  Estanislau  cio  Amaral  Cami)os,  em  torno  de 
1890,  tivesse  edificado,  no  distrito  de  Santa  Ifigênia, 
muitas  casas  destinadas  a  lojistas,  procurando  atrair 
o  comércio  para  aquele  ponto  da  cidade^^,  nos  bairros 
em  geral  ■ —  em  fins  do  século  passado  —  mostrou 
Cássio  Mota  que  o  comércio  ainda  deixava  muito  a 
desejar,  ''era  pequeno  e  muito  espalhado,  não  satis- 
fazia em  absoluto  às  necessidades  da  população.  Os 
bairros  eram  quase  noventa  por  cento  residenciais : 
havia  ruas  e  ruas  sem  uma  casa  de  comércio".  O 
alto  comércio,  "o  comércio  para  tudo  e  para  todos", 
escrevia  êle,  era  no  centro  que  se  condensava.  E 
mais  especialmente  na  rua  Quinze,  que  se  destacava 
pelo  luxo  de  suas  lojas''".  Casabona  viu  ali,  em  1906, 
belas  joalherias  e  magazines  bem  providos  e  elegan- 
tes^''.  Os  armazéns  eram  numerosos  e  bem  sortidos 
—  assinalava  Wiener  em  1907  —  embora  se  falasse 
em  crise:  "Diante  da  minha  casa  havia  um  vendedor 
de  fonógrafos  que  para  atrair  clientes  fazia  tocar 
constantemente  um  de  seus  instrumentos"".  Dessa 
condensação  do  comércio  quase  todo  no  centro  Silva 
Teles  já  em  1907  apontava  os  inconvenientes:  "Não 
tardará  muito  e  o  centro  da  cidade  será  insuficiente 
para  comporíar  o  movimento,  e  a  circulação  irá  sendo 
por  demais  penosa.  É  cert(^  que  a  cidade  tende  a  se 
desenvo^-ver :  o  comércio  se  expande  francamente  pelos 
pontos  menos  centrais,  mas  indefetivelmente  o  centro, 
onde  pulsará  sempre  a  vida  do  município,  será  o 
Triângulo    e    suas    próximas    adjacências"^^  Em 


Henrique  Raffard,  op.  cit. 

Cássio  Mota,  op.  cit.,  pág.  23. 

Louis  Casabona,  São  Paulo  dii  Rrcsil,  pág.  68. 
'^'^    Charles  Wiener,  333  Joitrs  aii  Brcsil,  pág.  44. 
5^    Augusto  C.  da  Silva  Teles.  Melhoramentos  de  São 
Paulo,  pág.  33. 


HISTÓRIA  K  TRADK^ÕKS  DA  CIDADE  DE  sÃO   PALT.O  1169 


1911-1912  algumas  grandes  casas  de  neg-ócio  —  obser- 
vou o  viajante  Forrest  —  estavam  se  localizando  no 
vale  que  separava  a  velha  da  nova  cidade :  o  do  Anhan- 
g-abaú.  Escre\-eu  êsse  observador  da  cidade  aliás  (|ue 
as  lojas  paulistanas  eram  bonitas  e  suas  mercadorias 
bem  dispostas,  embora  seu  movimento  fosse  algum 
tanto  restrito  devido  ao  grande  número  de  feriados  e 
dias  santos  em  que  permaneciam  fechadas^".  Todavia 
na  edição  de  1920  de  seu  livro  —  éiioca  em  (|ue  a 
cidade  tinha,  segundo  Paulo  Rangel  Pestana,  oito  mi! 
e  oitenta  e  cinco  casas  comerciais'""  —  ]\-ud  Walle 
escrevia:  "É  nesse  Triângulo,  grande  centro  comer- 
cial dos  negócios,  que  se  concentram  todos  os  bancos, 
os  grandes  armazéns  e  as  grandes  casas  de  negócio 
paulistas""\ 

Mais  surpreendente  que  o  do  comércio  foi  no  en- 
tanto, a  partir  do  iiltimo  quartel  do  século  passado,  o 
desenvolvimento  da  indústria  paulistana.  Em  1872 
foi  fundada  na  capital  a  fábrica  de  tecidos  do  major 
Diogo  Antônio  de  Barros,  possivelmente  como  um  dos 
resultados  do  desenvolvimento  de  cultura  algodoeira 
na  província  a  partir  de  1866,  em  consequência  da 
Ciuerra  de  Seccessão  nos  Estados  TJnidos.  O  major 
—  (jue  foi  um  autêntico  pioneiro  —  além  disso  percor- 
rera a  Europa  e  tomara  conhecimento  de  seu  pro- 
gresso industrial,  resolvendo  montar  na  cidade  de  São 
Paulo  uma  fábrica  que  pudesse  produzir  tecidos  para 
concorrer  com  os  ingleses.  Funcionou  em  edifício  que 
tinha  sua  entrada  pelo  atual  beco  da  Fábrica,  no 
quarteirão  que  fica  entre  as  ruas  Senador  Queiroz  e 


'■'^  Archibald  Forrest,  A  Toit.r  throiigh  Soulli  America, 
pág.  304-308. 

^"•^    Paulo  Rangel  Pestana.  "A  Cidade  dt  Sfio  Panlo  — 
Evolução  Histórica".    A  Capital  Paulista  (álbum  de  1920). 
Paul  Walle,  op.  cit..  pág.  52 


1170 


E  K  N  A  XI      SILV  A      IJ  R  l"  N  o 


Paula  Sousa  (na  Florêncio  de  Abreu),  a  partir  de 
1872  (ou  de  1874,  segundo  Martins)^"-,  com  trinta 
teares,  sessenta  operários,  e  contramestres  ingleses. 
Tinha  descaroçadores,  máquinas  de  benefício,  fiação, 
tinturaria,  tecelagem  e  enfardamento  —  enfim  tudo 
o  que  era  preciso  para  a  fabricação  do  algodãozinho. 
Em  1872  a  manuf atura  de  chapéus  também  já  con- 
tava comi  mais  duas  fábricas,  a  de  Fischer  e  a  de  Gui- 
lherme Auerback  &  Cia.  E  entre  1870  e  1872  apa- 
receram as  fundições  e  serralherias  a  vapor  de  Hund 
e  de  A.  Sydow^"^.  Outro  pioneiro  da  indústria  de 
São  Paulo,  nesse  temi)(),  foi  o  emigrado  alemão 
Gustav  Sydow,  que  montou  serraria  a  vai-or  no  morro 
do  Chá,  no  local  agora  ocupado  pelo  Teatro  Municipal 
e  pelo  Hotel  Esplanada.  Outras  ocorrências,  na  mes- 
ma éi^oca,  denotavam  tendências  progressistas  na  in- 
dústria paulistana.  Em  1872  João  Ribeiro  da  Silva, 
dono  da  Olaria  do  F)om  Retiro,  na  Luz,  pedia  à  Câ- 
mara consentimento  para  abrir  uma  vala  na  várzea, 
por  onde  pudesse  entrar  e  atracar  no  seu  estabeleci- 
mento o  vaporzinho  "Progresso",  com  o  objetivo  de 
facilitar  o  abastecimento  de  combustíveis  e  outros  aces- 
sórios à  sua  indústria^"\  Em  1875  —  segundo  o 
balanço  de  J.  Floriano  de  Godói  —  havia  na  cidade 
fábricas  de  chapéus  (de  seda,  de  castor  e  de  lebre), 
de  carros  e  carruagens,  de  tecidos  de  algodão,  de 
cerveja,  de  bilhares,  de  livros  em  branco,  de  móveis, 
de  selins  e  arreios,  de  vinhos,  vinagres  e  licores,  de 
fogos,  de  relógios  — ■  além  de  fundições  de  ferro  e  de 


Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  15. 
'"■^    Paulo  Rangel  Pestana,  A  Expansão  Económica  do 
Estado  dc  São  Paulo  num  Século  (1822-1922),  pág.  27 

Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LVIII, 

pág.  153. 


162  —  Tenda  de  ervas  e  passarinhos,  de  Pai  Inácio,  no  mercado  velho, 
comèço  do  século  atual. 

(Fotografia    reproduzida    do    livro    de    F.    C.    Hoehne    O    que  vendem 
ervanários  de  São  Paulo,  1920). 


I 


HISTÓRIA  E  TkADIC^-ÕKS  DA  nDAUE  DK  sÃo  l'Ari.!)  11/3 


bronze^"".  A  [as  foram  se  estaljeleccndo  outras  espe- 
cializações fabris.  Em  1878  dois  itabanos  —  Ludo- 
vico Dal  Porto  e  Francisco  Casini  —  fundaram  a 
primeira  fábrica  de  massas  alimentícias  que  bou\-e  na 
cidade,  e  t|ue  ficaxa  na  rua  Aíonsenbor  Andrade^'"'. 
No  ano  seg-uinte  começou  a  funcionar  na  rua  da 
Imperatriz  uma  oficina  de  instrumentos  de  ótica^"'. 
E  poucos  anos  depois  —  em  1882  —  o  viajante  Június 
dava  suas  impressões  a  respeito  das  fábricas  de  carros, 
das  marcenarias  e  dos  depósitos  de  mióveis  que  vira 
na  cidade,  com  vitrinas  que  exibiam  objetos  de  bom 
gòsto  e  de  notável  valor.  E  observada  já  a  afluência 
de  gente  de  muitos  pontos  do  interior  de  São  Paulo  e 
de  outras  províncias  à  capital  a  fim  de  se  entregar 
a  diversos  ramos  da  indfistria^''^. 

Em  1883  o  jornalista  teuto-brasileiro  Von  Kose- 
ritz  visitou  uma  fábrica  de  chapéus  —  a  de  Schritsz- 
meyer  —  que  funcionava  em  edifício  especialmente 
construído  para  ela,  aparelhada  com  máquinas  de  cons- 
trução moderna  e  onde  trabalhavam  cento  e  trinta  e 
dois  operários.  As  fábricas  mais  importantes  de  São 
Paulo  nesse  tempo  —  escreveu  o  autor  de  Imagens 
do  Brasil  ■ —  ficavam  "na  continuação  da  rua  de  São 
Bento",  que  era  a  da  Constituição  (Florêncio  de 
Abreu)  :  as  grandes  fiações  de  algodão  do  major 
Diogo  de  Barros  e  Kovarik;  a  tipografia  de  Seckler 
(que  imprimiria  os  xA^lmanaques  da  Província)  e  a 
fábrica  de  carros  do  senhor  Mesemberger^°^,  Essa 


Joaquim   Floriano   de   Godói,   A   Província   de  São 
Paulo,  págs.  24-25. 

^'^^  Bandeira  Jíinior,  A  Lidústria  no  Estado  dc  São  Paulo 
em  1901,  pág.  81. 

^^"^    Bandeira  Júnior,  op.  cit.,  pág.  211. 
^"'"^    Június,  op;  cit.,  pág.  56. 

Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  págs.  256-267. 


1174 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  f :  O 


localização  das  fábricas  na  rua  da  Constituição  já 
representava  o  primeiro  movimento  de  uma  tendência 
observada  recentemente  pelo  professor  Pierre  Def- 
fontaines  estudando  a  indústria  paulistana :  a  de  que 
a  paisagem  industrial  de  São  Paulo  foi  se  localizando 
ao  longo  de  um  eixo  formado  pela  linha  da  antiga 
São  Paulo  Railway.  "As  fábricas  sendo  escravas  em 
grande  parte  do  exterior,  para  o  abastecimento  em 
matérias  primas  ou  combusti\-el,  a  vizinhança  da  via 
férrea  era  indis])ensá\  e]"'  Xatpiele  tem])(),  o  ])ri- 
meiro  movimento  foi  a  localização  na  rua  Florêncio 
de  Abreu,  que  era  o  caminho  para  as  estações  da 
Inglêsa.  De  fato.  no  Almanaque  da  Província  de 
São  Paulo  para  1<S85,  se  a  gente  encontra  ainda  re- 
ferência a  alguma  fábrica  localizada  no  centro  da 
cidade  (ruas  do  Ouvidor,  do  Riachuelo,  Direita,  São 
José,  largo  de  São  Francisco)  e  em  outros  pontos  da 
cidade  (ruas  Sete  de  Abril,  das  Palmeiras,  da  Conso- 
lação) encontra  muitas  indústrias  localizadas  para  os 
lados  da  estação  da  estrada  de  ferro.  Eram  fábricas 
de  tecidos,  de  livros  em  brancix  de  licores  e  vinagres, 
de  águas  gasosas,  de  carros,  de  pianos,  e  fundições, 
espalhando-se  pelas  ruas  25  de  Março,  Alegre  (Bri- 
gadeiro Tobias ) ,  Florêncio  de  Abreu  e  pelo  largo  Ge- 
neral Osório"'.  Êsse  almanaque  de  1885  fazia  refe- 
rência ainda  a  fábricas  de  cola,  de  caixas  de  papelão, 
de  gêlo,  de  macarrão,  de  meias  e  de  sabão  e  velas. 
Algumas  fábricas  anunciavam  o  adiantamento  de  seu 
aparelhamento  ou  o  sistema  de  sua  produção.  Uma, 
de  cervejas  e  limonadas  gasosas,  esclarecia:  "sem  açao 


Pierre  Def rontaines,  "Regiões  e  Paisagem  do  Estado 
de  São  Paulo",  Geografia,  n.°  2,  pág.  117  e  seguintes. 

Almanaque  da  Província  de  São  Paulo  para  1885, 
págs.  210  e  seguintes. 


lUSTÓKIA    !■;    'I  UADIl^ÕKS    DA    CIDADF.    DE    SÃO    DAl  l.O  11/5 


direta  do  fogo"^'-.  E  a  fundição  de  Adolfo  Sydow 
se  declarava  habilitada  a  fabricar  "eng-enhos  de  açú- 
car, serras,  bombas  centrífugas,  prensas,  portões  c 
grades  de  ferro,  tesouras  de  ferro  i)ara  tetos,  pontes 
de  ferro  batido,  tanques  para  água,  instrumentos 
agrícolas,  chapas  para  fogões,  rodas  hidráulicas  e  sor- 
timento de  máquinas  para  a  lavoura""''.  Ao  lado  des- 
sas indústrias,  as  pequenas  oficinas  de  trabalhos  ma- 
nuais, que  vinham  por  certo  de  tempos  remotos,  es- 
tavam igualmente  representadas  no  almanaque  editado 
por  Seckler :  além  das  olarias,  cpie  eram  (|uarenta  e 
duas,  pintando  de  vermelho  a  i)aisagem  do  Tatuapé, 
do  Catumbi,  da  líarra  l^\inda  e  da  Água  liranca,  as 
oficinas  de  baiis  e  canastras;  duas  fábricas  de  picar 
e  desfiar  fumo;  uma  (ificina  de  gaioleiro  e  três  de 
tamanqueiros"'.  Indústrias  tão  modestas  como  aque- 
las outras  —  de  i)etecas  e  de  bainhas  de  couro  ])ara 
facas  —  em  que  se  especializara  por  \'olta  de  1870  o 
negro  Chico  Mimi.  mprador  do  Morro  da  Fôrca"'. 
Podia  ainda  ser  colocada  entre  essas  indústrias  mo- 
destas e  quase  sempre  caseiras  —  registradas  em  1885 
pelo  Almanaque  da  Prozniicia  —  a  de  'Moce  nacional" 
anunciada  como  de  propriedade  da  Viúva  Reis"^  que 
fôra  dona  de  uma  das  primeiras  pensões  aristocráti- 
cas de  São  Paulo. 


"2  Almanaque  da  Prenuncia  dc  São  Paulo  para  1885. 
pág.  606. 

Almanaque  da  Proz'iiicia  de  São  Paulo  para  1885, 

pág.  644. 

^^'^  Almanaque  da  Província  de  São  Paulo  para  1885, 
págs.  215,  229,  238  e  253. 

"5  Afonso  -A.  de  Freitas,  Tradições  e  Reminiscências 
Paulistanas,  pág.  18.. 

Almanaque  da  Proz'íncia  de  São  Paulo  para  1885, 

pág.  223. 


1176 


ERNÂNI      SILVA     BRU  N  O 


Fci  sobretudo  a  |  aríir  df  1885  —  segundo  Ro- 
berto Simonsen  —  que  diversos  fatores  modificaram 
a  situação  da  cidade  no  setor  das  indústrias.  Entre 
êles  o  fato  de  se  ter  tornado  São  Paulo  o  maior  jjro- 
dutor  de  café  do  país.  Surgiu  então  na  cidade  uma 
indiistria  regular  de  má(|uinas  ])ara  beneficio  de  café. 
Muitas  patentes  foram  concedidas  nesse  tempo  — 
obser^'ou  Simonsen  —  a  diversos  tipos  de  engenhos 
prc)prios  para  a  lavoura  do  café,  muitos  dos  quais  até 
agora  são  aproveitados  em  seus  princípios  fundamen- 
tais"'^'. Os  almanaques  da  província,  de  1885  a  188S, 
reg"istra\-am  os  anúncios  de  alguns  desses  fabricantes. 
Entre  êles,  o  estabelecimento  de  Engelberg  Siciliano 
&  Cia,  nos  Campos  Elíseos,  que  anunciavam  o  descas- 
cador  de  café  "Engelberg";  o  ventilador  para  café  em 
coco  "Apartador  das  Pedras"  e  a  máquina  de  bene- 
ficiar arroz  "Evaristo  Conrado",  privilegiados  pelo 
governo  ini];erial.  Outro  estabelecimento  anunciava 
secador,  desp.olpador.  descascador  e  catador  de  café, 
separador  de  arame  e  batedor  mecânico  para  refinação 
de  açúcar.  Outro  ainda,  um  ventilador  para  expelir 
a  palha  do  café  "com  peneira  sem  jôgo,  ventilando 
mais  de  mil  arrobas  em  dez  horas  de  trabalho". 
Acrescentava  detalhes:  "não  estremecia  a  casa  e  não 
deixa\-a  acumular  casca  dentro  de  casa".  Inventado  e 
fabricado  por  industriais  radicados  em  São  Paulo^^^. 

Mas  a  expansão  fabril  prosseguiu  também  em 
outros  ramos.  No  período  de  1885  a  1890  foram 
frndadas  novas  indústrias  de  tecidos  e  aniagens,  de 
rou]jas,  cer\'ejas,  de  licores  e  vinagres,  de  corda  e 
barbante,  de  livros  em  branco,  de  móveis  —  notando 


Roberto  Simonsen,  A  Evolução  Industrial  do  Brasil, 

pág.  37. 

^'^  Almanaque  Paulista  /lustrado  hara  1896.  pájrs.  194 
e  246. 


HISTÓRIA    K    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1179 


Raffard  em  1890  a  excelência  de  seus  produtos  con- 
frontados com  os  melhores  do  Rio,  e  achando  inte- 
ressante, nessas  fábricas,  a  utilização  de  madeiras  es- 
trang-eiras  como  o  freno  da  Huno-ria  e  outras  da 
Ásia^"  —  de  instrumentos  de  música,  de  máquinas; 
uma  cristalaria  e  uma  fábrica  de  rolhas;  a  primeira 
de  luvas  (1887),  de  Victor  Savin,  na  rua  do  Rosá- 
rio^^";  uma  de  banhas,  empregando  trinta  trabalhado- 
res e  que  talvez  fôsse  a  primeira  de  seu  g-ênero  no 
país^-^;  e  a  primeira  de  fósforos  (também  em  1887) 
de  Eisembach  &  Cia.,  montada  com  maquinismos  im- 
]:ortad(íS  dos  Estados  Unidos  e  (|ue  jiroduzia  ]K)r  ano 
trinta  milhões  de  caixinhas  de  fósforos  imitando  os 
Jonkopings  da  Suécia^^'.  A  fábrica  de  Eisembach 
ocupava  uma  área  edificada  de  dois  mil  e  quinhentos 
metros  quadrados,  na  Vila  Mariana,  e  empregava  mais 
de  duzentos  e  vinte  operários^^*.  Nessa  época  —  em 
1888  —  a  fábrica  de  Diogo  de  Barros  contava  já 
com  cento  e  cinquenta  teares  e  um  motor  a  vapor 
Carliss,  de  trezentos  H.  P.,  cujas  caldeiras  eram  aque- 
cidas a  carvão  Cardiff.  A  tinturaria  era  dotada  de 
dois  poços  artesianos,  um  dos  quais  atingia  duzentos 
metros  de  profimdidade^^*.  Segundo  observação  do 
major  Diogo  a  um  visitante  da  cidade,  em  1882,  a 
sua  indústria  exercera  influência  benéfica  sòbre  os 
seus  trabalhadores.  "Muitos  aprenderam  ali  os  ser- 
viços que  hoje  executam  com  destreza,  e  adquiriram 
hábitos  de  ordem  e  regularidade  de  conduta  que  lhes 


Henrique  Raffard,  op.  cit. 
José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  I,  pág.  587. 
Alberto  Sales,  A  Pátria  Paulista,  págs.  160-161. 
Henrique  Raffard,  op.  cit.,  e  José  Jacinto  Ribeiro,  op. 
cit.,  I,  pág.  665. 

Alberto  Sales,  op.  cit.,  págs.  160-161. 
A  Noite  (São  Paulo),  reportagem. 


19 


1180 


ERNÂNI      S  I  L  \'  A      B  R  U  N  C 


têm  apl•o^'eitado  na  vida  doméstica"^"^  No  fim  da 
penúltima  década  (litocentista  eram  cento  e  quarenta 
e  trés  os  operários  dessa  fábrica.  Já  funcionavani 
tambéms  na  cidade  a  indústria  de  tecidos  de  algodão  de 
Anhaia  &  Cia.,  com  diizentds  teares,  e  a  de  tecidos 
de  chita  de  Frederico  Kowarik.  empregando  regular- 
mente setenta  operários^'\  Na  mesma  época  —  em 
t(")rno  de  1890  —  uma  das  indústrias  mais  exploradas 
na  cidade  era  a  de  serrar  e  aparelhar  madeiras.  Em 
todos  os  bairros  paulistanos  se  encontravam  serrarias 
mecânicas  movidas  a  vapor  e  em  geral  bem  muníadas 
e  munidas  das  máquinas  mais  aperfeiçoadas,  utilizadas 
inclusi\c  no  corte  de  lenha  em  ])edaços  uniformes^^'. 
As  marmorarias  foram  fundadas  também  nesse  tempo 
sob  o  influxo  de  imigrantes  italianos  fixados  na  ci- 
dade. Das  dez  marmorarias  registradas  \)or  uma  pu- 
blicação de  Seckler.  nove  eram  de  italianos  ou  seus 
descendentes.  Entre  êles,  Conti  \'alenti  &  Cia.,  donos 
da  Marmoraria  Central,  na.  rua  lloa  \^isía,  (jue  anun- 
ciavam: "Corresjjondência  direta  com  as  grandes 
caieiras  de  mármore  de  Carrara  (Itália)  nos  põe  nos 
casos  de  executar  (jualquer  encomenda"^"\  Também 
pertenciam  a  pessoas  de  nomes  italianos  as  fábricas  de 
massas  e  macarrão  que  se  estabeleceram  depois  da- 
quela de  Dal  Porto  e  Casini :  Carolina  Gallo,  Donato 
Marzon,  Francisco  Biondi,  Luigi  Coglardi,  Miguel  Rio- 
chiello,  Rosário  Medici  e  Eiomanelli  &  Cia^^^. 


Június.  op.  cit.,  pág.  78. 

Alberto  Sales,  op.  cit.,  págs.  156  e  seguintes. 
Henrique  Raffard,  op.  c't. 
^-^    Almanaque  da  Província  dc  São  Paulo  para  1888 
anúncios,  pág.  48. 

^-^  Almanaque  Paulista  Ilustrado  para  1896,  pág-.  335. 
Entretanto  nessa  época  —  embora  a  indústria  brasileira,  de 
medo  geral,  como  observou  Prado  Júnior,  tivesse  tido  seu 


HISTÓRIA    I-:    -I  KADK^ÕES    DA    CIDADF.    DE    SÃO    PAl-LO  118] 


Muitas  dessas  í<ábricas  (jue  se  fundaram  eni  São 
Paulo  n:)  ]ieri():ln  de  lí-'S5  a  1890  já  esi.();;avani.  jiela 
sua  localização,  a  formação  de  alguns  dos  bairros 
fal)ris  :  rua  do  (Gasómetro,  l^rás,  Mooca,  Bom  Retiro, 
llelenzinho.  \'ila  I^rudente,  Cambuci  e  Ipiranga,  Pari, 
Luz,  Barra  Funda,  Agua  r>ranca.  Lapa^^".  Essa  lor- 
Hiação  dos  bairros  fabris  se  caracterizaria  melhor  to- 
davia na  última  dccada  do  stculo  passado  e  no  co- 
meço do  atua!  —  época  de  (jue  existem  boas  refe- 
rências no  trabalho  de  Bandeira  Júnior  sôbre  a  in- 
GÚstria  paulista  crii  ICCl  En.íre  as  indústrias  então 
mais  recentes  na  cidade  citava  Bandeira  Júnior  a  de 
mó\-eis  e  objetos  de  \-ime,  de  Guilherme  Witte,  fun- 
dada em  1880  c  com  pessoal  todo  alemão.  A  fábrica 
de  tecidos  fundada  em  1889  por  Antônio  Alvares 
Penteado,  e  em  que  trabalhavam,  nas  oficinas  de  ani- 
agem, mais  de  oitocentas  pessoas,  quase  tôdas  italia- 
n:is.  E  a  fábrica  Santa  Marina  (vitraria),  na  Água 
Branca,  fundada  em  1897  por  Antônio  Prado  e  Elias 
Fausto  Pacheco  Jordão,  com  duzentos  trabalhadores 
italianos  e  franceses.  Fsa.  essa  vitraria  a  fmica  no 
Brasil  e  a  segunda  no  continente  sul-americano,  sendo 
a  matéria  prima  e  o  combustível  de  fornalhas,  dos 
terrenos  de  sua  propriedade^-'^    Por  outro  lado  os 


primeiro  surto  apreciável  no  último  decénio  do  Império  -- 
São  Paulo,  apesar  do  seu  desenvolvim.ento,  ainda  figurava  em 
segundo  plano,  (Caio  Prado  Júnior,  História  Económica  da 
Brasil,  p-dgs.  208,  209  e  270)."' 

^'^^  Caio  Prado  Júnior,  "Xova  ccntril)uiç?.o  para  o  estudo 
geográfico  da  cidade  de  Svo  Paulo",  Estudos  Brasileiro^, 
Ano  IIÍ,  vol.  7. 

Bandeira  Júnior,  op.  cit. 

Bandeira  Júnior,  op.  cit.,  págs.  XVIII,  15T  e  2V. 
e  Everardo  \"2lim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências",  Pri- 
meiro Centenário  do  Conselheiro  .-intónio  da  Silva  Prado, 
págs.  217-218. 


1182 


ERNÂNI      SILVA     B  K  U  N  O 


irmãos  Falchi  haviam  transformado  o  antigo  e  deserto 
local  de  \'^ila  Prudente  em  vila  fabril  cheia  de  vida 
e  de  trabalho,  com  comércio  desenvolvido,  fábricas, 
escolas,  residências  mais  ou  menos  confortáveis^^^ 
Nesse  tempo  se  desenvolviam  sobretudo  as  tecelagens, 
contando-se,  além  da  de  Álvares  Penteado,  a  Com- 
panhia Industrial,  com  cento  e  sessenta  e  oito  teares 
e  cêrca  de  quatrocentos  trabalhadores ;  e  a  Companhia 
Fabril  Industriai  (antiga  Anhaia),  com  trezentos  e 
cinqiienta  operários  Mas  era  incalculável  —  se- 

gundo Bandeira  Júnior  —  o  número  de  tendas  de 
sapatarias,  marcenarias,  fábricas  de  massas,  de  graxa, 
de  óleo,  de  tintas  de  escrever,  fundições,  fábricas  de 
calçados,  manufaturas  de  roupas  e  chapéus,  funcio- 
nando em  estalagens  e  em  fundos  de  armazéns.  Como 
era  considerável  o  número  de  menores,  a  contar  de 
cinco  anos,  ocupados  em  serviços  fabris,  percebendo 
salários  que  começavam  por  duzentos  réis  a  diária-^^^. 
Não  só  a  maioria  de  operários,  comfo  a  maioria  de 
industriais,  era  então  constituída  de  elementos  ita- 
lianos. Basílio  de  Magalhães,  em  seu  estudo  publicado 
em  1913,  escrevia  que  eram  de  italianos  as  indústrias 
e  as  fábricas  mais  importantes  de  São  Paulo^^*^. 

As  ])erturbações  financeiras  que  ocorreram  de 
1897  a  1900  segundo  Paul  Walle  colocaram  certos 
estabelecimentos  fabris  paulistanos  em  situação  triste. 
Muitos  desapareceram.  Outros  porém  se  reorgani- 
zaram e  se  tornaram  ]>rós];eros.  Foi  a  partir  de  1900, 
segundo  ésse  cronista,  que  sob  a  proteção  de  nova 


Bandeira  Júnior,  op.  cit.,  pág.  XIX. 
Alfredo  Moreira  Pinto,  op.  cit.,  págs.  207-210. 
Bandeira  Júnior,  op.  cit.,  págs.  XI  e  XIIi. 
Basílio  de  Magalhães,  O  Estado  de  São  Paulo  e  seu 
progresso  na  atualidade,  pág.  74. 


HISTÓRIA  K  TKA|)!t;ÕKS  VA  linAPK  I)K  SÃ;)  I'Afl..)       1  1 S5 


íarita  aduaneira,  a  indústria  nianuíaLitreira  coiíieç. 
a  acusar  cm  São  i^aulo  i)r(;!^-rcss()  ainda  mais  r<ái)id() 
(luc  o  antei-ior''''.  Ai.esar  dj  cst:u-,  desde  aní.- on- 
dicionada  \)or  outros  tatórcs  i"a\-orávcis :  a  ri([ue;:a 
acumulada  em  consei|úência  das  la\'ouras  de  café.  a 
imi,<4ração  fornecendo  a  liabilitação  técnica  d;)  tra.ha- 
lliador  eiu"oi)eu  c  a  abundância  de  eneri^ia  hidráulica, 
saljcndo-se  (|ue  em  1901  começou  a  funcionaj'  a  i)ri- 
meira  usina  elétrica,  com  ca])itais  iní^-léses,  ljel,i;-as  e 
franceses'''''^.  Criaram-se  então  novas  fábricas  e  se 
modernizaram  muitas  das  existentes.  Tõdas  eram  do- 
tadas de  máquinas  aperfeiçoadas,  moxidas  a  \-ai;()r  ou 
a  eletricidade.  e  orientadas  jíor  especialistiis  \-indiis  da 
Europa  como  contramestres.  As  de  tecidos,  as  de 
chapéus  de  feltro  e  de  palha  e  as  de  massas  alimentícias 
começaram  a  fornecer  seus  jirodutos  não  s(')  jiara  o 
interior  paulista  como  para  outras  regiões  do  lirasir"'''. 

A  primeira  Grande  Guerra  contribuiu  al.^uns  anos 
depois  para  uma  ex])ansão  ainda  mais  notá\-el  do  par- 
(jue  industrial  paulistano.  Em  \-ista  da  falta  de  pro- 
dução dos  países  europeus  e  da  dificuldade  de  trans- 
portes marítimos  em  consequência  da  ,y"uerra.  mostrou 
Walle  que  o  ])arque  fabril  de  São  Paulo  se  desen\'ol- 
yeu  p^ara  poder  atender  às  exig'ências  dos  mercados 
nacionais  despr^ividos  de  artigos  estrang-eiros.  E  por- 
isso  se  criaram  numerosos  estabelecimentos  industriais 
entre  os  anos  de  1915  e  1917.  Mas  a  principal  in- 
dústria da  cidade  era  incontestavelmente  —  escre\-eu 
o  francês  —  a  de  tecidos  de  algodão.  Havia  dezoito 
dessas  fábricas  nos  bairros  do  Brás  e  da  Mooca. 


Paul  Walle.  o]).  cit.. 

Caio   Prado  lúnior, 
págs.  271-272. 

Paul  Walle,  op.  cit.. 


pág.  118. 

História  Económica  do  Brasil, 
pág.  118. 


llfó 


E  R  N  A  N  J      S  1  L  \-  A      H  R  U  X  O 


Nessa  época  era  tão  iini)ressionante  o  desenvoK-inientt ) 
industrial  da  cidade,  que  êle  absorvia  tòda  a  energia 
elétrica  disjjonível.  E  muitas  fábricas  —  pequenas  e 
grandes  —  ti\'erani  de  produzir  energia  própria,  uti- 
lizando-se  de  motores  usados,  de  tratores  e  até  de 
autom('i\-eis'^".  P^oi  também  a  guerra  de  I<il4-191M 
que  veio  firmar  a  função  industrial  como  caracteris- 
tica  de  alguns  subúrbios  paulistanos :  Santo  André  e 
Osasco,  por  exemplo,  embora  desde  fins  do  século  pas- 
sado e  comêço  do  atual  tivessem  começado  a  aparecer 
as  primeiras  fábricas  nas  regiões  suburbanas  de  São 
Paulo^^\ 


faul  Walle,  op.  cit..  págs.  120-122  e  Jornal  dc  São 
Paulo  de  9  de  Junho  de  1946. 

Arcilcí)  de  Azevedo.  Subúrbios  Orientais  dc  São  Paulo, 
páas.  33 -.3-1. 


vll  —  o  CAMINHO  DA 
SALUBRIDADE 


G 


: 


II: 


e  houve  a  ijartir 
de  18/!}  em  São 
Paulo  recursos  de 
medicina  e  de  hospi- 
talização considerà- 
velmente  maiores  ({ue 
os  da  fase  anterior  — 
e  se  puderam  então 
s:r  esquecidas  as  ejii- 
i-Vmias  devastadoras 
sobretudo  de  bexigas  que  ocorriam  em  tempos  mais  re- 
cuados —  foi  a  muito  custo  ainda  que  se  conseguiram 
eliminar  certos  fatôres  de  insalubridade  responsáveis 
provàvelmeníe  por  muitos  surtos  de  febres.  E  só  nos 
últimos  anos  do  século  passado  a  edificação  de  alguns 
hospitais  mais  amplos  e  a  organização  mais  perfeita  de 
entidades  de  combate  a  determinadas  moléstias  co- 
meçaram a  garantir  para  os  seus  moradores  melhores 
condições  de  existência  em  face  de  enfermidades  e 
epidemias. 

Embora  se  considerasse  nas  últimas  décadas  do 
oitocentismo  a  situação  de  São  Paulo  superior  ;i  do 


1190 


ERN  A  XI      S  1  L  \  A      B  R  U  N  C 


Rio  de  Janeiro,  sob  o  ponto  de  vista  da  salubridade 
e  da  higiene,  um  relatório  oficial  de  1887  mostrava 
ser  péssimo  a  êsse  respeito  o  estado  dos  rios  paulis- 
tanos, casos  de  febre  acometendo  por  exemplo  com 
frequência  os  moradores  das  áreas  banhadas  pelo  cór- 
rego Anhangabaii.  Destacava-se  por  outro  lado  a  ne- 
cessidade de  melhorar  o  sistema  de  construção  em 
tôda  a  cidade  e  rigorosamente  nos  bairros  baixos  e 
úmidos.  Referiu-se  mesmo  um  viajante  nessa  época 
a  paulistanos  abastados,  residentes  em  bairros  novos 
da  cidade,  que  iam  a  Paris  em  busca  de  tratamento 
para  acessos  de  impaludismo  causados  pela  moradia  em 
habitações  aparentemente  muito  boas  e  até  luxuosas. 
Aliás  a  existência  de  domicílios  insalubres,  mesmo  em 
edifícios  de  boa  arquitetura  exterior  —  com  vários 
defeitos  de  construção  e  deficiência  de  instalações  sa- 
nitárias — ■  foi  nesse  tempo  apontada  por  Emílio  Ribas 
como  um  dos  fatores  da  facilidade  com  que  se  pro- 
logava na  cidade  a  febre  tifóide.  Outro  fator,  a 
presença  de  doentes,  convalescentes  ou  jjortadores  de 
germens,  saídos  dos  porões  dos  navios,  na  época  de 
imigração  mais  intensa.  Datam  no  entanto  das  últi- 
mas décadas  do  século  dezenove  algumas  iniciativas  e 
realizações  importantes  na  história  da  luta  contra  as 
enfermidades  na  cidade  de  São  Paulo :  entre  elas,  a 
construção  do  Hospital  do  Isolamento,  da  Maternidade 
de  São  Paulo  e  do  novo  Hospício  de  Alienados,  e  a 
fundação  da  Policlínica  de  São  Paulo  e  da  Associação 
Paulista  de  Sanatórios  Populares  para  Tuberculosos. 

Também  acusaram  desenvolvinlento  notável  nas 
últimas  décadas  do  oitocentismo  —  quando  antes  exis- 
tiam apenas  a  Sociedade  Portuguêsa  de  Beneficência 
e  a  Sociedade  Artística  Beneficente  —  as  entidades 


HISTÓRIA  E  TRADIÇÕES  DA   (  IDADE  DE  S.U)  PAri.O 


de  beneficência  ou  de  socorros  niútuos.  muitas  delas 
organizadas  por  iniciativa  de  elementos  de  colónias 
estrangeiras  radicadas  em  Sfio  Paulo.  ]{  ainda  as 
sociedades  abolicionistas. 

O  policiamento  teve  de  se  ampliar  também  de 
forma  notável  para  acompanhar  o  crescimento  indus- 
trial da  cidade  e  de  sua  população,  em  conseqiiência 
das  construções  ferro^-iárias  e  da  chegada  contínua  de 
imigrantes  europeus.  Foi  ami)liada  a  (niarda  Urbana 
—  que  jiassou  a  se  distribuir  por  (|uatro  i)ostos  po- 
liciais —  e  aumentados  os  efetivos  do  velho  Corpo 
Policial  Permanente.  Em  1880  passou  a  cidade  a  con- 
tar com  uma  Secção  de  Bombeiros,  sendo  os  sinais 
de  fogo  dad(\s  ainda  pelos  sinos  das  igrejas.  Cria- 
ram-se  depcMs  sub-estações  auxiliares  e  a  corpora- 
ção passou  a  contar,  em  fins  do  século  jiassado,  com 
material  mais  moderno.  Tanto  a  organização  poli- 
ciai em  geral  como  êsse  Corpo  de  Bombeiros  foram 
ainda  aperfeiçoados  —  em  material,  em  preparo  e 
nos  seus  efetivos  —  nas  primeiras  décadas  do  século 
atual,  quando  além  de  se  estender  ainda  mais  desor- 
denadamente a  área  urbana,  o  crescimento  rápido  da 
população  e  do  parque  industrial  paulistano  vieram 
criar  problemas  de  conq  lexidade  maior  no  setor  da 
manutenção  da  ordem. 

Sabe-se  que  no  último  quartel  do  oitocentismo 
pelo  menos  duas  moléstias  que  vinham  dos  tempos 
coloniais  eram  ainda  mais  ou  menos  frequentes  na 
cidade  de  São  Paulo :  a  varíola  e  a  morf éia.  Ainda 
em  1875  se  manifestava  uma  epidemia  de  bexigas 
que  produziu  inquietação.  "Vai  crescendo  o  núme- 
ro de  variolosGS  nesta  capital  —  escrevia  o  jornal 
A  Provinda  de  São  Paulo  —  sendo  muito  para  crer 
que  a  epidemia  ganhe  proporções  a  que  chegou  há  dois 


1192 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


anos"  \  E  cm  1882  o  doutor  \'ilaça.  ex-deleg-ado  de 
Saúde  Pública  na  capital  de  São  Paulo,  confirmava 
cjue  a  morféia  era  muito  frequente  na  cidade'.  Ape- 
sar disso,  no  entanto,  parece  c]ue  a  cidade  estava,  sob 
o  ponto  de  vista  das  condições  higiénicas,  em  plano 
superior  ao  Rio  de  Janeiro  nessa  época,  pois  a  Côrte 
era  sujeita  como  se  sabe  aos  assaltos  Cjuase  perma- 
nentes da  varíola,  da  febre  amarela  e  do  cólera- 
morbus^  (3  que  nio  (juer  dizer  que  fossem  então 
satisfatórias  as  condições  sanitárias  da  capital  da  pro- 
víncia. Em  1873  por  exemplo  destacava  a  Câmara 
Municipal,  como  uma  das  medidas  mais  urgentes,  a 
mudança  do  matadouro  iiara  lugar  mais  ai^ropriado*. 
E  em  1887  o  relatório  do  inspetor  de  higiene  Marcos 
Arruda  falawi  n.o  ])éssimo  estado  dos  rios  que  atra- 
vessavam a  cidade,  mostrando  que  não  eram  raros 
os  casos  de  febres  sépticas  acometendo  os  moradores 
ncs  bairros  por  (rnde  passa^'a  o  Anhangabaii.  (|ue 
fazia  a  serventia  do  JMatadouro.  E  insist'a  n.iesmo 
na  necessidade  de  se  melhorar  o  sistema  de  constru- 
ções em  íôda  a  cidade,  particularmente  nos  bairros 
baixos  e  úmidos,  "nunca  consentindo  aí  fazer-se  casas 
térreas  e  proibindo  o  emprego  da  cal  de  marisco  que, 
pela  sua  natureza,  conserva  sempre  a  umidade  e  pela 
capilaridade  chama  a  umidade  do  solo  e  jirovoca  di- 
versos processos  de  fermentação"'".  Dizia  ainda  o 
doutor  Aíarcos  i\rruda  que  mesmo  na  área  servida 
pela  Cantareira  existiam  casas  onde  os  proprietários 


^    A  Província  dc  São  Paulo,  11  de  agosto  de  1875. 

2  José  Lourenço  de  Magalhães,  A  Morjcla  no  Brasil 
Especialmente  na  Proi  incia  dc  São  Pai('o,  pág.  50. 

^    J.  Nogueira  Itagiba,  Trechos  de  Vida.  págs.  83-84. 
Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LIX,  pág.  46. 

^  A.  Nogueira  de  Sá,  "Notas  à  Margem  de  um  Relatório", 
Revista  do  Arquivo  Municipal,  XXIX,  psgs.  77-78. 


HISTÓRIA    K    TRADIÇÕES    PA    CIDADE    DK    SÃn    PAri.O  1103 


e  iiKiuilinos,  rccfiosds  de  tiitii]-ir  ;ís  In.trinas  e  pa.^ar 
multas,  utilizavam-se  das  anti,^-as  cloacas:  i  :)t,-()s  abcr- 
t(is  lia  terra,  cobertos  ou  descobertos.  ])restan(lo-se  a 
tôdas  as  e\-a[)orações  e  filtraç<3es'"'. 

Por  outro  ladtj  já  em  18-83.  na  Fala  à  Assembleia 
Legislativa  da  Província,  fazia-sc  referência  à  neces- 
sidade de  medidas  insistentemente  reclamadas  pela  bi- 
giene  pública  da  cidade.  "Com  a  f reqiiência  de  cbuvas 
torrenciais  —  dizia-se  nesse  documento  —  às  (juais 
sucediam  dias  de  elevadíssimo  calor,  os  lagos  aciden- 
talmente formados  constituem  focos  de  miasmas,  que 
muito  concorrem  i  ara  viciar  a  atmosfera,  alterando 
e  agravando  a  constituição  médica  ];elo  predomínio 
das  febres  paludosas,  com  os  seus  variados  tipos,  tor- 
nando-se  mais  salientes  as  subnitrantes,  que  tão  co- 
miumcnte  fazem  transição,  revestindo-se  de  fisiono- 
mia tífica"'.  "Conbeço  Vcárias  pessoas  —  escre\-ia 
em  1889  o  \-iaiante  Alfred  ^larc  —  babitantcs  dos 
bairros  novos  de  São  Paulo,  que  vieram  recentemente 
a  Paris  tratar-se  de  acessos  de  impaludismo  que  Ibes 
causou  a  moradia  nessas  belas  babitações  aparente- 
mente tão  aperfeiçoadas"-.  As  condições  higiénicas 
da  Paulicéia  não  eram  sempre  boas  —  dizia  em  1890 
Raffard  —  e  o  Jantai  da  Tarde  clamava  a  favor 
da  limpeza  da  cidade  na  via  pública  e  no  interior  dos 
domicílios',  censurando  o  desleixo  e  a  incúria  dos  fis- 
cais. r3estaca\'a  êsse  jornal  sobretudo  o  inconveniente 
de  se  achar  sem  esgoto  a  maior  parte  das  habitações 
paulistanas.  No  Pom  Retiro,  especialm-^nte,  quase 
todos  os  dias  se  registravam  casos  de  doenças  caiisa- 


^    A.  Nogueira  de  Sá.  op.  cit..  pág.  78. 
"    Citado  por  Alelo  Nóbrega,  História  de  um  Rio  —  o 
Tietê,  págs.  ]89t19Ô. 

8    Alfred  Mare.  Lc  Brcsil,  II,  pág.  159. 


1194 


E  R  .^  A  N  I      SILVA  BRUNO 


das  pela  água  imprestável  dos  poços  existentes". 
Ainda  nos  últimos  anos  do  século  passado  Emílio 
Ribas,  então  encarregado  de  dirigir  o  Serviço  Sani- 
tário do  Estado,  atribuia  a  facilidade  de  propagação 
da  febre  tifóide,  em  parte,  à  presença  de  doentes, 
convalescentes  ou  portadores  de  germens,  saldos  dos 
navios  para  a  cidade,  na  época  de  imigração  intensa^". 
Por  outro  lado,  à  existência  daqueles  domicílios  in- 
salubres a  (jue  aludiu  Alfred  Mare,  embora  às  A'ézes 
em  prédios  de  belos  efeitos  arquitetônicos  e  de  pro- 
priedade de  gente  abastada.  Esses  domicílios  reve- 
lavam defeitos  muito  sérios  nas  instalações  de  esgotos 
e  aparelhos  sanitários,  soalhos  velhos  e  esburacados, 
e  não  contavam  com  uma  conveniente  impermeabili- 
zação do  solo".  Daí  ter  i)ri)Cedido  Ribas  à  reforma 
dessas  moradias,  o  (jue  foi  feito  em  primeiro  lugar 
e  com  resultados  consideráveis  no  bairro  da  Vila  1  >uar- 
que,  onde  a  febre  tifóide  costumava  se  propagar  com 
muita  intensidade  e  de  onde  desapareceu  depois  de 
alguns  anos^-.  (J  aumento  da  febre  depois  de  1908 
Ribas  explicava  pelo  desenvolvimento  vertiginoso  da 
cidade,  sem  que  a  êsse  acréscimo  rápido  de  população 
acompanhassem  os  melhoramentos  necessários  à  ação 
do  Serviço  Sanitário^".  De  outra  parte,  em  1913  o 
viajante  italiano  Cusano  já  assinalava  que  as  casinhas 
e  os  cortiços  de  certos  bairros  populares  paulistanos 
(Brás,  Bexiga,  Cambuci)  davam  margem  a  uma  pro- 
miscuidade que  facilitava  os  contágios".     O  índice 


'  Henrique  Raffard,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rev. 
do  Inst.  Hist.,  Geog.  c  Etnog.  Brasileiro,  vol.  LV,  lí,  pág.  159. 

Emílio  Ribas,  "A  Febre  Tifóide  em  São  Paulo  e  o 
seu  Histórico",  Boletim  do  Instituto  de  Higiene,  nP  8.  pág.  11. 
Emilio  Ribas,  op.  cit.,  págs.  11  e  seguintes. 
^2    Emílio  Ribas,  op.  cit.,  pág.  13. 
Emilio  Ribas,  op.  cit.,  pág.  24. 

Alfredo  Cusano,  Itália  d'oltre  Mare,  págs.  116-117. 


HISTÓRIA   K   TKADU.ÕKS  CIDArK  1)K  SÃ.)  I'AfI,0 


nioriulidaclc  intuntil  t;iinbcni  sc  nuintinha  alto  so- 
bretudo entre  as  crianças  confiadas  à  Santa  Casa. 
Mais  de  um  século  —  observou  o  dr.  Vilares  —  per- 
durou o  sistema  das  "amas"  ou  criadeiras,  (jue  eram 
mulheres  de  (M-iiíem  modesta,  residentes  nas  \  ilas  mais 
pobres  dos  arredores  da  capital  e  que,  recebendo  a 
criança  em  sua  casa,  não  ^"isa^•am  senão  uma  remu- 
neração, por  ])e(|uena  que  fôsse.  "Quem  já  não  ouviu 
falar  das  amas  de  Santo  Amaro  e  Itapecerica? 
A-luito  ignorantes,  pertencentes  a  famílias  que  tra- 
balhavam na  lavoura,  recebiam  da  Santa  Casa  a  pro- 
pina mensal  de  quatro  cruzeiros".  Ainda  do  rela- 
tório do  dr.  Miares  são  estas  palavras:  "Pudemos 
verificar  de  visu  como  eram  assistidas  as  crianças 
entregues  às  amas.  Em  geral,  abrigadas  em  casas 
primitivas,  sem  qualquer  recurso  higiénico,  tratadas 
por  pessoas  incultas  e  paupérrimas,  as  crianças  viviam 
na  mais  completa  falta  de  cuidados  os  mais  prementes. 
Daí  o  seu  elevado  índice  de  mortalidade"^". 

Por  outro  lado  eram  ainda  bastante  reduzidos 
os  recursos  hosintalares  logo  depois  de  18/0.  O  la- 
zareto em  1875  nem  merecia  esse  nome  —  dizia  um 
jornal  —  ])OÍs  não  dava  talvez  para  vinte  enfermos^*'. 
Em  19C0'  êle  estava  instalado,  segundo  Moreira  Pinto, 
em  uma  casa  baixa,  de  construção  antiquíssima,  muito 
arruinada,  "tendo  o  aspecto  de  uma  senzala  das  an- 
tigas fazendas"^'.  Só  a  partir  da  última  década  do 
oitocentismo  e  dos  primeiros  anos  do  século  atual  foi 
que  algumas  realizações  e  iniciativas  aparelharam  me- 


Citado  por  Tolstói  de  Paula  Ferreira,  "Suijsídios  para 
a  História  da  Assistência  Social  em  São  Paulo",  Rcfisfa  do 
Arquivo  Municipal.  LXVII,  págs.  22-23. 

A  Província  dc  São  Paulo,  de  11  de  agosto  de  1875. 
1''  Alfredo  Moreira  Pinto,  A  Cidade  dc  São  Paulo  cnt- 
1900,  146. 


:20 


1196 


E  K  N  A  N  I      S  I  L  V  A      B  K  U  N  C 


lhor  a  cidade  de  instituições  de  combate  a  certas 
moléstias.  Em  1894  ampliaram-se  as  instalações  do 
Hospital  do  Isolamento' ^  que  vinha  funcionando,  desde 
1880,  com  um  único  ]:)avilhão,  destinando-se  ao  tra- 
tamento e  obser\  ação  de  moléstias  de  isolamento  com- 
pulsório, como  a  febre  tifóide,  a  difteria,  a  escarlatina, 
a  meningite  epidêmica  e  outras"*.  Em  1895  foi  fun- 
dada, passando  a  funcionar  no  ano  seguinte,  a  Poli- 
clínica de  Sfio  Paulo,  com  objetivo  de  proporcionar 
à  classe  pobre  consultas  médicas  de  graça,  e  quando 
possível  medicamentos^".  Na  mesma  época  —  em 
1894  fundou-se  a  Maternidade  de  São  Paulo,  por 
iniciativa  do  Dr.  Bráulio  Gomes,  sabendo-se  que  até 
esse  tempo  a  cidade  não  contava  com  c[ualquer  esta- 
belecimento onde  fossem  atendidas  as  parturientes  sem 
recursos"\  Nos  últimos  anos  do  século  passado  — 
em  1898  —  o  dr.  Clemente  Ferreira  pensou  na  consti- 
tuição de  uma  associação  que,  vasada  nos  moldes  da 
"Verein  fuer  Volkkeilstatten",  de  Munich,  tivesse  como 
objetivos  fundamentais  a  educação  anti-tuberculosa  da 
população,  a  propaganda  e  realização  consecutiva  das 
principais  medidas  contra  a  moléstia  e  a  instalação  de 
sanatórios.  Foi  a  origem  da  Associação  Paulista  dos 
Sanatórios  Populares  para  Tuberculosos,  intalada  em 
1899^^.    Até  1891  o  hospício  de  alienados  funcionou 


Juan   Solorzano  v  Costa.  El  Estado  de  São  Paulo, 

pág.  79. 

São  Paulo  dc  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã,  Boletim 
do  Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda,  n.*'  19, 
pág.  18. 

-°  São  Paulo  dc  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã,  nP  8, 
pág.  37. 

2^  São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã,  nP  16. 
pág.  26. 

"  São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  AmanM.  nP  9 
pág.  24. 


.iji 


HISTÓRIA  K  TRADIÇÕKS  Da  CTDAnE  DE  SÃu  VATLO  1199 


cni  uma  \  c-lha  chácara  da  Tabatin-ucra :  uni  velho 
casarão  —  dizia-sc  cm  1905  —  pouco  apropriado  ao 
tim  a  (jue  sc  destinava-"'.  A  edificação  do  novo  hos- 
pício só  foi  iniciada  em  1895"'.  Sua  colónia,  que  foi 
a  primeira  parte  construída,  começou  a  funcionar  em 
1898'^  Mas  parece  que  só  em  1906  foram  trans- 
feridos para  o  Juciueri  os  dementes  que  estavam  alo- 
jados no  casarão  da  Tabating-iiera"''. 

Entretanto,  os  moradores  da  cidade  nessa  época 
já  podiam  contar  com  maior  assistência  — •  não 
apenas  médica,  mas  social,  no  sentido  um  pouco 
mais  am])lo  —  em  virtude  do  grande  número  de  en- 
tidades de  beneficência  ou  de  soci^rros  mútuos  que 
então  se  fundaram,  muitas  delas  por  iniciativa  de 
elementos  de  colónias  estrangeiras.  Sabe-se  que  em 
1874.  considerando-se  o  grande  número  de  pedintes 
existentes  na  cidade,  foi  de  outra  parte  proposta  na 
Câmara  a  criação  do  Asilo  de  Mendicidade  Munici- 
pal^'. No  ano  seguinte,  segundo  Floriano  de  Godói, 
já  existiam  a  Sociedade  Artística  Beneficente,  a  So- 
ciedade Alemã  Beneficente,  a  Sociedade  Alema  de 
Socorro  Mútuo  e  a  Beneficência  Portuguêsa"^.  Essas 
e  ainda  outras  eram  registradas  —  em  1885-1888 
— -  pelo  almanaques  editados  por  Seckler :  a  Socie- 
dade Beneficente  dos  Empregados  Públicos,  a  Socie- 

-■^  Sonsa  Pinto.  Terra  l\Ioça  —  Inil^rcssõcs  Brasileiras, 
DiiSs.  386-387. 

Francisco  Franco  da  Rocha.  Hospício  c  Colónias  de 
Juqueri,  pág.  1. 

Sousa  Pinto,  op.  cit.,  págs.  386-387. 
26    Pedro  Dias  de  Campos,  "Quartéis  da  Capital",  Rcv. 
do  Inst.  Hist.  e  Geog.  de  São  Paulo.  XIV,  pág  221. 

2''  Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LX,  págs. 
163-164. 

Joaquim  Floriano  de  Godói,  A  Província  de  São  Paulo, 

pág.  24. 


1200 


ERNÂNI      S  I  L  \-  A      B  K  U  N  C 


dade  Beneficente  dos  Chapeleiros  "Dois  de  JuW, 
o  Círculo  Operário  Italiano,  a  Sociedade  Italiana  de 
Beneficência  V^itorio  Emanuele  II.  a  Societá  Ita- 
liana de  Beneficenza,  a  Sociedade  Suíça  de  Benefi- 
cência Helvetía,  a  Associação  TipogTáfica  Paulista- 
na de  Socorros  Mútuos,  a  Sociedade  Beneficente 
Mineira,  a  Sociedade  Beneficente  dos  Estudantes  Flu 
minenses  —  além  das  sociedades  abolicionistas^^. 
Entre  essas  entidades  abolicionistas  aliás  podia  se 
incluir  o  próprio  Círculo  Operário  Italiano,  (jue  [rd- 
rece  que  costumava  realizar  espetáculos  teatrais  em 
benefício  da  libertação  dos  escravos^". 

Mas  também  o  policiamento  da  cidade,  de  modo 
íi'eral,  se  desenvolveu  e  se  aperfeiçoou  a  partir  do 
último  quartel  do  século  dezenove.  como  resultado 
aliás  de  medidas  que  se  impunham  em  consequência 
do  crescimento  de  sua  área  e  de  sua  ixjpulação.  Em 
1873  considerava-se  rjue  a  cidade  estava  mal  policiada. 
E  o  chefe  de  polícia  lembrava  que  era  urgente  criar- 
se  uma  secção  de  companhia,  com  efetivo  de  quarenta 
ou  cinquenta  praças,  a  fim  de  se  encarregar  exclusi- 
\-amente  do  policiamento  da  capital.  No  ano  seguinte 
essa  autoridade  justificava  sua  idéia  lembrando  o  ex- 
traordinário desenvolvimento  industrial  áe  São  Paulo 
e  o  aumento  de  sua  população  em  consequência  das 
construções  ferroviárias  e  da  chegada  contínua  de 
imigrantes  europeus^\  A  criação  de  uma  secção  de 
couipanhia    foi    autorizada    en--    1875.  Chamava-ss 


Ahiianaqiic  da  Província  de  Sãn  Paido  para  1885, 
páo's.  185  e  seguintes,  para  1886,  ])áss.  270  e  seguintes  e  para 
1888.  págs.  224  e  seguintes. 

Atas  da  Câmara  Municipal  dc  São  Paulo,  LXVTT, 

pág.  96. 

•'^  Euclides  Andrade  e  Hely  F.  da  Câmara.  A  F.'rrça  Pú- 
blica dc  São  Paulo  —  Esboço  Histórico,  págs.  20  a  24. 


HISTÓRIA  i:  iKAincÒKs  da  iii;aim-;  di-.  são  iwri.;)  1203 


Guarda  Urbana  e  loi  clistribuicla  por  (lualro  postos 
policiais,  instalados  em  zonas  convenientes  das  fre- 
g-iiesias  paulistanas.  Cada  posto  dispunha  de  um  con- 
tingente de  dez  praças,  e  as  restantes  ficavam  na  sede 
do  comando  central.  Dois  anos  depois  seu  efetivo 
foi  elevado  para  cento  e  vinte  praças.  Os  elementos 
dessa  Guarda  Urbana  foram  apelidados  de  ''Morce- 
gos" iielo  i)ovo.  E  ainda  recentemente  se  ou\-ia  cantar, 
em  certas  rodas  populares  da  cidade,  uma  \elha  mo- 
dinha em  (|ue  esses  milicianos  eram  \'isados  ])e]o  hu- 
morismo dos  cantadores,  através  de  uma  letra  assim: 

Sou  Guarda  Urbano,  f^clas  ruas  vaijo 
dc  espada  à  ciiifa.  por  )ião  ter  cui prego. 
E  os  transeuntes  quando  cu  i'uu  passando, 
d:ccni  rosnando:  sai  daqui,  nioi-cce/o.- 

Essa  letra  tem  sido  atribuída  ao  p-oeta  Alvares 
de  Azevedo.  Mas  como  o  autor  da  Ahiitc  iia  Taverna 
morrera  mais  de  vinte  anos  antes  da  organiza- 
ção da  guarda  dos  "morceg'os",  se  esses  versos 
eram  dêle  é  claro  f|ue  se  referiam  a  policiais  de  outra 
época,  cujos  uniformes  talvez  se  prestassem  também 
:'i(juela  comparação. 

Em  1878-1879  o  Corpo  Policial  Permanente  teve 
seu  efetivo  elevado  para  mil  homens,  ficando  êle  na 
realidade  porém  com  oitocentos  e  dez,  aumentados 
dois  anos  depois  para  novecentos  e  oitenta  e  sete'''''. 
Eram  os  elementos  do  Corpo  Policial  Permanente, 
ainda  nesse  tempo,  os  encarregados  da  luta  contra  os 
incêndios.  A  situação  era  exposta  à  Assembleia  Pro- 
vincial, i;or  Laurindo  de  Brito:    ''A  cada  incêndio, 

^-  Euclides  Andrade  e  Hely  F.  da  Câmara,  op.  cit., 
pág.  6. 

Euclides  Andrade  e   Hely   F.   da   Câmara,   op.  cit.,, 

pág-.  21. 


1204 


E  R  X  A  N  I      SILVA  BRUNO 


que  felizmente  rara  \çz  alarma  a  população  desta  ca- 
pital, mas  para  que  jcá  era  tempo  de  estarmos  prepa- 
dos,  atento  o  aumento  de  fogos,  o  acúmulo  de  habi- 
tantes e  a  importcância  dos  prédios,  ouvia-se  um  clamor 
g-eral  contra  a  imprevisão  que  deixava,  por  falta  de 
máquinas  e  aparelhos  necessários,  a  cidade  exposta 
à  devastação  pelo  incêndio,  quando  êste  tomasse  pro- 
porções que  exigissem  o  emprego  de  mjáquinas  mais 
potentes  que  as  bombas  de  jardim  e  deslocação  de 
água  mais  prontamente  do  que  pelos  baldes  dos  agua- 
deiros"''\  Nesse  ano  de  1880,  em  que  Laurindo  de 
Brito  escrevia  isso,  verificou-se  na  cidade  mais  um 
incêndio  de  proporções  enormes :  o  que  destruiu  a 
maior  parte  do  arquivo  da  Academia  de  Direito  e  a 
capela-mor  da  igreja  contígua  a  êle^^  Ao  toque  de 
rebate  de  tôdas  as  igrejas  —  escreveu  Vampré  — 
acudiu  muita  gente  às  três  horas  da  madrugada.  E  apa- 
receram também  o  Corpo  de  Urbanos  e  o  de  Perma- 
nentes e  até  as  tropas  de  linha.  Lutaram  todos  contra 
as  chamas  durante  largo  tempo,  só  conseguindo  acabar 
com  o  fogo  às  seis  horas  da  manhã'^  "A  intensi- 
dade do  fogo  —  contou  então  o  jornal  A  Província 
dc  São  Paulo  —  a  falta  de  pessoal  amestrado  em  ser- 
viços de  extinção  de  incêndios,  a  ausência  completa 
de  instrumentos  necessários  em  tais  casos,  como  bom.- 
bas,  baldes,  machados,  etc,  a  deficiência  de  água  nas 
primeiras  horas  da  catástrofe,  eram  terríveis  prenún- 
cios de  que  não  se  salvariam  neni  o  edifício  da  Fa- 
culdade, nem  a  sua  biblioteca,  nem  a  igreja  da  Ordem 
Terceira  dos  Franciscanos,  edifícios  êsses  todos  con- 


Citado  por  Spencer  Vampré,  Memórias  para  a  Histó- 
ria da  Academia  de  São  Paulo.  II,  i^ág.  4-17. 

^'^  José  Jacinto  Ribeiro,  Cronologia  Paulista.  I,  pág.  303. 
•'^    José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  I,  pág.  303. 


HISTÓRIA    K    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DK    SÃO    PAULO  1205 


tíg-uos  e  inteiramente  ligados  entre  si"'".  Essa  ocor- 
rência parece  ter  sido  decisiva  no  sentido  de  que  se 
pensasse  em  uma  organização  especialmente  treinada 
e  equipada  para  extinguir  incêndios.  Se  bem  (|ue 
alguns  anos  antes  —  cm  1874.  —  no  govêrno  de  João 
Teodoro  Xavier,  tivesse  sido  aprovada  por  lei  a  aqui- 
sição de  material  destinado  a  combater  incêndios  e 
criada  uma  turma  de  dez  homens,  anexa  à  (^^m))a- 
nhia  de  Urbanos,  incluindo  algumas  ex-praças  do 
corpo  de  Bombeiros  da  Côrte^^  Foi  no  entanto  no 
ano  de  1880  que  se  organizou  a  Secção  de  Bonibeiros 
anexa  à  Companhia  de  Urbanos  (depois  Guarda  Cí- 
vica), com  sede  na  antiga  rua  do  Quartel  e  composla 
de  dois  inferiores  e  dezoito  praças.  Para  fazer  sua 
instrução  veio  expressamente  do  Rio  um  comandante 
do  Corpo  de  Bombeiros^^.  O  material  dessa  secção 
de  bombeiros  se  C(^mpunha  de  duas  bombas  química.s 
abafadoras,  para  socorro  pronto  nos  pequenos  incên- 
dios; duas  bombas  francesas  chamadas  "de  tina",  com 
fôrça  de  projeção  suficiente  para  mandar  água  à  al- 
tura de  um'  edifício  de  dois  andares ;  e  uma  bomba 
vienense  "de  tipo  aperfeiçoado",  destinada  aos  grandes 
incêndios  pela  facilidade  com  que  podia  ser  alimentada 
em  qualquer  encanamento  de  água". 

Em  1882.  quando  ocorreu  o  incêndio  do  Hotel 
de  Espanha,  contou  Afonso  A.  de  Freitas  que  muitos 

Afonso  A.  de  Freitas,  Dicionário  Hislórico.  Topo- 
f/ráfico.  Efiiof/ráf-iro  Ilustrado  do  Mititicipio  dc  São  Paido.  T, 
pág.  65. 

38  Pedro  Dias  de  Cainpos.  "O  Corpo  de  Bombeiros  de 
São  Paulo".  Rn:  do  lust.  Hist.  c  Gcoq.  dc  São  Paulo.  XIII. 
pág.  144. 

'■^  AluianaqiiC  da  Proi^iucia  de  São  Paulo  para  18S5. 
pág.  87. 

Euclides  Andrade  e  Helv  F.  da  Câmara,  op.  cit.. 
pág.  222. 


1206 


K  R  N  A  NI      S  I  L  V  A      B  R  II  N  O 


populares  —  de  certo  nuixidos  pela  força  do  hábitt\ 
se  não  pela  curiosidade  —  acorreram  ao  local,  quando 
ouviram  o  alarme  desesperado  dos  sinos  das  igrejas. 
Não  precisaram  mais  de  lutar  contra  o  fogo,  porém, 
e  ficaram  simplesmente  assistindo  ao  trabalho  dos 
bombeiros.  Êstes  conseguiram  então  evitar  a  des- 
truição do  edifício,  pois  puderam  contar  com  a  abun- 
dância de  água  (|ue  jorrava  dos  encanamentos  novos 
da  Cantareira^\  Já  eni  1885  —  segundo  as  indica- 
ções que  se  encontram  no  Almanaíjue  da  Província, 
de  Seckler,  para  aquele  ano  —  a  Secção  de  Bombeiros 
tinha  cinco  bombas,  sendo  uma  ]Aixada  por  animais; 
dois  extintores  portáteis  ;  uma  escada  prolongável;  duas 
escadas  de  gancho;  três  ])ipas  para  condução  de  água, 
montadas  em  carroças :  um  paraquedas  e  um  saco 
salva-vidas'-.  Todo  um  a];arelhamento  que  fazia  es- 
cpiecer  os  baldes  dos  aguadeiros  e  os  potes  das  negras 
de  outros  tem]xis.  Naquele  ano  recebeu  ainda  a  organi- 
zação material  mais  moderno  do  Rio,  para  melhoria  dos 
seus  serviços.  E  como  o  portão  da  Estação  Central 
dos  Urbanos  não  pudesse  dar  passagem  aos  carros 
com  seus  equipamentos,  ela  se  nuidou  i)ara  um  prédio 
da  rua  do  Trem  (  Anita  Garil)aldi )  onde  se  construí- 
ram os  galpões  necessários  à  guarda  do  material. 
Entre  êsse  material,  uma  poderosa  bomba  a  vapor 
Greenwich,  a  primeira  que  a  cidade  conheceu^^.  Mas 
os  sinais  de  fogo  ainda  eram  dados  pelas  igrejas  que 
estivessem  mais  perto  do  local.    E  as  do  centro  de- 


Alimiiicujiic  da  Província  de  São  Paulo   [>ara  1S85, 

pág.  48. 

Euclides  Andrade  e  Helv  F.  da  Câmara,  op.  cit.,  pásrs. 

222-227. 

'^^  Euclides  Andrade  e  Helv  F.  da  Camara,  op.  cit., 
pág.  228. 


1! 


iUSTORIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    l>.\i:i.O  1209 


viam  acusar  os  que  fossem  dados  pelas  dos  arrabal- 
des. Êsses  sinais  precisavam  de  ser  feitos  cxnn  nmita 
precaução  —  aconselha\-a  o  almanaque  citado  —  de 
modo  que  as  badaladas  ([ue  indicassem  os  distritos 
não  fôssem  confundidas  com  as  do  rebate.  Era  i)re- 
ciso  que  se  desse  uma  badalada  e  depois  de  trinta 
seg-undos,  mais  ou  menos,  o  rebate,  devendo  êste  não 
exceder  de  quinze  badaladas  aceleradas  "e  assim  su- 
cessivamente até  quatro  ou  cinco  repetições"'^*. 

Uma  lei  de  1888  elevou  o  efetivo  da  Secção  de 
Bombeiros  para  trinta  praças,  um  primeiro  e  um 
seg-undo  sargentos.  Três  anos  depois  foi  o  Corpo  de 
Bombeiros  organizado  com  duas  companhias,  uma 
com  o  efetivo  de  122  homens  e  outra  com  o  de  118. 
Criaram-se  então  duas  estações  auxiliares .  a  do  Norte, 
para  atender  aos  avisos  de  incêndios  do  bairro  do 
Brás  e  adjacências,  já  então  industrializados  e  a  do 
Oeste,  atendendo  aos  bairros  da  Barra  Funda  e  Cam- 


Euclides  Andrade  e  Hely  F.  da  Câmara,  op.  cit.,  págs. 
23-24.  Segundo  um  registro  do  Almanaque  de  1885,  uma  ba- 
dalada €ra  sinal  de  fogo  no  centro  da  cidade  (largo  da  Sé,  ruas 
Direita,  do  Comércio,  da  Quitanda,  pátio  do  Colégio)  ;  duas, 
nas  ruas  do  Quartel,  da  Esperança,  da  Assembleia ;  três,  nas 
ruas  das  Flores,  do  Trem,  do  Carmo,  da  Boa  Morte,  da  Taba- 
tingúera ;  quatro,  nas  da  Liberdade,  dos  Estudantes  e  Ver- 
gueiro :  cinco,  no  largo  Sete  de  Setembro  e  ruas  da  Glória  e 
Conselheiro  Furtado ;  seis.  no  largo  São  Francisco,  ruas  Ria- 
chuelo  e  Senador  Feijó;  sete,  nas  ruas  Boa  Vista,  São  Bento, 
parte  da  Florêncio  de  Abreu  e  25  de  Março ;  oito,  na  São 
jo:-o.  rua  Alegre  e  bairro  do  Bnm  Retiro;  nove.  na  Guaianases 
e  zona  da  Barão  de  Piracicaba ;  dez,  na  Florêncio  de  Abreu  da 
ponte  em  diante.  Campo  da  Luz  e  imediações ;  onze,  nas  ruas 
Sete  de  Abril,  Barão  de  Itapetininga  e  24  de  Maio ;  doze,  na 
Consolação  até  a  cemitério,  e  Santa  Cecília;  treze,  no  Bexiga 
até  "o  fim  da  rua  do  Vale  d'Andora"  :  e  catorze,  nn  Brás.  na 
Mooca  e  no  Pari.  ( Alinaitaijnc  da  J^nn-htcia  dc  São  ['imín  para 
im,  pág.  48). 


R  X  A  XI      S  T  L  V  A      BRU  X  f) 


pos  Elíseos  c  outras  zonas  dessa  parte  da  cidade. 
Na  mesma  ocasião  f(n  autorizada  a  compra  de  outra 
bomba  a  vapor  tipo  Greenwich,  dos  fabricantes  Mer- 
rywheater  &  Sons ;  de  três  bombas  manuais  Metro- 
politan: de  um  carro  para  transporte  de  mangueiras; 
de  quatro  mil  e  duzentos  metros  de  man.^ueiras ;  de 
vinte  e  quatro  clerivantes  diversos;  de  três  bombas 
])ortáteis :  e  de  mais  utensílios  necessários,  como  abra- 
çadeiras para  mangueiras,  escadas  de  assalto,  macha- 
dinhas  e  machade )-])icaretas'''\  Depois  de  1895  fo- 
ram inauguradas  as  sub-estações  do  Norte  e  do  Oeste, 
a  que  já  se  fêz  referência.  E  então  fr)ram  instaladas 
em  diferentes  bairros  da  cidade  cin(|uenta  caixas  au- 
tomáticas, ligadas  diretamente  à  Estação  Central  — 
adotando-se  o  sistema  telegráfico  Morse  —  com  sub- 
estação também  na  Repartição  de  Águas"'.  A'ías  só 
em  1910  seria  substituído  o  material  a  tração  ani- 
mal ])elo  autr.móvel'''. 

Quani-Q  à  Guarda  Urbana,  seu  contingente  foi  ele- 
vado em  1886  para  cento  e  cinquenta  praças,  mas  mes- 
mo assim  era  preciso  (jue  o  Corpo  Policial  Permanen- 
te fornecesse  contingentes  para  o  serviço  de  ronda, 
que  se  fazia  nas  freguesias  do  Brás  e  da  Ponte  Grande, 
ao  mesmo  temido  que  imia  guarnição  do  Exército  se 
encarregava  de  patrulhar,  com  praças  de  cavalaria. 
Santa  Ifigênia  e  outros  bairros  da  mesma  área  da  ci- 
dade''*\    Mas  ainda  em  1890  o  policiamento  era  con- 


líuclides  Andrade  e  Hely  F.  da  Câmara,  op.  cit.  págs. 
222  e  seguintes. 

■^"^  .Vfonso  Schmidt,  "Tahatingiiera",  A  Tribuna,  de 
Santos. 

Tenório  de  Brito,  ■"Aíemórias  de  um  .\judante  de 
Ordens",  Jornal  dc  São  Paulo.  1950. 

Euclides  Andrade  e  Hely  F.  da  Câmara,  op.  cit., 
13ág.  228. 


HISTÓRIA  E  TRADIÇÕES  DA  CIDADE  DE  SÃo  PAI  LO  1211 


ííiclcrado  insuficiente,  mormente  à  noite,  nas  ruas  onde 
havia  poucos  bicos  de  gás'^  Nesse  ano,  aliás,  teve 
a  Guarda  Urbana  seu  efctivo  aumentado  para  tre- 
zentos e  quarenta  homens,  e  em  1891  para  quatro- 
centos e  sessenta  e  um,  destinados  ao  pohciamento  da 
cidade,  e  anexada  a  ela  uma  secção  de  cawilaria,  com 
sessenta  praças,  encar regada  da  ronda  dos  subúrbios. 
Entretanto  no  ano  seguinte  extinguiu-se  a  chamada 
Fôrça  PoHcjal  Urbana,  que  compreendia  a  Compa- 
nhia de  Urbanos  e  a  Secção  de  Cavalaria,  suprimindo- 
se  também  o  Corpo  Policial  Permanente.  Em  subs- 
tituição, organizaram-se  cinco  corpos  militares  de  po- 
lícia e  uma  companhia  de  cavalaria,  passando  o  cor])n 
policial  urbano  a  se  denominar  Quinto  Corpo  Militar 
de  Polícia'""".  As  organizações  policiais  se  aperfeiçoa- 
ram ainda  —  em  material  e  em  ])reparo  —  no  começo 
cio  século  vinte.  Em  1911  substituiu-se  o  material 
fabricado  na  Alemanha  e  instalado  em  1895  para  o 
Corpo  de  Bombeiros  (caixas  automáticas  e  serviço 
telegráfico)  instalando-se  cento  e  sessenta  caixas  tipo 
Gam^^^ell,  abrangendo  uma  vasta  área  urbana  tendo 
por  limites  os  bairros  de  Vila  Prudente,  Penha,  San- 
tana, Lapa,  Pinheiros,  Vila  Maria  e  Ipiranga^\ 


Henrique  Raffard,  op.  cit., 

50  Euclides  Andrade  e  Hclv  F.  da  Câmara,  op.  cit., 
pág.  25. 

51  Euclides  Andrade  e  Hely  F.  da  Câmara,  op.  cit., 
pág.  22S. 


21 


J)  ^13(jis  dc  1870 
a  c  e  n  t  n  o  u  -  s  e 
a  tendência  que  se 
esboçara  no  período 
anterior  da  existên- 
cia da  cidade :  o  das 
manifestações  religio- 
sas perderam  cjualquer 
coisa  da  importância 
de  que  se  revestiam  na 
era  colonial.  Os  próprios  conventos  como  c[ue  foram 
perdendo  o  destaque  antigo  que  ostentavam  até  mesmo 
pelo  volume  de  suas  edificações.  Começou  a  se  alterar 
em  São  Paulo,  a  partir  dessa  época,  aquela  antiga  des- 
proporção entre  as  dimensões  das  construções  reli- 
giosas e  as  demais  —  desproporção  que,  segundo 
Lewis  Mnmford,  sobretudo  na  cidade  medieval,  tinha 
sido  um  símbolo  da  relação  entre  os  assuntos  sagra- 
dos e  os  profanos.  As  torres  das  igrejas  —  apesar 
de  que  elas  se  acotovelavam  na  pequena  área  central 
da  cidade  —  foram  se  destacando  cada  vez  menos  na 
massa  dos  edifícios  de  dois  ou  três  andares  que  se 


1216 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO' 


le\antarain  por  tôda  parte.  Por  outro  lado  templos 
de  outros  cultos,  além  do  católico,  começaram  a  se 
estabelecer  na  cidade. 

As  procissões,  mais  particularmente,  perderam 
muito  de  seu  esplendor  de  outros  tempos  e  do  interesse 
que  despertavam.  Modificações  de  tôda  a  espécie 
se  fizeram  nas  mais  importantes  delas.  Perdendo 
algumas  o  tom  tradicional  mas  burlesco  que  já  em  mea- 
dos do  século  provocava  os  reparos  de  certa  imprensa 
mais  atrevida.  No  começo  do  século  atual  chega- 
ram a  desaparecer  algumas  festas  religiosas  também 
tradicionais,  cujo  aspecto  talvez  muito  provinciano 
se  chocasse  com  a  feição  cosmopolita  que  a  cidade 
foi  tomando. 

Mas  o  interesse  menor  da  população  pelas  procis- 
sões deve  ser  explicado  em  grande  parte  —  como  ocor- 
reu em  outras  cidades  —  pelo  aumento  dos  locais  de 
passeio  e  de  divertimento,  dos  clubes  recreativos  e 
das  competições  esportivas.  Nas  últimas  décadas  oito- 
centistas surgiram  em  São  Paulo  centros  de  recreação 
comio  a  chamada  Ilha  dos  Amores,  alguns  "tivolys" 
nos  bairros,  e  no  século  atual  parques  para  passeio 
nos  arredores,  como  o  Villon,  na  Avenida  Paulista 
e  o  do  Museu,  no  Ipiranga.  Fundaram-se  sociedades 
numerosas  de  fins  recreativos,  e  clubes  carnavalescos. 
Começaram  a  ser  feitas  corridas  regulares  de  cava- 
los em  hipódromos.  Na  penúltima  década  do  século 
dezenove  as  quermesses  e  os  pique-niques  entraram 
nos  hábitos  da  população  paulistana.  Apareceu  a 
lanterna-mágica,  precursora  do  cinema  —  cinema  cjue 
se  instalaria  na  cidade  a  partir  do  começo  do  século 
vinte,  em  precários  barracões  de  zinco,  passando  em 
seguida  a  edificações  melhores,  que  se  multiplicaram 
rapidamente  no  centro  e  pelos  bairros. 


HISTÓRIA    F.    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  \217 

Foi  ainda  no  último  quartel  do  século  passado 
que  os  esportes  bem  dizer  começaram  a  ser  praticados 
entre  os  moradores  da  cidade.  Disputaram-se  parti- 
das de  cricket  entre  ing-lêses,  e  depois  de  futebol"  logo 
adotado  pelos  brasileiros,  fundando-se  as  primeiras 
equipes  para  a  sua  jirática.  Nos  últimos  anos  do 
século  dezenove  tomou  imjjulso  o  ciclismo  —  como 
esporte  e  passatempo  —  edificando-se  então  o  Yéò- 
dromo,  que  dispunba  tanibénn  de  quadras  de  ténis  e 
de  tanques  para  banho  e  (pie  foi,  na  opinião  de  um 
observador  da  época,  a  célula-mater  do  atletismo  pau- 
listano. Os  esportes  náuticos  começaram  também  a 
se  desenvolver,  paralelamente  à  proibição  dos  antigos 
banhos  no  Tamanduatei.  Nos  primeiros  anos  do  sé- 
culo atual  surgiram  entidades  para  estimular  o  auto- 
mobilismo e  a  equitação. 

As  igrejas  se  acotovelavam  ainda  no  centro  da 
cidade,  observou  em  1883  um  viajante.  Talvez  assim 
exercessem  melhor  o  resto  de  seu  domínio  tradicional 
sobre  a  existência  de  todos  os  dias  de  seus  moradores. 
Seus  sinos  repicavam  a  quase  todas  as  horas  do  dia  e 
da  noite.  Inclusive  anunciando  incêndios.  O  toque 
de  recolher,  dado  pela  igrejinha  velha  do  Colégio  às 
nove  horas  da  noite  —  no  verão  às  dez  • —  mandava 
que  se  fizesse  silêncio  e  que  se  fechassem  as  casas. 
Todos  obedeciam.  Como  nas  cidades  medievais  da 
Europa,  os  campanários  paulistanos  tinham  um  pa- 
pel importante  na  sincronização  da  vida  dos  mora- 
dores do  planalto.  Mas  isso  tudo  tendia  a  decair, 
não  acompanhando  o  desenvolvimento-  da  cidade  e  as 
orientações  dominantes  de  sua  existência  em  outros 
sentidos.  A  própria  igrejinha  do  Colégio,  na  última 
parte  do  oitocentismo,  perdia  algo  da  importância  que 
tivera  antes,  quando  atraía  quase  a  metade  da  popula- 
•ção  da  cidade  —  no  dizer  exagerado  de  Pessanha  Póvoa 


1218 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


—  à  sua  "missa  dos  preg"uiçosos"\  Era  a  missa  do 
meio-dia  —  a  "missa  chique"  —  assistida  pela  aris- 
tocracia paulistana  e  também  pelo  presidente  da  pro- 
víncia e  sua  família,  de  uma  tribuna  (|ue  comunicava 
com  o  palácio'. 

O  mesmo  acontecia  com  os  conventos,  a  respeito 
dos  quais  observava  Koseritz  em  1883:  "Antiga- 
mente São  Paulo  tinha  dezessete  conventos,  mas  agora 
só  possuí  quatro,  que  são  os  da  Luz.  São  Bento, 
Carmo  e  Santa  Teresa.  De  todos  o  beneditino  é  o 
mais  importante.  Não  tem  monges  e  é  dirigido  por 
um  abade  vindo  da  Bahia.  Êsse  abade  parece  ser 
informado  das  novas  concepções  financeiras,  pois  alu- 
gou os  muros  da  sua  igreja  para  anúncios  coloridos, 
no  estilo  do  Rio"".  Sabe-se  que  ainda  nessa  época 
algumas  das  celas  do  mosteiro  eram  cedidas  de  graça 
a  rapazes  "morígerados  e  de  boa  reputação"\ 

Por  outro  lado  os  templos  de  outros  cultos  foram 
se  estabelecendo  na  cidade,  sabendo-se  que  em  1868 
haviam  aparecido  alguns  pastores  evangélicos  na  ci- 
dade, que  aliás  foram  reptados  para  um  debate  amplo 
sôbre  reHg-íões,  por  um  grupo  de  estudantes  —  reali- 
zando-se  a  discussão  em  um  vasto  salão  da  rua  Li- 
bero Badaról  Em  1871  uma  Igreja  Alemã  se  insta- 
lou na  ladeira  de  São  Francisco,  tendo  como  pastor 
o  reverendo  Krochne''.  Em  1873  se  estabeleceu  a  Igre- 
ja Anglicana,  que  em  1885  funcionava  na  rua  Bom 


^    Pessanha  Póvoa,  Anos  Acadcuiicos.  pág.  338. 
2    Almeida  Nogueira,  A  Academia  de  São  Paulo,  IV^ 
págs.  268-269. 

^    Carl  Von  Koseritz,  Imagens  do  Brasil,  pág.  254. 

Valentim  Magalhães,  Horas  Alegres,  pág.  182. 
^    Almeida  Nogueira,  op.  cit.,  IV,  págs.  236-237. 
^    Antônio  Egídio  Martins,  São  Paulo  Antigo,  II,  pág^ 


168  —  Igreja  do  Colégio  çiii  1S96.  pouco  artes  de  ser  demolida.    O  toque 
de  silêncio  era  dado  pelos  seus  sinos. 

(.\rquivo  do  Departamento  de  Cultura)^ 


HIST.ÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  122! 


Retiro,  sendo  seu  capelão  o  Dr.  John  Cross'.  Alguns 
anos  mais  tarde,  em  1895,  sabe-se  que  estavam  aber- 
tas na  cidade  a  Igreja  Evang-élica  Presbiteriana,  na 
rua  24  de  Maio,  e  outra  da  mesma  seita,  na  alameda 
dos  Bambus:  a  Igreja  Metodista  Episcopal  Sul,  no 
larg-o  do  Arouche;  a  Igreja  Episcopal  Anglicana 
(Eng-lish  Episcopal  Church  )  entre  as  ruas  dos  Pro- 
testantes, Bom.  Retiro  e  \^it(')ria.  e  a  Igreja  Alemã 
Unida  Luterana  e  Cah-inista.  na  rua  Florêncio  de 
Abreu'^.  E  parece  que  hou\-e  até  na  cidade,  em  fins 
do  século  passado,  uma  mes(|uita  em  (|ue  negros  mus  • 
sulmis  celebra\'am  o  seu  culto'^. 

Também  as  procissões  perderam  alguma  coisa  do 
seu  esplendor  e  do  seu  interesse.  Como  em  outras 
cidades  brasileiras,  a  intensificação  da  vid.i  comercial 
e  o  ritmo  mais  acelerado  de  tôdas  as  atividades  fizeram 
com  que  elas  decaíssem  ou  perdessem  parte  do  seu 
prestígio  antigo  aos  olhos  de  umia  porção  de  gente. 
Dentro  dos  novos  moldes  de  vida  —  observou  Richard 
N.  Morse  —  as  procissões  se  tornaram  anacrónicas : 
"O  mundo  dos  bilhares,  teatros  e  corridas  de  cavalo 
oferecia  agora  séria  competição,  especialmente  por- 
que as  procissões  atendiam  mais  a  uma  necessidade 
social  do  que  espiritual"".  O  que  não  impedia  que 
houvesse  ainda  em  1873  dois  estabelecimentos  de  "ar- 
madores de  anjos  de  gala  para  procissões":  os  de 


Almanaque  da  Província  dc  São  Paulo  para  1885. 
pág.  160. 

s  Completo  Aliiiaitak  Adiiiiiiistrafivo.  Comercial  c  Profis- 
sional do  Estado  de  São  Paulo  para  1895,  págs.  162-163. 

9  Sud  Mennucci.  O  Precursor  do  Abolicionismo  no 
Brasil,  pág.  117. 

1°  Richard  N.  Morse,  São  Paulo  —  Raí::cs  Oitocentistas 
da  Metrópole,  pág.  478. 


]  222  i;  R  N  A  NI      S  I  L  \'  A      B  R  L'  N  O 

Dona  Maria  Iknta,  na  rua  lioa  \'isía.  e  o  de  Dona 
Maria  Luiza  do  Carmo  e  Silva,  na  rua  da  Boa  Morte^\ 
Mas  o  fato  é  que  houve  modificações  de  tòda  a  espé- 
cie no  estilo  das  festas  religiosas  e  das  procissões. 
Xão  foi  de  certo  por  mera  coincidência  que  por  exem- 
plo em  1869  se  realizou  pela  última  vez  a  procissão 
da  Irmandade  de  São  Benedito^\  Que  em  1870  dei- 
xou de  ser  feita  com  o  ai)arato  de  outros  tempos  a  pro- 
cissão do  Enterro,  da-  Ordem  Terceira  do  Carmo^". 
Que  em  1872  se  realizou  i)ela  última  vez  a  procissão 
de  São  Jorge  acompanhando  a  do  Corpo  de  Deus^'. 
Que  em  1873  pela  última  vez  percorreu  as  ruas  da 
cidade  a  p^-ocissão  do  Triunfo,  a  cargo  da  Ordem 
Terceira  do  Carmo^".  Que  em  1882  deixou  de  se  fa- 
zer a  ];rocissão  de  Cinzas,  que  saía  da  Ordem  Terceira 
de  São  Francisco^".  Que  na  procissão  do  Senhor 
dos  Passos  —  que  se  fazia  na  segunda  sexta-feira  da 
f[uaresnia  —  os  oratórios  que  havia  em  certas  resi- 
dências foram  suprimidos  em  1878  e  os  "passos"  co- 
meçaram a  ser  feitos  em  sete  igrejas^^.  E  que  houve 
até  procissões  de  que  se  aproveitaram  os  abolicionistas 
para  sua  campanha  contra  o  cativeiro:  como  aquela 
organizada  por  Antônio  Bento,  com  todos  os  irmãos 
da  confraria  dos  Remédios,  com  hastes,  entre  os  an- 
dores dos  santos,  onde  iam  pendurados  os  grilhões, 
os  relhos  e  as  cangas  do  cativeiro.    E  na  frente  um 


1^  A)ic.ros  ao  Aliinnuuii  da  Província  de  São  Paulo  para 
187 3.  pág.  124. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  44. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  87. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  16. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  43. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  40. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I.  pág.  4.1 


HISTÓRIA    K    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1225 

cativo  —  que  tinha  sido  surrado  sem  dó  —  caminhando 
debaixo  da  imag-em  de  Cristo  Crucificado^^ 

Entretanto  algumas  festas  rehgiosas  tradicionais 

—  de  uma  delas,  realizada  à  noite  no  largo  de  São 
Francisco,  existe  um  quadro  a  óleo  pintado  em  1879^^ 

—  se  mantiveram  até  o  começo  do  século  atual.  desa- 
parecendo enteio.    A  de  Nossa  Senhora  da  Penha 

—  que  se  fazia  cada  dia  8  de  setembro  —  até  1903'^ 
E  a  da  Santa  Cruz  do  Pocinho  até  1908.  Fazia-se  todos 
os  anos  no  dia  3  de  maio.  A  capelinha  de  Santa  Cruz 
do  Pocinho  ficava  na  rua  Vieira  de  Carvalho  e  segun- 
do a  lenda  fôra  edificada  sobre  um  poço  entulhado 
onde  morrera  tragicamente  um  poceiro  encarregado 
de  sua  limpeza"\  Acorria  gente  de  todos  os  bairros. 
E  o  trecho  que  vai  da  praça  da  República  ao  largo 
do  Arouche  —  escreveu  Nuto  Santana  —  formigava 
de  povo,  de  gente  que  ficava  ali  bebendo  ou  comendo 
quitutes  nas  barraquinhas  improvizadas  ao  longo  da 
rua.  A  última  teve  lugar  em  1908,  datando  do  ano 
seguinte  a  proibição  baixada  pelo  arcebispo  Dom 
Duarte  Leopoldo  e  Silva^-.  Outra  manifestação  re- 
ligiosa tradicional  que  durou  até  o  fim  do  século  pas- 
sado foi  a  dos  bandeireiros  do  Divino.  Nos  pri- 
meiros tempos  da  República  eram  ainda  vistos  nas 
ruas  da  cidade,  durante  o  dia,  esses  homens  que  leva- 
vam de  casa  em  casa  a  bandeira  do  Divino,  angariando 

Antônio  Manuel  Bueno  de  Andrade,  "A  Abolição  em 
São  Paulo",  Reznsta  do  Arquivo  Municipal,  LXXVII,  páç^. 
267. 

Carlos  Penteado  de  Rezende,  "Um  Inédito  da  Icono- 
grafia Paulistana",  separata  da  revista  Investigações,  São  Paulo, 
págs.  51-52. 

Antônio  .Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  67. 

21  Miguel  Milano,  Os  Fantasmas  da  São  Paulo  Antiga, 
págs.  40-41. 

22  Nuto  Santana,  São  Paulo  Histórico.  III,  págs.  237-238. 


1226 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  C 


■esmolas  para  as  suas  paróquias"^.  Isso  sem  falar  nas 
festas  religiosas  que  se  faziam  em  outrar,  localidades 
e  atraíam  muitos  moradores  de  São  Paulo.  Como  a 
de  Pirapora,  que  em  1875  provocava  a  romaria  dos 
gráficos  paulistanos  em  massa  àquela  povoação,  a 
ponto  de  terem  os  jornais  de  suspender  por  três  dias 
a  sua  publicação^*.  Mesmo  essas  manifestações  foram 
porém  decaindo  e  perdendo  o  prestígio  de  outros  tempos. 

É  que  certos  derivativos  vinham  substituindo,  des- 
de fins  do  século  passado,  o  que  havia  de  passeio  ou 
de  divertimento  nas  procissões  e  em  outras  festas  re- 
ligiosas. Depois  de  1870  uma  parte  da  várzea  do 
Tamanduateí  reconquistou  sua  posição  de  local  de 
recreio,  com  a  construção  da  chamada  Ilha  dos  Amores, 
com  banhos  e  outros  passatempos.  E  a  própria  pon- 
te do  mercado,  sôbre  aquele  rio,  foi  ponto  de  atração 
dos  antigos  comerciantes  paulistanos  da  rua  da  Im- 
peratriz. Segundo  o  cronista  de  São  Paulo  Antigo, 
quase  todos  êles  costumavam  fazer  o  seu  passeio  até 
aquele  lugar,  de  onde  voltavam  para  a  prosa  fiada 
nas  portas  das  suas  lojas  até  às  nove  horas  da  noíte^^. 
Além  da  Ilha  dos  Amores  —  logo  depois  desaparecida 
—  um  almanaque  de  1885  citava  como  passeios  pú- 
blicos o  da  Luz,  os  Taludes  do  Carmo  (morro  do  Carmo 
e  rua  25  de  Março,  descendo  do  largo  do  Carmo  até 
o  hospital  dos  alienados),  que  parecem  ter  sido  ajar- 
dinados no  tempo  da  administração  de  João  Teodoro; 
o  Jardim  Municipal  (largo  Municipal),  a  Chácara 
da  Floresta,  na  Ponte  Grande,  e  o  Tivoly  Garten,  no 
Marco  da  Meia  Légua"^    Por  outro  lado,  a  partir 

Cássio  Mota,  Cesário  Mota  e  seu  Tempo,  pág.  24. 
^'^    A  Província  de  São  Paulo  de  8  de  Agosto  de  1875. 
25    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  148. 

Almanaque  da  Província   de  São  Paulo  para  1885, 
pág.  197. 


HISTÓRIA  E  TRADIÇÕES  DA  CIDADE  DE  SÃo  PATU.O  1229 


<le  1895  aproximadamente,  lugares  até  então  ermos  se 
tornaram  conhecidos  e  frequentados,  daí  se  orig-inando 
a  formação  de  várias  chácaras  e  sítios  para  recreio 
nos  arredores  da  cidade".  Um  dêles,  o  Parque  Villon, 
na  Avenida  Paulista,  com  rtisticos  caramanchões,  mais 
tarde  ampliado  e  reflorestado  pelo  prefeito  Washington 
Luís^^.  No  começo  do  século  vinte  logradouro  que 
se  tornou  ponto  de  recreio  da  maioria  da  população 
foi  o  jardim  do  Museu  do  Ipiranga.  Ali  se  reuniam 
permanentemente  —  escreveu  Gina  Lombroso  Ferrero 
—  tôdas  as  barracas  que  nas  cidades  italianas,  por 
ocasião  do  carnaval,  se  espalhavam  por  várias  ruas 
e  praças.  "Tôda  São  Paulo  o  frequenta  nos  domin- 
gos, em  caleches,  em  bondes,  a  pé,  invadindo  os  cafés, 
os  jogos,  os  teatrinhos,  o  carrossel"^^  Idêntica  foi 
a  observação  de  Archibald  Forrest  quase  na  mesma 
época.  Que  o  passeio  predileto  do  povo  pauhstano  nos 
domingos  e  feriados  era  uma  corrida  de  bonde  do 
largo  da  Sé  ao  jardim  e  ao  museu  do  Ipiranga^".  Os 
circos,  em  fins  do  século  passado  e  começo  do  atual, 
mantiveram  também  o  seu  prestígio  como  diversão  po- 
pular. As  vêzes  de  certo  apresentando  números  de 
sensação  como  o  do  "professor  mágico"  inglês  Saviour 
Boonex,  multado  em  1874  por  um  fiscal  da  Câmara 
por  ter  ern  sua  casa,  contrariando  disposições  da  mu- 
nicipalidade, três  leitões  "que  eram  objeto  do  traba- 
lho de  sua  profissão'"\  Para  abrigar  o  circo  de 
Frank  Brovv^n  foi  que  se  construiu,  por  outro  lado, 

27  Pedro  Luís  Pereira  de  Sousa,  "No  Tempo  do  Veló- 
dromo",  O  Estado  de  São  Paulo  de  27  de  âgôsto  de  1950. 

28  Pedro  Luís  Pereira  de  Sousa,  op.  cit. 

2'  Gina  Lombroso  Ferrero,  Neil' America  Meridionale, 
pág.  32. 

Archibald  Forrest,  A   Toiír  flirongh  Soufli  America, 
pág.  306. 

Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo.  LX,  pág.  16. 


1230 


E  R  N  A  X  I      SI  L  \'  A      B  U  U  N  C 


O  barracão  de  zinco  (|ue  depois  se  transi  i  irmou  no 
Teatro  Politeama  '".  J.)e  ontra  narte  as  reuniões  dan- 
çantes —  além  das  atividades  artísticas  —  devem  ter 
representado  um  dos  oliieti\'(:)S  de  muitas  das  socieda- 
des (|ue  se  fundaram  na  última  j.-arte  do  século  deze- 
nove :  o  Cassino  raulistano  e  o  C"lul)e  Democrático 
—  citados  em  1875  no  trabalho  de  J.  Moriano  áv 
Godói  sôbre  a  pro\  íncia  de  São  Paulo'"'  —  c  a  Terpsi- 
córe  Paulistana  e  a  Sociedade  Recreio  da  Consolação, 
mencionadas  dez  anos  dep()is  ];elos  almana(|ues  de  Se- 
ckler^^'*.  ]í  ainda,  em  lX<i5.  ai^remiações  de  nomes  ]ji- 
torescos  como  a  Sociedade  ]5elas  Xoites  e  a  Sociedade 
Dançante  !^1or  da  Aurora'"',  ja  ha\-ia  também  so- 
ciedades carna\alescas  iiermanentes.  como  o  Clube  dos 
Pindaíbas  Carnavalescos,  o  Clulie  d(is  Fenianos  e  o 
Clube  Tenentes   de  Plutão'''. 

Quiros  di\-ertimentos  sur.^iram  ou  se  ai)erfeiçoa- 
r;iin  na  cidade  a  jiaitir  de  1872.  Em  1876,  com  a 
íun-iação  do  jr,quei  Clul)e,  corridas  regulares  pas^a- 
ram  a  ser  feitas  no  hii)ódromo  da  3>[ooca.  para  onde 
se  ia  a  ca\-alo  ou  de  tr(')li".  No  hiiKxlromo.  cujas  ar- 
quibancadas comi)orta\am  mil  e  duzentas  pessoas,  ía- 
ziam-se  de  início  apenas  (|uatro  corridas  por  ano:  em 


Edmundo  Amaral.  A  Grande  Cidade,  pág'.  42. 
■'■^    Joaquim  Floriano  de  Godói,  A  Província  dc  São  Paulo. 
pág.  24. " 

Almanaque  da  Provi)icia  dc  São  Paulo  para  lSò'5, 
págs.  195-1%. 

■'5  Coniplclo  Ahuaiiak  Adniinistrafizuj.  Comercial  c  Pro- 
fissional do  Estado  dc  São  Paulo  para  hS'05.  pág.  178. 

■"^  Almauacjuc  Paulista  Ilustrado  para  1S'^Ó,  págs.  320 
e  .seguintes. 

Antonio  Egídio  Martins,  o]\  cit.,  II,  pág.  15  e  Eve- 
rardo Valim  Pereira  de  Sousa.  "Reminiscências".  Primeiro 
Centenário  do  Conselheiro  .Intônio  da  Silva  Prado.  pág.  200. 


HISTÓRIA  E  TR.\DIÇÕES  DA  CIDADE  DE  SÃO  PAULO  1235 


maio,  em  junho,  em  agosto  e  em  setembro^^  Em  1895, 
no  entanto,  já  funcionavam  duas  entidades  turfísticas 
na  cidade:  o  Derby  Club,  com  hipódromo  "na  extremi- 
dade do  Brás"  e  o  Jóquei  Chib,  com  campo  de  corridas 
perto  da  Penha^^  Uma  vez  ou  outra  parece  que  res- 
surgiam ainda  os  espetáculos  de  touradas.  Em  1877  a 
■  Câmara  negava  permissão  a  Antônio  Aragon  para 
levantar  um  circo,  no  largo  da  Luz  ou  no  Campo  dos 
Curros,  onde  pretendia  dar  corridas  de  touros^".  No 
mesmo  ano  dizia-se  na  Câmara  que  esses  espetáculos  de 
corridas  de  touros  só  seriam  permitidos  quando  os 
animais  estivessem  "embolados"  a  fim  de  se  evitarem 
ocorrências  funestas'*\  Sabe-se  no  entanto  que  mais 
tarde,  em  1901-1902,  a  população  paulistana  sustentou 
simultâneamente  duas  praças  de  touros  edificadas  de 
madeira  serrada:  uma  na  praça  da  República  (o  velho 
largo  dos  Curros)  e  outra  em  terreno  que  dava  para 
a  avenida  Brigadeiro  Luís  Antônio.  Faziam-se  êsses 
espetáculos  "com  emprego  de  bandarilhas,  mas  sem 
a  morte  dos  animais"'*^. 

Por  outro  lado  em  1877  fundou-se  o  Rink  Im- 
perial, dos  Irmãos  Normanton,  na  rua  da  Beneficên- 
cia Portuguêsa  esquina  da  rua  Alegre  (Brigadeiro 
Tobias  As  C[uermesses,  essas  só  foram  conhecidas 
entre  os  anos  de  1S82  e  1884.  A  primeira  que  se 
realizou  na  cidade  foi  promovida  por  elementos  in- 
fluentes da  colónia  francesa,  entre  os  quais  estava 

Abilio    Marques,   Indicador   de   São   Paulo  (1878). 
pág.  141. 

Completo  Ahnanak  cit.,  pág.  270. 
''■^    Atas  da   Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LXIIl, 

pág.  106. 

Atas  da   Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LXIII, 
pág.  139. 

^'^    Jerônimo  Borges,  entrevista  a  A  Noite,  São  Paulo. 
Antônio  Egídio  Martins,  op,  d+.,  I,  pág.  154. 


1234 


E  R  N  A  X  I      S  I  L  \'  A      E  R  T.T  N  U 


Alberto  Thiebaiit,  (|nc  durante  certo  lempo  foi  o 
_Qnarda-li\-ros  da  Ca.sa  (larraux.  Teve  In.^ar  no  Jar- 
dim Púldicíj  da  Luz"*'.  Xa  mesma  ejioca  —  em  1882 
—  Com  base  na  li.^vação  ferroxd.ária  de  Sfui  Paulo  com 
o  Rio  de  Janeiro,  inauí^urada  em  1877,  um  .^ênero 
n(_)vo  de  passeio  e  divertimento  começou  a  se  popula- 
rizar entre  os  nioradores  da  cidade:  o  pique-nique  em 
localidades  da  chamada  zona  norte  da  i)rovíncia.  O 
primeiro  deles,  promovido  pelo  Clube  Alozart,  que 
tinha  sua  sede  no  I)airro  do  lirás,  foi  feito  na  cidade 
de  Mogi  das  Cruzes.  Muitas  pessoas  foram  condu- 
zidas para  aquela  cidade  em  trem  especial  da  Estrada 
de  Ferro  do  Norte.  O  Clube  Recreativo,  da  rua  do 
Gasómetro,  Ucão  (juis  ficar  atrás.  E  promoveu  um 
pique-nique  de  seus  associados  em  Jacareí.  Também 
a  Escola  Alemã  organizou  duas  dessas  excursões  de 
recreio,  em  1884  e  1885.  uma  a  Jacareí  e  outra  a 
Guararema'' ■\ 

Outros  di\ertimentos  comuns,  cm  fins  do  oito- 
centismo,  eram  os  proporcionados  pelos  tocadores  de 
harpa  ou  de  realejo  nas  ruas  e  pelos  cosmoramas^^, 
a  que  se  seguiu  a  lanterna-mágica.  Segundo  infor- 
mação dada  a  Nuto  Santana  ])or  Alexandre  Haas, 
eni  1889  Benjamin  .Schalch  —  (|ue  morava  na  rua 
do  Príncipe  (Quintino  Bocaiiu  a  )  —  de  regresso  de 
uma  viagem  trouxe  para  São  Paulo  uma  lanterna- 
mágica  com  cêrca  de  duzentos  e  cinquenta  discos, 
entre  os  (|uais  vários  de  movimento,  como  o  "do  bigo- 
dinho dorminhoco,  engulidor  de  camondongos".  Para 
essa  máquina,  segundo  o  mesmo  informante,  o  pró- 
prio Schalch  tinha  de  fabricar  um  gás  especial,  e  as 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  142. 
Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  166. 
""^    Ahiianaqne  da  Província   de  São  Paulo  para  1SS5,. 
pág.  41. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    I>.\rLO  12,^7 


exibições  só  eram  feitas  em  família,  para  conhecidos 
e  vizinhos'*^. 

l^ambém  proezas  aeronáuticas,  em  fins  do  século 
passado  e  começo  do  atual,  tiveram  o  sabor  de  festa 
e  divertimento  para  os  moradores  da  cidade.  Em 
1906'  foi  Alaor  de  Queiroz  quem  subiu  temerariamente 
no  aeróstato  "Cruzeiro  do  Sul",  no  Velódromo'^ 
Um  ano  antes  um  aeronauta  do  trapézio,  Scilimbani, 
fizera  uma  demonstração  em  um  frontão  existente  na 
velha  rua  11  de  Junho.  O  balão  subiu  a  mais  de  mil 
metros  —  contou  Afonso  Schmidt  —  caindo  mais 
tarde  em  Itaqiíera,  para  onde  fôra  empurrado  pelo 
vento^'.  Também  o  primeiro  frontão  de  São  Paulo  da- 
tava de  alg"uns  anos  antes :  de  1903.  Ao  ser  maugu- 
rado,  como  legítima  importação  espanhola,  na  rua 
Vinte  e  Quatro  de  Maio  — ■  escreveu  o  cronista  Cursi- 
no de  Moura  —  foi  o  "ciou"  da  elite  paulistana^". 

O  próprio  cinematógrafo  —  não  se  contando  a 
lanterna-mágica  de  Schalch  —  entrou  na  cidade  com 
o  século  atual.  Quando  se  iniciou,  eslabeleceu-se  no 
Arouche  e  ao  mesmo  tempo  no  centro.  Na  ladeira  de 
São  João  funcionaram  o  Bijou  e  o  Mignon,  e  no 
Arouche  o  High  Life.  Eram  barracões  de  zinco 
—  observou  Cursino  de  Moura  —  perigosíssimos  para 
os  inespertos  "arcos  voltaicos"  incipientes  dos  apa- 
relhes a  mão.  O  Smart,  outro  cinema  em  frente  e 
depois  sucessor  do  High  Life,  onde  hoje  é  a  rua 
Frederico  Steidel,  disse  aquele  cronista  que  foi  o  con- 
tmuador  dos  brios  da  iniciativa  cinematográfica  pau- 

■•^    Citado  por  Nuto  Santana,  op.  cit.,  V,  págs.  73-74. 
'^^    Aureliano  Leite,  História  da  Civilicação  Paulista,  páç. 

161. 

Afonso  Schmidt,  "Tabatingiiera",  A  Tribuna,  Santos. 
Cursino  de  Moura,  São  Paulo  de  Outrora,  pág.  122. 


1238 


E  R  X  A  X  I      S  I  L  \-  A      p,  K  U  X  O 


listana'\  Em  1912  já  funci(.)na\-am  no  centro  da  ci- 
dade trés  cinemas :  o  Bijou  Theatre,  na  rua  de  São 
João,  o  Radium,  na  de  São  Uento,  c  o  Íris  Theatre,  na 
15  de  Xovemlirn.  Xos  bairros,  o  High  Life  e  o 
Smart.  na  \'ila  i'.uanjue,  o  Rio  Branco  e  o  Brasil 
em  Santa  Ifigênia,  o  Edison  e  o  Eden,  na  Luz.  o  Pa- 
vilhão dos  lampos  Elíseos,  nos  Campos  Eliseos,  o 
íris,  o  Píipular  e  o  Piratininga,  no  Brás,  c  o  Ave- 
nida, na  Liberdade,  de\'endo-se  mencionar  ainda  a 
existência  de  sessões  cinematográficas  de  graça  pro- 
porcionadas por  alg-umas  confeitarias  de  luxo  aos  seus 
fregueses''^  Mais  tarde,  além  de  vários  cinemas  nos 
bairros,  funcionaram  no  centro  da  cidade  o  Central 
(avenida  São  João),  o  Pathé  (praça  João  Mendes), 
o  Royai  (rua  das  Palmeiras)  e  o  Brasil  (no  Arouche). 
Ainda  depois,  o  Cinema  Triâng-ulo,  na  rua  Quinze, 
que  passou  a  fimcionar  também  de  dia  durante  a 
semana.  E  o  cinema  passaria  a  ser  considerado  — 
é  claro  que  com  uni  pouco  de  exagêro  —  o  único 
divertimento  do  i)aulistano. 

Dos  pontos  de  reunião  elegante,  sabe-se  que  em 
fins  do  século  passado  e  comêço  do  atual  a  rua  Quinze 
era  a  preferida  para  o  "footing-"'  de  tôdas  as  tardes. 
Principalmente  o  seu  ponto  final,  constituído  pelo  an- 
tigo largo  do  Rosário.  Aí  os  passeios  laterais  e  a 
tradicional  Ilha  dos  Prontos,  no  centro  —  seg'undo  a 
descrição  de  José  Agudo  em  1912  —  estavam  sempre 
cheios  de  gente.  Gente  que  esperava  um  bonde  ou  um 
convite  para  beber".  Também  em  frente  ao  Café 
Guarani,  segundo  êsse  cronista,  havia  sempre  muita 
g"ente.    Sobretudo  agrupamentos  de  estudantes  abas- 

'"^    Cursino  de  Moura,  op.  cit.,  págs.  70  e  135. 
'•^    Domingos  Angerami  e  Antônio  Fonseca,  Guia  do  Es- 
tado dc  São  Paulo  (1912),  págs.  210,  222  e  seguintes. 
José  Agudo,  Gente  Rica.  pág.  119. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAIILO  1241 

tacios  que  exibiam  a  elegância  de  suas  roupas,  seus 
chapéus  e  suas  o■ravatas^^  Mas  isso  no  centro.  Por- 
que havia  os  locais  de  passeio  e  de  recreio,  como  nos 
séculos  anteriores,  em  locais  distantes.  Um  dêles 
ainda  o  velho  Jardim  da  Luz,  que  o  prefeito  Antônio 
Prado,  no  começo  do  século  atual,  procurou  transfor- 
mar em  ponto  de  reunião  e  di^-ersão  mais  moderno 
para  os  moradores  da  cidade,  animado  por  concertos 
musicais  de  boa  categoria,  frequentados  às  vêzes  pela 
família  de  Antônio  Prado^^  Alguns  anos  mais  tarde 
Paul  Walle  observava:  "Diz-se  que  apesar  de  suas 
belas  avenidas,  seus  monumentos,  seus  jardins.  São 
Paulo  é  uma  cidade  triste  e  sem  distrações.  Que 
às  seis  da  tarde,  quando  o  comércio  se  fecha,  uma 
pesada  solidão  se  abate  sôbre  as  ruas  centrais,  que  o 
silêncio  se  torna  profundo  e  a  cidade  parece  abando- 
nada. Essa  opinião  pode  ter  sido  sugerida  pela  calma 
que  reina  geralmente  nos  bairros  residenciais.  Mas 
é  um.a  afirmação  exagerada  no  que  concerne  às  ruas 
centrais  da  cidade,  que  continuam  animadas  até  horas 
bem  mais  avançadas.  As  salas  de  cinema,  bastante 
numerosas,  regorgitam  de  público""^ 

Foi  no  iiltimo  quartel  do  século  passado  que  os 
esportes  começaram  também  a  se  desenvolver  em  São 
Paulo  —  esportes  que  não  se  reduziam  mais  ao 
simples  banho  de  rio,  parece  que  ainda  comum  entre 
os  estudantes  em  1878",  ou  aos  antigos  jogos  de  bola 
e  de  tiro  ao  alvo  que  havia  nos  recreios  dos  arrabaldes^*. 

5''    José  Açudo,  op.  cit.,  págs.  26-27. 

"  Vítor  da  Silva  Freire,  "Antônio  Prado,  Prefeito  de 
São  Paulo",  e  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  op.  cit.,  Pri- 
meiro Centenário  do  Conselheiro  Antônio  da  Silva  Prado,  págs. 
125  e  221. 

56    Paul  Walle,  viu  Pays  de  l'Or  Rouge,  págs.  57-58. 

"    Silva  Jardim,  Memórias  e  Viagens,  pág.  74. 

58    Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LX,  pág.  71. 


1242 


E  K  N  A  N  I      S  I  L  \'  A      B  K  U  N  C 


Desde  o  ano  de  1875  j(i,ya\ani-se,  nas  ^-ál-zeas  situada.- 
])ertii  da  esla^xu)  da  Luz  —  escrcxeu  jVntónio  I*'i,i;uei- 
rtrdo  —  partidas  de  cricket  entre  ingleses  eniipregados 
nos  bancos  c  na  São  Paulo  Railway.  Os  ]>aulistanos 
não  mostraram  inclinação  por  êsse  esporte,  s(')  sc  notan- 
do certo  entusiasmo  cm  tôrno  dêle  (juando  uma  e([uipe 
argentina  esteve  mais  tarde  em  São  Paulo:  em  PS92'''. 
A  prática  do  futebol  surgiu  também  entre  ingleses 
residentes  na  cidade,  niais  ou  menos  em  1888,  em 
local  situado  nas  ijroximidades  das  ruas  do  Gasómetro 
e  Santa  Rosa.  Km  1894  Cbarles  ]\Iiller,  agente  da 
IMala  Real  Inglesa,  trouxe  da  Europa  duas  bolas  e 
organizou  entre  os  seus  companbeiros  do  São  Paulo 
Athletic  Club  um  (|uadro  regular,  que  se  bateu  com 
outro  formado  por  auxiliares  da  Com])anbia  Inglêsa. 
Três  anos  mais  tarde  os  funcionários  da  Emprésa 
do  Gás  —  também  (|uase  todos  ingleses  —  resolve- 
ram formar  diversos  quadros  de  futebol,  que  se  exerci- 
taA-am  na  \árzea  do  Carmo''".  Fundaram-se  depois 
outros  cluljes  ])ara  a  ])rática  d(i  es])orte  que  bavia 
de  se  tornar  tão  popular  em  tóda  a  cidade:  o  Wanders 
e  o  Pritânia.  E  em  1898  os  brasileiros  resolveram 
fundar  também  os  seu  quadros,  surgindo  assim  o  dos 
estudantes  do  ^Nlackenzie  e  depois  o  Esporte  Clube 
Internacional,  cujo  ])rimeiro  campo  foi  a  chácara  Du- 
dley,  que  ficava  para  os  lados  do  Bom  Retiro".  Já 
nos  primeiros  anos  fio  século  atual  ()  jógo  de  futebol 
começava  a  entusiasmar  os  alunos  dos  colégios  pau- 
listanos^". 


Antônio  Figueiredo,  "O  Esporte  em  São  Paulo",  J 
Capital  Paulista  (álbum  de  1920  ). 

.Antônio  Figueiredo,  op.  cit. 
''^    Antônio  Figueiredo,  op.  cit. 

6-  Caldeira  P.rant,  Memórias  dum  Estudante  (1885-1906) 
pág.  177. 


23 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1245 


Foi  também  na  última  década  do  século  passado 
que  surgiu  o  esporte  da  bicicleta,  e  com  o  ciclismo  se 
féz  o  Velódromo.  Até  1893  —  segundo  E.  V.  Pe- 
reira de  Sousa  —  as  poucas  bicicletas  existentes  na 
cidade  eram  privilégio  de  mocinhos  ricos.  Em  1894 
elas  começaram  porém  a  ser  importadas  comercial- 
mente. Logo  depois,  "damas  de  respeito"  e  "cava- 
lheiros austeros"  aderiram  ao  esporte  do  pedal.  Um 
deles,  o  conselheiro  Antônio  Prado,  cujas  terras  na 
Consolação  foram  niveladas  para  dar  origem  ao  cha- 
mado Velódromo®^  Tinha  uma  raia  de  trezentos  e 
oitenta  metros  por  oito  de  largura,  e  elegante  arqui- 
bancada de  setenta  metros  de  comprimento,  para  oito- 
centos espectadores®'*.  Além  disso,  quadras  de  ténis 
e  tanque  para  banho.  Foi  —  escreveu  ainda  E.  V. 
—  a  célula-mater  do  atletismo  em  São  Paulo  Em 
1895,  entre  as  sociedades  recreativas  mencionadas  por 
um  almanaque,  figurava  o  Clube  Olímpico  Paulista, 
que  promovia  corridas  a  pé  e  em  velocípedes®^  E  no 
ano  seguinte  apareceu  até  um  semanário  intitulado 
A  Bicicleta,  com  artigos  e  noLÍcias  sòbre  o  movimen- 
to do  ciclismo  em  São  Paulo  e  em  todo  o  país  Ainda 
nos  últimos  anos  do  século  passado  —  em  1898  —  in- 
troduziu-se  na  cidade  o  bola-ao-cêsto.  Um  professor 
do  Mackenzie,  Augusto  Shavv,  de  volta  dos  Estados 


Everardo   Valim   Pereira  de   Sousa,  op.   cit.,  págs. 

216-217. 

Alfredo  Moreira  Pinto,  A  Cidade  de  São  Paulo  em 
1900,  pág.  176. 

Everardo   Valim   Pereira  de   Sousa,  op.   cit.,  págs. 

216-217. 

Completo'  Ahnanak,  cit.,  pág.  178. 
Afonso  A.  de  Fréitas,  A  Imprensa  Periódica  de  São 
Paulo,  pág.  465. 


1246 


ERN  A  NI      S  1  L  \'  A      H  R  U  N  O 


Unidos,  trouxe  uma  bola  i)r(Sj)ria  para  esse  esporte, 
que  começou  a  ser  praticado  pelos  alunos  daquele 
colégio,  em  seu  recreio''-.  N^essa  época  já  funcionava 
também  em  São  Paulo,  na  rua  Florêncio  de  Abreu, 
um,  Clube  Ginástico  Alemão:  o  Deutsche  Turn-Ve- 
rein  São  Paulo®^ 

Por  outro  lado  os  esportes  náuticos  foram  se 
desenvolvendo  a  partir,  dos  últimos  anos  do  oitocen- 
tisnio,  quando  os  simples  banhos  de  rio  decairam  sob 
a  pressão  de  medidas  policiais.  No  período  de  1880 
a  1889  caiu  sobre  a  natação  feita  no  Tamanduateí 
e  no  Tietê  o  pêso  dessa  proibição.  Talvez  por  causa 
dos  espetáculos  de  nudismo  ou  pelo  perigo  que  ofere- 
ciam essas  atividades  semi-esportivas  sobretudo  quan- 
do praticadas  por  menores.  Foi  no  tempo  dos  Ur- 
banos —  contou  Afonso  A.  de  Freitas  —  então  co- 
mandados por  um  veterano  da  guerra  do  Paraguai, 
o  major  Manuel  Vieira.  Os  policiais  chegavam  a 
cercar  as  duas  margens  do  Tamanduateí,  no  trecho  da 
rua  Glicério.  Os  nadadores,  quando  percebiam  a  pre- 
sença dos  Urbanos,  apoderavam-se  das  roupas  —  já 
deixadas  amarradas  na  margem  —  e  nadavam  para 
o  meio  do  rio.  Muitas  vêzes  os  Urbanos  acampavam 
à  beira  da  corrente,  à  espera  dos  infratores.  Mas 
êles  nadavam  rio  abaixo  até  as  matas  da  chácara  de 
Dona  Ana  Machado,  pela  altura  da  atual  rua  Conde  de 
Sarzedas,  e  assim  conseguiam  burlar  às  vêzes  a  vigi- 
lância dos  perseguidores.  Nessas  batidas  distinguia-se 
—  ainda  segundo  as  notas  de  Freitas  —  um  "urbano" 


Antônio   Figueiredo,  História  do   Foot-Ball  cm  São 
Paulo,  pág.  17. 

^'^    Almanaque  do  Estado  de  São  Paulo  para  1890,  pág. 

149. 


HJSTÓRIA    E    TRADIÇÕES   DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1249 


■espantadiço  e  nervoso,  que  se  tornou  popular  entre 
os  frequentadores  do  rio  pelos  nomes  de  "Assombra- 
ção" e  "Espanta-Gato'"".  Mas  o  fato  é  que  apesar 
da  resistência  dos  moços  e  dos  meninos  que  frequen- 
tavam o  pórto  dos  Ingleses  e  a  Fortunata  Lopes  —  re- 
sistência que  se  fazia  através  dos  apelidos  e  das 
vaias,  como  das  manobras  de  retirada  pela  chácara  de 
Dona  Ana  —  aos  poucos  o  costume  dos  banhos  no  Ta- 
manduatei  foi  cedendo.  E  acabou  desaparecendo.  Em 
1905,  a  Floresta  das  boémias  de  outrora  —  segundo 
o  álbum  de  Jules  Martin  —  se  tornara  sede  do  Clube 
de  Regatas  de  São  Paulo,  onde  a  mocidadí.^  ia  buscar 
vigor  "nas  remadas  fortes  pelo  Tietê  acima'-.  E  em 
frente  dêle  outra  sociedade  náutica  —  o  Clube  Es- 
péria —  montara  sua  sede  desde  1899'^.  Em  1912 
uma  publicação  já  registrava  a  existência  dos  clubes 
São  Paulo,  Espéria  e  Tietê,  de  natação  e.  regatas, 
na  Ponte  Grande,  fazendo  referência  à  prática  do  té- 
nis em  São  Paulo,  sobretudo  entre  elementos  cia  co- 
lónia inglêsa''^  Em  1911  fundou-se  o  primeiro  clube 
de  equitação  e  esportes  hípicos  do  país,  em  um  re- 
canto do  Jardim  da  Aclimação:  a  Sociedade  Hípica 
Paulista,  que  dez  anos  depois  se  transferiu  para  Pi- 
nheiros".   Pouco  antes,  em  1908,  fundara-se  o  Au- 


Afonso  A.   de  Freitas,   Tradições  e  Reminisccncias 
Paulistanas,  págs.  89  e  seguintes. 

São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno  (álbum  de 
1905),  pág.  88. 

^2  Domingos  Angerami  e  Antônio  Fonseca,  op.  cit., 
pág.  227. 

^■^  Almanaque  de  "O  Estado  de  São  Paulo",  1940,  págs. 
304  e  seguintes,  e  Sãò  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã, 
(Boletim  do  Departamento  Estíidual  de  Imprensa  e  Propa- 
ganda), n.°  10,  págs.  46-47. 


1250 


ERNÂNI      S  1  I.  \'  A      B  R  U  N  O 


tomóvel  Clubf,  para  st'  interessar  pelo  desenvolvi- 
mento do  automobilismo  e  organizar  concursos  e  cor- 
ridas de  automóveis  que  estimulassem  o  gôsto  por 
esse  esporte.  No  mesmo  ano.  organizado  e  dirigido 
por  essa  entidade,  fêz-se  no  circuito  de  Itapecerica, 
ligando  Pinheiros  a  Santo  Amaro,  a  primeira  corri- 
da de  automóveis  do  Brasil  e  parece  que  de  tôda  a 
América  do  Sul'^. 


Américo  Xelo,  "História  da  Rodovia  São  Paulo-San- 
tos",  Tmnsilu.  dezeniljro  de  1945. 


^  em  dúvida  que 
se  prolongaram^ 
além  de  1870,  certos 
aspectos  da  cidade 
marcados  na  fase  an- 
terior de  sua  histo- 
ria pelo  seu  caráter 
de  burg"o  de  estudan- 
tes, as  repúblicas  de 
académicos  se  agru- 
pando ainda  em  determinados  bairros  ou  ruas,  de  onde 
êles  partiam  em  grupos,  como  em  outros  tempos,  para 
seus  passeios  às  chácaras  dos  arrabaldes.  Entre- 
tanto as  expansões  mais  ruidosas  dos  estudantes,  nas 
últimas  décadas  do  século  pacsado,  se  faziam  precisa- 
mente em  locais  assim  afastados  do  centro,  como  se  a 
intensificação  dos  negócios  comerciais  e  industriais 
tornasse  o  ambiente  urbano  central  cada  vez  menos 
propício  às  pândegas  antigas.  Em  consequência  do 
novo  caráter,  cada  vez  mais  acentuado  da  cidade,  a 
própria  Academia  de  Direito  —  cujo  casarão  já  acusa- 


1254 


E  R  X  A  N  I      SILVA     B  K  U  N  O 


va  em  suas  paredes,  em  seu  i)atio,  em  seus  corredores, 
em  suas  \'idraças  e  em  seus  banc<:)s  um  estado  ruinoso 
e  desag-rada\'el  —  i)erdia  um  pouco  de  sua  importân- 
cia. Também  o  chamado  "es])írito  académico"  decaiu 
de  sua  vitalidade  anteri()r,  nessa  época,  em  parte 
como  resultado  do  ensino  li\  re  instituído  en\  1879. 

Em  comper.sação.  de  modo  geral,  o  ensino  se  alar- 
gava em  outras  direções,  fazendo  de  São  Paulo  cadca 
\-ez  mais  um  centro  educati\o  dotado  de  recursos 
mais  variados  e  mais  completos.  Fundava-se  o  Liceu 
de  Artes  e  ( )ficios,  reclamado  pela  necessidade  de 
artífices  mais  experientes,  em  consequência  do  desen- 
volvimento industrial  da  cidade,  e  estabeleciam-se 
outros  institutos  de  formação  profissional.  Surgiram 
várias  escolas  criadas  por  elementos  de  colónias  estran- 
geiras radicadas  na  cidade,  desenvolvendo-se  parti- 
cularmente o  ensino  alemão  e  depois  o  americano, 
com  métodos  noxos  e  abolição  dos  castigos  corporais. 
Nos  últimos  anos  do  século  passado  estabeleceram-se 
a  Escola  Po^.itécnica  e  a  Escola  de  Engenharia  do 
Mackenzie  Collegc,  e  a  Escola  Normal  foi  transferida 
para  um  edifício  de  grandes  proporções.  No  começa 
do  século  atual  fundaram-se  as  primeiras  escolas  de 
comércio  e  a  Faculdade  de  Medicina. 

]\rulti])licaram-se  e  se  enriqueceram  também,  a 
partir  de  1870,  as  bibliotecas.  À  da  Faculdade  de 
Direito,  à  Biblioteca  Popular  e  à  da  Sociedade  Ger- 
mânia se  acrescentaram,  quase  no  fim  do  século  pas- 
sado, as  do  Mackenzie  o  da  Politécnica  e  a  grande 
Biblioteca  do  Estado,  com  sessenta  mil  volumes  com- 
prados em  parte  na  Europa.  O  desenvolvimento  do 
comércio  livreiro  no  entanto  não  acusou  índices  muito 
notáveis  até  aproximadamente  o  começo  do  século 
atual,  embora  a  C\'isa  Garraux  já  em  1883  tivesse 
sido  considerada,  por  um  ^•is^tante  norte-americano, 
como  a  loja  de  livros  mais  bela  de  todo  o  país. 


( )  inoviíncnto  intelectual  não  teve,  depois  de  1870, 
o  brilho  (]tie  re\elara  em  meados  do  séctilo  passado. 
Entretanto  hotive  ainda  estudantes  da  Academia  de 
São  Paulo  que  foram  depois  nomes  de  relevo  na  his- 
tória literária  do  lirasil:  Teófilo  Dias,  Raimundo 
Correia,  Eduardo  Prado,  Raul  Pompeia,  Inglês  de 
Sousa,  Luiz  Murat,  Vicente  de  Carvalho,  Alberto 
Torres,  Olavo  Bilac  e  mais  tarde  Afonso  Arinos, 
Paulo  Prado,  \'aldomiro  Silveira  e  mesmo  Batista 
Cepelos  ou  Ricardo  Gonçalves.  Todavia  nessa  épo- 
ca se  elevou  o  nível  intelectual  da  cidade,  sob  o  influxo 
da  corrente  imigratória,  do  contacto  maior  com  a 
Europa  e  com  os  Estados  Unidos  e  do  próprio  cresci- 
mento urbano.  São  Paulo  absorvendo  cada  \ez  mais, 
como  metrópole  do  café,  as  energias  de  uma  vasta 
região.  Iniciativas  de  caráter  cientifico  ou  cultural 
refletiram  desde  as  últimas  décadas  do  século  deze- 
nove  essas  condições.  Criou-se  o  Museu  Paulista, 
com  base  nas  coleções  do  major  SertíSrio.  Estabele- 
ceu-se  um  observatório  astronómico  —  o  do  General 
Couto  de  Magalhães  —  na  Ponte  Grande.  Fundou-se 
o  Instituto  Histórico  e  Geográfico  de  São  Paulo.  E 
foi  constituída  a  Comissão  Geográfica  e  Geológica  do 
Estado. 

Nos  primeiros  tempos  desta  época  da  existência 
da  cidade  de  São  Paulo  se  conservaram  ainda  muitos 
dos  costumés  que  fizeram  com  cpie  a  capital  da  pro- 
víncia fósse,  no  período  anterior,  sobretudo  uma  ci- 
dade de  estudantes.  Entre  1872  e  1876  começou  a 
aparecer  uma  ou  outra  casa  de  pensão  emi  que  se 
hospedavam  académicos.  Em  geral  eram  "de  trata- 
mento e  preços  democráticos".  Uma  apenas  se  mos- 
trava mais  nobre  e  por  certo  mais  cara:  a  da  Viúva 
Reis.    Mas  o  sistema  predominante  continuou  sendo 


1256 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


ainda  o  das  repúblicas\  Geralmente  agrupadas  era 
determinadas  ruas  ou  áreas  da  cidade.  Em  1883, 
segundo  Rodrigo  Otávio,  era  o  largo  da  Memória,  no 
começo  da  rua  da  Consolação,  o  "quartier  latin"  pau- 
listano^  Mas  também  nas  ruas  da  Assembleia,  dos 
Estudantes  e  da  Liberdade  se  viam  repúblicas  reunindo 
cada  uma  delas,  quase  sempre,  académicos  proceden- 
toi  de  uma  mesma  provincial  No  coméço  do  século 
atual  sabe-se  de  repúblicas  de  estudantes  localizadas 
quase  sempre  nas  imediações  do  largo  da  Sé  (ruas 
Marechal  Deodoro,  Senador  Feijó,  Santa  Teresa), ou 
travessas  das  ruas  da  Liberdade  e  da  Glória  (Conse- 
lheiro Furtado,  São  Joaquim  e  outras )^ 

Eram  também  comuns  ainda  os  passeios  de  es- 
tudantes no  estilo  tradicional.  Silva  Jardim,  quando 
estudou  em  São  Paulo  em  tôrno  de  1878  morava  na 
rua  de  Santo  Amaro  e  êle  e  seus  colegas  costumavam 
passear  ao  pôr  do  sol  pelos  campos  adjacentes,  "re- 
citando versos  ou  discursos",  ou  no  calor  do  dia 
banhando-se  em  bando  no  córrego  próximo*^.  Faziam 
ainda  os  académicos  de  Direito  passeios  a  chácaras 
dos  arredores  da  cidade.  As  da  Bela  Vista  eram  vi- 
sitadas particularmente  na  época  das  frutas.  Falan- 
do do  seu  tempo  de  estudante,  em  1887-1891,  Everardo 
VaHm  Pereira  de  Sousa  escreveu  que  os  académicos 
costumavam  frequentar  a  chácara  do  boticário  Baruel, 
em  Santana,  onde  havia  alegres  "reuniões  de  noite 
inteira"  que  acabavam  em  um  "concurso  bezerril": 

'  Spencer  Vampré,  Memórias  para  a  História  da  Acade- 
mia de  São  Paulo,  II,  pág.  68. 

2  Rodrigo  Otávio,  Minhas  Memórias  dos  Outros,  I.* 
série,  pág-.  63. 

^    Alfonso  Lomonaco,  Al  Brasile,  pág.  111. 

Caldeira  Brant,  Memórias  dum  Estudante,  pág.  169. 

^    Silva  Jardim,  Mem,ôrias  e  Viagens,  pág.  74. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÀO    PAULO  \25? 

vencia  aquele  que  i)ela  manhã  bebesse  de  unia  vez 
só  maior  quantidade  de  leite  quente  tirado  na  hora''. 
Aliás,  com  a  decadência  da  chamada  "vida  académica", 
na  cidade,  depois  de  1870,  era  sobretudo  em  certos 
bairros  afastados,  "fora  de  miiros",  que  os  estudantes 
podiami  se  dar  ao  luxo  de  algumas  expansões  mais 
ruidosas.  Foi  o  que  contou  em  suas  memórias  Ro- 
drigo Otávio  referindo-se  aproximadamente  ao  pe- 
ríodo de  1883  a  1886.  Os  locais  escolhidos  para  essas 
derradeiras  manifestações  da  boémia  coletiva  —  notou 
êle  —  eram  quase  sempre  o  Marco  da  Meia  Légua, 
no  Brás,  ou  a  Ponte  Grande,  na  Luz'.  Às  vêzes  até 
passeios  a  Santos  faziam  os  académicos  ''por  pândega 
ou  para  comer  peixe"®.  A  maioria  dos  estudantes 
de  Direito  —  como  observou  Koseritz  —  usava  nesse 
tempo  óculos  ou  pince-nez.  "Mais  de  mil  estudantes 
—  escreveu  êle  —  tornam  insegura  a  cidade,  e  no 
minimo  oitocentos  déles  usam  semelhantes  instrumen- 
tos"^. Quase  um  distintivo  de  classe.  Já  Almeida 
Nogueira,  referindo-se  a  época  um  pouco  anterior, 
observara  que  entre  os  estudantes  era  praxe  o  uso 
dos  óculos  ou  do  monóculo.  "Quem  não  usasse  óculos 
ou  monóculos  não  era  gente.  Todavia,  o  mais  chique 
era  mesmo  o  monóculo"^*',  embora  houvesse  estudan- 
tes mais  requintados  que  usavam  pince-nez  presos  a 
trancelins  de  oiiro^\  Por  outro  lado.  Valentim  Ma- 
galhães notou  que  nesse  tempo  em  São  Paulo  sujeito 

Everíirdo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "A  Paulicéia  Há 
Sessenta  Anos",  Rcznsta  do  Arquivo  Municipal,  CXI,  pág.  54. 
■    Rodrigo  Otávio,  op.  cit.,  págs.  57  a  59. 
^    Valentim  Magalhães,  Horas  Alegres,  pág.  213. 
^    Carl  Von.  Koseritz,  Imagens  do  Brasil,  pág.  256. 
'°    Almeida  Nogueira.    A  Academia  de  São  Paulo,  II _ 
pág.  182. 

"    Almeida  Nogueira,  op.  cit.,  IV,  págs.  194  e  200. 

24 


1260 


ERNÂNI      SILVA      B  R  U  N  C 


que  não  vestisse  conipletamtente  mal  e  que  usasse  pince- 
nez,  óculos  ou  monóculo,  era  forçosamente  doutor^^. 
A  mania  dos  óculos  ou  dos  pince-nez  era  "reminis- 
cência oriental,  de  sabor  israelita",  introduzida  no 
Brasil,  segundo  Gilberto  Freyre,  por  influência  das 
tradições  intelectualistas  dos  judeus^^. 

O  próprio  edificio  da  z\cademia,  por  outro  lado, 
também  já  se  desgastara  bastante  —  situação  que 
fôra  se  agravando  pela  falta  de  verbas  com  que  se 
■  fizessem  os  melhoramentos  ou  reparos  que  êle  re- 
clamava. Em  1881  já  estava  com  muitas  vidraças 
quebradas,  as  paredes  sarapintadas  "por  negra  e 
abundante  varíola".  Os  corredores,  "preciosos  depó- 
sitos dos  escarros  de  vinte  gerações  de  bacharéis". 
Os  bancos  escolares,  "feridos,  furados,  cobertos  pelos 
gilvazes  das  assinaturas  e  dos  números  de  tôdas  as 
gerações  académicas"^'*.  Em  1883  Koseritz  confir- 
mava que  o  antigo  convento  —  sede  do  Curso  Jurí- 
dico • —  estava  arruinado  e  sujo,  com  os  pátios  co- 
bertos de  capim,  o  calçamento  do  claustro  todo  arre- 
bentado, as  janelas  estragadas.  E  nas  salas  de  aula 
paredes  sujas,  pedindo  caiação  há  muito  tempo,  car- 
teiras sem  verniz  e  velhos  bancos  espalhados  em  tôdas 
as  direções^^.  Até  essa  época  o  salão  onde  se  ins- 
talou depois  a  biblioteca  achava-se  em  abandono  com- 
pleto, sem  fôrro  e  em  parte  sem  assoalho  —  um  ver- 
dadeiro depósito  de  cacos  de  telha,  tábuas,  baldrames, 
vidros  (luebrados,  tudo  coberto  por  alguns  centímetros 
de  pó,  de  cisco  e  de  fuligem-^^. 

Valentim  Magalhães,  Quadros  e  Contos,  pág-.  31. 
"    Gilberto  Freyre,  Casa-Graiidc  &  Senzala,  5.^  edição„ 
págs.  404-405. 

Valentim  Magalhães,  Quadros  e  Contos,  pág.  33. 
Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  pág.  264. 
Almeida  Nogueira,  op.  cit.,  VII,  pág.  102. 


TIISTÓRIA    E    TK.\I)I(,-ÕF,S    DA    CIDAni'.    ])]■.    SÃo    PAI'L<I    \  26\ 

Ao  lado  da  redução  da  importância  da  Acaden.iia 
de  Direito  como  consetjiiência  do  próprio  crcscimcnt(j 
da  cidade  e  da  complexidade  cada  \çz  maior  da  es- 
trutura da  sociedade  paulistana  depois  de  1870,  ocor- 
reu também  a  decadência  por  assim  dizer  interna  do 
próprio  estabelecimento  da  Academia  e  do  chamado 
"espírito  académico",  até  então  cheio  de  vitalidade. 
Embora  em  1879  Sousa  Sá.  em  seus  Esboços  Críti- 
cos, escrevesse  ser  falso  que  a  geração  académica  de 
seu  tempo  não  soubesse  "guardar  os  nomes  de  Aze- 
vedo e  Varela",  não  admitindo  (lue  o  desânimo  lavras- 
se "nas  arcadas  do  velho  convento"^'',  o  professor 
Brás  Arruda  observou  rp.ie  foi  o  ensino  livre,  instituí- 
do naquele  ano,  que  transformou  a  vida  académica 
em  São  Paulo:  os  alunos  não  indo  senão  excepcional- 
mente à  Faculdade,  "afrouxaram-se  os  laços  fraternos 
que  os  uniam,  desapareceram  as  Aaias,  as  festas  aca- 
démicas, os  prazeres  em  comum,  as  alegrias  e  dôres 
compartidas  por  tõda  a  classe".  "As  festividades,  as 
ligas  para  os  acintes  aos  profanos  ou  para  as  pirraças 
aos  calouros,  as  serenatas,  os  ijasseios,  as  ceias,  tudo 
ligava  a  mocidade  académica  antes  da  cisão  pelo  en- 
sino livre"^^.  O  mesmo  observou  João  Tomás  de 
Melo  Alves  ( Hinckniar )  em  seus  Cinco  Anos  numa 
Academia  (1878-1882),  escrevendo  que  a  reforma  do 
ensino  contribuiu  então  para  o  desaparecimento  da 
antiga  conf rateriiização  da  mocidade  que  estudava 
em  São  Paulo^^    O  certo  é  que  alguns  anos  mais 

;Maiu;t'l    Alvaro   cie    Souza    Sá-    Esboços   Críticos  da 
Faculdade  dc  Direi  tu  dc  São  Pauto  cm  IS/Q.  pag.  9. 

''^  Brás  de  Sousa  Arruda,  "Antigo  São  Paulo",  Revista 
da  Faculdade  de  Direito  de  São  Pauto,  XXI,  págs.  379  e 
seguintes. 

|i)ão  Tomás  de  Melo  Alves  (Hinckmar),  Cinco  Anos 
numa  Academia  (1878-1882),  págs.  73  e  seguintes. 


1262 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


tarde  —  eni  1888  —  Valentim  Magalhães  falava  na 
"decrépita  e  tristonha  academia"  do  tempo"''.  Em- 
bora ainda  em  1897,  em  carta  de  São  Paulo,  escre- 
vesse Olavo  Bilac  que  "isto  ainda  era  a  mesma  Heidel- 
berg .  .  .  Andavam  pelas  ruas,  em  miagotes,  os  estu- 
dantes""^ e  Couto  de  Magalhães  Júnior,  evocando  seu 
tempo  de  estudante  em  1896  falasse  de  repúblicas 
cuios  utensílios  de  mesa  eram  todos  tirados  de  cafés 
ou  restaurantes  através  de  expedições  de  rapinagem, 
como  em  outros  tempos^^  e  ainda  que  em  1903  os 
estudantes  de  uma  República  Mineira  localizada  no 
largo  São  Paulo  organizassem  pique-niques,  com  pro- 
visões de  vinho  e  cerveja,  em  barcos  c[ue  iam  até  a 
rampa  do  Mercado,  pelo  Tamanduateí,  que  passava 
pelos  fundos  da  casa^^  —  tudo  isso  devia  ser  já  um 
reflexo  bastante  apagado  da  boémia  e  da  pândega 
tal  como  se  praticavam  no  tempo  de  Bernardo  Gui- 
marães. 

Entretanto,  ao  lado  da  Academia  de  Direito  fo- 
ram surgindo  nesse  tempo  outras  escolas.  Em  1873 
fundou-se  a  Sociedade  Propagadora  da  Instrução  Po- 
pular, que  nove  anos  mais  tarde  se  chamaria  Liceu 
de  Artes  e  Ofícios,  com  aulas  noturnas,  das  seis 
ás  nove,  de  primeiras  letras,  caligrafia,  aritmética, 
sistema  métrico  c  gramática  portuguesa^*.  Em  seu 
anúncio  dizia-se  que  as  aulas  eram  gratuitas  e  que 
os  matriculados  receberiam  de  graça  livros,  penas. 


20    Valentim   Magalhães,  Horas  Alegres,   pág.  192. 

2^  Citado  por  Elói  Pontes,  A  Vida  Exuberante  de  Olavo 
Bilac,  I,  pág.  101. 

—  Couto  de  Magalhães  Júnior,  "No  Mar.  .  .  Sêco", 
citado  por  Afonso  A.  de  Freitas,  A  Imprensa  Periódica  de 
São  Paulo,  pág.  460. 

2^    Caldeira  Brant,  op.  cit.,  págs.  179-186. 

Ricardo  Severo,  O  Liceu  de  Artes  c  Ofícios,  pág.  10. 


HISTÓRIA    K    TRAniÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃo    l'Ari.O    1  _'().> 

panei  e  tinta.  E  iciuando  fôsseni  assíduos,  ainda 
cuidados  médicos  e  remédios,  além  de  prémios  em  di- 
nheiro ou  objetos  de  valor-^  O  desenvolvimento  díi 
indústria  e  do  comércio  urbanos  reclamava  por  certo 
artífices  mais  aparelhados  que  aqueles  que  vinham  de 
outros  tempos.  Lo,£ío  depois  de  criado,  êsse  estabele- 
cimento se  transferiu  para  un^i  prédio  da  rua  da  Boa 
Morte  e  depois  para  outro  na  rua  do  Imperador.  Es- 
teve ainda  localizado  na  rua  de  Santa  Teresa  e  depois 
no  edifício  pegado  à  igreja  dos  Remédios,  passando 
mais  tarde  para  o  edifício  próprio  edificado  ao  lado 
do  Jardim  da  Luz  por  Ramos  de  Azevedo^^  Sempre 
em  mudança  essas  antigas  escolas  de  São  Paulo.  No 
ano  seguinte  ao  da  criação  do  Liceu  fundou-se  o  Ins- 
tituto Dona  Ana  Rosa,  destinado  à  formação  profis- 
sional de  meninos.  Instalou-se  na  chácara  do  sena- 
dor Queiroz,  no  bairro  de  Santa  Ifigênia,  na  área 
lim.itada  pelas  ruas  Brigadeiro  Tobias,  travessa  da 
Beneficência,  Florêncio  de  Abreu  e  Washington  Luís. 
Em  1894  se  transferiu  para  o  edifício  que  ainda  ocupa, 
na  rua  Vergueiro,  onde  se  desenvolveram  as  suas  ofí- 
cinas^^.  Foi  o  primeiro  estabelecimento  de  ensino  pro- 
fissional de  iniciativa  particular  que  houve  na  cidade. 
No  mesmo  ano  de  sua  fundação  o  Seminário  de  San- 
tana foi  convertido  em  Instituto  de  Artífices.  Além 
de  instrução  primária  lecionavam-se  ali  desenho,  gi- 
nástica, música  e  os  ofícios  dè-niarcenaria,  encader- 
nação e  alfaiataria,  fazendo-se  todos  os  anos  exames 
literários  e  exposição  de  produtos  artísticos^^.  Para 

Ricardo  Severo,  op.  cit..  pág.  9. 
25    Tolstoi  de  Paula  Ferreira.  "Subsídios  para  a  História 
da  Assistência  Social  em  São  Paulo",  Revista  do  Arquivo  Mu- 
nicipal, LXVII,  pág.  60. 

Tolstói  de  Paula  Ferreira,  op.  cit.,  págs.  61-62. 
28    Abílio   Marques,   Indicador  de  São   Paulo  (1878),. 
pág.  77. 


12Í.4 


ERNÂNI      SILVA     H  R  U  N  C 


êle  eram  transferidos,  quando  chegavam  à  idade  de 
freqíientar  escola,  os  meninos  da  Santa  Casa.  As 
meninas,  para  o  Seminário  da  Glória,  cjue  nessa  época, 
depois  de  uma  porção  de  mudanças  para  cima  e  para 
baixo,  ocupava  um  casarão  no  beco  do  Sapo.  Em 
1895  passou  para  outro  edifício  vizinho  e  em  1898 
para  a  sede  da  chácara  de  Dona  Veridiana  Prado, 
na  Consolação^'*:  o  casarão  junto  à  igreja  da  Conso- 
lação, demolido  há  poucos  anos. 

Em  1875,  em  seu  estudo  intitulado  A  Pvoinncia 
de  São  Paulo,  J.  Floriano  de  Godói  relacionava  como 
estabelecimentos  de  ensino  na  cidade,  além  da  Facul- 
dade de  Direito  e  desses  educandários  profissionais, 
um  colégio  de  meninas  dirigido  por  Knupel  e  outro 
por  Molina,  uma  escola  alemã  para  meninos  e  outra 
-para  meninas,  a  Escola  Americana  e  o  Instituto  Ale- 
mão'^". Logo  depois,  em  1880,  fundou-se  o  Exter- 
nato São  José,  ]")ara  educação  de  mieninas  de  famílias 
■de  recursos"^.  Nessa  época  —  de  1881  a  1894  —  a 
Escola  Normal  funcionou  em  um  sobrado  da  rua  da 
Boa  Morte.  Como  havia  uma  única  entrada  —  a  que 
servia  para  as  alunas  —  os  alunos  entravam  pelos 
fundos,  depois  de  descerem  a  íngreme  ladeira  dos 
Carmelitas  (rua  Agassiz)  e  percorrerem  o  beco  (rua 
Ana  Rosa)^^.  Sôbre  a  Escola  Alemã  escreveu  Kose- 
ritz  em  1883  que  não  estava  instalada  em  casa  prò- 
]M-iamente  bonita,  mas  bem  situada  e  espaçosa,  na  rua 
que  conduzia  à  fábrica  de  Diogo  de  Barros:  a  Flo- 


Antônio  Egídio  Martins,  São  Paulo  Antigo,  I,  págs. 
25  e  seguintes. 

Joaquim  Floriano  de  Godói,  A  Província  dc  São  Pau- 
lo, pág.  24. 

Tolstói  de  Paula  Ferreira,  op.  cit.,  pág.  54. 
Salvador  Rocco,' "Escola  Normal  de  São  Paulo",  Po- 
■Uantcia  do  Centenário  do^  Ensino  Normal  em  São  Paulo,  pág.  7. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    I>\ri.n  1267 


rèncio  de  Abreu.  "Assistimos  ao  desfile  dos  cento  e 
setenta  e  quatro  alunos  das  diversas  classes.  Entre 
as  crianças  só  havia  (juarenta  de  ascendência  brasi- 
leira. A  escola  alemã  possui  cinco  classes,  com  pro- 
o-rama  similar  ao  das  escolas  alemãs.  Na  classe  mais 
adiantada  também  se  ensinam  o  francês  e  o  inglês''. 
Observou  aliás  Koseritz  que  havia  em  São  Paulo 
"muito  mais  desenvolvimento  do  ensino  alemão"  do 
que  em  Santa  Catarina.  Muitas  famílias  faziam  com 
que  as  suas  crianças  aprendessem  o  alenijão  antes  de 
qualquer  outra  coisa.  "Contribuiu  muito  para  isso 
sem  dúvida  a  circunstância  de  ter  o  falecido  senador 
Nicolau  Verg-ueiro  feito  educar  todos  os  seus  filhos 
na  Alemanha,  onde  alguns  serviram  mesmo  como  ofi- 
ciais na  Guarda  Prussiana"^^  O  jornalista  teuto- 
brasileiro  encontrou  nessa  ocasião  em  São  Paulo  o 
doutor  Knigg,  professor  e  escritor  alemão  "não  des- 
tituído de  importância,  e  preceptor  na  casa  do  rico 
António  Prado"^*. 

Os  almanaques  de  Seckler  —  no  período  de  1885 
a  1888  —  no  capítulo  da  instrução  pública  registra- 
vam em  primeiro  lugar  os  estabelecimentos  de  maior 
importância  da  cidade:  a  Academia  de  Direito,  a  Es- 
cola Normal,  a  Associação  Propagadora  da  Instrução 
Popular  com  o  Liceu  de  Artes  e  Ofícios,  e  o  Seminá- 
rio Episcopal,  no  campo  da  Luz.    Alinham  menciona- 

Evocando  coisas  da  cidade  e  da  província  de  São  Paulo 
eni  época  um  pouco  anterior  —  em  torno  de  1870  —  D.  Maria 
Pais  de  Barros  em  seu  livro  No  Tempo  dc  Dantes  aludiu  à  es- 
tranheza que  causavam-  às  pessoas  de  sua  faniíHa  os  modos  de 
um  parente  que  regressara  da  Alemanha,  onde  f  ôra  estudar : 
suas  maneiras  ásperas,  sua  voz  alta  e  retumbante,  os  rudes  há- 
bitos nórdicos  quê  adquirira  contrastavam  chocantemente  com 
""as  maneiras  suaves  e  corteses  vigentes  entre  nós",  na  época. 
(D.  Maria  Pais  de  Barros,  No  Tempo  de  Dantes,  pág.  54). 
'^■^    Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  págs.  268  a  270. 


1268 


ERNÂNI      SILVA      E  E  U  X  O- 


dos  também  o  Seminário  da  Glória  e  o  Instituto  Dona 
Ana  Rosa.  Esclareciam  os  almanaques  que  o  pri- 
nieiro  déstes  dois  estabelecimentos  "era  destinado  a 
educação  de  meninas  órfãs,  filhas  de  militares  mortos 
na  pobreza".  E  que  o  segundo  fôra  fundado  com  a 
importância  para  isso  deixrida  por  Dona  Ana  Rosa 
de  Araújo,  falecida  em  1872^^  Uma  porção  de  es- 
colas e  colégios  vinha  depois  mencionada  pelos  alma- 
naques :  o  Colégio  Joaquim  Carlos  ■ — •  com  instrução 
primaria  e  secundária  — •  na  ladeira  Porto  Geral;  o 
Colégio  Moretz  Sohn,  no  largo  de  Santa  Ifig'ênia;  o 
Colégio  Instituto  Artístico,  na  rua  do  Ouvidor ;  o  Co- 
légio D.  JMaria  do  Amaral,  na  Florêncio  de  Abreu; 
o  Colégio  de  Santa  Teresa,  na  rua  de  Santa  Teresa; 
a  Aula  Taquigráfica,  na  rua  de  São  José;  a  Escola 
Mineira,  na  rua  de  Santa  Teresa;  o  Colégio  Cláudio, 
na  rua  Conselheiro  Crispiniano;  o  Externato  Araújo, 
na  rua  da  Esperança.  Figuravam  também  duas  es- 
colas estrangeiras :  a  Deutsche  Schule  —  a  que  Kose- 
ritz  fizera  referência  —  e  a  Escola  Americana,  na 
rua  de  São  José'^''.  Já  no  almanaque  de  1888  apare- 
ciam escolas  e  colégios  novos :  o  Barjona  de  Freitas, 
no  largo  de  São  Bento;  o  Colégio  Cross  —  com  ins- 
trução primária,  secundária  e  superior  —  na  rua  do 
Brás;  o  Colégio  A^zevedo  Soares,  na  rua  Senador 
Queiroz ;  a  Escola  Neutralidade  —  de  João  Kopke  — 
na  rua  da  Consolação;  a  Escola  Pública  do  Sexo  Fe- 
minino, na  rua  do  Aterrado  de  Santana,  na  Ponte 
Grande;  a  Escola  Conceição,  na  rua  das  Flores;  e  o 
Jardim  da  Infância,  na  rua  Conselheiro  Crispiniano. 
Estrangeiras,  a  Escola  Popular  Alemã,  na  rua  25  de 

^'^  Almanaque  da  PrcreUicia  dc  São  Paulo  para  1885,  págs. 
108  e  seguintes. 

Almanaque  da  Profíncia  dc  São  Paulo  para  1885,  págs. 
108  e  seguintes,  e  parcr  1886,  págs.  83  e  seguintes. 


}IIST-(')KIA    E    TRADIÇÕKS    DA    CIPADE    ])]■;    SÃO    PAIM.O  1269 

Março,,  a  Escola  Teuto-Brasilcira,  na  rua  Duque  de 
Caxias,  e  a  Ecolc  Française  Mixte,  na  rua  da  Prin- 
xesa^^  Também  anuncia^-am  nesses  almatuujues  da 
província,  na  época,  professores  particulares  (|ue  da- 
vam aulas  nas  residências  dos  alunos,  preparando  es- 
tudantes para  os  exames  da  Academia  de  Direito  ou 
da  Escola  Normal.  Como  B.  Portier,  professor  de 
Francês,  Inglês,  Alemão,  Matemática,  História,  Geo- 
çrafia  e  Caligrafia,  "residente  em  São  Paulo  desde 
1.868"^^ 

Como  na  época  da  publicação  dos  almanaques 
ainda  eram  bastante  comuns  nas  escolas  paulistanas 
—  como  nas  de  outras  cidades  brasileiras  —  os  cas- 
tigos corporais  (  a  varada,  o  puxão  de  orelhas,  o  bolo 
de  palmatória),  tais  como  haviam  sido  descritos  no 
-comêço  do  oitocentismo  por  Vieira  Bueno,  é  bastante 
significativo  o  anúncio  publicado  então  pela  Escola 
\mericana,  dirigida  por  Mr.  Lane  e  fundada  em 
1870:  "Os  castigos  corporais  são  absolutamente  proi- 
bidos em  tòdas  as  repartições  do  estabelecimento". 
/Vliás  a  Escola  Americana  destacava  ainda  em  seu 
anúncio  que  "o  estudo  da  Fisiologia,  necessário  à 
conservação  da  saúde,  ao  desenvolvimento  físico  e  à 
formação  de  costumes  puros",  era  obrigatório  para 
•todos  os  alunos,  avisando  ainda  que  o  estudo  era 
feito  "por  métodos  intuitivos  e  objetivos",  afastando- 
se  o  mais  possível  dos  "antigos  sistemias"^^.  Êsses 
"antigos  sistemas"  deviam  ser  os  representados  pelo 
•estudo  em  voz  alta,  a  decoração  excessiva  com  pouco 

"  Alvianaqiie  da  Província  dc  São  Paulo  para  1R88,  pá.çs. 
.]64  e  seguintes. 

Almanaque  da  Província   de  São  Paulo  para  1888, 
anúncios,  pág.  44.    .  : 

j;  '  r  Almanaque  da~  Província  dc  São  Paulo  para  1888, 
pág.  68.  . 


1270 


ERNÂNI      SILVA      tí  R  U  N  C 


estímulo  para  o  pensamento.  "Resolveu-se  —  na  Es- 
cola Americana  —  substituir  esses  métodos  pelos  de- 
senvolvidos durante  larga  experiência  nas  escolas  pú- 
blicas dos  Estados  Unidos,  inclusive  o  ensino  pelo 
método  intuitivo  e  o  estudo  silencioso"^".  Mas  o 
motivo  principal  que  deu  origem  à  fundação  dessa 
escola  na  cidade  foi  a  impossibilidade  em  que  se  acha- 
vam as  crianças  não-católicas  de  frequentar  as  escolas 
públicas  por  questões  de  intolerância  religiosa.  Foi 
em  1870  que  uma  senhora  americana  residente  em 
São  Paulo,  à  rua  Visconde  de  Congonhas  do  Campo, 
abriu  para  esses  alunos  uma  pequena  escola  na  própria 
sala  de  jantar  de  sua  casa.  A  iniciativa  encontrou 
repercussão  e  o  marido  dessa  senhora,  o  dr.  George 
W.  Chamberlain,  resolveu  ampliar  o  estabelecimento, 
que  foi  instalado  em  ponto  central  e  com  corpo  do- 
cente adequado^^.  A  fundação  desse  colégio,  que  de- 
pois se  intitulou  jMackenzie  College  —  como  a  de 
outras  escolas  americanas,  o  Instituto  Granbery  em 
Juiz  de  Fora,  o  Instituto  Gamon,  também  em  Minas 
e  os  Ginásios  Evang-élicos  da  Bahia  e  de  Pernambuco- 
—  Fernando  de  Azevedo  escreveu  que  contribuiram 
notàvelmente  para  a  mudança  de  métodos  e  a  intensi- 
ficação do  ensino  em  todo  o  país"*^.  Talvez  o  caso 
também  em  São  Paulo  do  Hydecroft  Cv  Uege,  localiza- 
do no  comêço  do  século  atual  na  Avenida  Paulista  e 
onde  se  matriculavam  meninos  "das  principais  famí- 
Has  da  capital  e  do  interior  de  São  Paulo"*^ 

Mas  outros  estabelecimentos  de  ensino  se  fun- 
daram ainda  em  São  Paulo  nas  duas  últimas  décadas 

-♦o  W.  A.  Waddell,  Mackenzie  College  —  Notas  sôhre  a 
sua  história  e  organização,  pág.  5. 

W.  A.  Waddell,  op.  cit.,  pág.  5. 

Fernando  de  Azevedo,  A  Cultura  Brasileira,  pág.  141. 
Caldeira  Brant,  op.  cit.,  págs.  165-166. 


HISTÓRrA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DK    SÃO    rAlT.G    \  27 1 

do  século  passado.  En^  1885  os  padixs  salesianos, 
procedentes  do  Uruguai,  criaram  o  Liceu  de  Artes  e 
Ofícios  do  Sagrado  Coração  de  Jesus^\  Em  1889 
criou-se  na  cidade  o  Instituto  de  Pesquisas  Tecnoló- 
gicas, que  teve  a  principio  funções  essencialmente 
didáticas,  constituindo  o  Gabinete  de  Resistência  de 
Materiais  da  Escola  Politécnica  —  esta  última  criada 
por  lei  de  1893  e  instalada,  com  trinta  e  um  alunos 
e  vinte  e  oito  ouvintes,  no  ano  seguinte.  Dois  anos 
mais  tarde  —  em  1896  —  instalou-se  a  Escola  de 
Eng-enharia  do  Mackenzie  CoUege^^  Em  1894  es- 
tabeleceu-se  em  seu  novo  e  grande  edifício  -—  cons- 
truído pelo  arquiteto  Ramos  de  Azevedo  —  a  Escola 
NormaP^.  Nessa  época  eram  já  também  numerosas 
na  cidade  as  escolas  particulares  italianas.  O  Alma- 
naque de  1891  reg-istrava  o  Colégio  Italiano  (na  la- 
deira de  São  Francisco),  a  Escola  Giuseppe  Garibaldi 
(na  Libero),  a  Escola  Italiana  "Semipre  Avanti  vSa- 
voia"  (na  Sete  de  Abril),  a  Escola  Italiana  (na  rua 
Lourenço  Gnecco)  e  o  Colégio  Regina  Margherita  (na 
rua  Flórida,  no  Brás)^''.  No  começo  do  século  vinte 
—  em  1902  —  criaram-se  as  duas  primeiras  escolas  de 
comércio  da  cidade,  a  do  Mackenzie  e  a  Álvares  Pen- 
teado; em  1911,  as  duas  primeiras  escolas  técnico- 
j-rofissionais  no  Brás  (uma  feminina  e  outra  masculi- 
na) e  em  1913  a  Faculdade  de  Medicina*^  Em  1908 
liavia  na  capital  dezoito  grupos  escolares  com  perto  de 

Fernando  de  Azevedo,  op.  cit.,  pág.  136. 

Fernando  de  Azevedo,  op.  cit.,  pág.  367. 

Fernando  de  Azevedo,  op.  cit.,  pág.  374,  e  São  Paulo 
Antigo  c  São  Paulo  I\fodcnw  (álbum  de  1905),  pág.  110. 

Almanaque  do  Estado  dc  São  Paulo  para  1891,  págs. 
155  e  seguintes.  ■ 

48  Fernando  de  Azevedo,  op.  cit.,  págs.  374-375.  e  Ro- 
berto Capri,  O  Estado  de  São  Paulo  c  seus  viunicípios  (1913^ 
págs.  89-90. 


1272 


ERNÂNI      SILVA      E  R  U  N  O' 


MO\'e  mil  alinios  —  estaljelccinientos  que  cm  1913  se- 
riam vinte  e  cinco^'^. 

No  ano  de  1875,  por  outro  lado.  o  já  citado 
trabalho  de  Floriano  de  Godói  a  respeito  da  província 
de  São  Paulo  mencionava  entre  as  bibliotecas  da  ci- 
dade a  da  Faculdade  de  Direito,  com  dez  mil  volumes ; 
a  Biblioteca  Popular,  com  quatro  mil  e  quinhentos ; 
a  Alemã,  p-ertencente  à  Sociedade  Germânia;  além  de 
outras  "de  uso  particular"""^.  Havendo  já  também 
um  "oabinete  que  alugava  livros"  —  o  de  Madame 
Guilhem  —  na  rua  da  Imperatriz^^V  Uns  dez  anos 
depois  sabe-se  que  a  biblioteca  da  Sociedade  Portu- 
.^uêsa,  iniciada  modestamente  com  uma  estante  con- 
tendo oitenta  e  poucos  volumes,  doados  pelo  comen- 
dador José  Alves  de  Sá  Rocha,  foi  reorganizada  — 
isso  em  1883  —  por  iniciativa  do  comendador  Ber- 
nardino Monteiro  de  Abreu,  com  mobília  nova  e 
aumento  considerável  de  livros'^  Na  mesma  ocasião 
Koseritz  fazia  referência  à  biblioteca  da  Sociedade 
Germânia,  com  seus  três  mil  volumes"^.  Quase  no 
fim  do  século  passado  foi  que  se  fundaram;  algumas 
bibliotecas  novas  e  de  importância  maior.  Em  1886 
a  do  Mackenzie  College.  Em  1894  a  da  Escola  Po- 
litécnica. A  Biblioteca  do  Estado,  datando  de  1895- 
1896,  foi  organizada  com  uma  coleção  de  sessenta 
mil  volumes  comprados  cm  parte  na  Europa  e  esco- 
lhidos pelo  bibliotecário  Jerônimo  Azevedo.  Nessa 
época  a  outra  Biblioteca  Pública  (a  da  Academia  de 
Direito)  —  que  em  1890  Raffard  observou  ter  so- 

Roberto  Capri,  op.  cit.,  págs.  89-90. 
-^•^    Joaquim  Floriano  de  Godói,  op.  cit.,  pág-.  25. 

Anc.vos  ao  Almanaque  da  Prozniicia  de  São  Paulo  para 
1873.  pág-.  119. 

^-    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  20. 

Carl  Von  Koseritz,  op.  cit..  pág.  258. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  127.T 

mente  4.616  livros,  revistas  e  jornais,  e  se  encontrar 
no  mesmo  estado  de  pobreza  emi  que  se  encontrax  a  cm 
1881,  segundo  o  relatório  de  Pires  da  Mota^'  —  enri- 
quecida com  número  considerável  de  obras,  contava 
com  7.541  livros  em  um  total  de  22.644  volumes'". 
Em  1896,  além  dessas  bibliotecas,  um  almanaque  re- 
íiistrava  ainda  a  do  Fórum,  na  rua  do  Quartel,  a 
do  Congresso,  no  largo  IMunicipal,  a  do  Sínodo  Pres- 
biteriano, na  rua  24  de  Maio  e  a  do  Liceu  de  Artes 
e  Oficios,  na  rua  de  Santa  Teresa^'^^  Vieira  Bueno, 
na  sua  Aulobior/rafia.  referiu-se  a  uma  doação  de 
livríxs  que  fêz  ao  Liceu  de  Artes  e  Ofícios  por  inter- 
médio do  conselheiro  Leôncio  de  Carvalho.  Tratava- 
se  de  todos  os  livros  de  Matemática  e  de  Engenharia 
que  forma van^j  "a  escolhida  biblioteca"  trazida  dos 
Estados  Unidos  e  da  França  por  um  seu  filho,  que 
falecera"".  Ma.?,  os  casos  de  boas  colcções  particula- 
res de  livros  ainda  deviam  ser  mais  raros  que  o  de 
bibliotecas  de  instituições.  São  Paulo  não  fazia  nesse 
particular  excepção  ao  que  se  passava  em  todo  o 
Brasil  ainda  na  segunda  metade  do  século  passado^^ 
Em  São  Paulo  tem-se  a  impressão  de  que  mesmo 
•;os  últimos  anos  do  oitocentismo  não  se  desenvolvia 


Henrique  Raffarcl,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rev. 
tio  Iiisf.  flíst.,  Gcog.  e  Einog.  B^rasilciro.  rol.  LV,  II,  pág.  169. 

José  Jacinto  Ribeiro,  Cronologia  Paulista,  I,  pág.  471. 

Com  flicto  Ahnanak  Adininistrativo,  Comercia!  c  Pro- 
fissional do  Estado  de  São  Poitlo  para  1806.  pág.  88. 

Francisco    de    Assis    Vieira    Bueno,  Autobiografia. 

pág.  75. 

"Nada  impressiona  tanto  o  estrangeiro  —  escrevera 
Agassiz  —  como  a  ausência  de  livros  nas  casas  brasileiras. 
Se  o  pai  exerce  uma  profissão  liberal,  tem  uma  pequena 
biblioteca  de  tratados  de  Direito  ou  Medicina,  mas  não  se  vêem 
livros  espalhados  pela  casa,  como  objetos  de  uso  constante;  não 
fazem  parte  das  coisas  de  necessidade  corrente"  (Luís  e  FJi- 
zabetb  Cary  Agassiz,  Viagem  ao  Brasil,  pág.  570). 

25 


1276 


E  R  N  A  X  I      SILVA  BRUNO 


•acentuadamente  o  comércio  de  livros.  Parece  que  as 
poucas  livrarias  existentes  apenas  mudavam  de  nome 
ou  de  dono  de  vez  em  quando.    A  princípio  havia  a 

Paulista,  a  Empresa  Literária,  a  Dolivais    esta 

última  recebendo  novidades  do  exterior,  pois  era  re- 
presenlante  da  Empresa  Faro  e  Lino  e  da  Livraria 
Internacional  de  Carrilho  Videira,  de  Lisboa,  e  a  Ci- 
vihzação,  de  Abilio  Marques,  funcionando  esta  cm 
1875  no  prédio  de  esquina  da  rua  do  Rosário  onde 
estava  também  instalado  o  jornal  A  Província  de 
São  Paiihr'-'.  Em  1885,  segundo  um  almanaque  dc 
Seckler,  as  livrarias  paulistanas  eram  a  Casa  Eclética, 
na  rua  de  São  Bento,  a  Emprêsa  Literária  Fluminense, 
na  rua  Direita,  a  Casa  Garraux,  na  rua  da  Lnperatriz 
— ■  que  o  viajante  Andrews  em  1883  considerou  a 
mais  bela  loja  de  livros  e  papelaria  existente  no 
BrasiP*^  —  e  a  Livraria  Paulista,  na  rua  de  Sãa 
Bento''\  O  almanaque  de  1888  registrava  a  Emprêsa 
Corazzi  Literária,  no  largo  da  Sé,  Fischer  Fernandes 
&  Cia.  (  Casa  Garraux),  J.  P.  Leão  (Livraria  Escolar), 
na  rua  Boa  Vista;  Jerônimo  Azevedo  (Livraria  Aze- 
vedo), na  rua  Direita;  e  Teixeira  &  Irmão  (Livraria 
Paulista)  na  rua  de  São  Bento  —  como  estabeleci- 
mentos que  representavam  o  comércio  de  livros  na 
capital  de  São  Paulo*'^  Ainda  em  1896  o  Almanaque 
Paulista  Ilustrado  continuava  registrando  a  existên- 
cia de  apenas  cinco  livrarias  na  cidade :  a  de  A.  Thiol- 
lier  &  Cia.,  ua  rua  Quinze,  a  de  Alves  &  Cia.,  na 

Valério  Sálvio,  "A  Província  de  São  Paulo",  O  Estado 
dc  São  Paulo  de  4  de  janeiro  de  1946. 

•  ^°  Christopher  C.  Andrews,  Brazil,  ifs  Condition  and 
Prospects,  pá^.  144. 

Almanaque  da  Província  de  São  Paulo  para  1885, 
págs-  232-233. 

^2  Almanaque  da  Província  de  São  Paulo  para  1888, 
pág.  265. 


HISTÓRIA    K    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1277 

ma  da  Quitanda,  a  de  Costa  &  Santos  (Livraria 
Civilização)  na  rua  de  São  João,  a  de  Laeniert  &  Cia., 
na  rua  Comércio  e  a  de  Melilo  &  Cia.,  na  rua  de  São 
Bento''^.  Outra  publicação  da  mesma  época,  no  en- 
tanto, reo-istrava  a  existência,  em  1895-1896,  de  oito 
estabelecimentos  que  negociavam  com:  livros  no\-os  e 
três  que  \-endiani  livros  usados.  Entre  os  primeiros, 
um  já  de  livros  ingleses,  o  "Victoria  Store",  na  rua 
de  São  Bento"*.  Com  o  desenvolvimento  das  colónias 
estrangeiras  na  cidade  —  sobretudo  a  italiana  —  sur- 
giram livrarias  especializadas.  No  comêço  do  século 
vinte  Sousa  Pinto  se  referiu  a  uma  livraria  em  que 
se  exibiam  os  últimos  volumes  de  DWnnunzio.  de 
Ferrero  e  de  Rovetta*'^. 

Tomava  algmu  incremento  a  edição  de  lix-ros  na 
cidade  a  partir  das  três  últimas  décadas  do  século 
dezenove,  através  do  desenvolvimento  de  algumas  de 
suas  casas  tipográficas.  Na  sétima  década  do  oito- 
centismo  a  Tipografia  Alemã,  da  rua  do  Comércio  n." 
2,  imprimiu  o  volume  de  poesias  Auras  Matinais, 
do  "estudante  do  4.°  ano  da  Faculdade  de  Direito" 
Hipólito  de  Camargo,  em  1872;  a  Tipografia  da  Tri- 
buna Liberal,  do  largo  do  Palácio  n.°  2  e  depois  da 
rua  da  Lnperatriz  n.°  44,  publicou  em  1876  ou  1877 
a  Historia  dc  um  Pescador  (cenas  da  vida  no  Ama- 
zonas), de  Luís  Dolzani  (Inglês  de  Sousa)  ;  e  em 
1879  os  Cantos  c  Lutas,  de  Valentim  Magalhães.  A 
Tipografia  de  Jorge  Seckler  imprimiu  em  1873  os 


Almanaque  Paulista  Ilustrado  para  tS96,  pág.  335. 

Completo  Almanak  Adininistrativo.-  Comercial  c  Pro- 
fissional do  Estado  de  São  Paulo  para  1895,  pág.  232,  e  para 
1896,  pág.  252.- 

.Sousa  Pinto,  Terra  Moça  —  Impressões  Brasileiras, 
pág.  335. 


1278 


ERNÂNI      S  I  L  \'  A  BRUNO 


Apoiítaniciitos  sobre  a  Estrada  de  Ferro  Projctada 
entre  o  Porto  de  h/iiape  e  a  Cidade  de  Itii,  de  Henri- 
que Ernesto  Bauer;  em  1875  o  livro  de  poesias  Livro 
de  Rosa,  de  Júlio  Cesar  Leal;  em  1876  o  Primeiro 
Relatório  da  Santa  Casa  de  Miserieórdia  da  cidade  de 
São  Paulo,  de  Francisco  Martins  de  Almeida;  em 
J879  o  volume  de  poesias  Telas  Sonantes,  de  Afonso 
Celso  Júnior.  Na  oitava  década,  ainda  a  tipografia 
de  Seckler  editou  em  1882  Cinco  Anos  numa  Aca- 
demia de  João  Tomás  de  Melo  Alves  e  a  Monografia 
do  Município  da  cidade  de  São  Paulo,  de  João  Mendes 
de  Almeida  Júnior;  em  1883,  Em  São  Paido  — 
Notas  de  Viagem,  de  Firmo  de  Albuquerque  Diniz 
(Június),  trabalho  distribuído  pela  livraria  de  Doli- 
vais  Nunes,  estabelecido  na  rua  de  São  Bento  e  que 
editou  ainda  em  1882  os  Quadros  e  Conios  de  Va- 
lentim Magalhães.    A  Livraria  Popular  editou  em 

1880  Camões,  de  Afonso  Celso  Júnior;  a  tipografia 
do  Correio  Paulistano,  no  mesmo  ano,  a  Arte  de 
Eormar  Homens  de  Bem  —  oferecida  ás  mães  de 
familia  — •  de  autoria  de  Domingos  Jaguaribe,  e  em 

1881  o  Parnaso  Académico  Paiúistano,  de  Paulo  An- 
tônio do  Vale;  a  tipografia  de  A  Província  de  São 
Pa  ido.  em  1882,  o  folheto  de  Silvio  Romero  O  natu- 
ralismo em  literatura;  a  tipografia  Baruel,  em  1886, 
Algumas  Notas  Genealógicas  —  Livro  de  Família, 
de  João  Mendes  de  Almeida. 

Por  outro  lado.  depois  de  1870  ainda  houve  pu- 
blicações literárias  de  académicos  de  Direito  tentan- 
do manter  o  prestígio  das  letras  entre  os  estudantes 
da  cidade,  como  nos  tempos  boémios  em  que  se  desta- 
caram alguns  poetas  românticos  de  primeira  plana. 
Em  1876  a  "República  das  Letras",  com  Américo  de 
Campos  e  Lúcio  de  Mendonça,  e  "A  Consciência",  de 


HISTÓRIA    F.    TKADiÇíJES    PA    CIDADE    DE    SÃii    PAfl.r.    I  ..',S  t" 


Afonso  Celso  Júnior''"'.  E  nessa  mesma  época  fre- 
quentaram o  Curso  Jurídico  de  São  Paulo  estudantes 
que  depois  ganharam  projeção  nas  letras  nacionais: 
Teófilo  Dias  e  Raimundo  Correia";  a  ])artir  de  1877, 
Eduardo  Prado''^.  Raul  Pompeia,  Luís  Murat.  \'icentc 
de  Carvalho.  Olavo  Bilac,  Alberto  Torres'''';  c  ainda 
depois  Afonso  Arinos  e  Paulo  Prado'" ;  na  última  dé- 
cada do  oitocentisriio,  Valdomiro  Silveira  e  Batista  Ce- 
pelos^^;  e  no  começo  do  século  atual  o  poeta  Ricardo 
Gonçalves".  Não  devendo  a  ,<;ente  esquecer  (|ue  o 
próprio  Ing-lês  de  Sousa.  c[ue  se  tornaria  figura  de 
projeção  nas  letras  nacionais,  com  seu  romance  O 
Missionário,  fêz  em  São  Paulo  parte  de  seu  curso  de 
Direito'^ 

Entretanto,  se  decaiu  nas  últimas  décadas  do  sé- 
culo dezenove  o  movimento  intelectual  que  tivera  por 
centro  em  meados  do  oitocentismo  o  casarão  do  larga 
de  São  Francisco  —  como  parece  evidente  —  de  modo 
geral  se  elevou  o  nível  intelectual  da  cidade,  em  grande 
parte,  segundo  Raffard,  sob  o  influxo  da  crescente 
corrente  imigratória  italiana  para  a  província,  muitos 
peninsulares  tendo-se  fixado  na  sua  capitar\  E  em 
boa  parte  devido  ao  próprio  crescimento  da  cidade, 
caracterizando-se  esta  cada  vez  mais  como  metrópole, 

'^^  José  de  Freitas  Nobre,  História  da  Imprensa  de  São 
Paulo.  pág.  117. 

Silvio  Romero,  História  da  Literatura  Brasileira,  V. 
pág.  295. 

Spencer  Vampré,  Memórias  para  a  Históna  da  Acade- 
mia de  São  Paião,  II,'  págs.  375.  e  seguintes. 

Spencer  Vampré.  op.  cit.,  II,  págs.  427  e  seguintes. 
'''^    Spencer  Vampré,  op.  cit.,  II,  págs.  489  e  seguintes. 

Spencer  Vampré,  op.  cit.,  II,  págs.  570  e  seguintes. 

Spencer  Vampré,  op.  cit.,  II,  págs.  658  e  seguintes. 
''^    Almeida  Nogueira,  op.  cit.,  IV,  pág.  297. 
'^^    Henrique  Raffard,  op.  cit. 


1282 


E  R  N  A  X  I      SILVA      B  R  U  N  C 


pela  incorporação  das  energias  de  tóda  uma  vasta 
região.  Passou  mesmo  a  cidade  a  comportar,  no  últi- 
mo quartel  do  século  passado,  uma  série  de  iniciativas 
de  caráter  científico  ou  intelectual,  como  expressões 
de  um  clima  cultural  bem  diverso  já  daquele  que  fôra 
o  dominante  em  meados  do  século,  apesar  de  todo  o 
brilho  das  gerações  académicas  de  então.  Em  1877, 
por  exemplo,  requeria  .  um  particular  licença  da  Câ- 
mara i)ara  fazer  no  Teatro  São  José  ou  em  outro 
lugar  (|ual(|uer  uma  exposição  de  "curiosidades  indí- 
genas"'l  Em  1883  o  viajante  Koseritz  se  referia  ao 
chamado  "nuiseu  do  coronel  Sertório".  Sertório  era 
um  homem  rico  que  "sem  preocupação  científica"  en- 
chera sua  casa  de  objetos  os  mais  disparatados,  que 
deveriam  ser  ordenados  cientificamente  pelo  engenhei- 
ro sueco  dr.  Loefgren'*^.  O  coronel  Sertório  —  ob- 
servou aquele  viajante  — •  devia  doar  essas  suas  cole- 
ções  à  província,  para  servirem  de  base  a  um  museu''^. 
Foi  o  que  aconteceu.  Em  1890  não  tinha  ainda  o 
Museu  Sertório,  então  instalado  no  largo  Municipal, 
um  catálogo,  mas  Raffard  aconselhava  que  quem  se 
encontrasse  em  São  Paulo  fizesse  uma  visita  a  êle*^*. 
Com  essas  coleções  de  Sertório,  compradas  em  1890 
pelo  conselheiro  F.  de  Paula  Mayrinck  e  ofertadas  ao 
governo  do  Estado,  e  mais  com  o  velho  museu  da 
Sociedade  Auxiliadora  (de  1877)  fundou-se  o  Museu 
Paulista,  instalado  no  parque  do  Ipiranga.  O  edifício 
do  Museu  foi  construído  por  Luís  Pucci  em  1882, 
segundo  a  planta  do  engenheiro  Tomás  G.  Bezzi,  e 
inaugurado  em  1885.      Enx  1894  instalou-se  nele  o 

Atas  da  Câmara  Muiiicipa!  de  São  Paulo,  LXIIT, 
pág.  182. 

''^    Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  págs.  261  e  26.?. 

Carl  Von  Koseritz,  op.  cit.,  págs.  261  e  263. 
''^    Henrique  Raffard,  op.  cit. 


HISTÓRIA    !•:    TRADIÇÕES    DA    CIDADF.    DK    SÃO    rAI  T.d    1  ,3 

Museu'-',  sob  a  oi-icntação  do  alemão  l  lcniuuin  \'nn 
Ihering-,  que  foi  o  seu  ])rinieiro  diretor'^".  Nesse  iiies- 
mo  ano  foi  fundado  o  Instituto  Histórico  e  Gco.gráfico 
de  São  Paulo^\  Na  penúltima  década  do  século  pas- 
sado foi  ainda  cjue  o  bris^adeíro  Couto  de  Afa.galhães 
montou  seus  telescópios  no  primeiro  observatório  as- 
tronómico da  cidade,  em  sua  chácara  da  Ponte  Grande, 
na  marg-em  do  Tietê"  ^  Em  1886  criou-se  a  Comissão 
Geográfica  e  Geológica  do  Estado.  Antes  de  sua 
criação  o  brigadeiro  José  Joaquim  Machado  d'01iveira 
cuidava  na  capital  de  São  Paulo  das  observações  de 
temperatura.  Essas  observações  só  passaram  a  ser 
feitas,  sistemàticamente,  na  residência  do  professor 
Alberto  Loefgren,  na  Consolação.  De  1888  em  di- 
ante iniciaram-se  observações  no  posto  do  Jardim  da 
Luz,  onde  foi  construída  uma  tôrre  meteorológ-ica. 
Nessa  época  também  na  São  Paulo  Railway  se  pro- 
cedia à  leitura  dos  termómetros.  Em  1895  a  Central 
Meteorológica  foi  transferida  do  Jardim  da  Luz  para 
a  Escola  Normal**^.  A  cidade,  também  nos  planos  in- 
telectual e  cientifico,  procurava  se  aparelhar  para 
exercer  as  suas  funções  metropolitanas  ou  ijuase-me- 
tropolitanas. 


Cursino   de   Moura.   São   Paulo   dc    Outrora,  págs. 

232-233. 

80    Fernando  de  Azevedo,  op.  cit.,  pág.  369. 

^'  São  Paulo  dc  Ontem,  de  Hoje  e  dc  ÃMianliã  (Boletim 
do  Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda),  n.*^  4, 
pág.  17. 

^-  Aureliano  Leite,  O  Brigadeiro  Couto  de  Magalhães. 
págs.  133-134. 

Lucas  R.  Junot,  "Estudos  de  Temperatura  da  Cidade 
de  São  Paulo",  Anais  do  IX  Congresso  Brasileiro  de  Geografia 
—  Conselho  Nacional  de  Geografia,  II,  pág.  460. 


riqiteciniento  da 
cidade  de  São  Paulo 
a  partir  dos  iiltimos 
trinta  anos  do  século 
passado  se  refletirain 
desde  logo  na  multi- 
plicação de  suas  casas 
de  espetáculo,  fun- 
dando-se  o  pequeno 
Teatro  Miner\a,  o  Provisório  Paulistano,  o  Ginásio 
Paulistano  e  o  das  Variedades  Paulistanas,  todos  infe- 
riores no  entanto  ao  São  José,  que  vinha  do  período 
anterior  e  se  inccKidiou  em  1898.  Destacaram-se  tam- 
bém na  época  dois  teatros  improvisados  em  barracões 
de  zinco  —  o  Politeama  e  o  Eldorado  —  em  que  se 
fizeram  todavia  representações  de  sucesso.  Edificou- 
se  depois  o  Santana,  com  certos  requisitos  modernos, 
■e  o  São  José  novo.  Mas  o  mais  importante  de  todos 
nesta  fase  seria"  o  Municipal,  que  ao  ser  inaugurado 
^m  1911  foi  tido  como  o  edifício  mais  importante  de 


1288 


E  R  N  A  i:  I      S.  I  L  V  A  BRUNO 


São  Paulo  e  iim  dos  mais  belos  da  América  do  Sul 
tòda. 

Do  ponto  de  vista  da  produção  teatral  na  cidade, 
entretanto,  o  surto  que  se  observara  em  meados  do 
século  passado  parece  ter  sido  de  pequena  duração  e 
não  ter  deixado  raízes  que  se  desenvolvessem.  O 
velho  dramalhão  tomou  conta  de  novo  dos  palcos  pau- 
listanos, ao  lado  porém  de  comédias  nacionais  ou  es- 
trangeiras, de  revistas  e  de  operetas,  apresentadas  por 
companhias  famosas  do  Rio  de  Janeiro  e  às  vêzes  por 
estrangeiras  como  a  Dramática  de  Lisboa.  No  co- 
meço do  século  atual  figuras  de  projeção  internacional 
se  apresentaram  emi  São  Paulo  contribuindo  para  a 
elevação  do  nivel  dos  espetáculos  e  do  gosto  do  pú- 
blico. 

Desenvolvimento  mais  positivo,  nesse  mesmo  pe- 
ríodo, teve  a  música,  com  a  intensificação  do  interesse 
pelo  piano  e  a  fixação  na  cidade  de  numerosos  profes- 
sores estrangeiros.  A  ligação  de  São  Paulo  com  a 
Côrte  por  estrada  de  ferro  em  1877  facilitou  a  apre- 
sentação de  companhias  líricas,  do  Rio  ou  estran- 
geiras, no  São  José.  Começaram  a  ser  realizados  tam- 
bém concertos  musicais  de  certa  importância,  sobre- 
tudo a  partir  de  1883.  com  a  fundação  do  Club  Haydn 
por  Alexandre  Levy.  Levy,  que  estudara  em  São 
Paulo  e  depois  se  aperfeiçoou  na  Europa,  foi  aliás 
figura  bastante  representativa  do  ambiente  musical 
paulistano  de  seu  tempo.  Nas  últimas  décadas  do 
século  passado  surgiram  ainda  outras  entidades  e  clubes 
cujo  objetivo  era  o  cultivo  da  música,  e  Chiafarelli 
estabeleceu  na  cidade  a  sua  escola,  que  teria  influência 
pronunciada.  No  começo  do  século  atual  —  em  1906 
—  começou  a  funcionar  o  Conservatório  Dramático  e 
Musical. 

Com  relação  à  música  popular  sabe-se  que,  com 
a  imigração,  sobretudo  italiana,  entraram  na  cidade 
os  instrumentos  e  as  músicas  populares  da  Península, 


HISTÓRIA    E    TRADirÒES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  12S9 


muitos  italianinhos  formando  grupos  que  tocavam  e 
cantavam  pelas  ruas  —  refugiando-se  enteio  nos  arre- 
dores, como  que  envergonhadas  de  seu  caipirismo,  as 
cantigas  tradicionais  da  terra. 

As  artes  plásticas  não  tiveram  ainda,  nos  últimos 
trinta  anos  do  século  passado  e  mesmo  no  começo  do 
atual,  ambiente  para  muita  expansão  em  São  Paulo. 
Pedro  Alexandrino  e  Almeida  Júnior,  que  figuravam 
em  almanaques  de  1888  como  "retratistas  a  óleo",  re- 
produziram em  desenhos  ou  quadros  certos  aspectos 
paulistanos  desse  tempo.  Pedro  Alexandrino  colabo- 
rou também  na  decoração  da  igreja  de  Santa  Teresa, 
quando  de  sua  restauração  em  1880,  e  Almeida  Júnior 
pintou  alguns  painéis  no  teto  da  Sé.  No  começo  do 
século  atual  o  interesse  um  pouco  maior  pelas  artes 
plásticas  —  embora  ainda  revelado  por  parte  de  uma 
elite  bastante  reduzida  —  se  refletiria  na  instalação 
de  uma  Pinacoteca  em  1911. 

No  setor  das  construções  de  edificios  para  fins 
teatrais  se  refletiu  particularmente  o  surto  de  modifi- 
cações que  se  iniciou  na  cidade  a  partir  de  1872.  Já 
no  ano  seguinte  fundava-se  um  pequeno  teatro  —  o 
Minerva  —  no  local  onde  se  ergueu  depois  o  Santana^. 
E  na  mesma  ocasião  se  edificou  o  chamado  Teatro 
Provisório  Paulistano,  na  rua  Boa  Vista^,  em  cujo 
prédio  se  aproveitou  um  portão  de  ferro  que  se  achava 
na  ponte  do  Balthar  e  que  a  Câmara  mandou  que 
fôss.e  depositado  de  novo  no  lugar  em  que  estava^. 
Em  1881  começou  a  funcionar  o  Ginásio  Paulistano'', 

^  Almeida  Nogueira,  A  Academia  de  São  Paulo,  IV, 
pág.  267. 

^    Antônio  Egídio  Martins,  São  Paulo  Antigo,  II,  pág.  87. 
^    Atas  da  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  LIX,  págs. 
162-164.  .  . 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  87. 


1290 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


pequena  casa  de  espetáculos  prestando-se  à  exibição  de 
companhias  de  pessoal  pouco  numeroso  ou  que  não 
podiam  ou  não  queriam  fazer  despesas  elevadas^.  E 
alg'uns  anos  depois,  na  travessa  da  Boa  Vista,  surgiu 
o  Teatro  das  Variedades  Paulistanas^  O  período  de 
1887  a  1891  foi  retratado  por  Everardo  Valim  Pe- 
reira de  Sousa  nas  suas  "Reminiscências  Académicas". 
Havia  então  dois  teatros  na  cidade  —  simplificou  êle 
—  um  modesto,  pertencente  a  uma  sociedade  portugue- 
sa de  caráter  ginástico  e  dramático,  e  outro  grande  — 
o  São  José  —  um  tanto  suntuoso  para  a  época^,  mas 
de  fachada  já  antiquada  e  paredes  rachadas  em  1885. 
segundo  Lomonaco,  com  plateia  vasta,  duas  ordens 
de  camarotes  e  torrinhas  espaçosas,  que  sempre  se 
enchiam  com  o  pessoal  "das  classes  académica,  nor- 
mal e  caixeiral"^.  Talvez  tivessem  desaparecido  ou 
deixado  de  funcionar  temporariamente  os  outros  pe- 
auenos  teatros  da  época.  Dois  almanaques,  de  1895 
e  1896,  registravam  a  existência  na  cidade,  —  além  do 
São  José  —  do  Politeama,  do  Coliseu  Paulista  (na  rua 
Ipiranga)  e  do  Apolo  (na  rua  Boa  Vista),  sendo 
éste  último,  porém,  o  mesmo  Minerva  de  1873^. 

Em  certa  madrugada  de  1898  incendiou-se  o  São 
Tosé"".    Pegava  fogo.  depois  de  mais  de  trinta  anos 

  1 

^    Június,  Em  São  Paulo  —  Afofas  dc  Viagem,  pág.  77. 

^    Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  II,  pág.  87. 
Alfonso  Lomonaco,  Al  Brasilc,  pág.  115. 

^  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas"  (1887-1891),  Revista  do  Arquivo  Municipal. 
XCIII,  pág.  113. 

^  José  Jacinto  Ribeiro,  Cronologia  Paulisfa,  II,  pág.  325. 
Completo  Abnanak  Administrativo,  Comercial  e  Profissional  do 
Estado  de  São  Paulo  para  1895,  pág.  270,  c  para  1896,  pág. 
293,  e  Almanach  para  1896  dc  "O  Estado  de  São  Paulo", 
pág.  389. 

^°  Spencer  Vampré,  Memórias  para  a  H:stóría  da  Aca- 
demia de  São  Paulo,  II.  nág.  197. 


HlSl.OKIA    K    TKADIÇOES    UA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO   ]  293 

de  aíividades.  o  casarão  do  larg-o  .Aíunicii.al.  Ficou 
então  com  o  Teatro  Politeania  —  escreveu  Cursino 
de  Aíoura  —  a  responsabilidade  de  manter  a  tradição 
teatral  da  cidade.  Situava-se  êle  na  avenida  São  João 
—  observou  ainda  êsse  cronista  —  e  era  um  barracão 
acaçapado,  desengonçado,  sombrio  apesar  das  suas 
luzes,  com  uma  entrada  larga  e  um  longo  corredor^\ 
Velho  barracão  de  zinco,  fôra  feito  para  abrigar  o 
circo  de  Frank  Brown  (e  porisso  tinha  o  formato 
circular)^-,  gozando  no  entanto  da  fama  de  ser  o 
teatro  de  melhor  acústica  de  São  Paulo^l  Isso  ape- 
sar de  ainda  ter  na  frente  botequins  e  a  um  dos  lados 
uma  escola  de  tiro...  Contava  com  trinta  e  sete 
camarotes,  doze  frizas,  duzentas  varandas,  galeria  e 
platéia  para  quinhentas  e  setenta  e  quatro  cadeiras^"*. 
Teve  realmente  dias  de  sucesso  e  foi  o  centro  de  tôda 
uma  zona  da  cidade  quando  a  antiga  ladeira  do  Acu 
começou  a  se  tornar  a  sede  da  vida  noturna  dc  São 
Paulo^^  Ao  lado  do  Politeama  funcionava,  em  1900, 
o  Teatro  Eldorado,  também  todo  de  zinco,  com  trinta 
e  umi  camarotes,  quatro  frisas  e  cento  e  cinquenta 
cadeiras.  Na  rua  Florêncio  de  Abreu  o  Éden  Club 
mantinha  um  teatrinho  para  representações  de  sócios^^. 

No  ano  de  1900,  no  local  onde  estivera  o  Teatro 
Provisório  Paulistano,  na  rua  Boa  Vista,  apareceu 
o  Teatro  Santana  velho,  que  foi  no  seu  tempo  o  único 
verdadeiramente  bom  —  no  dizer  do  cronista  de  São 

11  Cursino  de  IMoura,  São  Paulo  dc  Outrora,  págs.  70 
e  137. 

12  INIiguel  Milano,  Os  Fanfasiiias  da  São  Paulo  Antiga, 
pág.  33. 

'•^    Edmundo  Amara!.  A  Grande  Cidade,  pág.  42. 
i'*    Alfredo  IMoreira  Pinto,       Cidade  de  São  Paulo  em 
1900.  pág.  172. 

1^  Cursino  de  Moura,  op.  cit.,  págs.  70  e  137. 
i*'    Alfredo  Moreira  Pinto.  op.  cit.,  pág.  172. 


1294 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


Pavio  de  Outrora  —  pois  o  Politeania  era  muito  in- 
ferior e  o  Municipal  ainda  não  existia^^  A  cons- 
trução do  Santana  despertava  interesse,  e  um  obser- 
vador na  época  registrava  que  sua  cena  seria  tão  vasta 
que  nela  poderia  trabalhar  qualquer  companhia  lirica 
de  primeira  ordem,  havendo  de  doze  a  catorze  cama- 
rins. Deveria  ser  iluminado,  êsse  teatro,  a  eletrici- 
dade  e  a  gás.  E  tanto  as  cadeiras  da  plateia  como  as 
do  balcão  teriam  pernas  ou  armação  de  ferro  e  assen- 
tos de  palhinha  móveis  e  automáticos  "como  as  dos 
teatros  modernos  da  Europa"^^  No  entanto  a  cidade 
reclamava  nessa  época  um  teatro  ainda  mais  suntuoso. 
Era  pelo  que  se  batia  aliás,  desde  1896,  F.  Gomes 
Cardim,  apresentando  mesmo  nesse  sentido  um  pro 
jeto  à  Câmara  Municipal.  Os  nossos  teatros  de  então 
—  dizia  êle  em  artigo  para  a  imprensa  —  estavam  eni 
geral  entregues  aos  interesses  da  especulação  comercial 
e  industriaP^.  ]\'Ias  ainda  em  1905  o  almanaque  publi- 
cado pela  Tribuna  Italiana  registrava  como  funcio 
nando  na  cidade  apenas  dois  teatros,  o  Santana  e  o 
Politeama,  além  de  um  "magnífico  salão  para  concer 
tos",  o  Salão  Steinvvay^".  Alguns  anos  depois  Pau! 
Walle  mencionava,  além  do  Teatro  Municipal,  o  San 
tana  —  que  logo  depois  deveria  ser  demolido  para  dar 
lugar  à  construção  do  viaduto  Boa  Vista^^  —  o  Po 
liteama,  e  o  São  José  novo,  êste  fazendo  mau  efeito 
ao  lado  do  Municipal,  pois  ficava  no  local  onde  agora 
se  ergue  o  edifício  da  Light.    Êsses  teatros  —  dizia 


Cursino  de  Moura,  op.  cit.,  pág.  137. 
^8    Alfredo  Moreira  Pinto,  op.  cit.,  págs.  170-171. 

Um  Realizador  —  Dr.  P.  A.  Gomes  Cardim.  1929 
págs.  XXXVIII,  XL  e  XLI. 

20    Almanacco  delia  Tribuna  Italiana. 

2'  Domingos  Angerami  e  Antônio  Fonseca,  Guia  do  Es- 
tado de  São  Paulo  (1913),  págs.  218-221. 


HISTÓRIA    E    TKADIÇÕES    DA    CIDAOK    DE    SÃO    PAULO  1295 


Walle  —  só  funcionavam  no  inverno".  Mas  ha- 
via na  época  mais  algumas  casas  de  espetcáculos :  o 
Teatro  Boa  Vista,  na  rua  dêsse  nome;  o  Apolo,  na 
Dom  José  de  Barros;  o  Cassino  Antártica  —  construí- 
do em  fins  de  1913^^  —  na  rua  Anhangabaú;  o  São 
Paulo,  no  larg-o  São  Paulo;  o  Palace  Theatre,  na 
Brigadeiro  Luís  Antônio;  o  São  Pedro,  na  Barra 
Funda;  o  Colombo,  no  bairro  do  ]>rás;  e  ainda  o  Va- 
riedades, na  esquina  do  largo  Paissandú  com  a  rua 
Dom  José  de  Barros"\  Em  breve  seria  inaugurado 
o  novo  Santana,  na  rua  24  de  Maio^^. 

Quanto  ao  Municipal,  suas  obras  tiveram  início 
em  1903,  terminando  em  1911,  dirigidas  pelos  enge- 
nheiros Ramos  de  Azevedo,  Domício  e  Cláudio  Rossi. 
Já  antes  de  terminado  ■ —  em  1907  —  Silva  Teles 
falava  no  complemento  indispensável  "que  mal  se  com- 
preende tenha  como  panorama  da  cidade  essa  fila 
repugnante  de  fundos  de  velhas  e  primitivas  habita- 
ções"^®. Quando  se  inaugurou,  em  1911,  disse  Aure- 
liano Leite  que  o  Teatro  Municipal  era  considerado 
o  edifício  mais  importante  de  todo  o  Estado.  Sobran- 
ceiro ao  vale  do  Anhangabaú,  êle  se  destacava  esplen- 
didamente, visto  do  viaduto  do  Chá  ou  da  rua  Libero 
Badaró,  com  o  parque  emoldurando-lhe  uma  das  fa- 
chadas laterais^'^.    A  sua  arquitetura  exterior  —  es- 

22    Paul  Walle,  Au  Pays  de  l'Or  Rouge,  pág.  58. 

^■^  Albert  Bonnaure,  Livro  de  Ouro  do  Estado  de  São 
Paulo  (1914),  pág.  101. 

Domingos   Angerami    e   Antônio   Fonseca,   op.  cit., 
pág.  218. 

25  Aeenof  Barbosa,  "Onde  São  Paulo  se  Diverte",  A 
Caòital  Paulista  (álbum  de  1920). 

26  Agenor  Barbosa,  op.  cit.,  e  Augusto  C.  da  Silva  Teles, 
Melhoramentos  de  São  Paulo,  pág.  39. 

2''  Aureliano  Leite,  História  da  Civilização  Paulista, 
pág.  169. 


1296 


E  R  X  A  NI      S  I  L  V  A     B  lí  U  N  C 


civ^veii  Agenor  Barbosa  —  é  composta  no  estilo  bar 
roco  a  que  os  artistas  italianos  chamam  "seiscento". 
"É  clássica,  com  tipos  e  módulos  da  renascença  greco- 
romana,  tendo  tido  o  artista,  para  benefício  mesmo  da 
construção,  usado  da  maior  liberdade  de  imaginação 
ao  empregar  a  linha  curva  dotando-a  assim  de  mo- 
tivos e  detalhes  ornamentais  que  lhe  dão  maior  leveza 
e  graça,  aliadas  ao  aspecto  de  imponente  nobreza 
próprio  do  estilo"^^.  Paul  Walle  considerou  êsse  edi- 
fício do  Teatro  Municipal  de  São  Paulo  em  sua  épo- 
ca um  dos  mais  belos  de  tóda  a  América  do  Sul  e 
o  mais  vasto  do  Brasil.  De  estilo  Renascença  —  es- 
creveu êle  —  oferecia  alguma  semelhança  com  o 
Teatro  Mimicipal  do  Rio  e  com  "o  nosso  Ópera"''^. 

Relativamente  às  peças,  sabe-se  que  em  1873  a 
inauguração  do  Teatro  Provisório  foi  feita  com  a 
apresentação  de  "Calúnia",  drama  original  de  Carlos 
Ferreira  e  Felizardo  Júnior.  Mais  ou  menos  nessa 
época  se  fêz  notar  na  cidade  um  autor  teatral  de  pro- 
jeção  puramente  local :  Francisco  Emílio  Opperman, 
tipógrafo  do  jornal  .4  Província  de  São  Pmilo  —  e 
apelidado  Chico  Metralha  —  amador  de  teatro  que 
escreveu  uma  comédia  em  quatro  atos  intitulada  "A 
Costureira",  cuja  ação  se  passava  no  Beco  do  Sapo, 
velho  local  característico^".  Mas  ainda  em  1882  o 
"dramalhão  pesado"  encontrava  adeptos  numerosos 
na  cidade,  segundo  A.  J.  Carvalho^^  No  fim  do 
século  passado  —  observou  também  E.  V.  Pereira 
de  Sousa  —  ainda  eram  bastante  apreciados  os  espe- 
táculos  dramáticos  e  trágicos,  com  lances  emocionan- 
tes, de  peças  como  "O  Conde  de  Monte  Cristo",  "As 

Ao^enor  Barbosa,  op.  cit. 

Pau!  Walle,  op.  cit.,  pág.  52. 

Antônio  Egídio  Martins,  op.  cit.,  I,  pág.  113. 

Afonso  José  de  Carvalho,  São  Paulo  Antigo,  pág.  .50. 


HISTÓRIA    K    TKADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAUI.O  1299 


Duas  Órfãs",  "Os  Sete  Infantes  de  Lara",  "O  nau- 
frágio do  vapor  Pôrto"  e  "outros  lacrimogênicos  dra- 
malhões  à  moda  antiga"^'.  Mas  o  interesse  era  maior 
—  ainda  de  acordo  com  essas  evocações  de  Everardo 
Valim  —  quando  no  Teatro  São  José  estreava  alguma 
das  companhias  famosas  da  Côrte :  a  de  Sousa  Bastos, 
a  de  Heler,  a  de  Dias  Braga,  a  de  Adolfo  Faria,  a 
de  Guilherme  da  Silveira.  Os  astros  eram  na  sua 
maioria  portugueses,  e  as  artistas  francesas,  muita,« 
delas  remanescentes  ainda  do  célebre  Alcazar,  que 
fizera  sucesso  no  Rio  antes  de  1880.  As  represen- 
tações incluíam  dramalhões,  cornédias,  operetas,  má- 
gicas, revistas.  Estas,  com  encenação  aparatosa,  não 
faltando  nem  mesmo  os  fogos  de  Bengala^^.  Havia 
mesmo  as  chamadas  representações  "féeriques"  — 
a  que  já  se  referia,  em  1882,  o  viaianfe  Június  — 
nas  quais  o  maquinista  era  quem  fazia  tudo.  "Ati- 
rando para  a  sombra  os  autores  das  peças  e  os  atores, 
os  maquinismos  destinavam-se  a  agradar  ao  público 
por  meio  de  vistas  e  aparições  deslumbrantes  —  es- 
creveu o  autor  de  Notas  de  Viagem  —  e  ostentação  de 
cenas  extraordinárias"^^  Mas  além  das  companhias 
da  Côrte  outras  —  estrangeiras  —  se  apresentavam 
na  cidade.  Por  exemplo  a  Dramática,  do  Real  Tea- 
tro Dona  Maria  Segunda,  de  Lisboa.  Quando  isso 
acontecia,  o  teatro  paulistano  passava  a  interessar 
não  só  ao  público  da  cidade,  como  ao  de  Jundiaí  e 
Campinas,  de  onde  muita  gente  se  transportava  para 
a  capital  da  província  a  fim  de  assistir  aos  espetáculos 

^2  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "A  Paulicéia  Há 
Sessenta  Anos",  Revista  do  Arquivo  Municipal,  CXI,  pág.  62. 

Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas",  Revista  do  Arquivo  Municipal,  XCIII,  págs.  113 
•e  seguintes. 

Júnhis,  op.  cit.,  pág.  77. 


1300 


E  R  N  A  X  1      S  I  L  v'  A  BRUNO 


do  São  josé^^  A  última  peça  apresentada  no  teatro 
do  largo  Municipal  foi  "A  Morgadinha  de  Val  Flor", 
de  Pinheiro  Chagas,  levada  à  cena  pelo  Grupo  Dramá- 
tico Gil  Vicente^^  Outras  sociedades  dramáticas  tra- 
balharam nesse  tempo  em  São  Paulo:  entre  elas  o 
chamado  Grupo  Dramático  29  de  Julho. 

Mas  as  representações  teatrais  dêsse  estilo  já 
em  fins  do  século  passado  —  ou  pelo  menos  em  seus 
últimos  anos  —  não  satisfaziam  mais  ao  gósto  requin- 
tado de  alguns,  segundo  opinou  F.  Gomes  Cardim,  em 
1896.  ao  apresentar  o  seu  ]irojeto  de  construção  de  um 
grande  teatro  na  cidade.  É  que  os  de  então  —  dizia 
êle  —  entregues  aos  interesses  da  especulação  comer- 
cial e  industrial,  "se  nos  proporcionavam  de  vez  em 
quando  amostras  modelares  de  boa  arte,  mais  seguiam, 
como  é  natural,  a  corrente  em  que  se  abastardava  o 
gosto,  com  estações  de  brejeirice  alegre,  em  coplas 
de  opereta  e  estimulações  picantes  de  revistas  e  far- 
ças  grosseiras"^^  No  começo  do  século  atual  figu- 
ras notáveis  do  palco  internacional  estiveram  na  ci- 
dade, contribuindo  por  certo  para  elevação  do  nível 
dos  espetáculos  e  do  gósto  do  público.  Aureliano 
Leite  citou  Susanne  Despres,  Clara  de  La  Guardia, 
Coquelin,  Eleonora  Duse,  Enrico  Caruso,  Tina  de 
Lorenzo,  Armando  Falcone,  Jacques  Richepin,  Gra- 
ziela Pareto,  Maria  Gay,  Helena  Takowa,  Pascale 
Amato,  Gustavo  Salvini,  Alessandre  Bonci,  Tita  Ruf- 
io, Zanatello  e  Lúcia  Crestani^*. 


^5  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas",  cit.,  págs.  113  e  seguintes. 

José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  II,  pág.  429. 
•'^    Um  Realizador.  .  .,  cit. 

Aureliano  Leite,  op.  cit.,  pág.  164. 


lll.STÚKIA    K    -IkADlí^-ÕF-S    DA    CIDADE    DK    SÃo    DACLO  13Ui 


Paralelamente  ao  interesse  pelo  teatro  cresceu  o 
.i^òsto  pela  música.  Já  em  1874,  de  nm  festival  no 
Teatro  Provisório  constava  uma  parte  musical  a  car- 
go de  amadores  da  sociedade  paulistana  e  do  orfeão 
da  sociedade  alenicã  "Esperança"'*^  Sabe-se  ali.ás  ([ue 
n.o  ano  seguinte  já  havia  muitos  professores  de  mú- 
sica e  de  piano,  não  apenas  na  capital  como  no  in- 
terior da  província- de  São  Paulo.  A  ponto  —  segundo 
informação  citada  por  Penteado  de  Rezende,  de  um 
trabalho  de  Nardi  Filho  —  de  ter  sido  convocado 
naquele  ano,  pelo  mestre  ituano  Elias  Lobo  e  pelo 
seu  cunhado  Tristão  Mariano,  um  congresso  de  pro- 
fessores de  música  de  São  Paulo  "a  fim  de  se 
elevar  a  classe  e  auxiliar  vocações  esparsas'"".  Nas 
residências  paulistanas  iá  grassava  a  epidemia  de  piano 
com  tamanha  insistência  —  escre\-eu  Rezende  —  (|ue 
o  folhetinista  França  Júnior  denunciou  o  mal  pela 
A  Província  de  São  Paulo,  de  18  de  maio  de  1875, 
escrevendo  da  cidade  em  um  desabafo:  "És  uma  ver- 
dadeira Pianópolis"".  Nesse  tempo  —  ainda  segundo 
Penteado  de  Rezende,  historiador  da  música  cm  São 
Paulo  —  ensinavam  música  na  cidade  os  professores 
Luís  Maurice,  de  origem  russa,  e  Gabriel  Giraudon 
—  êste  tendo  vindo  para  o  Brasil  em  1859  —  os 
quais  guiaram  Alexandre  Levy  no  comêço  dos  seus 
estudos.  Pouco  depois  chegavam  outros  mestres  :  Gus- 
tavo Westheimer,  musicista  e  pianista  alemão,  e  Geor- 
ge  Von   Madeweiss,    barão   prussiano   que  deixou 


Ricardo  Severo,  O  Liceu  dc  Artes  e  Ofícios,  pág.  9. 
'^'^  Carlos  Penteado  de  Rezende,  "A  Primeira  Professora 
de  Piano  a  Apresentar  Alunas  em  Concerto  em  São  Paulo", 
O  Estado  de  São'  Paulo,  de  4  de  Abril  de  1946. 

Carlos  Penteado  de  Rezende,  Dois  Meninos  Prodígios 
de  Outrora  em  São  Paulo,  págs.  45-46. 


1302 


K  R  N  A  X  I      SILVA  BRUNO 


muitas  peças  para  piaiiu^".  A  Sociedade  Germânia 
chegou  a  montar  uma  opereta,  "Doutor  Sabelbein", 
que  foi  apresentada  com  sucesso^^ 

No  ano  de  1877  a  ligação  de  São  Paulo  com  o 
Rio  de  Janeiro  pela  estrada  de  ferro  foi  coisa  da 
maior  importância  para  o  desenvovimento  da  vida 
musical  da  cidade,  pois  tornava  fácil  a  apresentação  de 
comipanhias  líricas  da  Côrte  ou  estrangeiras  na.  capital 
da  província.  Logo  apareceu  uma  empresa  das  me- 
lhores da  época  • — •  escreveu  E.  V.  Pereira  de  Sousa 
—  apresentando  o  Rigoleto,  o  Trovador,  o  Guarani^^. 
E  pouco  depois  era  reforçado  o  interesse  do  paulistano 
pela  música  e  pelos  concertos  musicais  com  a  mudan- 
ça para  São  Paulo  em  1880  —  segundo  as  notas 
de  Penteado  de  Rezende  —  da  jovem  professora  de 
piano  Emília  Philipeaux,  nascida  no  Rio  de  pai  fran- 
cês e  mãe  alemã;  e  em  1882  com  a  chegada  de 
Henrique  Stupakoff,  alemão  de  Hamburgo  e  violon- 
celista  que  com  Emília  e  com  o  violinista  Frederico 
Krueger  formou  "um  trio  que  em  família  era  o 
suficiente  para  alegrar  as  horas  noturnas  ou  os  do- 
mingos e  feriados"'*''.  Começaram  a  ser  realizados 
concertos  musicais  no  pavilhão  do  Rinque,  na  rua 
Alegre  (Brigadeiro  Tobias)  e  depois  na  casa  de  H. 
Levy^''.  Em  1883  Alexandre  Levy  fundou  o  Club 
Haydn,  instituição  de  importância  para  a  existência 


'^^  Carlos  Penteado  de  Rezende,  "A  primeira  professora 
de  piano.  .  .",  cit. 

Carl  Von  Koseritz,  Imagens  do  Brasil,  pág.  259. 
Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas",  cit.,  págs.  111  e  seguintes. 

Carlos  Penteado  de  Rezende,  "A  Primeira  Professora 
de  piano.  .  .",  cit. 

'^'^  Vanderlei  Pinho,  Salões  e  Damas  do  Segundo  Reinado, 
pág.  92. 


HrSTÚKIA    F.    TRADIÇÕES    DA    CIDADF.    DE    SÃO    PATU)      1  aOS 


artística  da  cidade,  e  que  chegou  a  realizar  mais  de 
trinta  concertos  de  boa  categoria".  Alexandre  Levy 
estudou  com  seu  irmão  Iaús  Levy,  com  Maurice  e 
Giraudon,  e  depois  com  Westheimer  e  Madeweiss. 
Em  1877  estivera  na  Europa  se  aperfeiçoando.  Foi 
autor  de  um  "Tango  Brasileiro",  do  "Samba"  e  das 
"\^ariaçõcs  sobre  o  Bitu"'^  Apesar  de  a  cidade  es- 
tar na  época  influenciada  fortemente  pela  música 
italiana  —  observou  Gelásio  Pimenta  —  Levy  se  in- 
clinou para  a  música  alemã^^.  Um  ano  depois  da 
fundação,  por  Levy,  do  Club  Haydn,  fundou-se  o 
Club  Internacional  —  uma  iniciativa  de  Francisco 
Archer  LTpton  —  de  que  um  dos  objetivos  era  pro- 
porcionar às  famílias  dos  sócios  concertos  musicais^". 
Também  a  Ópera  Cómica  teve  grande  voga  nessa 
época  em,  São  Paulo,  segundo  Afonso  José  de  Carva- 
lho. A  música  alegre  conquistou  então  a  cidade, 
trazida  pelos  empresários  Heler  e  Sousa  Bastos,  em 
operetas  originais  ou  vertidas  para  o  português^^. 

Por  outro  lado  os  almanaques  de  Seckler  regis- 
travam, na  penúltima  década  do  século  passado,  a  exis- 
tência de  algaimas  entidades  cujos  objetivos  eram  o 
cultivo  da  arte  musical :  a  Sociedade  de  Canto  Lira, 
o  Club  Mozart,  do  Brás,  por  exemplo,  ou  o  chamado 
Congresso  Brasileiro,  com  aulas  de  música.  E  em 
1890  o  Club  Coral  Mendelssohn  (Gesangverein  Men- 

Afonso  .A.  de  Freitas,  Dicionário  Histórico.  Topográ- 
fico Ilustrado  do  Município  de  São  Paulo,  I,  pág.  86. 

Gelásio   Pimenta,   "Alexandre  Levy",  Rev.  do  Inst. 
Hist.  e  Geog.  de  São  Paulo,  XV,  pág.  387. 

Gelásio  Pimenta,  op.  cit. 

José  Jacinto  Ribeiro,  op.  cit.,  I,  pág.  517. 
5'    Afonso  José  de  Carvalho,  op.  cit.,  pág.  50. 


delssohn)^^  Ainda  no  fim  do  oitocentismo  eram 
frequentes  também  as  tocatas  da  Banda  dos  Perma- 
nentes, que  se  faziam  aos  domingos  no  Jardim  da 
Luz  e  às  quintas-f eiras  no  jardim  do  palácio  do  go- 
vêrno,  continuando  as  velhas  tradições  da  banda  da 
Euterpe  Comercial,  em  meados  do  século  passado:  o 
jovem  sargento  Antão  Fernandes  tocava  sempre  de 
improviso  em  vários  instrumentos^^  Além  de  outras 
bandas  civis  e  militares,  havia  em  1890  uma  formada 
de  artistas  italianos,  em  sua  maioria  alfaiates,  que  nos 
dias  festivos  passeavam  com  a  farda  dos  Bersaglieri^*, 
Êsses  concertos  dados  no  Jardim  da  Luz  foram  es- 
timulados, no  começo  do  século  atual,  pelo  conselheiro 
Antônio  Prado.  A  banda  de  música  da  Fôrça  Policial 
passou  a  dar  concertos  com  peças  de  Bach,  de  Beetho- 
ven, de  Schubert,  de  Wagner  —  em  um  coreto  de 
maiores  proporções'". 

De  outra  parte  em  1889  Luigi  Chiafarelli  se  es- 
tabeleceu na  cidade  montando  a  sua  escola  de  música 
que  tanta  influência  teria  sóbre  o  desenvolvimento  da 
arte  musical  em  São  Paulo.  Ao  seu  nome  devem 
se  juntar  os  do  professor  paulistano  Paulo  Florence, 
compositor  e  estudioso  de  coisas  musicais  e  de  Felix 
Otero,  que  se  fixou  na  cidade  em  1894,  dedicando-se 


52    Ahnaiiaqiíc  do  Estado  de  Sao  Paulo  para  1890,  pág. 

149. 

Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências 
Académicas",  cit.,  pág.  117,  e  Cursino  de  Moura,  op.  cit., 
pág.  21. 

5^  Henrique  Raffard,  "Alguns  Dias  na  Paulicéia",  Rev. 
do  Inst.  Hist.,  Gcog.  e  Etnog.  Brasileiro,  vol.  LV,  II,  pág.  159. 

"  Everardo  Valim  Pereira  de  Sousa,  "Reminiscências", 
e  Vitor  da  Silva  Freire,  "Antônio  Prado,  Prefeito  de  São 
Paulo",  Primeiro  Centenário  do  Conselheiro  Antônio  da  Silva 
Prado.  págs.  221  e  125. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1307 

ao  ensino  da  música  e  fundando  o  jornal  A  Música 
para  Todos''''.  Xessa  época  —  no  ano  de  1891  — 
a  Casa  Levy  anuncia^•a,  como  a  maior  novidade  da 
época,  caixas  de  música  "podendo  executar  milhares 
de  peças  em  uma  só  caixa".  Havia  sempre  à  venda 
"todas  as  novidades  musicais  avulsas  para  essas 
caixas  de  música"'".  No  ano  seguinte  apareceu  o 
primeiro  fonógrafo  na  cidade.  Contou  Afonso  Sch- 
midt que  os  jornalistas,  em  certo  dia  daquele  ano, 
foram  convidados  pelo  dono  de  uma  casa  de  miudezas 
da  rua  de  São  Bento  —  o  senhor  Figner  —  para 
verem  funcionar  o  "estranho  aparelho".  Era  uma 
caixa  modesta,  de  madeira,  coberta  de  vidro :  a  má- 
quina falante  de  Edison.  Os  cilindros  chamavam-se 
fonogramas.  Ainda  não  havia  discos'""^.  Em  1907 
já  um  dos  vendedores  de  fonógrafos  fazia  tocar  cons- 
tantemente um  desses  aparelhos,  diante  da  casa  em 
que  se  hospedara  um  viajante  francês^^.  Já  nessa 
época  a  cidade  conta^■a  com  o  Salão  Steinway.  para 
concertos,  e  com  o  Conservatório  Dramático  e  Musi- 
cal, que  começou  a  funcionar  em  1906*^".  Em  1912 
fundou-se  a  Sociedade  de  Cultura  Artística,  entidade 
graças  à  qual  a  cidade  pôde  entrar  em  contacto  com 


/Unmuacco  delia   Tribuna  Italiana. 
Abnanaqiie  do  Estado  dc  São  Paulo  para  1S91,  anún- 
cios, pág.  57. 

Afonso  Schmidt.  "A  Máquina  Falante",  A  Tribuna, 
de  Santos. 

5'    Charles  Wiener,  333  Jnurs  au  Brcsil,  pág.  44. 

Estefânia  Gomes  de  Araújo,  João  Gomes  de  Araújo 
—  sua  vida  e  suas  obras,  pág.  62,  e  São  Paulo  de  Ontem,  de 
Hoje  e  de  Amanhã  {holtúm  do  Departamento  Estadual  de 
Imprensa  e  Propaganda )  n."  9,  pág.  34. 


27 


1308 


ERNÂNI     SILVA  BRUNC 


famosos  artistas  nacionais  e  estrangeiros,  de  uma  for- 
ma muito  mais  permanente'^^. 

Por  outro  lado,  desde  as  últimas  décadas  oito- 
centistas, contava  a  cidade  com  vários  musicistas  ita- 
lianos, vindos  com  as  primeiras  correntes  imigrató- 
rias, que  trouxeram  para  São  Paulo  também  as  mú- 
sicas e  os  instrumentos  musicais  populares  da  Penín- 
sula. Muitos  italianinhos  costumavam,  formando 
grupos  que  se  utilizavam  de  vários  instrumentos, 
tocar  e  cantar  cançonetas  de  sua  terra,  muitas  vezes 
angariando  esmolas  pelas  ruas'^^  E  assim  a  "pro- 
saica e  fúnebre  sanfona"  —  como  escreveu  Couto  de 
Magalhães  - —  ''ia  extinguindo  a  poética  e  indígena 
viola  ou  guarará",  a  música  e  o  versejar  peninsulares 
ameaçando  de  fazer  desaparecer  os  locais*^  Refu- 
gíavam-se  essas  cantigas  populares  tradicionais  nos 
arredores  da  cidade,  observou  Afonso  A.  de  Freitas : 
o  cateretê  e  os  descantes  ao  desafio®*. 

Expressão  bem  menor  que  o  teatro  ou  a  música 
tiveram  as  artes  plásticas.  Carlos  Penteado  de  Re- 
zende divulgou  há  alguns  anos  a  reprodução  de  um 
quadro  a  óleo  pintado  em  1879  por  um  artista  que  se 
assinou  H.  Calgan,  representando  uma  festa  religiosa 
de  São  Benedito  realizada  à  noite  no  largo  de  Sãa 


''1  Almanaque  de  "O  Estado  de  São  Paulo"  (1940), 
pág.  297. 

Geraldo  de  Faria  Lemos  Pinheiro,  "Reminiscências  da 
Academia",  Revista  Onse  de  Agosto,  1943. 

Couto  de  Magalhães,  Anchieta,  as  Raças  e  Línguas 
Indígenas,  pág.  33. 

Afonso  A.  de  Freitas,  "Folganças  Populares  do  Velho 
São  Paulo",  Rev.  do  Insf.  Hist.  e  Geog.  de  São  Pardo,  XXI,. 
págs.  5  e  seguintes. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  131Í 

Francisco-^l  Tudo  indica  tratar-se  de  algum  nintor 
estrangeiro  de  reduzidos  méritos  artísticos.  *  Mas 
alguns  pintores  brasileiros,  na  última  parte  do  século 
passado,  fixaram  as])cctos  da  cidade  e  realizaram  al- 
guns trabalhos  em  casas  e  igrejas  paulistanas.  Quan- 
do se  fêz  a  restauração  da  igreja  de  Santa  Teresa, 
em  tôrno  de  1880,  sabe-se  que  colaborou  em  algumas 
de  suas  decorações,  segundo  Monteiro  Lobato,  o  pin- 
tor Pedro  Alexandrino''^  Entre  os  quat'-o  "retra- 
tistas a  óleo"  mencionados  pelo  Almanaque  da  Pro- 
víncia dc  São  Paido  l^ara  hS\S5,  figura\-am  Pedro 
Alexandrino  e  Almeida  Júnior.  Pedro  Alexandrino 
Borges,  na  rua  da  Glória,  sabe-se  que  desenharia 
mais  tarde,  para  o  livro  Tradições  c  Reminiscências 
Paulistanas,  de  Afonso  A.  de  Freitas,  dois  aspectos 
da  cidade  em  1870:  o  Morro  da  Forca  e  a  Lrnacara 
dos  Ingleses.  Almeida  Júnior,  com  atelier  na  rua  da 
Imperatriz,  fixou  em  quadro  um  aspecto  da  cidade 
nessa  época:  aquele  em  que  êle  retratou  a  ])onte  da 
Tabatingúera  e  algumas  velhas  casas  dc  briral,  com 
escadas  nos  fundos,  dando  para  o  rio'^''. 

j\Ias  pode  se  dizer  que  não  havia  público  nem 
compradores  para  obras  de  arte,  em  geral,  nessa  fase 
da  existência  da  cidade.  Em  1888  um  pioneiro  das 
relações  ítalo-brasileiras,  B.  Belli  —  contou  A.  Pica- 
carollo  —  m_andou  vir  da  Itália  objetos  de  arte,  qua- 
dros e  estátuas,  dos  melhores  arristas  vivos  peninsu- 
lares, para  tentar  negociar  em  São  Paulo  com  êsses 


Carlos  Penteado  de  Rezende,  "Um  Inédito  ria  Icono- 
grafia paulistana",  separata  da  revista  Investigações,  1950. 

^Monteiro  Lobato,  "Pedro  Alexandrino",  Revista  do 
Brasil,  de  Fevereiro  de  1918,  pág.  118  e  seguintes. 

Alinauaiíic  da  Proz^hicia  dc  São  Paulo  para  18S5, 
pág.  243. 


1312 


ERNÂNI      S  I  L  V  A      B     U  N  O 


artigos.  O  insucesso  foi  absoluto.  Quase  nenhuma 
dessas  peças  encontrou  comprador.  Algumas  foram 
liquidadas  abaixo  do  preço  do  custo,  e  Belli  obrigado 
a  fechar  o  seu  estabelecimento^^. 

Na  penúltima  década  do  oitocentismo  o  pintor 
Almeida  Júnior  pintou  nos  forros  internos  da  catedral 
da  Sé,  então  restaurada,  painéis  representando  Nossa 
Senhora  (na  capela-mor)  e  a  conversão  do  padroeiro 
São  Paulo  (no  corpo  do  edifício )'^^  Por  outro  lado 
a  pintura  decorativa  do  edifício  do  Teatro  Municipal, 
já  no  começo  do  século  atual,  esteve  a  cargo  de  Oscar 
Pereira  da  Silva,  a  quem  se  devem  as  três  telas  que 
ocupam  o  centro  do  teto,  no  salão  de  lestas,  e  tam- 
bém de  Moselli  Pusello,  de  Giuseppe  Pangella  ?  de 
Sebastião  Sparapani.  As  esculturas  em  mármore,  de- 
vidas a  Lorenzo  Massa,  de  Florença'".  Nessa  época 
um  esboço  de  interesse  pelas  artes  plásticas  já  se  tra- 
duzia na  instalação  —  em  1911  —  da  Pinacoteca  do 
Estado,  no  Liceu  de  Artes  e  Ofícios'^. 


''^  Antônio  Piccarolo,  Um  Pioneiro  das  Relações  ítalo- 
Brasilciras.  pág.  57. 

Henrique  Raffard,  op.  cit. 
^'^    Agenor  Barbosa,  op.  cit.,  e  São  Paulo  de  Ontem,  de 
Hoje  e  de  Amanhã  (boletim  do  Departamento  Estadual  de 
Imprensa  e  Propaganda)  n.*^  9,  pág.  48. 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã,  nP  7, 

pag.  44. 


Paulicéia  de  ruas  estreitas  e  casas  mo- 
destas, que  cabia  no  Triângulo  e  existiu 
até  a  primeira  Grande  Guerra  —  observou  Caio  Prado 
Júnior  —  era  a  sede  de  um  São  Paulo  poderosamente 
agrícola  —  o  São  Paulo  do  café  —  em  que  imperava 
uma  forte  aristocracia  territorial :  gente  que  tinha  mais 
orgulho  da  fazenda  que  da  cidade,  e  quando  pensava  em 
cidade  situava  essa  cidade  na  Europa,  a  rigor  em  Paris. 
A  Pauhcéia  de  agora  preside  os  destinos  de  outro  São 
Paulo,  de  um  São  Paulo  industrial,  que  vive  no  plano 
de  uma  economia  mais  intensamente  moderna,  cujo 


1316 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


espirito  sobrepujou  a  mentalidade,  os  usos  e  os  cos- 
tumes da  economia  latifundiária^  Embora  rigorosa- 
mente houvesse  restrições  a  fazer  a  certos  aspectos 
do  quadro  da  Paulicéia  antiga  aí  esboçados,  o  fato  c 
que  a  cidade  superou,  nos  últimos  trinta  e  poucos 
anos,  a  sua  condição  anterior  de  metrópole  do  café: 
e  entre  os  fatores  do  seu  crescimento  —  que  pode 
ser  sem  demagogia  classificado  de  extraordinário  — 
além  do  surto  cafeeiro  na  província  a  partir  da  se- 
gunda metade  do  oitocentismo,  e  do  desenvolvimento 
da  imigração,  particularmente  a  italiana,  naquele  mes- 
mo período  —  deve  de  fato  ser  lembrada,  a  partir 
aproximadamente  da  primeira  Grande  Guerra,  a  ex- 
pansão decisiva  do  parque  industrial  paulistano,  exi- 
gindo espaços  enormes  para  a  localização  de  fábricas 
e  de  oficinas,  e  traduzindo-se  no  loteamento  de  grandes 
propriedades  na  área  suburbana'. 

A  ampliação  da  área  da  cidade,  nessa  fase  mais 
recente  de  sua  existência,  atingiu  porisso  a  propor- 
ções incomuns,  e  a  êsse  crescimento  deve  se  acres- 
centar aquilo  que  um  escritor  chamou  de  ''a  influên- 
cia exterior  da  cidade"  sôbre  o  semi-deserto  que  havia 
em  tôrno  dela:  a  multiplicação  das  indústrias  agrá- 
rias, do  carvão  de  lenha,  e  dos  locais  para  diversão  e 
recreio,  como  Santo  Amaro  e  a  Cantareira.  A  êsse 
desenvolvimento  considerável  não  podia  deixar  de  cor- 
responder uma  extrema  intensificação  da  existência 
urbana,  que  marcaria,  com  côres  ainda  menos  tropi- 
cais, a  fisionomia  da  cidade.  "Aquêles  que  andam 
pelas  ruas,  que  olham  e  gritam,  compram  e  Acendem 
—  notou  um  observador  —  sentem  que  aí  está  o  centro 

'  Citado  por  Hermes  Lima,  "São  Paulo  de  hoje  e  São 
Paulo  de  amauhã".  Correio  da  Maiilni.  Rio  de  Janeiro. 

^  Aroldo  de  Azevedo,  Subúrbios  Orientais  de  São  Paulo, 
págs.  27  e  28. 


—  Maqueta  dos   Edifícios   Copan,   em   construção   na   esquina   da   avenida  Ipiranga 
com  a  rua  São  Luís. 

(Foto-montagem  de  R.  Landau). 


HISTÓRIA    K    TiíADlÇnl-.S    DA    CIDADl-:    HK    SÃr.    v.W/LO  1319 


dc  tuna  metrópole  moderna,  internacional,  de  nma  ci- 
dade de  comércio  e  indiistria".  "Nessas  rnas  estrei- 
tas, de  edifícios  altos  —  acrescentava  êsse  visitante 
—  os  homens  correm  e  se  acotovelam  como  em  ([ual- 
quer  capital  da  Europa"''. 

J<-i  se  procurou  por  outro  lado  caracterizar  Scão 
Paulo  de  a.^ora  como  uma  espécie  de  cidade  provisé)- 
ria.  "Nada  sobrou  da  cidade  antiga:  nem  casa,  nem 
tôrre.  nem  igreja,  nem  convento".  O  próprio  con- 
vento dos  Franciscanos  —  com  todo  o  prestígio  que 
lhe  dera  a  instalação  da  Academia  de  Direito  —  foi 
demolido  em  1934  ])ara  dar  lugar  a  uma  no\a  edifi- 
cação. "Aqui  as  casas  vivem  menos  do  que  os  ho- 
mens", chegou  a  escrever  um  dos  mais  curiosos  cro- 
nistas paulistanos,  António  de  Alcântara  ^Machado, 
acrescentando:  "E  se  afastam  para  alargar  as  ruas. 
Nem  há  nada  acabado.  definitivo"\  O  mesmo  obser- 
vou um  visitante  ilustre  da  cidade  —  Kipling  — •  trans- 
mitindo suas  impressões  ao  professor  Cândido  Mota 
Filho.  Até  hoje  —  escrevia  êste  último  em  19-Í-7  — 
São  Paulo  não  é  uma  cidade  definitiva,  mas  uma 
cidade  em  mudança.  Não  tem  aquele  aspecto  de 
maioridade  que  possui  Buenos  Aires,  ou  aquele  aspecto 
pitoresco  que  tem  o  Rio  de  Janeiro  ou  aquele  aspecto  de- 
finido que  tem  Belo  Horizonte.  "Percorrendo-a  de  uma 
feita  em  companhia  de  Kipling  êle  qualificou  a  im- 
perial cidade  de  São  Paulo  de  anti-imperial.  tal  o 
seu  aspecto  desarranjado  e  provisório"'\    Toda\-ia  Ki- 


^  Wolfgang  Hoffmann-Harnisch,  O  Brasil  Que  Eu  ]'l 
págs.  75-76. 

António  de  Alcântara  Machado,  CavaquinJw  &  Saxo- 
foiíe,  pág.  15. 

^  Cândido  Mota'  Filho,  "Aspectos  da  Cidade",  Diário  de 
São  Paulo  de  2  de  dezembro  de  1947. 


1320 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


pling-  conheceu  a  cidade  em  nnia  fase  talvez  já  menos 
ag-uda  de  seu  processo  de  crescimento  desordenado. 
O  urbanista  Agache,  em  1941.  ()bser\'a\a  que  conhe- 
cendo São  Paulo  em  1927  achara  que  ela  era  uma 
cidade  transbordante  de  ati\'idade.  mas  inteiramente 
inorgânica.  E  que  em  1941  constatava  a  transfor- 
mação que  se  fazia:  "Pouco  a  pouco  esta  cidade 
informe  de  há  catorze  anos  toma  uma  fisionomia  de- 
finida. Existem  ainda  grandes  problemas  a  resolver, 
sobretudo  no  que  concerne  ao  tráfego.  Sinto-me  feliz 
])or  ver  uma  cidade  cheia  de  dinamismo  como  esta 
entiar  numa  fase  de  caráter  monumental  como  é  a 
presente'"'. 

Os  grandes  problemas  ainda  sem  solução,  a  que 
aludiu  .Agache,  foram  por  certo  os  referidos  pelo 
engenheiro  Prestes  Maia,  cpiando  escrevia  em  seu 
livro  Os  Mclliorajiiciitos  dc  São  Paulo:  "Passando 
de  média  a  grande  cidade,  e  atingindo  já  em  1945 
a  1.650.000  habitantes,  vendo  as  casas  térreas  ce- 
derem lug'ar  às  de  dez  e  vinte  andares,  tudo  estava 
arriscado  a  comprometer-se  definitivamente:  circula- 
ção, transportes,  expansão,  salubridade  e  estética"''. 
,\s  transformações  urbanas  mais  recentes  de  São  Pau- 
lo tiveram  por  objetivo  fazer  com  que  ela  escapasse  a 
êssc  risco. 

A  primeira  coisa  a  assinalar  no  capitulo  da  casa, 
na  cidade  de  São  Paulo,  a  partir  da  época  da  primeira 
Grande  Guerra  até  os  dias  de  hoje  é  a  sua  multiplica- 
ção muito  mais  intensa,  como  é  evidente,  que  na  fase 


^  São  Paulo  dc  Ontem,  de  Hoje  e  de  Auianhã  (boletim 
do  Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda)  n.°  5, 
págs.  36-37. 

'    Prestes  Maia,  Os  MeUiorainentcs  dc  São  Paulo,  pág.  9. 


185  — 


A    rua    Dirt-ita   clc   hoje.   com    s"ii    intenso   trânsito   de  pedestres. 

(Do  jornal  Última  Hora,  São  Paulo). 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1323 

anterior,  acusando  mesmo  índices  raramente  atingi- 
dos em  qualquer  parte  do  mundo.  A  cidade,  que  con- 
tava menos  de  sessenta  mil  edificações  em  1918-1919^, 
estava  com  quase  cem  mil  emi  1928^  com  mais  de 
■duzentas  e  trinta  mil  nas  zonas  urbana  e  suburbana 
cm  1944",  e  seguramente  agora  com  mais  de  trezen- 
las  mil.  Seria  porisso  mesmo  difícil  definir  a  casa 
paulistana  nesta  fase  de  sua  existência,  mais  ainda 
que  na  última  parte  do  oitocentismo  e  na  primeira  do 
século  atual,  quando  já  uma  série  de  influências  de 
íôda  a  sorte  fazia  com  que  São  Paulo,  como  outras 
cidades  brasileiras,  ostentasse  o  carnaval  arquitetô- 
nico  a  que  se  referiu  Monteiro  Lobato.  Parece  que 
foi  aliás  em  parte  sob  a  sugestão  dêsse  escritor,  em 
seu  livro  Ideias  de  Jeca  Tatu,  que  se  iniciou  na  sua 
arquitetura  uma  tentativa  de  estilo  colonial  ou  neo- 
colonial, de  resultados  nada  convincentes^^. 

É  evidente  por  outro  lado  que  se  manteve  e  mes- 
mo se  acentuou  o  contraste  pronunciado  entre  as  resi- 
dências dos  bairros  aristocráticos  e  as  dos  bairros 
populares  — •  contraste  cujos  aspectos  detalhados  e  es- 
tatísticos foram  revelados  não  faz  muito  tempo  em 
pesquisa  feita  pelo  professor  Donald  Pierson,  através 
-de  dados  colhidos  no  Bexiga,  na  Mooca  e  no  Canindé, 
para  representarem  o  "nível  inferior"  de  moradia,  e 
no  Jardim  América,  Pacaembu  e  Higienópolis,  para 
representarem  o  "nível  superior''.    Já  na  área  de  ter- 


^  Paulo  Rangel  Pestana,  "A  Cidade  de  São  Paulo  — 
Evolução  Histórica",  A  Capital  Paulista   (álbum  de  1920). 

'  Ramiro  de  Almeida,  "A  Expansão  Vertical  e  Latitudinal 
<la  Cidade  de  São  Paulo",  Ilustração  Brasileira,  1929. 

^°  Oscar  Egídio  de  Araújo,  "Estatística  Predial",  Revista 
do  Arquivo  Municipal,  CII,  pág.  8. 

"  Citado  por  Aureliano  Leite.  História  da  Civilização 
.Patdista,  pág.  174. 

J3S 


1324 


E  R  N  A  NI      S  I  L  \'  A  BRUNO 


reno  utilizada  por  edificação  observou  Pierson  que  no 
Canindé  a  média  foi  de  114  metros  quadrados,  no 
Bexiga  de  202  e  na  Alooca  de  162,  ao  passo  que  no 
Pacaembu  foi  de  883,  no  Pligienópolis  de  1.531  e  no 
Jardim  América  de  1.580.    Em  todos  os  seis  bairros, 
entretanto,  constatou  aquele  pesquisador  que  os  mate- 
riais de  construçcão  A'ariaram  apenas  ligeiramente,  a 
diferença  principal  sendo  que  nas  áreas  de  habitação 
inferior  os  prédios,  com  raras  excepções,  tinham  teto 
de  madeira,  ao  passo  que  em  85  por  cento  das  outras- 
áreas  êles  eram  de  estuque.    Nos  do  Higienópolis, 
alguns  eram  ainda  de  madeira,  e  vários  de  madeira  e 
estuque,  certamente  por  ser  êsse  o  mais  antigo  dos 
bairros  de  moradia  "superior".    Bairros  estes  em  que, 
de  outra  parte,  se  \"erificou  que  as  casas  se  destina- 
vam cem  por  cento  para  fins  residenciais.    Ao  passo- 
que  nos  outros  três  bairros,  muitas  eram  as  edificações 
mixtas.    E  com  numerosos  i)orões  habitados.  Alguns 
abaixo  do  ní\el  da  rua^^.    As  habitações  coletivas  se 
desenvolveram  em  consefjúência  da  concentração  in- 
dustrial e  do  crescimento  da  população,  predominando 
da  mesma  forma  em  determinados  distritos  urbanos. 
Segundo  revelou  uma  pesquisa  de  Oscar  Egídio  de 
Araújo,  se  tornaram  mais  freqiientes  essas  habitações 
coletivas  na  Bela  Vista,  no  Bom  Retiro,  na  Consola- 
ção, em  Santa  Cecília,  em  Santa  Ifigênia,  na  Mooca, 
no  Pari  e  no  Brás^^    Os  sobrados  velhos,  com  po- 
rões habitáveis,  facilitaram  cm  certas  zonas  da  ci- 
dade — •  como  aquelas  mais  densamente  povoadas  por 


"  Donald  Pierson,  "Habitações  de  São  Paulo  —  Estud»' 
Comparativo",  Rcznsfa  do  Arquivo  Municipal,  LXXXI,  págs. 
201  e  seguintes. 

Oscar  Egídio  de  Araújo,  op.  cit.,  pág.  23. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1327 

sírios  e  por  japoneses,  nas  imediações  do  centro  —  a 
formação  desses  cortiços". 

No  centro  da  cidade  o  traço  mais  característico 
foi  sem  dúvida  o  crescimento  vertical  das  constru- 
ções. Mesmo  os  edifícios  públicos  construídos  no 
fim  do  oitocentismo  e  na  primeira  parte  do  século 
atual,  sobretudo  pelo  arquiteto  Ramos  de  Azevedo  — 
as  repartições  do  pátio  do  Colégio,  os  edifícios  da 
Escola  Politécnica,  da  Escola  Normal,  do  Liceu  de 
Artes  e  Ofícios  e  outros  —  edifícios  que  do  ponto  de 
vista  monumental  representavam  avanço  considerável 
sôbre  as  velhas  construções  de  meados  do  oitocentis- 
mo, e  que  em  1920  eram  postos  em  destaque,  pelas 
publicações  que  se  faziam  sôbre  a  cidade^",  foram  fi- 
cando pequenos  ao  lado  dos  arranha-céus  que  passa- 
ram a  representar,  a  princípio  no  centro  e  depois 
em  algumas  áreas  mais  afastadas,  o  tipo  mais  fre- 
quente de  edificação.  Já  nas  suas  crónicas  escritas, 
de  1926  a  1935  e  depois  reunidas  no  volume  Cava- 
quinho &  Saxofone,  Antônio  de  Alcântara  Machado 
escrevia  irônicamente,  depois  de  se  referir  a  um  prédio 
de  nove  andares:  "O  que  hoje  não  é  nada,  porque  há 
no  centro  da  cidade  e  fora  dêle  mesmo  construções 
que  têm  dez,  doze  e  quinze  andares,  de  forma  que 
São  Paulo,  continuando  assim,  é  capaz  de  bater  a 
própria  Nova  York'"^.  Do  ponto  de  vista  artístico 
esses  primeiros  arranha-céus  paulistanos  eram  de  certo 
bastante  insignificantes  e  em  1929  sofriam  a  crítica 
de  José  Maria  das  Neves,  cpie  fazia  o  confronto  dêles 
com  os  norte-americanos :    "Quem  olhar  a  zona  dos 


^*  Oscar  Egídio  de  Araújo,  "Enquistamentos  Étnicos", 

Revista  do  Arquivo  Municipal,  LXV,  págs.  230-231  e  236-238. 

15  A  Capital  Paulista  f  álbum  de  1920). 

1^  António  de  Alcântara  Machado,  op.  cit.,  pág.  4. 


1328 


ERNÂNI      SILVA     B  R  U  N  €■ 


arranha-céiis  de  São  Paulo  de  certos  pontos  terá  uma 
impressão  desoladora,  com  os  enormes  paredões  de 
divisa,  sem  janelas  e  inteiramente  despidos  de  qual- 
quer ornamentação.  Nos  Estados  Unidos  os  arranha- 
céus  têm  geralmente  as  quatro  faces  arquitetónica- 
mente  estudadas.  São  verdadeiros  blocos,  artistica- 
mente modelados,  de  onde  os  arquitetos  tiram  partido 
das.  reentrâncias  para  as  áreas  de  iluminação  exigidas, 
mas  com  tanto  génio  nas  proporções  das  massas  e 
nos  modelados  do  conjunto,  que  entusiasmam  até  pela 
simples  vista  do  projeto"^'.  A  partir  dos  seus  pri- 
meiros impulsos  foram  no  entanto  se  aprimorando 
artisticamente  os  arranha-céus  da  cidade  —  alguns 
revelando  hoje  a  influência  das  mais  recentes  cor- 
rentes arquitetônicas  em  voga  nos  Estados  Unidos 
ou  na  Europa,  ao  lado  de  orientações  que  até  certo 
ponto  revelam  a  contribuição  de  arcjuitetos  brasileiros. 
Essas  correntes  modernas  de  arquitetura  aliás,  além 
de  se  refletirem  nas  residências  e  nos  arranha-céus 
paulistanos,  se  exprimiram  em  uma  igreja  católica  da 
cidade :  a  de  Nossa  Senhora  da  Paz,  iniciativa  da 
ordem  religiosa  de  São  Carlos  Borromeu.  Construí- 
da em  cimento  armado,  de  forma  idêntica  à  posta 
em  prática  na  edificação  de  umj  arranha-céu  comum, 
sua  abóboda  foi  montada  no  solo  em  partes  só  pos- 
teriormente elevadas  para  formarem  o  todo.  O  es- 
tilo é  moderno,  com  inspiração  no  românico-francis- 
cano  e,  contrariamente  ao  uso  consagrado  na  maioria 
das  igrejas  brasileiras,  a  torre  não  fica  na  parte  fron- 
teira, mas  na  face  posterior  e  isolada  do  templo^^. 

^"^  José  Maria  das  Neves,  "Uma  Questão  Importante  para 
o  Urbanismo  Paulistano",  Ilustração  Brasileira,  1929. 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã  (boletim 
do  Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda),  n.°  17, 
pág-.  16. 


Aspecto    da   parte   central    de    São   Paulo    focalizado   do   grande    parque  Pedro 
Segundo  (Foto  Avelino  Ginjo.) 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAli[.0  loòT 


O  gosto  pelos  jardins  particulares  —  que  era 
de  certa  forma  coisa  tradicional  em  Scão  Paulo  — 
se  desenvolveu  e  tomou  novas  orientações  depois  que 
as  residências  aristocráticas  emig-rarani  mais  decisi- 
vamente do  centro  e  suas  adjacências  para  os  bairros 
afastados  em  que  houve  mais  espaço  para  cada  casa. 
Em  sua  pesquisa  sôbre  as  habitações  da  cidade  o 
professor  Pierson  assinalou  no  entanto  o  contraste 
profundo,  nesse  como  em  outros  aspectos,  entre  os 
bairros  classificados  como  de  moradia  de  "nível  su- 
perior" e  os  de  "nível  inferior".  Nas  habitações  es- 
tudadas nos  últimos  nenhuma  apresentava  jardim,  ao 
contrário  das  residências  dos  primeiros,  todos  con- 
tando com  seu  próprio  quintal  e  seu  próprio  jar- 
dim^^  Entretanto,  mesmo  em  certas  áreas  afastadas 
e  não-aristocráticas,  já  em  1929  notava  um  observa- 
dor o  gôsto  pelo  jardinzinho  particular.  "É  às  vêzes 
um  simples  canteiro  ao  longo  da  casa,  revestido  de 
verde  gramado,  guarnecido  por  buxos  e  roseiras,  po- 
rém carinhosamente  tratado",  escreveu  Reinaldo  Dier- 
berg-er,  acrescentando:  "Em  todos  os  jardins  moder- 
nos de  São  Paulo,  comparando-os  com  os  de  feitio  an- 
tigo, notamos  uma  completa  transformação  quanto  às 
ideias  fundamentais".  Referia-se  aos  caminhos  dos 
jardins  antigos,  sem  razoes  de  necessidade,  perdendo- 
se  em  voltas  a  esmo  em  torno  de  canteiros  minú- 
culos.  Aludia  ainda  Dierberger  aos  "milagres  de  hi- 
bridação" de  nossas  velhas  plantas:  "A  Cana  indica, 
a  Azálea,  a  Dáhlia  e  muitas  outras,  há  dez  anos 
atrás  eram  quase  que  desprezadas  no  jardim  parti- 


1^    Donald  Pierson,  op.  cit.,  págs.  207-208. 


1332 


EKNANI      SILVA  BRUNO' 


cular.  Hoie  constituem  verdadeiros  tesouros  de  be- 
leza"-«. 

Empreendimentos  numerosos  e  complexos  de  re- 
modelação urbanística  —  a  principio  um  tanto  tími- 
dos, depois  mais  afoitos,  na  tentativa  permanente  de 
ir  solucionando  os  graves  problemas  da  cidade  — 
foram  dando  feição  diferente  às  ruas  paulistanas, 
desde  o  tempo  da  primeira  Grande  Guerra  até  hoje. 
Mas  a  abertura  e  a  pavimentação  de  grandes  avenidas 
radiais  foram  planejadas  sobretudo  a  partir  da  admi- 
nistração Pires  do  Rio,  pouco  antes  de  1930.  Uma 
dessas  avenidas,  a  Anhangabaú  —  observou  Artur 
Saboya  —  velha  aspiração  dos  paulistanos  já  prevista 
por  Samuel  das  Neves  em  1910  e  que  entrou  antes 
de  1930  em,  execução"\  Outras  coisas  foram  feitas 
então :  o  prolongamento  da  Avenida  São  João,  da 
rua  Vitória  até  a  praça  Marechal  Deodoro"^,  o  alar- 
gamento da  ladeira  do  Carmo,  a  suavização  do  seu 
declive  e  a  construção  da  muralha  monumentaP^  Foi 
ainda  nessa  época  C|ue  os  serviços  de  pavimentação 
tomaram  um  incremento  jamais  observado,  com  a 
aquisição  da  pedreira  do  Rio  Grande  e  a  montagem  de 
um  grande  britador^\  Outra  avenida  então  planeja- 
da e  terminada  há  poucos  anos  foi  a  Nove  de  Julho, 
ligando  o  Parque  Anhangabaú  ao  bairro  do  Jardim 
América,  com  nove  c[uílómetros  e  meio  de  extensão 


^'^  Reinaldo  Dierberger,  "São  Paulo  e  seus  Jardins  Par- 
ticulares", Ilustração  Brasileira,  1929. 

2^  Prestes  Maia,  Estudo  de  um  Plano  de  Avenidas  para 
41  Cidade  de  São  Paião,  prefácio. 

^2    Prestes  Maia,  op.  cit. 

2^    Prestes  Maia,  op.  cit. 
Prestes  Maia,  op.  cit. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1335 


^  trinta  metros  de  largura.  Avenidas  como  a  Nove 
de  Julho,  a  Pacaembú  e  a  Itororó  é  que  estão  dando 
feição  urbana  —  observou  Caio  Prado  Júnior  —  a 
locais  até  então  despovoados  ou  povoados  irregular- 
mente, embora  às  vezes  situados  a  pequena  distância 
do  centro  da  cidade"^. 

Para  o  problema  do  tráfego  no  centro  —  escrevia 
•em  1945  o  engenheiro  Prestes  Maia  —  Ulhoa  Cintra 
propusera  há  tempos  o  "Perímetro  de  Irradiação", 
plano  que  em  1930  foi  modificado  e  englobado  no 
Plano  de  Avenidas  encomendado  por  Pires  do  Rio 
a  Prestes  Maia,  quando  ainda  persistia,  como  escre- 
veu o  último,  "o  prestígio  provinciano  do  Triângu- 
lo"^^. De  acordo  com  êsse  plano,  abriu-se  a  Avenida 
Ipiranga,  continuada  pelas  ruas  São  Luís,  Maria 
Paula,  praça  João  Mendes,  rua  Anita  Garibaldi, 
praça  do  Carmo  e  ladeira  do  Carmo,  abrangendo  o 
setor  norte  as  ruas  Senador  Queiroz,  Mercúrio  e 
Santa  Rosa"^.  Os  melhoramentos  centrais  foram 
completados  com  "ligações  diametrais":  a  avenida 
Anhangabaú  Inferior,  tronco  do  chamado  Sistema  Y, 
conjunto  de  três  grandes  avenidas  —  observou  ainda 
o  engenheiro  Prestes  Maia  —  que  atravessarão  tôda 
a  cidade,  desde  o  Tietê  até  o  vale  do  Pinheiros.  A 
Anhangabaú  Inferior,  ligando  o  parque  Anhangabaú 
à  Ponte  Grande,  e  incorporando  em  grande  parte  a 
atual  Avenida  Tiradentes.  As  hastes  do  galho,  a 
Nove  de  Julho,  já  concluída,  e  a  Itororó,  com  con- 


Caio  Prado  Júnior,  "Nova  Contribuição  para  o  Estudo 
Geográfico  da  Cidade  de  São  Paulo",  Estudos  Brasileiros,  Ano 
III,  vol.  7. 

2^    Prestes  Maia,  op.  cit.,  pág.  46. 

Prestes  Maia,  Os  Melhoramentos  de  São  Paulo,  págs. 

9  e  10. 


1336 


K  R  N  A  XI      SILVA      H  R  U  X  C' 


verg-ência  no  Piques"^  Outros  melhoramentos  foram 
os  representados,  na  mesma  época,  pelo  alargamento 
da  rua  Xavier  de  Toled(T.  abertura  de  uma  rua  atrás 
da  Escola  Normal,  alargamento  da  rua  Vieira  de 
Carvalho  e  da  rua  da  Liberdade  até  o  antigo  largo  da 
Pólvora"''. 

Passaram  também  em  anos  recentes,  por  modifi- 
cações às  vezes  profundas,  os  parques  e  os  iardins 
públicos  paulistanos.  A  idéia  da  remodelação  do  par- 
que Anhangabaú  foi  exposta  em  1930  pelo  engenheiro 
Prestes  ]\'Taia  em  seu  Plano  de  Avenidas:  "Trans- 
formar todo  o  trecho  do  vale  entre  os  viadutos  de 
.Santa  Ifigênia  e  de  São  Francisco  numa  só  praça 
de  aspecto  diferente  de  tudo  o  que  possuem  as  outras 
cidades"^".  De  fato  o  Anhangabaú,  ajardinado  com 
capricho  e  ostentando  a  sua  área  de  quarenta  mil 
metros  quadrados,  empresta  hoje  ao  centro  da  cidade 
uma  de  suas  feições  mais  bonitas  e  mais  característi- 
cas. Outro  parque  quase  central  —  o  Pedro  Segunda 
—  tem  seus  melhores  elementos  de  beleza  em  sua  arbo- 
rização e  nos  recortes  das  curvas  sugestivas  do  Ta- 
manduateí.  Foram  modernamente  abertas  a  praça  do 
Carmo,  a  praça  das  Indústrias  e  a  praça  São  Luís; 
modificadas,  a  do  Patriarca,  a  Ramos  de  Azevedo, 
a  do  Arouche"^  e  a  João  IMendes,  que  incorporando 
a  antiga  praça  dêsse  nome,  o  largo  Sete  de  Setembro 
e  uma  área  primitivamente  ocupada  por  velhos  quar- 
teirões, representa  um  elo  da  Avenida  de  Irradiação, 


28  Prestes  Maia,  op.  cit.,  págs.  11  e  seguintes. 

29  Prestes  Maia,  op.  cit.,  pág.  12. 

-""^  Prestes  Maia,  Estudo  de  um  Plano  dc  Avenidas  para 
a  Cidade  de  São  Paulo,  pág.  72. 

Prestes  Maia,  Os  Melhoramentos  dc  São  Paulo,  págs, 

12  e  13. 


í!:  ■! 


HISTÓRIA    F.    TRADIÇÕF.S    DA    CinAHE    DF.    SÃO    pAl  f.n    ]  ;-;.50 

«com  setenta  metros  de  largura  por  quinhentos  de 
comprimento^l  Mais  recentemente  abriram-se  pra- 
ças e  jardins  de  feição  moderna  em  vários  bairros: 
entre  os  quais  o  da  Consolação,  depois  de  demolido  o 
velho  edifício  do  Semincário  das  Educandas^^  A  êsses 
jardins,  aos  largos  e  às  ruas  dos  bairros  se  estendeu 
rapidamente,  nos  últimos  anos,  a  iluminação  pública, 
sabendo-se  que  em  1950  brilhavam  à  noite  nas  vias  do 
-município  de  São  Paulo  mais  de  vinte  e  cinco  mil 
lâmpadas  clétricas^'*. 

Foi  considerável  o  crescimento  da  área  da  cidade 
de  1918  aos  nossos  dias,  alcançando  os  seus  limites, 
em  certos  pontos,  um  raio  de  dez  a  quinze  quilómetros 
em  relação  ao  centro.  Os  subúrbios  de  1890  —  obser- 
vou o  geógrafo  Aroldo  de  Azevedo  —  foram  incluídos 
na  massa  dos  bairros  periféricos,  sendo  mesmo  alguns 
dêles  ultrapassados  pela  metrópole  em  marcha.  "Hoje 
já  se  torna  difícil  dizer  com  segurança  onde  é  que 
acaba  a  cidade  pròpriamente  dita  e  começa  a  zona 
suburbana,  uma  vez  que  arrabaldes  como  a  Lapa, 
'Santo  Amaro  ou  a  Penha,  que  distam  dez  quilóme- 
tros em  média  do  centro  urbano  já  se  viram  inte- 
grados na  vida  citadina"^^  Uma  população  bastante 
numerosa  —  acrescentou  esse  pesquisador  —  esco- 
lheu a  área  suburbana  para  residir,  e  daí  se  poder 
falar  na  função  residencial  como  a  mais  generalizada 


^-  São  Paulo  de  Outon,  de  Hoje  e  de  Amanhã  (boletim 
do  Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda)  n.°  9, 
pág.  21. 

Prestes  Maia,  Os  McUwramentos  de  São  Paulo,  págs. 

12  e  13. 

Jornal  de  São  Paulo  de  14  de  Janeiro  de  1950. 
Aroldo  de  Azevedo,  op.  cit.,  pág.  26. 


29 


1340 


ERNÂNI      SILVA     B  R  U  N  G 


dos  subúrbios  paulistanos,  sem  que  se  esqueçam  to  - 
davia  também  as  suas  funções  a.q-rícola  e  industrial'^''. 
Estende-se  a  área  suburbana  em  um  raio  muito  variá- 
vel. Para  o  norte  a  influência  da  metrópole  é  menor 
e  acaba  a  uns  dez  quilómetros  do  centro:  é  a  zona  da 
Cantareira,  que  tem  na  serra  dêsse  nome  uma  bar- 
reira natural  dificultando  sua  expansão.  Para  outras 
direções  essa  influência  vai  muito  mais  longe:  por 
exemplo  nos  vales  do  Tietê  e  seus  afluentes,  sobretudo 
o  Pinheiros  e  o  Tamanduateí.  Para  leste  e  para  oeste 
a  zona  suburbana  se  estende  porisso  em  um  raio  de 
vinte  e  cinco  a  trinta  quilómetros". 

Entretanto  a  área  bem  desenvolvida  da  cidade 
acha-se  praticamente  incluída  —  escreveram  Rudolfer 
s  Le  Voici  em  estudo  sôbre  o  transporte  coletivo  pau- 
listano —  dentro  de  um  círculo  de  raio  de  três  quiló- 
metros e  meio^^.  Diante  da  formação  sem  plano  dos 
bairros,  às  vêzes  desarticulados  e  sem.  ligação  entre 
si  pode-se  dizer,  como  Caio  Prado  Júnior,  que  salvo 
em  sua  parte  central  e  na  sua  vizinhança  imediata. 
São  Paulo  é  uma  cidade  "que  ainda  espera  ser  urba- 
nizada no  sentido  integral  da  palavra"^^  Os  bairros 
residenciais  elegantes,  êsses  continuaram  sendo  em 
parte  o  do  HigienópoHs,  a  zona  centralizada  pela  Ave- 
nida Paulista,  o  Jardim  Europa  e  o  Jardim  Paulista, 
o  Jardim  América  —  no  dizer  de  um  observador  o 
mais  belo  bairro  residencial  do  país  como  conjunto  de 
moradias  e  parques''"  —  a  que  se  pode  acrescentar 
mais  recentemente  a  zona  do  Pacaembu. 


Aroldo  de  Azevedo,  op.  cit.,  págs.  33-34. 
Aroldo  de  Azevedo,  op.  cit.,  pág.  30 
^'     Antônio  Le  Voici  e  Bruno  Rudolfer,  O  Transporte 
Coletivo  na  Cidade  de  São  Paulo,  pág.  26. 
Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 
Hermes  Lima,  op.  cit. 


)  —  Aspecto  dos  Túneis  Nove  de  Julho  e  das  rampas  que  conduzem  à  Avenida  Paulista. 

(Foto  Avelino  Ginjo.) 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAULO  1343 


Por  outro  lado  se  observou  modernamente  a  ten- 
dência para  os  elementos  de  determinada  orig-em  — 
com  o  desenvolvimento  de  novas  correntes  imigrató- 
rias procedentes  não  só  da  Europa,  como  também  da 
Ásia  —  se  fixarem  de  preferência  em  certas  zonas 
urbanas,  criando-se  o  que  se  poderia  denominar  o 
"bairro  sírio",  o  "bairro  japonês"  ou  o  "bairro  isra- 
elita". O  bairro  sírio,  situado  ao  norte  do  distrito  da 
Sé  e  ao  sul  do  de  Santa  Ifig-ênia  —  observou  Oscar 
Egídio  de  Araújo  —  apresentando  a  forma  aproxi- 
mada de  um  triâng-ulo  cujos  lados  são  as  ruas  25  de 
Março,  Cantareira  e  Avenida  do  Estado,  com  igrejas 
ortodoxas,  hotéis  e  restaurantes  sírio-libaneses,  esta- 
belecimentos vendendo  livros  escritos  em  árabe  e  gran- 
de número  de  estabelecimentos  atacadistas".  O  ponto 
de  concentração  dos  japoneses  localiza-se  ao  norte 
do  distrito  da  Liberdade,  limitando-se  aproximada- 
mente pelas  ruas  Conde  de  Sarzedas,  Conde  do  Pinhal, 
Irmã  Simpliciana  (absorvida  pela  praça  João  Men- 
des), da  Glória  e  dos  Estudantes.  Encontram-se  nes- 
sa área  com  facilidade  produtos  típicos  do  Oriente  e 
se  importam  diretamente  bijuterias  do  Japão.  Com 
hotéis,  pensões  e  redaçÕes  de  jornais  nipônicos,  que 
até  certa  época  ostentavam  taboletas  exclusivamente 
em  sua  líng-ua*^.  No  interior  de  alg-uns  porões  habi- 
tados dessa  área  viam-se  ainda  há  alguns  anos  arder 
"lanternolas  de  um  vermelho  sanguíneo  —  observou 
um  cronista  —  espalhando  um  brilho  frio  e  doente  de 
morgue"^^.  Outra  concentração  que  se  delineou  na 
cidade  —  ainda  segundo  a  pesquisa  de  O.  E.  de  Araújo 


Oscar  Egídio  de  Araújo,  "Enquistamentos  Étnicos", 
cit.,  págs.  230-231. 

O.scar  Egídio  de  Araújo,  op.  cit.,  págs.  236-238. 
"•^    Sílvio  Floreai,  Ronda  da  Meia-Noite.  págs.  57-60. 


1344 


FRNANI      SILVA  BRUNO 


—  foi  a  dos  judeus,  nos  distritos  do  Bom  Retiro  e  de 
Santa  Ifigênia.  Com  sinagogas  e  grande  número  de 
indústrias  de  roupas  feitas  e  malharias^\  Já  outros 
elementos  ■ — ■  como  os  portugaiêses,  os  espanhóis,  os 
italianos  —  se  incorporaram  de  maneira  mais  completa 
à  população  paulistana,  não  chegando  a  formar  bair- 
ros ou  concentrações  bem  delineados.  Sabe-se  apenas 
que  os  portuguéses,  preferindo  a  localização  nas  zonas 
rurais  ou  semi-rurais  por  serem  em  sua  maioria  peque- 
nos agricultores  e  chacareiros,  a  sua  maior  porcenta- 
gem ocorre  no  distrito  do  Belenzinho*^    Os  italianos 

—  como  também  os  espanhóis  • —  agrupam-se  em  zona 
mais  central:  em  geral  o  distrito  da  Mooca*^. 

A  administração  Pires  do  Rio,  ainda  antes  de 
1930,  se  responsabilizou  por  uma  tarefa  importante 
em  seu  tempo :  a  solução  de  um  dos  problemas  pri- 
mordiais da  cidade,  que  era  a  canalização  do  rio  Tietê, 
cujo  projeto  foi  delineado  pelo  engenheiro  Saturnino 
de  Brito,  organizando-se  então  a  Comissão  do  Tietê 
para  estudo  da  canalização  e  retificação  dêsse  rio  e 
urbanização  das  várzeas  laterais'^''.  Êsse  empreendi- 
mento prosseguia  ainda  na  gestão  do  engenheiro  Pres- 
tes Maia,  quando  também  o  Tamanduateí  foi  canaliza- 
do em  todo  o  seu  trecho  inferior  até  a  foz^^.  A  retifica- 
ção do  Tietê,  estendendo-se  em  um  vasto  canal  de 
Osasco  à  Penha,  encurta  de  vinte  e  seis  quilómetros 


Oscar  Egidio  de  Araújo,  op.  cit.,  págs.  240-241. 

'^^  Oscar  Egídio  de  Araujo,  "Latinos  e  Não-Latinos  no 
Município  de  São  Paulo",  Revista  do  Arquivo  Municipal, 
LXXV,  pág.  72. 

''^    Oscar  Eeídío  de  Araújo,  op.  cit.,  pág.  72. 

■'^  Artur  Saboya,  prefácio  de  Estudo  de  um  Plano  de 
Avenidas  para  a  Cidade  de  São  Paião,  de  Prestes  Maia. 

•'^  Prestes  Maia,  Os  Melhoramentos  de  São  Paulo, 
pág.  18 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAl.I.ri  134/ 


O  trajeto  primitivo,  que  de  46  quilómetros  passa  a  20, 
atravessando  a  cidade  em  uma  faixa  retificada  de 
duzentos  metros  de  largura". 

Mantém  o  governo  do  Estado,  no  Tietê,  um  ser- 
viço permanente  de  dragagem  e  desobstrução  para 
facilitar  e  permitir  a  navegação  de  embarcações  de 
carga  de  pequeno  calado  entre  a  Penha  e  Mogi  das 
Cruzes.  Antigamente  os  trabalhos  se  estendiam  até 
a  Ponte  Grande,  onde  eram  feitos  pelos  barqueiros 
os  desembarques  de  materiais  de  construção  e  outros, 
que  eram  transportados  por  essa  via  fluvial.  Depois 
de  concluídos  os  estudos  de  retificação  do  rio  no  tre- 
cho entre  a  Ponte  Grande  e  a  Penha  não  foi  mais 
permitida  a  construção  de  portos  nas  margens,  e  as 
descargas  passaram  a  ser  feitas  da  Penha  para  cima^°. 

Não  pôde  São  Paulo  dispensar,  nos  últimos  tem- 
pos de  sua  história  —  como  ocorrera  aliás  desde  os 
tempos  primitivos,  por  motivo  de  sua  topografia  — 
as  pontes,  e  mais  os  viadutos  e  os  túneis.  Sobretudo 
a  partir  de  1934-1935  construíram-se  vários  viadutos 
na  zona  central,  começando-se  ao  mesmo  tempo  a  aber- 
tura do  túnel  Nove  de  Julho^\  que  ostenta  fachada 
monumental  e  conta  duas  vias  laterais,  cada  uma  com 
nove  metros  e  meio  de  largura.  É  das  obras  mais 
importantes  da  cidade  —  escreveu  Prestes  Maia  — • 
e  leva  a  radial  Nove  de  Julho  trinta  metros  sob  o 
espigão  da  Avenida  Paulista  ate  os  novos  e  aristo- 
cráticos bairros  do  Pinheiros,  medindo  quatrocentos- 


Célio  Conde  Leite,  Terra  Bandeirante,  pág.  40. 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã  (boletim, 
do  Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda),  nP  8,. 
pág.  15. 

51    Philip  L.  Goodwin,  Brasil  Builds,  pág.  94. 


1348 


ERNÂNI      SILVA  BRUNC 


■e  sessenta  metros  de  comprimento".  Também  no 
centro,  ligando  a  praça  do  Patriarca  ao  fundo  do  vale 
do  Anhangabaú,  se  fez  uma  passagem  subterrânea  que 
estabelece  comunicação  fácil. 

O  novo  viaduto  do  Chá  —  inaugurado  em  1936 
—  transpõe  o  vale  do  Anhangabaú  com  um  arco  cen- 
tral medindo  66  metros,  e  dois  vãos  laterais  com  17,5 
metros  cada  uni,  medindo  ao  todo  101  metros  e  a 
largura  de  25  metros,  dos  quais  quinze  destinados 
aos  veículos,  e  dez  aos  pedestres,  nos  passeios.  É  no- 
tabilizado — ■  observou  o  engenheiro  Prestes  Maia 
— ■  pelo  inédito  aproveitamento  da  estrutura  dos  encon- 
tros, onde  se  dispuseram  amplos  salões  para  mercado 
de  flores,  espera  de  ònibus,  exposições  de  pintura, 
garage  pública,  compartimentos  sanitários'^".  Em 
1941,  referindo-se  ao  que  estava  para  ser  feito  ou 
l^rosseguindo  em  sua  administração,  mencionava  o 
prefeito  Prestes  Maia  o  viaduto  Dona  Paulina,  o 
viaduto  Jacareí  (entre  Santo  Amaro  e  Santo  An- 
tônio), o  viadutinho  do  Pacaembu  e  o  túnel  de  São 
Bento''*.  Também  faziam  parte  do  programa  de  re- 
modelação urbana  nessa  fase  o  viaduto  Nove  de  Ju- 
lho, transpondo  a  avenida  dêsse  nome  e  a  rua  Álva- 
ro de  Carvalho,  como  parte  do  Perímetro  de  Irradia- 
ção (largura  de  33  metros  e  comprimento  de  220), 
cuja  construção  foi  iniciada  em  fins  de  1944,  os  túneis 
■do  Paraíso  e  vinte  e  duas  pontes  sôbre  o  Tietê,  uma 
ponte  sôbre  o  Tamanduatei,  na  rua  Mercúrio,  com 

^-  Prestes  INIaia,  Os  McUioramcntos  dc  São  Paulo, 
pág.  21. 

Prestes  Maia,  op.  cit.,  págs.  22  e  seguintes. 
^"^    São  Paulo  dc  Ontem,  dc  Hoje  e  dc  Amanhã  (boletim 
■do  Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda),  n.°  4, 
j)ág.  27. 


HISIÓRIA    E    TRADIÇÕK?    DA    CIO.MjE    DK    SÃO    l \\  i  r,  ]35l 

quarenta  metros  de  largura^'^  —  sem  se  falar  na 
monumental  Ponte  das  Bandeiras,  construída  quase 
no  mesmo  local  da  antiga  Ponte  Grande,  com  três 
vãos,  tendo  cento  e  vinte  metros  de  comprimento  c 
trinta  e  três  de  largura''".  Por  outro  lado  a  projeíada 
Avenida  Itororó  implica  na  construção  de  seis  viadutos 
(Luís  Antônio,  Jaceguai,  Condessa  de  São  Joaquim, 
Pedroso,  Paraíso,  e  Oscar  Horta),  um  túnel  para 
tramway  com  novecentos  metros  de  extensão  e  seis 
pontilhões^". 

Relativamente  aos  transportes  coletivos,  sabe-se 
que  o  número  de  bondes  foi  reduzido  depois  de  1920  em 
consequência  da  crise  de  energia  elétrica  determinada 
pelo  desenvolvimento  excepcional  da  indústria  pau- 
listana. Data  de  então  —  de  1924  —  o  aparecimento 
dos  primeiros  ônibus  urbanos:  pequenos,  feios,  sem 
nenhum  conforto,  comportando  em  média  de  dez  a  doze 
passageiros.  Trinta  ou  quarenta  dêles  circulavam 
pela  cidade,  montados  em  geral  sòbre  "chassis"  de 
caminhões  Ford.  Alguns  proprietários  dêsses  veícu- 
los, passada  a  oportunidade,  não  puderam  se  sustentar, 
organizando  empresas,  algumas  das  quais  ainda  exis- 
tiam recentemente^^.  Multiplicaram-se  depois  consi- 
deravelmente as  linhas  de  onibus,  dispondo  de  carros 
confortáveis,  ao  mesmo  tempo  que  a  viação  urbana 
se  estendeu  por  mais  de  duzentos  quilómetros  de  li- 
nhas para  carris  elétricos^^. 

Aproximadamente  a  partir  de  1920  criou-se  em 
tôrno  da  cidade  de  São  Paulo  uma  verdadeira  zona 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  c  de  Ainanliã,  n.°  4, 

pág.  27. 

Prestes  .Maia,  op.  cit..  pág.  24. 
5''    Prestes  Maia,  op.  cit.,  pág.  14. 
58    Jornal  de  São  Paulo  de  9  de  Junlio  de  1946. 
5^    Célio  Conde  Leite,  op.  cit.,  pág.  37. 


1352 


E  R  N  A  A  I      SILVA      BRU  N  O 


hortense  —  observou  Aroldo  de  Azevcclo  —  com  a 
multiplicação  das  culturas  de  legumes*'".  Essa  zona 
hortense  —  através  de  áreas  mais  ou  menos  especia- 
Hzadas  em  determinados  produtos  e  cultivadas  por 
elementos  de  certas  nacionalidades  —  amplia-se  cons- 
tantemente, respondendo  à  necessidade  de  abasteci- 
mento de  g-êneros  para  a  população  paulistana.  Em 
direção  a  Cotia,  campos  cultivados  por  japoneses. 
Na  direção  da  Serra-  da  Cantareira,  Guarulhos  e 
Mogi,  portugueses  e  espanhóis.  Hortaliças  para  os 
lados  de  Mogi,  frutas  na  Cantareira,  além  de  chá- 
caras de  avicultura  e  produção  de  leite^^.  Apenas 
o  consumo  do  peixe  decaiu,  proporcionalmente,  em 
relação  ao  passado.  O  próprio  Tietê  é  hoje  um  ria 
infeccionado  —  em  consequência  do  despejo  das  fá- 
bricas —  pelo  merios  até  cento  e  cinquenta  quilómetros 
abaixo  da  cidade,  e  dificilmente  se  encontram  nesse 
trecho  seres  de  vida  aquática^^ 

Mas  a  alimentação  do  morador  da  cidade,  nos 
tempos  recentes,  se  enriqueceu  de  modo  geral  de  uma 
porção  de  pratos  e  combinações  introduzidos  por  imi- 
grantes de  várias  procedências  —  não  só  europeus 
como  asiáticos  —  embora  pesquisas  realizadas  sobre 
o  assunto  revelem  a  preferência  acentuada  dos  ele- 
mentos de  cada  nacionalidade  por  determinado  tipo 
de  dieta.  O  estudo  intitulado  "A  alimentação  das 
classes  obreiras  de  São  Paulo",  feito  por  Oscar  Egídia 
de  Araújo,  mostrou  que  os  brasileiros  se  destacaram 
pelo  maior  consumo  de  açúcar,  arroz  e  feijão,  e  rela- 
tivamente pequeno  consumo  de  pão,  batata  e  leite. 

6^    Aroldo  de  Azevedo,  op.  cit.,  págs.  33-34. 
Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 

^■^  São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã  (boletim 
do  Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda),  n.°  4.. 
pág.  10. 


HISTÓRIA-    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    !'Ari.O    1  ,V 


Os  portuguéses  e  italianos  se  aproximaram  da  média 
cm  relação  â  maior  parte  dos  alimentos ;  os  portugue- 
ses ultrapassaram  a  média  quanto  à  batata,  farinha  de 
trigo  e  bacalhau,  e  os  italianos  relativamente  ao  macar- 
rão, consumindo  por  outro  lado  pouca  batata  e  pouco 
l)cixe.  Os  espanhóis  consumiram  em  primeiro  lugar 
grande  quantidade  de  pão  e  também  de  gorduras,  toma- 
te, batata  e  leite,  e  pouca  farinha  de  trig(^.  Os  lituanos 
se  revelaram  g-randes  comedores  de  carne  de  vaca, 
batata,  peixes,  farinha  de  trigo,  queijo  c  manteiga®^ 
De  outra  parte  pes(|uisa  levada  a  efeito  por  F.  Pompeu 
do  Amaral  mostrou  que  se  o  café  é  quase  universal- 
mente consumido  pela  população  paulistana,  trinta  e 
nove  por  cento  dela  não  consome  o  chá,  que  parece  ter 
perdido  muito  do  prestígio  que  desfrutava  em  meados 
do  oitocentismo''\  Evidentemente  grupos  como  o 
sírio  ou  o  japonês  conservam  os  seus  pratos  caracte- 
rísticos e  as  maneiras  de  preparar  certos  alimentos, 
embora  êsses  pratos  e  êsses  estilos  não  tivessem  sido 
incorporados  pela  população  da  cidade  aos  seus  há- 
bitos de  alimentação.  Nos  restaurantes  do  bairro  sí- 
rio encontram-se  quase  sempre  o  quibe  cru,  o  quibe 
com  coalhada,  o  quibe  ao  forno,  a  fòlha  de  uva  re- 
cheada e  a  cafta  assada*^^  Os  japoneses,  de  seu 
iado,  não  passam  sem  o  seu  pedaço  de  carne  deterio- 
rada e  mal  assada,  nem  sem  o  seu  peixe  assado  ao  sol®®. 
Quanto  ao  abastecimento  de  água  para  a  cidade, 


'^'^  Oscar  Egídio  de  Araújo.  "A  Alimentação  da  Classe 
Obreira  de  São  Paulo",  Revista  do  Arquivo  Municipal,  LXIX, 
págs.  99-101. 

^'^  F.  Pompeu  do  Amaral,  "A  Alimentação  da  Popu- 
lação Paulistana",  Revista  do  Arquivo  Municipal,  XC,  pág.  77. 

Oscar  Egidio  de  Araújo,  "Enquistamentos  Étnicos", 
cit.,  págs.  230-231. 

Sílvio  Floreai,  op.  cit.,  págs.  57-60. 


30 


1356 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


repetiam-se  em  tôrno  de  1920  as  graves  crises,  sobre- 
tudo na  época  da  estiagem,  que  já  haviam  ocorrido 
nos  primeiros  anos  do  século  atual.  Partindo-se  de 
estudos  feitos  em  1925,  decidiu-se  então  a  construção 
da  adutora  de  Rio  Claro,  cujas  obras  inicialmente 
prosseguiram  até  1927.  Mas  a  crise  se  agravava  de 
ano  para  ano,  e  o  governo  do  Estado  resolveu  apelar 
para  as  águas  da  reprêsa  do  Guarapiranga,  em  Santo 
Amaro,  cuja  adução  amenizou  a  situação,  ficando  abas- 
tecidos, em  fins  de  1929,  78.980  dos  111.116  prédios 
existentes.  Em  1937,  observando-se  ser  novamente 
grave  a  deficiência  no  ubastecimento,  foi  feita  a  adução 
de  emergência  do  ribeirão  Vargem  Grande,  que  cruza 
a  adutora  de  Rio  Claro.  Em  1941  ficou  concluído 
e  em  condições  de  funcionar  o  trecho  superior  da 
adutora  de  Rio  Claro,  começando  então  a  vinda  da 
água,  por  gra^•idade;  desde  Poço  Preto  até  São  Paulo^^. 

O  novo  mercado  paulistano  foi  projetado  na  ad- 
ministração Pires  do  Rio"'",  sendo  instalado  em  1933, 
até  quando  funcionou  o  chamado  Mercado  Velho, 
que  fica\-a  à  direita  de  quem  descia  a  ladeira  General 
Carneiro.  Desenvolveram-se  por  outro  lado  as  feiras - 
livres  instituídas  no  comêço  do  século,  e  o  comércio 
de  ambulantes  se  ampliou  de  forma  considerável,  a- 
brangendo  desde  os  mercadores  de  víveres  até  os  ca- 
melos que  exibem  no  centro  tôda  a  sorte  de  bugigangas. 

As  lojas  melhores  de  comércio  em  retalho,  que 
ocupavam  as  ruas  Direita  e  São  Bento  começaram 
—  de  acordo  com  o  estudo  feito  por  Bruno  Rudolfer 


"O  Abastecimento  de  Água  da  Cidade  de  São  Paulo". 
O  Estado  de  São  Paulo  de  10  de  fevereiro  de  1952. 
''^    Artur  Saboya,  op.  cit. 


M  —  Maqueta  da  catedral  de  São  Paulo,  que  está  sendo  construída  no  largo 
(Reproduzida  do  livro  de  Leonardo  Arroyo  Igrejas  de  São  Paulo). 


da  Sé. 


íj;; 


HISTÓRIA   E   TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAUt.O  1359 


e  Antônio  Le  Voici  —  a  se  mover  para  oeste,  tenden- 
do a  atravessar  o  Vale  do  Anhang-abaú.  É  ainda 
no  centro  da  cidade  — ■  incluindo  essa  no\a  zona  de 
além-viaduto  do  Chá  —  que  se  verifica  o  maior  vo- 
lume de  negócios  a  retalho,  havendo  muito  poucas  á- 
reas  comerciais  locais  espalhadas  pela  cidade:  entre 
essas,  Santa  Ifigênia,  São  Caetano  e  Rangel  Pestana''^ 
De  outra  parte  se  tornou  enorme  a  atividade  da  praça 
de  São  Paulo  como  centralizadora  de  grande  parte 
do  comércio  paulista  de  exportação  e  de  importação 
e  sede,  porisso,  de  várias  Câmaras  de  Comércio  es- 
trangeiras. 

O  desenvolvimento  do  parque  industrial  paulis- 
tano, que  se  esboçara  de  fins  do  século  passado  até 
a  época  da  primeira  Guerra  Mundial,  prosseguiu  em 
seguida,  até  nossos  dias,  acusando  índices  cada  vez 
mais  impressionantes,  e  conferindo  à  cidade  um  ca- 
ráter  cada  vez  mais  definido  de  metrópole  industrial. 
Sabe-se  que  em  1937  era  de  3.487  o  número  de  suas 
fábricas  (com  mais  de  cento  e  vinte  mil  operários) 
e  que  em  1941  era  de  8.016,  subindo  em  1945  a  11.809'^ 
Pelas  estatísticas  de  1941,  sabe-se  que  36  estabeleci- 
mentos fabris  empregavam  mais  de  dois  mil  operários : 
57,  de  mil  a  dois  mil;  75,  de  quinhentos  a  mil;  192, 
de  duzentos  a  quinhentos;  e  263,  de  cem  a  duzentos". 
Desses  estabelecimentos  fabris  de  hoje.  muitos  traba- 
lhando em  ramos  industriais  iniciados  no  oitocentismo : 
indtistrias  de  tecidos,  que  se  multiplicaram  em  dezenas 

Antonio  Le  Voici  e  Bruno  Rudolfer,  op.  cit.,  págs. 

24-25. 

'^^  São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã  (boletim 
do  Departamento  Estadual  de  Informações)  nP  23,  págs.  17  c 
seguintes. 

'■^  São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã"  (boletim 
do  Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda),  n.°  9, 
pág.  42. 


1360 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


de  especializações;  artefatos  de  couro;  artefatos  e 
móveis  de  madeira;  fundições,  oficinas  mecânicas,  de 
máquinas  para  a  lavoura  e  a  indústria;  de  massas 
ahmentícias,  de  fósforos ;  marmorarias ;  de  sabão  e  de 
velas,  de  chapéus,  de  cigarros  e  bebidas,  olarias.  Muitas 
outras  porém  dedicando-se  a  ramos  industriais  des- 
conhecidos mesmo  nos  primeiros  anos  deste  século. 

Um  dos  fatos  capitais  na  história  recente  da 
cidade,  no  capítulo  do  saneamento,  é  o  que  se  refere  à 
retificação  do  Tietê,  empreendimento  de  que  decorre, 
como  é  evidente,  a  salubridade  das  zonas  ribeirinhas, 
permitindo  recuperar-se  ao  domínio  do  pântano  uma 
área  considerável.  Por  outro  lado,  apesar  de  esque- 
cidas as  epidemias  terríveis  de  varíola  que  assolaram 
a  cidade  ainda  no  decorrer  no  século  passado  e  de 
dominados  os  surtos  de  febre  tifóide  ainda  bastante 
ameaçadores  nos  primeiros  anos  do  século  atual  — 
é  claro  que  a  fixação  em  São  Paulo  de  imigrantes 
de  várias  procedências,  o  crescimento  desordenado  do 
núcleo  urbano  e  o  desenvolvimento  industrial  dando 
marg-em  a  cortiços  e  favelas  onde  reina  a  promiscui- 
dade, foram  outros  tantos  fatores  que  condicionaram 
a  ocorrência  ou  o  contágio  de  doenças  comuns  em  tôclas 
as  grandes  cidades,  e  São  Paulo  precisou  ir  aos  poucos 
se  aparelhando  pai-a  fazer  frente  a  todos  os  problemas 
decorrentes  dessa  situação. 

Sabe-se  por  exemplo  que  até  1918  não  havia  na 
cidade  um  serviço  regular  para  tratamento  gratuito 
da  sífilis,  abrindo-se  naquele  ano  o  primeiro  posto 
de  tratamento  na  Santa  Casa  de  Misericórdia,  por 
iniciativa  de  estudantes  da  Faculdade  de  Medicina  — 
serviço  que  se  transformou  mais  tarde  na  Liga  de 
Combate  â  Sífilis''^    Em  1924  foi  criado  e  oficializado 


São  Paulo  dc  Ontem,  de  Hoje  c  de  Amanhã,  cit.  n.*' 
13,  pág.  39. 


1 


-  Aspecto  int'-n-no  da  igreja  de  N.  S.  da  Paz,  vendo-se  as  decorações  modernas  de 
autoria  do  pintor  Fúlvio  Penacchi. 
(Reproduzida  do  livro  de  Leonardo  Arr03'0  Igrejas  dc  São  Paulo). 


illií  / 


i0  . 


HISTÓRIA    E    IKAOIÇÓES    UA    CinADlC    DE    SÃO    1'A;L0  1363 


pelo  govérno,  em  colaboração  com  a  Fundação  Rock- 
íeller.  o  Instituto  de  Higiene,  destinado  a  constituir 
uma  escola  de  sanitaristas  e  que  em  1938  seria  incor- 
porado à  Universidade".  Em  1925  criou-se  a  Inspe- 
teria  de  Medicina,  Farmácia  e  Verificação  de  Óbitos, 
subordinada  ao  antigo  Serviço  Sanitário  e  substituída 
mais  recentemente  pelo  Serviço  de  Fiscalização  do 
Exercício  ProfissionaF^  Fundaram-se  ainda,  a  partir 
dessa  época,  numerosas  entidades  de  assistência  à  in- 
fância e  vários  hospitais,  organizando-se  em  193  3 
a  assistência  hospitalar  oficial'"  e  inaugurando-se  em 
1944  o  monumental  Hospital  das  Clínicas,  em  edifício 
constituído  de  onze  andares  e  cerca  de  mil  e  seiscentas 
dependências,  projetado  pelos  professores  Rezende 
Puech  e  Souza  Campos '^ 

As  instituições  de  assistência  social  tiveram  igual- 
mente amplo  desenvolvimento  e  em  1935  reorganizou- 
se  o  Serviço  Social  de  Menores,  com  um  abrigo  central, 
no  Tatuapé,  o  Instituto  Modelo  de  Menores,  na  Ave- 
nida Celso  Garcia,  o  Instituto  Modelo  de  Menores  para 
crianças  do  sexo  feminino,  na  Penha,  e  o  Instituto 
de  Aprendizado  Doméstico^^. 

Centro  bastante  cosmopolita  —  sobretudo  na  fase 
mais  recente  de  sua  história  —  passou  a  cidade  a  contar, 
além  de  seus  numerosos  templos  católicos,  entre  os 


''''    São  Paulo  cie  0)itcm.  dc  Hcjc  c  dc  Amanhã,  cit.  n.*^ 

6,  pág.  16. 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  c  de  Amanhã,  cit.,  n.° 
3,  pág.  10. 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Anmuhã.  cit.,  n.° 

7,  pág.  26. 

"<>  São  Paulo  dc  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã,  cit., 
n.o  25,  pág.  25.- 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã,  cit.  n.° 
24,  págs.  27  e  seguintes. 


1364 


ERNÂNI     SILVA     B  R  U  N  C 


quais  a  matriz  em  construção,  na  Sé  — -  com  igrejas 
de  numerosas  seitas  protestantes,  Adventista,  Meto- 
dista, Presbiteriana  Sinodal,  Batista,  Presbiteriana 
Independente,  Congregacionista,  Episcopal,  Luterana, 
Anglicana.  Ortodoxa,  Unida",  duas  sinagogas  he- 
braicas, duas  igrejas  ortodoxas  e  uma  mesquita  mu- 
çulmana'^. 

É  claro  que  as  procissões  católicas  deixaram 
de  ser,  como  em  outras  épocas,  pretexto  para  diver- 
timento ou  recreação.  Os  locais  de  diversão,  de  pas- 
seio e  de  atividades  esportivas  se  multiplicaram  de 
forma  notável,  mesmo  fora  da  cidade  e  a  grandes 
distâncias  de  sua  área  central.  Aludindo  à  influência 
exterior  da  metrópole  paulista  observou  Caio  Prado 
Júnior,  entre  outros  fatores,  que  essa  influência  foi 
condicionada  pelo  fator  diversão,  representado  por 
Santo  Amaro,  com  as  suas  reprêsas,  e  a  zona  da 
Cantareira^^  Santo  Amaro  com  seus  bares  e  res- 
taurantes rústicos.  Na  Serra  da  Cantareira  o  Horto 
Florestal,  lugar  de  repouso  que  o  paulistano  pode 
procurar  nos  domingos  e  feriados^^.  Como  local  de 
"footing"  elegante  no  centro  a  rua  Direita,  "a  mais 
chique  da  cidade"  no  dizer  do  cronista  Antônio  de 
Alcântara  Machado,  perdeu  o  seu  prestígio,  em  anos 
mais  recentes,  cedendo  a  posição  á  area  centralizada 
pela  rua  Barão  de  Itapetininga. 

Tntensificou-se  de  outra  parte  o  prestígio  do  ci- 
nema como  diversão  principal  da  maioria  da  população. 
Depois  da  supremacia  do  República   (na  praça  da 


Célio  Conde  Leite,  op.  cit.,  págs.  52-53. 
Célio  Conde  Leite,  op.  cit.,  págs.  52-53,  e  Oscar  Egídio 
de  Araújo,  "Enquistamentos  Étnicos",  cit.,  págs  230  e  240. 
*°    Caio  Prado  Júnior,  op.  cit. 

^1  São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  c  de  Amanhã,  cit.,  n." 
ò,  pág.  5. 


HISTÓRIA    E    TKA|)|(;ÕKS    r  \    C  IDADK    DK   SÃ  )    PAri.i      1  À()7 


República),  do  Roial  (na  Sebastião  Fer.ira)  e  mais 
tarde  do  Odeon  (na  Con.S(_^lação )  e  áu  Paraniount 
(na  a\'enida  Brigadeiro  Luis  António')  —  i)ioneiro 
do  cinema  falado  —  casas  exibidoras  de  maior  luxo  c 
conforto  foram  inauguradas  na' cidade,  ai)resenlando 
sessões  que  vixo  do  meio-dia  à  meia-noite. 

Mas  ao  lado  dos  cinemas,  cada  vez  mais  nume- 
rosos no  centro  e  nos  bairros,  alguns  circos  conservar.i 
uma  tradição  de  di\-ertimento  muito  paulistano.  "Se 
eu  fosse  autoridade  —  escrevia  em  1929  Tau  de  Almei- 
da Prado  —  proporia  cjue  os  circos  de  São  Paulo 
fossem  subvencionados.  Os  Queirolo  e  Piolim  são 
divertimentos  de  cjue  possuímos  a  exclusividade,  ao 
passo  que  a  tropa  cantante  que  aqui  aparece  anual- 
mente já  vem  estafada  e  desfalcada  de  lUieriOS  Aires 
e  Rio,  quando  não  tambéni  de  Montevideu.  Poderia 
São  Paulo  ser  a  capital  do  riso  como  H()llyA\'()od  é  a 
capital  do  filme.  A  Paulicéia  poderia  se  tornar 
uma  espécie  de  Bayreuth  do  circo"^^ 

De  outra  parte  as  atividades  esportivas  tiverani 
um  incremento  excepcional  e  culminaram  com  a  cons- 
trução do  monumental  Estádio  Municipal  do  Pacaem- 
biu  Compreendendo  uma  área  de  75.598  metros  qua- 
drados, o  terreno  tem  a  conformação  de  uma  bacia 
ou  "thalweg"  subsidiário  do  vale  do  Pacaembú  — 
escreveu  Nicanor  Miranda  —  e  prestou-se.  pelos  seus 
perfis,  ao  assentamento  das  grandes  arquibancadas, 
aproveitando-se  em  parte  os  declives  naturais  e  per- 
mitindo a  formação  de  um  plano  central  para  suas 
pistas,  campos  de  atletismo  e  prados  de  vários  jogos. 
O  campo  central  de  esportes,  circundado  por  uma  pista 


Ian  de  Almeida  Prado,   Circo  dc  Cavaliiilios,  págs. 

43-44. 


1368 


ERNÂNI      SILVA  BRUNC 


de  quinhentos  metros  longitudinais  por  oito  de  lar- 
gura, tem  a  forma  de  um  retângulo  com  120  por  80 
metros.  O  ginásio  serve  para  ginástica,  festas,  jogos 
de  hóquei,  bola  ao  cesto,  ténis,  vóleh  patinação  e  outros. 
Quanto  à  disposição  de  seu  conjunto  — •  observou 
ainda  Nicanor  Miranda  —  ele  se  apresenta,  não  como 
um  Estádio  Olímpico,  mas  como  um  Estádio  Munici- 
pal no  género  dos  existentes  na  Alemanha,  em  cidades 
como  Frankfort— sôbre-o-Oder,  Frankfort-sôbre-o- 
Meno  e  Colónia.  Compõe-se  a  fachada  do  estádio 
paulista  de  dois  torreões  laterais  e  quatro  pilones  cen- 
trais, em  posições  simétricas,  destinados  às  sete  largas 
])orteiras  de  oito  metros  de  abertura  para  ingressos 
e  saidas  no  campo^^. 

Os  esportes  ainadores  tiveram  desenvolvimento 
extraordinário  sobretudo  a  partir  da  criação  da  Dire- 
toria  de  Esportes,  em  1939.  depois  convertida  no 
Departamento  de  Esportes  do  Estado  de  São  Paulo, 
cujo  relatório  de  1952  revelava  a  existência,  na  cidade, 
de  484  campos  de  futebol,  14  quadras  de  bola  ao  cesto, 
42  retângulos  para  voleibol,  115  quadras  de  ténis,  7 
pistas  para  atletismo,  8  piscinas,  18  canchas  de  bochas 
(esporte  introduzido  em  São  Paulo  pelo  elemento 
italiano),  7  campos  de  malha  (jôgo  principalmente 
do  gósto  da  colónia  portuguesa),  10  ringues  de  pugi- 
lismo,  2  campos  de  basebol  (o  esporte  preferido  pelos 
japonêses  e  seus  descendentes),  3  estandes  de  tiro  ao 
alvo,  4  picadeiros  para  hipismo  e  8  ginásios^*. 

Em  Cidade  Jardim  edificou-se  o  novo  hipódromo 
- —  com  arquibancadas  de  concreto,  em  estilo  moderno 

Nicanor  Miranda,  "O  Estádio  Municipal",  Revista  do 
Arquivo  Municipal,  XXXV,  págs.  68  e  seguintes. 

^'^  FôVui  da  Tarde,  reportagem.  Êsses  dados  se  referiam 
às  praças  de  esperte  utilizáveis  para  competições  oficiais. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAI.-].,'    i  Jn 


e  eleg-ante  —  para  substituir  o  velho  prado  de  corridas 
da  Mooca. 

Não  caberia  aqui  historiar  o  desenvolvimento  do 
ensino,  em  todas  as  suas  modalidades,  na  fase  mais 
recente  da  existência  da  cidade,  mas  deve  se  observar 
que  o  que  deu  a  São  Paulo  o  carater  de  grande  centro 
cducati\'0  foi  particularmente  a  criação  de  sua  Univer- 
sidade, conjunto  de  casas  de  ensino  que  acusam  índices 
notáveis  de  frequência :  a  Faculdade  de  Medicina, 
a  de  Farmácia  e  Odontolog"ia,  a  de  Ciências  Económi- 
cas e  Administrativas,  a  de  Medicina  e  Veterinária,  de 
Higiene  e  Saúde  Pública,  a  de  Filosofia,  Ciências  e 
Letras,  a  de  Direito,  a  Escola  Politécnica  e,  na  cidade 
de  Piracicaba,  a  Escola  Superior  de  Agricultura  Luís 
de  Queiroz.  Como  instituições  complementares,  o  Lis- 
tituto  de  Pesquisas  Tecnológicas,  o  Listituto  Butatã. 
o  Departamento  de  Zoologia,  a  Escola  Livre  de  Socio- 
logia e  Política,  a  Diretoria  de  Assistência  a  Psico- 
patas, o  Instituto  Astronómico  e  Geofísico,  o  Insti- 
tuto Biológ-ico,  o  Instituto  de  Eletrotécníca,  o  Instituto 
de  Rádio  Dr.  Arnaldo  Vieira  de  Carvalho,  o  Museu 
Paulista,  o  Serviço  Florestal  e  o  Departamento 
de  Assistência  ao  Cooperativismo.  Dispõe  por  outro 
lado  a  cidade  da  Universidade  Mackenzie  e  da  Ponti- 
fícia Universidade  Católica,  abrangendo  a  Faculdade 
Paulista  de  Direito,  a  de  Filosofia,  Ciências  e  Letras 
de  São  Bento,  a  Escola  de  Jornalismo  Cásper  Libero, 
a  Faculdade  de  Filosofia,  Ciências  e  Letras  do  Insti- 
tudo  "Sedes  Sapientiae",  a  de  Engenharia  Industrial 
e  a  Escola  de  Serviço  SociaP^ 


São  Paulo  de  Oiifrni.  de  Hoje  e  de  Amanhã,  cit.  n.°  23, 

pág.  21. 


31 


1372 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Deve-se  ainda  assinalar,  no  capítulo  das  ativi- 
dades  culturais  em  São  Paulo  a  existência  do  Dci)ar- 
tamento  de  Cultura  da  Municipalidade,  idealizado  pelo 
escritor  Mário  de  Andrade,  compreendendo  as  divisões 
de  Biblioteca,  Educação  e  Recreio,  Expansão  Cultural, 
Documentação  Histórica  e  Social  e  Divertimentos 
Piiblicos^''.  E  também  a  do  Instituto  Histórico  e 
Geográfico  e  do  Departamento  de  Arquivo  do  Estado, 
que  deram  impulso,  através  de  publicações  e  confe- 
rências, ao  estudo  do  passado  de  São  Paulo  e  do 
Brasil. 

Conta  a  cidade,  por  outro  lado,  com  cêrca  de 
cento  e  sessenta  bibliotecas  públicas  e  especializadas^\ 
de  que  Salvador  Moya  relacionou  as  principais:  a 
do  Arquivo  Piiblico,  a  da  Associação  Paulista  de 
Imprensa,  a  da  Associação  dos  Oficiais  Reformados, 
a  do  Club  Português,  a  do  Centro  XI  de  Agosto,  a 
do  Centro  Osvaldo  Cruz,  a  do  Colégio  Santo  Agos- 
tinho, a  do  Colégio  São  Luís,  a  do  Congresso  Esta- 
dual, a  do  Convento  dos  Capuchinhos,  a  do  Convento 
de  São  Bento,  a  do  Liceu  Coração  de  Jesus,  a  do 
dr.  Antônio  Augusto  Meneses  Drummond,  a  do  dr. 
Erancisco  de  Assis  Carvalho  Franco,  a  da  Escola 
Politécnica,  a  da  Faculdade  de  Direito,  a  da  Fórça 
Pública,  a  do  Instituto  Histórico  e  Geográfico,  a  do 
Instituto  de  Estudos  Genealógicos,  a  da  Loja  Amizade, 
a  do  Museu  Paulista,  a  do  L°  Batalhão,  a  do  IP  Ba- 
talhão e  a  mais  importante  de  tôdas,  a  Biblioteca 


^'^  São  Paulo  dc  0>itciii,  de  Hoje  e  de  Anianliã,  cit.  n.°  5, 
pág.  24. 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã,  cit.  n.°  23, 

pág.  21. 


(Foto  Avelino  Ginjo). 


mSTC-RIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃi)    PAlt,.;.  1375 

Pública  Alunicipal'''',  ([ue  incorporou  a  antis^a  IMblio- 
teca  do  Estado  e  recebeu  eni  doação  a  T-rasiliana 
do  historiador  Ian  de  Almeida  Prado.  A  biblioteca 
do  Museu  Paulista  conta  com  cerca  de  trinta  mil  vo- 
ii.me,  mapoteca,  coleção  de  numismática  e  arquivo 
etnográfico^^.  A  da  Faculdade  de  Direito,  coleção 
excepcional  de  obras  jurídicas  e  leis  sul-americanas  e 
especialmente  do  Brasil,  elevando-se  o  seu  acervo  a 
mais  de  cinquenta  mil  vokin.ies^".  A  da  Faculdade  de 
Medicina,  de  cêrca  de  dez  nu'l  revistas  encadernadas 
e  outros  tantos  livros'-''. 

A  Pibliotcca  Municipal,  fundada  em  1925  e  inau- 
gurada no  ano  seguinte,  funcionou  durante  quinze 
anos  em  edifício  acanhado  da  rua  Sete  de  Abril. 
Em  1936  cogitou-se  da  construção  de  um  edifício  es- 
pecialmente destinado  para  ela,  escolhendo-se  para  local 
uma  grande  área  situada  na  rua  da  Consolação,  em 
quarteirão  compreendido  entre  as  ruas  Sãr  Luís  e 
Bráulio  Gomes.  Os  planos  e  a  execução  da  obra 
obedeceram  aos  princípios  da  arquitetura  funcional. 
O  silêncio  do  local  foi  assegurado  com  a  construção 
distando  dez  a  vinte  metros  do  alinhamento  das  ruas, 
e  circundada  de  jardins.  Contava  já  em  1938  a 
Biblioteca  ?\íunicipal  com  67.277  volumes,  e  mais  uma 
coleção  de  quarenta  mil  volumes  pertencentes  à  anti- 
ga Biblioteca  do  Estado^  fundida  com  a  primeira  em 


Salvador   Moya,    "Bibliotecas   Latinas",   Revista  do 
Arquivo  Municipal,  XXXVI,  pág.  104. 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Amanhã,  cit.  n.°  20, 

pág.  33. 

5"    Dorothy  M.  Gropp,  "Bibliotecas  do  Rio  de  Janeiro  e 
de  São  Paulo  e  o  Movimento  Bibliotecário  da  Capital  Paulista", 
Revista  do  Arquivo  Municipal,  LXVIII,  pág.  214. 
Dorothy  M.  Gropp.  op.  cit.,  pág.  214. 


1376 


E  R  X  A  X  I      S  I  L  V  A     B  R  U  N  C 


1937.  Tôcla  a  tórre  do  atnal  edifício,  com  er.cliisão 
dos  dois  últimos  andares,  é  ocupada  para  depósito  de 
li\'ros.  re\  istas  e  jornais  —  com  capacidade  para  qua- 
trocentos mil  \-olumes"".  Além  das  salas  de  leitura 
comuns  e  das  cabines  para  estudo,  dispõe  a  Biblioteca 
Municipal  de  uma  Secção  de  Manuscritos,  de  uma 
Secção  de  Livros  Raros,  de  uma  Secção  de 
Mapas  c  dc  uma  Secção  de  Arte.  Nesta  últi- 
ma fig-uram  obras  sobre  música,  pintura,  escul- 
tura, fotografia,  cinema,  teatro  e  dança.  Da 
Secção  de  Mapas  destaca-se  a  coleção  de  cartas  do 
Brasil  no  temi)o  das  capitanias,  mapas  do  Brasil  antigo 
de  Pierre  Yan  der  AA,  Seutterum,  e  outros,  além 
d'"  coleção  de  mai)as  do  Brasil  do  século  dezoito  adqui- 
rida juntamente  com  a  biblioteca  de  Felix  Pacheco. 
Na  .Secção  de  Manuscritos,  peças  de  Pedro  Segundo, 
Feijó,  Rui  Barbosa,  Machado  de  Assis.  Entre  as 
obras  manuscritas,  o  Vocabulário  da  Língua  Brasílica, 
de  Pero  de  Castilho,  escrito  em  1621,  e  a  Coleção  dc 
A'ofíc{as  dos  Primeiros  Descobrimentos  das  Minas,  de 
Caetano  da  Costa  Matoso,  de  1749.  A  Secção  de 
Livros  Raros  compreende  cerca  de  três  mil  volumes 
constituídos  na  maioria  de  raridades  bibliográficas 
que  pertenceram  à  Coleção  Felix  Pacheco,  inclusive 
dois  incunábulos :  uma  Bíblia  impressa  em  1492  e  a 
Suma  Teológica  de  Antoninus,  de  1477^". 

Conta  tanibcm  a  cidade  com  uma  grande  biblio- 
teca destinada  à  infância  e  à  juventude:  a  Biblioteca 
Infantil  da  \'ila  Buarque. 

São  Paulo  dc  Oiifeiii,  dc  Hoje  e  dc  Amanhã,  cit.  n.°  18, 
págs.  33  e  seguintes. 

São  Paulo  dc  Outciii,  de  Hoje  e  de  Amanhã,  cit.  n.°  18. 
págs.  33  e  seguintes,  e  19,  págs.  31  e  seguintes. 


HISTÓRIA         TKADI(,;ui-.S    OA    CIDADE    IHÍ    SÃi  i    :        i.i    ]  I 

Deve-se  assinalar  por  outro  lado  a  importância  da 
cidade  de  São  Paulo  —  através  de  escritores  comn 
Mário  de  Andrade,  Oswald  de  Andrade.  Cassiano  Ri- 
cardo, Plínio  Salgado,  Alenotti  dei  Picchia.  Guilherme 
de  Almeida,  Cândido  Mota  Filho,  Sérgio  Buarque  de 
Holanda,  Sérgio  Milliet,  Rul)ens  Borba  de  Morais  e 
Antônio  de  Alcantara  A.íachado  na  realização  do 
chamado  movimento  modernista  e  nas  atividades  inte- 
lectuais ciue  se  seguiram,  e  que  teriam  enorme  re- 
percussão no  desen\-ohimento  posterior  da  literatura 
de  São  Paulo  e  de  todo  o  Brasil  até  aos  dias  de  hoie. 

São  Paulo  se  constituiu  em  um  dos  mais  imiior- 
lantes  centros  artísticos  do  país,  e  essa  qualidade  se 
exprime  bem  nos  fatores  de  estínuilo  (|ue  se  estabe- 
leceram na  cidade  sobretudo  em  relação  aos  artistas 
plásticos.  A  Pinacoteca  do  Estado,  instalada  em  1911 
no  Liceu  de  Artes  e  Ofícios  e  transferida  em  1931 
para  outro  local  —  um  prédio  demolido  há  alguns 
anos.  na  rua  Onze  de  Agosto  —  dispõe  de  trabalhos 
de  artistas  que  se  filiam  a  quase  tôdas  as  escolas  de 
arte  antigas  e  modernas,  desde  o  neo-clássico  até  o 
abstracionismo,  desde  o  cubismo  até  o  surrealismo, 
havendo  ainda  cópias,  cuidadosamente  decalcadas  em 
originais,  dos  mais  famosos  museus  franceses  e  ita- 
lianos, feitas  por  artistas  nacionais  e  estrangeiros  de 
projeção.  Ali  se  encontram  ainda  as  melhores  telas 
de  Alir.eida  Júnior^\  Os  artistas  plásticos  de  São 
Paulo  passaram  a  contar,  a  partir  de  1940,  com  a  ga- 
leria para  exposições  denominada  ''Almeida  Júnior", 
localizada  sob  o  novo  viaduto  do  Chá,  na  passagem 
subterrânea  que  comunica  a  praça  do  Patriarca  com 


São  Paulo  dc  Ontem,  dc  Hoje  e  dc  Amanhã,  cií.  n.°  7 

pág.  44. 


1380 


ER  NA  XI     SILVA  BRUNO 


O  Vale  do  Anhangabaú.  Além  dessa,  várias  galerias 
se  instalaram  recentemente  nas  imediações  da  rua  Ba- 
rão de  Itapetininga  e  praça  da  República,  apresentando 
mostras  ou  exposições  permanentes  de  telas.  A  re- 
novação das  artes  plásticas  no  país  —  paralelamente 
à  verificada  nas  letras,  com  a  Semana  de  Arte  Mo- 
derna —  coube  papel  de  muito  destaque  à  cidade  de 
São  Paulo,  através  das  experiências  e  realizações  de 
artistas  como  Anita  Malfatti,  Tnrsila  do  Amaral,  Di 
Cavalcante  e  Cândido  Portinari.  Mesmo  em  uma 
igreja  jiaulistana  —  a  moderna  igreja  de  Nossa  Se- 
nhora da  Paz  —  as  pinturas  que  ornam  a  sua  capela- 
mor,  a  sua  capela  do  Santissimo  e  o  colossal  afresco 
do  Juizo  Universal,  na  parede  superior  à  porta  de 
entrada,  estiveram  a  cargo  do  pintor  moderno  Fúlvio 
Penacchi^'''.  Também  obedecem  a  estilos  modernos  de 
arte  as  imagens,  de  mármore  de  Carrara,  de  autoria 
do  escultor  Galileu  Emendabile^".  Conta  além  disso 
a  cidade,  entre  as  suas  entidades  de  caráter  cultural 
e  artístico  mais  recentes,  o  ]\Iuseu  de  Arte  de  São 
Paulo  —  com  trabalhos  de  A^elasquez,  Goya,  Botti- 
celli,  Tintorctto,  El  Greco,  Picasso,  Cezanne,  Renoir, 
Rembrandt,  Perugino,  Magnasco,  Portinari,  Van  Gogh 
—  e  o  Museu  de  Arte  Moderna. 

Entre  os  monumentos  erguidos  em  vários  pontos 
da  cidade  —  alguns  revelando  gòsto  artístico  bastante 
duvidoso  —  destacam-se  o  da  Independência,  no  Ipi- 
ranga,  o  de  Ramos  de  Azevedo,  no  comêço  da  Avenida 
Tiradentes,  o  da  fundação  de  São  Paulo,  no  pátio 
do  Colégio,  além  de  estátuas  ou  bustos  de  Alfredo 


São  Paulo  dc  Ontem,  dc  Hoje  c  de  Amanhã,  cit.,  nP 
17,  pág.  16. 

São  Paulo  dc  Ontem,  de  Hoic  e  de  Amanhã,  cit.  n."  17, 

pág.  16. 


HISTÓRIA    E    TKADirÕKS    DA    CIDADE    DIC    SÃO    I\\ri.'  )    Lv<  l 


Maia,  de  Garibaldi,  dv  Feijó,  dc  Luís  Pereira  15ar-- 
rcto,  de  Dom  José  de  Barros,  de  A^crdi,  de  João 
Mendes,  de  Carlos  Gomes,  de  Rui  Jíarbosa.  de  Caetano 
de  Campos,  de  Cesário  Mota,  de  Alvares  de  Aze\-edo  e 
outros.  Monumento  de  grandes'  pro])orções,  na  en- 
tiada  do  Par(|ue  Ibirapuera,  é  o  das  Bandeiras,  cuja 
execução  foi  confiada  ao  escultor  A'itor  Brechcret. 
Tem  cinquenta  metros  de  comprimento,  r^uinze  de  lar- 
gura e  nove  de  altura,  em  ranrjia,  sendo  dc  cinco 
metros  o  tamanho  médio  das  figuras:  bandeirantes 
e  chefes  índios'^''. 

No  setor  musical  algumas  entidades  continuaram 
realizando  saraus  artísticos  com  a  colaboração  de  ar- 
tistas nacionais  ou  estrangeiros  de  relevo.  O  caso 
da  Sociedade  de  Cultura  Artística,  fundada  em  1912 
e  que  tem  um  limite  máximo  de  seissentos  e  cinquen- 
ta sócios^^.  O  caso  também  da  Sociedade  Filarmónica 
de  São  Paulo,  essa  fundada  em  1938  por  um  grupo 
de  entusiastas  da  nnisica  sinfónica  e  que  ])roporciona 
aos  seus  associados  concertos  sinfónicos  e  corais®^. 
Por  outro  lado  a  criação  da  Discoteca  Pública  Muni- 
cipal, em  1935,  subordinada  ao  Departamento  de  Cul- 
tura, veio  representar  medida  de  largo  alcance  em 
re'ação  à  cultura  musical  e  à  pesquisa  da  música 
popular.  Entre  as  suas  atividades  deve-se  salientar 
a  de  registros  sonoros  de  folclore  musical  brasileiro 
e  de  música  erudita  da  chamada  Eseola  de  São  Paulo; 
o  museu  etnográfico-folclórico  de  instrumentos  mu- 


São  Paulo  dc  Ontem,  dc  Hoje  c  dc  Ainanliã,  cit.,  n.°  6, 

pág.  30. 

São  Paulo  dc  Onicui,  dc  Hoje  c  de  Amanhã,  cit.  n.°  9, 

pág.  48. 

59  São  Paulo  dc  Ontem,  de  Hoje  c  de  Amanhã,  cit.  n.o  10. 
pág.  53. 


1382 


E  R  X  A  X  I      SILVA  BRUNO 


sicais  brasileiros,  e  o  arquivo  de  documentos  musicais 
folclóricos  grafados  a  mão;  as  coleções  de  discos  para 
consultas  públicas;  e  a  biblioteca  musical  pública,  de 
partituras  e  livros  técnicos.  A  documentação  folcló- 
rica quQ  a  Discoteca  está  acumulando  servirá  para 
melhor  conhecimento  das  manifestações  populares, 
fornecendo  aos  compositores  uma  fonte  que  lhes  per- 
mitirá, pelo  estudo  de  nossa  música  po]mlar,  orientar 
e  fixar  a  sua  arte  dentro  da  tradição  e  do  tempera- 
mento nacional^'-'^. 

De  outra  parte,  embora  nenhuma  casa  de  espe- 
láculos  notável  tivesse  sido  edificada  depois  do  Mu- 
nicipal —  a  não  ser  recentemente  teatros  como  o  de 
Cultura  Artística,  o  Brasileiro  de  Comédia  e  o  Leopol- 
do Fróis  —  as  atividades  teatrais  acusaram  desenvolvi- 
mento considerável  e  sobretudo  acentuado  espírito  de 
renovação,  nos  anos  mais  recentes,  através  de  iniciati- 
vas como  a  fundação  do  Grupo  de  Teatro  Experimental 
(iniciado  em  1936  e  organizado  definitivamente  em 
1942) a  do  Grupo  Universitário  de  Teatro,  ligado 
à  Faculdade  de  Filosofia  de  São  Paulo,  em  1944^'-''. 
a  do  Teatro  Brasileiro  de  Comédia  e  a  da  Escola  de 
Arte  Dramática-^"'. 


^'^^  São  Paulo  dc  Ontciu.  dc  Hoje  c  dc  Amanhã,  cil..  n.° 
4,  pág.  18. 

São  Paulo  dc  Ontem,  dc  Hoje  c  dc  Amanhã,  cit.  n." 
22,  pág.  16. 

Ah'redo  Mesquita,  Notas  paia  a  História  do  Teatro 
em  São  Paulo,  pág.  12. 

IO-'    Alfredo  Mesquita,  op.  cit.,  pág.  11. 


200  —  O  li:a:ão  da  ciiiade  de  Sã'. 
Paulo,  de  iniciat.va  de  Washington 
Luís  e  autoria  de  Guilherme  dc 
Almeida  e  José  Wasth  Rodrigues :  o 
braço  de  prata  enfeixa  na  mão  uma 
bandeira,  uma  alabarda  em  campo  ver- 
melho e  o  listão  com  a  divi-^a:  "  Non 
Ducor  Duco". 


A 


Al.reu,  J.  Capistrano  de  —  Caiiiiiihas  .lutujos  c  Povoanicuto 

ao  JJiasil  —  Liviaria  Briguict,  Rio,  ly30. 
Abreu,  J.  Capistrano  de  —  Ca/^ltiilos  dc  Hisiória  Culonlal  — 

Livraria  Briguiet,  Rio,  1934. 
Abreu,    Manrel   Cardoso   de  —  "Divertimento  Admirável". 

Revista  do  Instituto  Histórico  e  Geográfico  de  São  1'anlo, 

vcl.  VI,  pág-.  253. 
Adam,  Paul  —  Lcs  Visacfcs  dii  Brcsil  —  Pierre  Lafitte  &  Ci^., 

Paris,  1914. 

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Nacional,  São  Paulo,  1938. 

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Tipografia  Editora  O  Pensamento,  São  Paulo,  1912. 

Alencar,  José  de  —  Sonhos  d'Quro  {Romance  Brasileiro)  — 
Livraria  Garnier,  Rio,  s/d. 

Alencar,  José  de  —  Til  {Romance  Brasileiro)  —  Livraria 
Garnier,  Rio,  s/d. 

Alincourt,  Luís  d'  —  Memória  sobre  a  Viagem  do  Porto  de 
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32 


1388 


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Southey,  Robert  —  História  do  Brasil  — •  Tradução  de  Luís 

Joaquim  de  Oliveira  e  Castro,  Garnier,  Rio,  1862. 
Spix,  João  Batista  von  e  Martins,  Carlos  Frederico  Philippe 

von  —  Através  da  Bahia   (Excertos  da  obra  Reise  in 

Brasilien)  —  Tradução  de  Pirajá  da  Silva  e  Paulo  Wolf. 

Editora  Nacional,  São  Paulo,  1938. 
Spix,  João  Batista  von  e  Martins,  Carlos  Frederico  Philippe 

von  —  Viagem  pelo  Brasil  —  Tradução  de  Lúcia  Furquim 

Lahmeyer,  Imprensa  Nacional,  Rio,  1938. 


T 

Taunay,  Afonso  de  E.  —  Amador  Bueno  c  Outros  Ensaios  — 

Imprensa  Oficial,  São  Paulo,  1943. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  "A  Miragem  do  Chá"  —  Mensário 

do  Jornal  do  Comércio,  Rio,  tomo  VI,  vol.  III,  junho  de 

1939,  pág.  789. 


HISTÓRIA    E    TkAinÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    Vai  TO  1413 


Taunay,  Afonso  de  E.  —  Aiitií/os  .Ispccios  Faulisfas       \  ■ 

Oficial,  São  Paulo.  1927.  ' 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  Assuntos  dc  Trcs  Séculos  Coloniais 

—  Imprensa.  Oficial,  São  Paulo,  1944. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  Ensaios  dc  História  Paulistana  — 

Imprensa  Oficial,  São  Paulo,  1941. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  Escritores  Coloniais      Diário  Oficial 

São  Paulo,  1925. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  Estudos  dc  História  Paulista  —  Diá- 
rio Oficial,  São  Paulo,  1927. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  História  Aiifiya  da  Abadia  dc  São 

Paulo  —  Tipografia  Ideal,  São  Paulo,  1927. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  História  da  Cidade  de  São  Paulo 

{1711-1720)  —  Impren.sa  Oficial,  São  Paulo,  1931. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  História  da  Cidade  de  São  Paulo  no 

século  XJ'in  —  Imprensa  Oficial,  São  Paulo,  P)34  c 

1935. 

Taunay,  Afonso  de  E.  —  História  da  Vila  dc  São  Paulo 
no  século  XJAH  (1701-1711)  —  Imprensa  Oficial,  São 
Paulo.  1931. 

Taunay,  Afonso  de  E.  —  História  Seiscentista  da  Vila  de  São 
Paulo  —  Ouatro  tomos  —  Tipoq-rafia  Ideal.  São  Paulo, 
1926  a  1929. 

Taunay,  Afonso  de  E.  —  Non  Ducor,  Duco  {Noticias  de  São 

Paulo.  1565-1820)  —  Tipografia  Ideal,  São  Paulo,  1924. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  Pedro  Toques  c  Seu  Tempo  — 

Diário  Oficial,  São  Paulo,  1923. 
Taunav,  Afonso  de  E.  —  Piratininqa  —  Tipografia  Ideal, 

São  Paulo,  1923. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  Rio  de  Janeiro  dc  Antanlw  (Impres- 
sões de  viajantes  estrangeiros)  —  Cia.  Editora  Nacional, 

São  Paulo,  1942. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  São  Paulo  no  século  Xl^I  (História 

da  vila  piratiningana)  —  E.  Arrault  &  Cie.,  Tours,  1921. 
Taunav,  x-\fonso  de  E.  —  São  Paulo  nos  Primeiros  Anos 

{1554-1601)  —  E.  Arrault  &  Cie.  Tours,  1920. 
Taunav.  Afonso  de  E.  —  Sob  El  Rev  Acosso  Scnlior  —  Diário 

Oficial,  São  Paulo,  1923. 
Taunay,  Afonso  dé  E.  —  "Um  Patriarca  da  Estatística  no 

Brasil",  Boletim  do  Ministério  do  Trabalho,  Indústria  e 

Comércio,  Rio,  1936,  vol.  21,  pág.  354. 


1414 


ERNÂNI      SILVA  BRUNC 


Taunay,  Afonso  de  E.  —  "Urbanização  Setecentista",  Folha 

da  Manhã.  São  Paulo. 
Taunay,  Afonso  de  E.  —  Fclho  São  Paulo.  I  vol..  Edições 

Melhoranientd''.  São  Paulo,  s/d. 
Taunav.  Visconde  de  —  Memórias  —  Editora  Ipê,  São  Paulo, 

1948. 

Taunay,  Visconde  de  —  Jlagcns  de  Outrora  —  2.^  edição, 
Editora  Melhoramentos,  São  Paulo,  1921. 

Teles,  Augusto  C.  da  Silva  —  Melhoramentos  de  São  Paulo  — 
Escolas  Profissionais  Salesianas,  São  Paulo,  1907. 

Toledo,  Vicente  Xavier  de  (Ulrico  Zwingli)  —  Crónica  Lite- 
rária de  São  Paulo  —  Tip.  Económica,  Rio,  1866  e  Tip. 
Americana,  São  Paulo,  1868. 

Turot,  Henri  —  En  Amerique  Latine  —  Vuibert  et  Nony, 
Paris,  1908. 

U 

Usteri,  A.  —  Guia  Botânico  da  Praça  da   República  e  do 
Jardim  da  Luz  — •  São  Paulo,  1919. 

V 

Vale,  Paulo  Antônio  do  —  Caetaninho  ou  O  Tempo  Colonial 
(Drania  histórico  brasileiro  em  três  atos)  —  Tipografia  do 
Go^•êrno,  Sío  IVaulo,  1849. 

Vale,  Paulo  António  do  —  Parnaso  Académico  Paulistano  ■ — 
Tipografia  do  Correio  Paulistano,  São  Paulo,  1881. 

Vampré,  João  —  "A  Procissão  de  Corpus  Christi  em  São 
Paulo",  Revista  do  Instituto  Histórico  e  Geográfico  de 
São  Paulo,  vol.  XIII,  pág.  297. 

Vampré,  João  ■ —  "Fatos  e  Festas  na  Tradição  (A  Noite  de 
São  João  em  São  Paulo)",  Revista  do  Instituto  Histórico 
e  Geográfico  de  São  Paulo,  vol.'  XIII,  pág.  285. 

Vampré,  Spencer  • — •  "A  Academia  de  São  Paulo  na  História 
Intelectual  do  Brasil",  Revista  de  Crítica  Judiciária,  Ri  , 
vol.  VI,  n.o  1,  julho  de  1927. 

Vampré,  Spencer  —  "A  Demolição  do  Antigo  Prédio  da  Fa- 
culdade de  Direito  e  as  Reminiscências  c|ue  Desperta", 


HISTÓRIA    K    TkADlÇÒES    L'A    CIDADK    DF.    SÃO    rA.i.O  1415 

Revista  da  facuUíadc  dc  Direito  de  São  Paulo.  setenii)ro- 

dezembro  de  l'Vi7,  v..l.  XXXlIi.  lasciculo  111.  pá-.  43'». 
Vanipré,  Spencer  -  Meiuórir.s  para  a  História  da  .  leadeinia 

de  São  Paulo  —   Livraria  .\cadcniica.  São  Pauln,  1024. 
^'are]a.   Luis   Xieolau   l-a-undes  -  -  Cautos  e   Paiitasias  — 

Garraux,  de  Lailhacar  X:   Cia,.   .Sfio  l^anln.  1N65. 
yasconcelos.  .Simão  ác        Crónica  da  Conipanliia  de  Jesii  do 

Estado   do    Brasil     ~  2.''   edi(:ão.    L   lu-rnaiules  Lopes, 

Lisboa,  1865. 

Vilhena,  Luis  dos  Santos  ^  Recopilao^o  de  Xotícias  da  Capi- 
tania de  São  Paulo  (  Lisboa,  1802  i  --  -  Imprensa  Oficial 
do  Estado,  Bahia,  19o5. 

\'incent.  Frank  —  Arouud  and  about  South  .liueriea  —  T). 
Appleton  &  Co.,  Nova  ^'ork,  1890. 

\V 

Waddell,  W.  A.  —  j\Iaeken:;ic  Collegc  (Notas  sólire  a  sua 
história  e  organização)  —  Tipografia  Siqueira.  São  Paulo, 
1932. 

Wallace,  Alfred  Russel  —  J  'ia(]cns  pelo  Anm::oims  c  Rio  Negro 

— ■  Tradução  de  Orlando  Torres,  Cia.  Editora  Nacional, 

São  Paulo.  1939. 
A\  alie,  Paul  —  Au  Pays  de  VOr  Rour/e  (L'Etat  de  São  Paulo) 

—  Augustin  Challamel,  Paris,  1921. 
\\  ifuer.  Charles  —  333  Jours  au  Brésil  —  Librairie  Ch.  Dela- 

grave.  Paris,  s/d. 

Z 

.  Zaluar,  A.  Emilio  —  Peregrinação  pela  Província  de  São  Paulo 
'     {1S60-1861)  —  Edições  Cultura,  São  Paulo,  1943. 
Zenha,  Edmundo  —  O  Município  no  Brasil  (1532-1700)  — 
Editora  Ipê,  São  Paulo,  194S. 


DOCUMENTOS  E  OUTRAS  PUBLICAÇÕES 


A 

A  Cíipifal  Paulista  —  Álbum  Comemorativo  do  Centenário  aa 

Independência   do   Brasil,   edi(;ão   da   Sociedade  Editora 

Independência,  São  Paulo,  1920. 
Abnaiiacco  delia  Tribuna  Italiana  —  São  Paulo,  1905. 
Almanach  Administrativo  Comercial  e  Industrial  da  Província 

de  São  Paulo  para  1884  —  Organizado  por  F.  I.  X.  de 

Assis  Moura,  Ed.  Jorge  Seckler,  São  Paulo,  1883. 
Abnanach  da  Província  de  São  Paulo  —  Editado  por  Jorge 

Seckler,  São  Paulo,  1885,  1886,  1888. 
Almanacli  do  Estado  de  São  Paulo  para  1890  —  Jorge  Seckler 

&  Cia.,  São  Paulo,  1890. 
Ahnanach  do  Estado  de  São  Paulo  para  1891  — ■  Editora  Cia. 

Industrial  de  São  Paulo,  1891. 
Almanach  para  1896  (De  "O  Estado  de  São  Paulo")  —  T. 

Filinto  &  Cia.,  São  Paulo,  1896. 
Almanach  Paulista  Ilustrado  para  1896  —  Editado  por  J.  G. 

d'Arruda  Leite,  São  Paulo,  1896. 
Almmiak  Administrativo,  Mercantil  e  Industrial  da  Província 

de  São  Paulo  para  o  avo  de  1857  —  Marques  &  Irmão, 

Tipografia  Imparcial,  São  Paulo,  1856. 
Almanak  Literário  de  São  Paulo  para  1877  —  Publicado  por 

José  Maria  Lisboa,  Tip.  da  Província  de  São  Paulo,  1877. 
Almanaque  de  "O  Estado  de  São  Paulo"  —  São  Paulo,  1940. 
Anais  da  Assemhléia  Legislativa  Provincial  de  São  Paulo  — 

Reconstituição  desde  1836  até  1861  —  Publicação  oficial 

organizada  por  Eugênio  Egas  e  Oscar  Mota  Melo  — 

Secção  de  Obras  de  "O  Estado  de  São  Paulo",  1923-1930. 
Anexos  ao  Ahnanacli  da  Província  de  São  Paulo  para  1873 

—  São  Paulo,  1873. 
A  Noite  —  (Jornal)  —  São  Paulo. 
A  Província  de  São  Paulo  —  (Jornal)  —  Desde  1875. 


HISTÓRU    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    I'Ar,...  1417 


"As  Feiras-Livres  na  Cidade  de  São  Paulo"  —  Iluslraçno 
Brasileira,  1929. 

Atas  da  Câmara  da  Vila  dc  São  Paulo  e  Atas  da  Câmara 
Municipal  de  São  Paulo  —  Publicações  oficiais  do  Arquivo 
Municipal  e  do  Dejiartamento  de  Cultura,  São  l'aulo. 

r 

Cabrião  —  (Jornal)  —  São  Paulo,  1866-1867. 

Carta  —  Do  Sr.  Agenor  Guerra  Correia  ao  autor. 

Carta  —  Do  Sr.  Alexandre  Haas  ao  autor. 

Completo  .  llnumak  Aduímistrativo,  Comercial  c  Profissional  do 
Estado  dc  São  Paulo  para  1S95  c  1896  —  Organizados 
por  Canuto  Thorman,  Editora  Cia.  Industrial  de  São 
Paulo,  1895  e  1896. 

Correio  Paulistaiw  —  (Jornal)  —  São  Pauto,  1832. 

Correio  Paulistano  —  (jornal)  —  Desde  1854.    São  Paulo. 

D 

Diabo  Coxo  —  (Jornal)  —  São  Paulo,  1864. 

"Documentos  do  Arquivo  do  Mosteiro  de  São  Bento  em  São 

Paulo".  Reznsta  do  Instituto  Histórico  e  Geográfico  de  São 

Paulo,  vol.  XVI,  pág.  243. 
Documentos  Interessantes  para  a  História  e  Costumes  de  São 

Paulo  —  Publicações  do  Arquivo  do  Estado  de  São  Paulo. 

E 

Ensaios  Literários  —  (Revista  académica)  ■ —  São  Paulo, 
1847-1850. 

Ensaios  Literários  do  Ateneu  Paulistano  —  (Revista  acadé- 
mica) —  São  Paulo,  1853-1859. 


Ilustração  Brasileira  —  (Revista)  —  Rio,  1929. 

J 

Jornal  de  São  Paulo  —  (Jornal)  —  São  Paulo,  1950. 


1418 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO' 


L 

L'Ef(it  dc  São  Paulo  (Guides  de  TEtoile  du  Suá)  —  2.^  edição. 
Rio.  1906. 

M 

Melhoramentos  do  Centro  da  Cidade  de  São  Paulo  (Projeto 
apresentado  pela  Prefeitura  Alunicipal)  — •  Tipografia 
Brasil,  .São  Paulo,  1911. 

Memórias  da  Associação  Culto  à  Ciência  —  (Revista  acadé- 
mica) —  Síio  Paulo;  1859-1863. 

O 

O  Estado  de  São  Paulo  ■ —  (Jornal)  —  São  Paulo. 

O  Farol  Paulistano  —  (Jornal)  —  São  Paulo,  1830. 

"O  Fisco  Federal  em  São  Paulo"  —  O  Estado  de  São  Paulo 

de  \P  de  janeiro  de  1947. 
O  Industrial  Paulistano  —  (Jornal)  —  São  Paulo,  1856. 
O  Kalcidoscópio  —  (  Revista  académica)  —  São  Paulo,  1860. 
O  Novo  Farol  Paulistano  —  (Jornal)  —  São  Paulo.  1831- 

1832. 

O  Pensador  —  (Jornal)  —  São  Paulo,  1839. 
"Ordens  Régias"  —  Revista  do  Arquivo  Municipal,  vários 
números. 

"Os  Mercados  de  São  Paulo"  —  Ilustração  Brasileira  de  12 
de  Outubro  de  1922. 

P 

"Papeis  Avulsos"  —  Revista  dn  Arquivo  Municipal,  vários 
números. 

Poliantcia  —  Álbum  Comemorativo  do  1.°  Oúinquagenário  da 
Fundação  do  Seminário  Eposcipal  de  São  Paulo  (1856- 
1906)  —  São  Paulo,  1906. 

Poliantcia  Comemorativa  do  1°  Centenário  do  Ensino  Anormal 
em  São  Paulo  —  São  Paulo,  1946. 

Prospecto  da  Companhia  Carris  de  Ferro  —  São  Paulo,  1883. 

R 

"Recenseamentos  de  Ordenanças  da  Cidade  de  São  Paulo  e 
seu  Município  (1768)"  —  Revista  do  Instituto  Histórico 
e  Geográfico  de  São  Paulo,  vol.  XXXIV,  pág.  435. 


HISTÓRIA    E    TRADIÇÕES    DA    CIDADE    DE    SÃO    PAfLO  1419 


Registro  Geral  da  Câmara  da  Cidade  de  São  Paulo  —  PuuH- 
cacão  do  Departamento  de  Cultura,  São  Paulo. 

Regulamento  para  Construções  Particulares  —  Projcto  apre- 
sentado pelo  Instituto  de  Engenharia  à  Câmara  Municipal 
de  São  Paulo,  1918. 

Relatório  da  Diretoria  da  Companhia  Carris  de  Perro  de  São 
Paulo  —  Tipografia  de  Jorge  Seckler,  São  Paulo.  1889. 

Relatório  da  Repartição  de  Policia  da  Província  de  São  Paulo 

—  Tipografia  Americana,  São  Paulo,  1872. 

Relatório  do  Presidente  da  Província  Antônio  Cândido  da 
Rocha  —  Tipografia  Americana,  São  Paulo,  1870. 

Relatório  do  Presidente  da  Província  Francisco  Inácio  Mar- 
condes Homem  de  Melo  — ■  Tipografia  Imparcial,  São 
Paulo,  1864. 

Relatório  do  Presidente  da  Província  Francisco  Xavier  Pinto 

Lima  —  Tipografia  Americana,  São  Paulo,  1872. 
Relatório  do  Presidente  da  Província  João  Crispiniano  Soares 

—  Tipografia  Imparcial,  São  Paulo,  1865. 

Relatório  do  Presidente  da  Província  João  da  Silva  Carrão 

—  Tipografia  Imparcial,  São  Paulo,  1866. 

Relatório  do  Presidente  da  Província  João  Jacinto  de  Mendonça 

—  Tipografia  Imparcial,  São  Paulo,  1862. 

Relatório  do  Presidente  da  Província  Joaquim  Floriano  de  To- 
ledo —  Tipografia  Imparcial,  São  Paulo,  1866. 
Relatório  do  Presidente  da  Província  José  Antônio  Saraiva  — 

—  Tipografia  Dois  de  Dezembro,  São  Paulo,  1855. 
Relatório  do  Presidente  da  Província  José  Fernandes  da  Costa 

Pereira  Júnior  —  Tipografia  Americana,  São  Paulo,  1872. 
Relatório  do  Presidente  da  Província  José  Joaquim  Fernandes 

Torres  ■ — ■  Tipografia  Dois  de  Dezembro,  São  Paulo,  1853. 
Relatório  do  Presidente  da  Província  José  Tomás  Nahuco  de 

Araújo  —  Tipografia  do  Governo,  São  Paulo,  1852. 
Relatório  do   Vice-Prcsidcntc  da  Província  Antônio  Roberto 

d'Almeida  — •  Tipografia  Dois  de  Dezembro,  São  Paulo, 

1856. 

Reiista  da  Associação  Clube  Académico  —  São  Paulo,  1863. 
Revista  da  Associação  Recreio  Instrutivo  —  São  Paulo,  1861- 
1862. 

Revista  da  Associação  Tributo  às  Letras  —  São  Paulo,  1863- 
1866. 

34 


1420 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Revista  da  Sociedade  Brasilia  —  São  Paulo,  1859. 
Revista  da  Sociedade  Filomática  —  São  Paulo,  1833. 
Revista  do  Ensaio  Literário  —  São  Paulo,  1871. 
Revista  do  Instituto  Científico  —  São  Paulo,  1862-1863. 
Revista  Dramática  —  São  Paulo,  1860. 
Revista  Guaianá  —  São  Paulo,  1856. 

Revista  Mensal  do  Ensaio  Filosófico  Paulistano  —  São  Paulo, 
1859. 

Revista  Paulistana  —  São  Paulo,  1857. 
Revista  Trabalhos  Literários  —  São  Paulo,  1860. 
"Ruas  e  Praças  de  São  Paulo"  —  Série  pulilicada  no  Correio 
Paulistano,  São  Paulo. 

S 

São  Paulo  Antigo  e  São  Paulo  Moderno  —  Álbum  organizado 
por  Jules  Martin,  Nereu  Rangel  Pestana  e  Henrique  Va- 
norden.  São  Paulo,  1905. 

São  Paulo  de  Ontem,  de  Hoje  e  de  Aiua>iltã  —  Boletim  do 
Departamento  Estadual  de  Imprensa  e  Propaganda,  depois 
Departamento  Estadual  de  Informações,  São  Paulo. 

U 

Um  Realizador  {Dr.  A.  P.  Gomes  Cardim)  —  Tipografia 
Cruzeiro,  São  Paulo.  1929. 


NOTAS 
SÔHRE  AS 
(iRA\'URAS 


Gravura  que  abre  o  capitulo  "  Cidadcs-Grandcs  do  Brasil"  —  Pag.  31 

Silhueta  das  cidadcs-grandes  branleiras  no  passado,  marcadas  por 
seus  telhados  característicos,  seus  soliradoos,  seus  edifícios  conventuais 
enormes  e  as  torres  coloniais  de  suas  igrejas. 

Gravura  fora  do  texto  —  Entre  págs.  40  e  41 

O  litoral  vicentino,  a  serra  de  Paranapiacaba  e  a  vila  de  S.ão 
Paulo  de  Piratininga  aparecem  nesse  mapa  do  atlas  dc  João  Teixeira 
Alhcmaz  (1631),  reproduzido  de  cópia  existente  na  Mapoteca  do  Ita- 
marati.  A  localização  do  povoado  piratiningano,  tendo-se  em  vista  as 
pésr  mas  condições  do  Caminho  do  Mar  ao  seiscentismo,  pode  dar  ideia 
do  isolamento  em  que  êle  viveu  no  período  colonial. 

Gravura  1  —  Pág.  53 

Cena  comum  em  todas  as  principais  cidades  brasileiras  até  meados 
do  século  passado :  escravos  negros,  com  potes  dc  barro,  em  tõrno  dos 
chafarizes.  As  fontes  da  Bahia,  dc  Rio  de  Janeiro,  de  Vila  Rica  so- 
bretudo, foram  dercritas  por  viajantes  numerosos.  Na  capital  dc  Minas 
Gerais,  segundo  um  desses  observadores,  "havia  uma  fonte  quase  cm 
cada  rua".  Os  chafarizes  eram  bem  construídos,  "embora  não  íôssem 
de  arquítetura  comparável  à  das  fontes  italianas". 

Gravura  2  —  Pág.  61 

Aspecto  bastante  característico  da  primeira  metade  do  oitocenfi.smo 
e  em  certos  casos  até  de  fins  do  mesmo  período  nos  principais  núcleos 
urbanos  do  país.  As  zonas  centrais  dessas  cidades  eram  ainda  a?  pre- 
feridas p?las  famílias  mais  abastadas  para  residência,  eni  gcrnl  cm 
sobrados  de  numerosas  janelas  e  longos  balcões.  Mesmo  no  Rio  <lc 
Janeiro  só  em  meados  do  século  começou  a  se  observar  a  tendC-ucia  <le 
muitas  dessas  famílias  residirem  em  bairros  ou  em  subúrbios. 

Gravura  que  abre  o  capítulo  "Arraia!  de  Serlanislas"  —  Pag.  71 

■  Desenho  simbolizando  a  fase  mais  remota  da  existência  da  povoação 
de  Piratininga:  sôbre  o  fundo  rcpr?sentado  pelas  silluieias  huir.ildcs  da 
ig"eja  e  das  casas  aparecem  as  figuras  básicas  da  vida  piratiningana 
ncs  tempos  coloniais:  o  indígena,  o  jesuíta  e  o  colonizador  branco,  que 
seria  sobretudo  o  desbravador  de  sertões. 

Gravura  3  —  Pág.  75 " 

A  povoação  de  São  Paulo  teve,  particularmente  em  seus  anos  pri- 
mitivos, um  colorido  fortemente  indígena,  caratei   que  em  seguida  se 


1424 


HRNANI     SILVA  BRUNO 


atenuou  em  vista  da  afluência  cada  vez  maior  de  povoadores  branco». 
Entretanto  os  índios  coitinuaram  sendo  elementos  constantes  da  existên- 
cia piratiningana  no  decorrer  dos  tempos  coloniais. 

Gravura  fora  do  texto  —  Entre  págs.  80  e  81 

O  grande  mural  de  Clóvis  Graciano  fixa  a  partida  de  uma  bandeira. 
Movem-se  as  figuras  —  sertanistas,  r-íligiosos,  escravos,  animais  —  tendo 
como  fundo  a  paisagem  (esquematizada)  da  região  de  São  Paulo,  em 
que  aparecem  o  Tietê  e  o  morro  do  Jaraguá. 

Gravura  4  —  Pág.  83 

São  Paulo  foi,  no  seiscentismo  e  no  setecentismo,  principalmente 
o  arraial  em  que  se  organizavam  as  bandeiras  que  devassaram  o  sertão 
brasileiro.  A  vila  chegou  a  se  despovoar  e  a  se  enfraquecer,  nos 
tempos  coloniais,  em  consequência  da  debandada  de  moradores  que  se 
enfiavam  pelo  mato  à  cata  de  índios  e  de  ouro. 

Gravura  5  —  Pág.  89 

"  Mulheres  rebuçadas  ,em  dois  còvados  de  baeta  preta,  assim  como 
se  cortavam  nas  lojas,  e  com  chapéus  desabados  na  cabeça"  andavam 
pelas  ruas  e  entravam  nas  igrejas,  segundo  uma  referência  do  capitão- 
general  Martim  Lopes  em  1775.  Mas  a  cidade  era  quase  um  deserto 
nessa  fase  de  decadência  em  que  se  tornou  falada  a  "  preguiça  paulista". 

Gravuras  que  abrcui  o  capítulo  "A  Rótula  sôhre  a  Taipa"  —  Pág.  99 

O  primeiro  desenho  reproduz  o  aspecto  tradicional  do  velho  mos- 
teiro e  da  antiga  igreja  dos  Beneditinos,  edificados  em  1598-1600,  e 
que  passaram  por  várias  refo-mas  em  1650  e  mais  tarde  ro  período 
compreendido  entr°  os  anos  de  1733  e  1743,  ró  então  se  completando 
a  construção  da  torre  do  templo.  Foi  no  convento  beneditino  que  se 
refugiou  em  1641  Amador  Bueno  da  Ribeira  ao  ser  aclamado  Rei  de 
São  Paulo.  O  segundo  desenho  mostra  uma  rótula  "à  maneira  mou- 
risca", f:eqiiente  nas  portas  e  janelas,  e  que  representou  solução  cons- 
tante nas  edificações  antigas  de  São  Paulo,  No  comêço  do  século 
pasfado  ainda  o  viajante  Saint-Hilaire,  falando  das  casas  térreas  pau- 
listanas, observou  que  el?.s  se  fechavam  com  rótulas  "  formadas  de  tra- 
vessas de  madeira  cruzadas  obliquamente". 

Gravura  6  —  Pág.  101 

O  padre  José  de  Anchieta  nasceu  na  ilha  de  Tenerife  (Canárias) 
em  1533.  Estudou,  em  Coimbra,  Língua  Latina,  Belas  Letras  e  Filosofia 
e  aos  dezessete  anos  ingressou  na  Companhia  de  Jesus,  partindo  em 
1553  para  o  Brasil.  Foi  um  dos  fundadores  da  vila  de  São  Paulo  e 
-uma  das  maiores  figuras  da  Catequese,  ensinando  curumins,  estudando 
a  "língua  da  terra",  compondo  hinos  e  autos  para  conversão  dos  sel- 
vagens. Segundo  Simão  de  Vasconcelos,  "  era  de  estatura  medíocre, 
d'minuto  de  carnes,  côr  trigueira,  olhos  em  pa-te  azulados,  testa  larga, 
nariz  comprido,  barba  rara.  mas  no  semblante  inteiro  alegre  e  amável." 
Morreu  na  aldeia  de  Reritiba  (Espírito  Santo)  em  1597. 


HISTÓRIA   E   TRAi)I(^UES   DA   CIDADE   DE  sAo   PAUÍ.O  1425 


Grmnira  7  —  Pág.  107. 

Quadro  de  Wasth  Rodrisues  (Museu  Paulista)  feito  por  incumbên- 
cia do  historiador  Afonso  <\<:  E.  Taunay  e  baseado  em  uma  planta 
rudimentar  da  região  de  São  Paulo  traçada  em  1628  por  D.  Luís  dc 
Céspedes  Xeria.  O  cronista  Belmonte  pôs  em  dúvida  que  D.  Luís  tivesse 
pretendido  reproduzir  a  Casa  da  Câmara-  da  Vila  de  São  Paulo, 
mostrando  que,  de  acordo  com  referências  das  atas  em  1623  e  em 
1634-1635,  o  .edifício  ocupado  pela  edilidade  piratiningana  dispunha  de 
alpendre  e  de  balcão,  elementos  inexistentes  no  desenho  do  roteiro  de 
Xeria.  "  Por  muito  mau  desenhista  que  porventura  fosse  o  governador 
itinerante  —  escreveu  o  autor  de  No  Temido  dos  Bandeirantes  —  não 
se  concebe  que,  copiando  uma  casa,  êle  .empahrassc  um  alpendre  e  um 
balcão." 

Gravura  8  —  Pág,  113 

Fernão  Dias  Pais  (1608-1681)  foi  como  é  sabido  uma  das  maiores 
figuras  do  seiscentismo  paulista.  Em  1674  organizou  a  famosa  expe- 
dição ao  sertão  do  Sabarabussú  na  esperança  de  encontrar  esmeraldas  — 
empreendimento  de  que  resultou  o  conhecimento  de  grande  parte  do  ter- 
ritó-io  de  iMinas  Gerais  e  de  seu  povoamento,  a  partir  da  fundação, 
pelo  próprio  scrtanista,  de  núcleos  como  São  Fedro  de  Paraop°ba,  Svmi- 
douro  e  Ibituruna. 

Gravura  9  —  Pág.  121 

Essa  igreja  de  Nossa  Senhora  da  Glória,  que  tm  1857  já  estava 
em  ruínas,  seg  indo  o  Almanaque  Administrativo  Mercantil  e  Industrial 
da  Província  dr  São  Paulo  para  ésse  ano.  parece  que  se  originara  de 
uma  capela  e,  remotamente,  de  uma  cruz  pequena,  de  madeira,  existente 
na  parte  baixa  do  morro  e  conhecida  popularmente  por  Santa  Cruz  do 
Cambuci.  A  gravura  mostra  ainda  uma  tropilha  cargue"ra.  O  quadro 
é  de  Adelaide  G.  Cavalcanti  (iMuseu  Paulista)  bareado  em  desenho 
de  Carlos  Frederico  José  Rath,  geólogo  e  geógrafo,  autor  de  mapas 
topográficos  da  província,  planta  do  porto  de  Santos  e  do  trabalho 
intitulado  Fragmentos  Geológicos  e  Geográficos  para  a  parte  física  da 
Estatística  das  províncias  de  São  Paulo  e  Paraná,  publicado  em  São 
Paulo  em  1856.  Escreveu  Rath  também  uma  extensa  "  memória"  mos- 
trando a  inconveniência  da  construção  de  um  cemitério  no  Campo 
Redondo  (ante  uma  deliberação  da  Câmara  nes<'e  sentido  em  1855")  e 
achando  que  o  local  próprio  era  o  Alto  da  Consolação.  Foi  ainda 
o  autor  de  um  quadro  intitulado  "  Germânia  em  guarda  no  Reno",  que 
ornava  em  fins  do  século  passado  uma  das  paredes  da  sede  do  Clube 
Germânia,  de  São  Paulo.    Morreu  em  1876. 

Gravura  10  —  Pág.  127 

A  Sé  primitiva,  inacabada  ou  em  forma  de  humilde  capela,  existia 
desde  fins  do  quinhcntismo.  Em  1745  demoliu-se  a  construção  primi- 
tiva, edificando- se  outra  no'  mesmo  Incal,  cujo  frontispício  só  ficou 
concluído  em  1764.  A  aciiia'-ela  é  de  Thomas  Ender,  que  acompanhou 
Von  Spix  e  Von  Martins  em  parte  de  sua  excursão  pelo  Brasil,  e  cujos- 


1426 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


trabalhos  se  conservam  na  Academia  de  Belas  Artes  de  Viena  da 
Áustria.  O  derenho  foi  reproduzido  do  livro  de  Afonso  de  E.  Taunay 
Velho  São  Paulo,  onde  êsse  historiador  declara  que  a  sua  reprodução 
se  deveu  à  obseciu'.osidade  do  dr.  Sicgfried  Freibcrg,  diretor  da  Biblio- 
teca da  relc:ida  Academia.  A  Comissão  do  IV  Centenário  da  Cidade 
de  São  Paulo  cog  ta  de  obter  cópia  de  todos  os  trabalhos  constantes 
do  álbum  de  Thomas  Ender. 

Gravuras  11  e  12  —  Págs.  133  e  139 

Casas  rústicas  dos  arredores  de  São  Paulo  cm  1825.  "As  casas  dos 
lavradores  da  região  —  escrevera  em  1808  o  viajante  John  Mawe  — 
são  miseráveis  choupanas  de  um  pavimento,  o  chão  não  é  pavimentado 
ncni  assoalhado  e  os  compartimentos  são  formados  de  vigas  trançadas, 
emplastadas  de  barro  e  nunca  regularmente  construídas."  Caras  como 
essas  são  as  reproduzidas  pelos  dvsenhos,  de  autoria  de  Hércules  Flo- 
rence, e  doados  pelo  historiador  Afonso  de  E.  Taunay  à  Diretoria  do 
Património  Histórico  e  A:tístxo  Nacional  em  São  Paulo.  Hércules 
Florence  (1804-1879)  narceu  cm  Nice,  na  França,  e  de  1825  a  1829 
percorreu  as  províncias  de  São  Paulo,  Mato  Grosso  e  Pará  como 
desenhista  da  expedição  do  cônsul  da  Rússia  Barão  de  Langsdorff.  Os 
desenhos  que  então  executou,  sobretudo  fixando  aspectos  das  monções, 
das  cavalhadas  e  da  velha  indústria  açucareira  paulista,  constituem 
documentos  iconográficos  dos  mais  importantes  para  a  história  social 
de  São  Paulo  e  do  Brasil. 

Gravuras  que  abrem  o  capítulo  "Os  Becos  e  os  Pátios"  —  Pág.  149 

Numerosas  referências  das  atas  da  Câmara  da  Vila  de  São  P.,uIo, 
desde  o  começo  do  século  dezcssete,  aludiam  à  olirigação  dos  moradores, 
de  mandarem  seus  escravos  carpir  ruas  e  praças,  pois  era  connnii.  no 
período  colonial  sobretudo,  que  êsses  pátios  e  ruas  vivessem  cheios  de 
ervas  e  de  matos,  além  de  sujeiras  de  bichor,  valetas  e  covas.  O 
segundo  desenho  reproduz  aspecto  possivelmer.te  um  tanto  frequente  nos 
dois  pr  meircs  séculos,  na  vila,  a  despeito  d^s  recomendações  dadas  aos 
alnioLacés  para  que  não  consentissem  que  os  morado"es  atirassem  bjstas, 
cães  ou  gatos  mortos  "nem  outras  coisas  sujas  e  de  mau  cheiro"  nas 
ruas  e  pátios  da  povoação,  e  fizessem  com  que  os  donos  enterrassem 
'"os  cadáveres  de  seus  bichos". 

Gravura  13  —  Pág.  167 

Pesquisando  os  inventários  coloniais,  escreveu  Alcântara  Machado 
<Tue  viu  citado  pela  primeira  vez  o  "  ter-eiro  do  Colégio"  em  um  .!o- 
«■'imcnto  de  1637.  Mas  é  provável  i|ue  muito  antes  —  pràticamente  desde 
os  tempos  da  fun.dição  —  o  local  fósse  conhecido  mesmo  por  "terreiro" 
ou  "pátio"  do  Colégio,  pois  o  nome  da  Casa  dos  Padres  da  Cnm- 
panliii  não  podia  deixar  de  ter  p-evalccido  sóbre  qualquer  outro. 
Era  um  pátio  pelado  ainda  no  começo  do  oitoccntismo,  quando  desenhado 
por  Thomas  Ender.  e  talvez  um  pouco  miis  amplo  que  os  da  Ff'  e  de 
São  Bento.  A  propósito  de  Thomas  Ender  —  autor  do  desenho  — 
veja-se  nota  sobre  a  Gravura  10. 


HISTÓRIA  E   ISADIÇÕES  DA  CIDADE  DE  SÃO  PAULO  1427 


Grazura  14  —  Pág.  175 

Francisco  de  Assis  Vieira  Bueno,  .evocando  aspectos  da  cidaclr 
comêçD  do  século  passado,  se  referiu  ao  "fogo  que  caniinliava  durante 
a  noite"  sôbre  a  cabeça  das  negras  quitand-iras  de  pinhão.    Hsse  fogo, 
e  mais  o  dos  rolos  de  cera  preta  preg;,dos  na  guarda  dos  tabuleiros  de 
outras  vendedoras,  eram  as  únicas  luzes  da  rua  paulistana  na  época. 

Grm<uras  qitc  abrem  o  capitulo  "Roteiro  dos  Sílios  c  dos  Bairros"  — 
Pág.  181 

O  primeiro  desenho  é  baseado  em  antiga  gravura  reproduzindo 
aspecto  da  rua  Miguel  Carlos  (mais  tarde  Constituição  e  depois  Flo- 
rêncio de  Abreu),  onde  aparecem,  aos  fundos,  o  mosteiro  de  São  Bento 
e  parte  do  largo  desse  nome.  Até  meados  do  século  dezoito,  essa  ru.i 
fôra  apenas  o  Caminho  do  Guaré,  só  em  1784  se  abrindo  efectivamente  aí 
uma  rua  "do  canto  da  tôrre  dos  Beneditinos  até  o  converto  di  Luz." 
O  segundo  desenho  fixa  os  fundos  de  uma  casa  de  titio.  Desde  o 
começo  do  seiscentismo  d!fundiram-se  ao  redor  da  vila,  mas  às  vez?s 
a  distâncias  consideráveis,  as  chácaras,  as  roç:-s  e  os  sítios.  Entre  as 
chácaras,  algumas  habitadas  por  moradores  dos  mais  importantes  de 
São  Paulo,  que  dentro  da  vila  dispunham  spenas  de  casa  para  passarem 
os  domingos  ou  dias  de  procissão.  Eram  numerosos  também  os  sítios 
d?  gente  mais  humilde  —  habitando  casas  como  a  que  aparece  na  gr.n- 
vura  —  formando  verdadeiros  ba;rros  rurais  que  só  em  fins  do  século 
passado  se  urbanizariam. 

Gravura  15  —  Pág.  187 

Os  campos  da  região  piratiningana  foram  no  primeiro  sé^uio  parti- 
cularmente férteis  em  searas  de  trigo  e  grandes  vinhas,  algodoais,  abun 
dância  de  legumes  da  terra  e  de  Portugal.  Pois  as  velhas  plantas 
cláss'cas  trazidas  da  Europa  foram  cultivadas  ao  lado  das  espécies 
indígeuFS  novas  para  os  colonos  —  como  observou  Eduardo  Prado  — 
na  própria  liorta  que  os  padres  da  Companhia  plantaram  ao  lado  de 
sua  igreja,  e  depois  nas  chácaras  e  nos  sítios  que  se  multiplicaram 
em  torno  da  povoação. 

Gravura  16  —  Pág.  191 

Essa  "vista  nas  proximidades  de  São  Paulo"  acha  o  historiador 
Afonso  de  E.  Tauray  que  representa  a  Várzea  da  Lana,  sendo  o  mor--.^ 
do  Jaraguá  a  elevrção  que  se  vê  no  fundo.  Além  dêsse  aspecto  dese- 
nhou o  Tenente  Chamberlain  em  São  Paulo,  antes  de  se  passar  para  a 
capitania  de  Minas  —  segundo  Ian  de  Alm.eida  Prado  —  esboço?  das 
montínhas  de  São  Sebastião  e  da  estrada  de  Santos.  O  Tenente 
Chamberla'n  (1796-1844)  era  filho  de  "  sir"  Henry  Chamberlain,  cônsul 
britânico  no  Rio  de  Janeiro  de  1815  a  1829.  Veio  o  desenhista,  para 
o  Brasil,  como  Tenente  da  Artilharia  Real,  em  1819,  datando  dè^se  ano 
e  do  seguinte  as  suas  aquarelas,  muitas  das  quais  f-guram  no  álbum 
que  publicou  em  Londres  em  1822  sob  o  título  de  yi^-rvs  oud  Costumes 
of  tJie  City  and  N eighbourhood  of  Rio  de  Janeiro.  BrazU. 


1428 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Gravura  17  —  Pág.  195 

Em  1580  Afonso  Sardinha  constatou  vestígios  de  ouro  no  Jaraguá, 
iniciando-se  em  1600  a  exploração  das  minas,  que  prosseguiu,  com 
maiores  ou  menores  resultados,  ao  longo  dos  séculos  dezessete  e  dezoito. 
Em  1808  foi  o  local  visitado  pelo  mineralogista  John  Mawe,  que  es- 
creveu a  propósito  do  lugar  e  da  técnica  da  exploração:  "Nos  pontos 
em  que  a  água  se  encontra  em  um  nível  suficientemente  elevado  para 
ser  dirg.ida,  o  terreno  é  escavado  em  degraus,  cada  um  dos  quais 
com  20  a  30  pés  de  comprimento,  2  ou  3  de  largura  e  mais  ou  menos 

1  de  altura.    Próximo  ao  fundo  abre-se  uma  trincheira  de  cerca  de 

2  a  3  pés  de  profundidade.  Em  cada  degrau  ficam  6  ou  7  negros  que, 
à  medida  que  a  água  corre  colina  abaixo,  conservam  a  terra  continua- 
mente em  movimento,  com  auxílio  de  pás,  até  que  fique  reduzida  a  uma 
água  lamacenta,  levada  mais  abaixo.  As  partículas  de  ouro  existentes 
nessa  terra  descem  à  trincheira."  John  Mawe  (1764-1829)  nasceu  no 
Derbyshire.  Em  1804  partiu  para  o  Rio  da  Prata,  de  onde  viajou  para 
o  Brasil  em  1807,  conhecendo  as  suas  províncias  do  sul,  o  Rio  de  Ja- 
neiro .e  Minas  Gerais,  e  regressando  à  Inglaterra  em  1811.  Seu  livro 
sõbre  o  Brasil,  Traz'cls  in  tire  Interior  of  Bracil,  particiilnrly  hi  the 
Gold  and  Diamond  Districts  of  that  conntry,  apareceu  em  1812. 

Gravura  IS  —  Pág.  203 

A  vista  foi  tomada  da  Várzea  do  Tamanduateí  e  nela  se  vêem, 
destacardo-se  das  demais  edifxações,  as  torres  das  igrejas  e  a  m^sfa 
dos  edifícios  conventuais.  A  área  da  cidade  era  ra  énora  ainda  bas- 
tante reduzida  e  apenas  liavia  transposto  as  escarpas  e  ladeiras  que  pri- 
mitivamente havi.am  r°pr-"spntado  s^i^s  limites.  A  aan^r^la  —  mip  é 
de  auto-ia  de  Arnaldo  JuHano  PalHère  foii  Arnc,i,d  TiibVn  P-ilTère) 
natural  de  Pordons.  e  """ro  do  prnuiteto  Hr-i-d^p-^n  d^  Montigry  • — 
pertence  à  coleção  do  historiador  Ian  de  Almeida  Prado. 

GravMás  que  abrem  o  eapítrdo  "As  Tropas  e  as  Várzeas"  —  Pág.  209 

O  primeiro  desenho  retrata  uma  t"opa  cargueira.  Essas  tropas 
começaram  a  se  tornar  cada  vez  mais  frequentes,  a  partir  de  meados  do 
século  dezoito,  nos  caminhos  da  região  e  nas  ruas  da  cidade  de  São 
Paulo.  Passavam  a  caminho  do  pôrto  de  Santos  ou  retornavam  do 
Iitor=l,  havendo  a-nda  as  tronilhas  de  martimento  precedentes  de  Cutia, 
de  Nazaré,  de  Juqueri  e  de  outras  localidades  que  cooperavam  para  o 
abartecimento  do  mercado  paulistano.  A  segunda  gravura  reproduz 
aspecto  do  começo  da  estrada  para  o  Rio  de  Janeiro.  Na  época  ia 
viagem  de  Saint-Hilaire,  ela  dispunha  de  uma  "bela  pavimentação  de 
cerca  de  quatrocentos  passos  de  extensão  através  do  brejo  marginal  do 
Tam?nduateí".  Para  além  da  ponte  de  pedra  lançada  sôbre  o  rio, 
estendia-se  uma  planície  vasta,  que  padecia  s°r  uma  contií^uacão  dos 
"campos  de  Piratin'nga",  existentes  do  outro  lado  da  cidade.  Dali 
para  diante  havia  apenas  casas  de  campo. 

Gravura  19  —  Pág.  215 

O  rancho  comum  de  trorieiros  na  região  de  São  Paulo  —  de  acordo 
com  a  descrição  feita  em  1838  pelo  reverendo  Kidder  —  nada  mais  era 

4  ■ 


HISTÓRIA   E   TRADIÇÕES  DA   CIDADE   DE  sÀn 


do  que  um  teto  de  sapé  sustentado  por  moirôes,  tendo  ir.u  ir,  ^ 
aberto  o  espaço  que  lhe  ficava  por  baixo.  Era  propositadamente  c  ■ 
truido  para  abrigar  viajantes.  Os  que  chegavam  primeiro,  descarregava),; 
suas  mulas  e  empilhavam  a  carga  e  os  arreios,  às  vezes  em  forma  de 
quadrado,  dentro  do  qual  deitavam  para  repousar,  sobre  peles  esten- 
didas no  chão  ou  em  rêdes.  A  gravura  é  reprodução  do  quadro  de 
Francisco  Richter  (Museu  Paulista),  baseado  em  desenho  de  Hércules 
Florence  fixando  aspecto  observado  em  tôrho  de  1825.  .\  propósito  de 
Hércules  Florence  veja-se  nota  sôbre  a  Gravura  11. 

Gravura  20  —  Pág.  221 

A  primeira  cadeirinlra"  que  trafegou  pelas  ruas  paulistanas  teria* 
sido  a  da  fluminense  Maria  Mendonça,  em  meados  do  século  dezessete. 
Entre  as  curiosidades  do  Museu  Paulista  —  observou  o  cronista  Antô- 
nio Egídio  Mfirtins  —  figura  uma  "cadeirinha"  ofertada  em  1886  ao 
Museu  Sertório  por  D.  Rita  de  Cássia  da  Silva  Bueno,  e  que  havia 
pertencido  ao  terceiro  bispo  de  São  Paulo,  Frei  Manuel  da  Ressurreição, 
falecido  em  1789.  Martins  citou,  a  propósito,  a  nota  publicada  em 
1886  pelo  Diário  Popular :  "...  uma  cadeirinha  (que  no  século  passado 
servia  para  conduzir  gente),  dourada  e  pintada  de  vermelho  externa- 
mente, e  tendo  na  caixa  delicados  painéis  a  óleo,  representando  alego- 
rias mitológicas.  Internamente  a  cadeirinha  é  tòda  forrada  de  veliido 
carmezim  e  as  suas  vidraças  adornadas  com  ramagens  a  ouro." 

Gravura  21  —  Pág.  227 

Aspecto  da  via  de  comunicação  de  São  Paulo  com  o  litoral  no 
começo  do  século  passado.  Hércules  Florence  se  referiu  ao  péssimo 
caminho,  calçado  de  grandes  lajes,  na  maior  parte  deslocadas,  o  que 
tornava  a  subida  sobremaneira  fadigosa,  pois  o  declive  era  de  25  a 
30  graus.  "  Caminhava-se  sempre  no  meio  de  basto  arvoredo  • —  es- 
creveu êsse  viajante  —  que  impedia  o  gôzo  de  perspectivas  sem  dúvida 
magníficas."  Essa  pavimentação  de  pedra  da  descida  da  serra  fôra 
{■íita  em  fins  do  século  anterior  por  iniciativa  do  governE.dor  Bernardo 
José  de  Lorena,  tendo  ficado  as  obras  a  cargo  do  sargento-mor  enge- 
nheiro João  da  Costa  Ferreira.  Como  escreveu  Frei  Gaspar  da  Madre 
de  Deus,  com  essa  realização  "  evitou-se  a  aspereza  da  cam'nho  com 
engenhosos  rodeios,  e  com  muros  fabricados  junto  aos  despenhadeiros 
se  desvaneceu  a  contingência  de  alguns  precipícios."  Quadro  de  0.'^car 
Pereira  da  Silva  (Muieu  Paulista),  baseado  em  desenho  de  Hércules 
Florence.    A  propósito  deste  último,  veja-sc  nota  sobre  a  Gravura  11. 

Gravura  22  —  Pág.  231 

.  Embora  o  primeiro  caminho  de  São  Paulo  para  o  Rio  de  Janeiro 
tivesse  sido  começado  em  1725,  parece  que  só  em  fins  do  século  dezoito 
se  ectabelece^am  comunicações  regulares  por  terra  entre  as  duas  cidades. 
Em  1783  Manoel  Cfrdoso  de  .A.breu  dizia  dos  moradores  da  cidade 
de  São  Paulo  que  alguns  "  se  limitavam  a  negócio  mercantil,  indo  à 
cidade  do  Rio  de  Janeiro  buscar  as  fazendas  para  ncia  venderem." 
Também  os  mercadores  de  cavalo,  além  dos  tropeiros  paulistas,  passaram 
a  frequentar  o  Rio  de  Janeiro.  O  desenho  reproduzido  é  do  Tenente 
Chamberlain  e  figura  em  Viezvs  and  Costumes  of  the  City  and 
Neighbourhood  of  Rio  de  Janeiro,  Brasil,  explicando-se  no  respectivo 


1430 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


texto  que  os  tropeiros  ou  inuladeiros  aí  fixados  são  de  São  Paulo.  "  O 
paulista  a  cavalo  é  de  classe  superior  aos  que  estão  a  pé,  como  se  pode 
observar  pelos  arreios  do  animal,  que  tem  os  freios  e  os  estribos  de 
prata  maciça."  A  respeito  de  Chamberlain,  veja-se  nota  sobre  a  Gra- 
vura 16. 

Gravura  23  —  Pág.  235 

A  arte  de  andar  a  cavalo  foi  no  século  dezoito  —  em  que  as  ca- 
valhadas rcpresentavím  espo-te  fidalgo  —  pretexto  para  que  s"  desta- 
cassem alguns  figurões,  que  às  vezes  decerto  se  excediam  em  galopadas 
perigosas  pelo  meio  das  ruf.s.  Em  meados  do  século  sobressaíu-se 
principalmente  Bento  do  Amaral  da  Silva,  que  no  dizer  de  Pedro  Ta- 
ques  "  montava  o  mais  manlioso  cavalo  rem  perder  o  assento  da  sela 
n°m  a  reta  postura  do  corpo,  nem  as  estribeiras,  e  quando  se  apeava 
já  o  cavalo  estava  manso  e  sem  os  defeitos  de  corcovear." 

Gravura  24  —  Pág.  239 

O  paulista  e  o  mineiro  —  escreveu  o  defenhista  Jean  Baptiste  Debret 
—  são  os  especialistas  brasileiros  em  negócios  de  cavalos.  "  Vão  anual- 
mente comprar  cavalos  novos  c  bestas,  principalmente  ros  campos  <!e 
Curitiba,  trazendo-os  para  as  suas  p-ovíncias,  onde  os  ensinam,  para 
vendê-lcs  em  seguidn  na  capital."  "  Negociantes  Paulistas  de  Cavalos" 
é  o  título  da  estampa  de  Debr?t  aqui  reproduzida.  Jean  Baptiste  Debret 
(1768-1848)  nasceu  em  Paris  c  se  destacou  em  seu  país  como  p'ntnr  de 
grandes  quadros  históricos.  Veio  para  o  Brasil  em  1816,  com  a  Mis^-ão 
Artística,  e  foi  ro  Rio  professor  da  Escola  de  Belas  Artes.  Regressou 
à  França  em  1831,  publicando  de  1834  a  1839  os  três  volumes  da  sua 
Voyagc  Pitlorcsquc  cl  Hisforique  au  Brcsil. 

Gravura  25  —  Pág.  243 

As  liteiras  ou  bnngiiês.  geralmente  tirados  por  duas  bestas  ajaf^z-íhs 
com  luxo.  cam  utilizados  nas  viagens,  sobretudo  de  famílias  de  fazen- 
deiros abcrtados,  para  se  trarsportarem  do  interior  da  província  p.-ir.i 
a  cidade  de  São  Paulo.  Quadro  de  Adelade  G.  Cavalcanti  (Museu 
Paulista),  baseado  em  original  de  Miguel  Arcanjo  Benício  Dutra 
(1810-1875),  nascido  em  Itu. 

Gravares  aue  abrem  o  capítuin  "Mantimentos  da  Terra  e  do  Reino" 
Pág.  253 

A  partir  de  meados  do  setecentismo  alíruns  chafarizes  foram  cd' fi- 
cados na  cidade,  o  mais  importante  dêles  tendo  sido  o  da  Misericórdia, 
no  larsro  dê^sp  nome.  em  fins  do  século  dezoito.  Os  locais  do--  chafa- 
rizes viviam  cheios  de  escravos  e  eram  por  isso  palco  de  discussões  e  de 
brigas.  .A.  segunda  gravura  mostra  uma  índ  a  cozinhando  em  trinoça. 
A  maneira  dc  cozinhar  drs  índios  teve  {''fluência  marrada  na  d^^s  colonos 
de  São  Paulo.  Um  eptudioso  do  passado  paulista  chagou  a  forn^ilar  a 
hipótese,  ba':tante  aceitável,  de  que  na  era  seiscentista  essa  infbirncia 
tivesse  sido  particularmente  acentuada,  a  ponto  de  se  introi^uzir  o 
costume  de  cozinhar  não  em  fogões  fxos,  dentro  das  casas,  mas  em 
t"inec-s  —  dado  o  aproveitamento  de  mulheres  indígenas  para  co- 
zinheiras. 


HISTÓRIA   E   TRADIÇÕES   DA   CIDADE   DE   S.M.    ■  ' 

Gravura  26  —  Pág.  281 

Nos  tempos  primitivos  abastcciam-sc  os  habitantes  da  vila  cia  í.Kiia 
dos  ribeirões  e  daquela  qtic  brotava  de  algumas  fontes  n-.tiirais,  que 
logo  se  tornaram  por  isso  locais  imundos,  sempre  desafiando  os  propó- 
sitos de  1'mpeza  revelados  através  de  medidas  do  pcdcr  municipal. 

Gravuras  qiic  abrem  o  cal^ítiilo  "As  Qiiita)icliis  c  os  Trarcs"  — ■  Pág.  293 

Os  panos  de  algodão,  ainda  no  começo  do  século  passado,  eram  cm 
geral  fiados  e  tecidos,  na '  região  de  São  Paulo,  nas  casas  de  muitos 
moradores  ou  no  t°ar  de  algum  tecelão  de  sua  vizinhança.  E  mesmo  as 
donas  de  casa  mais  abastadas  faziam  vender  os  seus  lolos  de  pano,  as 
suas  rêdes  e  as  suas  colchas  felpudas,  "algumas  bem  vistosas  —  como 
escreveu  Vieira  Bueno  —  pelas  figuras  e  desenhos  de  cores  vivas 
entretecidos  com  f.os  de  lã  tirados  de  retalhos  de  baetas."  A  matéria- 
pr'ma  provinha  de  um  algodoeiro  arbóreo  que,  decotado  depois  da  co- 
lheita, durava  anos  produzindo.  A  segunda  estampa  fi.xa  uma  taverna. 
Em  fins  do  século  dezesseis  e  robretudo  no  começo  do  dezessete  várias 
tavernas  começartm  a  se  estabelecer  na  vila.  O  ramo  verde  colocado 
na  poita  era  o  distintivo  das  casas  que  vendiam  vinho. 

Gravura  27  —  Pág.  301 

Os  escravos,  no  setecentismo  paulistano,  vendiam  pelas  ruas  milho 
verde,  capim,  muitos  géneros  e  bugigangas,  ficando  para  isso  às  vezi:s 
acocorados  na  rua  da  Quitanda  —  asp°clo  ainda  surpreendido  por  Saint- 
Hilaire  no  começo  do  século  seguinte.  As  "  correntes  de  galés",  por 
outro  lado,  eram  vistas  pelas  ruas  desde  manhã  bein  cedo :  eram  os 
sertenciados  que  saíam  para  execução  de  serviços  públicos. 

Gravura  2S  —  Pág.  309 

Procedentes  das  regiões  vizinhas,  as  tropilhas  cargueiras  abasteciam 
o  mercado  paulistano  no  começo  do  oitocentismo.  De  Cutia,  de  Juqueri, 
de  Jundiaí,  de  Nazaré,  de  Atibaia,  durante  os  séculos  dezoito  e  deze- 
nove,  vinham  essas  tropas  carregadas,  conduzindo  p"odutos  dos  sítios 
de  roceiros  dessas  localidades  para  se  venderem  nas  chamadas  Casinhas 
de  São  Paulo. 

Gravura  29  —  Pág.  313 

Êsse  sítio  do  Juqueri,  que  em  1818  o  viajante  Luís  D'.Mincourt 
dissera  que  só  contava  dois  morsdores,  um  em  cada  margem  do  rio, 
que  se  passava  por  uma  ponte  arruinada,  servia  de  pouso  para  os  via- 
jantes que  transitavam  entre  a  cidade  de  São  Paulo  e  a  vila  de 
Jundiaí.  Aí,  em  1825,  o  desenhista  Hércules  Florence  tomou  refeição 
em  uma  casinha  onde  —  como  contou  cm  sua  descrição  de  viagem  — 
comeu  pela  primeira  vez  a  canjica  paulista.  Foi  baseado  cm  desenho 
de  Florence  (a  respeito  do  qual  há  referências  na  nota  fôbre  a  Gravura 
11)  que  Henrique  Távola  fixou  o  aspecto  aqui  reproduzido,  em  quadro 
existentp  no  Museu  Paulista. 


1432 


ERNÂNI      S  I  L  \-  A      B  R  U  N  C 


Gravuras  que  abrem  o  caf^ítulo  ''Epidemia),  e  Ouilouioo-'/  — •  Pág.  329 

No  setecentisnio  o  sossego  da  maioria  da  população  era  posto  em 
xeque  por  bandos  numerosos  de  índios,  de  mamelucos,  de  negros  e  de 
mulatos  que,  armados  de  paus  e  de  facas,  andavam  ameaçadoramente 
pelas  ruas.  "Com  paus  de  ponta  e  de  massa"  ou  "embuçados  em 
baetas",  como  se  dizia  em  um  edital  da  municipalidade  em  1735.  \- 
até  com  espadas  e  espingardas,  como  referia  um  bando  de  D.  Luís  '1l- 
Mascarenhas  em  1743.  As  medidas  das  autoridades  se  repeti-am  inde- 
finidamente contra  êsses  abusos.  A  segunda  gravura  mostra  a  Fórca. 
Em  1721  uma  carta  de  D.  Rodrigo  Cesar  de  Menezes  ao  Vice-Rei 
dizia  que  como  "  matar  gente  era  vício  mui  antigo  nos  naturais  da 
cidade  de  São  Paulo  e  seu  distrito",  êle  tinha  resoivido  mandar  levan- 
tar de  novo  a  fórca,  "na  mesm.a  parte  em  que  ela  estava  antigamente, 
para  que  à  vista  dela  se  pudessem  abster  de  continuarem  semelhantes 
delitos." 

Gravura  30  —  Pág.  335 

Referem  documentos  de  1659  que  muitos  negros  —  aS  referências» 
eram  provavelmente  a  índios,  os  chamados  "  negros  da  terra"  —  costu- 
mavam aparecer  na  vila  vendendo  couros  de  boi.  E  como  eram  homens 
que  não  tinh^.m  gado  nenhuui,  nem  outra  espécie  de  recursos,  o  couro 
só  podia  si*r  de  boi  roubado.  Ordenava-se  por  isso  aos  homens  livres 
que  não  comprassem  nada  de  negros :  nem  couro  nem  outras  coisas  de 
valor. 

Gravura  31  •—  Pág.  345 

No  primeiro  plano  aparecem  o  rio  Tamanduatei  e  suas  várzeas,  as 
quais,  reduzidas  a  um  pântano  continuo,  eram  consideradas  fatores 
insalubridade  na  época.  "  Ê  preciso  que  h.  sã  politica  —  escrevia  em 
1822  Velozo  de  Oliveira  em  sua  "  memória"  —  faça  pouco  a  pouco 
desaparecer  esta  origem  de  incómodos,  moléstias  e  mortalidade :  poi 
exemplo  a  Várzea  do  Carmo,  inferior  à  cidade,  cobrindo-se  das  água? 
do  Tamanduatei,  que  podiam,  segundo  penso,  coi/er  livremente  para  o 
Tietê,  sendo  dessecada  por  meio  de  diferentes  valas,  não  atacaria  para 
o  futuro  a  cidade  com  nevoeiros  importunos,  umidades,  defluxos  e  reu- 
matismos." De  fato,  em  1822,  segundo  um  Reg;stro  da  própria  Câmara, 
a  Várzea  do  Carmo  estava  reduzida  a  um  pântano,  "  devido  a  ter-se 
consentido  que  alguns  particulares,  atendendo  .ipenas  aos  seus  interesses 
ou  aos  seus  caprichos,  desviassem  do  seu  leito  natural  as  águas  do 
Tamanduatei,  arruinando  o  caminho  e  tornando  doe.ntio  o  clima  desta 
cidade  por  sua  natureza  sadio."  A  aquarela  reproduzida  é  de  Arnaldo 
Juliano  Pallière  (veja-se,  a  propósito,  a  nota  sóbre  a  Gravura  18)  « 
pertence  ao  historiador  Ian  de  Almeida  Prado. 

Gravura  32  —  Pág.  351 

Casa  em  que  residiu  o  bispo  D.  Mateus  de  Abreu  Pereira,  à  rua 
do  Carmo.  Contou  Antônio  Egídio  Martins  que  em  frente  a  essa  "casa 
de  sobrado,  de  janelas  de  rótula,  existente  no  antigo  número  20  da 
rua  do  Carmo",  havia  um  cisqueiro  e  matos  onde  era  costume  enjeitarem 
crianças,  pelo  que  D.  Mateus,  logo  que  ouvia  choro  de  criança  nova,  se 
apressava  em  manaar  para  la  um  criaoo,  e  da  janela  batizava  o  recém- 


HISTÓRIA   E   TRADIÇÕES   DA   CIDADE   DE  SÃO 


1433 


nascido,  receando  que  cie  íósse  devorado  pelos  porcos  que  ari.-ia-.-.;r. 
soltos  no  local.  Foi  para  se  abolir  o  uso  dc  se  enjeitarem  crian^-^i 
nesse  lugar  que  se  instituiu  em  1824  a  Roda  dos  Enjeitados  na  Santa 
Casa.  O  quadro,  existente  no  Museu  Paulista,  é  de  autoria  de  A. 
Figurey. 

Gravura  33  —  Pág.  355 

Veja-se  nota  sóbre  gravuras  que  abrem  o  capítulo  "Epidemias  c 
Quilombos." 

Gravuras  que  abrem  o  ca  [titulo  "Entre  Nichos  e  Mascaradas"  —  Pág.  363 

Foram  principalmente  as  procissõ'JS,  desde  os  tempos  primitivos, 
as  coisas  que  exprimiram  de  modo  mais  vivo  a  religiosidade  de  qw 
estava  impregnada  a  existência  dos  moradores  da  vila  de  São  Paulo 
No  seiscentismo,  três  eram  as  procissões  oficiais :  a  do  Corpo  de  Deus. 
a  da  visitação  d?  Nossa  Senhora  e  a  do  Anjo  da  Guarda.  No  século 
seguinte,  além  dessas,  a  de  São  Sebastião.  Por  ocasião  dessas  festivi- 
dades, ornamer.tavam-se  fantasticamente  as  ruas  e  as  casas,  sendo 
minuciosas  a  rerpeito  as  determinações  do  poder  municipal.  ()  s-gundo 
desenho  é  relativo  às  "mascaradas",'  que  se  faz'am  em  ligação  com  as 
procissões,  nos  tempos  primitivos.  Se  elas  não  foram  depois  permitidas 
livremente,  observou  Afonso  A.  de  Freitas,  também  nunca  sofreram 
proibição,  dependendo  sempre  de  consentimento  transitório  das  aut(. 
ridades. 

Gravura  34  —  Pág.  369 

Colonizadores  brancos,  desde  os  tempos  da  fundó.ção,  participavam 
dos  ajuntamentos  e  bailes  do  gentio  em  terras  de  Piratininga.  Em 
1623  dizia  o  procurador  da  Câmara :  "  O  gentio  desta  vila  fazem  bai- 
les de  noite  e  de  dia,  e  percoanto  nos  ditos  bailes  socedia  muitos  pecados 
mortais  e  ensulencias  contra  o  serviço  de  Deus  e  de  sua  majestade  e 
bem  comum",  não  deviam  os  vereadores  tolerar  a  sua  continuação.  Já 
em  1583  legislava-se  que  "todo  homem  cristão  branco  que  não  fôsse 
negro  de  fora  e  £e  achasse  em  aldeia  de  negros  forros  ou  cativos,  bebendo 
e  bailando  ao  modo  do  dito  gentio",  sofresse  punição  severa. 

Gravura  35  —  Pág.  377 

Era  costume  setecentista  em  São  Paulo  o  Je  se  conduzirem  defuntos 
em  rede  e  se  enterrarem  ocultamente  —  a  êle  recorrendo  famílias  que 
não  queriam  fornecer  cêra  para  o  acompanhamento.  Apesar  de  em  1775 
ter  sido  publicado  um  bando  proibindo  o  costume  de  se  fornecerem  velas 
para  os  que  acompanhassem  enterros,  êsse  hábito  persistiu.  iMotivara 
o  bando  a  observação  de  que  o  costume  de  fornecer  cêra  representava 
uma  vaidade  que  fazia  com  que  muitas  famílias  vendessem  ou  empenhas- 
sem coisas  da  maior  utilidade  para  poderem  fazer  frente  a  essa  despesa, 
ou  então  se  vissem  forçadas  a  enterrar  seus  mortos  ocultamente. 

Gravura  36  —  Pág.  383  ' 

A  imagem  de  São  Jorge  era  figura  obrigatória  no  préstito  do 
Corpo  de   Deus.    "  Romnia   a  marcha  a   cavaleata  de   Sã"  Jnr^e  — 


1434 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


escreveu  Vieira  Bueno  —  na  seguinte  ordem :  um  cavaleiro  chamado 
Casaca  de  F'?r-o,  envergando  armadura  de  papelão  pintado,  que  has- 
teava bandeirola  vermelha  com  uma  cruz  branca  no  centro;  dois  cava- 
leiros negros,  vestindo  calções  amarelos,  coletes  vermelhos,  capas  agaloa- 
das da  mesma  côr,  tendo  na  cabeça  chspéus  com  plumas.  Um  dêles 
tirava  de  um  clarim  sons  descompassados  e  o  outro  tangia  dois  tímba- 
les.  Scguiam-?e  os  chamados  cavalos  de  Estado.  Per  fim  anarecia 
São  Jorge.  Era  uma  figura  de  guerreiro  de  cara  redonda  e  rubicunda, 
com  bigodes  retorcidos  e  olhos  arregalados,  vestindo  arnês  de  ferro 
(pintado  fôbre  madeira),  capa  de  veludo  carmezim  agaloada,  chapéu  com 
pluma  branca  e  uma  lança  em  riste." 

Gravuras  que  ahrcui  o  capítulo  "O  Coícgio  c  as  Letras"  —  Pág.  393 

A  p"opósito  do  pátio  do  Colégio  veja-se  nota  sôbre  a  Gravura  13. 
A  Casa  dos  Jesuitas  foi  praticamente,  durante  o  período  cclonial,  o 
úniro  centro  de  instrução  ra  povoação  de  São  Paulo.  O  edifício  foi 
reformado  em  1765-1769,  pelo  Morgado  de  Mateus,  passando  pelas 
modificações  necessárias  para  que  se  adaptasse  a  sede  do  governo  da 
capitania.  O  segundo  desenho  se  refere  a  livros,  cuja  pobreza  foi  pa- 
tente na  vila  nos  pr  meiros  tempos.  Apen?s  quinze  espólios  em  que 
se  descreviam  êsses  objetos  fo-am  encontrado?  por  Alcârtara  Machado 
ao  pesquisar  os  inventários  processados  de  1578  a  1700.  M"smo  durante 
o  século  dezoito  e  o  começo  do  dezenove  foi  grande  a  falta  de  livros 
e  pequeno  o  interesse  dos  paulistanos  por  êles.  Criou-se  no  entanto  em 
1825  uma  Biblioteca  Pública. 

Gravura  37  —  Pág.  399 

Aparece  nesta  gravura  o  antigo  edifício  do  Colégio  ou  convento 
dos  Jesuitas,  ainda  com  os  seus  do's  cornos  que  sp  completavam  for- 
mando um  ângulo  reto.  Saint-Hilai'"e  ?chou  que  êle  não  passava  de 
um  "  disparate  arquitetônico",  pela  colocação  defeituosa  de  suas  portas 
e  janelas.    Veja-se  a  respeito  a  nota  anterior. 

Gravura  fora  do  texto  —  Entre  págs.  402  e  403 

Reprodução  da  ata  da  Câmara  da  Vila  de  São  Paulo  (1564')  que 
traz  a  declaração  de  que  João  Ramalho  recusou  o  cargo  de  vereado'' : 
"  E  depois  disto  aos  quize  dias  do  mes  de  fevereiro  da  era  de  mill 
e  quinhentos  e  seceta  e  quatro  bar  os  nesta  vila  de  são  paulo  eu  j.°  fr/ 
escrVão  da  quamara  da  dita  vila  cõ  beltezar  roiz  procurador  do  cõrelho 
da  dita  vila  fomos  as  casas  de  luiz  martiz  a'  são  na  dita  vila  haonJc 
hai  estava  j.°  ramalho  poazado  a  lhe  requerermos  q'  aceitase  ho  quargo 
de  vereador  desta  dita  vila  pr  quãto  sairá  na  ehisão  e  pautoa  q'  nesta 
dita  vila  se  fez  pr  vereador  e  pelo  dito  j.°  ramalho  nos  foi  dito  o'  ele 
era  hu  home  velho  q"  passava  de  setenta  anos  e  q'  estava  tão  bem  e 
liú  lugar  ê  tera  dos  cõtrairos  de.^-ta  vila  digo  dos  cõtraVos  da  paraíba 
e  q'  estava  tão  bem  como  degregado  no  dito  lugar  e  q"  pelas  tais  rezoes 
não  podia  servV  ho  dito  quargo  e  q'  suas  merses  chamase  outro  ho, 
q'  hasinou  dsqui  eu  j.°  frz  ho  escrevi  —  j...  lho  —  bailtezar  roiz." 
(A.tas  da  Câmara  da  Vila  de  São  Paulo,  I,  págs.  34-37.) 


HISTÓRIA   E   TRADIÇÕES  DA   CIDADE   DE  sÃO   r AL  1.3  1435 


Graznira  fora  do  texto  —  Entre  págs.  402  e  403 

Em  tórno  do  "sinal  púhlico"  aparecem  aí  as  assinaturas  de  meri".  -  j 
da  Cámf.ra  da  Vila  de  São  Paulo  em  1556:  Manoel  Ribei-o.  João 
Rodrigues,  Gonçalo  Fernandes,  Francisco  Avel,  D'o8o  Fernandes,  Ma- 
noel Fcrnardes.  Afonso  Sardinha,  Alonso  Anes,  João  Ramalho,  Francisco 
Peres  e  Simão  Jorge. 

Gra7'ura  3S  —  Pág.  405 

Diogo  António  Feijó  (17S4-1843)  foi,  como  é  sabido,  um  dos 
homens  de  maior  projeção  politica  na  fase  de  fundação  e  consolid  ção 
do  Império  Brasileiro.  Deputado  às  Cortes  de  Lisboa  (1822),  à  A-scm- 
bléia  Ge-al  Ledslativa  (1826-1P30),  M'nistro  d?.  Juniça  na  Reirènria 
Provisória  (1831-1832),  Senador  (1833-1835  c  1839)  e  Rcg-nte  do 
Império  (1835-1837),  na  cidade  de  São  Paulo  viveu  em  uma  chácara 
na  Agua  Rasa  (no  local  em  que  hoje  está  o  Asilo  Anália  Franco) 
e  aí  cultivou  o  chá. 

Gravura  39  —  Pág.  415 

José  Arouche  de  Toledo  Rendon  (1756-1834)  nasceu  na  cidade  de 
São  Paulo  c  estudou  cm  Coimbra,  onde  obteve  em  1779  o  grau  de 
doutor  cm  leis.  \'oltando  à  sua  terra,  dedicou-se  à  advocaci.i  e  à  ma- 
gistratura, desempenhando  depois  comandos  militares,  demarcando  e 
a  ruando  em  1811  a  chamada  Cdade  Nova  e  abrindo  o  largo  q"o  tem 
hoj-:  o  seu  nome,  para  exercício  das  trepas.  Fez  parte,  em  1823,  da 
Assembléia  Constituinte,  e  foi  o  primeiro  diretor  da  Academia  de  Direito 
de  São  Paulo,  cargo  que  ocupou  até  1833.  É  autor  de  "memórias" 
sóhre  as  aldeias  de  í'-dios,  a  situação  da  agricultura  e  a  cultura  do  chá 
na  cfpitania  de  São  Paulo  (dizem  que  ch"gou  a  ter  54  mil  arbustos  na 
sua  cháca-a  do  Morro  do  Chá)  e  de'xou  tan-.hem  alguns  trabalhos 
"de  fantana",  entre  cs  quais  Toledo  Piza  mencionou  "A  superioridade 
das  letras  sobre  as  armas,  isto  é,  dos  Filhos  de  Minerva  sobre  os 
Alunos  de  M;  rte".  Em  1825  doou  sei^-centos  volumes  para  a  Biblioteca 
Pública  que  então  se  fundou.  Vieira  Bueno  cortou  que  para  se  matri- 
cular na  Academia  em  1832  i-do  à  chácara  de  Arouche  com  seu  reque- 
rimento, foi  "ecebdo  pelo  hom^m  "trajando  um  pitoresco  rf  be  de 
chambre  de  cores  vivas,  e  de  cabeleira  empoada,  munida  do  competente 
rabicho  com  laçadas  de  fita  preta." 

Gravuras  que  abrem  o  capítulo  "O   Cururu  e  a  Casa  da  Ópera"  — 
Pág.  421 

O  primeiro  teatro  paulistano  —  não  se  falando  de  uma  casa  da  rua 
de  São  Bento  onde  se  fizeram  rep-esent  ções  — ■  foi  o  chamado  Teatro 
da  Ópera  ou  Casa  da  Ópera,  no  pátio  do  (Tolégio,  ao  lado  do  palácio  dos 
governadofes.  Levantado  em  1793,  diferia  poixo  dos  demais  sobrados 
da  cidade.  A  sala  tinha  v.nte  e  oito  camarotes  em  três  ordens,  e  a 
lotação  total  era  de  trezentas  e  cinqiienta  pessoas.  Escreveu  Saint-Hi- 
laire  em  1819  que  as 'suas  decorações,  pano  de  bõca  e  pintura  do  teto 
não  valiam  gr;  nde  coisa.-  O  segundo  desenha  se  refere  à  música_  em 
São  Paulo,  o  gôsto  por  essa  arte  tendo  se  desenvolvido  entre  os  paulistas 
provavelmente  no  setecentismo,  pois  no  começo  do  século  passado  ma'S 


35 


1436 


KRNANI     SILVA  BRUNO 


de  um  viajante  estrangeiro  se  referiu  ao  desembaraço  com  que  algumas 
mulheres  cantavam  ou  tocavam  guitarra,  ao  passo  que  uma  das  surpresas 
maiores  que  teve  o  pesquisador  dos  inventários  coloniais  de  São  Paulo 
—  Alcântara  Machado  —  foi  a  ausência  quase  completa,  nas  relações 
desses  espólios,  de  violas  e  guitarras,  "  esses  companheiros  da  gente 
peninsular." 

Gravura  40  —  Pág.  427 

Os  "autos  '  dos  Jesuítas  foram  representados,  desde  os  tempos  pri- 
mitivos, na  povoação  de  São  Paulo:  já  em  1570  Anchieta  ao  lado  da 
igrejinha  do  Colégio,  apresentara  "A  Pregação  Universal".  Enquanto 
não  houve  casas  de  esi)etáculp,  não  só  em  São  Paulo  como  nas  demais 
vilas  brasileiras,  o  teatro  se  fazia  em  tablados  em  geral  improvisados 
nos  terreiros  das  igrejas.  Tablados  —  como  escreveu  Melo  Morais 
Filho  —  em  torno  do  qual  cresciam  festões  vegetais  formados  de  tre- 
padeiras e  parasitas. 

I  ' 
Gravura  41  —  Pág.  431 

Escreveu  João  Maurício  Rugendas  que  a  música,  a  dança  e  a 
conversação  substituíam,  entre  os  paulistas,  o  jógo,  que  era  um  dos 
divertimentos  prir.cipais  na  nia  oria  das  outras  regiões  brasileiras,  onde 
eram  s?guidos,  nesse  ponto,  os  hábitos  portugueses  ou  ingleses,  ao  passo 
que  os  paulistas  haviam  conservado  as  tertúlias  da  Espanha.  Em  seu 
desenho  intitulado  "  Costumes  de  São  Paulo",  aqui  reproduzido,  aparece 
um  mulato  tocando  violão.  Infelizmente,  segundo  Ian  de  Almeida  Prado, 
o  litógrafo  deformou  e  amaneirou  o  trabalho  original  do  desenhista. 
João  Maurício  Rugendas  (1802-1858)  nasceu  em  Aurborg,  Alemanha. 
Veio  para  o  Brasil  contratado  como  desenhista  da  expedição  do  cônsul 
da  Rússia  Baião  de  Langsdorff  (1825),  mas  abandonou  os  companheiros 
e  começou  a  viajar  particularmente.  Regressando  à  Europa  publicou, 
em  francês  e  em  alemão,  em  1835,  a  primeira  edição  de  seu  livo 
com  desenhos  feitos  em  nosso  país. 

V 

Gravura  fora  do  texto  —  Depois  da  pág.  438 

Rufino  José  Felizardo  e  Costa  —  autor  da  primeira  planta  da 
cidade  de  São  Paulo  —  nasceu  parece  que  em  Portugal,  em  1784,  e 
morreu  em  São  Paulo  em  1824.  Quando  executou  o  mapa  era  segundo- 
tenente  do  Real  Corpo  de  Engenheiros.  Foi  auxiliar  do  engenheiro  Jo.io 
da  Costa  Ferreira  e  mais  tarde  diretor  da  Fábrica  do  Ipanema.  Um 
gravador  do  Rio  de  Janeiro,  M.  J.  Cardoso,  foi  quem  imprimiu  em 
1841  a  planta  de  Rufino  feita  em  1810,  com  os  desenhos  que  aí  aparecem, 
provàvelmente  de  autoria  de  Miguel  Arcanjo  Benício  Dutra,  a  propósito 
do  qual  veja-se  nota  sóbre  a  Gravura  25.  Os  edifícios  são,  à  erquerda, 
a  partir  do  alto:  o  Palácio  do  Govêrno  e  a  igreja  do  Colégio;  o 
Quartel ;  o  convento  de  Santa  Teresa ;  a  Câmara  e  Cadeia ;  e  a  Acade- 
mia de  Direito  e  igrejas  do  largo  de  São  Francisco;  no  centro,  igrejas 
de  São  Pedro  e  da  Sé;  à  direita,  pirâmide  de  Piques;  claustro  de 
São  Francisco;  o  convento  da  Luz;  o  convento  de  São  Bento;  e  o 
convento  e  igrejas  do  Carmo. 


HISTÓKIA  E  TRADIÇÕES  DA   CIDADE  DE  SÃO  PAULC  143/ 


Cramtra  que  abre  o  cnfitiihi  "Burgo  de  Estudantes"          pág.  -,'41 

O  desenho  mostra  o  velho  edifício  da  Academia  dc  Direito,  com  a 
igreja  contígua,  e  figuras  típicas  da  rua  paulistana  na  época:  unr.\ 
negra  com  seu  tabuleiro,  estudantes  de  casaca  ou  de  ponche,  uma  mu- 
lher de  mantilha.  Sabe-se  que  as  mulheres  das  classes  mais  abasta- 
das ainda  em  meados  do  século  passado  usavam  em  São  Paulo  manti- 
lhas de  pano  íino  com  largas  rendas  de"  retrós,  enquanto  que  as  de 
classe  mais  humilde  e  as  escravas  embrulhavam  a  cabeça  c  os  ombros 
em  dois  côvados  de   pano  ou  baeta. 

Gravura  42  —  Pág.  443 

Reprodução  do  desenho  estampado  no  livro  de  Kidder  e  Fletcher 
O  Brasil  e  os  Brasileiros.  Segundo  o  reverendo  Fletcher,  as  nume- 
rosas torres  e  os  velhos  edifícios  conventuais  —  que  aparecem  na 
gravura  —  davam  a  São  Paulo  um  aspecto  mais  imponente  que  o  de 
uma  cidade  de  maior  população.  Provàvelmente  o  Elliot,  de  São  Paulo, 
mencionado  como  autor  dêsse  panorama,  era  o  engenheiro  inglês 
William  Elliot,  que  pouco  depois  da  visita  de  Fletcher  (1855)  foi 
encarregado,  pelo  governo  da  província,  de  proceder  a  uma  nova 
canalização  de  água  para  os  chafarizes  da  cidade.  Daniel  Parrish 
Kidder  (1815-1891),  missionário  protestante  norte-americano,  chegou  ao 
Rio  em  1837,  percorreu  as  províncias  do  sul  e  depois  as  do  norte 
do  Brasil,  regressou  aos  Estados  Unidos  em  1840  e  em  1845  publi- 
cou o  seu  livo,  ampliado  e  refundido  mais  tarde  por  seu  colega 
James  Cooley  Fletcher,  nascido  em  1823  e  cujas  viagens  em  nosso 
país  foram  realizadas  entre  os  anos  de  1851  e  18'55.  Em  1857  apa- 
receu a  primeira  edição  de  Brasil  and  tlie  Brazilians. 

Grazwa  43  —  Pág.  449 

Maqueta  da  cidade  em  1841.  Aparecem  aí,  no  centro,  os  fundos 
da  igreja  do  Rosário  e  a  rua  de  São  Bento,  em  cuja  extremidade 
íiguram  as  igrejas  de  São  Francisco  e  da  Ordem  Terceira  dos  Fran- 
ciscanos e  a  Academia  de  Direito;  à  direita  a  rua  Nova  de  São 
José  (Libero  Bada-ó)  e  à  esquerda,  aos  fundos,  a  igreja  de  São 
Gonçalo,  no  pátio  da  Cadeia.  A  maqueta,  existente  no  iMuseu  Pau- 
lista, foi  modelada  por  iHenrique  Bakkenist,  sob  as  indicações  do 
historiador  Afonso  de  E.  Taunay,  e  baseada  em  planta  cadastral  exis- 
tente  no   Arquivo   do   Ministério   da  Guerra. 

Gravura  44  —  Pág.  453 

Igreja   e  mosteiro  de   São  Bento  em   1835,  segundo  desenho  de 

Wasth  Rodrigues   existente   no   Museu   Paulista.  A   propósito  desses 

edifícios  veja-se  nota  sobre  gravuras  que  abrem  o  capítulo  "A  Ró- 
tula sôbre  a  Taipa". 

Gravura  45  —  Pág.  457 

Igrejas  de  São  Francisco  e  da  Ordem  Terceira  de  São  Fran- 
cisco em  torno  de  1870.  A  primeira  se  originou  de  capela  provàvel- 
mente edificada  n-<-.  nltimos  anos  do  quinhentismo  ou  nos  primeiros 


1438 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


do  seiscentismo,  e  a  secrunda  em  1646,  tendo  sido  aumentada  e  remo- 
delada  por   volta    de  1784. 

Gravuras  que  abrem  o  capítulo  "Os  Sobrados  e  os  Balcões"  —  Pág.  465 

O  primeiro  desenho  reproduz  uma  casa  da  rua  do  Príncipe  (Quin- 
tino Bocaiuva),  quando  ainda  era  comum  a  residência  de  famílias 
abastadas  de  São  Paulo  em  su^  área  central,  em  ?obradões  com  jane- 
las de  rótula  ou  guarnecidas  de  longas  sacadas  de  fe-ro  que  abraça- 
vam todas  as  janelas,  ostentando  esteios  para  as  luminárias.  O  se- 
írundo  desenho  fixa  o  aspecto  de  um  sobrado  existente  em  mead  ?s 
<1o  século  passado  na  rua  do  Rosário  ou  da  Imperatriz  (15  de  No- 
vembro) e  pertencente  a  Domingos  de  Paiva  A7eve(!o.  As  casas  de 
<jrís  e  prircipalmente  as  de'  ma"s  de  dois  pavimentos  parecem  ter 
tomado  impulso  mais  notável  em  São  Paulo  a  partir  de  meados  do 
século,  e  já  em  1849  a  Câmara  confeccionava  uma  postura  a  fim  de 
que  os  prédios  a  ser  construídos  de  então  em  diante  tivessem  um 
padrão  que  regulasse  suas  alturas  para  que  conservassem  "a  beleza 
da  igualdade". 

Gravura  46  —  Pág.  467 

1\UT  Direita  em  1-^70,  vendo-se  aos  fundos  à  esquerda  a  igreia  de 
Santi  Artônio.  Em  fins  do  quinhcntismo  já  exi=tia  na  vila  a  ermida 
de  Sa"to  .Antônio,  que  deu  s-^u  nome  à  primitiva  caracteri^arfio  da 
rua  Di-eita:  "Direita  da  iMis?ricórdia  para  Santo  Antônio".  .\s 
casas  de  taina  continuavam  sendo  o  tipo  de  construção  d^jminante  -ité 
para  os  ed'fícios  de  maiores  proporções.  A  tnips  impunha  o  beiral 
saliente,  pois  era  preciso  impedir  que  a  água  das  chuvas  molhas''e  <? 
fizcs.^e  apodrecer  os  alicerces  das  edificações.  O  viajante  Saint-Hj- 
lai-e  rão  achou  exagerados  os  beVais  das  casas  paulistanas.  Não 
tanto,  pelo  meros,  como  os  que  corhecera  em  Vila  Rica.  Os  be-rnis 
e  as  gotei-as  pendentes  davam  ao  conjunto  das  edificações  de  São  Paulo 
em  meados  do  oitocer.iismo,  segundo  o  reverendo  Fletcher,  "  um  pito- 
resco suiço". 

Gravura  47  —  Pág.  471 

Casas  de  taipa  e  beirais  na  rua  de  São  Franc"sco  em  tôrno  de 

1860.    .\  propósito  de  edificações  de  taipa,  e  de  beirais,  veja-se  nota 

sôbre  a  gravura  antcrioi.  Nesta  fotografia  aparecem,  ao  fundo,  o 
chifariz  e  a  pirâmide  do  Piques. 

Gravura  4S  —  Pág.  475 

Casas  com  rótulas  e  beirais  na  rua  Onze  de  Agosto,  que  se  cha- 
mou primitivamente  rua  do  Quartel  e  cujo  trecho  inicial,  entre  as 
rua''s  Venceslau  Brás  e  Santa  Teresa  (Rangel  Pertana)  denomiiiou-se 
antes  beco  dos  Minas.  Na  gravura  aparece,  aos  fundos,  o  começo 
da  rua  da  Glória. 

Gravura  49  —  Pág.  481 

iNIosteiro  e  igreja  de  São  Bento  em  1847,  a  propósito  dos  quais 
veja-se  nota   sóbre   as   gravuras   que  abrem   o   capítulo   "  A  Rótula 


HISTÓRIA   E   TRADIÇÕES  DA  CIDADE  DE  SÃO  PAUI.C  1439 


sobre  a  Taipa".  Precisamente  em  1847  foram  essas  editicai;Õti  ^a,',  • 
minadas  pelo  engenheiro  militar  Ouriques,  em  vista  do  aspecto  al^.i 
ruinoso  que  ostentavam.  Escreveu  a  respeito  Ouriques:  "A  torre  ó 
exteriormente  sombria,  sem  elegância,  é  um  pensamento  pesado;  ao 
vê-la  senti  também  como  que  uma  proximidade  de  desmoronamento; 
mas  a  análise  prova  o  contrário",  A  propórito  de  Dutra  —  autor 
do  desenho  aqui  reproduzido  —  veja-se  nota  sôbre  a  Gravura  2S. 

Gravura  50  —  Pág.  485 

Igreja  de  São  Pedro,  no  largo  da  Sé,  em  1860.  Datava  de  1740, 
e  ficava  no  ponto  em  que  agora  se  acha  o  edifício  da  Caixa  Econôínxa. 
O  sobrado  de  rótulas  que  lhe  fica  contíguo  seria  demolido  em  fins 
do  século  passado  para  melhor  alinhamento  da  rua  da  Fundição  (Flo- 
riano Peixoto).  Em  1869  entraria  cm  obras  a  igreja,  ficando  fecha- 
da até  1871.  Em  fins  do  século  passado  suas  paredes  encg  ecidas  lhe 
davam  um  aspecto  lúgubre.    Seria  demolida  no  começo  do  século  atual. 

Gravura  51  —  Pág.  489 

Igreja  de  Santa  Ifigênia  em  meados  do  século  passado,  segundo 
quadro  de  Wasth  Rodrigues  existente  no  Aluseu  Paulista.  Em  forma 
de  capela  ficara  concluída  em  1795,  edificada  pelos  negros  da  coiiíraria 
de  Santa  Ifigênia  e  Santo  Ehsbão.  Um  manuscrito  dessi  época, 
citado  pelo  Almanaque  Literário  de  São  Paulo  para  1S77 ,  dizia:  "A 
presente  capela  é  mais  um  palheiro  que  outra  coisa". 

Gravura  52  —  Pág.  493 

Sobradões  ed'ficados  em  1852  e  1854  por  Antônio  Cavalheiro  e 
Domingos  de  Paiva  Azevedo,  na  esquina  da  rua  do  Rosário  ou  Im- 
peratriz (15  de  Novembro)  com  a  do  Tesouro.  Segundo  o  cronista 
António  Egídio  Martins,  Azevedo  perguntara  a  Cavalheiro :  "  Está 
fazendo  o  seu  sobradão?  —  Estou  sim,  isso  é  pa:a  quem  tem  ânimo... 
—  Ah,  é  para  quem  tem  ânimo?  Pois  vais  ver  um  outro,  de  três 
andares. 

Gravura  53  —  Pág.  497 

O  sobrado  d?  Domingos  de  Paiva  Azevedo,  fotografado  de  outro 
ângulo.    Veja-se  nota  anterior. 

Gravuras  que  abrem  o  capítulo  "Sob  a  Lu::  do  Aaeite"  —  Pág.  503 

Os  primeiros  lampiões  da  cidade,  para  iluminação  das  ruas,  eram 
colocados  em  geringonças  presas  nas  paredes  de  algumas  casas.  Enor- 
me geringonça  de  ferro  —  como  escreveu  o  cronista  Vieira  Bueno  — 
que  pregada  na  parede  de  uma  esquina,  estendia  por  cima  da  rua  longo 
braço.  Algumas  dessas  armações  subsistiram  até  a  segunda  met?.de  Jo 
século  passado,  mesmo  depois  que  a  maio"ia  dos  lampiões  passou  a 
ser  colocada  no  alto  de.  postes.  O  segundo  desenho  mostra  caveiras 
de  bois  no  beco  dos  Cornos.  Êsse  beco  ficava  nas  proximidades  do 
antigo  iMatadouro,  e  nêle  se  depos'tavam  os  chifres,  os  ossos  e  outros 
resíduos  imundos  dos  animais  abatidos. 


1440 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Gravura  54  —  ^'ág.  507 

PavimentaçSo  com  pedras  irregnlares,  iio  Piques.  Vieira  Bueno, 
referiiido-se  à  época  em  torno  de  1830,  escreveu  que  o  calçamento 
das  ruas  de  São  Paulo  era  péssimo,  feito  de  pedras  não  aparelhadas 
e  além  disso  de  qualidade  má  para  essa  aplicação,  por  serem  de  forma 
irregular  e  sem  nenhuma  resistência.  Sobre  essa  má  pavimentação  das 
ruas  pauVstanas  existem  referências  constantes  na  correspondência  do 
poeta  Álvares  de  Azevedo. 

Craimra  55  —  Pág.  513 

Calçadas  estreitas  na  rua  Direita  (1865-1870).  Posturas  dessa 
época  determinavam  que  os  donos  de  casas  de  algumas  ruas  —  entre 
as  quais  a  Direita  —  seriam  obrigados  a  calçar  as  suas  testadas  com 
lajes  de  Ttu  ou  ped-as  de  cantaria  lavradas,  que  tivessem  a  largura 
de  seis  palmos.  A  gravura  mostra  que  essas  determinações  nem  sem- 
pre eram  cumpridas,  pois  os  passeios  que  aí  aparecem  não  cbegavam 
certamente  a  um  metro  de  Inrgura. 

Gravura  56  —  Pág.  519 

Rua  da  Boa  Morte  com  cas.as  de  rótulas  (1870).  Além  da  péssi- 
ma pavimentação,  aparecem  aí  casas  com  janelas  de  rótula  abertas 
sôbre  os  passeios,  contrariando  disposições  do  poder  municipal.  Já 
em  1855  uma  postura  proibia  que  essas  rótulas  se  abrissem  para 
fora.  Os  que  eram  partidários  da  abolição  das  rótulas  aludiam  sempre 
ao  perigo  de  abalroamento  pnr  pirte  d°  transeuntes  desprevenidos. 

Gravura  57  — •  Pág.  S27 

Rua  da  Esperança  (1860-1870).  De  leito  bastante  irregular,  cer- 
cada por  casas  térreas  com  janelas  de  rótula  e  sobrados  com  saca- 
das, de  largos  beirais.  Desapareceria  no  comêço  do  século  atual,  cora 
a  demorção  de  vários  quarteirões  para  ampliação  do  largo  da  Sé. 
Era  paralela  à  do  Quartel   (Onze  de  Agosto). 

Gravura  58  —  Pág.  531 

O  pátio  do  Colégio  em  1847,  desenho  de  Miguel  Arcanjo  Benício 
Dutra  existente  no  Museu  Paulista.  Sôbre  o  pátio,  veja-se  nota  sôbre 
a  Gravura  13;  sôbre  o  convento  dos  Jesuítas,  nota  sôbre  a  gravura 
que  abre  o  capítulo  "  O  Colégio  e  as  Letras"  e  sôbre  a  Gravura  37. 
A  igreja  do  Colégio,  contemporânea  da  fundação  do  povoado,  foi 
sendo  aos  poucos  ampliada  e  sucessivamente  reformada.  Já  era  uma 
construção  regular  quando  da  expulsão  dos  Jesuítas,  em  1640.  Em 
1701  passou  por  outra  reforma,  concluíndo-se  então  a  sua  tôrre  de 
pedra  e  cal.    A  propósito  de  Dutra  veja-se  nota  sobre  a  Gravura  25. 

Gravura  59  —  Pág.  539 

Lampião  preso  a  uma  porta  (1860).  O  edifício  é  o  dos  Barões 
de  Tatuí,  na  rua  Nova  de  São  José  (Libero  Badaró),  que  seria 
mais  tarde  demolido  para  construção  do  Viaduto  do  Chá.  Sôbre 
lampiões  de  geringonça,  veja-se  nota  sobre  a  gravura  que  abre  O 
capítulo  "  Sob  a  Luz  do  Azeite." 


HISTÓRIA   K    IRADIÇÕES  P\   CIDAnp;   Dh   SÃO   IA"  T.O  1441 


Gravura  60  —  Pág.  543 

Lampião  preso  a  uma  parede,  iia  rua  da  Tabatinçuera.  Bastaiuc 
irregular  essa  rua,  sem  passeios  em  alguns  de  seus  trechos,  com  um  ou 
outro  sobrado  e  pequenas  casas  térreas  com  janelas  de  rótula.  A 
esquerda  um  lampião  colocado  da  forma  por  que  se  fizera  quando 
do  início  da  iluminação  pública  na  cidade. 

Graviira  61  —  Pág.  547 

Rua  da  Imperatriz  (15  de  Novembro)  à  noite,  em  1S62.  Ouadro 
de  Wasth  Rodr  gues  (Museu  Paulista),  baseado  em  fotoirraTia  da 
época.  Sobradões  com  janelas  de  rótula  e  outros  com  balcões.  Pas- 
seios estreitíssimos. 

Gravuras  que  ahrcm  o  capítulo  "No  Retiro  das  Chácaras"  —  Pág.  555 

O  primeiro  desenho  reproduz  o  aspecto  fixado  na  Gravura  60. 
A  rua  da  Tabatingiiera  era  na  época  o  extremo  da  parte  mais  den- 
samente urbanizada  da  cidade,  daí  para  diante  estendendo-se.  sobre  as 
várzeas  do  Tamsnduateí,  apenas  uma  ou  outra  casa  de  campo.  O  se- 
gundo_  desenho  fixa  um  portão  de  chácara.  As  chácaras  mais  aris- 
tocráticas dos  arredores  da  cidade,  em  meados  do  século  passado, 
ostentavam  muros  com  leões  de  louça  e  portões  de  ferro  batido,  de 
arabescos  caprichosos. 

Gravura  62  —  Pág.  557 

Maqueta  da  cidade  em  1841  (veja-se  nota  sôbre  a  Gravura  43). 
Em  primeiro  plano  a  Várzea  do  Tamanduateí ;  no  centro  os  fundos 
do  antigo  convento  e  da  igreja  dos  Jesuítas,  os  fundos  da  igreja 
de  São  Pedro  e  a  fachada  da  Sé;  nos  fundos  o  largo  e  a  igreja 
de  São  Gonçalo:  mais  pa-a  a  esquerda  o  convento  de  Santa  Teresa 
e  as  igrejas  do  Carmo  e  Ordem  Terceira  do  Carmo;  à  direita  a  igreja 
da  Misericórdia. 

Gravura  63  —  Pág.  561 

Chácara  da  Tf-batingii^ra  (1862),  também  chamada  do  Osório  ou 
do  Mereles.  Pertenceu  a  Francisco  de  Assis  Lorena,  filho  do  gover- 
nador Bernardo  José  de  Lorena,  e  em  suas  terras  se  abririam,  em 
fins  do  século  passado,  as  ruas  Conselheiro  Furtado,  Conde  de  Sar- 
zedas.  Bonita   (Tomás  de  Lima)   e  Santa  L"zia. 

Gravura  64  —  Pág.  565 

Chácara  Mauá,  Charpe  ou  do  Campo  Redondo,  em  torno  de  1870. 
Em  1879  seria  comprada  pelo  alemão  Frederico  Glette,  que  mandaria 
^brir  em  suas  terras  as  ruas  dos  Protestantes,  do  Triunfo,  dos  Andra- 
das,  dos  Gusmões,  General  Osório.  Duque  de  Caxias,  Barão  de 
Piracicaba,  Helvetia,  alamedas  Glette  e  Nothman. 

Gravura  65  —  Pág.  569 

Chácara  Bresser  em  1860.  Localizava-se  no  Brás  e  pertenceu  ao 
alemão   Carlos   Abraão   Bresser,   que    foi   engenheiro   da   Câmara.  O 


1442 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


bairro  do  Brás  era  nessa  época,  segundo  Emílio  Zaluar,  notável  pelas 
suas  chácaras  onde  viviam  famílias  abastadas.  José  de  Alencar,  em 
um  de  seus  romances,  referiu-se  a  uma  casa-grande  abarracada,  "  ao 
gosto  paulista",  em  uma  chácara  extensa  (|ue  ficava  cm  um  "dos 
mais  pitorescos  arrabaldes  da  capital  de  São  Paulo";  o  Brás. 

Gravura  66  —  Pág.  573 

Chácara  Loskiell  em  1860,  localizada  logo  depois  da  rua  da  Fi- 
gueira,  na   rua   do   Brás    (Rangel    Pestana).    Veja-se   nota  anterior. 

Gravíiras  que  abrem  o  capítulo  "Carruagens  e  Pontes  de  Pedra"  — 
Pág.  581 

Na  primeira  metade  do  século  passado  eram  pouquíssimas  as 
carruagens  part  culares  existentes  na  cidade,  e  em  1850  ainda  chama- 
vam a  atenção  dos  moradores.  Os  primeiros  cí.rros  de  praça,  por 
outro  lado,  pó  apareceram  em  1855,  com  ponto  no  largo  da  Sé.  Hm 
tómo  de  1870  já  circulavam  pelas  ruas  quarenta  carruagens  parti - 
cula-es  e  setenta  e  sete  de  aluguel,  sendo  vinte  e  deis  tílburis.  O 
segundo  desenho  mostra  a  porte  de  pedra  do  Carmo,  sóbre  o  Taman- 
duatcí.  Pontes  como  er.sa  davam  um  aspecto  pitoresco  à  várzea  e 
eram  pontos  de  aglomeração  de  gente  que  lavava  roupa  ou  que 
fazia  horas. 

Gravura  67  —  Pág.  585 

Ponte  e  Serra  do  Cubatão  e  Caminho  do  Mar  em  1855,  dese- 
nho reproduzido  do  livro  O  Bras'l  c  os  Brasileiros  de  Kidrler  e  Flet- 
cher.  "  Na  gravura  a  atua!  estrada  real,  relativamente  ainda  mu'to 
sinuosa  —  escreveu  Fletcher  —  mostra  o  seu  forte  contraste  com  a 
estrada  quase  ve-tical  feita  pelos  primeiros  Jesuítas.  A  estrada  dos 
Jesuítas  é  a  linha  escura  que  parece  dividir  a  montanha  cónica  em 
partes  iguais".  Sóbre  a  autoria  do  desenho,  disse  o  mesmo  autor: 
"  Em  Lime'ra  encontrei  um  engenheiro  alemão  que,  com  sua  espósa 
haml)urguésa,  uma  senhora  bastante  instruída  (a  quem  devo  os  esboços 
da  ponte  do  Cubatão  e  da  casa  de  um  colono  alemão)..."  A  pro- 
pósito de  Kidder  e  de  Fletcher  veja-se  nota  sóbre  a  Gravura  42. 

Gratmra  68  —  Pág.  589 

A  cidade  vista  do  Caminho  da  Penha  em  1854,  segundo  quadro 
de  J.  V.  Adams  (Museu  Paulista)  provàvelmerte  baseado  no  desenho 
de  Ellíot  estampado  no  livro  de  Kidder  e  Fletcher.  Veja-se  nota 
sóbre  a  Gravura  42. 

Gravura  69  —  Pág.  593 

A  primitiva  estação  da  Ertrada  de  Fer-o  Inglê=a  em  1867.  Para 
sua  edificação  o  Jardim  PúblVo  da  Luz  fóra  em  1860  desfalcado 
de  vinte  braças  de  terreno.  O  funcionamento  da  primeira  estrada  de 
ferro,  nessa  época,  marcou  o  começo  da  decadência  das  trop-s  e  dos 
velhos  caminhos,  e  até  de  povoações  e  bairros  que  ao  primitivo  mo- 
vimento ca-gueiro  deviam  a  sua  vitalidade :  Ipiranga,  São  Bernardo,  a 
Freguesia  do  Ó. 


HISTÓRIA  E  TRADIÇÕES  T>\  CIDADE  DE  SÃO  PAVlC  1443 


Gravura  70  —  Pág.  599 

Cavalos  estacionados  na  rua  de  São  Bento  em  1860.  Em 
proibia  o  poder  municipal  que  se  largassem  cavalos  soltos  pelas  ruas 
ou  então  atados  a  portas,  janelas  e  lampiões,  atrapalhando  o  trânsito. 
No  ano  seguinte  apresentava-se  na  Câmara  um  projeto  de  postura 
proibindo  o  uso  de  se  ama'"rarem  animais-  nas  esquinas  e  nos  batentes 
das  portas  das  casas,  nas  fregu-ísias  da  Sé  e  Santa  Ifigênia,  para  que 
ficasse  livre  o  trânsito  pelos  passeios.  Mas  é  evidente  que  nem  sem- 
pre eram  obedecidas  essas  determinações.  Em  1854  o  Correio  Pan- 
listaiw  escrevia  que  não  havia  dia  em  que  não  se  visrem  muitas  ruas, 
"mesmo  as  mais  públicas",  obstruídas  de  carros  e  de  animais  por 
todos  os  cantos. 

Gravura  71  —  Pág.  603 

Reprodução  de  desenho  estampado  no  livro  de  Alfonso  Lo\nonaro 
Al  Brasilc,  fixando  aspecto  provàvelmente  em  tôrnn  de  1S70.  -Até 
1867  os  carros  de  boi  trafegavam  pelas  ruas  da  cidade  como  nas 
estradas:  com  os  bois  embal-dos  nela  música  dos  ei.xos  em  que  se 
prendiam  as  rodas  maciças.  Só  naquele  ano  (1867)  uma  postura  proi- 
biu o  "chio". 

Gravura  72  —  Pág.  609 

De  enorme  importância  se  revest'am  e  por  isso  eram  numero-íos  na 
cidade  em  me- dos  do  século  passado  os  ferradorf^s  e  os  vetcri-iários 
rústi~os,  em  vista  da  quartidade  de  tropas  cargueiras  que  transitavam 
por  São  Paulo,  e  em  seguida  pelo  aumento  do  número  de  carruagens. 

Gravura  73  —  Pág.  617 

As  lavadei"as  de  roupa  que  trabalhavam  no  Tamanduateí,  geral- 
mente perto  das  pontes  contrariavam-se  com  a  permanência  ali  (sobre- 
tudo na  ponte  do  Mercado),  segundo  Martins,  de  comerciantes  da 
rua  da  Imperatriz  que  faziam  fo  local  seus  pasreios,  todas  as  tardes, 
retornando  depois  para  as  suas  lojas.  A  ponte  que  aparece  na  gravura 
ligava  a  ladéira  do  Carmo  ao  aterrado  do  Brás. 

Gravuras  que  ahrcui  o  capítulo  "Saúva  e  Chafarhcs"  —  Pág,  625 

A  gravura  reproduz  o  mais  famoso  dos  chafarizes  paulistanos,  o 
do  Tebas  ou  da  Misericórdia,  que  datava  de  fins  do  féculo  dezo'to. 
O  segundo  desenho  fixa  o  Cacório,  tipo  popular  das  ruas  paulistanas 
na  primeira  metade  do  século  pasrado,  que  andava  de  camisolas  e  ce- 
roulas curtas  de  algodão,  vendendo  garapa. 

Gravura  74  —  Pág.  627 

Casa  do  Brigadeiro  Tobias  e  bica  do  Acu  —  aspecto  baseado  em 
desenho  que  figura  no  Prospecto  do  Dicionário  Etiinolóqico,  His  órico, 
Topofjráiicn.  Estatístico.  Binnráfico.  Bil)lionráiico  c  Etvográfico  Ilus- 
trado de  São  Paulo,  de  Afonso  A.  de  Freitas.  A  casa  tinha  nos 
fundos  um  pátio  interessante,  todo  rodeado  de  varandas,  com  escadas 


1444 


ERNÂNI      SILVA  BRUNC 


comunicando  com  todos  os  andares :  um  ar  de  habitação  espanhola,  se 
gundo  Ian  de  Almeida  Prado.  A  bica  do  Acu  era  utilizada  desde  os 
tempos  coloniais  para  abastecimento  de  água  e  foi  reedificada  pela 
Câmara  tm  1783.  Fornecia  no  entanto  água  impura,  com  mau  cheiro 
e  horrendo  sabor  (como  se  registrava  nas  próprias  atas  da  Câmara) 
fazendo  jus  ao  seu  nome,  pois  segundo  Freitas  Acu  ou  lacuba  signi- 
ficam veneno  ou  água  venenosa.  A  casa  e  a  bica  localizavam-se  entre 
a  rua  Brigadeiro  Tobias  e  a  ladeira  de  Santa  Ifigênia. 

Gravura  75  —  Pág.  633 

Nesses  Campos  do  Bexiga,  à  beira  da  então  estrada  de  Santo 
Ama-o.  localizava-se  em  tôrno  de  1830  o  curral  do  Conselho.  A  rua 
de  Santo  Amaro  —  segundo  um  cronista,  depois  de  1870  —  "era  rua 
quiçá  dos  diabos,  que  nunca  daquele  santo.  Tortuosa,  grimpante, 
esburacada,  triste :  sorte  de  ruela  romanesca,  propícia  a  deslombamentos 
e  deniços". 

Gravura  76  —  Pág.  645 

Chafariz  e  igreja  da  Misericórdia  por  volta  de  1870.  O  chafariz 
fôra  conrtruido  em  1792  com  pedras  da  região  de  Santo  Amaro 
transportadas  em  canoas  e  desembarcadas  no  porto  da  Tabatirgiiera, 
pelo  mestiço  Tebas.  Em  1886,  quando  da  ampliação  do  largo  da 
Misericórdia,  seria  transferido  dali  pa-a  o  largo  de  Santa  Cecília, 
onde  permaneceu  até  o  começo  do  século  atual,  quando  foi  demolido. 
A  igreja  da  Misericórdia,  que  em  forma  de  humMde  capela  existia 
desde  o  começo  do  seiscentismo,  teve  nova  edificação  em  1717. 

Gravura  77  —  Pág.  651 

Chafariz  e  pirâmide  do  Piques  em  1860.  Edificados  em  1814  sob 
a  orientação  do  marechal  Daniel  Pedro  Muller.  O  obelisco  foi  cons- 
truído pelo  pedreiro  Vicente  Gomes  Pereira,  o  "  Mestre  Vicentinho", 
constituindo  homenagem  do  Conde  da  Palma  ao  governador  Bernardo 
José  de  Lorena.  Ficava  primitivamente  dentro  da  água  que  enchia  a 
bacia,  a  qual  só  foi  retirada  dali  —  escreveu  Vieira  Bueno  —  depois 
que  numa  noite  roubaram  uma  grade  de  ferro  que  rodeava  a  cons- 
trução. O  chafariz  era  abastecido  com  água  captada  no  Tanque  Reuno. 
O  marechal  Daniel  Pedro  Muller,  filho  de  alemães  que  se  fixaram  em 
Portugal,  nasceu  no  mar  quando  sua  família  viajava  para  Lisboa,  e 
veio  para  o  Brasil  como  ajudante-de-ordens  do  governador  Franca  e 
Horta  (1802-1811).  Era  engenheiro  militar,  e  além  da  pirâmide  e 
do  chafariz  do  Piques  dirigiu  a  construção  da  antiga  ponte  do  Carmo. 
Em  1836  organizou  o  conhecido  Quadro  Estatístico  da  Província  de 
São  Paulo.    Morreu  em  1842. 

Gravura  78  ~  Pág.  655 

Reprodução  de  desenho  publicado  em  1865,  no  jornal  Diabo  Coxo, 
pelo  notável  caricatur  ista  Ângelo  Agostini.  "  Um  pouco  por  espírito, 
um  pouco  por  maldade  —  escreveu  Afonso  A.  de  Freitas  —  invo- 
cando a  passagem  bíblica  do  fornecimento  de  água  aos  israelitas  no 
deserto,  aconselhou  aos  sedentos  paulistanos  a  aplicarem  o  mesmo 
processo  do  profeta,  tocando  os  chafarizes  da  Paulicéia  com  varas  ou 


HISTÓRIA   E   TRADIÇÕES  DA   CIDADE   DE  SÃO   PAI  l.G  1445 


varapaus;  o  resultado  foi  a  quase  redução  a  c:;cos  dos  pou m  ir,,,  ■-■ 
fontanários  que  possuíamos."  Ângelo  Agostini  ira  italiiuio  e  nin<i.iu 
e  ilust  ou  vários  jornais  no  Rio  e  em  São  Paulo.  Diabo  Coxo  apa 
receu  em  1864  e  desapareceu  no  ano  seguinte.  Era  redigido  por  Luís 
Gama  e  imprimia-se  na  Tipografia  Alemã,  de  Henrique  Schroeder. 

Gravura  79  —  Pág.  661 

Em  1847  tratou-se  de  fazer  uma  bica  ou  chafariz  na  fonte  do 
Miguel  Carlos,  .considerando-se  que  ela  era  a  "primeira  que  fornecia 
água  para  toda  a  cidade,  pela  sua  riquíssima  qualidad':."  Sabe-se  que 
a  essa  bica  do  Miguel  Carlos  um  grupo  de  estudantes  brincalhões,  mo- 
radores nas  suas  imediações  —  segundo  narrativa  de  Almeida  Nogueira 
—  munindo-se  de  jarros,  bacias,  baldes  e  outros  vasilhames,  costumava 
ir  buscar  água,  de  noite,  improvisando  curioso  cortejo  em  que  figu- 
ravam sujeitos  mais  ou  menos  eni  trajes  de  Adão:  uns  L-m  fraldas 
de  camisa,   outros  de   ceroulas   e  cartola. 

Gravura  80  —   Pág.  665 

Desenho  publicado  por  Angelo  Agostini  no  jornal  Cahrião  em 
1866  e  reproduzido  do  Dicionário  Histórico,  Toponráfico.  Etnoçirúfico 
Ilustrado  do  Município  dc  São  Paulo,  de  Afonso  A.  de  Freitas.  Trecho 
do  Tamanduateí  em  frente  à  zona  do  Mercado,  aparecendo  no  fundo 
o  convento  dos  Carmelitas.  Em  consequência  da  insuficiência  de  água 
nos  chafarizes,  os  moradores  continuavam,  ainda  nessa  época,  a  recor- 
rer à  água  do  Tamanduateí  ou  a  comprar  o  líquido  em  barris,  das 
pipas  ambulantes,  o  que  vinha  a  dar  na  mesma.  "  É  verdade  que  por 
aí  rolam  pipas  soberbas  —  escrevia  um  jornal  do  tempo  —  que  se 
propõem  matar  nossa  sêde,  todavia  apesar  dessa  virtude  evangélica 
que  tanto  as  honra  por  fora,  por  dentro  nada  são  senão  o  Taman- 
duateí, com  a  diferença  de  ser  a  dinheiro  e  mais  prejudicial  à  saúde, 
porque  passa  pelo  lodo  e  pelas  imundícies  intestinas  das  pipas..." 
A  propósito  de  Angelo  Agostini,  veja-se  a  nota  sobre  a  Gravura  78. 

Gravtiras  que  abrem  o  capítulo  "Lojas,  Fábricas,  Hotéis"  —  Pág.  ó71 

O  primeiro  desenho  é  baseado  em  fotografias  de  velha?  lojas  d? 
fazendas  nas  rtias  centrais  da  cidade.  Sabe-se  que  em  meados  do 
século  passado  elas  se  localizavam  quase  tôdas  nas  ruas  do  Triângulo 
e  mais  nas  da  Quitanda,  de  Santa  Teresa  (Rangel  Pestana)  e  largo 
da  Sé.  Em  geral,  até  1860  aproximadamente,  não  faziam  propaganda 
nem  ostentavam  letreiros  ou  tabuletas  em  suas  fachadas.  O  segundo 
desenho  fixa  vendedoras  de  peixe  estacionadas  nas  calçadas  da  igreja 
do  Carmo.  Elas  usavam,  segundo  a  descriçã.o  de  Antônio  Egídio  Mar- 
tins, saias  curtas  e  xales  peqtter.os  de  baeta  azul. 

Gravura  81  —  Pág.  675 

As  chamadas  Casinhas  em  1860,  à  esquerda  de  quem  descia  a 
iadeira  do  Carmo.  As  primeiras  Casinhas  que  serviram  de  mercado 
urbano  foram  feitas  em  1773  (na  rua  das  Casinlxas),  datando  de 
alguns  anos  depois  as  que  aparecem  na  gravura.  Tinham  chiqueiros 
nos  fundos,  onde  os  roceiros  podiam  recolher  porcos  e  capados.  À 


1446 


ERNAN'     «SILVA  BRUNO 


direita  aparece  a  antiga  muralha  do  Carmo  e  aos  fundos  a  várzea, 
inundada 

Graziira  82  —  Pág.  679 

Reprodução  de  desenho  estampado  no  livro  de  Kidder  e  Fletcher 
O  Brasil  c  os  Brasileiros  fixando  o  próprio  reverendo  Fletcher  cru- 
zando, a  cavalo,  as  planícies  do  Ipiranga,  quando  de  viagem  para 
São  Bernardo.  Era  um  4  de  Julho,  e  o  viajante  americaro, 
na  presença  do  local  em  que  se  proclsmara  a  independência  do  Brasil, 
"animado  pelo  entusiasmo",  deu  curso  ao  seu  patriotismo  "gritando 
furiosamente  Yankee  Doodle  e  o  Hail  Columbia  e  causando  não 
pequena  dive-^são  e  espanto  a  uns  viajantes  negros".  Ês=es  humildes 
figurantes  do  esboço  parecem  ser,  no  entanto,  neg"os  vendedores  de  mer- 
cadorias, com  réus  tabuleiros.  A  propósito  de  Kidder  e  de  Fletcher, 
veja-se  nota  sôbre  a  Gravura  42. 

Gravura  S3  —  Pág.  683 

Quitandeiras  de  peixe  no  Carmo  em  1854.  Da  mesma  forma  que 
para  os  n-fgociantes  de  cereais  e  as  negras  quituteiras,  hav'a  locais 
determinados  para  a  venda  do  peixe  aos  consimiidores  em  meados  do 
século  p?ssado.  As  calçadas  da  igreja  do  Carmo  foram  por  muito 
tempo  uma  espécie  de  mercado  de  peixe  da  cidade.  Veja-se  nota 
sôbre  gravuras  que  abrem  o  capítulo  "Lojas,  Fábricas,  Hotéis". 

Gravura  84  —  Pág.  687 

Ladeira  General  Ca"neiro  em  ISíO.  No  primeiro  plano  à  direita 
o  muro  que  CTCundava  em  outros  tempos  o  quirtal  do  antigo  convento 
dos  Jesuítas.  Foi  entre  os  aros  de  18-18  e  1851  que  o  governo  deter- 
minou a  abertura  d°s?a  rua  (antes  chamada  João  Alfredo)  em  terre- 
nos .'ité  então  pertencentes  ao  Palácio  do  Governo. 

Gravura  85  —  Pág.  691 

O  Hotel  Palm  em  1870.  Só  aproximadamente  em  torno  de  1835 
parece  que  começaram  a  aparecer,  na  cidad'',  os  primeiros  hrtéis  que 
davam  hospedagem  sem  cartas  de  recomendação.  Um  desses  primei- 
ros hotéis  paulistanos  fui  o  focalizado  na  estampa:  o  Hotel  Palm, 
primitivamente  Hot°l  dos  Viajantes,  até  que  em  1860  passou  para  a 
propriedade  de  Carlos  Palm. 

Gravura  86  —  Pág.  695 

Êsre  Grande  Hotel  da  Paz  pa-^ece  ter  s'do.  na  sétima  década 
do  século  passado,  um  dos  melhores  da  cidade,  pois  foi  o  que  sofreu 
maior  conoorrénca,  logo  em  segui'la.  do  Grande  Hotel,  inaug"rado 
em  1878  pelo  alemão  Frederico  Glette.  Muitos  hóspedes  do  Hotel 
da  Paz  —  inclusive  alguns  deputados  —  se  transferiram  para  o  novo 
estabelecimento. 

Gravura  87  —  Pág.  701 

Henrique  Fox  se  tornou  bastante  conhecido  entre  os  nwradores 
da  cidade  a  partir  de  meados  do  século  dezenove.  e  simbolizou  bem 


HISTÓRIA   E   TRADI^JÕES  DA   CIDADE   DE  SÃO   rAUI.O  I-i-i-/ 


a  pontualidade  famosa  dos  br'tâiiicos.  No  andar  térreo  d.,  svirrár- 
onde  morava,  na  rua  da  Imperatriz  (15  de  Novembro)  tinha  loja 
de  jóias,  relógios  e  instrumentos  de  música.  Em  1842  construiu  o 
relógio  da  to:re  da  Sé  e  foi  seu  zelador  durante  49  anos.  até  1S9Í, 
quando  morreu.  A  Sé  nurca  atrasou  um  minuto,  escreveu  Cursino  de 
Moura,  acrescentando :  "  Fox,  todas  as  tardes,  erecto,  de  suiças.  do- 
brava a  esquina  da  Sé  pelo  lado  da  rua  .Capitão  Salomão,  e  entrava 
na  catedral  para  inspecionar  a  sua  obra". 

Grazniia  SS  —  Pág.  707 

Lojas  de  fazendas  na  rua  Direita  no  período  ISÍO-IS/O.  Vcja-se 
nota  sobre  gravuras  que  abrem  o  capítulo  "Lojas,  Fábricas,  Hotéis." 

Gravura  89  —  Pág.  713 

O  largo  do  Brás  em  1860.  Em  1P65  passaria  a  se  denominar 
praça  da  Concórdia.  À  esquerda  a  ig-eja  de  Bom  Jesus  do  Ma'o- 
zirhrs,  que  havia  sido  reedificada  em  1800-180,5.  O  bairro  do  Brás 
começou  a  se  povoar  mais  intensamente  e  a  se  desenvolver  em  meados 
do  século,  quando  foi  descrito  por  Bernardo  Guimarães :  "  A  capci.i 
de  São  Brás,  com  seu  campanário  brsnco,  e  aquelas  casas  dispersas 
pela  planície,  e.xalam  um  perfume  idílco  que  enleva  a  imaginação." 

Gravuras  que  abrem  o  capítulo  "Febres  e  Crimes"  —  Pág.  723 

Aliuns  conventos  paulistanos  prestavatn,  através  de  esmoLs.  as- 
sistência aos  recessitados.  Sabe-se  por  exemplo  que  os  frades  Fran- 
ciscanos repartiam  pelos  mendigos  todos  os  dias,  na  portaria  do  seu 
converto,  na  rua  do  Riachuelo  (que  por  isro  mesmo  se  chamou  rua 
da  Casa  Santa)  um  caldeirão  de  feijão.  Também  as  religiosas  da 
Luz  repartiam  com  cs  pobres  as  esmolas  que  recebiam  de  féis.  O 
segunflo  desenho  mostra  um  galé  trabalh"nrlo.  Os  sentenciados  em- 
pregados em  serviços  públicos  eram  fi=;calÍ7ados  pela  chamada  Com- 
panhia de  Pedestres  e  a  partir  de  185S  pela  Guarda  Urbani.  Saíim 
para  o  trabalho,  essas  chamadas  "cor-entes  de  galés",  de  ma-h.^ 
bem  cedo.  Os  condenados  —  segundo  nrta  de  um  jornsl  em  1854 
—  paFS"avam  garbosos  pelas  ruas  da  cidade  e  alguns  negociavam 
com  chapéus  de  palha,  pentes  e  cuias. 

Gravura  90  —  Pág.  731 

O  cham-do  Aterrado  do  Brás  por  voiía  de  1870.  vendo  se  â 
esquerda  a  chácara  do  FerrSo  ou  da  Figueira.  Em  meados  do  século 
passado  esteve  rempre  cm  foco  (como  se  ve-ifica  pela  leitura  das 
atas  da  Câmara  ou  dos  relatórios  do  Governo  da  Província)  o  pro- 
blema da  limpeza  da  várzea  do  Tamanduateí,  para  se  ev'tar  a  estag- 
nação das  águas  do  rio,  que  prejudicava  as  condições  de  salubrida'ie 
P"blica.  V"ja-se  rota  sobre  as  gravuras  que  abrem  o  capitulo  "As 
Tropas  e  as  Várzeas". 

Gravura  91  —  Pág.  739  . 

Convento  da  Luz  em  1870.  O  recolhimento  primitivo  datava  de 
1744  e  foi  substituído  por  edifício  concluído  cm  1788.    Em  1844  foi 


1448 


E  k  N  A  N  I 


SILVA  BRUNO 


feito  o  curioso  enxerto  arquitetóníco  qne  pode  ser  observado  na 
gravura:  a  fri-nte  da  igreja  voltada  para  a  avenida  Tiradentes. 

Gravura  92  —  Pág.  743 

As  capoeiras  e  os  capinzais  que  havia  em  tôrno  do  Tanque 
Reuno  no  Bexiga,  como  em  outros  portos  da  baixada  em  que  cor- 
riam o  Anhangabaú  e  o  riacho  Saracura,  serviram  sempre  de  escon- 
derijo onde  se  aquilombavam  negros  cativos  e  derordeiros.  Era  o 
que  diz'a  em  1831  o  requerimento  apresentado  por  várias  pessoas  ao 
govêrno  da  cidade,  pedindo  permissão  até  para  fecharem  os  lugares 
por  onde  passava  o  Anliangabaú  para  a  part-;  do  Bexiga,  em  cujas 
margens  se  acoitavam  ladrões  e  escravos  fugidos.  O  tropel  dos  capi- 
tães de  mato  —  escreveu  um  crorista  —  deve  ter  soado  muitas  vezes 
pelas  suas  barrocas  e  pelos  seus  precipícios. 

Gravura  93  —  Pág.  747 

Edifício  da  Câmara  e  Cadeia,  no  largo  de  São  Gonçalo  ou  da 
Cadeia,  em  1860.  Construído  em  1784-1788,  nele  funcionaram  até  1877, 
além  da  Câmara  Muniripíl  e  da  Cadeia  Pública,  o  .Açougue  e  um 
depósito  de  materiais  denominado  o  Armazém. 

Gravuras  que  abrem  o  capítulo  "  Frsías  dc  Brancos  r  de  Negros"  — 
Pág.  753 

O  primeiro  carnaval  de  feição  moderna  em  São  Paulo  parece  que 
foi  feito  em  1855,  não  coi^hecendo  o  p?uHstano  até  essa  época  senão  o 
entrudo  primitivo.  Em  1857  apresentaram-se  ao  público  os  primeiros 
carros  carnavalescos  e  em  18'0  percor-eu  as  ruas  um  bando  intitulado 
Os  Zuavos.  O  segundo  desenho  fixa  a  figura  do  Farricoco,  personagem 
que  aproximadamente  até  o  ano  de  1856  desfilava  à  frente  da  procissão 
do  Senhor  dos  Passos,  vest'do  com  uma  camisola  de  pano  preto  e  um 
chapéu  da  mesma  côr,  e  carregando  uma  trombeta  e  um  chicote  para 
escorraçar  os  moleques  que  investiam  contra  ele  a  pedradas. 

Gravura  94  —  Pág.  757 

Mosteiro  e  igreja  de  São  Bento  em  1870.  Sôb"e  essas  edificações 
em  épocas  anteriores,  vejam-se  notas  sôbre  as  Gravuras  44  e  49.  Em 
1860  a  torre  e  o  frontispício  da  igreja  haviam  sido  reconstruídos  sob 
direção  do  abade  frei  João  de  S.  Bento  Pereira,  uma  parte  do  edifíci.-) 
tendo  i:do  ornamentada  —  segundo  o  viajante  William  Hadfield  — 
com  gôíto  notável. 

Gravura  95  —  Pág.  761 

Enquanto  não  houve  grandes  cemitérios  públicos  na  cidade  —  até 
meados  do  século  passado  —  os  sepultamentos  se  fa7Íam  nas  igrejas:  a 
da  Misericórdia,  a  da  Boa  Morte,  a  do  Rosário.  Êsses  enterramentos 
eram  feitos  às  vezes  por  africanos  —  sobretudo  na  igreja  do  Rosário  — 
que.  à  medida  que  jogavam  terra  sôbre  o  cadáver  e  socavam  com  mão 
de  pilão,  entoavam  cantigas  soturnas. 


HISTÓRIA   E   TRADIÇÕES  DA   CIDADE   DK   SÃO   PAT/LC  l-riy 


Gnwura  96  —  Pág.  765 

Êsse  cruzeiro  dc  cantaria  do  largo  do  Capim  (do  Ouvxior)  —  de>a- 
parecido  em  1870  —  tinha  em  seus  últimos  tempos  os  braços  caídos,  em 
consequência  da  travessura  de  um  estudante  —  contou  Almeida  Nogueira 

—  que  em  troça  noturna  com  outros  colegas  trepara  por  elo  para  dali 
discursar.  Aos  fundos  as  igrejas  de  São  Francisoo  e  da  Ordem  Ter- 
ceira de  São  Francisco. 

Gravura  97  —  Pág.  769 

É  bastante  conhecido  o  episódio  da  Cruz  Preta.  Era  uma  grande 
cruz  de  madeira  existente-  na  frente  de  um  sobrado  da  rua  da  Cruz 
Preta  (Qu'ntino  Bocaiuva),  que  um  grupo  de  estudantes,  certa  noite, 
arrancou  do  lugar  e  foi  atirar  no  Anhangabaú.    O  Visconde  de  Araxá 

—  que  tomou  parte,  quando  estudante,  nessa  aventura  —  contou  em  suas 
memórias  que  o  povo  da  cidade  costumava  rezar  diante  dêsse  cruzeiro, 
cujos  braços  excediam  a  altura  das  sacadas  do  sob-ado.  Encontrada,  no 
córrego,  por  um  morador  da  vizinhança,  deu  origem  a  uma  capela  no 
Piques. 

Gravura  W  —  Pág.  775 

Veja-se  a  propósito  da  imagem  de  São  Jorge  a  nota  sobre  a 
Gravura  36.  A  cavalgata  de  São  Jorge  se  fêz  em  São  Paulo,  com 
muita  pompa,  até  o  ano  de  1860,  decaind;)  em  seguida.  Em  1870 
fêz-se  o  possível  para  ressuscitar  essa  tradição,  sem  sucesso.  O  Correio 
Paulistano,  em  seu  número  de  18  de  junho  de  1870,  escrevia  que  a 
Guarda  Nacional  não  comparecera,  "  deixando  o  Santo  General  sem 
tropa  para  comandar." 

Gravura  99  —  Pág.  779 

Igreja  da  Sé  em  18f0.  Sôbre  o  mesmo  edifício,  em  épocas  ante- 
riores, veja-se  a  nota  sôbre  a  G"avura  10.  Sofreu  reparos  e  reformas, 
a  matriz  paulistana,  no  período  de  1845  a  1850. 

Gravura  100  —  Pág.  787 

Igreja  do  Rosário  dos  Pretos  (1860-1870)  aos  fundos  da  rua  da 
Imperatriz  (15  de  Novembro).  Edificada  em  1715,  segundo  certos 
autores,  ou  em  1725.  de  acordo  com  outros,  ficava  no  largo  do  Rosário 
(praça  Antônio  Prado)  com  a  fachada  voltada  para  a  rua  da  Imperatriz. 
Em  meados  do  século  passado  junto  dela  faziam-se,  depois  das  procis- 
sões, congadas,  batuques,  sambas  e  moçaml)iques,  promovidos  peh-i 
Irmandade  dos  Homens  Pretos  e  mais  tarde  reprimidos  pelas  autoridades. 

Gravura  101  —  Pág.  799 

A  Marquesa  de  Santos,  depois  de  repudiada  pelo  imperador  Pedro  I, 
casou-se  com  o  brigadeiro  Rafael  Tobias  de  Aguiar  e  foi  figura  de 
preítígio  enorme  na  soci^^dade  paulistana  de  seu  tempo,  constando  que 
lhe  eram  reservados  lugares  especiais  nas  festas  a  que  comparecia :  uma 
cadeira  mais  cómoda  ou  mais  solene,  a  que  se  dava  o  nome  de  "o 
trono  da  Aíarquesa".    "  Sua  casa  da  rua  do  Carmo  —  escreveu  Alberto 


1450 


KRNANI     SILVA  BRUNO' 


Rangel  —  cujo  quintal  descia  a  várzea  no  abrando  de  um  extenso 
capinzal,  tinha  três  grandes  salas  de  forros  apainelados,  ostentando  re- 
tratos a  óleo."    Morreu  em  18ò7. 

Gravuras  que   abrem   o   capítulo   "A   Presença   dos  Académicos"  — 
Pág.  807 

As  arcadas  do  velho  convento  franciscano,  a  partir  de  1828  sede 
do  Curso  Jurídico  de  São  Paulo.  Elas  se  comunicavam,  por  meio  de 
corredjres,  com  as  tribunas  e  sacristias  da  igreja  de  São  Francisco. 
"Depois  das  aulas  vinliam  os  frades  passear  enfe  os  arcos,  que  assu- 
miam então  até  ao  cair  da  noite  —  observou  Spencer  Vampré  —  uma 
seriedade  e  silêncio  monásticos,  em  v'vo  contraste  com  a  ruidosa  íre- 
qiiência  do  período  da  manhã."  O  segundo  desenho  fi.xa  uma  fÍRuni 
de  esti;dante.  A  presença  de  académicos  num-írcsos,  a  partir  de  1828, 
contribuiu  para  alterar  a  fundo  a  existência  da  cidade.  Muitos  dê.  ses 
estudantes  —  pelo  menos  os  mais  abartados  —  deviam  de  início  espan- 
tar os  moradores  pacatos  da  cidade  pelo  luxo  ou  a  extravagância  de  seuá 
trajes. 

Gravura  102  —  Pág.  811 

O  préd  o  da  Academia  de  Direito,  na  sétima  década  do  século 
passado,  cor.servar.do  a  fachada  primitiva.  O  antigo  convento  francis- 
cano mantinha  a  sua  humilde  aparência  setec?nti:ta.  com  seu  telhado  de 
beirada  larga,  suas  pequenas  janelas,  e  como  única  entrada  a  velha 
po  taria  do  convento.  A  furçío  primitiva  do  edifício  (habitação  cole- 
tiva  destinad.i  à  v  da  monástica)  mostrou  Ricardo  Severo  q-.ie  lhe  deri 
essa  feição  característica :  loi  ga  fachada  de  dois  pisos,  com  filas  de 
janelas  repartidas  de  conformidade  com  as  celas  internas.  O  arco  do 
seu  porti.l  era  lavrado  em  belo  mármore  italiano. 

Gravura  103  —  Pág.  815 

Convento  e  igrejas  do  Carmo  e  da  Ordem  Terceira  do  Carmo 
aproximadamente  em  1870.  A  primitiva  igreja  do  Carmo  datava  de 
1592,  c  de  quatro  anos  depois  o  pr  nieiro  convento,  sendo  de  1648  a 
antiga  igreja  da  Ordem  Te  ceira.  No  conheço  do  século  passado  feni 
1818)  o  viajaf.te  Von  Martins  considerou  o  mosteiro  dos  Ca'melitas 
como  um  dos  pouquíssimos  edifícios  imponentes  e  de  bem  estilo  existeiit<js 
na  cidade.  Em  1831  passaram  a  ficar  aquartelados  cm  uma  parte  dcsí? 
edi.ício  os  soldados  do  Corpo  Polical  Pernr.nente.  As  sacadas  de 
ferro  que  se  vêem  em  suas  janelas  foram  col  cadas  em  meados  do  réculo, 
quando  a  edificação  passou  por  várias  refo  mas.  Nessa  época  moraram 
também  ní  —  como  em  outros  conventos  —  estudantes  de  Direito. 

Gravura  104  —  Pág.  821 

A  Clrcara  dos  Ingleses,  em  desenho  executado  de  remini^cêrcia,  a 
pedido  do  historiador  Afonso  .A.,  de  Freitas,  para  seu  livro  Tra'iieõc.<:  e 
Rcmiuisccncias  Paulistanas,  pelo  pintor  Pedro  Ahxandrino.  A  Chácara 
dos  Inglêscs  ficava  na  Glória,  no  local  em  que  depois  se  abriu  ■> 
largo  Sãi  Paulo  (praça  Almeida  Júnior),  c  em  sua  sede  funcionou,  dc 
1825  a  1840,  o  hospital  da  Irmandade  da  I^Iisericórdia.  Em  meados  da 
século  foi  o  sobrado  que  aparece  no  desenho  sede  de  uma  república  de 


PIISTÓKIA   E   TRADIÇÕES  DA   CIDADE   DE  SÃi 


estudantes  em  que  morarnin,  entre  outros,  os  académicos  Aivai*.-  ; 
Azevedo  e  Bernardo  Guimarães.  Ferreira  de  Rezende,  taniheni  ni.M.i- 
dor  dessa  república  na  época,  assim  descreveu  o  lugar :  "...  uni  grande 
sobrado  que  tendo  em  írente  o  cemitério  (dos  .Aflitos)  e  pelos  fundos 
o  Tamanduateí,  se  denominava  a  Chácara  ou  a  Casa  dos  Ingleses.  Iso-' 
lada,  por  assim  dizer,  no  meio  do  campo...  não  existindo  ali  unia 
simples  horta,  a  casa  era  tudo  quanto  constituía  a  chácara."  A  deno- 
minação se  originara  do  fato  de  que  antes  de  ser  da  Santa  Casa  a 
chácara  pertencera  ao  inglês  John  Radmaker. 

Gravura  105  —  Pág.  827 

A  igreja  da  Sé  em  1847,  segundo  desenho  de  Miguel  Arcanjo 
Benício  Dutra  existente  no  Museu  Paulista.  A  propósito  da  igreja  (Li 
Sé,  vejam-se  notas  sólire  as  Gravuras  10  e  99.  Em  relacã  i  ao  dese- 
nhista, nota  sobre  a  Gravura  25. 

Gravura  106  —  Pág.  839 

Primeiro  número  (de  7  de  fevereiro  de  1827)  do  p-im':iro  jornal 
impresso  de  São  Paulo:  o  semanário  e  depois  bissemanário  O  1'arnl 
Paulistano,  fundado  por  José  da  Costa  Carvalho,  Marquês  de  Monte 
Alegre,  que  teve  como  principal  au.xiliar  Antônio  Mariano  de  Azsvedo 
Marques,  o  "  Mestrinho".  Colaboraram  nesse  jornal,  entre  outros,  Ni- 
colau Pereira  de  Campos  Vergueiro,  padres  Manuel  Joaquim  do  Amaral 
Gurgel  e  Vicente  Pires  da  Mota,  e  Manoel  Odorico  Mendes  durante  o 
tempo  em  que  esteve  em  São  Paulo.  Durou  até  1832  êsse  jornal,  que 
era  de  feitio  pequeno  (30  por  21  centímetros),  com  4  páginas,  dando 
o  noticiário  da  Secretaria  do  Governo  e  da  Câmara  Municipal,  cartas 
e  reclamações  dos  leitores,  transcrição  de  alguns  trabalhos,  pequenas 
Notícias  Marítimas  de  Santos  (entradas  e  saídas  de  embarcações)  en- 
cimadas pela  figura  de  dois  naviozinhos  —  e  anúncios. 

Grai  ura  107  —  Pág.  845 

O  primeiro  jornal  diária  que  circulou  na  cidade  de  São  Paulo  foi 
O  Coiislifucional,  em  1853.  Mas  o  primeiro  de  existência  duradoura 
foi  o  Correio  Paulistano,  aparecido  em  1854.  Nos  primeiros  tempos  foi 
impresso  em  prelo-  de  pau  e  depois  em  prelo  manual;  de  1863  em 
diante,  em  máquina  Alauzet,  a  primeira  que  houve  na  cidade,  também 
movida  a  braço  e  a  partir  de  1869  movida  a  vapor.  A  fotografia  re- 
produz o  primeiro  número  do  Correio  Paulistano,  de  26  de  junho  de 
1854. 

Gravura  108  —  Pág.  853 

Manuel  Antônio  Álvares  de  .Azevedo  (1831-1852)  nasceu  na  cidade 
de  São  Paulo.  Viveu  de  1833  a  1848  no  Rio  de  Janeiro,  retornandj 
nesse  último  ano  à  sua  cidade  natal  para  cursar  a  Academia  de  Direito. 
No  tempo  de  estudante  em  São  Paulo  morou  em  uma  república  locali- 
zada na  Chácara  dos  Ingleses  (largo  São  Paulo,  agora  praça  Almeida 
Júnior),  convivendo  sobretudo  com  Bernardo  Guimarães  e  Aureliano 
T-essa.  Foi  retratado,  por  seu  companheiro  Bernardo  Guimarães,  em 
i;m  dos  personagens  do  romance  Rosaura,  a  Enjeitada.    Além  de  estudos 


36 


1452 


E  R  X  A  N  I     SILVA     BRU  N  C 


e  discursos,  deixou  a  Ura  dos  Viiitc  Anos,  O  Poema  do  Frade,  O 
Conde  Lopo  e  cin  prosa  Xoite  na  Taverna,  O  Livro  de  fra  Gondieáno 
e  Macário. 

Gravuras   que   abrem    o    capitulo    "Entre   Comédias  e   Serenatas"  — 
Pág.  801 

O  primeiro  desenho  reproduz  a  parte  central  da  fachada  do  Teatro 
São  José,  no  largo  do  Teatro  ou  da  Cadeia  (depois  praça  João  Men- 
des), inaug'urado  em  1864.  Ficava  encaixado  entre  as  ruas  da  Espe- 
rança e  do  Imperador,  desaparecidas  quando  da  ampliação  do  largo 
da  Sé.  "  Se  não  é  um  monumento  de  arte  —  dizia-se  dele  em  um 
relatório  do  Governo  da  Província  —  sobretudo  em  relação  à  arquitetura 
exterior,  que  podia  ser  mais  elegante,  é  contudo  um  dos  mais  vastos  do 
Império."  Só  ficaria  definitivamente  acabado  em  1874,  dispondo  de 
acomodações  para  mais  de  mil  e  duzentas  pessoas.  Seria  destruído  por 
um  incêndio  em  1898.  O  segundo  desenho  se  refere  à  importância  que 
teve  a  Academia  de  Direito  relativamente  às  atividades  musicais  na 
cidade,  s.abendo-se  que  em  tôrno  de  1850  começaram  a  se  tornar  mais 
frequentes  os  concertos  a  cargo  de  musicistas  estrangeiros  de  certo 
renome. 

Gravura  109  —  Pág.  865 

.À.  direita  da  gravura,  cem  um  lampião  na  frente,  aparece  uma  parte 
da  Casa  da  Ópera  ou  Teatro  da  Ópera,  no  pátio  do  Colégio,  próximo 
à  igreja  dos  Jesuitas.  Foi  a  Casa  da  Ópera  edificada  em  1793  e  era 
construída  em  "estilo  moderno",  segundo  A'^on  Martins,  em  1818.  A 
sala  dispunha  de  28  camarotes  em  três  ordens.  Trezentas  e  citiqiieníti 
pessoas  cabism  nessa  casa  de  espetáculos  que  foi  a  mais  importante  da 
cidade  desde  a  sua  construção  ate  o  ano  de  1864,  em  que  se  inaugurou 
o  Teatro  São  José.    Foi  demolida  em  1870. 

Gravura  110  —  Pág.  871 

O  edifício  do  Teatro  São  José,  no  largo  do  Teatro  ou  da  Cadeia, 
cêrca  de  1870.  A^eja-se,  a  propósito,  nota  sobre  as  gravuras  que  abrem 
o  capitulo  "  Entre  G''médias  e  Serenatas". 

Gravura  111  —  Pág.  877 

Em  1870,  em  consequência  de  seu  estado  de  ruina,  ar:asou-se  a 
Casa  da  Ópera.  O  incumbido  da  demolição  foi  o  português  Antônio 
dos  Santos  Chumbinho,  "  que  possuía  vei.a  dramática  —  escreveu  Alberf-o 
Sousa  —  assinalado  pelos  grandes  lances  trágicos,  e  que  representara 
várias  vêzes  na  Ópera.  Conta-se  que  Chumbinho  foi  visto  chorando 
junto  dcs  escombros  do  teatro.  E  tempos  depois  seus  olhos  cegaram 
incuravelmente,  quem  sabe  se  para  não  reverem  nunca  mais  o  local  onde 
antigamente  se  erguera  o  teatro  de  suas  glórias  artísticas." 

Gravura  112  —  Pág.  887 

Em  meados  do  século  passado  —  segundo  referências  do  cronista 
Almeida  Nogueira  —  em  noites  de  luar  .alguns  estudantes  de  Direito 


HISTÓRIA   E  TRADIÇÕES  DA  CIDADE   Di;   s  . 

coítumavam  dar  verdadeiros  concertos  musicais,  no  larso  de  .^.i.:.  i,.. 
çalo,   ouvidos   por  famílias  <|u?    ficavam   passeando  pelo   local  ou 
sentavam  nas  escadarias  da  igreja  da  Sé. 

Gravura  113  —  Pág.  891 

Largo  de  São  Gonçalo  ou  da  Cadeia  (praça  João  Mendes)  om 
tõrno  de  1860,  vendo-se  à  esquerda  a  igreja  dos  Remédios  e  contíguo 
a  ela  um  pequeno  préd!o  que  seria  demolido  na  oitava  década  do  século 
passado  para  que  re  estabelecesse  ligação  entre  o  largo  de  São  GonçaL"! 
e  o  do  Pelourinho  (Sete  de  Setembro),  ambos  englobados  moderna- 
mente na  denominação  de  praça  João  Mendes.  Sobre  serenatas  de  es- 
tudantes, nesse  local,  vcja-se  nota  anterior. 

Gravura  fora  do  texto  —  Depois  da  p^^g.  896 

Mapa  da  Capital  da  Província  de  São  Paulo,  seus  Edifícios  Pú- 
blicos, Hotéis,  Linhas  Férreas,  Igreja?,  Bondes,  Passeios,  Etc.  publi- 
cado por  Fr.  de  Albuquerque  e  Jules  Martin  em  1877.  O  francês  Jides 
Martin  fixara-sc  em  São  Paulo  em  1870,  abrindo  um  curso  de  desenho 
e  de  pintura,  e  fundando  no  ano  s°gninte  o  primeiro  estabelerimento  de 
litografia  que  existiu  na  cidade.  Além  des,sa  planta  da  capital  de  São 
Paulo  publicou  Jules  Martin  um  mapa  da  província.  Em  1885  era 
professor  de  Modelação  do  Liceu  de  Artes  e  Ofícios,  dono  da  Litografia 
Imperial,  a  vapor,  na  rua  de  São  Bento,  e  precidentc  da  Societé  Fran- 
çaise  14  Juillet.  Planejou  logo  em  seguida  a  construção  do  Viadut) 
do  Chá. 

Gravura  que  abre  o  raf'ífjiIo  " Mctrôl^olc  do  Ccfâ"  —  Pág.  899 

Foi  sob'etudo  o  d;senvolvimento  da  lavoura  cafeeira  na  província 
(no  Oeste  particularm^ente  desde  meados  do  século)  e  em  seguida  as 
ligações  ferroviárias  que  se  estabeleceram,  que  condicionaram  o  desen- 
volvimento da  cidade  de  São  Paulo  nas  últimas  décadas  oitocentistas  e 
nas  primeiras  do  século  atual.  Art'culando-se  ao  pôrto  de  Santos  e  às 
principais  zonas  cafeeiras  por  Caminhos  de  ferro  a  cidade  consolidou  a 
sua  importância  económica   e  a   sua  situação  de   metrópole  do  café. 

Gravura  114  ~  Pág.  901 

Estação  do  Norte,  no  Brás.,  em  1889.  Fora  inaugurada  em  1877. 
ano  em  que  re  completou  a  ligarão  ferroviária  entre  a  c-ritil  da  provín- 
cia e  a  Côrte,  p;!a  Estrada  de  Ferro  São  Paulo  e  Rio  de  Janeiro. 

Gravura  115  —  Pág.  905 

Largo  e  igreja  da  Sé  no  começo  do  século  .atual.  A  p"opÓFÍto  da 
igreja  em  épocas  anteriores  veja-se  nota  sôbre  a  Gravura  10.  Sua 
fachada  e-a  sombria  e  triste,  dizia-re  em  um  álbum  de  1905.  Tinha 
um  portal  branco  encimado  pela  coroa  real  portuguesa.  Seria  demolida 
em  1912  para  ampliação  do  largo  da  Sé. 

Gravura  116  —  Pág.  909 

Os  leitos  do  Anhangabaú,  do  Saracura  e  d-;  outros  riadi-rs,  divi- 
diram a  cidade  em  compartimentos  d;  coniraricoção  difícil,  impondo 


1454 


ERXANI     SILVA  liRUNO 


construção  de  viadutos.  O  primeiro  deles  foi  o  do  Chá,  idealizado 
pelo  litcgrafo  Jules  Martin,  e  cujas  obras  foram  iniciadas  em  1888  c 
concluidas  em  1892.  Em  cada  um  de  seus  extremos  ficava  um  guarda 
com  um  relógio  registrador  marcando  o  número  de  pessoas  que  passavam 
pela  roda  giratória  e  que  tinham  de  pagar  o  pedágio.  Na  gravura 
aparece  a  casinha  dos  empregados  nesse  serviço  de  pedágio,  que  seria 
suprimido  trm  1897. 

Gravuras  i/í/r  ahrrni  o  capítulo  "Palacetes  c  Chalés"  —  Pág.  917 

O  primeiro  desenho  reproduz  um  aspecto  da  sede  da  chácara  Charpe, 
Mauá  ou  do  Campo  Redondo,  a  propósito  da  qual  veja-se  nota  sobre  a 
Gravura  64.  O  segundo  desenho  mostra  um  chalé.  Os  chalés  come- 
çaram a  aparecer  com  freqiiència  na  paisagem  urbana  de  São  Paulo 
na  se.xta  década  do  século  passado :  ladeados  dc  portão,  com  pilastra 
encimada  por  cães  ou  leões  de  faiança  portuguesa,  segundo  Ian  de 
Almeida  Prado,  na  época  em  que  se  construía  a  São  Paulo  Railway. 
Também  chalés  imit?ndo  os  suíços  se  espalharam  logo  pela  zona  do 
Chá,  dos  Campos  Elisios  e  dà  Estrada  Vergueiro.  Na  parte  nova  da 
cidade  êles  predominavam  já  em  tórno  de  1885,  de  acordo  com  a  obser- 
vação de  um  viajante  ital.ano. 

Gravura  117  —  Pág.  923 

Rua  7  de  Abril  em  fins  do  século  passado,  com  chalés  então 
modernos  ao  lado  de  velhas  casinhas  de  beiral  que  vinham  de  outros 
tempos.  A  antiga  rua  da  Palha,  em  meados  do  século  passado,  aind;» 
parecia  um  simples  caminho :  com  casas  muito  distantes  umas  das  outras 

—  segundo  a  evocação  de  Ferreira  de  Rezende  —  habitadas  por  gent'í 
muito  polire  ou  servindo  de  sede  para  repúblicas  de  estudantes.  Algumas 
não  passando  mesmo  de  casebres. 

Gravura  118  —  Pág.  927 

Fundos  da  Sé,  velhos  telhados  e  rua  da  Esperança  aproximadamente 
em  1910.  Sóbre  a  igreja  da  Sé,  vejam-se  notas  sôbre  as  Gravuras  10 
e  115.    A  propósito  da  rua  da  Esperança  ou  do  Santíssimo  Sacramento 

—  que  desapareceria  em  1912  com  a  ampliação  do  largo  da  Sé  —  veja-sc 
nota  sôbre  a  Gravura  57. 

Gravura  119  —  Pág.  931 

Rua  da  Imperatriz  (15  de  Novembro)  no  período  1870-1880. 
Ostentando  ainda  casarões  quase  todos  edificados  de  taipa  e  com  largos 
beirais.  Era  comum  ainda  na  época  a  residência  de  famílias  abastadas 
nos  pavimentos  superiores  desses  edifícios  cujas  janelas  eram  abraçadas 
por  longos  balcões. 

Gravura  120  —  Pág.  935 

Edifício  da  Câmara,  no  largo  da  Cadeia  (João  Mendes),  em  1890. 
A  respeito  dessa  edificação,  em  épocas  anteriores,  veja-se  nota  sôbre  a 
Gravura  93.  Na  fotografia  aparece  quando  tinha  passado  por  algu- 
mas reformas.    Segundo  o  viajante  Lomonaco.  cujo  livro  foi  publicado 


HISTÓRIA  E  TRADIÇÕES  DA  .CIDADE  DL 

rm  1885,  era  um  edifício  rrtangular,  "do  modelo  com  iiue  sfio  ■ 
as  Câmaras  Municipais  francesas."    A  propósito  do  lar.uo  fia  (J.kí 
ou  de  São  Gonçalo  veja-se  nota  sôbre  a  Gravura  113. 

Gravura  121  —  Pág.  941 

Fundos  e  tòrre  do  recolhimento  de  Santa  Teresa  em  1907.  Sua 
edificação  primitiva  datava  de  1685,  sendo  a  torre  erguida  pelo  mestiço 
Tebas  em  meados  do  século  dezoito.  O  recolhimento  dispunha  de  pai- 
néis de  assuntos  religiosos  executados  em  meados  do  século  passado 
pelos  alunos  da  Escola  de  Pintura  do  professor  Jor.-íe  José  Pinto  Ve- 
dras, e  talvez  de  óleos  de' autoria  do  padr-  Jesuino  do  Ãlonte  Carmelo. 

Gravura  122  —  Pág.  945 

Perspectiva  externa  do  claustro  do  mosteiro  de  São  Berito.  A 
propósito  do  mosteiro  em  épocas  anteriores  vejam-se  notas  sôbre  as 
gravuras  que  abrem  o  capítulo  "A  Rótula  sõbre  a  Taipa"  e  sôbre  a 
Gravura  44. 

Gravura  123  —  Pág.  949 

Aspecto  da  rua  João  Bricola  em  1902.  Xa  fotcgrafia  aparecem 
parte  da  igreja  do  Rosário,  um  sobradão  de  feição  oitocentiíta  e  à 
direita  parte  do  prédio  em  que  funcionou  a  redação  de  A  Provinda  de 
São  Paulo  (depois  O  Estado  de  São  Paulo)  de  1876  a  1906. 

Gravura  124  —  Pág.  953 

Convento  dos  Carmelitas  e  igrejas  do  Carmo  e  da  Ordem  Terceira 
do  Carmo  no  começo  do  século  atual.  Sôbre  essas  edificações  em 
épocas  anteriores  veja-se  nota  sôbre  a  Gravura  103.  Até  1906  parte 
do  pavimento  térreo  do  convento  serviu  de  quartel  da  Fôrça  Policial. 

Gravura  125  —  Pág.  957 

Rua  do  Carmo  no  oomêço  do  século  atual,  vendo-se  aos  fundos  a 
fachada  do  recolhimento  de  Santa  Teresa,  a  propósito  do  qual  veja-se 
nota  sôbre  a  Gravura  121. 

Gravura  126  —  Pág.  961 

Pátio  interno  do  convento  da  Luz,  a  propósito  do  qual  veja-se 
íiota  sõbre  a  Gravura  91. 

Gravuras  que  abrem  o  capítulo  "As  Avenidas  c  as  Arvores"  —  Pag.  967 

Praça  da  República  no  começo  do  século  atual.  Era  o  primitivo 
Campo  dos  Curros,  onde  se  faziam  touradas  e  cavalhadas.  Em  meados 
do  século  passado  foram  plantadas  no  local  árvores  de  grande  porte.  O 
velho  largo  (que  tamTjem  se  chamou  7  de  Abril,  depois  de  1865)  foi 
regularizado  na  administração  João  Teodoro  (1872-1875')  e  ajardinado 
em  1902-1904.  O  segundo  desenho  mostra  um  poste  de  iluminação  elé- 
írica,  de  feitura  elegante,  utilizado  no  coméco  do  século  em  algumas 
áreas  da  cidade. 


1456 


ERNÂNI      S  I  I.  V  A  BRUNO 


Gravura  127  —  Pág.  971 

João  Teodoro  Xavier,  governando  a  província  de  São  Paulo  de 
18/2  a  1875,  se  preocupou  bastante  com  os  problemas  urbanísticos  de  sua 
capital:  regularizou  o  largo  dos  Curros  (praça  da  República);  abriu 
a  rua  do  Conde  d'£u  (Glicério),  ligando  a  Tabatingiiera  ao  Lavapés, 
a  rua  do  Hospício  até  a  ponte  da  Mocca,  as  ruas  João  Teodoro  e  São 
Caetano ;  f  êz  realizar  melhoramentos  na  ruas  do  Pari  e  do  Gasómetro 
e  obras  d°  segurança  no  paredão  do  Carmo;  construiu  a  Ilha  dos 
Amores,  no  Tamanduateí  e  reformou  o  Jardim  da  Luz ;  e  foi  na  sua 
administração  que  o  problema  de  pavimentação  das  ruas  entrou  eni 
fase  nova. 

Gravura  US  —  Pág.  975 

Pavimentação  com  pedras  irregulares,  na  esquina  das  ruas  José 
Bonifácio  e  Quintino  Bocaiuva,  no  começo  do  século  atual.  Os  velhos 
sistemas  de  calçamento  de  meados  do  século  passado  persistiram  em 
algumas  zonas  da  cidade.  Em  fins  do  século  passado  havia  ruas  calçadas 
a  paralelepípedos,  outras  apcdregulhadas  e  outras  ainda  pavimentadas 
pelo  velho  sistema  das  pedras  irregulares,  tendo  havido  na  Câmara 
longos  debates  a  propósito  da  conveniência  de  macadamização  de  outros 
l'..gradouros. 

Gravura  129  —  Pág.  981 

Rua  Libero  Badaró  e  ladeira  Doutor  Falcão  em  1912.  Era,  como 
se  vê,  estreitíssima  a  primeira  dessiis  ruas,  e  cm  1907,  em  seu  livrinho 
Melhoramentos  de  São  Paulo,  Augusto  C.  da  Silva  Teles,  abordando 
problemas  urbanísticos,  mosf.ava  que  se  impunha  de  forma  radical  seu 
alargamento.  Alargamento  que  representaria  alguns  anos  depois  —  em 
1910  —  um  dos  pontos  básicos  do  plano  de  obras  elaborado  por  Vítor 
da  Silva  Freire  e  Eugénio  Guilhem  e  encaminhado  pelo  prefeito  António 
Prado  ao  governo  do  Estado. 

Gravura  130  —  Pág.  985 

Avenida  Paulista  em  1891,  quando  de  sua  inauguração.  Quadro  de 
Jules  Martin  (Mu:eu  Paulista).  Foi  aberta  a  Avenida  Paulista,  como 
outras  ruas  de  suas  imediações,  em  terras  que  pertenciam  a  Joaquim 
Eugênio  de  Lima.  Em  1912  o  viajante  Gaffre  diria  não  saber  comparar 
a  Avenida  Paulista  senão  a  certas  avenidas  de  Nova  York.  O  seu 
Parque  Paulista  ou  Parque  Siqueira  Campos  —  antigo  Parque  Villon, 
que  dispunha  de  caramanchões  rústicos  —  seria  embelezado  segundo  o 
plano  do  especialista  inglês  Parker.  A  propósito  de  Jules  Martin,  ve- 
ja-se  nota  sóbre  a  gravura  fora  do  texto,  depois  da  pág.  896. 

Granira  131  —  Pág.  989 

Avenida  Tiradentes  em  fins  do  século  passado.  Essa  via  pública 
—  antigo  Campo  da  Luz  ou  do  Comércio  da  Luz  —  parecia  ainda  em 
1870,  segundo  António  Egídio  Martins,  "um  pátio  de  fazenda",  pois 
seus  moradores  mantinham  nela  todas  as  espécies  de  criações.  Na  fo- 
tografia reproduzida,  ostenta  ainda  o  local  grandes  árvores,  e  só  no 


HISTÓRIA   E   TRADIÇÕES   DA   CIDADE  DE  SÃO  1'. 


começo  do  século  atiial  teria  fciccfio  semelhante  à  quí  apresenta 
hoje. 

Gravura  1S2  —  Pág.  993 

O  Jardim  da  Luz  em  1886.  Tendo  sido  começado  cm  1799,  íicou 
conxluido  e  foi  posto  à  disposição  do  público  em  1825,  denomii;ando-se 
primitivamente  Jardim  Botânico  e  passando  em  1838  a  se  denominar 
simplesmente  Jardim  Público.  Em  1852  foi  cercado  por  um  gradil  de 
ferro  e  enriquecido  com  grande  quantidade  de  plantas  indígenas  e  exóti- 
cas. Pouco  depois  —  em  1860  —  foi  desfalcado  de  parte  de  suas  terras 
em  benefício  da  construção  "da  primeira  estação  ferroviária.  De  1869 
em  dir^nte  recebeu  vários  melhoramentos.  Na  fotografia  aparecem  o  seu 
lago  central,  em  forma  de  Cruz  de  S.avoia,  e  o  chamado  Canudo  do 
Doutor  João  Teodoro,  observatório  mandado  edificar  ali,  cm  1874,  por 
êsse  presidente  da  província,  e  demolido  em  1900.  Em  1904  o  Jardim 
da  Luz  passou  por  uma  transformação  "à  moda  inglesa". 

Gravura  123  —  Pág.  997 

Jardim  da  praça  J-jão  Mendes  em  1890.  A  propósito  do  antigo 
largo  veja-se  nota  sôbre  a  Gravura  .113.  O  ajardinamento  foi  feito 
em  1879  e  resultou  de  uma  idéia  infeliz,  segundo  João  Mendes  Júnior, 
pois  o  local,  contando  com  um  teatro  (o  São  José),  duas  igrejas  (dos 
Remédios  e  São  Gonçalo)  e  das  repartições  da  Assembleia  e  da  Camara, 
exigia  espaço  para  que  o  trânsito  não  ficasse  congestionado.  Apesar 
de  protegido  por  gradil  êsse  jardim  da  praça  João  Mendes,  malfeitores, 
durante  a  noite,  roubavam  plantas  e  faziam  estragos.  Na  fotografia 
aparecem,  à  esquerda,  a  igreja  de  São  Gonçalo  e  aos  fundos  o  edifício 
da  Câmara. 

Gravura  134  —  Pág.  1001 

Antônio  da  Silva  Prado  (1840-1929)  nasceu  na  cidade  de  São  Paulo, 
estudou  no  Rio,  no  Colégio  do  Barão  de  Tautphoeus  e  depois  no 
Pedro  II,  onde  se  bacharelou  em  letras  em  1855,  cursando  depois  a 
Academia  de  Direito  de  São  Paulo,  onde  se  formou  em  1851.  Em 
1856  abriu  a  famosa  Fazenda  Santa  Vendiana,  a  primeira  propriedade 
cafeeira  estabelecida  além  do  rio  Mogi-Guaçu  e  em  1895  fundou,  com 
Elias  Fausto  Pacheco  Jordão,  a  grande  Vidraria  Santa  Marina,  em 
São  Paulo.  Teve  seu  nome  ligado  à  expansão  ferroviária  paulista,  à 
abolição  do  cativeiro  e  à  implantação  do  trabalho  livre  na  agricultura. 
Foi  vereador  à  Câmara  Municipal  de  São  Paulo,  em  1865 ;  deputado 
provincial  de  1866  a  1869;  deputado  geral  de  1872  a  1884;  presidente  da 
Câmara  Municipal  de  São  Paulo  em  1877 ;  Ministro  da  Ag-icultura  de 
1884  a  1887;  Senador  do  Império  em  1887;  Ministro  de  Estrangeiros 
em  1889;  e  Prefeito  de  São  Pauio  de  1899  a  1910,  quando  realizou 
importantes  transformações  urbanísticas,  dando  à  cidade  uma  nova 
feição. 

Gravura  135  —  Pág.  1005  ■ 

Largo  de  São  Bento  em  1888.  Em  1886  foram  iniciadas  e  no  ano 
seguinte  concluídas  as  obras  do  jardim.    Na  fotografia  aparecem  um 


1458 


E  R  N  A  X  I     SILVA     B  R  U  N"  C 


de  seus  dois  portões  e  o  gradil  de  ferro  em  que  o  jardineiro  francês 
Fourchon  pendurava  as  plantas  que  cultivava  com  o  maior  carinho.  O 
gradil  de  ft-rro  seria  retirado  nos  últimos  anos  do  século  passado. 

'   ■  I 
Gravura  13ò  —  Pág.  1009 

Pátio  do  Colégio  no  começo  do  século  atual.  A  propósito  dêsse 
local  vejam-se  notas  sobre  as  Gravuras  13  e  58.  Em  1885  fizera-se 
um  jardim  gradeado  em  frente  ao  Palácio  do  Governo,  onde  havia  aléias 
sombrias  e  belas  árvores,  e  foi  sentado  em  um  de  seus  bancos,  ouvindo 
o  canto  dos  passarinhos  e  o  pregão  dos  quitandeiros,  em  um  domingo 
de  sol,  que  o  viajante  Archibald  Forrest  —  de  cujo  livro  A  totir  through 
South  America  {1913)  foi 'reproduzido  o  desenho  —  sentiu  o  que  escre- 
veu: "Seria  dificil  imaginar  cidade  e  povo  mais  felizes."  A  direita, 
o  edifício  da  Secretaria  da  Fazenda,  construído  pelo  arquiteto  Ramos 
de  Azevedo. 

(;r<77')/r,r  137     -  Pág.  1013 

Igreja  e  largo  da  Sé  no  começo  do  século  atual.  \'eja-sc,  a  pro- 
pósito, a  nota  sóbre  a  Gravura  115. 

Gravura  13H  —  Pág.  1017 

Rua  da  Imperatriz  (15  de  Novembro)  em  1880.  Ainda  com  pas- 
seios bastante  estreitos,  e  casas  de  taipa  com  beirais.  À  direita  aparece 
um  poste  com  lampião  de  gás.  Êsse  tipo  de  iluminação  foi  inaugurado 
na  noite  de  31  de  março  de  1872.  Em  1889  a  futura  rua  15  de  No- 
vembro teria  já  iluminação  elétrica. 

G''avuras   que   abrem    o    capítulo    "MarcJta    para    os   Arrabaldes"  — 
Pág.  1025 

Casinhas  se  alastrando  pelas  colinas  —  aspecto  que  foi  destacado 
pelos  viajantes  que  em  fins  do  século  passado  e  começo  do  atual  esti- 
veram em  São  Paulo.  Essa  foi  uma  época  de  retalhamento  de  chácaras, 
de  loteamento  e  arruamento  de  terras,  de  formação  de  novos  bairros. 
O  segundo  desenho  mostra  um  portão  de  chácara  antiga. 

Gravura  fora  do  texto  —  Entre  págs.  1028  e  1029 

Reproduções  fotográficas  de  uma  litografia  desenhada  por  A. 
Sauvage  e  publicada  no  Álbum  de  Vues  du  Brésil,  editado  em  1889  sob 
a  direção  do  Barão  do  Rio  Branco.  As  duas  estampas  formam  o  pa- 
norama de  tòda  a  parte  central  da  cidade  vista  da  Várzea  do  Carmo, 
vendo-se  o  Hospital"  dos  Alienados,  Aterrado  do  Brás,  ponte  do  Meio, 
ladeira  Tabatingiiera,  igreja  da  Boa  Morte,  ponte  do  Carmo,  convento, 
igreja,  ladeira  e  largo  do  Carmo,  tôrre  da  igreja  de  Santa  Teresa, 
igrejas  da  Sé  e  do  Colégio,  fundos  do  palácio  do  govéno,  ladeira  Ge- 
neral Carneiro,  local  em  que  foi  construído  o  mercado,  tôrre  da  igreja 
do  Rosário,  rua  25  de  Março,  igreja  de  São  Bento  e  ladeira  da  Cons- 
tituição. 


HISTÓRIA   i;   TRADIÇÕES  DA  CIUAlJl-: 


Craviira  13^'  —  Pág,  io33 

Fundos  da  sede  da  chácara  de  Dona  Veridiana  Prado,  na  .1: -• 

ção.  Nessa  casa  nasceu  o  escritor  e  publi.ci^ta  luluardo  Fi.ulo. 
Quando  demolido,  há  poucos  anos,  o  edifício  era  sede  do  Seminário 
das  Educandas  da  Glória. 

Gravura  140  —  Pág.  1037 

Rua  da  Tabatingiiera  em  tôrno  de  1S80.  Compare-se  com  a  Gra- 
vura 60,  que  mostra  o  mesmo  local  uns  vinte  anos  antes.  Nesta  foto- 
grafia já  aparecem  casas  com  calhas,  beirais  mais  regulares,  lampiões  de 
gás  em  lugar  de  candeeiros  presos  às  paredes,  e  melhor  nivelamento 
do  leito  da  rua  e  dos  passeios.  Foi  na  sétima  década  do  século  passado 
que  a  rua  da  T.abatingiiera  se  ligou  ao  Lavanés,  com  a  abertura  da  rua 
do  Conde  d'Eu  ( Glicério. ). 

Gravura  141  —  Pág.  1043 

Várzea  do  Carmo  e  lavadeiras  trabalhando  no  Tamanduateí,  nas 
proximidades  da  rua  da  Figueira,  em  tórno  de  1890.  Estudos  feitos  em 
1890  e  1892  mostraram  a  necessidade  de  ser  feita  a  retificação  completa 
do  leito  primitivo  do  rio.  A  chácara  da  Figueira  se  manteve  até  1893, 
e  a  figueira  secular  que  lhe  deu  o  nome  até  o  começo  do  século  atual. 

Gravura  142  ^  Pág.  1047 

Aspecto  da  fachada  do  convento  da  Luz,  localizado  em  bairro  que 
se  povoou  e  se  desenvolveu  em  grande  parte  em  consequência  das 
primeiras  estradas  de  ferro  da  província.  Vejam-se  notas  sõbre  as 
Gravuras  91  e  126. 

Gravuras  que  abrem  o  capitulo  "O  Trem,  o  Bonde  c  os  Viadutos"  — 
Pág.  1053 

O  primeiro  aspecto  é  o  da  demolição  da  casa  dos  Barões  de  Tatuí 
para  construção  do  primeiro  Viaduto  do  Chá.  A  frente  do  edifício 
ficava  na  rua  Libero  Badaró,  e  os  fundos  no  Anhangabaú.  O  segundo 
desenho  simboliza  o  desenvolvimento  ferroviário  da  província,  na  se- 
gunda metade  do  século  passado,  tendo  como  centro  a  cidade  de  São 
Paulo.  A  Inglêsa,  a  São  Paulo  e  Rio  de  Janeiro,  a  Mogiana,  a  Paulista, 
a  Sorocabana,  articularam  pelo  caminho  '^e  ferro  inúmeras  zonas  pau- 
listas —  sobretudo  aquelas  em  que  se  alastravam  cu  tendiam  a  se  alas- 
trar os  cafezais  —  à  capital  da  província. 

Gravura  143  —  Pág.  1057 

A  construção  da  Estação  da  Luz  simbolizou  bem  o  esplendor  do 
ciclo  ierroviário  em  São  Paulo.  Edifício  de  proporções  monumentais, 
dotado  das  comodidades  das  mais  notáveis  edificações  do  seu  género  em 
todo  o  mundo,  foi  erguido  sõbre  uma  área  de  7.250  metros  quadrados, 
sabendo-se  que  todo  o  seu  material  —  r"esde  as  plantas  até  aos  pregos 
—  vieram  da  Inglaterra. 


1460 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


Gravura  144  —  Pág.  1063 

Ponto  de  estacionamento  de  tílburis  no  largo  da  Sé,  no  começo 
do  século  atual.  A  propósito  do  largo  da  Sé,  veja-se  nota  sóbre  a 
Gravura  10.  O  local  íoi  o  primeiro  ponto  de  estacionamento,  quando 
surgiram  na  cidade  os  carros  de  praça,  em  1865.  Até  o  ano  de  1870, 
no  edifício  contíguo  à  igreja,  funcionaram  aulas  de  Latim  e  Teologia, 
e  a  primeira  Eícola  Normal. 

Gravura  145  —  Pág.  1057 

Cocheiros  lavando  carruagens  e  cavalos  no  Tamanduateí,  nas  pro- 
ximidades do  Mercado  velho,  em  1898.  Nessa  fotografia,  aparecem  o 
Tamanduateí  ainda  não  retííicado,  a  tò;  re  da  igreja  do  Carmo,  aos 
fundos,  e  à  direita  um  quiosc|ue. 

Gravura  146  —  Pág.  1071 

Rua  Florêncio  de  Abreu  em  1887,  ver.do-se  a  Cocheira  Duchein. 
Até  fins  do  século  passado  ainda  eram  comuns  as  cocheiras  que  alugavam 
carros  ou  cavales,  embora  desde  a  época  em  tôrno  de  1870  as  estradas 
de  ferro  fizessem  concorrência  e  quase  desbancassem  o  transporte  por 
bestas  de  carga. 

Gravura  147  —  Pág.  1077 

Rua  Direta  cm  fins  do  século  passado,  em  fotografia  que  fixa 
um  aspecto  típico  do  trânsito  urbano  na  época,  marcado  pelo  tílburi  e 
o  bondinho  puxado  por  burros.  Foi  no  ano  de  1872  que  a  cidade 
passou  a  contar  com  linhas  desses  bondes,  a  primeira  delas  do  largo 
do  Carmo  à  Estação  da  Luz.  Eram  bondes  abertos,  pequenos,  de 
apenas  4,  5.  6  ou  7  bancos.  Continuaram  trafegando  até  o  comêço 
do  século  atual  —  mesmo  depois  de  iniciado  o  serviço  de  bondes 
elétricos  —  sobretudo  para  os  lados  da  Ponte  Grande  e  de  Santana. 

Gravura  14",  —  Pág.  1083 

Estacionamento  de  automóveis  de  aluguel,  no  comêço  do  século 
atual,  na  praça  da  República.  Os  primeiros  automóveis  apareceram  na 
cidade  nos  último  anos  do  século  passado.  Em  1898  um  visitante  obser- 
vou certo  dia  na  rua  Direita  grande  ajuntamento  de  novo  "em  tôrno 
de  um  carro  aberto,  de  quatro  rodas  de  borracha,  com  dois  passageiros 
e  que  se  movia  por  si  mesmo." 

Gravura  I  fO  —  Pág.  1087 

Ainda  nessa  época  (1892)  eram  impressionantes  as  enchentes  na 
várzea.  Segundo  Batista  Pi.reira,  '  improvisavam-se  barcas  e  canoas, 
e  apareciam  peixes  coihidos  a  mão."  Aspectos  maravilhosos  das  inun- 
dações —  escreveu  êsse  cronista  —  eram  observados  das  casas  da 
rua  da  Boa  Vista  e  da  rua  15,  como  também  do  barranco  gradeado  da 
rua  Florêncio  de  Abreu.  O  quadro,  existente  no  Museu  Paulista,  é  de 
autoria  de  Benedito  Calixto  (1853-1927),  nascido  em  Itanhaem  e  que 
deixou  trabalhos  numerosos,  muitos  dos  quais  se  erxontram  no  Museu 
Paulista,  no  Museu  de  Arte,  no  Museu  Naval,  na  Catedral,  na  Prefei- 


HISTÓRIA   !■:    1  kAlJIÇÕr.S   HA   CIDA!)!-:   DK  yÃO  [■ 


tiii-a  e  na  Bulsa  de  Santos,  na  Cán-ara  dc  Sã.i  \'ici'nte  c  n..  i  ,u. 
Governo   d-   Belém   do    r'ará.    Calixto   foi   também   historiador.   r>  oi 
zando  interessantes  pest|uisas. 

Gravura  150  —  Pág.  1093 

Fase  final  da  denioli,;ão  d,  edifício  dos  Barõe.-,  de  Tatní  p-ini 
construção  do  primeiro  \'iadulí.>  do  Lha.  Aparetcm  ai  os  fundos  do 
prédio,  e  a  igreja  dc  Santo  Ar.tònio.  A  gravura  é  de  1889,  c  pro- 
vàvehnente  de  autoria  de  Julcs  Martin,  a  propósito  do  qual  vejam-se 
referências  n,a  nota  sôbre  a  gravura  fora  do  texto,  depois  da  pág.  89ó. 

Gravura  151  —  Pág.  1097 

Reprodução  de  gravura,  provavelmente  de  Jnles  Martin,  que  figu- 
rava no  convite  para  inauguração  do  primeiro  \''iaduto  do  Chá  cm 
1892.  Aparecem  ai,  à  esquerda,  a  rua  Libero  Badaró  c  a  igreja  do 
Santo  Antônio,  no  centro  o  córrego  Anhar^galiaiV  e  à  direita  a  rua 
Formosa.  A  propósito  de  Julcs  ^^lartin  vcja-se  nota  sõlire  a  gravura 
fora  do  texto,  depois  da  pág.  896. 

Gravuras  qitc  abrem  o  capUulo  '•Agua  c  Abaslcchíi:::hi"  —  Pág.  1105 

Car:-oças-pipas  de  venda  de  água,  com  referêr.cia  às  quais  veja-se 
nota  sobre  a  Gravura  80.  O  outro  desenho  repro;hi2  o  obvlisco  c  o 
chafariz  do  Piques.    \^eja-se  nota  sóbre  a  Gravura  77. 

Gravura  152  —  Pág.  1107 

Largo  e  ru.a  de  São  Bento  no  período  1870-1880,  vcr.do-se  à  direita 
a  casa  "Banhos  da  Síieia".  O  jardim,  protegido  por  simples  cerca  de 
arame,  teria  em  1887  gradis  de  ferro.  A  casa  "Banhos  da  Sereia" 
pertencia  ao  húngaro  Fischer  e  ficou  famosa  também  pelos  seus  bifes 
e  seus  vinhos  estrangeiros,  pois  era  igualmente  restaurante  e  ponto  de 
reunião.  A  propósito  do  largo  de  São  Bento  veja-se  nota  sôbre  a 
Gravura  135. 

Gravura  153  ■ —  Pág.  IKo 

Largo  de  São  Francisco  no  começo  do  século  atual,  vendo-se  aos 
fundos  o  edifício  da  Escola  de  Comércio  Alvares  Penteado  e,  no  pri- 
meiro plano,  um  bebedouro.  O  largo  fôra  primitivamente  quintal  do 
convento  franciscano,  transformando-se  em  logradouro  público  na  época 
da  instalação  da  Academia  de  Direito,  em  1828.  Em  meados  do  século 
pas&ado  faziam-se  aí  feiras  de  madeira,  trazida  dos  arredores  da  cidade. 
Desenho  reproduzido  do  livro  de  Arch!bald  Forrest,  A  tour  Ihrougli 
South  America,  1913. 

Gravuras  154  —  Pág.  111!> 

O  largo  do  Rosário  (praça  Antônio  Prado)  em  1885,  vendo-se 
o  chafariz  construído  em  1874-1875  pelo  engenheiro  major  Henrique 
Luís  de  Azevedo  Marques  e  denominado  Chafariz  Sete  de  Setembro. 
Em  1893  seria  demolido  pela  Companliia  Cantareira,  medida  que  foi 


1462 


;■;  R  N  A  N  I     SILVA  BRUNO 


recebida  com  revolta  por  populares,  tornando-se  necessária  a  intervenção 
da  fôrça  policial.  Sõbre  o  largo  do  Rosário  em  épocas  anteriores 
veja-se  a  nota  relativa  à  Gravura  100. 

Gravuras         —  Pág.  1123 

Aspecto  do  largo  dos  Guaianases  (praça  Princesa  Isabel)  em  fins 
do  século  passado,  vendo-se  o  pequeno  chafariz  aí  edificado.  O  antigo 
Campo  Redondo  teve  a  denominação  de  Guaianases  em  1865,  e  cm 
1897  seria  ajardinado. 

Gravuras  que  abrem  o  capítulo  "O  Mercado  c  a  Oficina"  —  Pág.  1131 

Antigo  mercado  da  rua  25  de  Março  esquina  de  General  Carneiro, 
inaugurado  em  1857  depois  de  estudos  e  preocupações  da  Câmara  desde 
1860,  quando  se  dizia  que  com  a  construção  da  primeira  estrada  de 
ferro  —  a  Inglèsa  —  se  tornaria  urgente  a  criação  de  um  centro  geral 
para  a  compra  e  venda  de  comestíveis  na  cidade.  Dentro  de  seu  pátio 
se  fincaram  estacas  para  se  amarrarem  os  animais  que  ali  permanecessem 
durante  as  vendas.  O  segundo  desenho  simboliza  o  desenvolvimento 
do  parque  industrial  paulistano,  que  começou  a  se  esboçar  no  último 
quartel  do  século  passado,  embora  só  depois  da  primeira  Grande  Guerra 
tomasse  maior  impulso. 

Gravuras  156  —  Pág.  1135   

Igreja  e  largo  do  Rosário  (praça  .\ntônio  Prado)  no  começo  do 
século  atual.    A  propósito  vejam-se  notas  sóbre  as  Gravuras  100  e  154. 

Gravura  1?7  —  Pág.  1141 

Ladeira  General  Carneiro  e  parte  do  mercado  (que  seria  demolido 
em  1938-1939),  no  começo  do  século  atua!.  A  propósito  vejam-se  notas 
sóbre  as  Gravuras  84  e  as  que  abrem  o  capítulo  "  O  iMercado  e  a 
Oficina". 

Gravura  15S  —  Pág.  1147 

Ladeira  General  Carneiro  em  fins  do  século  passado,  vendo-se  à 
direita,  no  primeiro  plana^  a  chamada  Cascata  do  Palácio.  A  respeito 
da  Ladeira  General  Carneiro  em  épocas  anteriores  vejam-se  as  notas 
sóbre  as  Gravuras  84  e  as  que  abrem  o  capitulo  "O  iíviercado  e  a 
Oficina." 

Gravura  159  —  Pág.  1153 

O  Alercadinho  São  João  (de  verduras)  em  1915.  Localizava-se  no 
ponto  em  que  esteve  depois  a  estátua  de  Verdi,  em  frente  ao  antigo 
edifício  da  Delegacia  Fiscal,  e  seria  demolido  em  1915-1917.  A  foto- 
grafia reproduzida  foi  tirada  de  ponto  próximo  à  rua  Formosa  em 
direção  à  praça  Antônio  Prado. 

Gravura  160  —  Pág.  1159 

Aspecto  geral  do  mercado  da  rua  25  de  Março,  sõbre  o  qual  veja-se 
nota  relativa  às  gravuras  que  abrem  o  capitulo  "  O  Mercado  e  a  Oficina". 


HISTÓRIA    ;■•    I  K.M.K.ÕKS    DA    C  inAUI-  Di 


Gravura  lòl  —  Pag.  lio? 

Depósito  de  carnes  do  larso  São  Paulo  (praça  Almeida  lúni..r) 
em  1890.  Edificado  para  mercado,  foi  loa;o  em  sesíuida  transformadò 
em  depósito  de  carnes  (em  1888),  para  aí  sendo  conduzidas  as  reses 
abatidas  no  matadouro  da  \'ila  Mariana,  em  carros  especiais.  Km  19114 
o  prédio  foi  reformado  passando  a  ser  a  sede  do  Teatro  Colombo  c 
mais  tarde  do  Teatro  São  Paulo. 

Gravura  lò2  —  Pág.  1171 

Tenda  de  ervas  e  passarinhos  de  Pai  Inácio,  no  Alercado  velho,  no 
■começo  do  século  .atual.  "Os  ervanários  expunham  suas  mercadorias  — 
observou  F.  C.  Hoehne  -  em  meias-águas  de  telha  e  zinco,  com  uma 
espécie  de  porta  formada  por  amarrados  de  ervas  e  cê.stos  com  se- 
mentes. '■  Da  coberta  pendiam  ressequidos  ramos  ou  feixes  de  cipó 
em  mistura  com  estorricadas  peles  de  cobras,  jacarés,  lagartos,  tatus  c 
molhos  de  cebola." 

Gravura  163  —  Pág.  1171 

Convento  e  igrejas  do  Carmo  e  da  Ordem  Terceira  do  Carmo  no 
comêço  do  século  atual,  vendo-se  ao  centro  da  fotografia  um  quiosque. 
Êsses  estabelecimentos  surgiram  em  quantidade  na  cidade  nas  últimas 
décadas  do  século  passado.  Montavam-se  no  centro  ou  nos  bairros, 
procurando  sobretudo  os  largos,  a  vizinhança  das  pontes  e  das  estações, 
as  proximidades  dos  mercados.  Eram  feitos  de  madeira,  e  alguns  pro- 
vidos de  pequenas  rodas  que  facilitavam  o  seu  deslocamento  de  um 
ponto  para  outro.  Vendiam  café  com  leite,  refrescos,  cigarros  e  cha- 
rutos, fumo  de  corda,  balas,  jornais  e  bilhetes  de  loteria. 

Gravura  164  —  Pág.  1183 

Aspecto  da  rua  da  Imperatriz  (15  de  Novembro)  em  1887,  época 
em  que  aí  se  localizavam  muitas  das  principais  lojas  elegantes  da 
cidade.  A  propósito  dessa  rua  em  épocas  anteriores,  vejam-se  notas 
sobre  as  Gravuras  61,  71,  119  e  138. 

Gravuras    qu-c   abrem    n    cal^ífulo    "O    Cantinho    da    Salubridade"  ■ — 
Pág.  1189  ■ 

O  primeiro  desenho  fixa  a  várzea  do  Tamanduateí,  a  propósito  da 
qual  vejam-se  referências  nas  notas  sóbre  a-  Gravuras  90,  141  e  145. 
O  segundo  desenho  mostra  unv  cavalariano  rondando  os  subúrbios.  O 
aumento  da  população  da  cidade  em  consequência  da  imigração  e  da 
concentração  pelo  desenvolvimento  industrial,  em  fins  do  século  passado, 
tornou  necessária  a  ampliação  dos  efetivos  encarregados  do  seú  policia- 
mento. Enquanto  o  Corpo  Policial  Permanente  se  incumbia  da  ronda 
de  certas  freguesias,  os  cavalarianos  do  Exército  cuidavam  do  patru- 
lhamento das  áreas  suburbanas. 

Gravura  165  —  Pág.  1197 

Edifício  do  quartel  da  Guarda  Cívica,  na  T.abatingiiera,  em  1907. 
A  edificação  primitiva,  aí  existente,  foi  sede  da  chácara  do  Fonseca, 
até  1830,  em  seguida  do  Seminário  das  Educandas  de  Santana  e  das 


1464 


ERNÂNI      SILVA     B  R  U  N 


Educandas  da  Glória  e  depois  do  Hospício  de  Alienados,  até  1903.  A 
partir  de  1906  —  depois  de  obras  de  adaptação  ■ —  aquartelamento  da 
tropa  federal. 

Gravura  16(>  —  P:'Lg.  1201 

Edifício  do  Asilo  de  Mendicidade  da  Santa  Casa  de  Misericórdia,  na 
rua  d.a  Glória,  no  começo  do  século  atual.  No  mesmo  local  (proximi- 
dades da  rua  dor.  Estudantes)  havia  funcionado,  de  1840  a  1884,  o 
antigo  Elospital  da  Misericórdia. 

Gravura  167  —  Pag'.  1207 

Edifício  do  chamado  Quartel  de  Linha,  na  rua  Onze  de  Agosto,  em 
fotografia  de  1914.  Sua  construção  fôra  iniciada  em  1775  pelo  go- 
vernador Martim  Lopes  'i  ■concluída  parcialmente,  eni!  1790,  pelo  go- 
vernador Lorena,  ficando  terminada  em  tòrno  de  1810.  Teve  por  pri- 
meiro ocupante  o  Corpo  de  Voluntários  Reais.  Em  1887  já  se 
encontrava  o  edifício  em  estado  ruinoso,  e  sua  demolição  ocorreu  em 
1915. 

Gravuras  que  abrem  o  capítulo  "Dança,  Jôgo  c  Esporte"  —  Pág.  1215 

O  futebol  —  introduzido  em  São  Paulo  por  Charles  Miller  ■ — 
começou  a  ser  praticado  em  tôrno  de  1888,  por  ingleses  residentes 
na  cidade,  nas  várzeas  próximas  às  ruas  do  Gasómetro  e  de  Santa 
Rosa.  Aproximadamente  em  1898  fundaram-se  clubes  de  brasileiros 
para  sua  prática :  o  Internacional  e  o  dos  estudantes  do  Mackenzie. 
O  segundo  desenho  fixa  um  aspecto  das  velhas  danças  de  salão.  As 
reuniões  dançantes  —  além  de  atividades  artísticas  —  representaram  o 
objetivo  de  muitas  das  sociedades  e  clubes  que  se  fundaram  em  São 
Paulo  nas  últimas  décadas  do  século  passado,  reuniões  que  por  certo 
deixavam  a  perder  de  vista  as  provincianas  "partidas"  da  Concórdia 
Paulistana,  em  meados  do  século,  quando  Alvares  de  Azevedo  se  quei- 
xava que  os  bailes  paulistanos  acab;ivam  mclancòlicamente  à  meia- 
noite. 

Gravura  168  —  Pág.  1219 

Igreja  do  Colégi.)  em  1896,  pouco  antes  de  ser  demolida.  A  pro- 
pósito dêsse  templo,  cm  épocas  anteriores,  veja-se  nota  sôbre  a  Gra- 
vura 58. 

Gravura  169  —  Pág.  1223 

Essa  obra  de  talha  —  velha  relíquia  da  igreja  do  Colégio  — 
encontra-se  atualmente  na  capela  do  Santíssimo  da  igreja  da  Imaculada 
Co-nceição  de  Maria,  à  rua  Jaguaribe. 

Gravura  170  —  Pág.  1227 

Imagem  notável  pelo  seu  realismo,  consta  —  segundo  Leonardo 
Arroyo,  em  seu  livro  Igrejas  de  São  Paulo  —  que  figurava  no  altar- 
mor  da  antiga  igreja  do  Colégio,  achando-se  hoje  no  templo  da  Boa 
Aíorte,  à  rua  do  Carmo. 


HISTÓRIA   1-:   TRADIÇÕES  DA   CIDADK   [)E  SU 


Cravtira  171  —  Pág.  1231 
p- 

Perspectiva  externa  posterior  do  antigo  mosteiro  de  Sfio  r.ento 
nos  primeiros  anos  do  século  atua).  A  propósito  do  mosteiro  dos 
Beneditinos  eni  épocas  anteriores  vcjam-se  notas  sobre  as  gravuras 
qiK  abrem  o  ^capítulo  "  .\  Kómla  sóIm-;  a  Taipa",  c  sobre  as  Gra- 
vuras 49  e  94.  •  " 

Gravura  172  —  Pá-.  IJ.vS 

Praça  da  República  em  1890,  em  totosrafi.a  tirada  de  ponto  pró- 
ximo à  rua  do>  TimWra.s,  em  direção  à  Barão  de  ltapclinin!;a.  Sena 
ajardinada  no  período  1902-1904.  Veja-se  nota  sõbre  as  gravuras  que 
abrem  o  capítulo  "As  Avenidas  e  as  Arvores". 

Gravwa  173  —  Pág.  12,i9 

Rua  15  de  Novembro  no  período  1896-1900.  A  propósito  da 
cantiga  rua  da  Imperatriz,  cm  outras  épocas,  vejam-se  notas  sobre 
as  Gravuras  61,  71,   119  e  138. 

Gravura  174  —  Pág.  1243 

Local  sujeito  a  inundações,  na  Tabatingiiera.  As  águas  atingiam 
os  fundos  das  casas  dessa  via  pública,  no  local  cm  outros  tempos 
ocupado  por  um  braço  do  Tanianduateí.  Fotografia  reproduzida  do 
álbum  A  Capital  Paulista,  1920. 

Gravura  175  —  Pág.  1247 

A  Floresta  e  a  Ponte  Grande  em  1905.  A  Chácara  da  Floresta 
era  mencionada  em  um  almanaque  de  1885  como  local  de  passeio  e 
recreação,  onde  se  faziam  piqueniques  junto  aos  parques  de  figueiras 
velhas  e  coqueiros.  Em  fins  do  século  passado  e  começo  do  atual 
duas  sociedades  de  esportes  náuticos  haviam  instalado  suas  sedes  no 
local :  o  Clube  de  Regatas  de  São  Paulo  e  o  Clrbe  Espéria,  surgindo 
depois  o  Clube  de  Rv.gatas  Tietê. 

Gravuras  que  abrem   o  cajyítulo   "Em   tânio   da  Academia"  —  Pág. 
1253 

Em  lugar  das  minguadas  escolas  de  primeiras  letras  de  outros 
tempos  já  funcionavam  —  em  prédios  como  o  que  aparece  no  desenho 
—  em  1908  dezoito  Grupos  Escolares  e  em  1913  vinte  e  cinco,  na 
cidade  de  São  Paulo.  O  segundo  desenho  mostra  estudantes  de  pincc- 
ncc.  "Mais  de  mil  estudantes  —  observou  um  viajante  , em  1883  — 
tornam  insegura  a  cidade"  e  no  mínimo  oitocentos  dêles  usavam 
óculos  ou  piuce-uez,  quase  um  distintivo  de  classe. 

Gravura  176  —  Pág.  1257 

Face  lateral  da  antiga  igreja  da  Sé  e  começo  da  rua  Capitão 
Salomão  aproximadamente  em  1910.  A  propósito  da  igreja  da  Sé  e 
da  rua  Capitão  Salomão  (antiga  da  Esperança),  vejam-se  notas  sobre 
as  Gravuras  10,  57  e  99. 


1466 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Gnni:n!  177  —  Pag.  1265 

Edifício  do  Seminário  Episcopal,  na  Luz,  cm  1905.  Construído 
de  taipa,  em  meado.s  do  .':éculo  passado,  por  não  haver  ainda  na 
cidade  indústria  de  tijolos  que  pudesse  fazer  o  fornecimento  necessário, 
ficou  concluído  em  1855.  O  estabelecimento  foi  fundado  pelo  bispo 
D.  António  Joaquim  de  Melo,  e  em  1862  já  contava  com  229  estu- 
dantes que  aprendiam  matemáticas,  línguas,  astronomia,  física,  retórica, 
filosofia,  história  universal,  história  sagrada  e  teologia. 

Gravura  17  S  —  Pág.  1273 

iMu£eu  Paulista  e  Jardim  do  Ipíranga  no  começo  do  século  atual. 
As  obras  do  edifício,  iniciadas  em  1885,  foram  executadas  pelos  en- 
genheiros Luís  Pucci  e  Tomás  Bezzi,  tendo  sido  o  prédio  inaugurado 
em  1895.  O  ajardinamento  do  local  foi  feito  em  1907  pelo  pais.agista 
Arsênio  Puttemans.  Iniciaram-se  as  coleções  do  iMuseu  Paulista  com 
o  material  do  velho  museu  da  Sociedade  Auxiliadora  (1877)  e  com 
o  de  Sertório,  ordenados  cientificamente  pelo  engenheiro  Loefgren. 
O  desenho  aqui  reproduzido  é  do  livro  de  Arcliibald  Forrest  A  toiír 
Ihrough  South  America,  1913. 

Gravura  17<)  —  Pág.  1279 

Observatório  do  brigadeiro  Couto  de  Alagalhães,  na  Ponte  Grande, 
em  fins  do  século  passado.  Foi  na  penidtima  década  do  século  pas- 
sado que  o  brigadeiro  montou  os  telescópios  na  sua  chácara  das  mar- 
gens do   Tietê.    Foi   o   primeiro  observatório   astronómico  da  cidade. 

Gravuras  que  iihrcm  o  cal^ítulo  "0  Piano  <•  a  Ô/^-ra"  —  Pág.  1287 

Recitativo  com  acompanhamento  de  piano.  Nas  últimas  décad.^s 
do  século  passado,  nas  residências  paulistanas  de  gente  mais  abastada, 
o  piano  era  já  coi.sa  indispensável.  A  ponto  de  França  Júnior,  em 
um  folhetim  de  1875^  ter  escrito  da  cidade,  em  um  desabafo :  "  És 
uma  verdadeira  Pianópolis. . . "  O  segundo  desenho  fixa  um  italiano 
tocador  de  sanfona.  Os  imigrantes  peninsulares  introduziram  na  exis- 
tência de  São  Paulo  muitas  de  suas  melodias  e  de  seus  instrumentos 
musicais.  A  poética  viola  indígena  —  como  observou  Couto  de  iMaga- 
Ihães  —  começou  a  se  refugiar  nos  arredores,  combatida  pela  "  pro- 
saica e  fúnebre  sanfona". 

Gravura  180  —  Pág.  1291 

Fotografia  de  1918  em  que  aparece,  à  direita,  no  local  em  que 
agora  se  encontra  o  edifício  da  Light,  o  Teatro  São  José  (o  novo). 
Aí  se  exib'am  as  companhias  líricas,  as  de  operetas  e  as  de  revis- 
tas e  comédias,  francesas,  italianas,  espanholas  e  portuguesas,  no 
começo  do  século  atual. 

Gravura  181  —  Pág.  1297 

Teatro  Municipal  de  São  Paulo  (inaugurado  em  1911)  vendo-.se 
no  primeiro  plano  os  fundos  de  casas  da  rua  Formosa,  e  à  esquerda 
o  Viaduto  do  Ohá  e  o  Teatro  São  José.  As  obras  de  construção  do 
Municipal,  iniciadas  em  1903,  foram  dirigidas  pelos  engenheiros  Ra- 


IIISTÓKIA   E   TKAD)(,,Õ1.'.S  DA   CiOADE  Q)i; 


mos  dc  Azevedo,  ])om;cii)  e  Cláudio  Rossi.    Anrcsciitaiuio  se.n,  1  

com  o  Aíunicipal  do  Rio  e  com  a  ópera  de   Paris,  o   Municinal    ;  , 

considerado,  na  época  de  sua  iuau.auração,  o  edifício  mais  importaiv 
de  todo  o  Estado  dc  São  Paulo. 

Gra7'ura  1S2  —  Pág.  1305 

O  pátio  do  Colégio  em  1895,  ante.-,  da  demoli(;ão  da  velha  iiíreji- 
nha  dos  Jesuitas.  A  propósito  d(_i  local  e  do  edifício  da  Secrctarn 
da  Fazenda,  que  aparece  no  fundo,  à  direita,  \ejam-se  ncjtas  sóbrj 
as  Gravuras  13  e  136. 

Gravura  1S3  —  Pág.  1309 

•'Ponte  da  Tabatingiiera",  quadro  de  Almeida  Júnior  (Pinaco- 
teca do  Estado).  Velhas  casas  de  beiral,  com  escadas  nos '  fundos, 
dando  para  o  Tamanduateí,  ao  lado  da  ponte.  José  Ferraz  de  Al- 
meida Júnior  (1850-1899)  nasceu  em  Itu,  estudou  na  Academia  de 
Belas  Artes  do  Rio  e  freqiientou  depois  a  Escola  de  Belas  Artes  dc 
Paris.  Regressou  a  São  Paulo  em  1882,  e  em  1888  figurava  como 
"retratista  a  óleo",  com  atelier  na  rua  da  Imperatriz  (15  de  Novem- 
bro), em  um  almanaque.  Almeida  Júnior  pintou  alguns  painéis  no  teto 
da  Sé  antiga,  e  entre  os  seus  trabalhos  destaca-se  a  ''  Partida  (U 
Monção",  existente  no  Museu  Paulista. 

Gravura  que  abre  o  apèiidiee  "São  Paulo  dc  Ayu-a"  —  Pág.  1315 

O  desenho  fixa  um  aspecto  moderno  da  cidade,  com  seus  grandes 
blocos  de  arranha-céus.  De  há  uns  vinte  anos  aos  dias  de  "hoje  a 
multiplicação  dos  grandes  edifícios  e  ultimamente  a  sua  melhor  arqui- 
tetura  deram  nova  fisionomia  à  cidade. 

Gravura  184  —  Pág.  1317 

Maqueta  dos  monumentais  edifícios  Copan,  que  estão  sendo  cons- 
truídos  na   esquina   da   Avenida   Ipiranga  com   a  rua   São  Luís. 

Gravura  185  —  Pág.  1321 

Apesar  do  deslocamento  das  grandes  casas  comerciais  para  a  zona 
além-Viaduto  do  Cliá,  as  velhas  ruas  do  Triângulo  paulistano  ■ —  Quin- 
ze de  Novembro,  Direita  e  São  Bento  —  ostentam  ainda  uma  vitali- 
dade que  se  traduz  em  aspectos  como  o  que  a  fotografia  registra: 
a  niovimentação  impressionante  de  grandes  massas  de  pedestres. 

Gravura  186  —  Pág.  1325 

Aspecto  da  Avenida  Ipiranga,  uma  das  mais  modernas  e  carac- 
terísticas do  centro  da  cidade.  De  acordo  com  o  Plano  de  Avenidas 
encomendado  por  Pires  do  Rio  ao  engenheiro  Prestes  Maia,  pouco 
antes  de  1930,  abriu-se  a  Avenida  Ipiranga,  continuada  pelas  ruas 
São  Luís,  Maria  Paula,  praça  João  Mendes,  rua  Anita  Garibaldi, 
praça  Clóvis  Beviláqua  e  ladeira  do  Carmo,  ruas  Senador  Queiroz, 
Mercúrio  e  Santa  Rosa. 


37 


1468 


ERNÂNI     S  I  L  V  A     ii  K  U  N  C 


Gravura  fora  da  Ir.vio  —  Entre  páss.  1326  e  1327 

Feií^ão  niomiiiK-ntal  da  parte  central  da  cidade  de  São  Paulo  em 
nossos  dias,  com  seus  grandes  blocos  de  arranha-céus.  Sabe-se  que 
em  1911-1913  a  própria  municipalidade  paulistana  procurou  promover 
o  crescimento  urbano  no  sentido  vertical,  criando  obstáculos  à  abertura 
de  novas  ruas.  Os  primeiros  arranha-céus  de  São  Raulo  (segundo 
observação  de  1929)  eram  artisticamente  pobres,  mas  muitos  dentre 
os  atuais  revelam  a  influência  das  mais  modernas  correntes  arquite- 
íónicas. 

Gravura  Í<s7  —  Pág.  1329 

Parte  central  da  cidade  vista  do  grande  Parque  Pedro  Segundo. 
No  convèço  do  século  atual,  depois  dc  novas  obras  de  regularização 
do  leito  do  Tamanáuateí  e  da  arborização  de  suas  margens,  o  local 
mostrava  já  aspecto  bastante  diferente  do  que  ostentava  no  passado. 
Mas  o  ajardinamento  da  \^árzea  só  foi  feito  depois  que  em  1910-1911 
o  assunto  foi  abordado  no  plano  de  Vitor  da  Silva  Freire  encami- 
nhado .ao  governo  do  Estado  por  Antônio  Prado,  ao  deixar  a  Pre- 
feitura. 

Gra7-ura  ISS  —  Pág.  1333 

Parte  da  área  centrrd  da  cidade  em  que  aparecem  o  Parque 
Anhangabaú  e  o  novo  \';aduto  do  Chá.  A  idéia  de  remodelação  do 
Parque  Anhangabaú  foi  exposta  em  1930  pelo  engenheiro  Prestes 
Maia:  "Transformar  todo  o  trecho  do  vale  entre  os  viadutos  dc 
Sr^nta  Ifigênia  e  de  São  Francisco  r.uma  só  praça  de  aspecto  diferente 
de  tudo  o  que  possuem  as  outras  cidades."  O  novo  Viaduto  do  Chá 
—  inaugurado  em  1936  —  transpõe  o  vale  do  Anhagabaú  com  iini 
arco  central  medindo  66  metros  e  dois  vãos  laterais  com  17,5  metros 
cada  um.    Largura  de  25  metros. 

Graznnr.  m  —  Pág.  1337 

Aspecto  do  A^ale  do  Anhangabaú,  com  a  passagem  subterrânea 
e  o  Visduto  do  Chá,  aparecendo,  entre  outros  edifícios,  o  dos  Correios 
e  Telégrafos,  à  direita,  o  arranha-.céu  do  C.  B.  I.  e  à  esquerda  o 
edifício  Matarazzo.  .V  propósito  do  parque  Anhangabaú  e  do  viaduto 
do  Chá  veja-se  a  nota  anterior,  relativa  à  Gravura  188. 

Gravura  190  —  Pág.  13-11 

Foi  em  1934-1935  que  começou  a  abertura  do  Túnel  Nove  de 
Julho,  que  ostenta  fachada  monumental  e  conta  duas  vias  latejais, 
cada  uma  com  nove  metros  e  meio  dc  largura.  Leva  a  radial  Nove 
de  Julho  —  escreveu  o  engenheiro  Prestes  Maia  —  trinta  metros 
sob  o  espigão  da  Avenida  Paulista  até  os  novos  e  aristocráticos 
bairros  do  Pinheiros,  medindo  460  metros  de  comprimento. 

Gravura  191  —  Pág.  1345 

Aspecto  da  monumental  Ponte  das  Bandeirr..',,  edificada  quase  no 
mesmo  local  da  antiga  Ponte  Grande,  no  Tietê,  com  três  vãos,  tendo 
cento  e  vinte  metros  de  comprimento  e  trinta  c  três  de  largura. 


HfSTÓRIA        IKADIÇÕKS  DA   CIUADK  l)]..  sà 


Gravura  192  -     l';!.;.  1349 

Fotografia  simbolizando  a  expansão  moderna  do  narque  iiulnsir,..,i 
de  São  Paulo.  Êssc  desenvolvinv.-nto.  ([uc  se  esboçara  de  fins 
século  passado'  até  a  cp -ca  c:>.  rrimeira  Gucrr.a  Mundial,  prossiijuin 
em  seguida,  até  nossas  dii.s,  acu  ...r.do  índices  cada  vez  mais  "ininrossi.,- 
nantes  e  conferindo  à  cidade  um  caráter  cada  vez  mais  definido  d 
metrópole  industrial. 

Gravura  193  —  Pág.  13.S.1 

O  Hosp  tal  das  Clínicas,  projetado  pelos  professores  Rezende  Pu- 
ech  e  .Souza  Campos,  foi  inaugurado  em  1944:  edifício  de  onze  an- 
dares e  cerca  de  mil  e  seiscentas  dep?iKlênci.as,  cujo  plano  do  cons- 
trução obedeceu  a  um  critério  de  alto  rendimento  racional  e  científico. 
Sua  função :  prestar  assif  íêiicia  médica  a  irdigontes,  servir  dc  campo 
para  instrução  de_  estudantes,  médicos,  enfermeiros,  pr;iporcionar  meios 
pai-a  o  des^rnvolvimenío  de  pesquisas  cier.tíficas  c  contribuir  para  a 
educação  sanitária  do  povo.  Junto  ao  primei-o  edifício  foi  construído 
recentemente  o  destinado  às  Clínicas  Ortopédica  e  Traumatológica. 

Graznira  194  —  Pág.  1357 

Maqueta  da  Catedral  da  Sé.  Em  estilo  gótico,  svgundo  projel- 
de  autoria  do  arquiteto  Max  Hehl,  professor  de  Arquitctura  d.i 
Escola  Politécnica  de  São  Paulo,  sua  construção  foi  iniciada  a  16 
de  junho  de  1912.  Medirá  112  metros  de  conip-imento  e  47  dc  lar- 
gura, podendo  abrigar  cêrca  de  oito  mil  pessoas.  Será  um  dos  poucos 
templos,  em  todo  o  mundo,,  totalmente  construído  de  granito. 

Gravura  195  —  Pág.  1331 

A  igreja  de  Nossa  Senhora  da  Paz,  inic'ativa  da  ordem  religio-a 
de  São  Carlos  Borromeu,  foi  construída  de  cimer.io  armado,  de  forma 
idêntica  à  posta  em  prática  para  edificação  de  arranha-céus.  As 
pinturas  que  ornam  a  sua  capela-mor  a  sua  capela  do  Santíssimo 
o  colossal  afresco  do  Juízo  Universal,  na  parede  suoerior  à  porta 
Ce  entrada,  estiveram  a  cargo  do  pintor  Fúlvio  Penacclii. 

Gravura  196  ■—  Pág.  1365 

Compreendendo  uma  área  de  75.598  metros  quadrados,  o  Estádio 
do  Pacaembu  foi  construido  em  terreno  com  a  conformação  d?  uma 
bacia  ou  "  thahveg",  que  se  prestou,  pelos  seus  perfis,  para  o  assen- 
tamento das  grandes  arquibancadas,  aproveitando-se  em  parte  os  de- 
clives naturais.  O  campo  central  de  esportes,  circundado  por  uma 
pista  de  500  metros  longitudinais  por  8  de  largura,  tem  a  forma  áz 
um  retângulo  com'  120  x  80  metros.  Quanto  à  disposição  de  seu  con- 
junto, apre.-^enta-se  como  Estádio  Municipal  no  género  dos  existentes 
na  Alemanha. 

Grazmra  197  —  Pág.,  1369 

Para  substituir  o  velho  hipódromo  da  Mooca,  edifícou-se  em 
Cidade  Jardim  o  novo  Hipódromo  Paulistano,  com  arquibancadas  de 
concreto,  em  estilo  moderno  e  elegante,  e  pi.stas  de  areia  e  de  grama. 


1470 


KR N ANI     SILVA  BRUNC 


Gravura  fora  do  texto  —  Entre  as  págs.  1370  c  1371 

Vista  aérea  do  parque  Anhangabaú  e  parte  da  área  central  da 
cidade.  No  primeiro  plano  a  praça  das  Bandeiras,  ponto  de  confluência 
do  Y  formado  pelo  tronco  (Avenida  Anlxangabaú)  e  as  duas  hastes 
(avenidas  Nove  de  Julho,  à  esquerda  e  Itororó,  à  direita),  aparecendo 
ainda  na  fotografia,  além  dos  maiores  edifícios  paulistanos,  os  via- 
dutos do  Chá  e  de  Santa  Ifigênia. 

Gravura  m  —  Pág.  1373 

Foi  em  1936  que  se  cogitou  da  construção  de  um  edifício  espe- 
cialmente destinado  para  funcionamento  da  Biblioteca  Municipal,  que 
desde  sua  fundação,  em  1925,  estava  estabelecida  em  prédio  acanhado 
da  rua  Sete  de  Abril.  Os  planos  e  a  execução  do  novo  edifícii> 
obedeceram  aos  preceitos  da  arquitetura  funcional,  assegurando-se  in  ■ 
clusive  o  silêncio  do  local  —  na  área  compreendida  entre  as  ruas  Sã> 
Luís,  Bráulio  Gomes  e  Consolação  —  com  a  construção  distando  dez 
a  vinte  metros  do  alinhamento  das  ruas.  e  circundada  de  jardins,  como 
se  vê  na  fotografia.  Tôda  a  tõrre,  com  exclusão  dos  dois  últimos 
andares,   é   ocupada   para   depósito  de   livros,   revistas  e  jornais. 

Gravura  199  —  Pág.  1377 

Monumento  de  grandes  proporções,  na  entrada  do  Parque  Ibira- 
puera,  e  cuja  execução  foi  confiada  ao  escultor  Vítor  Brecheret.  Tem 
cinquenta  metros  de  comprimento,  quinze  de  largura  e  nove  de  altu- 
ra, em  rampa,  sendo  de  cinco  metros  o  tamanho  médio  das  figuras 
de  bandeirantes  e  chefes  índios.  Todo  o  monumento  é  constituído 
de  blocos  superpostos  de  granito,  de  vinte  a  vinte  e  cinco  toneladas. 

Gravura  200  —  Pág.  1383 

O  Brasão  de  Armas  da  Cidade  e  Município  de  São  Paulo,  de 
iniciativa  de  Washington  Luís  quando  Prefeito  da  cidade,  e  de  autoria 
de  Guilherme  de  Almeida  e  José  Wasth  Rodrigues,  foi  instituído  por 
ato  municipal  de  8  de  março  de  1917.  O  braço  de  prata  enfeixa 
na  mão  uma  bandeira,  uma  alabarda  em  campo  vermelho  e  o  listão 
com  a  divisa :   Non   Ducor  Duco. 

Gravura  fora  do  texto  —  Depois  da  pág. 

Planta  Turística  da  Cidade  de.  São  Paulo,  organizada  pela  Co- 
missão do  IV  Centenário  e  executada  pelo  desenhista  Paulo  Amaral. 
Estão  aí  indicados  todos  os  pontos  e  recantos  interessantes  e  pitorescos 
da  metrópole  paulista,  seus  bairros,  seus  edifícios  principais  e  suas 
artérias  de  maior  importância.  O  Brasão  de  Armas  foi  reproduzido 
segimdo  as  córes  originais. 


ÍNDICE  DE 
ASSUNTOS  E 
DE  LUGARES 


iii 


ADUTORAS  —  110»,  1127,  lliS, 
1356. 

AGUA  DE  RIOS  E  RIBEIROS 
—  20U,  278,  279,  28i,  2S7,  291 1, 
663,  1092,  1431. 

AQUEDUTOS  PRIAIITIVOS  — 
279. 

BICAS 

Acii,  do  —  284,  289,  627,  1443, 
1444. 

Baixo,  de  —  1121. 
Gaio,  do  —  11-;1. 
Miqiicl   Carlos,  do  —  290,  661. 
CARROÇAS-PIPAS  —  241,  611. 
629,  650,  655,  667,  749,  1121,  1445, 
1461, 

CASAS  DE  BANHO  —  452.  1106, 
1107,  1116,  1123,  1149,  1461. 

CHAFARIZES  —  67,  283,  992, 
1106,  1118,  1122,  1123,  1124,  1127. 
1430. 

Jardim  da  Lu:;,  do  —  6  j4,  995, 

1121,  1122. 
Largo  da  Concórdia,  do  —  114-;. 
Largo  dc  São  Bento,  do  —  664, 

1122. 

Larao  de  São  Gonçalo,  do  —  654, 
1118. 

Lcrcjo    do    Carmo,    do   —  1118, 
1124. 

■  Largo  do  Pelourinho,  do  ■ —  664, 
1122. 

Largo   do   Rosário,  do  —  1019, 

1118,  1119,  1124,  1461. 
Larrjo    Gucianascs,    do   —  1122, 

1125,  1452. 
Liberdade,  da  —  653,-  657. 
Miguel   Carlos,  de  —  290,  650, 

659,  660,  661,  1445.  ■ 
Misericórdia,  da  —  278,  285,  285. 

287,  2S8,   353,   645,   650,  6Ó3, 


664.  068,  1007,  1127,  143í),  144j, 
1444. 

Fiiliies.  do  —  233,  288,  651,  653, 
(.58,  1059.  1121,  1438,  1441. 
3461. 

/'ri/C(í  da  Rcpúltlira.  da  —  1122. 
Quartel,  do  —  284. 
Rua  da  Fólx'ora.  da  —  (>5f>. 
São   FraiH-isco.  dc  —  287,  288. 
659. 

Desniantélo  dos  chafarizes  —  288, 
626,  629,  650,  653,  992,  1118. 
1121. 

Encanamentos  —  67.  629,  654,  65", 
658,  660,  663,  664,  667,  1437. 
ESCASSEZ   DE  AGUA  —  287, 
288,    654,    655,    657,    658,  653, 
664,  667,  668.   1105,   1121,  1122, 
1123,  1127,  1128. 
ESGOTOS  —  67,  452,   523,   52 í. 
1106,  1109,  1122,  1123,  1124,  1193, 
1194. 

FONTES    NATURAIS    —  278, 
279,  .^81,  1123,  1431. 
Chá,  do  —  657. 
Ingleses,  dos  —  657,  1121. 
Moriuguinho,    do    —    657,  1030, 
1121. 

Santa  Luzia,  de  —  1029. 

Aglomerações  nas  fontes  —  279, 
280.  281,  288. 
IMPUREZA  DAS  ÁGUAS  —  284, 

288,  289.  342,  350,  353,  ,  629,  653, 

654,  1121,  1127. 
RESERVATÓRIOS    —   286.  287, 

663  664,  1105.  1109,   1122,  1127, 

1149. 

Agua  Branca,  da  1128. 
Araçá.  do  —  1128. 
Avenida,  da  —  1128^ 
Belenánlio,  do  —  1128. 
Consolação,  da  —  1122,  1127. 


1474 


E  R  X  A  X  I      S  I  L  V  A     BR  Ij  X  0 


Rua  do  Pruicifi',  da  —  286,  287, 

663,  664. 
Vila  Mariana.  <la  —  1128. 
SÉCULO  ATU.\L,   NO  —  1109, 

1127,  1128,  1355,  1356. 
TANQUES 
Arouche,  do  —  814. 
Matadouro,  do  —  654,  781. 
Municipal  —  654,  664. 
Renna  ou  dv  Bcxiqa  —  205,  283. 

288,   289,   615,   653,   654,  738. 

995  1121,  1444,  1448. 
.S"<7)//rt    Teresa,   de   —   165,  278, 

283,  285,  287,  654,  664. 
São   Francisco,  dc  —  278,  280, 

285. 

Tcobaldo.  do  —  247. 
Zunega,  do  —  178,  247.  289,  657, 
659,  1089. 
VERTENTES    DE  ABASTECI- 
MENTO —  654,  658,  664,  667, 
1092,  1106,   1122,   1127,  1128. 


ALIMENTOS      E  BEBIDAS 

ASPECTOS  GERAIS 
Carência  de  géneros 

Atravessadores  —  255,  265,  266, 

626,  630. 
No   oitocentismo  —   269,  270, 

625,  626,   629,  630. 

Nos   tempos   coloniais  —  254, 
265,  266,  267,  625. 
Dieta  dominante  no  oitocentismo 

—  270,  630,  623,  1111. 
Fartura   dc   géneros  alimentícios 

—  49,  255,  268,  269,  629. 
Horário  dc  refeições  no  oitocen- 
tismo —  631,  1111. 

Influência  francesa  —  65. 

Influência  indígena 

Consumo  de  raízes,  frutas  sel- 
vagens e  bichos  —  41,  253, 
255,  258,  259,  262,  273,  351, 

626,  636. 

Alaneira  de  cozinliar  do,s  índios 

—  253,  259,  1430. 
Saúva  torrada  —  41,  273,  274, 

275,  626,  638,  1137. 
Inilucncia    italiana    —    59,  1106. 
1112,  1115. 


Consumo  de  massas  —  59,  1106, 
1115,  1180,  1355. 
Paralelo   com   outras  regiões  do 
Brasil  —  36,  37,  253. 
CONSUMO  DE  ALIMENTOS 
Angu  de  fubá  ou  farinha  —  254, 

259.  269,  270. 

Arroz  —  262,  2í)9,  304,  629,  631, 

635,  1110,  1115,  1352. 
Batata  —  1110,  1352,  1355. 
Canjica   —   254,   259,   262,  273, 

1.M1. 

Carência  de  sal  —  254,  259,  273. 

Carne  —  253,  255,  256,  257,  265, 
269.  270,  274.  294,  304,  307 
308,  342.  626,  629,  631.  632,  635, 

637.  67,3,  693,  1105,  1109,  1144, 
1355. 

Doces  —  626,  631,  635,  638,  673, 

693,  820,  829,  874. 
Feijão  —  254,  262,  265,  266,  267, 

268,   269,   270.   304,   629,  631, 

635.  737,   1110,  1352. 

Frutas  —  202.  233.  255.  263,  275. 
276,  571,  575,  576,  626,  635,  637, 

638,  1066,  1111,  1112,  1144, 
1256,  1352. 

Leite  —  268,  270,  304.  635,  1066. 

1112,  1144,  1155,  1259,  1352,  1355. 
Alanteíga  —  270.  635,  1056,  1112, 

1155,  1355. 
Ovos  —  635,  1111,  1144. 
Pão  —  33,  59,  261,  262,  267,  270, 

626,  631,  635,  639,  1155,  1352, 

1355. 

Trigo  --  33,  185,  186,  254.  257, 

260,  261,  262,  267,  639. 
Peixes  de  mar  —  258,  626,  637, 

1105,    1106,    1110,    1111,  1131, 
1132,  1139.  1259,  1355. 
Peixes  de  rio  —  73,  254,  257,  25.^1, 
271,   272,   300,   303,   306,  626, 

636,  637,  683,  685,  1028,  1086, 
1110.  1352. 

Produtos  da  caça  —  41.  198.  202, 
254.  257,  258,  259,  271,  272, 
273.  556.  568,  571,  626.  636,. 
1028,  1110. 

Queijo  —  270,  673,  1112,  1115, 
1355. 

Quitutes  —  175,  273,  275,  300,  626, 


HISTÓRIA     1,    TRADU-riE-S    DA  CIDADI 


1475 


6o  1,  ()38,  639.  S29.   1111  np 
1146. 

Toicinho  —  265,   2ò7,  304  307 

308,  629,  630. 
Verduras  —  2f)8.  269,  27(1  V4 

575,  631,  1066,  1115, 'jr43  '  1I-I4'  • 

1352. 

Zona    hortense  1344  1551 

1352.  '  ' 

CONSUMO  DE  BEBIDAS 
Aguardente  —  2ó4,  267,  276,  330 

626,   643,   644,   673,    716,'  749" 

803,  1117. 
Café  —  202,  233,  277,  820  829 

1112,  1155,  1355. 
Caramuru  —  626,  649. 
Cerveja  —  277,  626,  649,  690.  712, 

717,    1106,    1117,    1174,  1176, 

1262. 

Chá  —  277,  500,  571.  575.  576, 
626,   631,   635,   639,   640  641 

643,  673,  709,  820,  1111,  1112 
1355,  1435. 

Chocolate  —  829. 
Garapa   —  626,   644,   647,  1140. 
1443. 

Gengibirra  —  626.  649. 

Licores  —  673,  710,  711,  712,  717, 

1162,  1170  1174,  1176. 
Refrescos  —  829,  1117,  1155,  1174. 
Vinhos  —  185,  263,  276,  294,  295, 

644,  647,  648,  673,  697,  709, 
1106,  1115,  1116,  1117,  1170, 
1262,  1431. 

Espanhóis  —  626,  647,  1116. 
Estrangeiros  em  geral  —  276, 

1106;  1116,  1117,  1123,  1162. 
Portugueses  —  264,  626,  647, 

648,-  1116. 

ARTES  PLÁSTICAS 

ASPECTOS  GERAIS 

Baixo  nivel  artístico  no  oitocen- 
tismo  —  422,  429,  1311,  1312. 
Museus  de  Arte  —  1380. 
Pinacoteca   dô   Estado   —  1289, 

1305,  1312,  1379. 
.Século  atual.  no  —  1380,  1469. 
DESENHO  E  PINTURA 
Desenhistas 


\'ohulin.,  — 
l-^scobs    e   cur.M»    dr  ... 
pintura  —  835,  863,  SoH  145. 
1455. 

Painéis    feito-,   na   terr.i   —  4'> 
424. 

Pintores   —   123,    124    4'^  4") 
1469.  .      -.     -  , 

-Mmcida  júnior  —  1289  1309 
1311,  1312,  1379,  14o7. 

Borges,  Pedro  .Vle.xaiKlriiio  — 
1289,  1311. 

Kfonte  Carmelo,  Jesuino  do  — 
429. 

Silva,  Oscar  Pereira  da  —  1312. 
Quadros    dc    assuntos  religiosos 

—  423,  864.  1455,  1469. 
Quadros  seiscentistas  —  421,  422. 

423. 

DOURAÇ.\0    E    ENTALHE  - 

123,  124,  422.  429. 
ESCULTURA 

Monumentos  —  1377.  1380,  1381, 
1470. 


ASSISTÊNCIA 

ASSISTÊNCIA  SOCL\L 
Asilo    de    Mendicidade   —  1199, 
1201. 

Entidades  de  beneficência  —  725, 
737,  738,  1190,  1191,  1199,  1200. 
Esmolas  —  341,   725,   736,  737, 

739,  938,  1199,  1226,  1308. 
Roda  dos  Enjeitados  —  49,  50, 
349,  351,  725.  737,  1432,  1433. 
Santa  Casa  de  Misericórdia  —  49, 
50,  341,  342,  343,  725,  736,  1195. 
Século  atual,  no  —  1363. 
ASSISTÊNCIA  MÉDICA 
Doenças  c  Epidemias 

Bexigas  —  219,  329,  330,  332, 
334.  337,  338,  339,  340,  344, 
347,  626,  630,  724,  728,  729, 
730,  782,  1189.  1191.  1192, 
1360. 

Fiscalização    de    entrada  de 
negros  —  334,  337,  338. 
Doenças  de  negros  —  353. 
Febres  —  330,  347,  348,  724, 


1476 


E  R  N  A  X  1         I  L  \'  A      B  E  i-  X  O 


730,  733,  1190,  1192,  119^ 
1360. 

Icterícias  —  330,  341. 

Lepra  —  266,   330,   331.  34!, 

724,  733,  734,  1191,  1192. 
Moléstias  endcir.icas  12.  33-t, 

344,  347. 
Moléstias  da  pele  —  347,  348. 
Reumatinno  —  347,  348.  349. 
Higiene  e  Salubridade 

Condições    de    higiene  pública 

—  330,   342,   344,   349,  521, 

537,  559,  614,  631,  632,  667. 

715,  723,  724,  725.  726.  728. 

733.   1086.   1109,   1124.  112.', 

1190,    1192,    1193,  1360. 
Domicílios   insalubres  —  1109, 

1124,  1190,  1193,  1194,  1360. 
Fatores    de    insalubridade  r-o 

oitocentismo  —  42,  330,  345, 

349,  350,  353,  455,  559,  61  í. 

632,  667.  723,  724,  726,  727. 

728,    731,    733,    1086,  1124, 

1127,  1190,  1192.  1193,  14.32. 
Focos  de  infecção  —  330,  342, 

349,  350,  353.  1193. 
Salubridade    natural  ■ —  350, 

723,  725,  726,  1190,  1432. 
Hospitais  c  enfermarias 

Combate  à  tuberculose  —  1190, 
1196. 

Hospício  de  alienados  • —  564, 

724,  734,  1190.  1196,  1197. 
1199,  1226,  1458,  1464. 

Hospitais 

Hospital  das  Clínicas  —  1333, 

1363,  1469. 
Hospital    de    Isolamento  — 

1190,  1196. 
Isolamento    dos  bexiguentos 

—  334,  337,  338,  339,  340. 
Lazareto   —   344,    348,  724, 

733,  734,  1195. 
Maternidade    de    São  Paulo 

—  1190,  1196. 
Oitocentistas  —  173,  344,  348, 

349,  584.  724,  730,  733,  734, 
735,  814,  864. 
Policlínica  de  São  Paulo  — 
1190,  1196. 


Primitivos  —  331,  332,  342. 
Século    atual,    no    —  13o0 
1363. 

Setecentistas    —    125  P6 
131,  342,  343. 
l\l  eúicamentos 

Cachaça  —  264,  339. 
Caseiros  —  64,  263,  339,  340, 

347,  736. 
Erva  de  bicho  —  353. 
Ingleses  —  63,  64. 
Plantas    medicinais    —  254. 

347,  729.  736. 
Vacinação  —  330,  344,  347, 

348,  349,  724,  728. 

Contra  bexigas  —  338,  339, 
340,  728.  729. 
Vinho  —  264. 
Médicos  e  fanuaccuticos 

Benzedeiros  e  curanckiros  — 

329,  331,  347. 
Drogaria    e    laboratórios  — 

344,  348,  1164. 
Farmacêuticos    —    316,  317, 

318,  347.  348.  667,  735,  824. 

1164. 

Jesuítas  como  médicos  e  en- 
fermeiros —  329,  330,  331. 

Médicos  —  343,  344,  347, 
724,  735. 

Primeiros  médicos  ■ —  329, 
331. 

BAIRROS  E  SUBÚRBIOS 

Aclimação  —  1249. 

Acu  —  160,  205,  305,  525.  556, 

568.  619,  726,  1019,  1079,  113.2, 

1143,  1153. 
Aqna   Branca  —  230,   315,  576. 

741,  956,  984.  1021,  1027,  103Í, 

1032.  1092,  1175,  1181. 
Agua  Rasa  —  1435. 
Anastácio  —  571. 
AnhangabaiL  —  201. 
Arcçá  —  276,  1109. 
Areal  —  194,  741. 
Aricanduva  ■ —  193. 
Baixada  do  Buracão  —  283,  304, 

685,  784,  868. 
Barra  Funda  —  576,  577,  1027, 


HISTÓRIA    E    TK.-Miirõrs    ],x    UDADK    DK  S.\(. 


1029,  lOol,  103i,  10-!0.  ]i]\2 
lOyi,  1175,  1181,  lii)9,  li')5. 

Barro  Branco  —  .il2,  829. 

Bela    Vista   —   276,    1021,  107ò 

1256,  1324, 
Belenánho   —   583,    Ul')2  1109 

1116,  1181,  1344. 
Bexicja  —  49,  306,  315,  521,  571, 

582,   583,    738,   829,   907,  95(), 

1030,  1031,    1039,    1140,  1174, 

1209,  1323,  1324,  1444,  1448. 
Bom  Retiro  —  474,  576, '717,  956, 

970,  984,  1026,  1027,  1029,  1032, 
1035,  1040,  1076,  10y2,  1181, 
1193,  1209,  1242,  1324,  1344. 
Brás  —  199,  201,  202,  233,  536. 
546,  556,  564,  567,  568,  569, 
572,  575,  576,  577,  636,  642,  711, 
712,  730,  731,  733,  774.  817 
818,  836,  855,  901,  907,  956, 
963,  984,  987,  1026,  1027,  1031, 
1032,  1035,  1039,  1050,  1062, 
1070,  1074,  1090.  1091,  1095, 
1134,    1181,    118.5,    1194,  1209, 

1210,  1233,  1234,  1238,  1259, 
1271,  1295,  1303,  1324,  1441, 
1442,  1447,  1458. 

Butaiitã  —  184,  185. 

CaaguaçH  —  170,  189,  193,  217 

Cambuci  —  576,  583,  615,  793, 
829,  867,  925,  956,  1027,  1032^ 
1039,   1090,   1181,  1194. 

Campo  Redondo  —  V.  Campos 
Elíseos 

Campos  Elíseos  —  568.  576,  642, 
792,  921,  925,  947,  948,  1028, 

1031,  1042,  .  1074,  1091,  1176, 
1209,  1210,  1238.  1425,  1454. 

Canindé  —  1Q41,  1323,  1324. 
Cantareira    —    193,    1316.  13-JO, 

1352,  1364. 
Carav.dirn  —  1041. 
Carapicniba  —  185.  214,  230. 
Carmo  —  563,  1041. 
Casa  Verde  —  1029,  1030,  1092. 

1111. 
Catumbi  —  1175. 
Chá  —  202,  556,  -559,  568,  640, 

643,  907,  921,  1099,  1170.  1435, 

1454. 

Cidade  Nova  —  170,  177,  230, 
560,  654,  1435. 


Consolação  —  5tiO,  57i\  •.  , 
90-í,  10 19,  1027,  1029,  iu..^ 
1039,  1042,  1073,  1074,  lii;. 
1092,  1106,  1109,  1118,  1Í22, 
1245.  1264,  1283.  132-1,  1425 
1459. 

Colia  —  185,  237.  M)-i.  55'),  ll-)5. 

1352,  1428,  1431. 
Hmbu  —  218. 

Embnacava  —  184,  193,  201.  214. 
218. 

Estrada    1'rniueiro   —   568,  921. 

10,^9.  1454. 
C;  lie  crio  —  1090. 

Clória  —  344.  349,  549.  577.  102Ó, 

1036,  1039.  1110,  1450. 
Guapira  —  185. 
Giiarc  — ■  Y.  Liiz 
Guarnlhoí  —  49,   185,  213,  630, 

829.  1145,  1352. 
Hií/icnópoli::  —  576,  944,  947,  9-18, 

984,    1027,    1045,    1091,  1323, 

1,324,  1340. 
I-Iiimailá  —  616.  1105. 
Iluitata  —  214, 

Ibirapncra  —  184,  185,  214,  333, 
1377,  1381. 

Ipiranaa  —  184,  185,  189,  194.  201, 
214,  224,  588,  829,  956,  987, 
1011,  1021,  1027,  1030,  1032, 
1036,  1053,  1055,  1075,  1092, 
1112,  1181,  1211,  1380,  1442, 
1446. 

liapecerica  —  49,  218,  1140,  1143, 

1195,  1250. 
Itaqnaquccctuba  —  185. 
Itaquera  —  1237. 
Jaraguá  —  193,  195,  218. 
Jardim  America  —  276,  951,  9ó4, 

1046,  1323,  1324,  1332,  1340. 
Jardim  Europa  —  1046,  1340. 
Jardim  Paulista  —  1046,' 1340. 
Jcribaiiba  —  1092. 
Juqucrí   —    185,   237,   304,  308. 

312,  313,  583,  1199,  1428,  1431. 
Lapa   —   956,   984,    1021,  1031, 

1032,    1092,    1181,    1211,  1339, 

1427. 

Lavc.pés  —  338,  509,  582,  608, 
1036,  1070.  1092.  1117,  1456. 
1459. 

Lavras  ]'clhas  —  213. 


1478 


E  R  iV  A  X  I      SILVA  BRUNO 


Liberdade  —  283,  366,  576,  921, 
1027,  1030,  1042,  1238,  1343. 

Luc  —  109,  174,  186,  194,  201. 
214,  286,  305,  306,  315,  317, 
365,  386,  496,  536,  537,  571, 
582,  591,  611,  613,  619,  734, 
755,  759,  783.  802,  1026,  1032, 
1035,  1041,  1047,  1049,  1073, 
1092,  1106,  1122,  1170.  1181, 
1238,  1259,  1265,  1466. 

I\Iandaqiii  —  185. 

Marco  da  Meia  Légua  — •  194, 
710,  963,  1032,  ^1035.  '1117, 
1220,  1259. 

Moinho  —  741. 

Moinho  Velho  —  337. 

Monj alinho  ■ —  583. 

Mooca  —  170,  205,  234,  478,  568, 
576,  607,  802.  803.  907,  908, 
1027,  1030,  1032,  1050,  1069, 
1074,  1090,  1091,  1092,  1181, 
1185,  1209,  1230,  1323,  1324. 
1344,  1371. 

Morro  da  Fôrca  —  373,  1175, 
1311. 

Morro   Vermelho  —  608. 
Morumbí  —  641. 
Nossa    Senhora    das    Mercês  --- 
193. 

Nossa  Senhora  do  Õ  —  49,  111, 
193,  276,  339,  359.  372,  59), 
602,  636,  644,  829,  1053,  1082, 
1139,  1442. 

Osasco'  —  1186.  1344. 

Pacaenúm  —  218,  339.  642,  1031, 
1323,  1324,  1340,  1365. 

Paraiso  —  577.  741,  1089,  1140. 

Pari  —  170,  193,  201,  205,  213, 
214,  233,  258,  271,  568,  576, 
615.  682,  1032.  1041,  1062,  1090, 
1091.  1116,  1181,  1209,  1324. 

Parnaiba  —  82,  138,  185,  225, 
241,  266,  396,  1145. 

Penha  —  170,  193,  194,  213.  233, 
246,  312,  339,  359,  372,  387,  564, 
567,  583,  606,  642,  649,  690,  699, 
802,  829,  855,  907,  1021,  1027 
1045,  1053,  1055,  1076,  1116, 
1211,  1233,  1339,  1344,  1347, 
1363. 

Perdizes  —  247.  647.  1031,  1076. 
Piaçagucra  ■ —  213,  214. 


Pinheiros  —  77,  151,  184,  185, 
193,  194,  201,  214.  218,  230,  248, 

358,  602,  741.  781,  829,  1046, 
1092.  1211,   1249,  1250. 

PUi„cs  —  151,  201,  205,  230,  245, 
289,   507,   556,   568,   571,  598, 

601,  654.  698,  711,  726,  1053, 
1056,  1070,  1336,  1436,  1440, 
1449. 

Piqiiirí  —  184,  213,  214. 

Piraiuçara  —  193,  201. 

Pira[,ora  —  829,  1226. 

Pólvora  —  550,  653. 

Ponte  Grande  —  907,  1011,  1040, 
1080,  1111,  1210,  1226,  1247, 
1249,  1255,  1259,  1268,  1279, 
1283,  1335,  1347,  1460,  1465. 

Quatro  Cantos  —  1118. 

Qnebra-Bundú  —  550. 

Ointamia  —  185. 

Saniambatiba  —  184. 

Santa    Cecília  —  560,  929.  980, 

1074,  1091,   1209,  1324. 
Sanla  Ifigênia  —  145,  198,  205, 

248,  348,  512,  515,  560,  571, 
576,  597,  602,  620,  636,  712, 
726,  782,  835,  836,  855,  868, 
921,  995,  1019.  1027,  1035,  1039, 
1042,  1091,  1092,  1095,  1168, 
1210,  1238,  1263,  1324,  1343, 
1344.  1443. 
.S-</;//<7;í,í    —    193,    194,   272,  359, 

602,  829,  1026,  1036,  1080, 
1092,   1110,   1112,    1211,  1460. 

Santo  Amaro  —  49,  166,  184,  185, 
193,   214,   217,   245,   285,  299, 

359.  601.   640,   736,   829,  882, 

1075,  1109,  1110,  1140,  1145, 
1195,  1250,  1316,  1339,  1356, 
1364,  1414. 

Santo  André  —  1186 
Santo  André  da  Borda  do  Cain- 
po  —  71,  72.  73,  151,  193,  211. 
São  Bernardo  —  170,  193,  274, 

359,   588,   591,   611,   642,  705, 

855,    1026,    1036,    1053,  1055, 

1085,  1110,  1442. 
São  Caetano  —  193,  1026,  1036, 

1110. 

São  Gonçalo  —  166. 
São  Miguel  —  77,  185,  193,  213, 
705. 


HISTÓIÍIA    E    TKAnrçÕKS    !>A    CIDADK    DK  SÃo 


Saracura  —  1092. 

Sr   ^   515,   597,   í)_'0,    7lW,  Ki" 

83Ò,  1039,  1343,  1443. 
Tabatingucra   —    119,    ISl,  l,s4 

205,   214,   338.    366,   387'  53í.," 

829,    11^7,    1199,    1243,  \ASu, 

1403,  1465. 
Taipas  —  218,  583. 
Tatua       —    193,   2(11,   202,  246, 

312,  564,  583,  829,  1092,  1175Í 

1363. 

Tcjugnaçii  ■ —  214. 

Trcmcmhc  —  185,  193,  641. 

Triângulo  —  710,  911,  968.  101  d. 
1021,  1027,  1132.  1156,  11(.7, 
1168,  1169,  1315,  1335,  1445, 
1467. 

Ururaí  —  V.  São  Miguel. 

Várrjca  do  Carmo  —  36,  166,  198. 
200,  212,  213,  241,  345,  349, 
350,  386,  563,  567,  568,  608, 
614,  615,  727,  920,  1007,  1080, 
1087,  1090,  1095,  1242,  1432, 
1459. 

]'ila  Buarquc  —  478.  576,  921, 
947,  948,  1027,  1031,  1091,  1194, 
1238. 

Vila  Cerqueira  Cesar  —  1045. 

Vila  Maria  —  1211. 

P'ila  Mariana  —  792.  963,  1042, 

1065,    1074,    1075,    1105,  1109, 

1463. 

Vila  Prudente  —  1181.  1182,  1211. 


CASAS  —  HABITAÇÕES 

CONSTRUTORES 
Arquitetos   italianos   —   60,  918, 

921,  930,  943,  951. 
Construtores  primitivos  —  99,  100, 

103,  110,  111,  126. 
Mestres-de-obra     estrangeiros  — ■ 

60.  918. 

EDIFÍCIOS  PÚBLICOS  —  125, 
130,  131,  136,  934,  935,  943,  944, 
1004,  1016,  1218.  '1327,  1434, 
1436. 

Casa   da    Câmara   e    Cadeia  ■ — 
103,   105,    107,    110,   lis,  120, 


J30,    153,    157.   201.   54i,  T::. 

''34.  935    973.  ')')!,  1(120. 

143s,    1448.    1454.    14.55.  14?7. 
li.L  Al  IXACAO   1).\S  C.\SAS 
Azeite,  a  —  117.  143,  144,  178, 

.499,  500,  746,  852,  959. 
Eletricidade,  a  —  959,  960. 
Gás,  a  —  959,  960. 
Oitocentismo.  no  —  143,  499,  500 

959. 

Quero.sene,  a  -  •  ')59. 
Vela  de  eera,  a  —  117,  149.  500, 
959. 

\'ela  de  scIkj,  a  —  500,  959. 
ÍNDICE  DE  CONSTRUÇÕES 
Oitocentismo,  no  —  466,  920,  922. 
Século   atual,    r.o   —   ')i2,  1320, 
1323. 

JARDINS  E  QUINTAIS 

Flores   —   919,   960.   964,  1008 

1331,  13,i2. 
Jardins  —  66,  144,  145,  466,  496, 
499,   919,   921,   939,   951,  960, 
963,   964,   1015,   1331,  1332. 
Pátios  internos  e  quintais  —  66, 
116,    144,    145,    186,   466,  469, 
470,  479,  496,  512,  571. 
MATERIAIS     DE  CONSTRU- 
ÇÃO 

Aliceices  de  pedra  —  138,  473. 
Carência  de  pedra  —  117.  118, 
120. 

Palha  agnarirana  ou  sapé  • —  99. 
100.  103,  104,  110,  178,  568, 
919. 

Pau-a-pique  —  99,  100,  103,  118, 

129,  1426. 
Taipa  —  78,  99.   100,   104,  105, 

106,    109,    110,    117,    118.  120, 

125,    126,    129,    131,    132,  135. 

138,   435.   465,   469,   470,  471, 

473,  474,  478,  479,  511,  512. 
Telhas  —  99,  100,  104,  105,  106, 

110,    125,    126,    135,   469,  473, 

474,  504,  577. 
Tijolos  —  473,  576. 

MOBILIÁRIO 
Colonial  —  116,  117. 
Oitocentista  —  142,  143.  144.  477. 
478. 


14S0 


!■:  R  N  A  N  I 


.S  I  L  V  A  BRUNO 


REFORMAS     E  REEDIFICA- 
ÇÕES 

Oitocentifimo,  no  —  466,  918. 
Século  atual,  no  • —  918. 
RESIDÊNCIAS 

Casas  sem  conforto,  em  —  956. 
Cortiços,  porões  e  pardieiros,  em 

—  956.  1032,  1194,  1324,  1327, 

1343,  1360. 
Sobrados,  em  —  61.  66,  446,  460, 

495.  496. 
TIPOS   DE  CONSTRUÇÃO. 
Arranha-céus  -     955.   956.  I,:i7. 

1319.  1.327,  1468. 
Casas  de  chácara  —  66,  87,  94. 
Casas   quase   provisórias   —  99, 

100. 

Chalés   —    499.    918,    921,  923, 
1454. 

Contrastes  no  oitocentismo  • —  66. 
Detalhes 

Alpendres  —  105,  1425. 
Balcões  —  44.  65.  105.  135,  136, 
137.  237,  469.  474.  491,  492, 
931,  955,  1425,  1438. 
Beirais  —   78.   106.    118.  129, 
136,  137,  467,  469.  471.  474. 

477,  491,  577,  923,  931. 
C?.chimhos  —  120.  491. 
Janelas   —  99,    105,   118,  119, 

120,  129,  130.  132.  135,  137. 
435,  465.  470.  478,  491,  492, 
515,  920,  955. 
Ornamentação  —  135,  136,  47-!. 

478,  49  í. 

Pintura  —  110.  119.   120,  129, 
130,  136,  137,  376,  4,35,  465, 

469,  470,  919,  948,  955. 
Portões  —  65,  435,  446,  465, 

475,  478,  499. 
Rótulas  —  44,  51.  56.  66,  106. 
135.  137,  138.  178,  237,  469, 

470,  492.  495,  504.  515.  519, 
907.  917.  919,  1424,  14.32. 
1438,  1439,  1440. 

Vidraças  —  37,  66,  137. 
Estilo,  .A.rquitetura  —  66,  105, 
106,  129,  130,  132,  13ó,  137, 
469,  491,  492,  496  918,  919. 
921,  930,  933,  943,'  944.  947, 
948,  951,  955,   1323,  132S. 


Habitações  primitivas  —  78  99 

100,  103,  105,  109. 
Palacetes  e  solares  no  século  de- 

zenove   —    60,    66     132,  496, 

917,  918,  921.  929,'  930,  1041. 
Palacetes    n.o    século    dezoito  — 

132. 

Século  atual.  construções  no  — 
66.  944.  951. 

Sobrados  —  99.  105.  106.  111, 
116,  118.  129.  1.32,  136,  137, 
138,  460.  469.  473.  48S.  491, 
493,  922.  931,  940,  949. 


CHÁCARAS   E  SÍTIOS 

CASAS   DE   CHÁCARA  —  478. 

572,  576.  1029,  1028,  1033,  1040. 

1427. 
CHÁCARAS 

Ãgjia  Branca,  da  —  233. 

Ana  Machado,  de  —  205.  1246, 
1249. 

Aiiaslácio.  do  —  571. 
Antônio  Prado,  de  —  1029. 
Barão  dc  ltapct'mh\qa.  do  —  205, 

283.  568. 
fiarão  dc  Limeira,  do  —  1030. 
Baruel,  do  —  1256. 
Bela  f'í,s-/i7,  da  —  276. 
Bcxioa.  do  —  205,  241. 
Brás.  do  —  569,  572,  575,  577. 

712. 

Brcsscr  —  569,  577.  1442. 
Briqadciro  Banniann.  do  —  145, 
276. 

Cadete  Santos,  do  —  V.  do  Ba- 
rão de  Itapetininga. 

Campo  Redondo,  do  —  205,  555, 
576,  1028,  1441,  1454. 

Capitão  Nasaré,  do  —  241. 

Charpe  —  V.  do  Campo  Redondo. 

Clímaco   Barbosa,  de  —  1030. 

Cónego  Fidélis,  do  —  205. 

Coronel  Rodovalho,  do  ■ —  1031. 

Domingos  Jaguarihe,  de  ■ —  1031. 

Doutor  Albuqnerqnc,  do  —  1030. 

Dudley  —  1242. 

Fagundes,  do  —  205. 

Ferrão,  d-o        205,  1447. 


Floresta,  da  —  1226,  1465. 
Fonseca,  do  —  1197,  1463. 
Glória,  da  —  205.  338,  404  S7' 

729.  ■  ■  ' 

HarraJi,  do  —  lO.iO. 
Ingleses,   dos   —  346,    5S6  SSQ 

584,   724,    734.    735,   814,'  82l' 

855,  1311,  1450,  1451 
Levy  —  1030. 
Loskic!  -  -  573,  577;  1442. 
L-aís  Antônio   de  Sousa  Barron 

de  —  1028. 
iMareelml    Arouche,    do    —  205, 

247,  277,  576.  640,  1027,  1435.' 
Alartiulio  í'rado,  de  —  205  10^9 

1033,  1121,  1264,  1459. 
Mauá  —  \".  do  Campo  Redondo. 
Menezes,  de  —  V.  do  Osório. 
Mifiuel   Carlos,  rio  —  205  ^90 

1030. 

Mooca.  da  —  607. 
Osório,  do  —  205. 
Palmeiras,  das  —  576,  1028 
Pedroso  —  1030. 
Qnchra-Burda,  do  —  V.  do  Ic- 
légrafo. 

Rafael  de  Barros,  de  —  1030. 
Rafael  Tobias  de  Aqniar.  de  — 
1028. 

Rcçicnfc  Feijó,  do  —  1435. 
Senador  Queira::,  do  —  1263. 
Sertório,  'do  —  205,  577,  795,  908, 
1030. 

Tahctinourra.    da    —    561,  577, 

1029,  1441. 
Talnaf^é.  do  —  564. 
Tcleurafo. -do  —  741. 
Veridiana    Prado,    de    —  1031, 

1033. 

CHÁCAR.-\S  CULTIVADAS 
94,  185,  186,  202,  255,  2':i8,  275, 
571,  576,  626,  637,  638,  641,  681,' 
1031. 

DISTANTES    DA  POVOAÇÃO 

—  185,  186,  571. 
HABITAÇÃO   EM  CHÁCARAS 

—  88.  94,  198,  202, '205,  446,  40% 
478,  479,  525,  571,  572,  801,  803, 
814,  1031. 


l'.V  |)K  |J;^| 

HABITAÇÃO     DCK.\.\||-  \s 
FESTAS  -  202,  205,  385      '  ' 

íxKT.\LM.-\>,i].:XTo  I)K 
CARAS  —  555,  556,  .559,  575 
1027,   1028,   1029,  1030    10  íí  ' 

SÍTIOS 
Carrallio.  d)  —  577,  1029. 
Talwihoini.  do  ^  205. 

DIV.ERSÕSS  E  FESTAS 
CARNA\'.\I. 

Entrudo  Primitivo  —  320,  385 
755,  794,  795,  796.  707,  1448! 
Repressão  do  entrudo  —  704 
_  795. 

Feição  moderna,  de  —  755,  794 
795.  796,  1448, 
Bailes  de  —  755,  795,  795. 
Bandos  e  cordões  —  755  70=; 

796.  .1448. 
Carros    carnavalescos    —  755 
795. 

Entidades  carnavalescas  ■ —  795 
796,  1216.  1230. 
CENTROS  DE  DIVERSÃO 
Cafés-concerto  —  1158. 
Circos  —  755,   793,   1146,  1229, 

1293,  1367. 
Jogos  de  cartas  e  dados  —  55 

371,  385,  387,  388,  792,  793. 
Recreios  de  tipo  alemão  —  792 

1117,  1149. 
Rinhas  de  galo  • —  794. 
TívoHs  —  791,  796,  1216  1226 
CINEAIA 

Cosmoramas    e   caixas   óticas  — 

755,  794,  1234. 
Lanterna-mágica    —    1216  P34 
1237. 

Prmieiros  cinemas  —  1216  1^37 
1238. 

Século  atual,  no-  —  1073,  1146 
1157,    1158,    1216,    1238  P41 
1364.  1367. 
DANÇAS    DE    SALÃO    —  388 

445,  755.  784,  785,  829,  875,  890 ' 

1230,  1414. 

Ao  ar  livre  ■ —  792. 

Oitocentismo   nn  _  55   385  7^=; 
784,  785,  829,  890. 


1482 


E  R  -V  A  XI      S  I  L  \  '  A  BRUNO 


Sociedade    Concórdia  Paulistana 

—  755,  784.  1464. 
DANÇAS  POPULARES 

Batuque   —  308,   357,   358,  388, 

422,  430,  433,  785,  863,  895. 
Caiapós   —   741,   785,    786,  863, 

895. 

Congada  —  785,   786.   789.  894, 
895. 

índios   e   mamelucos,   de  —  67, 

368,  369,  1433. 
Moçambique  —  785,  895. 
Repressão  de  —  741,  785. 
Samba  —  785,  863,  895. 
FESTAS    RELIGIOSAS    —  60, 

67,  120,  164.  829,  1225. 
Festas  de  Junbo  —  205,  382,  385, 

425,  781. 
Folias  do  Espírito  Santo  —  382, 

425,  782,  783,  895. 
Natal   —  205,   382,  385. 
Penha,  da  —  605,  829,  911  1035 

1225. 

Pirapora,  de  —  1226. 

Santa   Cruz   do   Pocinho,   de  — 

829,  911.  1225. 
São  Benedito,  de  —  1308. 
Semana  Santa  —  729. 
FESTEJOS  COLONIAIS 
Luminárias  —  120,  159,  365,  376, 

386. 

Noites   de   Encamisadas   —  364, 
365,  385. 

LOCAIS  DE  PASSEIO  E  RE- 
CREAÇÃO 

Banhos  de  rio  —  364,  371,  1217, 

1241,   1243,   1246,  1249. 
Bosque  da  Saúde  —  1012. 
Chácara  da  Floresta  —  1226. 
Ilha   dos   Amores   —   995,  996, 

1015,    1054,    1086,    1134,  1144, 

1216,  1226,  1456. 
Jardim  e  sítio  da  Luz  —  194, 

306,   365,   386,   533,   534,  755, 

783,    791,    1012,    1015,  1226, 

1241,  1304. 
Jardim    do    Museu    Paulista  — 

1012,   1216,   1229,  1273. 
Jardim  do  Palácio  —  1304. 
Largo  do  Rosário  e  Rua  15  de 

Novembro  —  1003,  1004. 


Parque   Antártica  —  1012. 
Parque    da     Avenida    —  1216, 
1229. 

Parque    da    Cantareira    —  1012, 

1316,  1364. 
Passeios  campestres  —  385,  387. 
Passeios  de  barco  —  784. 
Piqueniques  —  1216,  1234. 
Quermesses  —  1216,  1233. 
Santo   Amaro  —   1316,  1364. 
^'árzea  do  Tamanduateí  —  213, 

350,   365,   386,  387,   755,  783, 

1226. 


ECONOMIA 

AGRICULTURA  E  CRIAÇÃO 
Acucar  —  34,  44,  46,  47,  77,  91, 
92,  93.  185,  253,  264,  312,  321, 
366,   441,   447,    448,   466,  581. 
596,   643  ,  644.   718,  899.  1059, 
1060,  1110,  1176,  1426. 
Agricultura  —  45,  86,  91,  92,  93. 
213,   253,   255,   265,   268,  306, 
323,   410,    441,   460,   625,  767, 
1109,  1110,  1435. 
Pequena  agricultura  —  45,  87, 
91. 

.Aguardente  —  264,  267,  276,  304, 
339. 

Algodão  —  185,  320,  325,  1169, 

Í427,  1431. 
Anil  —  88. 

Arroz  —  93,  262,  269,  304,  629, 
699,  1110. 

Café  —  47,  63,  202,  233,  277, 
442,  447,  448,  596,  899,  900, 
904,  918,  920,  943,  951,  1045, 
1054,  1059,  1060,  1133,  1176, 
1185,    1315,    1316,   1453,  1457. 

Cereais  —  46,  307,  441,  1110. 

Chá  —  277,  448,  571,  575,  576, 
626,  640,  641,  642,  643,  1028, 
1435. 

Criação  —  33.  45,  74,  86,  93, 
186,  189,  253,  255,  256,  257, 
265,  266,  268,  269,  297,  299, 
304,  366,  441,  575,  576,  625, 
629,  631,  632,  699,  767. 

Feijão  —  93,  253,  262,  265,  266, 
267,  268,  269,   304,  629,  1110. 


IlISTOklA     K     IKADiruKS    PA  _  CIDADE    DE  S.U) 


Fertiiiclark-  das  terra';  —  Vi  i4 

253.  '  ■  ' 

Frutas  —  33,  45,  202,  2.k\  255 

262,   263,   275,   276,'  575,'  ^76' 

626,  635,  637,  638. 
Fumo  —  185,  304. 
Laticínios  —  268,  270,  3;  14,  t)35. 
Mandioca  —  46,  253,  259,  200, 

266,   269,  270,   3te,  441,  102s' 

1110. 

Milho  —  93.  253,  25''.  2ii0.  2(i4. 

265,   268,   269.   270,   274,'  300 

304,  629,  1110. 
Trigo  —  33.  34.   185.   186.  254, 

257,   260,   261,   262.   267,  62(), 

1427. 

Verdura.s  —  208.  269,  274,  575. 
1427. 

Vinlia  —  185.  263,  36.').  648.  649, 
1115,  1427. 

COMÉRCIO  —  42,  45,  46,  71,  8r>, 
88,  91.  92,  93,  213,  257,  293, 
298,  311,  317,  318,  441,  447, 
451,  466,  581,  596,  671,  899, 
903,  907,  951,  1059,  1062,  1359. 
Gado.  de  -    45.  47.  8S,  91,  92, 

441,  448,  1429,  1430. 
Interno  eni  geral  ■ —  42.  45,  86, 
88,    91,   466,    581,    1429,  14.i0. 

INDÚSTRI.^  —  91,  293,  297,  298, 
319  a  326.  410,  460.  671,  67>, 
710  a  719.  907,  951,  1169  a 
1186,  1315,  1316,  1359,  1360, 
1469. 

ORGANIZAÇÃO  BANCARIA  — 
94,  95,  296,  452,  921.  1167. 

SERTANI.SMO  —  39,  41,  44,  45, 
46,  48,  71,  81,  82,  87.  95  ,  96, 
99,  112,  113,  116,  142,  154, 
193,  213,  220,  225,  253,  254, 
259,  260,  262,  263,  265,  347, 
354.  397,  398,  421,  1423,  1424, 
1425. 

Caça  ao  índio  —  39,  45,  48,  80, 
81,  83,  86,  116,  186,  189,  220, 
254. 

Ouro  e  Pedras  —  39,  44,  45,  46. 
81,  85,  86,  91,  92,  112,  186, 
195,  254,  257,  255,  330,  354, 
398,   1424,  1425,  1428. 


EDIFÍCIOS  RELIGIOSOS 

CAPELA 
^■Iflitos,  dos  —  559,  584 
Brlcm,  do  —  483. 
Casas   particulares,   de   —  7ii7. 
Chácara  da  (ilória.  da  —  572. 
Ccinitcrio.  do  —  483. 
Jos:-  Brás.  de  —  246.  564,  5;i7, 
1447. 

Santa  Crus.  de  —  798,  925. 
.S'aiita   Crus  da   Cambuci,  de  — 
1425. 

.V(i;(/(j  Cru.::  da  Pocinho,  de  ■-■ 
1225. 

Sáo  Miguel,  de  —  925. 
CONVENTOS 

Carmo,  do  —  109.  137,  141,  151, 
166,  181,  190,  200,  363,  409, 
480,  487,  742,  754,  767,  771, 
813.  81-1.  915,  953,  1007,  1177, 
1218,  1436,  1445,  1450,  1455, 
1458,  1463. 

Detallvís  arquitetônicos  —  67, 
115,  484.  487,  488,  939,  1434. 

Jr.^iuilas.  dos  —  73,  74,  79,  100, 
101,  104,  125,  138,  15l",  158,  181, 
187,  200,  234,  343,  363,  394, 
395,  426,  767,  918,  929,  937, 
992.  1004,  1426,  1434,  1436, 
1440,   1441,  1446. 

I//,:-.  da  —  132,  197,  201,  230, 
278.  283,  386,  480,  483,  659, 
737,  739,  803,  864,  961,  1040, 
1047,  1218,  1427,  1436,  1447, 
1448,   1455,  1459. 

RccaUúmcntn  dc  .Santa  Teresa  — 
115,  129,  165,  190,  278,  283, 
366,  480,  483,  545,  777,  864, 
922,  941,  957,  1218,  14.36,  1441, 
1455. 

Reformas  e  reedificações  —  67, 
100,  112,  120,  124,  125,  141, 
483,   484,   768,   937,  1424. 

São  Bento,  de  —  109,  111,  112, 
113,  124,  125,  141,  151,  155, 
157,  158,  174.  181,  186,  197, 
200,  256,  258,  271,  303,  363, 
453,  480,  481,  483,  484,  530, 
559,   615,   654,   657,   767,  768, 


38 


1484 


1-:  R  N  A  N  I     SILVA  BRUNO 


813.  911,  939,  945,  1218,  1231, 
1372,  1424,  1427,  1436,  1437, 
1438,    1439,    1448,    1455,  1465. 

São  Francisco,  de  —  115,  141,  142, 
160,  174,  181,  189,  190,  201, 
276,  277,  278,  280,  283,  287,  363, 
403,  404,  409,  410,  462,  480, 
484.  487,  521,  526,  546,  737, 
767,  810,  813,  918,  926,  1319, 
1447,  1450,  1461. 
IGREJAS  CATÓLICAS 

Boa  Morte,  da  —  480,  483,.  584, 
759,  922,  1227,  1448,  145S , 
1464. 

Brás.  do  —  607,  1032,  1447. 

Carmo,  do  —  109,  111,  115,  151, 
157,  170,  189,  380,  429,  672, 
682,  683,  685,  815.  925,  927, 
953,  1177,  1436,  1441,  1445, 
1446,  1450,  1455,  1458,  1460, 
1463. 

Colc/io.  do  —  33,  100,  104,  109, 
112,  115,  117,  125,  138,  186, 
394,  426,  480,  483,  484,  864, 
918,  929,  937,  1217,  1218,  1219, 
1223,  1227.  1427,  1436,  1440, 
1441,  1452,  1458,  1464. 

Consolação,  da  —  230,  480,  483, 
607,  1029,  1040,  1264. 

Decorações  de  igrejas  —  115, 
123,  124,  125,  422,  429. 

Detalhes  arguitetônicos  —  115, 
116,  123,  124,  138,  480,  926, 
938,  939,  940,   1328,  1331. 

Glória,  da  —  121,  483,  925,  1425. 

Imaculada  Conceição,  da  —  1223, 
1464. 

Misericórdia,  da  —  111,  123,  126, 
151,  155,  159,  198,  304,  343, 
479,  480.  483,  645,  672,  681, 
759,  925,  937,  1441,  1444,  1448. 

Nossa  Senhora  da  Lu:,  de  — 
109,   111,  607. 

Nossa  Senhora  da  Pa::,  de  — 
1328,  1380,  1469. 

Nossa  Senhora  do  Õ,  de  —  111. 
339. 

Ordem  3.a  de  São  Francisco,  da 
—  115,  131,  457,  480,  925, 
1204,  1436,  1437,  1438,  1449. 


Ordem  3a.  do  Carmo,  da  —  115 
380,  429,  480,  772,  773,  815, 
925,  953,  1177,  1436,  144]', 
1450,   1455,  1463, 

Pcuha.  da  —  243,  568,  605  782, 
911. 

Reformas  e  remodelações  —  100, 
110,    112,    124,    125,    126,  131, 

479,  480,  918,  922,  925,  1425 
1438,  1440. 

Remédios,  dos  —  123,  480,  483, 
530,  891,  925,  973,  996,  \2'>3, 
1453,  1457. 

Ro.wrio,  do  —  123,  304,  480,  483, 
674,  759,  785,  786,  787,  863, 
805,  925,  926,  939,  1437,  1448, 
1449,   1455,  1458,  1462. 

Sai/rado    Coração    de    Jesus,  do 

—  925. 

Sa(/rado    Coração   de   .fiaria,  do 

-  925. 

.S"(/;//(7   Ifii/énia,  de   —   132,  178, 

480,  489,  575,  911,  938,  1439. 
Santa   TLre.ui.  de   —  922,  1289, 

1311,  1458. 

Santo  Amaro,  de  • —  193. 

Santo  Antônio,  de  —  109,  124, 
155,  157,  217,  467,  480,  483, 
1438,  1461. 

São  Bento,  de  —  106,  109,  112, 
113.  124,  125,  157,  189,  197, 
453,  480,  481,  483,  484,  756, 
757,  785,  863,  895,  905,  911, 
922,     939,     988,     1424,  1427, 

1437,  1438,  1439,  1449,  1458, 
São   Francisco,  de  —   111,  157, 

189,  457,  487,  925,  1436,  1437, 

1438,  1449,  1450. 

São  Gonçalo,  de  —  123,  480,  483, 
922.  925,  926,  973,  1135,  1437, 
1441,  1448,  1457. 

São  José  do  Belém,  de  —  925. 

São  José  do  1  piranga,  de  —  925. 

São  Pedro,  de  —  123,  169,  480. 
483,  485,  925.  926,  937,  938, 
1011,  1436,  1439,  1441. 

,Sé,  da  —  104,  106,  109.  110,  111, 
126,  127,  158,  169,  364,  367, 
372,    425,   433,   480,   545,  700, 


rnSTÓUlA     K    TRAI)!(^-Õ1-:S    DA     CIDADI.-.  m. 


1483 


701,    754,    760.   77'),   7.SZ  8Y) 

827,    832,    848.    870.   889.  89.í' 

911,   925.   938.   940.   969  995 

1008,    1011,    1013.    1016  12S7' 

1289,    1312,    1.357,    1.364,  14^5' 

1436,    1441,    1447,    1449,  1451' 

1453,    1454,    1458.    1465.  1469. 

TEMPLOS    DE    OUTRA.S  Rj.:- 
LIGIÕES 

Igrejas  Ortodoxas  —  1.343.  13f)4. 

Igrejas     Protestantes     —  1218. 

1221,  1364. 

Mesquitas    Muçulmanas   —  1221, 

1364. 

Sinagogas  —  1364. 


ENSINO  E  ESTUDANTES 

ASPECTOS  GERAIS 

Castigos    corporais   —   407,  835. 

1254,  1269. 
Colégio  dos   Jesuítas  —  73,  79, 

100,   383,   394,   395.   398.  399. 

401.  408,  1434. 
Escola  Americana  —  1254,  1264. 

1268,  1269.  1270. 
Escolas    alemãs    —    12.M,  1254, 

1264,  1267,  1268,  1269. 
Escolas  francesas  — ■  1269. 
Escolas  italianas  —  1271. 
Nivel  intelectual  no  oitocentisnio 

—  60,  417,  442,  1281. 
Professores  particulares  —  1269. 

No   seiscentismo  —  395. 
ENSINO  PRIMÁRIO 

Colégios  e  liceus  no  oitocentismo 

—  808,  834, .  835,   1268,  1269. 

Escolas-Menores  —  393,  403. 

Escolas  primárias  no  oitocentis- 
mo —  403,  404,  407.  764,  835, 
836. 

No  século  atual  —  1271,  1272, 
1465. 

Externato  São  José  —  1264. 
Mestres  de  Meninos  —  402. 
Mestres-Pégios  —  403.  404,  407. 
Método    Lancasteriano    —  407, 
836. 

ENSINO  PROFISSIONAL 
Escolas    de    Comércio   —  1254, 
1271. 


Inslilutc)     Dona    .\na  Rmm 

lOll.  12(..i.  1268. 
Li-ccu    ilc    Aries    c    Ofícios  — 

1254,    1262,    1263,    1267,  1275 

1312,   1327,  1453. 
Seminário  das  Educandas  —  34J 

404,   725.   736.   823.   833  835' 

836,    10.33,    1197,    1264,  12()8 

1339.  1459.  1463,  1464. 
Seminário  de  Santana  —  274,  404, 

716,  832,  833,  835,  12(i3    1  '64 

1463. 

ENSINO  SlCCU\i)ARin  !•.  .SU- 
PERIOR 

Aulas  de   Mlosciia  —  393,  403, 

404,  405,  407,  417,  831.  834. 
Aulas  (!■■  l.atim  —  395,  402.  404, 

417,  8,^2. 
Aulas    de    Matemática    —  402 

403,  407,  831,  834. 
Aulas  de  Retórica  —  403,  404, 

417. 

Aulas  de  Teologia  —  404.  832, 

834,  835. 

Curso  de  Cirurgia  —  344. 
Escola  Normal  —  764,  808,  832, 

835,  9,34,  1254,  1264,  1267, 
1269,  1271,  1283,  1327,  1,336, 
1460. 

Escola  Politécnica  —  1254,  1271, 

1272,  1327,  1371,  1372. 
Faculdade  de  Medicina  —  1254, 

1271,  1360,  1371.  1.375. 
Gabinete    Topográfico    —  808, 

832,  835. 

Mackenzie     College     —  1242, 
1245,    1246,    1254,    1270,  1271, 

1272,  1371. 

Seminário  Episcopal  —  474,  808, 

833,  8,34,  1020,  1090,  1265, 
1267,  1466. 

Universidade  —  1371. 
ESTUDANTES  DE  DIREITO 
—  33.  36.  43,  445,  446,  455, 
459,  582.  595,  682,  690,  703, 
704.  755,  830,  847.  907.  908, 
1110,  1151. 
Academia  de  Dii'cifo  —  33,  36, 
43,  44,  141,  410,  442,  445,  455, 
456,  459,  460.  465,  526,  529,  555, 


1486 


ERNÂNI      SILVA  BRUNO 


559,   595,   629,   718.   725,  807 

810,  836,  907,  1435. 
Corpo    Académico    —    446  460 

808,  829,  830. 
Curso  Anexo  ^  529,   759,  808, 

831. 

Decadência  da  vida  académica  — 
1254,  1259,  1261,  1262. 

Edifício  da  Academia  —  141. 
142,  201,  410,  484.  487,  526 
759,  801.  810,  811,  829,  837, 
838,  864.  926.  929.  1040.  1076 
1204,  1253,  1254,  1260,  1319 
1436.  1437,  1450,  1461. 

Importância  para  a  cidade  — 
629,  718,  807,  809,  810. 

Professo:  es  —  1116. 
Arte    c    Literatura    de  Estndaiitrs 

Atividades   teatrais   —  861,  862, 
864,  867,  876,  880,  883,  1290. 
Jornais   e   revistas  —  807,  809 

848,  849,  856,  862,  1278. 
Sociedades  literárias  —  809  848 

849,  856,  1278. 

Cosliimes,       Diversões.  Esportes 
Bailes  —  829. 

Banhos  de  rio  —  829.  1241,  1256. 
Bilhar  —  755,  791,  808. 
Brincadeiras  e  troças       446,  447, 

461,   660,   661,   705,   754,  764, 

769,   807,   808,   817,   824,  825. 

826,  830.  852.  855,  1253,  1256, 

1259,   1262,  1449. 
Caçadas  —  636. 
Cafés  e  Confeitarias  —  647,  690 

693,  697,  826. 
Capoeira  —  756,  797. 
Cavalhadas  —  801. 
Corridas   de   Cavalo   —  803. 
Esgrima  —  756,  801. 
Ginástica  —  756,  801. 
Incidentes  com  a  polícia  —  808 

825,  826,  827. 
Jogos  de  cartas  e  dados  —  791 
Malha  —  801. 
Nataç.ão  —  829,,  1241,  1256. 
Passeios   a   pé   ou   a   cavalo  — 
461,  829,  852,  855,  1256,  1261. 
Passeios  de  canoa  —  829,  1262 
Serenatas  —  829,  862.  887,  89? 
893,  1261,   1452,  1453. 


Vestuário   —   35,   36,   456  701 
704,  1241. 
Óculos,    monóculos    ou  pince- 
nez  —  1259,  1260,  1465. 
Habitações,  Repúblicas 

Chácaras  —  801.  808.  814,  855. 
C')nventos  —  754,  767,  808  810 

813,  814,  815. 
Pensões  —  1255. 
Repúblicas  —  456,  466,  478  575 
635,   756,   807,   808,   814,  817^ 
818,  819,  820,  853,  894,  1253 
1255,  1256. 

Criados,  escravos  e  cozinheiros 
—  52,  466,  635,  682,  80S, 
819,  820. 

Instalação  e  mobiliário  —  478 
817,  818..  819,  852,  894,  1123.' 

Lavagem  de  roupa  —  820. 

Localização  —  575,  808,  814, 
817,  818,  821,  825.  855,  978 
1253,  1256,  1257,  1262. 


ESCRAVOS 

CASTIGOS,    CRIMES.  FUGAS 
Armados  pelas   ruas  —  333. 
Brigas    nos    chafarizes    —  446, 

650,  1430. 
Ca.stigos  —  738,  741. 

Chácaras    onde    se  castigavam 
escravos  —  741. 
Crimes  —  487. 

Fugas  e  quilombos  —  357,  358 
359,  556,  571.  725.  738,  743, 
745,  781,  1448. 

Proibições 

—  de  írequentar  bilhares  — 
790. 

—  de  negociar  com  certas  mer- 
cadorias —  316.  333,  334,  335, 
1432. 

— ■  de  transitar  pelas  ruas  de- 
pois do  toque  de  silêncio  — 
725,  741. 

COSTUMES   E  DIVERSÕES 
Alojamento  —  66,  496. 
Bailes  e  Jogos  —  368,  371,  725, 
741.  785,  853. 


IIISTÓKIA    ]■:    TRADIÇÕES    DA    CIDADI-     Dl.;  sA, 


1487 


Capoeira  —   755,   766.  797. 
Danças  nas  procissões  —  .i79. 
Sepultamento  —  37,3. 
Vestuário  —  55,  603.  14.37. 
Exibição  de  jóias  —  7<S6. 

ESPFXIALIZAÇÕES     1^  SER- 
VIÇOS 

Ambulantes     e    quitandeiros  — 
300,  335,  678,  681,  1431,  1431 

Cocheiros    e   tratadores   de  ani- 
mais —  592,  605.  ■ 

Construção    e    reparo    de  cami- 
nhos e  pontes  —  223,  229,  230. 

Escravos  de 

Africanos  Livres  —  674. 
Chácaras  205. 
Estudantes  —  466,  820. 
Ordens  Religiosas  —  131  25" 
767.  '    '  ' 

Indústria  de  tecidos  e  chapéus  — 
297,  298,  326. 

Lavras  de  ouro  —  1428. 

Limpeza  de  ruas  —  367,  530. 

Lojas  —  297. 

Preparo  do  chá  —  641,  642,  643. 
Serviços  domésticos  —  238,  279 

280,  288,   290,   500,   518,  592' 

629,  657,  681,  833,  873,  1430. 
Transporte    entre    São    Paulo  e 

Santos   —  637. 
MERCADO   E  PREÇOS 

Especulação     com    escravos  ■-- 

789. 

Mercado  —  80,  116. 
Preços  —  718. 
PROCEDÊNCIAS     —  RAÇAS 
Indígenas  —  48,  50,  51,  86,  112. 

116,  117,  ,183,  219,  223. 
Procedentes  de  fora  —  334,  335, 
337,  338. 

PROPAGANDA  ABOLICIONIS- 
TA E  ABOLIÇÃO  -  903.  930, 
1191,  1200,   1222,  1225 


ESPORTES 

Atletismo  —  1217,  1245.  1368. 
Automobilismo    ^    1065,  1085 

1217,  1249.  1250. 
Basebol  —  1368. 


Riliiar     -    693     740  "  • 

791.  79.;.  808,'  J15Í.  ' 
Rocha  —  1368. 

Hdla-ao-cest  >  —  12-)5  12-i''-, 
1368. 

Boliche  on  Jóso  de  Hola  —  755 
790,  791.  792,  1117,  1149  IlSl' 
1241. 

Caiio-ira  —  741.  756.  797. 
Cavalhadas  —  234,  237,  756,  80' 

1426,  1430. 
CicHsmo  —  797,  1217,  1245. 
Corridas  de  cavalo  —  756  80' 

803.  1216,  1230,  1233,  1368. 

]'"m    hipódromos    regulares  — 
1216,    1230,   1233,'  1371. 

Em    raias   retas   —  756,  80' 
803. 

Hipódromo   de   Cidade  Jardim 
—  1368.  1369,  1371,  1469. 
Cricket  —  1217,  1242. 
Equitação    e    Hipismo    —  P17 

1249,  1368. 
Esgrima   —   756.   798,  801. 
Erontão  —  797,  1237. 
Futebol  —  60,  797,   1217,  1242 

1368,  1464. 
Ginástica  —  756,  801,  1246,  1368. 
Malha  —  801,  1368. 
Natação  e  Regatas  —  456,  756, 
797.    798.    1086,     1091.  1217, 
1246.    1247,    1249,    1368,  1465. 
Patiaação  —  1233. 
Peteca  —  797. 
Praças  de   Esporte  —  1368. 
Estádio  do  Pacaembu  —  1365, 

1367,  1368,  1469. 
Velódromo  —  1217,  1237,  1245. 
Proezas  aeronáuticas  —  1237. 
Pugilismo  —  1368. 
Ténis  —  1217,  1245,  1249,  1368. 
Ti:o-ao-alvo  —  1241,  1368. 
Touradas    -  365,  385,  389,  390, 

1233.  1235. 
\'olibúl  —  1368. 

HOSPEDARIAS      E  CAFÉS 

BOTEQUINS   —   319.   359,  455, 
525,  647,   1134,  1143. 


14SS 


EKNANI     SILVA  BRUNO 


Chico  Ilhéu,  de  —  276,  647. 
Mancco   Vira-Cnpos,  de  —  f>47 
Tavernas  primitivas  —  293,  291, 
319,  1431. 

CAFÉS    E  CONFEIT.\RIAS 
Café  Eurolv',1  —  1149. 
Café   Jciva   —    1075,    1149,  1152, 
1155. 

Cafés  —  672,  697.  698.  749,  1132, 

1149,  1152,   1157,  1158. 

Meados  do  oitocentismo,  em  — 
452,  456,  672,  697,  698. 
Confeitarias    —    452,    672,  698, 

1132.    1135,   1149,    1155,  1156, 

1157,  1238. 
Recreios    e    cervejarias    —  698, 

792.   1117,   1132,  1149. 
HOSPEDARIAS  —  293,  315,  672. 
Século  XVni,  no  —  315. 
Século    XIX,    no    —    315,  672, 

689,  690. 

Hospedaria  do  Bexiga  ■ —  233, 
248,  293,  315. 
HOSPITALIDADE       P  A  R  T  T- 

C  U  L  A  R  —  089,  690. 
HOTÉIS 

Fins  do  século  XIX  —  698,  934, 
1019,  11,32,  1149,  1150,  1151, 
1152,  1156. 

Grande-Hotel    —    1132,  1149, 
1150,  1151,  1152,  1446. 
Meados  do  século  XIX  —  456, 
672,   690,   691,   693,   694,  695, 
697,  791,  1446. 
Século  atual  —  1156.  1158,  llól. 
PENSÕES  —  672,  697,  1152,  1161, 
1175. 

POUSOS  E  RANCHOS  —  215, 
311,  312,  581,  582,  596,  672,  689, 

1428,  1429. 
Água    Branca,   da    —   233,  315 

583. 

Barro  Branco,  do  —  312. 
Bexiga,  do  —  312,  582,  583,  6!  5. 
Ferrão,  do  —  312,  582. 
Guaré.  do  —  312,  315,  582. 
Juqucrí.  do  —  312,  582.  583. 
Lavahés.  do  —  312,  582.  583. 
Tatuapé.  do  —  312,  583. 
QUIOSQUES     —     1117,  1132, 
1155,   1156,   1177,  1463. 


Casas  de  comer  primitivas  —  293, 

294,  295. 
Restaurantes  oitocentistas  —  452, 

456,  647    690,  693,  698,  1116, 

1152. 

INDÚSTRIAS 

ASPECTOS  GERAIS 
Era  Colonial  —  319. 

Teares    e    seus    apetrechos  — 
297. 

Oitocentismo    —    451,    460.  673, 

710,  717,  718,  1133. 
Condições    favoráveis  • —  322, 

323. 

Condições  desfavoráveis  —  321, 

322,  710,  718,  719. 
Disposições  sobre  localização  . — 

715. 

Fiação    caseira    —    320,  324, 
325,  673,  681. 
Apetrechos   —   325,  326. 
Paralelo    com    cidades    do  in- 
terior —  718. 
Século  Atual  —  47,  1133,  llSl, 
1182,    1185,    118Ó.    1359,  1360, 
1469. 

Trabalhadores  —  58,  321,  322, 
323,  324,  325,  715,  716,  717, 
1179,    1180,    1182,    1185,  1359. 

Utilização  de  energia  hidráulica 
—  1185. 

Utilização  do  vapor  —  717,  718, 
1170,  1173,  1174,  1179,  1180, 
1185. 

Zonas  industriais  —   1031,  1032, 
1050,    1124,    1133,    1174,  1181, 
1182,    1185,    1186,  1469. 
FABRICAS 

Armas,  de  —  294,  321,  322. 

Arreios  e  selas,  de  —  237,  673, 

711,  713,  1170. 

Bainhas  para   faca,  de  —  1173. 

Banha,  de  —  1179. 

Baús  c  canastras,  de  —  1175. 

Bilhares,  de  —  1170. 

Caixas,  de  —  1174. 

Carros  e  carruagens,  de  —  606, 

711,    1054,    1065,    1069,  1070, 

1170,  1173,  1174. 


IIISTÓR-IA    K    TRAlJlÇÕl-S    DA    CIDAUK    DK  SÃO 


Cerveja,  de  —  i,4').  (.73,  712.  717 

11(1,,,  1117.  1170,  1714,  U/h. 
Chapéus,    de    —  297,  2'>'J, 

673,   711,   712,   715,   71(,',  717^ 

718,    113.1,    117(1,    1173.  118' 

1185,  1360. 
Charutos,    de    —    71  (i,  717. 
Cigarros,  de  —  1300, 
Cola,  de  —  1174. 
Colchões,  de  —  711,  875. 
Cordas  e  barbantes,  de  —  117  ). 
Cristais,  de  —  1179. 
Curtimento  de  couro  —  673,  710, 

711,  716. 
Dcces,  de  —  1175. 
Ferro,  de  —  299. 
Fogos,  de  —  117o. 
Fósforos,  de  —  1360. 
Fundições    —    710,    716,  1133, 

1170,    1173,    1174,    1175,  1179, 

1182,  1360. 
Gaiolas,  de  —  1175. 
Gâs  hidrogénio,  ch  —  546,  716. 
Gêlo,  de  —  1174. 
Graxa,  de  —  1182. 
Instrumentos    de    música,    de  — 

433,   895,    1174,  1179. 
Instrumentos    de    ótica,    de  — 

1173. 

Licores,  de  —  673,  710,  711,  717, 

1170,  1174,  1176. 
Livros    em   branco,   dc  —  1170, 

1174,  1176. 
Louça  de  barro,  dc  —  293,  320. 
Luvas,  de  —  1179. 
Máquinas    agiícolas,    de    —  47, 

321,   1133,   1175,  1176,  1360 
Marmelada,  de  —  294,  298,  299. 
Marmorarias  —  1180,  1360. 
Massas  alimentícias,  de  —  llOó, 

1173,    1174,    1180,    1182,  1185, 

1360. 

Meias,  de  —  1174. 

Móveis,  de  —  1140,  1170,  1176, 

1181,  1360. 
Óleos,  de  —  1182. 
Petecas,    de   —  1175. 
Projéteis    para    entrudo,    de  — 

320. 

Redes,  de  —  293,  297,  320,  325. 
Relógios,  de  —  1170. 


lv'nii>as,  dc  —  2''5. 

516,   1176,   1182,'  Í3h4.' 
Rolhas,  de  —  1179. 
Sabão,  de  —  717,   1174,  Lio;). 
Tamancos,   de  —  1175. 
Tecidos,  de  —  293,  294    >97  -79^ 
"299,   320,   321,   323,  '324,'  325* 

673,  715,  716,  959,  1133,'  II69' 

1  170,    1173,    1174.    1176,  11. Si)' 

llSl,    IISJ,    11S5,    135'í  1431.' 
Telhas  c  lij,,!,»,  ,k-  _   1(14,  11,- 

298,   2')').   473,   474,   717,  767 

1170,  1175,  13Í.0. 
Tinias,  de  —  1182. 
\'elas,  de  —  073,  710,  712,  715. 

717,  1174,  13o(). 
Vidros,  de  —  1181. 
Vi„:,n,-es,  d"  —  712,   717,  1170, 

1174,  1176. 
\-i„l,„s.  de  —  1115,   11  lo,  1117, 

1 1 70. 
0 1^1  CIOS 

Alfaiates  —  295,  298,  299,  515, 

516,  1176,  1182,  1344. 
Barbeiros  e  Cabeleircii-is  —  67 

295,  298,  703,  706.  709,  1163. 
Carpinteiros  —  298,  299,  325. 
Engraxates  —  1131.  1137,  1138. 
Espadeiros  —  299. 
Ferradores  —  237,  289,  299,  710. 
Oleiros  —  104,  298,  299,  611,  613. 

717.  767. 
Sapateiros  —  295,  298,  299.  515, 

1182. 

Seleiros   —   237,   673,   711,  713, 
1170. 

Serralheiros  —  1133,  1170,  1180. 
LITERATURA  E  CIÊNCIA 

INSTITUIÇÕES  CIENTIFICAS 
E  CULTURAIS 
Arquivo  do  Estado  —  1372. 
Comissão    Geográfica    e  Geoló- 
gica —  1255,  1283. 
Departamento     de  Cultura 
1372. 

Discoteca  Pública  —  1381,  1483. 
Instituto  Histórico  e  Geográfico 
—   1255,    1283,  1372. 


1490 


E  R  N  A  X  I     S  I  L  \-  A     BR  U  X  O 


Mureii  Paulista  —  1011,  1012, 
1229.  1255.  1273.  1282,  128.3, 
1371,  1372,  1,375,  1425,  1429, 
14,30,  1431,  1433,  1437,  1439, 
1440,  1441,  1442,  1451,  1460, 
1406,  1407. 

Museu  Sertório  —  1255,  1282, 
1429,  1466. 

Observatório  Astronómico 
1255,  1279,  1283.  1466. 
LITERATURA 

Aspectos  GíVais 

A  cidade  como  centro  intelec- 
tual  —  47,   807,   809,  850, 

851.  853,  855,  856,  1255, 
1281,  1282. 

Começo  do  século  dezenove  — 

385.  411,  417.  809. 
Literatura  popular  —  856.  857, 

120,3. 

Meados  do  século  dezenove  — 
807.  809.  848.  849.  850.  851. 

852,  855,  856,  1278. 
Século  atual  —  60,  1100.  131), 

1.379. 

Tenipo.s  primitivos  —  393.  394. 

397. 
Escritorc: 

.Abreu,  Manoel  Cardoso  de  — 

414. 

Alencar,    José    de    —   43.  44, 

615.  724.  809,  850,  862. 
Almeida.     Francisco    Joté  de 

Lacerda  e  —  414. 
Alves,   Antônio   de   Castro  — 

36,   56,   564,   704,   809,  85Ó, 

865. 

Anunciação,  Frei  iliguel  Ar- 
canjo da  114. 

Arinos,  Afonso  —  1255,  1231. 

Azevedo,  Manuel  Antônio  Ál- 
vares de  —  36.  52,  598,  809, 
814,  821,  844,  848,  850,  851. 
852.  853,  1203.  1261,  1443, 
1451. 

Barbosa,  Rui  —  809,  856. 
Bastos,  José  Tavares  —  855. 
Bilac,    Olavo    —    1255,  1262, 
1281. 

Carvalho.  "\^icente  de  —  1255, 
1281. 

Cepelos,  Batista  —  1255,  1281. 


Correa,  Raimundo  —  1255, 
1281. 

Dias.  Teófilo  —  1255.  1281. 
Eça.   Matias   Aires   Ramos  da 

Silva  de  —  412.  413. 
Eiró  Paulo  —  85o. 
Gama,  Luis  —  842,  856,  1121, 

1122. 

Gonçalves.  Ricardo  1100, 
1255,  1281. 

Guimarães,  Bernardo  —  55.  56, 
567.  614.  615,  724,  726,  767, 
809,  813.  814,  817,  820,  823, 
842,  848.  850,  852,  857,  890, 
1262,  1451. 

Guimarães  Júnior,  Luís  — 
856. 

Juzarte.  Teotónio  José  ■ —  413. 

Leme.  Pedro  Taques  de  Al- 
meida Pais  —  394,  411.  412. 

Lessa.  Aureliano  —  850.  85.?, 
1451. 

Aíadre   de   Deus.   Frei  Gaspar 

da  —  394.  412.  414. 
Afadureiía,    Pedro    de  Morais 

—  397,  398. 
Magalhães.    José  Vieira  Couto 

de   —   843.   852,   855.  1255, 

1279. 

Melo,  Francisco  Inácio  Mar- 
condes Homem  de  —  842. 
855. 

Morais.  Padre  Manuel  de  — 
398. 

Murat,   Luís  —  1255.  1281. 

Nabuco,  Joaciuim  —  809,  856. 

Oliveira,  Antônio  Rodrigues 
\^ellDzo  de  —  414. 

Oliveira,  José  Joaquim  Ma- 
chado de  —  417,  843. 

Ordenhes.  Diogo  de  Toledo 
Lara  e  —  413. 

Orta.  Ilaria  Margarida  da 
Silva  e  —  413 

Pereira,  Lafaiete  Rodrigues  — 
855. 

Pinheiro.    José    Feliciano  Fer- 
nandes —  414. 
Pompeia.   Raul   —   1255.  1281. 
Prado,  Eduardo  —  1255,  1281. 
Prado,    Paulo   —    1255,  1281- 


HISTÓRIA    i:    THADIÇÕES    DA    ClUAblí  D.: 


1491 


Ramalho,  Joaquim  Inácio  — 
842,  855. 

Rendon,  José  Arouche  de  To- 
ledo —  41,1,  6-10. 

Ribas,  António  Toaquim  — 
842,  850. 

Ribeiro,    Francisi'o  Bcrr.ardino 

—  849. 

Rocha,  Justiniano  José  da  — 
849. 

Rosa,    Francisco    Otavi.ano  de 

Almeida  —  850." 
Sampaio,    Francisco    Leite  de 

Bittencourt  —  855. 
Silva,    Firmino    Rodrigues  li 

—  850. 

Silva,  José  Bonifácio  de  ./An- 
drade   e   —   394,    403,  414. 

Silva,  José  Bonifácio  de  An- 
drada e  (o  Moço)  —  842, 
848,  852. 

Silveira,  YaldotrJro  —  1255 
1281. 

Sousa,  Inglês  de  —  1255,  1277, 
1281. 

Sousa,  João  Silveira  de  —  850, 
852. 

Sousa,  Pedro  Luís  Pereira  de 

—  855. 

Souza  Júnior,  João  Cardoso  de 
Menezes  e  —  841,  850,  852. 

Tinoco,  Diogo  Grason  —  398. 

Torres,  Alberto  —  1255,  1281. 

Vale,  Paulo  António  do  — 
841,  842,  852,  1278. 

Varelá,    Luís    Nicolau  Fagun- 
des  --'  564.   699,   809,  830, 
843,  848,  855,  1261. 
LIVRO  E  IMPRENSA 
Livros 

Biblioteca  do  Estado  —  1254, 
1272,  1375. 

Biblioteca  Municipal  • —  1373, 
1375,  1376,  1470. 

Biblioteca  Pública  (Academia 
de  Direito)  —  394,  410,  484, 
836,  837,  838,  1254,  1260, 
1272,  1275,  1434,  1435. 

Bibliotecas  oitocentistas  —  408. 
409  410,  484,  1254,  1272,  1275. 


Bibliútecíis    priiiiiiivas    .  > 

408,  1434. 

Comércio  de  livros  —  .-id.s 

456.  710,  809.  844,  847  848 

1039,  1254,  1275,  127ó,  1277. 

Casa    Garraux   —   844,  847 
1276. 

Encomendas  n'.)  R!o  —  809 
844. 

IntenSíc  por  livros  —  408,  808 

847,  848,  1275. 

Livros  na  era  colonial  —  39-i, 

:m.  14,14. 

Livros  no  oitocentismo  —  408, 
808,  833,  836,  837,  1275,  1434. 
Tipoíiraiias  —  410,  411,  809.  838, 
841,  842,  843.  844,  1173,  1277, 
1278. 

Imprensa  —  410.  411,  809,  838, 
839.  841.  842.  845,  850,  1226, 
1245,  1307.  1451. 

Livros  impressos  r.a  cidade  ■- 
808,  809.  841,  842,  843,  1277. 


LOCALIZAÇÃO  E  PAISAGEM 

AREA     E     ESTRUTURA  DA 
POVOAÇÃO 

Rocio  —  183,  556,  563,  576,  1032, 
1035. 

Marcos  de  pedra  —  183,  184, 

1032,  1035. 
Meia  Légua  —  194,  556,  563, 

1032,  1035. 

Séculos  dezesseis  e  dezessete  — 
181. 

Centro  de  residências  provisó- 
rias —  79,  80,  95. 

Estrutura  primitiva  —  79,  80, 
104. 

Habitação  nas  roças  e  bairros 
—   95,    154,    186,    189,  202. 

Aluros  e  estacadas  —  153,  182, 
183. 

Século  dezoito  —  181,  189.  190, 

193,  197,  201,  202. 
Século  dezenove  —  181,  198,  199, 

200,  201,  202,  203,  529,  555,  556, 

559,  560,  563,  571,  575,  576. 

Casas  de  campo  —  202,  233. 


1492 


E  R  N  A  NI     SI  L  y  A     3!  R  (T  N  q 


Triangulo  —  65,  173.  189.  55.^. 
Século  dezenove   (fins)  —  1(1 
1026.    1027.    1028.    1029.  U)M) 
1031.    1032.    1035    1036  lo^^y' 
1040.  1041. 

Carater  provisório  —  912.  913. 

Século  atual  (comOço)  —  1025 
1026,  1027.  1028.  1029.  103o" 
1031.  lO.U  1035.  1036  IOS9' 
1040,  1041,  1042,  1045!  1046' 
1049.  1050,  looi,  1092,  1315 

Século  atual  (  h  —  1316  nj  j 
1340. 

Mctrópr.le     industrial     —  47 
1315,  131(1.  1319. 

PAISAGEM  E  CLIAfA  DA  RE- 
GIÃO 

Paisagem 
Beleza  do  sítio  —  145. 
Contrastes   c(,ni   a   marinha  — 

38,  64,  72,  73. 
Horizontes  e  luz  da  reoião  — 

38,  191,  233. 
Mutilada  pelas  ferrovias  — 
^'es■eta(:ão  _  33,  34.  35,  36  37 
145,   185,   187,   191,  230,' 

í  lima 

Amenidade  —  I45,  903. 

Inexistência    de    lareira  nas 
habitações  —  34,  35,  143. 

Contraste  com  o  de  outras  re- 
giões do  país  —  3?    33  34 

35,  ^3^^37,  77,  322,  34.. '635; 

Fr.o  no  oitocentismo  —  34  35 

36.  '  " 
Frio.  nos  séculos  XYl  e  XVII 

Semelhanças  com  o  clima  do 
.  Keino  -  33,  36,  37,  45. 
>no  saudável  —  34,  35  77 
Garoa  —  38. 
Geadas  —  35,  36.  37. 
Mudanças  bruscas  —  38,  348, 
903.  ' 


LOGRADOUROS  PÚBLICOS 

ILUAIIXAÇÃO 
Ei-a^^  colonial    —    159,    178,  308, 

Luminárias   —    120,    159  36S 

376,  386,  491,  1438. 
Oitocentismo   —   452.    491  '^04 
538,  541,  542,  545,  546,  5-W,  SSo' 

704. 

A  azeite  é:  mamona  ou  de  peixe 
—  491,  504,  538,  541,  542  54f, 
550,  1016.  '  '  ' 

A  azeite  resinoso  fotoiíênico  — 
551. 

A    eletricidade    —    970  10''0 

1021.  1339.  1458. 
A  .çás  —  551.  730,  970,  1016 

1017,  1019,  1020,  1021,  1459.' 
A  gás  hidrogénio  líquido  —  546. 
Ge:-ingonças  —  474,  477,  538 

539,  542,  543,  545,  546,  550,' 

1019,  1151,  1439,  1440,  1441. 
Globos    e    lanternas    —  1016 

1455. 

Postes  —  542.  545.  546,  550 
970.   1017,   1019,   1439,  1455.' 
Século  atual  —  1020,  1021,  1339. 
JARDINS 

Aspectos  gerais 

Cercados  de  gradís  de  ferro   

67,  969,  991,  992,  995  999 
1000,   1004,   1005,  1007. 
Flores  —   144,   145,   186.  496 
499,  771,  919,  960,  963,  964' 
1008.  1331,  1332. 
Influência    norte-americana  — 
969,  1000. 
Jardins 

Largo  da  Memória,  do  —  1015. 

Largo   Giiaianascs    do  99' 

1462. 

Largo  Paissaudú,  do    1011 

Lu::,  da  —  37,  173,  288,  386, 
504,  530,  534,  535,  536,  664 
969,  991.  992.  995  996  999* 
1000,  1008,  1012,  1015,  1020' 
1035,  1122,  1152,  1226,  1234^ 


IlISTÓRrA    E     I  KADlrfjES    n  \ 


1241,  1263,  1283,  1304,  1442 

1456,  1457. 

Dísfakiue  em  sua  área  — 
535,  1035,  lOíil,  1457. 

Estatuas    —    533,    53(),  995 
1008. 

Lago  central  —  533,  535,  536, 

992,  1457. 
Observatório    —    9!i9,  992 
995,  1000  1283,  1457. 
Morro  do   Camio,  do  —  905 
1226. 

Parque    A.níiainial>a-ú    —  0,,') 

1007,  1012,   1015,  1021,  1295' 

1332,  1333,  1335,  1336,  1337, 

1459,  1468,  1470. 
Parque  Aiitártica  —  969,  1012. 
Parque    da    Armida    —  1015, 

1021,  1216,   1229,  1456. 
Parque  do  Museu  —  969,  1011, 

1012,   1216,   1273,  1466. 
Parque   D.   Pedro   II   —  952, 

969.    1007,   1012,   1015,  109(), 

1329,  1336,  1408. 
Pátio  do  Coléqio.  do  —  1(104, 

1305,  1458. 
Praça    Buenos    Aires,    da  — 

1011. 

Praça    da    Consolação,    da  — 
1339. 

Praça  da  Repíihliea.  da  —  1012, 

1455,  1465. 
Praça    João    Mendes,    d.a  — 

1226,  1457. 
Praça  José  Roberto,  da  —  1011. 

L.-^RGOS  PÁTIOS  E  PRAÇAS 

Agua  Branca,  da  —  1045. 

Alagoas,  das  —  V-  do  Paissandú. 

Alegria,  da  —  V.  do  Pelourinho, 
Sete  de  Setembro,  João  Mendes. 

Almeida  Júnior  —  349,  556,  559, 
584,  724,  734,  814.  821,  99ò, 
1029,  1132,  1144,  1145,  1165, 
1262,  1295,  1450,  1463. 

Antônio  Prado  —  65,  123,  174, 
190,  338,  434,  488,  517,  526. 
674,  755,  774,  785,'  786,  795, 
955,  970,  973,  978,  988,  1003, 
1004,    1019,    1020,    1079,  1081, 


111:0      11  IN.  li 

1155,    11 5(.,    11. , 
14(,1.  14Í.2. 
Arouche.   ,1,,    -    177,  , 
530,  (.07,  1(140.  1070,  1  N5.  11-;.. 
1221,    1225,    1237,    12.Í8,  13,V,' 
1435. 

,/r/ ;//,„/•;„,  da  —  \'.  <lo  Aronclic. 
Baudcirús.  das  —  217,   530.  597, 
631,  7'!3,  9(17,  1040,  1089,  1145. 

I-  170. 

Bcvigii.  do  —  \  .  das  Mandciras. 
Hras.  (!..  —  \'.  da  Cncórdia. 
Bum.Ks  Aires  -  1011. 
Cadeui.  da   \'.   Joã,.  Aícndcs. 
Conihiici.  d(i  —  1045. 
Canilu,   Kcdundo  —   W  Princesa 
Isabel. 

6  (//'/';;í,  d.i  —  \'.  (1,1  (  )uvidor. 
Camu,.   ,/,,   —    \'.    Clóvis  Bcvi- 
lai|ua. 

Clialiirb.    ..  —  A',  da  Misericór- 
dia. 

Clóvis  Be-Cdôqua  ~  308,  526,  537, 
560.  601,  672.  677,  678,  795, 
1073,  1074,  1118,  1134,  1226, 
1335,  1336,  1458,  1460,  1467.  _ 

Coléqio,  do  —  112,  151,  158,  167, 
174,  2110,  300,  376,  434,  436, 
509,  526,  529,  531,  537,  607, 
074,  693,  735,  774,  795,  796, 
842,  865,  867,  869,  875,  943, 
969,  992,  1004,  1008,  1009,  10b'), 
1027,  1049,  1066,  1074,  1081. 
1101,  1118,  1134.  1137.  1209, 
1277,  1305,  1327,  1380,  1426, 
1434,  1435,  1440,  1452,  1458, 
1467. 

Co-n-órdia.  da  —  530,  713,  1021. 
1032,    1069,    1116,    1132,  1144, 

II-  15,  1447. 
Consolação,  da  —  602,  1339. 
Correio,  do  —  190,  245,  1028. 
Curral,  do  —  V'-  dõ  Riachuelo. 
Curros,  dos  —  V.  da  República. 
Curso  Juridico,  do  —  V.  de  São 

Francisco. 
Forca,  da   —  V.   da  Liberdade. 
General    Osório    —    1145,  1174. 
Glória,  da  • —  Y.  .\lmeida  Júnior. 


1494 


E  R  N  A  X  I      S  I  L  \'  A     BRU  N 


Giiaíanascs  —  V-  Princesi  Isabel. 
Hosbicio,  do  ■ —  21vi. 
lndcpcndc}icia.  ila  —  iDll. 
Indústrias,  das  —  1336. 
Inqlcscs.    dos    —    \'.  Almeida 
Júnior. 

João  Mendes  —  123,  130,  174, 
217,  308,  338,  506,  509,  511, 
517,  5.24,  526,  530,  541,  550, 
584,  601,  607,  664,  678,  693, 
795,  869,  870,  871,  875,  883,  891, 
893,  935.  940,  973,  991,  996, 
997,  1049.  1066,  1118,  1122, 
1155,  1209,  1226,  1238,  1275, 
1282,  1293,  1300,  1335.  1336, 
1343.  1437,  1441,  1448,  1452, 
1453,  1454,  1455,  1457,  1467. 

José  Roberto  —  1011. 

Legião,  da  —  Y.  do  Arouche. 

Liberdade,  da  —  559,  653,  672, 
685,  797,   1029,  1140. 

Mareehal  Deodoro  —  1029,  1332. 

Memória.  d;i  —  1015,  1049,  1155, 
1256. 

Mercado,  do  —  517,  1137. 
Misericórdia,  da  —  123,  158,  159. 

174,  286,   295,  300,   526,  650, 

663,  674.  678,  784,  996,  1127, 

1155,  1430,  1444. 
Morai í  e  Barros  —  1145. 
Mitiiieil^al  —  V.  João  Mendes. 
Ouvidor,  do  —  602,  694,  700,  754, 

764,  765,  1149.  1449. 
Paissandú,  do  —  177,  178.  283. 

289,  526,  529,  530,  602,  659,  907, 

926,    1011.    1028,    1100,  1118, 

1158,  1161,  1295. 
Palácio,  do  —  y.  do  Colégio. 
Patriarca,  do  —  969.  1011,  1336, 

1348,  1379. 
Pelourinho,   do   —   V.    Sete  de 

Setembro  e  João  Mendes. 
Perdices,  das  —  1045. 
Pólvora,  da  —  996,  1029,  1040. 

1336. 

Princesa  Isabel  —  530,  607,  760, 
992,  1028,  1040,  1122,  1125, 
1462. 

Ramos  de  Acevedo  —  1336. 
República,  da  —  205,  365,  389, 
390,   526,    530,   535,    608,  672, 


685,  734.  801.  934,  970,  996, 
1053,  1122,  1225,  1233.  1235, 
1325,  13()7.  13S8,  1455,  1456, 
1460,  1465. 

Riaehuelo.  do  —  ^'.  das  Bandeiras. 

Rosário,  do  —  V.  António  Prado. 

.S'(7;//,í  Cecília,  de  —  1007.  1040, 
1127,  1444. 

.S^(i)(/(;  Ific/cnia.  de  —  602,  1029, 

1101,  i.m 

São  Benlo.  de  —  150,  157,  158, 
174,  190,  3(18,  434,  478,  509, 
526,  530,  537,  560.  563,  601, 
607.  664.  674,  678,  681,  774, 
785,  793,  934,  988,  992,  1000, 
1005.  1019,  1074,  1075,  1076, 
1080.  1101,  1107,  1118.  1122, 
1123.  1134.  1149,  1151.  1155, 
1156,  1268,  1426,  1427,  1457, 
1461. 

.S'ã<)  Francisco,  de  —  142,  174 
308,  484,  515.  517,  526,  529^ 
537,  598,  601,  607,  608,  609, 
659,  672,  678,  685,  698,  79.1, 
818,  820.  829,  1027.  1049,  1069, 
1070,  1076,  1113,  1118,  1174, 
1209,  1225,  1308,  1311,  1436. 
1461. 

São  Gonçalo,  de  —  Y.  João 
Mendes. 

São  Luis  —  1336. 

São  Paulo  —  \'.  Almeida  Júnior. 

Sé.  da  —  123,  126,  158,  166,  173, 
174,  194,  276,  304,  376,  485, 
525.  526,  527,  529,  576,  582, 
607,  611,  647,  698,  774,  779, 
795.  842,  905,  938,  940,  969, 
973.  992,  1008,  1011,  1013, 
1027,  1049,  1063,  1073,  1075, 
1079,  1080,  1209.  1229,  1256, 
1257.  1276,  1357,  1426,  1439, 
1440,  1442.  1445,  1447.  1452, 
1453,  1454.  1460. 

Sete  de  Abril  —  V.  da  República. 

Sete  de  Setembro  —  V.  João 
Mendes. 

Teatro,  do  —  Y.  João  Mendes. 
Tesouro,  do  —  1080,  1158. 
rerde.   do  —  V.   do  Riaehuelo. 
\'isconde  de  Congonhas  —  1008. 
Zunega.  do  —  V.  do  Paissandu. 


HISTÓRIA    E    TkAUlÇÕES  HA 


CIDADE  Dl'. 


RUAS  E  AVENIDAS 

Arborização  — ■  65,  5(14,  5.í()  537 

967,  984,  987,  1003. 
Aspectos  Gerais 

Arruamentos  priiiiiti\os  78 

150,  154,  160,  iDl,   162,  172' 

Largura  e  trai,-ado  —  65,  ()6 
78,  152,  154,  160,  171.  J7^' 
505,  518,  521.  525,  968,  974 
979,  980,  984,  987,  988  991 
1003. 

Leito  e  nivelamento  —  149  1^' 

155,   162,  506. 
Limpeza  —   164,   171,   376,  506 
530,  724,  728,  1426. 
Bichos  soltos  —  112,  149    15  S 

154,  164,  165. 
Enxurradas  e  poças  de  átíua  — 

152,  153,  155,  164,  169,  170 
.  504,  506,  515. 

Mato  e  porcarias  —  149,  152, 

153,  156,  165,  166,  169,'  ISl' 
182,  202,  206,  512,  518  5^6 
530,  724,  728,  1426. 

Serviços  de  limpeza 
Carroças  —  504,  517,  518. 
Covões  —  165,  166,  169,  198, 
504,  518,  563. 
Século  atual  —  988. 
Trabalhos   de  galés  —  169 
Tigres  —  169,  724,  728. 
Pavimentação    —    67,    163  504 

509,   510,   511,   518,   S2l',  522^ 

523,  524,  606,   967,   978,'  lOSl' 

1456. 

Asfalto  —  '988. 
Carência  de  pedra  —  163.  506 
510. 

Carradas  de  pedra  —  170,  171. 
Cintas  de  pedra  —  163. 
Macadame  —  67,  504,  522  523 

524,  974. 
Paralelepípedos    —    970,  973, 

974,  977,  978. 
Passeios  —  513,  522,  524,  1440. 
Pedras  brutas  —  163,  171,  506. 
Pedras  irregulares  —  67.  163, 

171,  504,  506,  507,  509,  510, 

973,  974,  975,  978,  1440. 


Século  X\  in     -  M-.  , 
,S04. 

Smilo  XIX  —  67  Io9.  17.: 
1/1.  452,  505.  506.  509..  510 
511.  518.  521.  522,  5?3  =;>.) 
606,  970,  973,  977,  978.' 

"  Século  XX  —  1332. 
Ruas  c  .Avenida.'; 

■Ihíli,:  Soarrs  —  lO.ÍO. 

Abraiicih-s  —  980. 

Acú.  ladeira  do  ~  \\  Avcnid;i 
São  João 

.•■/<■;/.   de   —   \-.  Seminário 

Anassic  —  1264. 

.Ihuioas  —  984. 

Albuquerque   Lius  —  ]0>8 

Al.-.irc  _  V.  Rrigaddro  To- 
bias. 

A!c!jria.  da  —  \^  ,\vcni<la 
Ipiran.ya  c  rua  Sebastião  Pe- 
reira. 

Alfándcíia.  da  —  1062. 
Aljrcdo  llllis  —  1030. 
Alvares  Machado  —  525  526 
14.^9. 

Alvares  Penteado  —  173,  300, 
318.  374,  595,  674,  693,  698 
709,  712,  735,  749,  791,  937, 
970,  979,  1074,  1118,  1137 
1167,  1209,  1277. 

Alvaro  de  Carvalho  —  1348. 

Amador  Bueno  —  516. 

Amaral  Gurgel  —  1027. 

América  —  V.  do  Paraíso. 

Auiérico  de  Campos  —  795. 

Ana   Cintra  —  980. 

Alia  Rosa  —  1264. 

Anchieta  —  166,  304,  474. 

.indradas.   dos   —   1028,  1441. 

Anyélica  —  576,  984,  1028. 

Ar.hanqahaú  —  1049.  1143 
1295,  13.32,  1335,  1470. 

Anhangiiera  ■ —  1042. 

Ar.ita  Garibaldi  —  516,  525 
1206,  1209.  1335,  1467. 

Aracaju  —  984. 

Araújo  —  517,  1027. 

A.rtur   Prado   —  1030. 

Asdrúbal    do  Nascimento 
1089. 


1496 


E  I?  X  A  NI     S  I  L  \'  A      BK  U  N  O 


Assembleia,    da    —    517,    61 'i, 

790,   1089,   1209,  1256. 
Aterrado  dc  Saitlirni  —  1268. 
Aurora  —  516,  947,  999. 
Bahia  —  984. 

Baixo,  d')  —  \'.   (lo  Mercado 

e  25  de  Março. 
Baiiibús,   dos   —  V.  Visconde 

do  Rio  Branco. 
Barão  de  Iguaft    —  795. 
Barão  de  Itapetininqa  —  956, 

960.   988,    1099,    1100,  1165, 

1209,    1364,  138!). 
Barão     de    Paraiiajuacaba    ■  — 

938,  1008. 
Barão    dc    lUraeicaba    —  987, 

1028,  1209,  1441. 
Barão  dc  Tatm  —  980,  1028. 
Barbas,  dos  —  Y.  Porto  Geral. 
Baronesa  dc  Itú  —  1028. 
Barra  Imunda  —  1029.  1045. 
Barros,  alameda  —  1028. 
Bela   —  \'.   dos  Timbiras. 
Beneficência  Porliniucsa,  da  — 

1233,  1263. 
Bcnjrmin     Coiistaní  ■ —  173, 

288,  525.  843,  875,  1027,  1049. 
Berto  Freitas  —  1027. 
Bexiga  —  V.  de  Santo  Amaro. 
Boa  Morte,  da  —  V.  do  Car- 
mo. 

Boa  Vista  —  166,  173,  509, 
537,  693.  746,  771,  774,  795, 
826,  834,  979,  1008,  1027, 
1049,  1086,  1101,  1123,  1139, 
1151,  1152,  1161,  li80,  1209, 
1221,  1222,  1272,  1289,  1290. 
1293,  1295,  1460. 

Boa  Vista,  travessa  —  V. 
Três  de  Dezembro. 

Boni  Jesus,  beco  do  —  160. 

Bom  Retiro  —  516,  517,  1218, 
1221. 

Bonita  —  Y.  Tomás  de  Lima. 
Brás.  do  —  X''.   Rangel  Pes- 
tana. 

Brás,  travessa  do  —  1032. 
Bráulio    Gomes  —   925,  1375 

1470. 
Bresscr  —  1069. 
Brigadeiro  Gatvr.o  —  1029. 


Brigadeiro  Luís  António  — 
217,  947,  948,  1030,  1233. 
1295,  1367. 

Briqadeiro  Tobias  —  247,  470, 
698,  712,  802,  977,  1029,  1036, 
1074,  1151,  1161,  1174,  1209, 
1233,    1263,    1302,  1444. 

Cadeia,  da  —  V.  da  Assem- 
bléia. 

Caixa  Dágua.  da  —  Barão 
dc  Paranapiacaba. 

C  amargos,   dos   —  166. 

Camilo  Redondo,  do  —  V.  dos 
(juaianascs. 

Cantareira,  da   —  1343. 

Canto  da  Lapa  —  198. 

Ca/^itão  .Salomão  (Desapareci- 
da) —  173,  525,  527,  700, 
870,  927,  1011,  1209,  1257, 
1268,  1440,  1447,  1452,  1454, 
1465. 

Carandirú  —  193. 
Carmelitas,   dos   —    516,  564. 
Carmelitas,   ladeira  dos  —  V. 
Agassiz. 

Carmo,  do  —  132,  151,  157, 
162,  173,  190,  197,  213,  316, 
349,  380,  412,  478,  506,  517, 
519,  563,  584,  605,  677,  717, 
771,  773,  774,  777,  791,  795, 
869,  957,  1041,  1049,  1069, 
1073,  1074,  1091,  1209,  1221, 
1222,  1263,  1264,  1268,  1432, 
1440,  1449,  1455,  1464. 

Carmo,  ladeira  do  —  165,  169, 
200,  213,  245,  290,  304,  517. 
605.  675.  784,  868,  1332.  1443, 
1445,  1458,  1467. 

Carneiro  Leão  —  1032. 

Casa  Santa,  beco  da  —  V.  do 
Riachuelo. 

Casinhas,  das  —  V.  do  Palácio. 

Catumbi    _  1035. 

Celso  Garcia  —  194,  1363. 

Cemitério,  do  —  V.  da  Glória. 

Cesário  Mota  —  1027. 

Circular   —  1045. 

Coléqio.  beco  do  (desapareci- 
do)   —   160,   563,   774,  834. 

Comércio,  do  —  V.  Alvares 
Penteado. 


nrSTÒRTA    E    TRADIÇÕES  DA 


CIDADE  Dl 


Comercio,  travessa  do  _  374, 
517,  525,  978,  1149,  1152. 

Concci(;ão   —  956.   Ifl29,  1095. 

Conde  de  Sar^cdas  —  10^9 
1246,   1343,  1441. 

Conde  do   Pinhal  —  1343. 

Condessa   de   São  Joaquim   

1089. 

Cónego  Leão  —  V.  da  Li- 
berdade. 

Conselheiro  Crispiniano  _  956 
1268. 

Conselheiro  Furtado  —  814 
1029,  1080,  1209,  1256,  1441.' 

Conselheiro  Nébias  —  947. 

Consolação,  da  —  283,  571 
783,  977,  983,  987,  1040  1174' 
1209,  1256,  1268,  1367,'  1375! 
1470. 

Constituição,  da  —  V.  Florên- 
cio de  Abreu. 

Constituição,  ladeira  da  — 
1458. 

Cornos,  beco  dos  - —  V.  Ál- 
vares Machado. 

Cotovelo,  do  —  V.  da  Qui- 
tanda. 

Cru-  Preta,  da  —  V.  Quin- 
tino Bocaiuva. 

Cubatão  —  984. 

Direita  —  112,  117,  151,  155, 
157,  160,  162,  166,  172,  173 
190,  197,  230.  ,297,  316,  317 
318,  319,  343,  373,  380,  467^ 
513,  522,  603,  672,  673,  698,  700 
707,-  735,  771,  774,  796,  831, 
834,  937,  955,  970,  973,  984, 
1011,  1073,  1077,  1080,  1081, 
1082.  1-099,  1123,  1149,  1151, 
1156,  1161,  1167,  1174,  1209, 
1276,  1321,  1356,  1364,  1438, 
1440,    1447,    1460,  1467. 

Dom  José  de  Barros  —  983, 
1295. 

Domingos   de   Morais  —  217. 
Dona.    }"eridiaiw   —  1045. 
Doutor   ClUnaeo   —  1070. 
Doutor  Faleão  —  190,  517,  981, 
1456. 

Duque    de     Caxias    —  1028, 

1269,  1441. 
Episcopal  —  517,  1035. 


Esperança,  da   --   \".  r„,,i,.,,. 

Salomão. 
Estação,  da  —  V.  ifaiKÍ. 
E.tlado.  do  —  1091,  1343. 
Estreita  —  V.  do  Bom  Retiro. 
Estudantes,  dos  —  735,   1  ^09 

1256,  1343,  1464. 
Fábrica,  beco  da  —  1169. 
Faculdade   de   Direito,    da  — - 

^^  do  Riachuelo. 
Figueira,  da  —  212.  1031,  144' 

1459. 

Florêncio  de  Abreu  —  190 
197,  201,  245,  517,  524,  525' 
614,  619,  710,  802,  817,  834, 
960,  973,  977,  988,  1049 
1065,  1070,  1071,  1089,  1173' 
1174,  1209,  1221,  1246,  126.^, 
1264,  1267,  1268,  1293  14-'7 
1460. 

Flores,    das    —    V.  Silveira 

Martins. 
Floriano  Peixoto  —  160  693 

1439. 
Flórida  —  1271. 
Fonseca,  ladeira  do  —  290. 
Fórea,  da  —  V.  da  Liberdade. 
Formosa   —    556,    568,  1079, 

1097,  1297,  1461,  1462,  1466. 
Frederico  Steidel  —  1237. 
Freira,    da    —    V.  Senador 

Feijó. 

Fundição,   da   —   V.  Floriano 

Peixoto. 
Gasómetro,    do    —   234,  970, 

1181,  1234,  1242,  1456,  1464. 
General  Carneiro  —  556,  564, 

672,    685.    687,    1049,  1070, 

1141,  1144,  1147,  1356,  1446, 

1458,  1462. 
General   Jardim   —  1027. 
General  Osório  —  1028,  1441. 
Glette,    alameda'  —    947,  987, 

1028,  1441. 
Glicório  —  245,  798,  970,  1246. 

1456,  1459. 
Glória,   da   —   157.   373,  523, 

735,    795,    814,    1029,  1040, 

1201,  1209,  1256,  1311,  1343, 

1438,  1464. 
Goiás  —  984. 


1498 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Grande  Holcl.  travessa   do  — 

V.  Miguel  Couto. 
Guaianascs  —   516,   947,  1209. 
GiisiDões,   (los    —    1(128  11,51 

1441. 

Hclvétia  —  970,  1028,  1441. 
Hinicnó polis  —  964,  983,  104.S. 
Hipódromo,  do  —  1045,  1069. 
Hospício,  do  —  564,  970,  1456. 
Hiniiaiiá  —  781,  1089,  1109. 
hiiaciilada  Coiicfição .  da  — 
1028. 

Imperador,  do  —  V.  Marechal 
Deodoro. 

Imperatriz,  da  —  V.  Quinze 
de  Novembro. 

Independência  —  987. 

Inferno,  beco  do  —  V.  tra- 
vessa do  Comércio. 

Intendência  —  1096. 

Ipiranga  —  517,  575,  1049 
1290,  1317,  1325.  l.Ws' 
1467. 

Irmã    Simpliciaita  (De-^-apare- 
cida)  —  517,  529,  1049.  1343. 
Irradiação   —   1336,  1339. 
Itacolomí  —  984. 
Itambc  —  984. 
Itatiaia  —  984. 
Itororó    —    1335,    1351,  1470. 
Jaceguai    —    657,    1030,  1089. 
Jagnaribc   _   925,  1464. 
Jardim,  do  —  517. 
Jataí  —  1045. 

João    Alfredo    ~    V.  General 

Carneiro. 
João  Bmcola  —  949,  1074,  1163 

1167,  1276,  1455. 
João  Julião  —  1089. 
João   Teodoro  —  1096,  1456. 
Jôfio  dc  Bola  —  V.  Benjamin 

Constant. 
José    Bonifácio    —    173  509 

525,  700,  706,  736,  842  975' 

1080,  1174,  1268,  1456. 
José  Paulino  —  1008. 
Júlio  Conceição  —  1045. 
J^apa.  beco  da  —  V.  Aliguel 

Couto. 

Lava  pés,  do  —  970,  1070,  1090. 


Liberdade,  da  —  217,  517,  550 
ÃSl,  977,  983,  987,  104o' 
1045,  1074,  1089  P09  1 '56' 
1336.  '  ' 

Libero  Badaró  —  166,  169,  173 
197,  518,  539,  545,  560,  571 
894,  944,  979,  980,  981,  lOu' 
1016,  1027,  1049,  1074,  1097* 
1099,  1118,  1150,  1161,  1174,' 
1218,  1268,  1271,  1295,  1437 
1440,   1456,    1459,  1461. 
Lombardi  —  980. 
Lopes  de  Oliveira  —  987. 
Lourenço    Guecco   —  1271. 
Maeslro  Cardim  —  1()3(). 
Major  Sertório  —  1027. 
Maranhão  —  984. 
Marechal  Deodoro  (Desapare- 
cida) —  595,  711,  771  84' 
859,    870,    973,    1011    '  1 '56' 
1263,  1452.  '     '  ' 

Maria  J^aiila  _  1335,  1467 
Marques  de   Itú   —  Ío'7 
Martim    Afonso    -    Y.  São 
Bento. 

Maríim  Francisco  —  1028. 
Martiniano     de     Carvalho  ~ 
1030. 

Maita-Fomc,    beco    do    —  V. 

Araujo  e  Ipiranga. 
Matemático,   do   —   V.  Taba- 

tinguera. 
Mato  Grosso  —  984. 
Mauá    —    1035,    1049,  1059 

1074. 

Meio  do  —  V.  Amador  Bueno. 
Memória,   ladeira   da  —  1049. 
Mercado,  do  —  517. 
Mercúrio  —  1335,   1348,  1467. 
Miguel  Carlos  —  \^  Florêncio 

de  Abreu. 
Miguel    Couto    ~    374,  506 

1150. 

Minas,  beco  dos  —  V.  Onze 
de  Agosto. 

Monsenhor    ^hidrade    "734 

1173.  "  ' 

Mooca,  da   —   1070,  1090. 

Mosquitos,   beco   dos   —  1011 

Municipal  —  V.  General  Car- 
neiro. 


HJSTÓKIA    E    TkADlrAEs    DA    CIDADK    I)H  SA. 


Nofliiinui,  alaiiu-da  —  ]()'S 
1441. 

Nova  cic  São  Josr  —  \''.  Libe- 
ro Badaró. 

Nova  do  Guaçú  —  162. 

Nove  de  Julho  —  1332  13S5 
1341,  1347,  1348,  1468,  147Ò! 

Onze  dc  Agosto  —  173,  475 
525,  1041,  1049,  1137  l'Os' 
1207,  1209,  1275,  1379,  143S,' 
1440,  1464. 

Onse  dc  Junho  —  1237. 

Ouvidor  —  V.  José  Bonifácio. 

Ouvidor,  ladeira  do  —  525. 

Pacaembú  —  1335. 

Pai.-sai:dii,  travessa  do  —  1028. 

Palácio,  do  —  162,  307,  308, 
433.  493,  497,  517,  638,  674 
682,   1134,   1137,   1144,  1164. 

Palha,  da  —  V.  Sete  de  Abril. 

Palmeiras,  das  —  988  10^8 
1174,  1238. 

Paraíso,  do  —  516,  1030,  1045 
1089. 

Paredão,  do  —  V.  Xavier  dc 

Toledo. 
Pari,  do  —  970,  1456. 
Paula    Sousa    —    1030,  1045 

1170. 

Paulista  —  194,  947,  948,  951, 
958,  983,  985,  987,  988,  1021 
1027,  1031,  1045,  1081,  1229, 
1270,  1340.  1341,  1.347,  1456, 
1468. 

Pedroso  —  1030,  1089. 

Pelourinho,  do  —  316. 

Piauí  —  984,.  1122. 

Piques,  ladeira  do  —  V-  Qui- 
rino de  Andrade 

Piratininga  —  1032. 

Pólvora,  da  —  659,  717. 

Ponte  do  Acú.  ladeira  da  — 
V.  São  João. 

Porto  Geral,  ladeira  —  160, 
290,  611,  834,  925,  1268. 

Princesa,  da  —  1269. 

Príncipe,  do  —  V.  Quintino 
Bocaiuva. 

Protestantes,  dos  —  1028,  1049, 
1221,  1441. 

Quartel,  do  —  V.  Onze  de 
Agosto. 


Ouarle!.    Ix-co    (it.i    \ 

Teatro. 

Quatro  Cautos  —  43  17'  V, '-. 
380. 

Quintiuo  liocaiuva  —  173,  214. 

287,  517,  525,  560,  563,  663. 
■  664,  698,  705,  754,  764,  769, 
794,  875,  975,  979,  991.  1127 
1143,  1234,  1438,  1449,'  1456. 

(Juiuce  de  Noveiubro  —  123 
151,  162,  166,  172,  318,  38o' 
4')1,  493.  495,  497,  509,  537, 
547,  021,  672,  698  7l'0 
706,  709,  711.  737,  746,  771,' 
787,  791,  795.  836,  844,  931, 
937,  970,  978,  979,  984,  1017, 
1020,  1041,  1074,  1081,  1086, 
1132,  1137,  1149,  1155,  1156, 
1157,  1158,  1161.  1162,  1163, 
1167,  1168,  1173,  1179,  1183 
1226,  1238,  1239,  1272,  1276 
1277.  1311,  14.58,  1439,  1441, 
1447,  1449,  14,54,  1458,  1460 
1463,   1405,  1467. 

Quirino  de  Andrade  —  863, 
977. 

Quitanda,  da  —  162,  166,  300, 
307.  506,  525,  672,  674.  698, 
749.  970,  991,  1074,  1145, 
1209,  1277,  1431,  1445. 

Quitanda,  travessa  da  —  537. 

Rangel  Pestana  —  165,  173, 
190.  202,  380,  478,  509,  517, 
525,  542,  560,  573,  582,  698, 
699,  795,  834,  956,  963,  987, 
1011,  1032,  1035,  1073,  1116, 
1151,  1256,  1263,  1268,  1275, 
1359,  1438,  1442,  1445. 

Rego.  do  —  V.  de  S.anta  Cruz. 

Rejo  Freitas  —  1027. 

Riachnelo  do  —  160,  287,  517, 
521,  525,  597,  601,  737,  893, 
894,  1040,  1049,  1069,  1174, 
1209,  1447. 

Rodrigo  Silva  —  217. 

Rosário,  do  —  V.  Quinze  de 
Novembro. 

Rosário,  travessa  do  —  V. 
João  Brícola. 

Rudge  —  1042. 

Sabará  —  984. 

Saldanha    Marinho  ■ —  1045. 


39 


1500 


ERNÂNI     SILVA     B  R  T.I  N  O 


Santa  Cnic  —  289.  353,  517, 
541. 

Santa  ISincnla,  de  —  512,  988, 
1359. 

Santa   Ifincnia,   ladeira   de  — 

247,  1029,  1444. 
Santa  Isalu^I  —  1027. 
Santa  Luzia  —  1029,  1441. 
Santa  Rosa  —  1242,  1335,  1464, 

1417. 

Santa  Teresa  —  \'.  Rangel 
Pestana. 

Santa  Teresa,  travessa  de  — 
525. 

Santíssimo,  travessa  do  —  795. 

Sento  Amaro  —  217,  36\  517, 
571,  616.  633,  977,  978,  987, 
1140,  1256.  1348,  1444. 

Santo  Antônio  —  315,  987, 
1145,  1209,  1348. 

Santo  Antônio,  ladeira  —  V. 
Doutor  Falcão. 

Santo  Elesbão  ■ —  \'.  Aurora. 

São  Bento,  de  —  65,  137,  151, 
157,  158,  160,  162,  166,  172, 
173.  197,  230,  303,  319,  340, 
37u,  374.  4.34,  560,  599,  603, 
695,  698,  706,  712,  715,  764, 
774,  796,  824,  842,  844,  937, 
955,  963,  970.  977,  978,  984, 
988,  1011,  1020,  1074,  1080, 
1081,  1123,  1149,  1150,  1151, 
1152,  1161,  1163,  1167,  1173, 
1209,  1238,  1276.  1277,  1278, 
1307,  1356,  1435,  1437,  1443, 
1453,  1461,  1467. 

São  Caetano  —  1096,  1359, 
1456. 

São  Francisco  —  162,  166,  471, 

711,  712,  1438. 
São   Francisco,   ladeira   de  — 

1218,  1271. 
São    Gonçalo    Garcia    —  163, 

173,  380,  795,  824,  841. 
São    João   —    190.    506,  517, 

525,  734,  940,  956,  987,  1028, 

1074,  1089,  1101,  1143,  1209, 

1237,  1238,  1277,  1293,  1332, 

1337. 

São  João.  ladeira  de  —  525. 
São  Joaquim  —  1074,  1256. 


São  Tuís  —  521,  572,  1317, 
1335,  1375,  1467,  1470. 

São  Vicente  de  Paula  —  1028. 

Saf^o,  beco  do  —  V.  travessa 
do  Seminário. 

Sebastião  Pereira  —  1027,  1367. 

Seminário  do  —  344,  516,  693, 
1028,  1074. 

Seminário,  travessa  do  (De- 
saparecida) —  160,  246,  517, 
525,  834,  1264,  1296. 

Senador  Feijó  ■ —  173,  517,  525, 
825,  875,  1011,  1151,  1209, 
1256. 

Senador  Queiroz  —  1169,  1335, 

1467. 
Sergipe  —  984. 

Sete  Casas,  das  —  V.  Barão 
de  Paranapiacaba. 

Sete  Casinhas,  das  — ■  1137. 

Sete  de  Abril.  —  166,  571,  575, 
817,  923,  1049,  1174,  1209, 
1271,   1375,   1454,  1470. 

Silveira  Marfins  —  162,  166, 
173.  404,  542,  734,  771,  795, 
819,  842,  1041,  1070,  1209. 
1268. 

Sinimbú  —  1029. 

Tabatinr/uera  —  157,  172,  173, 
286,  543,  559,  563,  564,  576, 
621,  734,  970,  1037,  1069, 
1091,  1209,  1441,  1458,  1459. 

Tamandarc   —  583. 

Teatro,  do  —  V.  Irmã  Sim- 
pliciana. 

Tesouro,  do  —  491,  1439. 

Timbiras,  dos  —  512,  516,  1465. 

Tiradcntcs  —  65,  480.  615,  759, 
987.  989,  1008  1045,  1335, 
1380,   1448,   1456,  1457. 

Tomás  dc  Uma  —  814,  1029, 
1441. 

Trás  da  Cadeia,  de  • —  V.  da 

Assembléia. 
Trás  da  Sé,  de  —  V.  Santa 

Teresa. 

Trás  do  Carmo,  de  —  V.  dos 

Carmelitas. 
Trás    do    Quartel,    de  ■ —  V. 

Anita  Garibaldi.  i 
Três  dc  Dezembro  —  1290. 
Triunfo,  do  —  1028,  1441.  ! 


HISTÓRIA    ).;    TF^-\DIÇÕE.S    Da  CIDAOK 


Vale     d'Andoya,     do    V. 

Santo  Antônio. 
Venceslau  Brás  —  1438. 
Vergueiro    —   217,    977,  10X9 

1209,  1263; 
Vieira    de    Carvalho    —  122S 

1336. 

Vila  Nova  —  1027. 

Vinte  e  Cinco  de  Março  — 
517,  556,  564,  605,  614,  615, 
672,  686,  1049,  1069,  1089 
1096,  1144,  1145,  1159.  1174, 
1209,  1226,  1268,  1269.  1343, 
1458,  1462. 

Vinte  e  Quatro  dc  Maio  ■ — 
1158,  1209,  1221,  1237,  1275. 
1295. 

Visconde     dc     Congonhas  do 

Campo  —  1270. 
Visconde    do    Rio    Branco  — 

511.  512.  524.  525,  571,  575, 

817,  1221. 
Vitória  —  1221,  1332, 
Vitorino  Carmilo  —  1029. 
Voluntários  da  Pátria  —  194. 
Washington  Luis  ■ —  1263. 
Xavier  de  Toledo  —  283,  521, 

572,  1336. 

MEIOS  DE  roTTTJNTCAÇÃO  E 
TRANSPORTE 

AUTOMÓVEIS 

Automobili^^mo    —    1065,  1082, 

1085,  1217,  1249,  1250. 
Caminhões   —   1054,  1062. 
lardineiras  —   1054,  1062. 
Ônibus  —  1351. 

Primeiros    automóveis    —  978. 

1081,  1082,  1460. 
Século  atu^l  —  65.   1054,  1062, 
1081,  1083,  1085,  1460. 
BONDES 

De  burro  —  611,  908,  984,  1054, 
1073,  1074,  1075,  1076,  1077. 
1080,  1460. 
Deficiências  —   1075,  1076. 
Lotação  —  1076. 
Elétricos  —  65,-217,  984.  1003. 
1004,    1045,    1054,    1079,  1080. 
1081,  1351. 


CAMINHOS 
Aspectos  Cerais 

Caniiiiiios  primitivos  ---  39  15i 
186,  189.  209,  210,  213'  2N 
219. 

Conservação  c  reparos  —  ISií 
189.  219.  220.  229,  583  591* 
1056. 

Restauração  de  caminhos  an- 
ti.ííos  —  1054.  1062,  1085. 

Rodovias  —  1054.  1062,  1082 
1085. 

Trilhas  de  índios  —  214. 
A)thatigabaú  de  Cima,  do  —  190, 

Camjnnas.  dc  —  230,   560,  10-10, 

tarapicuilhi.    de    —    214,  230. 

Carro,  do  (Santo  .\maro)  ._ 
214,  217,  607.  631.  654,  710 
717.  1029,  1444. 

liniluiaçava.  de  —  V.  do  Pi- 
nheiros. 

Freguesia  do  Ó.  da  —  588,  591. 

Clária,  da  —  608  . 

Cuarc.  do  —  190.  194,  201,  214 
1040,  1427. 

Ihalata.  de  —  V.  de  Pinheiros. 

Jnndiaí,  de  —  583,  1029. 

Mar.  do  —  38.  39.  40,  73,  151, 
205,  214,  218.  219,  220,  224 
225,  227,  294,  312,  327,  582 
583,  584,  585,  587,  595,  596, 
613,  1423,  1427,  1429,  1442. 
Calçada  do  Lorena  —  226,  227 
229,  587. 

Fechado  por  causa  de  epide- 
mias —  219,  332. 

Melhoramentos  no  setecentis- 
mo  —  226,  229. 

Oitocentisnio  —  582,  583,  584, 
587.  588. 

Restauração  no  século  atual  — 
1054,  1065. 

Trânsito  de  carros  —  218,  587. 

Trânsito  perturbado  por  feras 
—  219. 
Mooca.  da  —  213,  234,  711, 
Pari.  do  —  205,   214,  233. 
Penha,  da  —  213.  233.  311.  339, 

564,   567,   589,   606,   782,  792. 

14^2. 


1502 


ER  X  A  NI     SILVA  BRUNO 


Pinheiros,   de   —   151,  214,  217. 

Piqnirí,  do  —  214. 

Rio  de  Janeiro,  do  —  195,  199, 

202,   213,   225,   229,   233,  248. 

563,  595,  1428,  1429. 
Santo  André,  de  —  151. 
Sertão,  do  • —  151. 
Sete  Voltas,  das  —  160. 
Sorocaba  e  Itú.  de  —  230,  248, 

560,  621.  1040. 
Tahatingnera.  da  —  214. 
Tcjugiiaçú .  d>  —  214. 

CARROS 

Banguê.s   ou   Liteiras  — ■   51,  95, 
210,  238,  243,  592,   595,  1430. 
Cadeirinhas   —  220,   221,  234, 
238,  592,  1429. 
Carroças  —  241,  605,  611,  1085. 
Aperfeiçoadas    —    1054,  1065, 
1066. 

De  venda  de  água  —  241,  611, 
650,  665,  667,  749. 
Carros-de-lyji  —  49,  95.  210,  234, 
238,  506,  613,  694,  825,  1085, 
1140. 

Folia  do  Espírito  Santo,  na  — 
783. 

Trânsito  na  zona  urbana  — 
241,  601,  602,  605. 
Carruagens  —  65.  234,  241,  242, 
567.  582,  592.  605,  605,  608, 
611,  1054,  1065,  1067,  1069, 
1070,  1085. 

Diligencias  —  592,  605,  611. 
Praça,  de  —  58,  452,  852,  605, 

607,   611,    1030,    1063,  1065. 

1066,  1059,  1085,  1460. 
Tílburis  —  58,  606,  607,  608, 

609,   611,    1030,    1063.  1067, 

1069,  1071,  1077,  1085,  1460. 
Trânsito,  posturas  sóbre  —  242. 
Traquitanas  —  234,  241,  242. 
Troles  —  608. 
Fábricas  de  carros  e  carruagens 
—  711,  1054,  1065,  1069,  1070. 
1170,  1173,  1174. 
FERROVIAS 

Aspectos  gerais  ^  448,  451,  581, 
582,  637,  697,  698. 


Competição  inicial  coin  as  tro- 
pas —  582,   588,   598,  601, 

1053,  1059. 
Estabelecimento   de   liotéis,  in- 
fluências   sobre    o    —  697, 
698. 

Formação  de  bairros,  influên- 
cia sobre  a  —  496,  499,  575, 
582.  588,  591,  783,  784,  1026, 
1031,  1032,  1047,  1053,  1054, 
1055,   1059,  1062. 

Significação  económica  —  63, 
448,  451,  452,  499,  575,  582, 
637,  672.  685,  899,  900,  918. 
920.   967,    1031,    1032.  1053. 

1054,  1055,  lOSO,  1062,  1105, 
1453,  1459. 

Estações 

Lnc.  da  —  496,  535,  591,  593, 
611,  783.  784,  995,  1036,  1054, 
1057,  1061,  1069,  1074,  1133,' 
1151,  1152,  11.55,  1174,  1242, 
1442,  1459,  1460. 

Norie,  do  —  246,  901,  1032, 
1040,  1069,  1074,  1152,  1453. 
Estradas  de  Ferro 

Mogiana  —  1459. 

Paulista  —  1459. 

Santos- Jnndiaí  -—  499,  535,  537. 
582,  588,  591,  593,  601,  607, 
611,  637,  672,  685,  697,  698, 
899.   970,    1026,    1035,  1042, 

1055,  1059,  1062,  1174,  1242, 
1283,  1454,  1459,  1462. 

São  Paulo-Bragança  —  900, 
1059. 

São   Paiilo-Rio  de  .Janeiro    -  - 
63,    1026,    1032.    1055,  1060, 
1234,  1288,  1302,  1453,  1439. 
São    Paulo-Sorocaha  ■ —  1042, 

1060,  1459. 
Trenzinlio  a  ví-por  para  Santo 
Amaro  —  1074,   1075,  1109. 
Técnicos   europeus   —   67,  1061. 
PONTES  E  VIADUTOS 
Pontes 

Aspectos  gerais 
Estragos  devidos  à  passagem 

das  boiadas  —  224. 
Ferro,  de  —  621. 


HISTÓRIA    £    -IRADIÇÕIÍS  DA 


CJDADF,    DF.  S.\> 


Insuficiência  dos  vãos  —  619. 
Locais    de    aglomeração  — 
621. 

Madeira  roliça,  de  —  190 
210,  224,  242,  245,  246, 
247,    249,    619,    620,    62  K 

Madeira  tòsc.a,  de  —  190, 
224,  619. 

Oitocentismo,  no  —  616,  619, 

620,  621,  1092,  1095,  1096. 
Pedra,  de  —  210,  -  245.  246, 

247,    248,    249,    619,  620, 

621,  1055,  1092,  1095. 
Reformas  e  remodelações  de 

—  246,  247,  616,  620,  621, 
1095. 

Século    atual,    no   —  1348. 

Tempos    primitivos,    nos  — 
223. 
Denominações 

Abdicação,  da  —  166,  169, 
198,  245,  246,  247,  248, 
286,  509,  541,  559,  560, 
601,  615,  619,  620,  677, 
825,  868,  1074,  1076,  1079. 

Acú,  do  —  V.  da  Abdicação. 

AJmas,  das  —  V.  Pequena. 

Anastácio,  do  —  247. 

Anhangabaú,  do  —  224. 

Antônio  Manuel,  de  —  616. 

Aricanduva,  do  —  246. 

Aterrado   do    Gasómetro,  do 

—  1095,  1096. 
Bcdthar,   do  —  1289. 
Bandeiras,     das     —  1345, 

1351,  Í468. 

Bexiga,  do  —  V.  de  An- 
tônio Manuel. 

Carmo,  do  —  166,  245,  246, 
303,  509,  541,  559,  563, 
601,  612,  614,  617,  677, 
1095,  1096,  1442,  1444, 
1458. 

Cisqueiro,  do  —  V.  da  Ab- 
dicação. 

Constititição,  da  —  205,  601, 
726. 

Crus  das  Almas,  da  —  V. 

Pequena. 
Debaixo    da    Casa  Carmeli- 

tana  —  V.  do  Carmo. 


Ferrão,  do  —  246   24.S  ,u 

582,  619. 
I-onscca,  do  —  245,  (.2i.  78,). 
Franca,  do  —  201. 
Grande    —    223,    225,  247, 

613,  620,  784,  1345.  1351, 

1468. 

Giiaré.    d.)   ou    Gtiarcpe,  do 

—  Grande. 
Iin/lesrs,  dos  —  798. 
Ipiraiuia,  do         V.  da  Ta- 

batinguera. 
Lavapés,  do  —  201. 
Limpeza,  da  —  616. 
Lorena,  do  —  201,  230,  233, 

245,    246,    247,    248,  286, 

289,    509,    541,    568,  616, 

619. 

Manuel  da  Cunha,  de  —  V. 
Debaixo  da  Casa  Carmcli- 
tana. 

Marechal,  do  —  V.  da  Ab- 
dicação. 

Meio,  do  —  246,  1458. 

Mercado,  do  —  621,  1226, 
1443. 

Miguel    Carlos,   do   —  245, 

616,  619. 
Mooea,  da  —  970,  1456. 
Nicolau,  do  —  246. 
Pacaembú,  do  —  247. 
Pequena  —  224,  615. 
Pinheiros,    de    —    225,  242. 

247,  621. 
Piques,  do  —  518,  616,  712. 
Santana,  de  —  621. 
Tabaiinqucra.  da  —  213,  224, 

509,  601,  1309,  1311.  1467. 
Tainaudnatcí,   do    —   V.  da 

Tabatinguera. 

Tapanhoim.j  do  —  V.  do 

Lavapés. 
Tatua  pé,  do  — •  246. 
Viadutos  —  1096,  1347,  1454. 
Boa  Vista,  da  —  1101,  1294. 
Chá,    do    (novo)    —  1333, 

1337,     1348,     1359,  1379. 

1468,  1470. 
Chá,  do  (velho)  —  909,  933, 

1055,     1089,     1092,  1096, 

1097,     1099,     1100,  1158, 


1504 


EKNANI      SILVA  BRUNO 


1295.     144(1,     1453,  1454, 
145Q,  1401,  14W). 
Rosârio-Paissaiidú  (projeto) 

—  1100,  1101. 
Santa   Ifiqcnia,  de  —  1055, 
1101,  1143.  1336,  1468,  1470. 
Viadutos   modernos  —  1347, 
1348,  1351. 
RIOS  E  NAVEG.\ÇÃO 
Aspectos  gerais 

Canalizações   e   retiíicações  -- 
209,  211,  213,  349,  350,  521, 
727,   1054,   1055,   1085,  1086, 
10S9,  1090,  1344,  1347,  1468. 
Lavadeiras   —    198,    212,  284, 
342,  3.S0,  353,  617,  621,  1043, 
1095,  1121,  1459. 
Localização  de  moradores  pri- 
mitivos —  211. 
Pesca   —   193,   253,   257,  258, 
271.  272,  626,  636,  637,  685, 
1028,  1086,  1110,  1352. 
Barbasco,    cal,    coca    e  tro- 
visco, com  —  272. 
Pari  e  tresmalho  —  193,  258, 

272.  636,  637. 
Piracemas  —  271. 
Redes  de  arrasto  —  271. 
Timbó  ou  tinguí,  com  —  253, 
258,  271,  272. 
Solevamento     de     várzeas  — 
1090. 

Tranirbordamentos  e  inundações 
—  211.  350,  470,  614,  615, 
616,  619,  620,  1054,  1086, 
1087,  1090.  1243,  1460,-  1465. 

Navegação 

Portos 

Coronel  Paula  Gomes,  do  — 
612. 

Figueira,  da  —  612. 
Ingleses,  dos  —  1249. 
Porto  Geral  —  611,  612,  563, 
564. 

Tabalinguera,  da  —  285,  612, 
1444. 

Séculos  XVI  e  XVII  —  209, 
210. 

Séculos  XVIII  —  211,  285,  581. 
Século  XIX  —  581,  611,  612, 
613,  685,  1054,  1085,  1091. 


Século  XX  —  1054  1092,  1347. 
Rios   e  Várzeas 
Acú  —  242,  279,  1089. 
Água    Branca  — •    247,  276, 
1092. 

Alemõo,  do  —  1092. 

Almas,  das  —  V.  Anhangabau. 

Ajthangabaú  —  160,  166,  170, 
181,  189,  190,  197,  Í9S,  201, 
205,  210,  217,  224  241,  245, 
246,  248,  278,  279,  283,  284, 
285,  290,  315,  342,  366,  541, 
566,  568,  575,  612,  615,  616, 
619,  723,  726,  733,  738,  764, 
769,  781,  877,  933,  1055,  1089, 

1091,  1095,  1096,  1190,  1192, 
1448,  1449,  1453,  1461. 

Anhembí  —  V.  Tietê. 
Aricanduva  —  1116. 
Barro  Branco  —  1092. 
Bexiga  —  1096. 
Cambuci  —  205,  217,  287,  572. 
Cavandoca  —  1092. 
Cotia  —  1122,  1128. 
Clive  tinga  —  1092. 
Grande  —  184. 
lacuba  —  V.  Acú 
Iguatemi  —  1092. 
ípiranga  —  205.  1092 
Jeribatiba  —  184,  211,  225,  299, 
1092. 

Jurubatuba  —  V.  Jeribatiba. 
Lavapés  —  205,  337,  584,  592, 

1092,  1121. 

Limpeza    —    V.  Anhangabau. 
Mooca  —  211,  1092. 
Pacaembú  —  247.  276,  1367. 
Pedra  Branca  —  667. 
Pinheiros  —  183,  217,  230,  242, 

249,  276,  294  612,  613,  977, 

1046,  1335,  1340,  1347.  1348, 

1352,  1360,  1424. 
Rio  Verde,  do  —  1092. 
Santo  Antônio  —  337. 
Saracura  —  241,  253,  288,  738, 

977.   1056,   1092,   1096.  1448, 

1453. 

Tamanduatcí  —  119,  160,  165, 
166,  181,  183,  189,  190,  198, 
200,  201,  205,  209,  210,  211, 


IIISTÓrUA  TKADIÇÕES    UA    CIDADl.;    DF,  sÃu 


214,  224.  2i3,  245.  24(i,  248, 
258,  278,  279,  284.  290,  3U0, 
330,  342,  344,  349,  350,  353, 
365,  366,  372,  530,  541,  556, 
559,  564,  567,  581,  611,  612, 
614,  615,  619,  621,  663,  6(>5. 
667,  672,  685,  724,  727,  733, 
756,  798,  814,  817,  829,  977, 
1007,  1042,  1043,  1054,  10()7, 
1085,  1086,  1089,  1090,  1091, 
1095.  1096,  1121,  1127,  1132, 
1217,  1243,  1246,  1249,  1262, 
1336,  1340,  1344,  1348,  1428, 
1432,  1442,  1443,  1445.  1450, 
1459,   1460,   1465,  1468. 

Tafuapc  —  1092. 

Tictc  —  183,  194,  209,  210,  211, 
214,  225,  233,  247,  248,  271, 
276,  300,  349,  372,  387,  564. 
567,  611,  612,  613,  614,  620, 
621,  637,  734,  784,  798,  829, 
1029,  1042,  1054,  1085,  1086, 
1090,  1091,  1092,  1095,  1246, 
1249,  1283.  1335,  1340,  1344, 
1345,   1347,   1466,  1468. 

Toucinho  —  1092. 

Traição,  da  —  1.092. 

Vale  do  Auliangabaú  —  201, 
217,  733,  743,  944,  977,  987, 
1169,  1295,  1348,  1359,  1379, 
1468. 

Várzea  do  Tamandtiatcí  ■ —  166, 
211,  212,  233,  315,  330,  345, 
724,  733,  755,  783,  817,  908, 
977,   1008,  1054,   1085,  1089, 
1226,    1428,  .  1441,  1465. 
Várzea  do  Tietê  —  977. 
TROPAS   CARGUEIRAS  —  47, 
95.  198,  210,  231,  234,  237,  241, 
308,  309,  312,  441,  448,  452,  541, 
568,  582.  583,  587,  588,  592,  596, 
599,    601,    611,    626,   630,  1055, 
1425,  1428,  1431. 

Competição  com  as  ferrovias  — 
588,  591,  598,  601. 

Empresas  de  transporte  —  582, 
595,  596,  601. 

Estacionamento  de  tropas  na  ci- 
dade —  198,  233,  241,  568,  598, 
1056. 


P'.ns..s  c  Ranchos  —  1  ;ò.  M,- 
233,  311.  312,  313,  .-81.  .^,S_', 
583,  596,  616.  672.  68').  IDSo 
1428.  1429. 

Trânsito  de  tropas  na  zona  \n-I)a- 
na  —  2,W.  237.  241.  441.  452, 
51)8.  582.  583.  596,  597  598 
1055. 

■j  ropciros  —  231.  237,  311.  55(1, 
588,    5^)5.    598,    (,2).    ()30.  ()89, 
729,  802,  1429,  1430. 
Bois  como  cavalgaduras  —  220. 
Burros  e  cavalos  —  220.  234 
239.  504,  515.  587,  592.  597. 
599,  605.  1069. 
Cavaleiros  —  95.  210.  234.  235, 
237,  550,  592,  596,  605,  801.' 
Indústrias  e  atividades  afins 
Ferradores  —  237,  515,  598, 

r,0S,  609,  1069.  1070. 
Seleiros    —   237,    713,  1170. 
Veterinários  —  598. 
TÚNEIS  E  PASSAGENS 
SUBTERRÂNEAS 
Passaccm  Avenida  São   T  'âo  — 

1337,  1468. 
Passagem     Patriarca- Anhangahaú 

—  1348. 
Túneis  —  1348.  1351. 

Túnel  Nove  de  Tulho  —  1341, 
1347,  1348,  1468. 

MERCADOS   E  LOJAS 

FEIRAS  E  QUITANDAS 

Feiras-Livres  —  293.  300,  305, 
306,  317. 

Madeiras,  de  —  49,  672,  685, 
1140. 

Pilatos,   de   —   305.   306,  317, 

320,  386. 
Primitivas    —    293.    294.  295, 
1145. 

Século  atual,  no  —  1132,  1145, 

1146,  1356. 
Mercados 

Casinhas  —  266,  283,  294,  303, 
304,  307.  308,  358.  671,  672, 
674,  675.  677,  682,  685,  686, 
1431,  1445. 


1506 


ERNÂNI     SILVA  BRUNO 


Abusos  nas  —  671,  674. 
Insuficiência  das  —  304,  305, 
307,  671. 

Limpeza  das  —  304,  307,  672 
686. 

Mercado  de  1933  —  1356. 

Mercado  de  São  João  —  113^ 
1143,  1144,  1145,  1153,  1462! 

Mercado  do  Largo  da  Con- 
córdia —  1132,  1144,  1145. 

Mercado  do  Largo  São  Paulo 
—  1132,  1144. 

Mercado  Velho  —  605,  '672, 
685,  686,  687,  689.  1067  109o' 
1132,  1133,  1134,  1141,  1144* 
1145,  1146,  1159,  1171,  1460^ 
1462,  1463. 

Mercados    provisórios    —  671 
672,  677,  678. 
Quitandas 

Barracas,  em  —  678,  681. 

Horário  de  —  299,  303,  358, 
359,  678. 

Locais  de  —  178,  293,  299  300 
307,  308,  359.  495,  638,  672' 
674,  677,  678,  681,  895,  1134 
1137. 

Quitandeiros  —  673,  1134,  1140 
1143,  1146. 
Içá,  de  —  273.  275. 
Milho  verde,  de  —  275  300 
1431. 

Peixe,  de  —  303,  306,  672 
677,    678,    682    683,  685, 
1086,  1445,  1446. 
Quitutes,  de  —  255,  275,  672. 
Tabuleiros,  em  —  67,  178,  308, 
357,  358,  626,  672,  679,  681 
1131,  1139,  1143,  1146  1427 
1437,  1446. 
Vendedores    anibulaíiics    —  67 
308,  637,  638,  963,  1111,  1131,' 
1138,  11.39,  1356. 
Balas,  d?  1140. 

Bugigangas,  de  —  67,  307,  1431. 
Capim,  de  —  300,  1431. 
Flores,  de  —  963.   1132,  1138. 
Garapa,  de  —  644,  647,  1140, 
1443. 

Jornais,  de  —  1131,  1137,  1138. 
Pinhão,   de   —   175    178  Vò 
275,  1427. 


Tempos  primitivos,  nos  —  ^94 
296. 

LOJAS  E  MERCADORIAS 
Localização  c  horário 

Horários  de  funcionamento  — 
299,  316,  358,  700,  703. 

Localização  das  principais  — 
161,  198,  316,  317,  318,  319 
621,  672,  673,  698,  1035,  1039 
1132,  1161,  1167,  1168,  1169 
1183,  1356,  1359. 

Lojas  em  bairros  —  1035  1039 
1046,  1168. 

Lojas     fechadas,  vendendo 
pelas  janelas  —  311. 
Lojistas  provisórios  —  699. 
Lojas  —  293,  296,  303,  316,  317 
318,  319,  495,  672. 
Bijuterias,  de  —  698,  699. 
Calçados,  de  —  698,  700. 
Fazendas  e  armarinhos,  de  — 

161,  297,  307,  319,  698  699 

707,  709,  710,  791,  1162,  1163.' 
Ferragens,  de  —  318,  319,  698 

1162. 

Indistmção  do  comércio    29S 

296,  299,  300,  303,  317,  318' 
673,   709,   710,  1162. 

Jóias  e  relógios,  de  —  699 
700,  710,  1168. 

Louças,  de  —  319,  698. 

Modas  e  confecções,  de  —  673 
703,  705,  706,  710,  1161,  1163,' 
1164,  1167. 

Nas  mãos  de  franceses  —  67 
673,  706,  710,   1163,  116?'. 
Móveis,  de  —  1164. 
Secos  e  molhados,  de  —  161 
303,  30